{"id":826,"date":"2016-07-07T16:34:30","date_gmt":"2016-07-07T19:34:30","guid":{"rendered":"http:\/\/www.analisebioenergetica.com\/site\/?p=826"},"modified":"2016-07-07T16:34:30","modified_gmt":"2016-07-07T19:34:30","slug":"a-sexualidade-e-o-corpo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/a-sexualidade-e-o-corpo\/","title":{"rendered":"A Sexualidade e o Corpo"},"content":{"rendered":"<div id=\"fb-root\"><\/div>\n<p><strong>O DESENVOLVIMENTO DA TEORIA REICHIANA<\/strong><\/p>\n<p>Quando Reich alcan\u00e7a a psican\u00e1lise, em 1920, cursando o pen\u00faltimo ano de medicina, a maioria dos conceitos psicanal\u00edticos est\u00e1 bem desenvolvida, assim como a t\u00e9cnica da livre associa\u00e7\u00e3o j\u00e1 ocorre tal e qual a conhecemos atualmente. O acolhimento por parte da psican\u00e1lise \u00e0s quest\u00f5es sexuais foi o que mais interessou Reich nesses estudos. Em seus estudos anteriores \u00e0 psican\u00e1lise, buscou guarida para suas d\u00favidas sobre a import\u00e2ncia da sexualidade na forma\u00e7\u00e3o do psiquismo.<\/p>\n<p>Entretanto, n\u00e3o encontrou nada que o satisfizesse.<\/p>\n<p>Ingressou no seleto grupo de estudos de Freud e passou a trabalhar como psicanalista.<\/p>\n<p>Pensar na sexualidade \u00e9 pensar nas diferentes maneiras de vivenciar o prazer. A libido na psican\u00e1lise tem a conota\u00e7\u00e3o de energia sexual, ligada \u00e0s puls\u00f5es sexuais, como energia buscando fluxo, buscando um caminho de resolu\u00e7\u00e3o. Freud define a puls\u00e3o como um fluxo cont\u00ednuo; \u00e9 uma for\u00e7a constante interna ao organismo, da qual n\u00e3o se pode escapar. Reich segue esse mesmo caminho e desenvolve sua teoria da an\u00e1lise do car\u00e1ter tomando o conceito de libido como energia sexual. No primeiro momento, a teoria reichiana se chama economia sexual.<\/p>\n<p>No decorrer de sua pr\u00e1tica cl\u00ednica, Reich encontrou grandes dificuldades com a aceita\u00e7\u00e3o da regra b\u00e1sica da psican\u00e1lise: a livre associa\u00e7\u00e3o. Alguns pacientes seguiam essa regra e faziam associa\u00e7\u00f5es valiosas para o processo anal\u00edtico. A maioria, contudo, n\u00e3o seguia a regra e apresentava forte resist\u00eancia que, para Reich, significava \u201cresist\u00eancia\u201d \u00e0 elimina\u00e7\u00e3o do recalque. Chamou essa resist\u00eancia de \u201ccontrainvestimento\u201d do ego (uma for\u00e7a inconsciente que se op\u00f5es ao desejo de an\u00e1lise).<br \/>\nExatamente em cima dessas dificuldades \u00e9 que Reich vai desenvolver a t\u00e9cnica da an\u00e1lise das resist\u00eancias e, como consequ\u00eancia disso, a teoria da an\u00e1lise do car\u00e1ter. \u00c9 no desenrolar da pr\u00e1tica que Reich cerifica a limita\u00e7\u00e3o da t\u00e9cnica de livre associa\u00e7\u00e3o. Busca ent\u00e3o outra solu\u00e7\u00e3o para a pr\u00e1tica cl\u00ednica, a qual vai denominar an\u00e1lise do car\u00e1ter.<\/p>\n<p>A teoria da libido foi, para Reich, o grande ponto de apoio para a teoria da an\u00e1lise do car\u00e1ter. No desenvolvimento libidinal ele encontrou tamb\u00e9m o estabelecimento e a estrutura\u00e7\u00e3o do car\u00e1ter, ou seja, o car\u00e1ter teria sua forma\u00e7\u00e3o, mas diferentes fases do desenvolvimento libidinal, de acordo com as experi\u00eancias vividas.<\/p>\n<p>O desenvolvimento da crian\u00e7a se d\u00e1 tanto do ponto de vista fisiol\u00f3gico como do ponto de vista psicossexual. O desenvolvimento psicossexual se inicia com o autoerotismo (gratifica\u00e7\u00e3o direta das puls\u00f5es parciais), quando a crian\u00e7a tem o pr\u00f3prio corpo como objeto; nesse momento, o pequeno busca gratifica\u00e7\u00e3o imediata, tocando, chupando diferentes partes do corpo no momento em que se sente excitado para isso. Depois passa pelo narcisismo prim\u00e1rio, quando ocorre o surgimento da estrutura ps\u00edquica conhecida como ego, e, por fim, direciona-se a um objeto externo, caminhando em dire\u00e7\u00e3o ao amor objetal. Isso se d\u00e1 no momento em que as puls\u00f5es parciais se submetem ou s\u00e3o submetidas \u00e0 primazia da genitalidade.