{"id":165,"date":"2013-11-06T04:00:00","date_gmt":"2013-11-06T04:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.analisebioenergetica.com\/site\/?p=165"},"modified":"2013-11-06T04:00:00","modified_gmt":"2013-11-06T04:00:00","slug":"inibicao-emocional-e-doenca-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/inibicao-emocional-e-doenca-2\/","title":{"rendered":"Inibi\u00e7\u00e3o emocional e doen\u00e7a"},"content":{"rendered":"<div id=\"fb-root\"><\/div>\n<p><b>Inibi\u00e7\u00e3o emocional e doen\u00e7a<\/b><\/p>\n<div><b><br \/><\/b>Harald C. Traue, Russell M. Deighton e Petra Ritschi<\/p>\n<div>\n<p>A afirma\u00e7\u00e3o de que sentimentos suprimidos s\u00e3o perigosos para a sa\u00fade, \u00e9 um componente crucial para as teorias n\u00e3o-profissionais sobre as doen\u00e7as. \u201cDevido ao fato de eu engolir tudo, meu est\u00f4mago fica doendo o tempo todo\u201d \u00e9 um exemplo de autodiagn\u00f3stico. Estas pressuposi\u00e7\u00f5es originam-se de uma longa tradi\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. William James (1890), fil\u00f3sofo fundador da Psicologia Emp\u00edrica, foi provavelmente o primeiro psic\u00f3logo acad\u00eamico a achar que sentimentos suprimidos podem causar doen\u00e7as f\u00edsicas, preocupa\u00e7\u00e3o e agita\u00e7\u00e3o interna. Mas William James, que tamb\u00e9m escreveu sobre quest\u00f5es religiosas, certamente conhecia o salmo 32, que diz: \u201cQuando me mantenho silencioso, meus ossos envelhecem atrav\u00e9s de meu rugido interno o tempo todo\u201d. Ele constatou que a pressuposi\u00e7\u00e3o de que a supress\u00e3o emocional tem um efeito de risco para a sa\u00fade era uma hip\u00f3tese de validade hist\u00f3rica. Como se sabe, alguns anos mais tarde Sigmund Freud (1904\/1905, 1942, pg 240) usou palavras semelhantes em uma an\u00e1lise sobre histeria relativa \u00e0s emo\u00e7\u00f5es suprimidas: \u201cEle que tem olhos para ver e ouvidos para escutar pode se convencer de que nenhum mortal consegue manter um segredo. Se seus l\u00e1bios est\u00e3o selados, ele tagarela com a ponta dos dedos; a trai\u00e7\u00e3o goteja-lhe por todos os poros\u201d.<br \/>Wilhelm Reich (1933) considerou o que chamava de coura\u00e7a muscular como uma realiza\u00e7\u00e3o f\u00edsica da repress\u00e3o e da supress\u00e3o na forma de atividade muscular utilizada para impedir est\u00edmulos emocionais suprimidos de serem transformados em a\u00e7\u00e3o. Assim, considerava os processos de supress\u00e3o relevantes para numerosas doen\u00e7as, especialmente as psicossom\u00e1ticas. Em 1935, Helen Flanders Dunbar publicou muitos estudos de casos em que descrevia causas emocionais que, em sua opini\u00e3o, estavam especificamente relacionadas a doen\u00e7as f\u00edsicas. Franz Alexander (1950) tentou, de maneira mais fisiol\u00f3gica, descrever em seu trabalho padr\u00e3o sobre \u201cMedicina Psicossom\u00e1tica\u201d, as conseq\u00fc\u00eancias do bloqueio de emo\u00e7\u00f5es como a causa central das doen\u00e7as psicossom\u00e1ticas. Um vasto campo de pesquisa, inclusive muitos m\u00e9todos diferentes e artigos emp\u00edricos (ver as seguintes monografias e antologias: Traue &#038; Pennebaker, 1993; Pennebaker, 1995; Vingerhoets et al, 1997; Traue, 1998) foram originadas nas ra\u00edzes hist\u00f3ricas acima mencionadas. Conseq\u00fcentemente, neste campo de pesquisa ningu\u00e9m pergunta se a inibi\u00e7\u00e3o de sentimentos tem efeito nocivo ao organismo humano, mas antes por que e como os processos estruturais, fisiol\u00f3gicos, end\u00f3crinos, imunol\u00f3gicos ou subjetivos das doen\u00e7as est\u00e3o relacionados ao processamento de emo\u00e7\u00f5es e, particularmente, \u00e0 inibi\u00e7\u00e3o delas.