{"id":1904,"date":"2016-09-16T00:31:58","date_gmt":"2016-09-16T03:31:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.analisebioenergetica.com\/flaab\/?p=1904"},"modified":"2016-09-16T00:31:58","modified_gmt":"2016-09-16T03:31:58","slug":"o-pensar-e-o-fazer-clinico-no-campo-psicocorporal-reflexoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/o-pensar-e-o-fazer-clinico-no-campo-psicocorporal-reflexoes\/","title":{"rendered":"O pensar e o fazer cl\u00ednico no campo psicocorporal: reflex\u00f5es"},"content":{"rendered":"<div id=\"fb-root\"><\/div>\n<blockquote><p>Este artigo \u00e9 uma s\u00edntese das reflex\u00f5es com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s transforma\u00e7\u00f5es da minha atua\u00e7\u00e3o na cl\u00ednica psicocorporal nos \u00faltimos 30 anos.<\/p><\/blockquote>\n<p>Proponho pensar o sujeito contempor\u00e2neo e no contempor\u00e2neo, a pot\u00eancia dos encontros, a diversidade de ser e estar no mundo e as transforma\u00e7\u00f5es que emergem de tudo isto.<\/p>\n<p>Sabemos que na vida n\u00e3o existem garantias para nada.<\/p>\n<p>Somos a todo instante pressionados pelo aumento das desigualdades, pela competi\u00e7\u00e3o, pelo desemprego, pelo excesso de informa\u00e7\u00e3o, pela fragiliza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es e n\u00e3o \u00e9 de se estranhar que a ang\u00fastia atinja n\u00edveis exacerbantes.<\/p>\n<p>Vivemos dentro de uma velocidade super acelerada que torna tudo e todos obsoletos e encurta o prazo de validade das formas em uso. Alguns acreditam na \u201cvirtude do lucro\u201d dizendo, por exemplo, que \u201ca aut\u00eantica virtude, agora\u201d \u00e9 fazer algo em menos tempo que os demais. Esta conting\u00eancia nos torna escravos do tempo e uma das conseq\u00fc\u00eancias \u00e9 o esgotamento em diferentes nuances, tanto no n\u00edvel f\u00edsico quanto ps\u00edquico.<\/p>\n<p>A vida passa assim a ser sentida e vivida como um grande vazio a ser preenchido, acarretando uma busca incessante e ilus\u00f3ria de um objeto que viria complet\u00e1-la. Muitos ainda acreditam que o reconhecimento s\u00f3 vem pelo sucesso, dinheiro, poder.<\/p>\n<p>A consequ\u00eancia disto tudo \u00e9 um estado cr\u00f4nico de tens\u00e3o, exacerba\u00e7\u00e3o, compuls\u00e3o, at\u00e9 chegar ao des\u00e2nimo, devido ao nosso aprisionamento nestas ilus\u00f5es.<\/p>\n<p>O objetivo do viver passou ent\u00e3o a ser preencher, completar o vazio, as faltas. Isto nos leva ao hiper consumo e se n\u00e3o conseguimos fazer parte deste consumo exacerbado nos sentimos deprimidos, \u00e0 parte do mundo, incompetentes, incapazes.<\/p>\n<p>Outros se sentem humilhados, violentados, descompensados, sem vontade de viver e sem projetos individuais e\/ou coletivos.<\/p>\n<p>Quando se d\u00e3o conta, percebem que foram pegos, capturados, aprisionados, por for\u00e7as pelas quais n\u00e3o tiveram acesso.<\/p>\n<p>Como sair do aprisionamento, do esgotamento e deste modo de funcionamento?&#8230;.<\/p>\n<p>Como simplificar a vida?&#8230;.<\/p>\n<p>Como se abrir e se transformar?&#8230;.<\/p>\n<p>Alguns t\u00eam consci\u00eancia desta condi\u00e7\u00e3o. Outros n\u00e3o a percebem, embora pessoas mais pr\u00f3ximas verifiquem o imenso sofrimento a\u00ed presente. Sofrimento este que aumenta na medida em que n\u00e3o se encontram recursos paracompreender, refletir e buscar possibilidades de sa\u00edda para transformar o alto n\u00edvel de exig\u00eancias, d\u00favidas, aprisionamento e tens\u00e3o.<\/p>\n<p>A psicoterapia vem como uma das possibilidades de resposta e enfrentamento a estas situa\u00e7\u00f5es contempor\u00e2neas.<\/p>\n<p>Sabemos que a psicoterapia \u00e9 um campo do saber cujo objeto de estudo \u00e9 o homem e o seu modo de existir no mundo.<\/p>\n<p>Dentre as diversas abordagens que dispomos atualmente para compreender e trabalhar o ser humano, uma delas \u00e9 a psicoterapia corporal.O homem ao longo da sua hist\u00f3ria (desde S\u00f3crates) foi separando o corpo da mente principalmente porque via o corpo como sede dos v\u00edcios, das doen\u00e7as e do sofrimento.