<\/p>\n<p>Para a psican\u00e1lise, o relacional \u00e9 tido como um acontecimento entre sujeito e objeto. O objeto de amor de uma crian\u00e7a, na fase f\u00e1lica, de acordo com a cultura, \u00e9 incestuoso, ou seja, \u00e9 o amor pela m\u00e3e ou irm\u00e3, pai ou irm\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo Reich, Freud v\u00ea no \u00c9dipo o complexo nuclear das neuroses. Justifica isso apontando que, no desenvolvimento infantil, a crian\u00e7a necessariamente fica com a resolu\u00e7\u00e3o libidinal comprometida para seu primeiro objeto de desejo, assim como tem de se subjulgar \u00e0 vontade\/autoridade do pai, dessa maneira ficando impedida, nesse momento, de direcionar a libido para um objeto sexual externo. Tanto para a psican\u00e1lise como para Reich, o complexo de \u00c9dipo se apresenta como estrutural para o psiquismo e vai desempenhar papel fundamental tamb\u00e9m na estrutura\u00e7\u00e3o do desejo. \u00c9 o momento definitivo para a futura organiza\u00e7\u00e3o psicossexual, em que as puls\u00f5es parciais dever\u00e3o dar lugar \u00e0 prioridade da zona genital. Do ponto de vista do direcionamento da libido, h\u00e1 uma primazia para os \u00f3rg\u00e3os genitais. Nessa fase, manifestam-se os rudimentos da futura organiza\u00e7\u00e3o sexual, na qual a busca do prazer envolver\u00e1 o todo e n\u00e3o apenas o prazer de \u00f3rg\u00e3o, assim como a preocupa\u00e7\u00e3o com o prazer do outro, n\u00e3o apenas o pr\u00f3prio. Esse assunto \u00e9 muito complexo e envolveria muito mais que a simples no\u00e7\u00e3o mencionada aqui.<\/p>\n<p>A grande quest\u00e3o, para Reich, \u00e9 que esse pai\/m\u00e3e est\u00e1 ali como representante da cultura, ou seja, a proibi\u00e7\u00e3o como uma resolu\u00e7\u00e3o da cultura e n\u00e3o como um determinismo biol\u00f3gico. Nessa medida, o complexo de \u00c9dipo pode ser visto como uma formula\u00e7\u00e3o repressiva da cultura e n\u00e3o algo da natureza do psiquismo. Reich v\u00ea na opress\u00e3o da cultura a origem das dificuldades para o homem se desenvolver livremente, e n\u00e3o algo inscrito de modo determinista em seu psiquismo.<\/p>\n<p>A repress\u00e3o da sexualidade entraria como um componente fundamental na forma\u00e7\u00e3o do car\u00e1ter.<\/p>\n<p>Do ponto de vista do desenvolvimento psicossexual, antes da fase f\u00e1lica, o prazer que o beb\u00ea sente ao sugar o leite da m\u00e3e \u00e9 socialmente aceito, pois \u00e9 visto como necessidade de se alimentar,assim como, na fase anal, o prazer da crian\u00e7a em defecar ou fazer a sua \u201cobra\u201d tamb\u00e9m \u00e9 socialmente aceito; diz respeito \u00e0 higiene, e isso \u00e9 ignorado como zona er\u00f3gena. Na fase f\u00e1lica, por\u00e9m, isso n\u00e3o est\u00e1 mais escondido. O prazer de \u00f3rg\u00e3o est\u00e1 voltado para os genitais. A sexualidade fica expl\u00edcita, uma vez que a crian\u00e7a, que se expressa livremente, antes de introjetar a repress\u00e3o da cultura, o faz em rela\u00e7\u00e3o ao seu genital.<\/p>\n<p>\u00c9 nesse momento que a repress\u00e3o sexual se explicita. E, n o conflito com seu meio, o pequeno ser acaba estruturando sua maneira defensiva, isto \u00e9, seu car\u00e1ter.<\/p>\n<p>A repress\u00e3o prov\u00e9m da mem\u00f3ria de experi\u00eancias dolorosas vividas anteriormente e que hoje n\u00e3o podem chegar \u00e0 consci\u00eancia. O que causa a repress\u00e3o \u00e9 uma impossibilidade de elabora\u00e7\u00e3o ps\u00edquica para uma determinada situa\u00e7\u00e3o.<br \/>\nEnt\u00e3o, a condi\u00e7\u00e3o b\u00e1sica para a repress\u00e3o \u00e9 a presen\u00e7a de um conte\u00fado n\u00e3o elaborado que traz ang\u00fastia e que \u00e9 mantido, ent\u00e3o, sem representa\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica.<\/p>\n<p>Reich segue dizendo que o que decorre da insatisfa\u00e7\u00e3o libidinal \u00e9 a frustra\u00e7\u00e3o. O efeito patog\u00eanico da frustra\u00e7\u00e3o se d\u00e1 quando h\u00e1 um \u00fanico objeto de desejo ou uma \u00fanica forma de gratifica\u00e7\u00e3o. Quando \u00e9 poss\u00edvel uma compensa\u00e7\u00e3o por meio de outra forma de gratifica\u00e7\u00e3o, temos, ent\u00e3o, a sublima\u00e7\u00e3o. Nesse caso, os objetivos sociais est\u00e3o acima dos sexuais.<\/p>\n<p>Ocorre que as pessoas t\u00eam capacidade limitada de sublimar. Tamb\u00e9m a satisfa\u00e7\u00e3o fica presa a um pequeno n\u00famero de objetos e fins. Isso interfere na mobilidade da libido. Em suma, na etiologia da neurose, a fixa\u00e7\u00e3o libidinal \u2013 fixa\u00e7\u00e3o em uma fase do desenvolvimento psicossexual- apresenta-se como fator interno e a frustra\u00e7\u00e3o, como fator externo. Esses dois fatores s\u00e3o igualmente preponderantes na causa das neuroses.