<\/p>\n<p>Aspectos te\u00f3ricos do comportamento emocional<br \/>H\u00e1 aproximadamente vinte anos foi constatado que a \u00e1rea da Psicologia carecia de pesquisas sobre emo\u00e7\u00f5es. Nesta \u00e9poca, Bruce W. Heller (1983, pg 190), ao criticar o dom\u00ednio das abordagens comportamental e cognitiva, ironicamente lamentou que Descartes n\u00e3o tenha dito: \u201cSinto, logo existo\u201d, mas que tenha preferido o processo do pensamento, introduzido assim a filosofia segundo a qual as emo\u00e7\u00f5es eram menos importantes do que as cogni\u00e7\u00f5es. Ele tamb\u00e9m sup\u00f4s que seria dif\u00edcil objetivar emo\u00e7\u00f5es para uma pesquisa emp\u00edrica e experimental, e que, portanto, seria melhor evit\u00e1-las.O cavalo da emotividade desapareceu dos est\u00e1bulos durante s\u00e9culos. Ignorava-se, ent\u00e3o, que as emo\u00e7\u00f5es s\u00e3o fortemente influenciadas pelos pensamentos e vice-versa, e que esses dois processos s\u00e3o inter-relacionados e insepar\u00e1veis.<br \/>Hoje n\u00e3o \u00e9 mais assim. As teorias atuais afirmam que as emo\u00e7\u00f5es representam uma organiza\u00e7\u00e3o complexa dos seguintes elementos distintos:<br \/>1) Expressividade facial, de gestos e do corpo inteiro.<br \/>2) Avalia\u00e7\u00e3o cognitiva dos est\u00edmulos internos e externos.<br \/>3) Ativa\u00e7\u00e3o fisiol\u00f3gica e end\u00f3crina.<\/p>\n<p>4) Um plano cognitivo de a\u00e7\u00e3o e uma tend\u00eancia de a\u00e7\u00e3o.<br \/>5) Experi\u00eancia subjetiva e representa\u00e7\u00e3o ling\u00fc\u00edstica\/verbal.<br \/>Assim como um rio muda seu curso e fluxo com o tempo, \u00e9 preciso se levar em conta o processo cronol\u00f3gico quando se discute sobre a fenomenologia das emo\u00e7\u00f5es. Emo\u00e7\u00f5es s\u00e3o um processo. Elas separam a rea\u00e7\u00e3o comportamental de seu est\u00edmulo atrav\u00e9s da substitui\u00e7\u00e3o de padr\u00f5es reflexos fixos de est\u00edmulo-resposta, ou mecanismos desencadeadores instintivos inatos por respostas comportamentais flex\u00edveis. Desta maneira, as respostas reflexas fixas s\u00e3o substitu\u00eddas por processos de avalia\u00e7\u00e3o cognitiva de est\u00edmulos e situa\u00e7\u00f5es. A express\u00e3o facial que acompanha o comportamento emocional, tem um papel central na interpreta\u00e7\u00e3o das poss\u00edveis tend\u00eancias de a\u00e7\u00e3o e inten\u00e7\u00f5es do indiv\u00edduo a serem comunicadas em seu meio social. Somente atrav\u00e9s dessa fun\u00e7\u00e3o, o comportamento emocional ganha sua fun\u00e7\u00e3o reguladora n\u00e3o apenas interna, como tamb\u00e9m entre indiv\u00edduos. Com base na complexidade dos processos emocionais acima descritos, as fun\u00e7\u00f5es e modos de funcionamento podem derivar de emo\u00e7\u00f5es que nos possibilitam classificar o papel da inibi\u00e7\u00e3o emocional (ver Traue 1988 e 1999).