{"id":96,"date":"2011-01-11T01:47:00","date_gmt":"2011-01-11T01:47:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.analisebioenergetica.com\/site\/?p=96"},"modified":"2011-01-11T01:47:00","modified_gmt":"2011-01-11T01:47:00","slug":"memoria-emocional-e-doenca-a-possibilidade-do-encontro-com-nossa-crianca-ferida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/memoria-emocional-e-doenca-a-possibilidade-do-encontro-com-nossa-crianca-ferida\/","title":{"rendered":"MEM\u00d3RIA EMOCIONAL E DOEN\u00c7A A POSSIBILIDADE DO ENCONTRO COM NOSSA CRIAN\u00c7A FERIDA"},"content":{"rendered":"<div id=\"fb-root\"><\/div>\n<p>    23 &#8211; T\u00edtulo do trabalho<br \/>    MEM\u00d3RIA EMOCIONAL E DOEN\u00c7A<br \/>    A POSSIBILIDADE DO ENCONTRO COM NOSSA CRIAN\u00c7A FERIDA<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Fernando de Freitas<br \/>M\u00e9dico Gastro-Cirurgi\u00e3o,<br \/>Coordenador do Curso de Psicossom\u00e1tica do Instituto Lumen,<br \/>Professor do Instituto Lumen de Rib.Preto e S\u00e3o Paulo,<br \/>CBT em an\u00e1lise Bioenerg\u00e9tica,<br \/>Terapeuta em Bioss\u00edtese,<br \/>Terapeuta em Biodin\u00e2mica.<\/p>\n<p>\u00abA mente afeta o corpo e o<br \/>corpo afeta a mente \u00ab<br \/>Hip\u00f3crates<\/p>\n<p>Georg Groddeck (1866-1934), m\u00e9dico alem\u00e3o, que, seguindo a tradi\u00e7\u00e3o hipocr\u00e1tica, estruturou seu trabalho no doente e n\u00e3o na doen\u00e7a. Desenvolveu as bases do trabalho psicos-som\u00e1tico e paralelo ao desenvolvimento da Psican\u00e1lise pro Freud, criou uma linha anal\u00edtica baseada nas doen\u00e7as. Em sua perspectiva, via a doen\u00e7a como uma linguagem da crian\u00e7a ferida, sendo os sintomas uma mensagem para o adulto, sobre seus traumas e necessidades infantis reprimidas. A doen\u00e7a como uma possibilidade de comunica\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a com o mundo adulto, que na inf\u00e2ncia era representado pelos pais e familiares, e, hoje, pelo adulto que cada pessoa desenvolveu durante a vida. Essa mensagem vem atrav\u00e9s de sentimentos, dores, atualiza\u00e7\u00e3o de traumas antigos que requerem um cuidado adequado consigo mesmo, necessitando eventualmente grandes mudan\u00e7as no estilo e qualidade de vida.<br \/>Assim como o trabalho de Reich com a an\u00e1lise do car\u00e1ter, aprofundada por Alexander Lowen, podemos ver como a hist\u00f3ria infantil vai sendo escrita no corpo e na alma das pessoas. O mundo emocional vai dando forma e significado \u00e0 vida. Como terapeutas podemos ver, atrav\u00e9s das manifesta\u00e7\u00f5es do car\u00e1ter, a hist\u00f3ria traum\u00e1tica e possibilitando uma maior compreens\u00e3o de nossos clientes, e abrindo muitos caminhos para o tratamento.<\/p>\n<p>A individualidade<\/p>\n<p>O desenvolvimento do ser humano, de sua identidade, vai sendo constru\u00eddo por tudo que o afeta em sua vida. A nutri\u00e7\u00e3o intra-uterina com alimentos adequados ou n\u00e3o, o estado emocional materno refletindo atrav\u00e9s do sistema hormonal e sistema nervoso aut\u00f4nomo, alterando o t\u00f4nus da musculatura uterina e sua irriga\u00e7\u00e3o. Os desejos e conflitos que cercam a gravidez, assim como o suporte econ\u00f4mico, afetivo da fam\u00edlia e do pai da crian\u00e7a. A hist\u00f3ria relativa aos pap\u00e9is de pai e m\u00e3e na inf\u00e2ncia dos genitores. A expectativa colocada na crian\u00e7a que vir\u00e1 . A forma como se deu essa fecunda\u00e7\u00e3o e o amor colocado nessa uni\u00e3o. Essa crian\u00e7a vindo como fruto do amor do casal e representando a concretiza\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o de ambos, e\/ou para preencher car\u00eancias emocionais de um ou ambos os pais.