<\/p>\n<p>Conclui Reich, assim, que h\u00e1 tr\u00eas fatores na etiologia das neuroses: a frustra\u00e7\u00e3o, a fixa\u00e7\u00e3o da libido que busca um caminho de escoamento e a tend\u00eancia ao conflito entre as for\u00e7as do ego e a energia libidinal \u2013 ou seja, a frustra\u00e7\u00e3o \u00e1 realiza\u00e7\u00e3o do desejo sexual; a fixa\u00e7\u00e3o da libido em um momento do desenvolvimento, que procura apenas esse tipo de gratifica\u00e7\u00e3o; e o conflito entre as estrutura\u00e7\u00f5es defensivas do ser e a energia libidinal que pede passagem.<\/p>\n<p>Da mesma forma, como a libido percorre essas fases, sofrendo interven\u00e7\u00f5es e influ\u00eancias do contato com o meio, tamb\u00e9m o car\u00e1ter vai ter sua formata\u00e7\u00e3o de acordo com o grau, maior ou menor, de fixa\u00e7\u00e3o em cada um desses momentos.<\/p>\n<p>A base da forma\u00e7\u00e3o do car\u00e1ter est\u00e1 na maneira como o sujeito d\u00e1 uma resolu\u00e7\u00e3o para a situa\u00e7\u00e3o enfrentada, isto \u00e9, na consolida\u00e7\u00e3o de um jeito particular de lidar e funcionar com situa\u00e7\u00f5es que venham a reproduzir is sentimentos daquele primeiro momento. \u00c9 uma resposta defensiva que \u00e9 vivida pelo consciente como algo constitucional e n\u00e3o fruto de uma fixa\u00e7\u00e3o neur\u00f3tica. A forma\u00e7\u00e3o do car\u00e1ter se d\u00e1 no conjunto de mecanismos de defesa que se repetem a cada nova situa\u00e7\u00e3o; h\u00e1 um investimento em defesa e n\u00e3o em busca de vivenciar o prazer.<\/p>\n<p>Os mecanismos de defesa passam a ser preponderantes, independentemente do conte\u00fado.<br \/>\nA finalidade desses mecanismos de defesa seria preservar o ego das exig\u00eancias internas e externas. Seria o car\u00e1ter o defensor do ego quanto \u00e0s solicita\u00e7\u00f5es do id e as restri\u00e7\u00f5es do superego.<\/p>\n<p>Os mecanismos de defesa utilizam-se da energia dispon\u00edvel n\u00e3o para obter prazer, mas tranquilidade. \u00c9 um investimento energ\u00e9tico em paralisia, em conter o fluxo, em permanecer est\u00e1tico para n\u00e3o sofrer. Os mecanismos de defesa nos protegem na ang\u00fastia. Com eles, perdemos parte de nossa vida ps\u00edquica, embora o restante continue funcionando. Mas h\u00e1 uma perda na capacidade de usufruto da vida.<\/p>\n<p>Reich denomina a forma\u00e7\u00e3o do car\u00e1ter de encoura\u00e7amento, por essa forma\u00e7\u00e3o restritiva da mobilidade do psiquismo como um todo. Os fluxos vitais espont\u00e2neos se det\u00eam diante da rigidez da coura\u00e7a. O autor observou que, assim como h\u00e1 um enrijecimento no psiquismo, tamb\u00e9m lhe corresponde um enrijecimento no corpo, ou seja, as tens\u00f5es que objetivam defender o corpo das vicissitudes da vida se cronificam. Assim, o corpo n\u00e3o perde a estrutura defensiva, mesmo que n\u00e3o esteja amea\u00e7ado. As tens\u00f5es cr\u00f4nicas enrijecem i corpo, que, da mesma forma como est\u00e1 defendido de receber sensa\u00e7\u00f5es prazerosas. A coura\u00e7a limita a mobilidade e diminui a amplitude das sensa\u00e7\u00f5es. Tende a respostas autom\u00e1ticas e percep\u00e7\u00e3o reduzida.<br \/>\nH\u00e1 um estancamento da energia vital, limitando o seu fluxo e a vitaliza\u00e7\u00e3o do organismo.<\/p>\n<p>A energia da qual estamos falando \u00e9 a energia vital, aquela que possui qualquer ser vivo, enquanto est\u00e1 vivo. Sobre energia nos diz Lowen (1982): \u201ca energia est\u00e1 envolvida em todos os processos da vida, nos movimentos, nos sentimentos e pensamentos, e os mesmos chegariam ao fim se a fonte de energia para o organismo se esgotasse\u201d. Essa energia adv\u00e9m dos alimentos, da respira\u00e7\u00e3o e dos processos metab\u00f3licos vivenciados por cada ser vivo. Ela produz o calor que aquece os corpos e tamb\u00e9m oferece energia para os movimentos corporais, metabolismo e processos mentais. A disponibilidade de energia que cada ser possui e como ele ir\u00e1 utiliz\u00e1-la determinar\u00e3o tanto os seus processos fisiol\u00f3gicos como mentais e emocionais.