<br \/>As emo\u00e7\u00f5es d\u00e3o significado subjetivo:<br \/>Emo\u00e7\u00f5es s\u00e3o rea\u00e7\u00f5es a situa\u00e7\u00f5es e que d\u00e3o significados individualmente relevantes a estas situa\u00e7\u00f5es. Aqui, tais situa\u00e7\u00f5es t\u00eam que ser consideradas em sentido amplo e incluem padr\u00f5es de est\u00edmulo externo (f\u00edsico, social e de informa\u00e7\u00e3o) e interno (interoceptivo e mental). Para alguns padr\u00f5es de est\u00edmulo, os significados emocionais s\u00e3o mais uniformizados, isto \u00e9, mais determinados filogeneticamente do que para outros. Entretanto, algumas situa\u00e7\u00f5es complexas ou amb\u00edguas s\u00f3 podem ser emocionalmente avaliadas por uma an\u00e1lise cognitiva. Quando ocorrem incidentes intensamente estimulantes durante experi\u00eancias traum\u00e1ticas, a possibilidade de avalia\u00e7\u00e3o cognitiva pode ficar bastante reduzida.<br \/>As emo\u00e7\u00f5es auxiliam a comunica\u00e7\u00e3o<br \/>As emo\u00e7\u00f5es ajudam o indiv\u00edduo a adaptar-se ao meio ambiente. As estruturas e fun\u00e7\u00f5es emocionais desenvolveram-se em um processo de evolu\u00e7\u00e3o que abrange n\u00e3o s\u00f3 a evolu\u00e7\u00e3o do sistema nervoso, como tamb\u00e9m a vida social humana. Embora filogeneticamente novas estruturas n\u00e3o levem em conta as estruturas cerebrais mais antigas, elas n\u00e3o neutralizam completamente sua fun\u00e7\u00e3o. Por conseguinte, o comportamento emocional baseia-se nas rea\u00e7\u00f5es significativas vitais que s\u00e3o diretamente experienciadas e que cont\u00eam um impulso forte para agir. Este \u00edmpeto para agir s\u00f3 pode ser controlado at\u00e9 certo ponto. Como o processamento emocional desenvolveu-se filogeneticamente lado a lado com a vida humana social, a exist\u00eancia de um ser humano depende da expressividade emocional de seus semelhantes humanos.<br \/>O comportamento emocional baseia-se em estruturas neurobiol\u00f3gicas:<br \/>Todo o sistema nervoso central e perif\u00e9rico est\u00e1 envolvido com os processos emocionais, assim como as fun\u00e7\u00f5es mentais est\u00e3o envolvidas com experi\u00eancias emocionais por interm\u00e9dio de percep\u00e7\u00e3o, aten\u00e7\u00e3o, ativa\u00e7\u00e3o, consci\u00eancia e linguagem. Entretanto, as estruturas neurobiol\u00f3gicas que alojam estas fun\u00e7\u00f5es podem facilitar aspectos muito espec\u00edficos da experi\u00eancia emocional. Parte da estrutura nervosa central, conhecida como sistema l\u00edmbico, \u00e9 importante principalmente para o processamento de emo\u00e7\u00f5es distintas. O sistema l\u00edmbico integra \u201cinput\u201d sensorial e informa\u00e7\u00e3o do c\u00f3rtex com unidades emocionais. Estudos recentes enfatizam que a informa\u00e7\u00e3o sensorial pode ser processada mais rapidamente quando passa pelos circuitos do t\u00e1lamo dentro da am\u00edgdala, do que pelo pr\u00f3prio c\u00f3rtex. Isto significa que certos est\u00edmulos podem levar a rea\u00e7\u00f5es emocionais sem serem processadas conscientemente. O fato de que a qualidade da rea\u00e7\u00e3o emocional depende das estruturas neurobiol\u00f3gicas reflete-se tamb\u00e9m pela predomin\u00e2ncia das emo\u00e7\u00f5es negativas que s\u00e3o obviamente mais necess\u00e1rias para a sobreviv\u00eancia dos seres humanos do que as emo\u00e7\u00f5es positivas como curiosidade, alegria e amor.