{"id":207,"date":"2011-05-09T11:37:00","date_gmt":"2011-05-09T11:37:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.analisebioenergetica.com\/site\/?p=207"},"modified":"2011-05-09T11:37:00","modified_gmt":"2011-05-09T11:37:00","slug":"como-as-praticas-do-crime-organizado-e-a-violencia-atingem-criancas-e-jovens-pobres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/como-as-praticas-do-crime-organizado-e-a-violencia-atingem-criancas-e-jovens-pobres\/","title":{"rendered":"Como as pr\u00e1ticas do crime organizado e a viol\u00eancia atingem crian\u00e7as e jovens pobres."},"content":{"rendered":"<div id=\"fb-root\"><\/div>\n<h2 style=\"padding-top: 10px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; font-family: Tahoma, Geneva, sans-serif; font-weight: bold; font-size: 25px; color: #414042; line-height: 22px; margin: 0px;\"><!--more--><\/h2>\n<div class=\"post-status\" style=\"margin-top: 10px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; clear: both; font-size: 11px; color: #414042; font-family: tahoma, arial; line-height: 22px; padding: 0px;\"><\/div>\n<p><span class=\"Apple-style-span\" style=\"color: #414042; font-family: tahoma, arial; font-size: 12px; line-height: 22px;\"><br style=\"padding: 0px; margin: 0px;\" clear=\"all\" \/><\/span><span class=\"Apple-style-span\" style=\"color: #414042; font-family: tahoma, arial; font-size: 12px; line-height: 22px;\"><small style=\"font-size: 10px; font-family: Tahoma, Geneva, sans-serif; padding: 0px; margin: 0px;\"><i style=\"padding: 0px; margin: 0px;\">por Alba Zaluar, para a Carta Capital<\/i><\/small><\/span><span class=\"Apple-style-span\" style=\"color: #414042; font-family: tahoma, arial; font-size: 12px; line-height: 22px;\"><br style=\"padding: 0px; margin: 0px;\" \/><\/span><\/p>\n<div class=\"post-content\" style=\"margin-top: 10px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 20px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; font-size: 12px; color: #414042; line-height: 22px; font-family: tahoma, arial;\">\n<p style=\"margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 20px; margin-left: 0px; padding: 0px;\"><em style=\"padding: 0px; margin: 0px;\">Como as pr\u00e1ticas do crime organizado e a viol\u00eancia atingem crian\u00e7as e jovens pobres.<\/em><\/p>\n<p style=\"margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 20px; margin-left: 0px; padding: 0px;\">A redu\u00e7\u00e3o da explica\u00e7\u00e3o da criminalidade violenta \u00e0 pobreza e desigualdade impede um entendimento mais complexo da quest\u00e3o. As interconex\u00f5es entre a economia legal e a ilegal nos tr\u00e1ficos \u00e9 tamb\u00e9m pouco acionada nas teorias necess\u00e1rias para pol\u00edticas p\u00fablicas mais eficazes e democr\u00e1ticas. A dissemina\u00e7\u00e3o das pr\u00e1ticas do crime organizado, longe de se restringirem ao tr\u00e1fico de drogas ilegais, inclui o tr\u00e1fico de armas, de crian\u00e7as e de mulheres, \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 20px; margin-left: 0px; padding: 0px;\">Tampouco permite analisar os efeitos inesperados da viol\u00eancia que aumenta o sofrimento dos pobres. Isso na medida em que os obriga a viver entre tiranias \u2013 a dos traficantes e a das pol\u00edcias \u2013 e limita seu ir e vir, sua liberdade de express\u00e3o na vizinhan\u00e7a, al\u00e9m de tornar vulner\u00e1veis os jovens carentes. O acesso aos servi\u00e7os e institui\u00e7\u00f5es do Estado \u2013 escolas, postos de sa\u00fade, quadras de esporte e vilas ol\u00edmpicas \u2013 ficou restrito tamb\u00e9m para os profissionais que atendiam a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 20px; margin-left: 0px; padding: 0px;\">Nas favelas e bairros pobres adjacentes das grandes cidades brasileiras o policiamento \u00e9 prec\u00e1rio, a investiga\u00e7\u00e3o, muitas vezes inexiste, diferentemente do que acontece nos bairros mais ricos da cidade. Este \u00e9 um elemento importante na equa\u00e7\u00e3o que vai explicar a exist\u00eancia de pontos quentes de crimes violentos, especialmente o homic\u00eddio, um crime quase nunca investigado nas \u00e1reas onde h\u00e1 favelas dominadas por traficantes. Al\u00e9m da vulnerabilidade que a pobreza cria, a rede de rela\u00e7\u00f5es sociais e de prote\u00e7\u00e3o institucional do sistema de justi\u00e7a tem enormes falhas em tais locais.