<\/p>\n<p>H\u00e1 mais ou menos 150 anos o homem vem resgatando a import\u00e2ncia do corpo. No campo das psicoterapias, Wilhelm Reich representa um marco importante na \u00e1rea da corporeidade, porque foi ele o precursor do trabalho com o corpo, o te\u00f3rico que introduziu o trabalho corporal na psican\u00e1lise.<\/p>\n<p>Wilhelm Reich (1897 \u2013 1957) nasceu na Gal\u00edcia, (uma parte da \u00c1ustria Germano &#8211; Ucraniana) e pertencia a uma fam\u00edlia judia de classe m\u00e9dia.Em 1918 ingressou na escola m\u00e9dica na Universidade de Viena, mostrou-se sempre um estudante excepcional, capaz de aprender de uma forma r\u00e1pida, meticulosa e sistematicamente. Tamb\u00e9m vivia absorvido pelo desejo de enfrentar de modo contundente os questionamentos cient\u00edficos e filos\u00f3ficos de sua \u00e9poca.<\/p>\n<p>Quando come\u00e7ou sua pr\u00e1tica clinica em 1919, Reich viu que junto com a palavra, o corpo guardava a sensa\u00e7\u00e3o descrita verbalmente, e que era uma dimens\u00e3o que podia ser inclu\u00edda no trabalho psicoterap\u00eautico. Dizia que: \u201cQualquer dist\u00farbio da capacidade de sentir plenamente o pr\u00f3prio corpo corroe a confian\u00e7a em si, como tamb\u00e9m a unidade do sentimento corporal\u201d.<\/p>\n<p>Segundo Reich os seres humanos trazem em sua musculatura a hist\u00f3ria da pr\u00f3pria vida, que est\u00e1 inscrita no corpo, lembrando que por tr\u00e1s de cada contra\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica est\u00e3o os traumas, as dores vivenciadas ao longo da nossa exist\u00eancia, mesmo que n\u00e3o percebidos no momento atual.<\/p>\n<p>A psicoterapia corporal trabalha integrando o n\u00edvel simb\u00f3lico, isto \u00e9, como est\u00e3o registrados na mem\u00f3ria os fatos, acontecimentos que j\u00e1 vivemos e a import\u00e2ncia emocional dos mesmos, juntamente com a leitura corporal de como a pessoa relata e sente a sua hist\u00f3ria. Compreende assim o ser e seus problemas emocionais em termos da din\u00e2mica energ\u00e9tica do corpo, integrando-os com o socius, em que se encontra inserida.<\/p>\n<p>Temos atualmente v\u00e1rias escolas neo e p\u00f3s reichianas e o que une todas elas \u00e9 o conceito de pulsa\u00e7\u00e3o da energia.<\/p>\n<p>Dr Alexander Lowen (1910 &#8211; 2008) \u00e9 um dos mais importantes representantes\/\u00edcones da primeira gera\u00e7\u00e3o neo-reichiana. \u00c9 o criador da an\u00e1lise bioenerg\u00e9tica. Foi aluno de Reich de 1940 a 1952 e seu paciente de 1942 a 1945.<\/p>\n<p>Lowendiz:\u201cVoc\u00ea \u00e9 seu corpo e seu corpo \u00e9 voc\u00ea\u201d. Seu corpo expressa quem voc\u00ea \u00e9, sua forma de ser e estar no mundo. Quanto mais vivo for o seu corpo mais vivamente voc\u00ea estar\u00e1 no mundo. Ele concorda com a vis\u00e3o reichiana do funcionalismo unit\u00e1rio, isto \u00e9 corpo e mente s\u00e3o funcionalmente id\u00eanticos, ou seja, o que acontece na mente acontece no corpo e vice-versa.<\/p>\n<p>Lowen afirma que o indiv\u00edduo que:<\/p>\n<p>&#8211; n\u00e3o respira plenamente reduz a vida do seu corpo,<\/p>\n<p>&#8211; se n\u00e3o se movimenta livremente limita a vida do seu corpo,<\/p>\n<p>&#8211; se n\u00e3o se sente inteiramente estreita a vida do seu corpo e,<\/p>\n<p>&#8211; se sua auto express\u00e3o \u00e9 reduzida o indiv\u00edduo ter\u00e1 a vida do seu corpo restringida.<\/p>\n<p>Para n\u00f3s do campo reichiano e analistas bioenerg\u00e9ticos n\u00e3o existem hierarquia entre mente\/corpo, pois ambos exprimem cada um a seu modo a for\u00e7a da vida. E \u00e9 este o nosso referencial te\u00f3rico, a aposta de trabalho.<\/p>\n<p>Reich nos deixou uma ci\u00eancia dos corpos, das emo\u00e7\u00f5es, dos afetos que se sustenta em uma \u00e9tica libert\u00e1ria.<\/p>\n<p>Mostrou que o car\u00e1ter e postura corporal s\u00e3o express\u00f5es unificadas de um mesmo metabolismoenerg\u00e9tico b\u00e1sico. Mas o que vem a ser o car\u00e1ter?