<br \/>As emo\u00e7\u00f5es podem ser tanto um processo quanto um estado:<br \/>As emo\u00e7\u00f5es s\u00e3o produzidas principalmente quando uma informa\u00e7\u00e3o \u00e9 processada. O processamento de padr\u00f5es de est\u00edmulos externos \u00e9 estruturado hierarquicamente da sensa\u00e7\u00e3o \u00e0 cogni\u00e7\u00e3o. As emo\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m podem surgir de est\u00edmulos internos (por exemplo, fantasias, id\u00e9ias ou recorda\u00e7\u00f5es). Como os est\u00edmulos internos sempre cont\u00eam informa\u00e7\u00e3o emocional, as emo\u00e7\u00f5es s\u00e3o produzidas diretamente. Desta maneira, as emo\u00e7\u00f5es podem sempre ser reproduzidas pela mem\u00f3ria, independentemente de quando elas ocorreram primeiro na vida de uma pessoa.<br \/>Emo\u00e7\u00f5es s\u00e3o f\u00edsicas e mentais:<br \/>Os processos emocionais s\u00e3o diretamente correspondentes \u00e0 atividade do sistema nervoso central aut\u00f4nomo e motor, sendo que as regula\u00e7\u00f5es centrais s\u00e3o mais importantes do que a realimenta\u00e7\u00e3o perif\u00e9rica. Teoricamente isto deriva da fun\u00e7\u00e3o comunicativa dos processos emocionais. Uma evid\u00eancia emp\u00edrica disto vem da estabilidade e do acordo interindividual entre o comportamento expressivo emocional e os nervos aut\u00f4nomos correlatos. Os padr\u00f5es de rea\u00e7\u00e3o imunol\u00f3gica e end\u00f3crina diferenciam-se entre emo\u00e7\u00f5es negativas e positivas, mas n\u00e3o dentro dessas duas classes emocionais.<br \/>O comportamento emocional est\u00e1 sujeito \u00e0 auto-regula\u00e7\u00e3o:<br \/>O controle das rea\u00e7\u00f5es emocionais por supress\u00e3o ou inibi\u00e7\u00e3o tem um efeito mais forte no comportamento motor, especialmente no comportamento emocional expressivo, do que nos outros componentes da emo\u00e7\u00e3o e modula-o qualitativa e quantitativamente. At\u00e9 os processos s\u00f3cio-cognitivos t\u00eam influ\u00eancia substancial neste componente da emo\u00e7\u00e3o. Emo\u00e7\u00f5es secund\u00e1rias, como a vergonha e a culpa, dependem de uma capacidade do indiv\u00edduo antecipar as conseq\u00fc\u00eancias de seu comportamento ou de sua rea\u00e7\u00e3o emocional.<br \/>As ra\u00edzes hist\u00f3ricas do termo \u201cinibi\u00e7\u00e3o\u201d:<br \/>Antes de passarmos \u00e0 inibi\u00e7\u00e3o de emo\u00e7\u00f5es, \u00e9 preciso que se fa\u00e7a um breve resumo da palavra \u201cinibi\u00e7\u00e3o\u201d na hist\u00f3ria cient\u00edfica moderna. H\u00e1 muitos anos, o historiador Roger Smith, professor do Instituto de Hist\u00f3ria Cient\u00edfica na Universidade de Lancaster, discutiu em seu impressionante livro \u201cInibi\u00e7\u00e3o\u201d (1992), a origem cient\u00edfica do termo. Smith sustenta que a inibi\u00e7\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o central que permeia as artes, as ci\u00eancias sociais e as teorias cient\u00edficas, e que \u00e9 fundamental dentro de uma concep\u00e7\u00e3o sist\u00eamica de auto-regula\u00e7\u00e3o humana. No final do s\u00e9culo XIX houve uma substitui\u00e7\u00e3o de modelos biol\u00f3gicos de corpo e alma para teorias sist\u00eamicas de regula\u00e7\u00e3o humana. Antes disto, a