<\/p>\n<p style=\"margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 20px; margin-left: 0px; padding: 0px;\">Em S\u00e3o Paulo, uma pesquisa apontou o homic\u00eddio como crime de pobres contra pobres. As autoras ressaltaram dois aspectos: 46,3% dos bairros visitados, todos nas zonas mais carentes da cidade, n\u00e3o contavam com ronda policial; a maior parte dos casos decorria de conflitos banais na periferia que poderiam ser evitados com pol\u00edticas p\u00fablicas que criassem formas de media\u00e7\u00e3o na vizinhan\u00e7a ou na fam\u00edlia. Por fim, a maior parte das v\u00edtimas teve morte anunciada e seus familiares sabiam do destino por terem elas vincula\u00e7\u00f5es com traficantes de drogas ilegais, seja como usu\u00e1rios contumazes, seja por participa\u00e7\u00e3o em outros crimes.<\/p>\n<p style=\"margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 20px; margin-left: 0px; padding: 0px;\">No Rio de Janeiro, estimativas demogr\u00e1ficas indiretas, a partir de dados censit\u00e1rios de 2000, permitiram a compara\u00e7\u00e3o entre diferentes regi\u00f5es administrativas (RA) da cidade, entre as quais figuram as cinco mais populosas favelas em diferentes zonas da cidade. Por meio delas \u00e9 poss\u00edvel identificar as regi\u00f5es de maior risco de mortes violentas, estimando a probabilidade de se morrer jovem, antes dos 30 anos para quem sobreviveu at\u00e9 os 15, visto que nesta faixa de idade 80% das mortes s\u00e3o violentas.<\/p>\n<p style=\"margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 20px; margin-left: 0px; padding: 0px;\">As diferen\u00e7as entre as RAs s\u00e3o significativas: na Lagoa, bairro de alta renda familiar, 3,1 entre os mil sobreviventes at\u00e9 os 15 anos n\u00e3o completaram 30; no Complexo do Alem\u00e3o, conjunto de favelas com o menor IDH da cidade, 12,9 entre mil morrem antes dos 30. As outras tr\u00eas RAs com maior propor\u00e7\u00e3o de jovens que n\u00e3o chegam aos 30 s\u00e3o favelas dominadas por traficantes: Jacarezinho (10), Mar\u00e9 (9), Rocinha (9) e Cidade de Deus (6).<\/p>\n<p style=\"margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 20px; margin-left: 0px; padding: 0px;\">Quando inseridas no mapa da cidade, quatro das RAs, onde o risco de morrer jovem \u00e9 maior, est\u00e3o localizadas nos sub\u00farbios, perto da Ba\u00eda de Guanabara e dos aeroportos e portos, aonde chegam navios e avi\u00f5es, assim como ao longo da Avenida Brasil, por onde passa o transporte rodovi\u00e1rio que liga o Rio de Janeiro a outros Estados e aos pa\u00edses produtores de drogas ilegais.<\/p>\n<p style=\"margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 20px; margin-left: 0px; padding: 0px;\">Segundo dados da pesquisa domiciliar de vitimiza\u00e7\u00e3o, realizada em 2006 pelo Nupevi, a Pol\u00edcia Militar era mais violenta e menos presente nas favelas e nos bairros pobres dos sub\u00farbios, onde est\u00e3o as RAs que exibiram maior risco de morte antes dos 30 anos. A PM disparava dez vezes mais tiros nas favelas do que no asfalto. O barulho de tiros, por outro lado, era ouvido por 60% dos entrevistados nos sub\u00farbios, 65% no centro, mas por 30% na m\u00e9dia da cidade.<\/p>\n<p style=\"margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 20px; margin-left: 0px; padding: 0px;\"><strong style=\"padding: 0px; margin: 0px;\">Conviv\u00eancia e guerra<\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 20px; margin-left: 0px; padding: 0px;\">Essa pesquisa de vitimiza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m revelou o paradoxo da cidade: nas \u00e1reas mais pobres, onde a viol\u00eancia grassava, a boa conviv\u00eancia entre vizinhos, marca da cultura suburbana, era maior. Essa boa conviv\u00eancia, assim considerada pelos entrevistados, apresentava propor\u00e7\u00f5es mais altas nas \u00e1reas em que vivem os pobres: centro (52%), sub\u00farbios (39%) e zona Oeste 36%, enquanto em zonas ricas da cidade era a metade: 20%.