{"id":997,"date":"2016-02-12T15:35:58","date_gmt":"2016-02-12T17:35:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.analisebioenergetica.com\/site\/?p=997"},"modified":"2016-02-12T15:35:58","modified_gmt":"2016-02-12T17:35:58","slug":"a-paz-perene-com-a-natureza-e-a-mae-terra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/a-paz-perene-com-a-natureza-e-a-mae-terra\/","title":{"rendered":"A paz perene com a natureza e a M\u00e3e Terra"},"content":{"rendered":"<div id=\"fb-root\"><\/div>\n<div>Um dos legados mais fecundos de Francisco de Assis e atualizado por Francisco de Roma \u00e9 a prega\u00e7\u00e3o da paz, t\u00e3o urgente nos dias atuais. A primeira sauda\u00e7\u00e3o que S\u00e3o Francisco dirigia aos que encontrava era desejar \u201cPaz e Bem\u201d que corresponde ao Shalom b\u00edblico. A paz que ansiava n\u00e3o se restringia \u00e0s rela\u00e7\u00f5es inter-pessoais e sociais. Buscava uma paz perene com todos os elementos da natureza, tratando-os com o doce nome de irm\u00e3os e irm\u00e3s.<\/div>\n<p>Especialmente a \u201cirm\u00e3 e M\u00e3e Terra\u201d, como dizia, deveria ser abra\u00e7ada pelo amplexo da paz. Seu primeiro bi\u00f3grafo Tom\u00e1s de Celano resume maravilhosamente o sentimento fraterno do mundo que o invadia ao testemunhar: \u201cEnchia-se de inef\u00e1vel gozo todas as vezes que olhava o sol, contemplava a lua e dirigia sua vista para as estrelas e o firmamento. Quando se encontrava com as flores, pregava-lhes como se fossem dotadas e intelig\u00eancia e as convidava a louvar a Deus. Fazia-o com tern\u00edssima e comovedora candura: exortava \u00e0 gratid\u00e3o os trigais e os vinhedos, as pedras e as selvas, a plantura dos campos e as correntes dos rios, a beleza das hortas, a terra, o fogo, o ar e o vento\u201d.<\/p>\n<p>Esta atitude de rever\u00eancia e de enternecimento levava-o a recolher as minhocas dos caminhos para n\u00e3o serem pisadas. No inverno dava mel \u00e0s abelhas para que n\u00e3o morressem de escasseza e de frio. Pedia aos irm\u00e3os que n\u00e3o cortassem as \u00e1rvores pela raiz, na esperan\u00e7a de que pudessen se regenerar. At\u00e9 as ervas daninhas deveriam ter um lugar reservado nas hortas, para que pudessem sobreviver, pois \u201celas tamb\u00e9m anunciam o formoss\u00edsmo Pai de todos os seres\u201d.<\/p>\n<p>S\u00f3 pode viver esta intimidade com todos os seres quem escutou sua resson\u00e2ncia simb\u00f3lica dentro da alma, unindo a ecologia ambiental com a ecologia profunda; jamais se colocou acima das coisas mas ao p\u00e9 delas, verdadeiramente como quem convive como irm\u00e3o e irm\u00e3, descobrindo os la\u00e7os de parentesco que une a todos.<\/p>\n<p>O universo franciscano e ecol\u00f3gico nunca \u00e9 inerte nem as coisas est\u00e3o jogadas a\u00ed, ao alcance da m\u00e3o possessora do ser humano ou juxtapostas uma ao lado da outra, sem interconex\u00f5es entre elas. Tudo comp\u00f5e uma grandiosa sinfonia cujo maestro \u00e9 o pr\u00f3prio Criador. Todas s\u00e3o animadas e personalizadas; por intui\u00e7\u00e3o descobriu o que sabemos atualmente por via cient\u00edfica (Crick e Dawson, os que decifraram o DNA) que todos os viventes somos parentes, primos, irm\u00e3os e irm\u00e3s, por possuirmos o mesmo c\u00f3digo gen\u00e9tico de base. Francisco experimento espiritualmente esta consanguinidade.