<\/p>\n<p>N\u00e3o se pode pensar a energia sem pensar na carga e descarga dessa energia. A vida necessita de um equil\u00edbrio entre carga e descarga. Na psicoterapia corporal, a principal forma de trabalhar com a carga \u00e9 por intermedi\u00e1rio da respira\u00e7\u00e3o, mas se trabalha tamb\u00e9m com exerc\u00edcios e massagem.<\/p>\n<p>Pensar em energia nos leva tamb\u00e9m a pensar no fluxo dessa mesma energia. \u00c9 o fluxo da energia vital que d\u00e1 a qualidade de vivo; fluxo como circula\u00e7\u00e3o dessa mesma energia, como movimento. A forma mais ilustrativa para falar em fluxo \u00e9 fazer uma analogia com o fluxo sangu\u00edneo, que percorre todas as c\u00e9lulas do organismo vivo, levando nutrientes e oxig\u00eanio para a combust\u00e3o em cada c\u00e9lula, assim como recolhendo detritos que n\u00e3o mais s\u00e3o necess\u00e1rios ao seu funcionamento.<\/p>\n<p>A circula\u00e7\u00e3o da energia vital deveria ser constante e flu\u00edda, mas n\u00e3o \u00e9 sempre assim. Na medida em que o organismo interage com o meio, desenvolve o que Reich chamou de coura\u00e7a. Existe uma coura\u00e7a muscular, que s\u00e3o os mecanismos de defesa organizados em forma de contra\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica, e existe tamb\u00e9m uma coura\u00e7a caracteriol\u00f3gica, que se refere ao conjunto de mecanismos de defesa atuando no sistema emocional. Sendo assim, o ps\u00edquico \u00e9 indivis\u00edvel; atua tanto no corpo como no mental com a mesma energia.<\/p>\n<p>\u00c9 exatamente esse conjunto de mecanismos de defesa atuando tanto no corpo como nos psiquismo que aumenta ou diminui o fluxo de energia vital no organismo. Na medida em que o indiv\u00edduo entra em contato com as suscetibilidades da exist\u00eancia, arma-se ou desarma-se inconscientemente, diminuindo ou aumentando a circula\u00e7\u00e3o da sua energia vital.<\/p>\n<p><strong>A SEXUALIDADE NA PSICOTERAPIA CORPORAL<\/strong><\/p>\n<p>Embora, este cap\u00edtulo trate da sexualidade, \u00e9 necess\u00e1rio esclarecer que a psicoterapia corporal trata o paciente como um todo, n\u00e3o apenas as suas quest\u00f5es sexuais. A psicoterapia corporal se at\u00e9m a todas as possibilidades de libera\u00e7\u00e3o de fluxo para uma vida mais afirmativa.<\/p>\n<p>No s\u00e9culo XX ocorreu uma verdadeira revolu\u00e7\u00e3o sexual, mas essa mudan\u00e7a teve uma caracter\u00edstica quantitativa e n\u00e3o qualitativa. A repress\u00e3o sexual \u00e9 um fator frequentemente limitador da express\u00e3o livre da sexualidade at\u00e9 os dias de hoje, ainda que, depois de mais de 100 anos da inven\u00e7\u00e3o da psican\u00e1lise, tenha passado por muitas modifica\u00e7\u00f5es. J\u00e1 n\u00e3o se encontram mais as mesmas manifesta\u00e7\u00f5es hist\u00e9ricas que levaram ai surgimento da psican\u00e1lise, mas outras manifesta\u00e7\u00f5es da repress\u00e3o sexual est\u00e3o presentes atualmente.<\/p>\n<p>Nunca ocorreu tanta exacerba\u00e7\u00e3o do corpo e de apelos sobre a sexualidade por interm\u00e9dio da m\u00eddia e das manifesta\u00e7\u00f5es dos valores dessa \u00e9poca. Isso, no entanto, n\u00e3o corresponde a uma liberta\u00e7\u00e3o sexual; ao contr\u00e1rio, \u00e9 at\u00e9 um indicador de que novos tabus foram e est\u00e3o sendo criados.<\/p>\n<p>Se, no passado, os sentimentos sexuais tinham de ser reprimidos por uma moral vigente que ditava os \u201cbons costumes\u201d, agora uma mesma moral diz de que forma o sexo e a sexualidade t\u00eam de ser vividos. N\u00e3o parece existir nenhuma liberdade nisso. Continua sendo criada uma ideia exterior ao desejo sexual que comanda como o sexo deve ser feito, ditando formas e objetivos a serem alcan\u00e7adas para se obter sucesso sexual. Isso mant\u00e9m a ideia de tabu, apenas deslocado do lugar de pouco ou sem sexo para o lugar de como o sexo deve ser feito.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma primazia da quantidade em detrimento da qualidade da experi\u00eancia sexual, uma vez que a maneira de viv\u00ea-la \u00e9 determinada de fora.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 o caso de se desconsiderar que alguns ganhos ocorreram ao longo desses anos, quando alguns adventos da cultura mudaram para sempre a forma de as pessoas se relacionarem sexualmente \u2013 fatores como a entrada definitiva da mulher no mercado de trabalho e a consequente independ\u00eancia econ\u00f4mica que lhe permite escolher se quer ou n\u00e3o permanecer com um parceiro e tamb\u00e9m quando o quer, bem como o surgimento da p\u00edlula anticoncepcional, que propiciou um grau muito maior de liberdade no sentido de a sexualidade ser vivida com prazer, sem o risco de engravidar.