palavra inibi\u00e7\u00e3o era usada no sentido de supress\u00e3o, como um elemento crucial ao estabelecimento de ordens hier\u00e1rquicas em estruturas sociais, bem como o poder que a alma tem sobre o corpo. Na neurofisiologia de C. S. Sherrington (nascido em 1857), na teoria do sistema nervoso mais alto de I. P. Pavlov (nascido em 1849), e na psican\u00e1lise de Freud (nascido em 1856), a palavra inibi\u00e7\u00e3o tinha um papel central. Estes tr\u00eas especialistas n\u00e3o eram somente contempor\u00e2neos, como tamb\u00e9m tinham treinamento em pesquisa experimental e come\u00e7aram suas pesquisas em uma \u00e9poca em que foram feitas descobertas importantes no campo da neurofisiologia.<br \/>Os tr\u00eas cientistas, Sherrington, Pavlov e Freud desenvolveram o conceito de inibi\u00e7\u00e3o em diferentes contextos cient\u00edficos. Estes contextos tinham em comum o postular for\u00e7as de ativa\u00e7\u00e3o e de inibi\u00e7\u00e3o, e elas descreviam mecanismos reguladores de equil\u00edbrio ou homeostase. A id\u00e9ia de adaptar o indiv\u00edduo a condi\u00e7\u00f5es ambientais diferentes e a id\u00e9ia de comunica\u00e7\u00e3o entre sistemas inteiros e parciais, fazem parte deste contexto. Considera-se disfuncional o dom\u00ednio de influ\u00eancias inibidoras em um n\u00edvel neuronal, nervoso central ou mental. A teoria fisiol\u00f3gica da inibi\u00e7\u00e3o foi transferida a conceitos gerais psicol\u00f3gicos e sociais. Estes pressupostos inicialmente te\u00f3ricos (e empiricamente baseados) foram popularizados e transformados, de modo que as pessoas com disfun\u00e7\u00f5es de regula\u00e7\u00e3o foram caracterizadas como neur\u00f3ticas, psic\u00f3ticas e fisicamente doentes. Portanto, mesmo em \u201cteorias\u201d informais considera-se que a pessoa do tipo inibido seja socialmente perturbada, desprovida de imagina\u00e7\u00e3o no seu mundo intelectual, com desvio de comportamento e propenso a desordens psicossom\u00e1ticas.<\/p>\n<p>A inibi\u00e7\u00e3o de emo\u00e7\u00f5es<br \/>Na tradi\u00e7\u00e3o da cultura ocidental, as a\u00e7\u00f5es baseadas em sentimentos s\u00e3o consideradas doentias. Os pais tentam ensinar seus filhos, logo depois que nascem, a lidar com os sentimentos de maneira culturalmente apropriada. Os livros de orienta\u00e7\u00e3o aos pais est\u00e3o cheios de sugest\u00f5es de como fazer com que os beb\u00eas abandonem suas manifesta\u00e7\u00f5es de desprazer. Estes livros dizem mais ou menos que \u201cos pequenos choramingas\u201d devem mostrar seus sentimentos do modo como os adultos acham que seja apropriado. \u00c9 aceit\u00e1vel que um beb\u00ea chore porque est\u00e1 com fome. Os protestos de um beb\u00ea que n\u00e3o est\u00e1 com fome n\u00e3o s\u00e3o aceitos t\u00e3o facilmente, e pode ser muito inc\u00f4modo, especialmente \u00e0 noite, quando os pais querem dormir. Os pais esperam que seus filhos de mais ou menos tr\u00eas anos de idade n\u00e3o se recusem a ir para a escola maternal, s\u00f3 porque eles prefeririam ficar com os pais. Mais tarde, as crian\u00e7as aprendem a n\u00e3o destruir os brinquedos umas das outras, n\u00e3o riscar carros, n\u00e3o usar de viol\u00eancia f\u00edsica quando discutem. Resumindo, aprendem a regular seus sentimentos por conta pr\u00f3pria.