<br \/>Pode-se acrescentar uma quantidade infinita de fatores que envolvem e influenciam o in\u00edcio de uma vida. Tudo sendo registrado em seu corpo e mente, formando a base dos seus referenciais futuros. O que sentimos, pensamos e agimos passa por todos essas mem\u00f3rias que nos marcam conforme a intensidade e freq\u00fc\u00eancia que ocorreram.<br \/>Cada pessoa tem uma forma diferente de estar neste mundo e nas diversas rela\u00e7\u00f5es que estabelecemos. Quando se encontra um papel com um nome e telefone no bolso da pessoa que amamos ocorrer\u00e1 uma s\u00e9rie de associa\u00e7\u00f5es dentro de n\u00f3s. Ser\u00e1 dado um significado a esse fato. Podemos sentir indiferen\u00e7a, curiosidade, medo ,raiva, desespero, dor, etc&#8230;Desses sentimentos desencadeia-se uma s\u00e9rie de pensamentos, terminando com alguma forma de a\u00e7\u00e3o. Tudo isso cria uma rea\u00e7\u00e3o no parceiro e no relacionamento, e, conseq\u00fcentemente, uma nova cadeia de sentimentos, pensamentos e a\u00e7\u00f5es.<br \/>Cada indiv\u00edduo tem sua pr\u00f3pria maneira de relacionar-se consigo e com os outros. \u00c9 como ver o mundo com uma lente de diferentes cores, que foca muito determinados fatos e n\u00e3o v\u00ea outros. Como a impress\u00e3o digital tem linhas e sulcos de diferentes formatos que nos diferencia dos outros, tamb\u00e9m \u00e9 a nossa maneira de viver. Cada um dentro de um corpo e mente fruto de hist\u00f3rias e viv\u00eancias particulares, tentando fazer contato com outros diferentes universos emocionais, sendo que a maioria acredita falar a mesma l\u00edngua, ver o mundo da mesma forma e n\u00e3o entendendo o porqu\u00ea dos desencontros, desilus\u00f5es, desentendimentos, conflitos e sentimentos de isolamento e solid\u00e3o. \u00c9 como um habitante que sempre viveu nos tr\u00f3picos que discute com um esquim\u00f3 sobre clima, h\u00e1bitos alimentares, cultura e a rotina di\u00e1ria, acreditando que o outro tenha o mesmo referencial que ele.<\/p>\n<p>A mem\u00f3ria gen\u00e9tica<\/p>\n<p>A mem\u00f3ria gen\u00e9tica contida no DNA \u00e9 fruto de uma longa hist\u00f3ria de evolu\u00e7\u00e3o da vida tentando se adaptar da melhor forma poss\u00edvel neste mundo. O desenvolvimento da nossa ra\u00e7a e esp\u00e9cie \u00e9 uma das formas que a vida encontrou para seguir. As caracter\u00edsticas espec\u00edficas dos seres humanos, surgiram de muitas pequenas conquistas e sucessos que foram somando-se no percurso. No estudo do c\u00e9rebro podemos identificar essa evolu\u00e7\u00e3o, podendo-se distinguir a parte mais antiga, denominada de reptiliana (tronco cerebral e cerebelo), o sistema l\u00edmbico (c\u00e9rebro das emo\u00e7\u00f5es) presente nos mam\u00edferos, e o c\u00f3rtex e neoc\u00f3rtex caracter\u00edsticos dos humanos.<br \/>Quando o espermatoz\u00f3ide encontra-se com o \u00f3vulo, determina uma o aparecimento de um novo ser, com 23 pares de cromossomos que herda de seus genitores parte de suas mem\u00f3rias gen\u00e9ticas, que orientar\u00e1 a forma\u00e7\u00e3o de toda a estrutura corporal. Todas as c\u00e9lulas ser\u00e3o regidas por esse maestro, formando \u00f3rg\u00e3os, sistemas e o funcionamento harm\u00f4nico de todo esse conjunto. Esse corpo ser\u00e1 tamb\u00e9m moldado pelo meio que vive, carregando suas conquistas e descobertas consigo para passar \u00e0s outras gera\u00e7\u00f5es. Para isso, conta com um sofisticado sistema de mem\u00f3ria e de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As mem\u00f3rias adquiridas<\/p>\n<p>O tamanho do c\u00e9rebro dos primatas est\u00e1 intimamente ligado ao tamanho do grupo social que pertence. Uma das aptid\u00f5es essenciais para o crescimento do grupo \u00e9 a comunica\u00e7\u00e3o, permitindo uma maior troca de conhecimentos, a identifica\u00e7\u00e3o dos<br \/>componentes do grupo, a for\u00e7a do coletivo sobre as amea\u00e7as, a organiza\u00e7\u00e3o das fun\u00e7\u00f5es e dos relacionamentos. Isso deve ter levado \u00e0 expans\u00e3o do c\u00f3rtex frontal e da linguagem.