<\/p>\n<p>Na medida em que essas possibilidades aumentaram e, nas d\u00e9cadas de 1960 e 1970, foi poss\u00edvel viver a era do \u201camor livre\u201d, na d\u00e9cada de 1980 surge outro fator de repress\u00e3o muito poderoso: a AIDS. A partir desse momento, a p\u00edlula j\u00e1 n\u00e3o era mais t\u00e3o segura para garantir o prazer.<\/p>\n<p>Os preservativos que j\u00e1 existiam antes disso passaram a ser regra para o \u201csexo seguro\u201d que se propagava nesse momento. De novo, o lugar da experimenta\u00e7\u00e3o sexual esta amea\u00e7ado.<\/p>\n<p>Com o passar do tempo, o pavor inicial foi diminuindo. A AIDS j\u00e1 n\u00e3o mata como no come\u00e7o e o jovem de hoje n\u00e3o se sente t\u00e3o amea\u00e7ado pelos seus horrores. Outra PE a din\u00e2mica dos amores contempor\u00e2neos. O casamento n\u00e3o \u00e9 mais indissol\u00favel. As pessoas se casam e se divorciam, e vivem juntas sem a regulamenta\u00e7\u00e3o de um contrato que lhes assegure a continuidade do v\u00ednculo. J\u00e1 n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio estar casado nem mesmo namorando para se fazer sexo com algu\u00e9m. Um encontro fortuito e casual pode levar os parceiros a se relacionar sexualmente. N\u00e3o mais \u00e9 necess\u00e1rio estar casado nem mesmo apaixonado para fazer sexo. O sexo parece estar sendo vivido bem distanciado do envolvimento amoroso que se pregava algumas d\u00e9cadas atr\u00e1s. Aos poucos, os encontros sexuais deixam de ser tabu e as pessoas experimentam amar de forma mais ampla, sem tantas restri\u00e7\u00f5es da cultura. \u00c9 ineg\u00e1vel, todavia, que ainda h\u00e1 muito preconceito nessa dire\u00e7\u00e3o, o que pode ser um fator altamente repressor no desenvolvimento da sexualidade.<\/p>\n<p>De qualquer forma, a repress\u00e3o que antes limitava a express\u00e3o livre do desejo sexual parece hoje vigorar em outro sentido. A repress\u00e3o de hoje guarda uma exig\u00eancia de desempenho qualitativo pr\u00e9-formatado \u2013 \u00e9 necess\u00e1rio possuir um corpo tal, gostar de um corpo tal, gozar de tal forma, etc. \u2013 e at\u00e9 mesmo um desempenho quantitativo \u2013 tantas vezes, com tantas pessoas, etc. Isso frequentemente desencadeia dificuldades na ordem da entrega aos sentimentos sexuais. Sendo assim, o desejo sexual fica aprisionado na forma e n\u00e3o ganha a express\u00e3o e o fluxo que poderiam gerar um prazer sexual mais genu\u00edno.<\/p>\n<p>E onde tudo isso est\u00e1 se passando? Nas rela\u00e7\u00f5es. Nas rela\u00e7\u00f5es entre os corpos. Os corpos dos amantes\u2026Sejam fortuitos ou comprometidos com a continuidade.<\/p>\n<p>Ao escrever a teoria da an\u00e1lise do car\u00e1ter, Reich pensava nesses mecanismos de defesa organizados por cada um desde as primeiras rela\u00e7\u00f5es, desde os primeiros contatos. Car\u00e1ter como conjunto de caracter\u00edsticas com manifesta\u00e7\u00f5es no psiquismo como um todo, presente e, cada c\u00e9lula dos organismos. Assim como s\u00e3o contidas as formas de express\u00e3o verbal a partir desses mecanismos de defesa, tamb\u00e9m as express\u00f5es corporais est\u00e3o amarradas em condi\u00e7\u00f5es cr\u00f4nicas que emitem respostas repetitivas. Raramente \u00e9 poss\u00edvel dar passagem a um livre fluxo de energia sexual.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m a energia sexual se encontra em todo o corpo, n\u00e3o apenas nos genitais ou zonas er\u00f3genas. Sendo assim, toda a pele \u00e9 um tecido excit\u00e1vel, assim como qualquer parte do corpo que possa ser excitada.<\/p>\n<p>Quando escreveu \u201cA Fun\u00e7\u00e3o do Orgasmo\u201d, em 1932, Reich (1995) introduziu o conceito de pot\u00eancia org\u00e1stica como a \u201ccapacidade de abandonar-se, livre de quaisquer inibi\u00e7\u00f5es, ao fluxo de energia biol\u00f3gica; a capacidade de descarregar completamente a excita\u00e7\u00e3o sexual reprimida, por meio de involunt\u00e1rias e agrad\u00e1veis convuls\u00f5es do corpo\u201d \u2013 isso no abra\u00e7o genital. Para Reich, a pot\u00eancia org\u00e1stica est\u00e1 comprometida para todos os sujeitos neur\u00f3ticos, sendo a entrega e as sensa\u00e7\u00f5es sexuais apenas parciais. Isso decorre de seu car\u00e1ter neur\u00f3tico, que impede a qualquer neur\u00f3tico experimentar o orgasmo plenamente.