<br \/>Como jovens adultos, descobrem que suas necessidades e express\u00f5es emocionais est\u00e3o conflitantes com seu grupo social e aprendem a controlar suas emo\u00e7\u00f5es antecipando as conseq\u00fc\u00eancias positivas e negativas do que expressam. Algumas pessoas s\u00e3o bem-sucedidas em controlar-se emocionalmente \u2013 isto \u00e9, na harmoniza\u00e7\u00e3o dos motivos pessoais e de seu sistema de valores pessoais e culturais \u2013 enquanto outros obt\u00eam pouco ou nenhum sucesso. O autocontrole emocional que serve a vida social dentro de um grupo pode ter conseq\u00fc\u00eancias negativas para um indiv\u00edduo, pois a inibi\u00e7\u00e3o de sentimentos tem seu pre\u00e7o. Neste cap\u00edtulo discutiremos como a inibi\u00e7\u00e3o de emo\u00e7\u00f5es afeta a sa\u00fade individual.<br \/>J\u00e1 que n\u00e3o h\u00e1 padr\u00e3o ideal de autocontrole emocional para a vida social dos seres humanos, surgem muitas quest\u00f5es: 1) De onde se originam as regras para o comportamento emocional de uma dada comunidade social?; 2) Quem decide qual express\u00e3o emocional \u00e9 apropriada ou n\u00e3o?; 3) Quais as mudan\u00e7as que podem ter ocorrido no curso da hist\u00f3ria?<br \/>Com uma vis\u00e3o cr\u00edtica sobre as tradi\u00e7\u00f5es sociais da express\u00e3o emocional, Stephan L. Chorover escreve em seu livro \u201cDa g\u00eanesis ao genoc\u00eddio\u201d que somente alguns seres humanos est\u00e3o sempre em posi\u00e7\u00e3o de manejar suas pr\u00f3prias emo\u00e7\u00f5es, que este manejo \u00e9 sempre feito em um contexto social, e que \u00e9 freq\u00fcentemente usado para regular o comportamento de outros seres humanos (1979, pg 16). Neste sentido, a inibi\u00e7\u00e3o emocional pode ser parte de uma estrat\u00e9gia de comportamento geral. \u00c9 muito prov\u00e1vel que haja uma disparidade social com respeito \u00e0 inibi\u00e7\u00e3o emocional.<br \/>Civiliza\u00e7\u00e3o e comercializa\u00e7\u00e3o de sentimentos<br \/>O controle emocional \u00e9 sempre feito em um contexto social definido pelas condi\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas, pol\u00edticas e sociais. Elias (1936) analisou as mudan\u00e7as sociais de se lidar com as emo\u00e7\u00f5es abrangendo a \u00e9poca hist\u00f3rica entre a Idade M\u00e9dia e a Modernidade. Uma das id\u00e9ias b\u00e1sicas de sua teoria inspiradora discute as feridas que podem ser causadas pelo redirecionamento da expressividade emocional interpessoal por uma implos\u00e3o no self individual. Parte das tens\u00f5es e paix\u00f5es que em tempos antigos explodiriam em uma luta interpessoal, devem, atualmente, ser administradas por e dentro do indiv\u00edduo. Embora os impulsos e os afetos passionais n\u00e3o possam ser manifestados no mundo externo, eles freq\u00fcentemente lutam, de forma n\u00e3o menos violenta, dentro do indiv\u00edduo. Esta luta interna semi-autom\u00e1tica nem sempre tem um final feliz. A autotransforma\u00e7\u00e3o que a vida em nossa sociedade requer nem sempre leva a um novo equil\u00edbrio no mundo conflituado dos impulsos.<br \/>Norbert Elias (1936, pg330 f.) formula tr\u00eas argumentos centrais relativos ao autocontrole emocional:<br \/>1) Quanto mais o ac\u00famulo de poder econ\u00f4mico e pol\u00edtico aumenta, mais a express\u00e3o do comportamento emocional \u00e9 restringida.