<br \/>Para o arquivamento de tantas informa\u00e7\u00f5es era extremamente importante ter uma sele\u00e7\u00e3o adequada da import\u00e2ncia de cada uma delas. Como saber de animais predadores, alimentos adequados e os venenosos, onde descansar e como relacionar-se dentro de uma hierarquia social. Tais exemplos podem dar uma dimens\u00e3o da quantidade de fun\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para a conviv\u00eancia e sobreviv\u00eancia do grupo.<br \/>Tudo que nos afeta orienta a forma\u00e7\u00e3o das sinapses e dos caminhos dos est\u00edmulos nervosos no c\u00e9rebro. Desde a forma\u00e7\u00e3o do c\u00e9rebro ocorre essa modelagem. Os afetos intra-uterinos tem uma grande import\u00e2ncia, pois o feto inicia sua prepara\u00e7\u00e3o para relacionar-se com sua m\u00e3e e viver no mundo externo. Atrav\u00e9s do referencial materno ocorrer\u00e1, por exemplo, o ciclo dia-noite, no\u00e7\u00f5es de repouso e atividade, rea\u00e7\u00f5es emocionais maternas sentidas atrav\u00e9s do sistema nervoso aut\u00f4nomo e hormonal. Quando nascemos, j\u00e1 temos uma grande quantidade de experi\u00eancias registradas, e, assim, com uma s\u00e9rie de recursos j\u00e1 desenvolvidos.<br \/>Ao nascermos temos em torno de 200 bilh\u00f5es de neur\u00f4nios, com o auge de sua plasticidade na primeira inf\u00e2ncia. Uma \u00ablei\u00bb de sobreviv\u00eancia do c\u00e9rebro determina que : se n\u00e3o usar, perde. Conforme nossa evolu\u00e7\u00e3o as sinapses v\u00e3o se formando e criando os caminhos dos est\u00edmulos. Cada neur\u00f4nio pode fazer de 1 a 10.000 sinapses. Nesse per\u00edodo estabelecemos um funcionamento peculiar da mente que orientar\u00e1 a forma de estarmos no mundo. Essa \u00e9 a nossa pedra fundamental. Atrav\u00e9s das hist\u00f3rias traum\u00e1ticas organizamos nosso conjunto de mecanismos de defesa, que organizar\u00e1 nossa estrat\u00e9gia de vida, nosso car\u00e1ter. Esse \u00e9 a pedra bruta que lapidaremos com a vida, formando novas sinapses a cada insight, a cada aprendizado e a cada viv\u00eancia que far\u00e1 parte de n\u00f3s.<\/p>\n<p>O fator emocional<\/p>\n<p>O colorido emocional \u00e9 uma grande ferramenta para a mem\u00f3ria. No sistema l\u00edmbico, que \u00e9 o c\u00e9rebro das emo\u00e7\u00f5es, h\u00e1 dois grandes princ\u00edpios essenciais para a vida : autopreserva\u00e7\u00e3o e a preserva\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie. Cada fato passa por esse referencial, e, dependendo da import\u00e2ncia, ser\u00e1 \u00absentido\u00bb e memorizado. Diversas \u00e1reas do sistema l\u00edmbico est\u00e3o envolvidas na mem\u00f3ria, como por exemplo:<br \/>&#8211; Amigdala &#8211; mem\u00f3rias traum\u00e1ticas inconscientes, importantes para a sobreviv\u00eancia, e, quando acionadas, determinam uma resposta imediata \u00e0 situa\u00e7\u00e3o, antes mesmo do fato se tornar consciente.<br \/>&#8211; Hipocampo &#8211; come\u00e7a a funcionar gradativamente a partir dos 3 anos de idade. \u00c9 respons\u00e1vel em guardar e evocar as mem\u00f3rias pessoais. Por aqui lembramos de fatos, pessoas, situa\u00e7\u00f5es, datas, locais e podemos descrever de forma mais clara. Temos ent\u00e3o as mem\u00f3rias conscientes.<br \/>Por isso temos dificuldade de lembrar fatos da nossa inf\u00e2ncia.<br \/>&#8211; Put\u00e2men &#8211; mem\u00f3rias procidementais, como patinar, andar de bicicleta, etc&#8230;<br \/>&#8211; N\u00facleo caudado &#8211; instintos, que s\u00e3o mem\u00f3rias geneticamente codificadas, tem aqui a sua origem.