<\/p>\n<p>Reich chegou a esse conceito depois de anos de observa\u00e7\u00e3o e de tentativas de trabalhar dentro do m\u00e9todo da psican\u00e1lise. Em centenas de casos que tratou ao longo desses anos diz nunca ter encontrado uma mulher que n\u00e3o tivesse uma perturba\u00e7\u00e3o org\u00e1stica vaginal, e que isso estava presente na origem de todas as doen\u00e7as; e mais que a perturba\u00e7\u00e3o genital era um importante sintoma da neurose. Embora Reich tivesse 100% de resultados positivos para essa afirma\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres, com os homens isso n\u00e3o era t\u00e3o frequente. Nesse momento Reich buscava a fonte de energia das neuroses e parecia-lhe que a repress\u00e3o sexual era a explica\u00e7\u00e3o. Nesse momento, considerava-se que um homem era potente se conseguisse ter uma rela\u00e7\u00e3o sexual e ainda mais potente se conseguisse faz\u00ea-lo por v\u00e1rias vezes seguidas. Para Reich, entretanto, nenhum paciente teria a capacidade de sentir uma satisfa\u00e7\u00e3o genital plena. Mesmo homens que apresentavam pot\u00eancia eretiva experimentavam pouco ou nenhum prazer nas rela\u00e7\u00f5es sexuais. Conclui ele que nenhum neur\u00f3tico \u00e9 plenamente potente orgasticamente.<\/p>\n<p>Para recuperar a total pot\u00eancia org\u00e1stica, \u00e9 necess\u00e1rio trabalhar com as neuroses do paciente de forma a liberar o fluxo vital energ\u00e9tico que o permita usufruir plenamente de sua vida. Como diz Reich, a \u201cconvuls\u00e3o bioenerg\u00e9tica involunt\u00e1ria do organismo e a completa solu\u00e7\u00e3o da excita\u00e7\u00e3o s\u00e3o as caracter\u00edsticas mais importantes da pot\u00eancia org\u00e1stica\u201d. Nesse caso, deve-se trabalhar para restabelecer o fluxo bioenerg\u00e9tico, possibilitando maior troca com o meio com o uso pleno das suas fun\u00e7\u00f5es vitais.<\/p>\n<p>O TRABALHO PSICOCORPORAL<\/p>\n<p>Em psicoterapia corporal, trabalha-se tanto do ponto de vista verbal como corporal. Far\u00e3o parte desse tratamento a t\u00e9cnica da associa\u00e7\u00e3o livre, na qual o paciente traz os conte\u00fados que o perpassam no momento da sess\u00e3o, e a associa\u00e7\u00e3o que o psicoterapeuta faz com seus processos energ\u00e9ticos e corporais, assim como exerc\u00edcios ou toques que possam favorecer o desbloqueio da coura\u00e7a.<br \/>\nA an\u00e1lise do processo hist\u00f3rico do paciente, sempre de acordo com o que est\u00e1 presente no momento da psicoterapia, complementa-se com o entendimento energ\u00e9tico organ\u00edsmico com o que est\u00e1 sendo contado e como est\u00e1 sendo vivido.<\/p>\n<p>O corpo possui uma linguagem que \u00e9 chamada de linguagem n\u00e3o verbal. O tom de voz, o ritmo da fala e o olhar muitas vezes dizem muito mais que o conte\u00fado das palavras. A forma de caminhar e a postura com que o paciente chega \u00e1 psicoterapia falam muito sobre como ele se encontra nesse momento. A intera\u00e7\u00e3o do corpo do pr\u00f3prio terapeuta, sua postura e a energia que despende na sess\u00e3o tamb\u00e9m s\u00e3o informa\u00e7\u00f5es passadas ao paciente por meio da linguagem n\u00e3o verbal. Rea\u00e7\u00f5es na face, como franzir a testa, arregalar os olhos, etc., diante de alguma fala do paciente, s\u00e3o formas de express\u00e3o que devem ser consideradas pelo terapeuta.<\/p>\n<p>A psicoterapia corporal trabalha com a possibilidade de carga e descarga de energia. Para Lowen, \u201co organismo vivo s\u00f3 pode existir se houver um equil\u00edbrio entre a carga e a descarga de energia\u201d. De acordo com o seu momento de vida, o indiv\u00edduo consome mais ou menos energia, carrega ou descarrega mais ou menos energia. Uma crian\u00e7a em fase de crescimento necessitar\u00e1 consumir mais energia, assim como algu\u00e9m que esteja convalescente de alguma enfermidade. Para Reich, o indiv\u00edduo se abastece de mais energia do que consome e, no orgasmo, tem a regula\u00e7\u00e3o da sua energia, equilibrando o organismo.