<br \/>2) A boa educa\u00e7\u00e3o como forma de comportamento emocionalmente controlado se estendeu da nobreza ao p\u00fablico em geral, como um sinal de supress\u00e3o pol\u00edtica e social. Os modos \u00e0 mesa e as tradi\u00e7\u00f5es de vida mudaram concomitantemente ao controle da agressividade, enquanto o limiar da vergonha diminuiu consideravelmente. Vociferar, bater, gritar e sinais naturais da digest\u00e3o como soltar gazes, arrotar e cuspir foram sendo progressivamente considerados indecentes. Devido \u00e0 internaliza\u00e7\u00e3o destas novas regras de comportamento, o controle e a supress\u00e3o deixaram de seu um empenho externo para ser um empenho interno.<br \/>3) O processo de aumentar o controle do afeto agu\u00e7ou a separa\u00e7\u00e3o entre o mundo privado e o p\u00fablico, e pode ter alcan\u00e7ado seu auge tempor\u00e1rio na atual sociedade de classe m\u00e9dia. Banheiros e quartos de dormir tornaram-se privativos, de modo que muitas emo\u00e7\u00f5es s\u00f3 podem ser experienciadas e vividas dentro destas \u00e1reas bem restritas. Enquanto na Idade M\u00e9dia os banheiros e quartos comuns eram a regra, atualmente s\u00e3o a exce\u00e7\u00e3o.<br \/>Wouters (1986) afirma que as barreiras sociais diminu\u00eddas entre pessoas e grupos de pessoas requerem crescente autocontrole dentro da vida social, e que, embora as crian\u00e7as raramente tenham uma educa\u00e7\u00e3o autorit\u00e1ria que lhes ensine limites r\u00edgidos, elas ser\u00e3o, mais tarde, cobradas a exercer um elevado grau de autocontrole. Uma sociedade exige, em geral, de seus membros o mesmo grau de controle emocional em rea\u00e7\u00f5es de estresse. Assim, a disponibilidade de drogas psicotr\u00f3picas e de interven\u00e7\u00f5es psicoter\u00e1picas tais como medita\u00e7\u00e3o, relaxamento, terapia cognitiva e hipnose, que podem amortecer ou reduzir rea\u00e7\u00f5es emocionais, podem todas ser interpretadas como sinais para a necessidade de inibi\u00e7\u00e3o emocional. Na Alemanha, por exemplo, os m\u00e9dicos de cl\u00ednica geral prescrevem aproximadamente uma caixa de drogas psicotr\u00f3picas por habitante anualmente.<br \/>Na d\u00e9cada de 50, o cientista social C. Wright Mills percebeu que as pessoas estavam ficando mais e mais absorvidas pelo mundo do trabalho: \u201cA parte de suas vidas profissionais na qual poderiam agir \u2018livremente\u2019 usando sua pr\u00f3pria personalidade est\u00e1 agora organizada, bem como transformada num modo de vida, mas, ao mesmo tempo, em instrumento servil\/subserviente para a distribui\u00e7\u00e3o da carga.\u201d (1956, pg 45). Durante 150 anos de industrializa\u00e7\u00e3o, o trabalho era dominado pela produ\u00e7\u00e3o de bens mais do que hoje, onde o foco cada vez mais se coloca nos neg\u00f3cios e na presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os. Entretanto, o mundo do trabalho esta agora mais do que nunca interessado em subordinar ou explorar antigos aspectos particulares da personalidade das pessoas que trabalham, cujos sentimentos individuais e particulares se tornam comercializados. Esta comercializa\u00e7\u00e3o refere-se ao uso dos sentimentos tanto para o lucro, quanto para o controle dos sentimentos.