<\/p>\n<p style=\"margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 20px; margin-left: 0px; padding: 0px;\"><!--more-->Mais isolados internamente e alvo de desconfian\u00e7a e medo dos seus vizinhos pr\u00f3speros, bairros e favelas onde moram os pobres, embora tenham historicamente contado com grande capacidade organizativa, que se concretizou nas escolas de samba, blocos de carnaval, times de futebol e associa\u00e7\u00f5es de moradores, n\u00e3o contam hoje com os servi\u00e7os p\u00fablicos de qualidade na sa\u00fade e na educa\u00e7\u00e3o. E enfrentam os efeitos desastrosos da falta de policiamento, com incurs\u00f5es eventuais e violentas de for\u00e7as policiais que n\u00e3o se guiam pelas normas legais.<\/p>\n<p style=\"margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 20px; margin-left: 0px; padding: 0px;\">Sem contar com os controles informais, enfraquecidos pela militariza\u00e7\u00e3o dos traficantes, nem com a media\u00e7\u00e3o de conflitos entre esses \u00faltimos, sempre disputando o controle dos pontos de venda e de dom\u00ednio local, o poder policial entrava em \u00e1reas j\u00e1 conflagradas pelo conflito armado. Em c\u00edrculo vicioso, esta situa\u00e7\u00e3o s\u00f3 fazia refor\u00e7ar as pr\u00e1ticas policiais baseadas no abuso de poder e na perspectiva da \u201cguerra contra os inimigos internos\u201d estabelecidas nas \u00faltimas d\u00e9cadas. Mas a pol\u00edcia n\u00e3o deveria fazer guerra contra cidad\u00e3os trabalhadores, crian\u00e7as, idosos, jovens estudantes e donas de casa, nem at\u00e9 mesmo contra suspeitos de praticarem crimes. A ideia da guerra contra outro poder armado \u201cparalelo\u201d, com alta capacidade de corromper, dificultou a ades\u00e3o \u00e0s normas legais que precisariam orientar a a\u00e7\u00e3o policial.<\/p>\n<p style=\"margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 20px; margin-left: 0px; padding: 0px;\">No Rio de Janeiro, as armas de fogo s\u00e3o mais facilmente obtidas por causa dos portos e v\u00e1rios aeroportos, assim como os mais importantes dep\u00f3sitos de armamentos das For\u00e7as Armadas que est\u00e3o dentro do seu territ\u00f3rio. Muitos furtos ocorreram em tais dep\u00f3sitos. Contrabandistas e policiais corruptos tamb\u00e9m forneciam armas \u00e0s quadrilhas. O tr\u00e1fico se militarizou. O uso de armas de fogo pelos traficantes se explica pela l\u00f3gica da guerra: competidores se tornam inimigos mortais que precisam ser dissuadidos pelo aumento progressivo do arsenal de armas e homens da quadrilha.<\/p>\n<p style=\"margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 20px; margin-left: 0px; padding: 0px;\">Os comandos passaram a disputar violentamente o territ\u00f3rio onde controlavam os neg\u00f3cios, a proibir os moradores de \u00e1reas dominadas de cruzar o seu per\u00edmetro, at\u00e9 mesmo para visitar amigos ou parentes. Por isso, favelados, desses bairros, falavam de uma \u201cguerra sem fim\u201d que opunha traficantes de comandos inimigos ou policiais contra traficantes. Na guerra, n\u00e3o somente os quadrilheiros, mas tamb\u00e9m os jovens que viviam em favelas amigas, eram obrigados a ajudar cada vez que os opositores atacavam qualquer favela do mesmo comando. Os \u201csoldados\u201d ou \u201cfalc\u00f5es\u201d formavam ent\u00e3o um \u201cbonde\u201d, que responderia ao ataque de outro \u201cbonde\u201d, constitu\u00eddo da mesma maneira. Por isso, os vizinhos n\u00e3o tinham permiss\u00e3o de cruzar as fronteiras entre as favelas inimigas. Homens foram mortos porque passaram de um setor a outro dominado por redes beligerantes do tr\u00e1fico. Mesmo para trabalhar, mesmo para se divertir no baile. Mulheres foram mortas por ousarem namorar homens de favelas \u201cinimigas\u201d.