<br \/>\u00c9 interessante notar que as viv\u00eancias determinantes da estrutura\u00e7\u00e3o do car\u00e1ter s\u00e3o arquivadas na amigdala cerebral. Este n\u00facleo mant\u00e9m no inconsciente as hist\u00f3rias traum\u00e1ticas, e \u00e9 determinante nas rea\u00e7\u00f5es emocionais e corporais. Como fator de sobreviv\u00eancia ele avalia todas as situa\u00e7\u00f5es que nos envolve e age independente do racional. Essa mem\u00f3ria \u00e9 imprecisa mas extremamente poderosa. \u00c9 por este funcionamento que compreendemos o ditado popular: \u00abQuem foi mordido por cobra tem medo de lingui\u00e7a\u00bb. Nossos medos mais primitivos encontram-se escritos aqui. Os traumas da crian\u00e7a ferida s\u00e3o escritos aqui.<\/p>\n<p>O registro emocional no corpo<\/p>\n<p>Quanto ao corpo, a energia produzida pela absor\u00e7\u00e3o do oxig\u00eanio e dos alimentos, s\u00e3o distribu\u00eddas atrav\u00e9s do sangue para cada c\u00e9lula. O sangue \u00e9 o portador de Eros, carrega a energia de vida que ir\u00e1 nutrir as diferentes estruturas corporais. Tal distribui\u00e7\u00e3o ocorre por controle do sistema nervoso aut\u00f4nomo e hormonal, que s\u00e3o funcionalmente mensageiros do sistema l\u00edmbico. Do hipot\u00e1lamo nascem os nervos do simp\u00e1tico e parassimp\u00e1tico, que formam o sistema nervoso aut\u00f4nomo, e tamb\u00e9m est\u00e1 intimamente relacionado com a hip\u00f3fise, que \u00e9 uma sofisticada gl\u00e2ndula que orienta o funcionamento de importantes gl\u00e2ndulas do corpo, como por exemplo a tire\u00f3ide, a suprarrenal e as g\u00f4nadas, al\u00e9m de outros horm\u00f4nios como o de crescimento, ocitocina, prolactina, luteinizante, entre outros. Estas estruturas regulam a homeostasia e comportamentos motivados, relacionados a fome, sede, sexo, temperatura, distribui\u00e7\u00e3o de gordura corporal, etc&#8230;<br \/>\u00c0 medida que as diversas partes do corpo s\u00e3o utilizadas em intensidade e freq\u00fc\u00eancia, estimuladas e irrigadas, vai dando contorno e forma. Assim como a hist\u00f3ria emocional vai moldando a mente, tamb\u00e9m molda o corpo, pois a distribui\u00e7\u00e3o de energia e as a\u00e7\u00f5es, s\u00e3o feitas pelo c\u00e9rebro emocional. As emo\u00e7\u00f5es s\u00e3o essenciais para organizar todos os relacionamentos, fazendo com que me aproxime e me afaste de pessoas e situa\u00e7\u00f5es. Pode-se comparar as emo\u00e7\u00f5es com as cores : algumas prim\u00e1rias ( alguns pesquisadores citam-nas como avers\u00e3o, medo, raiva e amor parental ) e uma infinidade de complexas combina\u00e7\u00f5es . As emo\u00e7\u00f5es prim\u00e1rias n\u00e3o exigem consci\u00eancia, podendo fazer com que as pessoas precipitem rea\u00e7\u00f5es como fugir ou ir ao encontro, sem a m\u00ednima consci\u00eancia, levando a resultados catastr\u00f3ficos em muitas ocasi\u00f5es.<\/p>\n<p>A doen\u00e7a como linguagem da crian\u00e7a ferida<\/p>\n<p>O corpo precisa estar num equil\u00edbrio para manter a sa\u00fade, e ,quando ocorre desequil\u00edbrios, a doen\u00e7a gradualmente vai se instalando. Esses desequil\u00edbrios podem ser vistos progressivamente: energ\u00e9ticos (portanto ligados ao emocional), funcionais e org\u00e2nicos. Groddeck captou atrav\u00e9s da doen\u00e7a a comunica\u00e7\u00e3o com a crian\u00e7a. As necessidades infantis n\u00e3o satisfeitas, seus traumas e seus conflitos ficam guardados, pois naquele momento n\u00e3o puderam ser reconhecidos pelos adultos que estavam \u00e0 sua volta. A express\u00e3o adequada dessas necessidades foi alterada, e, ao fecharmos a porta essa energia achar\u00e1 uma forma de sair por janelas, alterando seu percurso e manifestando-se por sentimentos, pensamentos e a\u00e7\u00f5es estranhos ao fluxo natural e saud\u00e1vel. O corpo registra a hist\u00f3ria e expressa os conflitos at\u00e9 que possam ser compreendidos e solucionados da melhor forma poss\u00edvel. Groddeck dizia que a doen\u00e7a \u00e9 a nossa melhor amiga, pois conta-nos tudo que precisamos ouvir e \u00e9 muito verdadeira em suas mensagens. Pede uma altera\u00e7\u00e3o na forma de vida, imp\u00f5e mudan\u00e7as radicais na forma doentia que vivemos. A doen\u00e7a \u00e9 o caminho da sa\u00fade, ela nos obriga a mudar, nos mostra uma necessidade inconsciente. Faz com que o adulto que hoje desenvolvemos possa estar em contato com nossas reais necessidades e com nosso self. Olhamos para nossos corpos e nosso interior, sentimos a dor do esfor\u00e7o, do uso inadequado do nosso corpo, motivados pela necessidade de sobreviv\u00eancia e de amor.