<\/p>\n<p>Desta atitude nasceu uma imperturb\u00e1vel paz, sem medo e sem ame\u00e7as, paz de quem se sentesempre em casa com os pais, os irm\u00e3os e as irm\u00e3s.<\/p>\n<p>S\u00e3o Francisco realizou plenamente a espl\u00eandida defini\u00e7\u00e3o que a Carta da Terra encontrou para a paz: \u201d\u00e9 aquela plenitude criada por rela\u00e7\u00f5es corretas consigo mesmo, com as outras pessoas, outras culturas, outras vidas, com a Terra e com o Todo maior do qual somos parte\u201d(n.16 f). O Papa Francisco parece ter realizado as condi\u00e7\u00f5es para a paz que irradia.<\/p>\n<p>A suprema express\u00e3o da paz, feita de conviv\u00eancia fraterna e acolhida calorosa de todas as pessoas e coisas \u00e9 simbolizada pelo conhecido relato da perfeita alegria. Atrav\u00e9s de um artif\u00edcio da imagina\u00e7\u00e3o, Francisco apresenta todo tipo de inj\u00farias e viol\u00eancias contra dois confrades (um deles \u00e9 ele pr\u00f3prio, Francisco). Encharcados de chuva e de lama, chegam, exaustos, ao convento. Ai s\u00e3o recha\u00e7ados a bastonadas (\u201cbatidos com um pau de n\u00f3 em n\u00f3\u201d) pelo frade porteiro. Embora tenham sido reconhecidos como confrades, s\u00e3o vilipendiados moralmente e rejeitados como gente de m\u00e1 fama.<\/p>\n<p>No relato da perfeita alegria, que encontra paralelos na tradi\u00e7\u00e3o budista, Francico vai, passo a passo, desmontando os mecanismos que geram a cultura da viol\u00eancia. A verdadeira alegria n\u00e3o est\u00e1 na autoestima, nem na necessidade de reconheicmento, nem em fazer milagres e falar em linguas. Em seu lugar, coloca os fundamentos da cultura da paz: o amor, a capacidade de suportar as contradi\u00e7\u00f5es, o perd\u00e3o e a reconcilia\u00e7\u00e3o para al\u00e9m de qualquer pressuposi\u00e7\u00e3o ou exig\u00eancia pr\u00e9via. Vivida esta atitude, irrompe a paz que \u00e9 uma paz interior inalter\u00e1vel, capaz de conviver jovialmente com as mais duras oposi\u00e7\u00f5es, paz como fruto de um completo despojamento. N\u00e3o s\u00e3o essas as prim\u00edcias de um Reino de justi\u00e7a, de paz e de amor que tanto desejamos?<\/p>\n<p>Esta vis\u00e3o da paz de S\u00e3o Francisco representa um outro modo de ser-no-mundo, uma alternativa ao modo de ser da modernidade e das p\u00f3s-modernidade, assentado sobre a posse e o uso desrespeitoso das coisas para o desfrute humano sem qualquer outra considera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Embora tenha vivido h\u00e1 mais de oitocentos anos, novo \u00e9 ele e n\u00e3o n\u00f3s. N\u00f3s somos velhos e envelhecidos que com a nossa voracidade estamos destruindo as bases que sustentam a vida em nosso planeta e pondo em risco o nosso futuro como esp\u00e9cie. A descoberta da irmandade c\u00f3smica nos ajudar\u00e1 a sair da crise e nos devolver\u00e1 a inoc\u00eancia perdida que \u00e9 a claridade infantil da idade adulta.<\/p>\n<p><strong>Leonardo Boff<\/strong> \u00e9 autor de A ora\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Francisco:uma mensagem de paz para o mundo atual,Vozes 2012<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um dos legados mais fecundos de Francisco de Assis e atualizado por Francisco de Roma \u00e9 a prega\u00e7\u00e3o da paz, t\u00e3o urgente nos dias atuais. 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