<\/p>\n<p>O car\u00e1ter representa o comportamento habitual, o padr\u00e3o t\u00edpico do comportamento, o modo peculiar de responder \u00e0s situa\u00e7\u00f5es da vida. Neste sentido o car\u00e1ter n\u00e3o \u00e9 outra coisa que a hist\u00f3ria que est\u00e1 congelada, estruturada no corpo.<\/p>\n<p>Uma tens\u00e3o muscular\/caracterol\u00f3gica \u00e9 constru\u00edda\/produzida para evitar a express\u00e3o de um movimento ou afeto e a consequ\u00eancia disto \u00e9 que estas tens\u00f5es tornam-se cr\u00f4nicas.<\/p>\n<p>Poucas s\u00e3o as pessoas na nossa cultura isentas de tens\u00f5es, sendo que estas tens\u00f5es tornam-se respons\u00e1veis pela estrutura de nossas respostas e pela defini\u00e7\u00e3o dos pap\u00e9is que desempenhamos na vida. Estes padr\u00f5es tensionais refletem os traumas vividos durante o crescimento, todas as rejei\u00e7\u00f5es,priva\u00e7\u00f5es, sedu\u00e7\u00f5es, supress\u00f5es e frustra\u00e7\u00f5es. Cada um de n\u00f3s passou por estes sofrimentos em intensidades diferentes.<\/p>\n<p>Para Lowen, trabalhar com as tens\u00f5es musculares exclusivamente, sem a an\u00e1lise das defesas ps\u00edquicas e sem a evoca\u00e7\u00e3o dos sentimentos reprimidos, n\u00e3o comp\u00f5e um processo psicoterap\u00eautico.<\/p>\n<p>Na an\u00e1lise bioenerg\u00e9tica, n\u00e3o abordamos os pacientes como exemplares deste ou daquele tipo de car\u00e1ter. N\u00f3s os vemos como indiv\u00edduos peculiares cuja busca de prazer \u00e9 obstru\u00edda pela ansiedade contra a qual montou um sistema defensivo todo seu. A psicoterapia possibilita o paciente a encarar sua problem\u00e1tica mais profunda e se soltar das amarras impostas pelas experi\u00eancias do seucrescimento\/desenvolvimento, isto \u00e9, que se liberte do que o coage\/pressiona por dentro e por fora para assim torna-se respons\u00e1vel e comprometido com a sua vida, seu viver, seu mundo.<\/p>\n<p>O processo psicoterap\u00eautico em toda sua amplitude instrumentaliza as pessoas e assim possibilita-as a reinventarem e reescreverem a sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>A vida contempor\u00e2nea nos coloca diferentes e novas interroga\u00e7\u00f5es e desafios. Observamos os mais diversos sintomas, desde a depress\u00e3o, o p\u00e2nico, a anorexia, a bulimia, o burn out, as compuls\u00f5es, a drogadic\u00e7\u00e3o, o TOC.<\/p>\n<p>\u00c9 imprescind\u00edvel que encontremos brechas para escapar dos aprisionamentos e imobilismos, pois s\u00f3 assim deixaremos de ser escravos e regidos pelo medo.<\/p>\n<p>Nesta outra forma de funcionar podemos ter espa\u00e7o para realizar e compartilhar ao retomar a condi\u00e7\u00e3o de afetar e ser afetado pelas for\u00e7as do mundo.<\/p>\n<p>Para tanto precisamos tamb\u00e9m buscar conex\u00f5es com outras \u00e1reas do conhecimento como a filosofia, a hist\u00f3ria, a arte, sem receio de perdermos nossas especificidades enquanto psicoterapeutas corporais. Temos tamb\u00e9m que estar atentos para n\u00e3o cairmos na armadilha de reduzir toda a complexa problem\u00e1tica contempor\u00e2nea a um problema unicamente pessoal, individual, considerando, no entanto a singularidade que nos \u00e9 inerente.<\/p>\n<p>Nossa escolha e nossa aposta \u00e9 trabalhar no resgate da pulsa\u00e7\u00e3o da vida e ajudar as pessoas, onde quer que elas estejam a encontrarem seu pr\u00f3prio caminho. Podemos falar que o processo psicoterap\u00eautico implica no desenvolvimento de um projeto vital de autonomia humana, assim ao inv\u00e9s de corpos reativos, impotentes e automatizados corpos ativos e potentes, que experimentam e agem sobre o mundo, inventando respostas e outras formas de vida.<\/p>\n<p><strong>Ana L\u00facia Faria<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este artigo \u00e9 uma s\u00edntese das reflex\u00f5es com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s transforma\u00e7\u00f5es da minha atua\u00e7\u00e3o na cl\u00ednica psicocorporal nos \u00faltimos 30 anos. 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