<\/p>\n<p style=\"margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 20px; margin-left: 0px; padding: 0px;\"><strong style=\"padding: 0px; margin: 0px;\">Etos guerreiro<\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 20px; margin-left: 0px; padding: 0px;\">Adolescentes morreram n\u00e3o apenas em conflitos pelo controle dos pontos comerciais, mas igualmente por amea\u00e7as \u00e0 sua reputa\u00e7\u00e3o. Jovens ensaiando afirmar sua masculinidade no qual o orgulho n\u00e3o se origina da gentileza e outras posturas civilizadas, mas da disposi\u00e7\u00e3o de destruir o advers\u00e1rio, passaram a se identificar com o comando como se este fosse sua p\u00e1tria, defendida at\u00e9 a morte. Absorveram o etos guerreiro que visa \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o f\u00edsica do rival, tornado inimigo mortal, por isso chamado de \u201calem\u00e3o\u201d. Passou a vigorar o cont\u00e1gio de pr\u00e1ticas da viol\u00eancia para fora da rede do tr\u00e1fico. Jovens passaram a andar armados para se proteger de outros jovens armados; juntaram-se a quadrilhas por crer que assim contariam com sua prote\u00e7\u00e3o militar, jur\u00eddica e pessoal; prepararam-se para a guerra, aprenderam a ser crueis e a matar sem hesita\u00e7\u00e3o outros jovens pobres como eles, mas \u201calem\u00e3es\u201d.<\/p>\n<p style=\"margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 20px; margin-left: 0px; padding: 0px;\">Tal etos guerreiro, ou de excesso na masculinidade destrutiva, ao qual os jovens das quadrilhas aderem, impregna o lugar onde os meninos crescem. Pois era nas ruas que eles eram socializados para as pr\u00e1ticas violentas. Ao adotar seus c\u00f3digos, eles procuravam conquistar a considera\u00e7\u00e3o e aceita\u00e7\u00e3o dos membros da quadrilha. Assim se tornaram conformistas e perderam a autonomia, vindo a ser chamados de teleguiados pelos demais moradores. Assim foram progressivamente preparados para matar impiedosamente seus inimigos. Nesse processo, foram sendo anestesiados para o sofrimento infligido aos outros.<br style=\"padding: 0px; margin: 0px;\" \/>Alguns achavam que tal contexto social era composi\u00e7\u00e3o natural e eterna das localidades pobres. N\u00e3o era. Desmantelar as fortalezas de traficantes e interromper o fluxo de armas para a cidade s\u00e3o as primeiras medidas. Mas \u00e9 preciso continuar a desfazer os c\u00edrculos viciosos aqui analisados.<\/p>\n<p style=\"margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 20px; margin-left: 0px; padding: 0px;\">Tudo indica que melhorar a qualidade de atendimento na escola b\u00e1sica, al\u00e9m de educar para a civilidade, seja a sa\u00edda para anular o retrocesso civilizat\u00f3rio que enfrentamos. No Brasil, n\u00e3o \u00e9 o caso, como nos pa\u00edses onde ex\u00e9rcitos mobilizam crian\u00e7as e adolescentes, de trazer a crian\u00e7a de volta \u00e0 escola, \u00e0 fam\u00edlia, \u00e0 vizinhan\u00e7a, deixando de ser soldados. Trata-se de melhorar a escola de modo que n\u00e3o se tornem defasados no estudo e acabem evadindo-se dela.<\/p>\n<p style=\"margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 20px; margin-left: 0px; padding: 0px;\">O ponto central \u00e9, portanto, diminuir o contingente de jovens pobres que n\u00e3o trabalham nem estudam, que vagam pelas ruas, que refor\u00e7am as hostes dos que procuram as quadrilhas para se sentirem protegidos e encontrarem fontes de poder, dinheiro e aceita\u00e7\u00e3o de seus pares. Ensinar, sobretudo, o respeito aos outros \u2013 concidad\u00e3os, professores, familiares, vizinhos, colegas \u2013, a competir sem querer ganhar de qualquer maneira.