<br \/>A doen\u00e7a \u00e9 o alarme que soa quando nos distanciamos de n\u00f3s mesmos. Ela nos conecta e nos p\u00f5e limites adequados. Conta-nos nossos traumas e nossa hist\u00f3ria. Ao adoecermos temos uma s\u00e9rie de rea\u00e7\u00f5es: de como nos relacionamos com nossas dores, do valor exagerado ou negligente, dos medos associados, da forma como tentamos nos cuidar ou nos livrar desses inc\u00f4modos, de como nos tratamos, de como buscamos ajuda adequada ou n\u00e3o, de como confiamos em que algu\u00e9m possa nos compreender e nos ajudar. Cada fator destes descreve fatos de nossa hist\u00f3ria, trazendo \u00e0 superf\u00edcie o emocional infantil e possibilitando compreender como os adultos lidaram com essa crian\u00e7a e com suas dores.<br \/>Ao assumirmos nossa pr\u00f3pria vida e a responsabilidade por ela, poderemos ser o adulto adequado para a nossa crian\u00e7a. Nossos pais e nossa fam\u00edlia fizeram parte do trabalho, e pudemos chegar at\u00e9 aqui. Agora, a responsabilidade compete a n\u00f3s, de buscar ambientes saud\u00e1veis, escolher bons relacionamentos, entender o limite de nossos corpos e respeit\u00e1-los, ouvir os avisos do corpo e cuidar da melhor forma poss\u00edvel.<br \/>A partir do amor a n\u00f3s mesmos, podemos fluir o amor ao outro. Respeitando nossa individualidade, respeitamos a do outro. Aceitando, compreendendo e respeitando nossa hist\u00f3ria e nossa luta, com a for\u00e7a e tamb\u00e9m nossa fraqueza fruto do caminho percorrido, faremos o mesmo com quem vivemos. A maior riqueza que podemos ter \u00e9 a de relacionamentos Com a diversidade de estrat\u00e9gias de vida aprendemos tamb\u00e9m formas novas e interessantes que poder\u00e3o fazer parte de n\u00f3s, se nos mantivermos abertos ao novo. Cada encontro e relacionamento \u00e9 a oportunidade de aprendizado e de ensinamento.<br \/>O encontro com nossa crian\u00e7a \u00e9 a d\u00e1diva da doen\u00e7a, e quando pudermos manter esse contato, n\u00e3o precisaremos mais dessa forma de comunica\u00e7\u00e3o. Nos devolve a no\u00e7\u00e3o de sermos humanos e, ao inv\u00e9s de ficarmos repetindo ininterruptamente a hist\u00f3ria traum\u00e1tica, assumir a dire\u00e7\u00e3o de nossas vidas, rever valores e estarmos em nossas pernas caminhando com nossa crian\u00e7a ao lado.<\/p>\n<p>\u00abO adulto que n\u00e3o tem contato com sua crian\u00e7a, tem atitudes infantis\u00bb<br \/>Georg Groddeck<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>23 &#8211; T\u00edtulo do trabalho MEM\u00d3RIA EMOCIONAL E DOEN\u00c7A A POSSIBILIDADE DO ENCONTRO COM NOSSA CRIAN\u00c7A FERIDA Jos\u00e9 Fernando de FreitasM\u00e9dico Gastro-Cirurgi\u00e3o,Coordenador do Curso de Psicossom\u00e1tica<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[19],"tags":[],"class_list":["post-96","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-congresso-2003"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/96","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=96"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/96\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=96"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=96"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=96"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}