<\/p>\n<p>O trabalho corporal vai se atentar e trabalhar para restabelecer o fluxo dessa energia, que, como j\u00e1 falamos, fica comprometida na medida em que a neurose se organiza em mecanismos de defesa. Esse trabalho tem como objetivo potencializar o paciente para que ele desfrute e afirme a vida da forma mais real poss\u00edvel. Os exerc\u00edcios dessas pr\u00e1ticas corporais tentam promover a autoexpress\u00e3o e a sexualidade, assim como favorecer a gra\u00e7a e a coordena\u00e7\u00e3o dos movimentos.<\/p>\n<p>Um dos pontos de enfoque inicial para o trabalho corporal \u00e9 a consci\u00eancia do pr\u00f3prio corpo. De maneira geral, as pessoas t\u00eam pouca no\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio corpo e a imagem corporal que cada um tem de si nem sempre corresponde ao que \u00e9 visto de fora. O trabalho corporal compreende maior percep\u00e7\u00e3o de si, dos sentidos e como se manifestam em seu corpo, da sua respira\u00e7\u00e3o, da distribui\u00e7\u00e3o de energia, das tens\u00f5es etc. \u00c9 poss\u00edvel que a desconex\u00e3o com o corpo seja resultante de medo de entrar em cointato consigo mesmo e com suas emo\u00e7\u00f5es. Na medida em que o indiv\u00edduo tome mais consci\u00eancia de si, tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel tomar mais posse de suas emo\u00e7\u00f5es e mais consci\u00eancia da sua pot\u00eancia de agir, de pensar e de sentir. Nesse caso deixa de suprimir sentimentos e emo\u00e7\u00f5es quanto aos quais se sentiria amea\u00e7ado, conseguindo express\u00e1-los no momento em que est\u00e3o ocorrendo, tornando-se assim mais vitalizado e expressivo. No caso da sexualidade, ao ter consci\u00eancia do corpo, pode ter mais consci\u00eancia do seu desejo sexual. As rea\u00e7\u00f5es diante dessa consci\u00eancia podem ser favor\u00e1veis ou desfavor\u00e1veis, agrad\u00e1veis ou desagrad\u00e1veis, dependendo do n\u00edvel de repress\u00e3o vivido por cada um.<\/p>\n<p>Para tanto, os exerc\u00edcios n\u00e3o s\u00e3o formalizados, mas constru\u00eddos junto com as necessidades do paciente e do momento que est\u00e1 vivendo. N\u00e3o existem f\u00f3rmulas prontas a serem aplicadas de acordo com o caso. Cada caso, cada momento requer uma determinada din\u00e2mica que vai se montando de acordo com o andamento da sess\u00e3o.<\/p>\n<p>O tratamento procurar\u00e1 restabelecer a condi\u00e7\u00e3o mais natural e espont\u00e2nea que foi perdida ao longo da vida. Na medida em que a cultura tende a afastar o homem de sua for\u00e7a mais primitiva, impondo modos de ser e de agir mais d\u00f3ceis e cordatos com o sistema vigente, vamos perdendo a for\u00e7a da nossa natureza animal. Para Lowen, \u201co homem s\u00f3 pode ser humano na propor\u00e7\u00e3o em que tamb\u00e9m for animal. E o sexo faz parte da natureza animal do homem\u201d (1988,p.49). O sexo est\u00e1 ligado aos instintos e ao que se tem de mais primitivo. A educa\u00e7\u00e3o tende a diminuir a for\u00e7a de tudo que \u00e9 primitivo em n\u00f3s. Por meio de uma sexualidade vivida plenamente, podemos nos apoderar de nossa for\u00e7a mais vital e nos tornar mais espont\u00e2neos na busca da satisfa\u00e7\u00e3o do nosso desejo.<\/p>\n<p>O sexo PE uma experi\u00eancia de encontro. Ao se excitar, o que cada um deseja \u00e9 estar o mais pr\u00f3ximo e algu\u00e9m, geralmente algu\u00e9m \u201cem especial\u201d. Como nos diz Lowen: \u201cSensa\u00e7\u00e3o sexual \u00e9 o desejo de proximidade e de uni\u00e3o entre dois corpos\u201d (1988,p.73). A intensidade do contato \u00e9 proporcional \u00e1 excita\u00e7\u00e3o. Contudo, estar com o outro n\u00e3o significa estar para o outro.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel a ningu\u00e9m satisfazer o outro. No m\u00e1ximo, pode-se estimular as sensa\u00e7\u00f5es no outro. A satisfa\u00e7\u00e3o sexual \u00e9 algo que depende de cada um. Depende da entrega que cada um se permite, \u00e1s suas sensa\u00e7\u00f5es, \u00e1s suas emo\u00e7\u00f5es, ao seu corpo, ao seu desejo.<br \/>\nMuitas das dificuldades sexuais \u2013 como impot\u00eancia masculina ou frigidez feminina, dias das maiores dificuldades de relacionar-se sexualmente \u2013 est\u00e3o presentes no momento do encontro. \u00c9 frequente que essas pessoas consigam se excitar sozinhas, mas encontrem dificuldades na presen\u00e7a do outro.