<\/p>\n<p style=\"margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 20px; margin-left: 0px; padding: 0px;\">Mesmo assim, projetos baseados na vizinhan\u00e7a, em que moradores adultos arranjam atividades para acompanhar e socializar as crian\u00e7as e adolescentes em situa\u00e7\u00e3o vulner\u00e1vel, n\u00e3o podem ser descartados. As escolas de samba, os blocos de carnaval e as escolinhas de esporte devem ser apoiadas, tanto quanto os novos projetos que desenvolvem identidades ou estilos juvenis globalizados, como os do hip-hop. Muitos moradores de bairros pobres e favelas, adultos, j\u00e1 est\u00e3o mobilizados para interagir com os jovens de suas fam\u00edlias e vizinhan\u00e7as, mas faltam-lhes apoio p\u00fablico e reconhecimento.<\/p>\n<p style=\"margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 20px; margin-left: 0px; padding: 0px;\">Como o trauma resultante das experi\u00eancias de viol\u00eancia \u00e9 coletivo, estas iniciativas s\u00e3o mais exitosas em atrair os jovens e iniciar di\u00e1logo com eles do que programas que focam no indiv\u00edduo. Neles, as fam\u00edlias dos jovens podem tamb\u00e9m ser envolvidas e passar a participar do seu crescimento. As formas de associa\u00e7\u00e3o vicinal implantadas na cidade t\u00eam exatamente esse esp\u00edrito e constitu\u00edram, portanto, ve\u00edculos importantes para se chegar aos jovens desgarrados e prepar\u00e1-los para a vida adulta.<\/p>\n<p style=\"margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 20px; margin-left: 0px; padding: 0px;\">Por fim, os projetos t\u00eam de incluir o objetivo de reduzir o acesso e a posse de armas de fogo pelos jovens, pois \u00e9 isso que os mata. As armas que portam v\u00eam, pelo menos desde o fim dos anos 1970, de dep\u00f3sitos das For\u00e7as Armadas, do contrabando, dos estoques das Pol\u00edcias Militares e tamb\u00e9m dos poucos que guardam armas em casa ou andam armados na rua. Primeiramente, \u00e9 preciso, pois, estancar esse fluxo que parte dos dep\u00f3sitos militares e das fronteiras do pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 20px; margin-left: 0px; padding: 0px;\">Educar para a civilidade significa tamb\u00e9m prepar\u00e1-los para exercer os direitos e deveres da cidadania, ensinando-lhes, inclusive, como proceder quando sofrem abusos e intimida\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 20px; margin-left: 0px; padding: 0px;\"><em style=\"padding: 0px; margin: 0px;\">* Mat\u00e9ria \u00e9 parte integrante do suplemento <a style=\"cursor: pointer; text-decoration: none; color: #40ad4c; padding: 0px; margin: 0px;\" href=\"http:\/\/www.cartacapital.com.br\/category\/carta-na-escola\" target=\"_blank\">Carta na Escola<\/a>.<\/em><\/p>\n<p style=\"margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 20px; margin-left: 0px; padding: 0px;\"><em style=\"padding: 0px; margin: 0px;\">** Publicado originalmente no site da revista <a style=\"cursor: pointer; text-decoration: none; color: #40ad4c; padding: 0px; margin: 0px;\" href=\"http:\/\/www.cartacapital.com.br\/carta-na-escola\/morte-e-vida-nas-favelas\" target=\"_blank\">Carta Capital<\/a>.<\/em><\/p>\n<p>(Carta Capital)<\/p>\n<div class=\"sociable\" style=\"margin-top: 16px; margin-right: 0px; margin-bottom: 16px; margin-left: 0px; clear: both; display: block; width: 640px; text-align: left; border-width: 1px; border-color: #ffffff; border-style: solid; padding: 0px;\"><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":864,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4,6],"tags":[51,57],"class_list":["post-207","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","category-destaques","tag-favelas","tag-jovens"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/207","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=207"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/207\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media\/864"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=207"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=207"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=207"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}