<\/p>\n<p>Sendo assim, \u00e9 poss\u00edvel que se atribua ao outro tais dificuldades, e n\u00e3o a si pr\u00f3prio. Mas, como dizia Moacir Costa, em \u201cSexo: o dilema do homem\u201d (1993), \u201c a verdadeira impot\u00eancia \u00e9 a afetiva\u201d. Ou seja, a dificuldade est\u00e1 na entrega ao outro. Est\u00e1 em n\u00e3o se permitir abrir o cora\u00e7\u00e3o para o outro, ou esperar que o outro lhe satisfa\u00e7a as fantasias para poder se entregar. \u00c9 necess\u00e1rio que cada um se implique com o pr\u00f3prio desejo assim como com as pr\u00f3prias dificuldades.<\/p>\n<p>Em uma rela\u00e7\u00e3o sexual, na maior parte do tempo, os movimentos s\u00e3o volunt\u00e1rios e ganham intensidade na medida em que a excita\u00e7\u00e3o cresce. Somente no instante final do orgasmo PE que os movimentos do corpo se tornam involunt\u00e1rios. Esses movimentos tomam conta do corpo por inteiro. Sendo assim, a vontade de cada um, com a consequente participa\u00e7\u00e3o ativa, faz-se necess\u00e1ria para que ocorra o encontro sexual profundo.<\/p>\n<p>Por isso \u00e9 t\u00e3o importante que cada um participe por inteiro em uma rela\u00e7\u00e3o. Assim ter\u00e1 posse de todos os seus sentimentos e sensa\u00e7\u00f5es, entregando-se \u00e0 experi\u00eancia para desfrut\u00e1-la plenamente.<\/p>\n<p><strong>CONSIDERA\u00c7\u00d5ES FINAIS<\/strong><\/p>\n<p>A psicoterapia corporal n\u00e3o vai trabalhar com est\u00edmulos PA excita\u00e7\u00e3o. Isso \u00e9 pertinente ao encontro que cada paciente far\u00e1 com seu parceiro sexual. Trabalhar\u00e1, sim, com a possibilidade de diminuir os mecanismos de defesa que impedem a pessoa de se entregar afetivamente. Trabalhar\u00e1 na dire\u00e7\u00e3o de diminuir os bloqueios e tens\u00f5es cr\u00f4nicas que desvitalizam o organismo e o defendem de experimentar mais plenamente as sensa\u00e7\u00f5es. Desenvolver\u00e1 um trabalho na dire\u00e7\u00e3o de permitir uma vida mais afirmativa na dire\u00e7\u00e3o do seu desejo.<\/p>\n<p>O trabalho pretende potencializar o indiv\u00edduo para a sua vida como um todo e n\u00e3o apenas para a sexualidade. \u00c9 poss\u00edvel observar, contudo, que algu\u00e9m sexualmente satisfeito, que pode experimentar o prazer de um encontro com entrega a si e ao outro, pode ser mais assertivo nas diferentes dire\u00e7\u00f5es de sua vida, seja amorosa, profissional, familiar e social.<\/p>\n<p><strong>REFER\u00caNCIAS<\/strong><\/p>\n<p>COSTA,M. Sexo: o dilema do homem. S\u00e3o Paulo: Gente, 1993.<br \/>\nLOWEN,A. Amor e Orgasmo. 2.ed. S\u00e3o Paulo: Summus, 1988.<br \/>\nLOWEN, A. Bioenerg\u00e9tica. 9.ed. S\u00e3o Paulo: Summus, 1982.<br \/>\nREICH, W. A Fun\u00e7\u00e3o do Orgasmo. 19.ed. S\u00e3o Paulo: Brasiliense, 1995.<\/p>\n<p><strong>LEITURA COMPLEMENTAR<\/strong><\/p>\n<p>BOADELLA, D. Nos Caminhos de Reich. S\u00e3o Paulo: Summus, 1985.<br \/>\nLOWEN, A. Alegria. S\u00e3o Paulo: Summus, 1997.<br \/>\nLOWEN, A. Medo da Vida. 5. Ed. S\u00e3o Paulo: Summus, 1986.<br \/>\nREICH, W. An\u00e1lisis del Caracter. 3. Ed. Buenos Aires: Paid\u00f3s, 1986.<br \/>\nSOARES, L. G. Ritmos e Conex\u00f5es: dan\u00e7ando com Reich, Deleuze e Guatari. S\u00e3o Paulo, 2003, Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado) \u2013 Pontif\u00edca Universidade cat\u00f3lica de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p><strong>Lorene Soares<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O DESENVOLVIMENTO DA TEORIA REICHIANA Quando Reich alcan\u00e7a a psican\u00e1lise, em 1920, cursando o pen\u00faltimo ano de medicina, a maioria dos conceitos psicanal\u00edticos est\u00e1 bem desenvolvida,<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1480,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,9],"tags":[34,59],"class_list":["post-826","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaques","category-flaab","tag-congresso","tag-lorene-soares"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/826","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=826"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/826\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1480"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=826"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=826"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=826"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}