<br \/>Muitos locais de trabalho e algumas vezes at\u00e9 de moradia s\u00e3o mais ou menos estruturados hierarquicamente e funcionam de acordo com sistemas de controle governamental, incluindo regras que foram estabelecidas por autoridades e que t\u00eam que ser seguidas por subordinados. A maioria das institui\u00e7\u00f5es segue este esquema mesmo que, de tempos em tempos, sejam feitas tentativas para convert\u00ea-las nos chamados sistemas centrados na pessoa. Especialmente em tempos de crise econ\u00f4mica, h\u00e1 uma tend\u00eancia para a quebra de regras normalmente estabelecidas firmemente na burocracia. Sup\u00f5e-se que o aumento do controle sobre as emo\u00e7\u00f5es e a comunica\u00e7\u00e3o entre os empregados subordinados tamb\u00e9m afete sua criatividade, causando, dessa maneira, perdas \u00e0 institui\u00e7\u00e3o. Mesmo que as conseq\u00fc\u00eancias de liberar poder din\u00e2mico de trabalho sejam muitas vezes dr\u00e1sticas &#8211; por exemplo, quando estruturas completas de administra\u00e7\u00e3o s\u00e3o dissolvidas, a estrutura real de poder e as hierarquias entre empresas e empregados subordinados ou superiores e subordinados permanecem intocados. Estas mudan\u00e7as ocultam\/dissimulam freq\u00fcentemente o conflito de interesses e a estrutura de poder. Tais condi\u00e7\u00f5es n\u00e3o ajudam os indiv\u00edduos a lidar com seus pr\u00f3prios sentimentos e os dos das outras pessoas. As regras mais importantes nos sistemas de controle governamental e estruturas hier\u00e1rquicas s\u00e3o;<br \/>1) Os sentimentos de propriet\u00e1rios e superiores s\u00e3o mais importantes do que os do subordinados. Os sentimentos dessas pessoas t\u00eam que ser rigorosamente observados, analisados e reconhecidos, e t\u00eam que ser atendidos. Os sentimentos de uma pessoa comum s\u00e3o menos importantes e precisam ser controlados. Sua express\u00e3o aberta poderia ser danosa e por em risco a seguran\u00e7a de algu\u00e9m.<br \/>Estas regras tamb\u00e9m se aplicam a institui\u00e7\u00f5es que se orgulham de seu liberalismo. Tolerar o comportamento emocional das pessoas de posi\u00e7\u00e3o mais alta durante debates profissionais requer que o pessoal de posi\u00e7\u00e3o inferior suprima seus pr\u00f3prios sentimentos de frustra\u00e7\u00e3o e raiva. Sem poder demonstrar isto com n\u00fameros, estamos convencidos de que este trabalho emocional contribui consideravelmente para o estresse de nossa vida profissional.<br \/>Outro aspecto de se controlar os sentimentos no contexto de trabalho precisa ser mencionado. Arlie Hochschild pesquisou o trabalho emocional em diferentes esferas de vida &#8211; particulares e profissionais &#8211; especialmente de aeromo\u00e7as e de cobradores de impostos. Os dois grupos profissionais s\u00e3o notadamente caracterizados por usar um tipo espec\u00edfico de trabalho emocional e de sentimentos em sua atividade profissional. Nos programas de treinamento, esses profissionais s\u00e3o sistematicamente ensinados a como usar seus sentimentos.<br \/>Hochschild define sociologicamente trabalho emocional como uma administra\u00e7\u00e3o de sentimentos que visa \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de express\u00e3o de corpo e rosto pass\u00edveis de demonstra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, e \u00e0 supress\u00e3o de express\u00f5es faciais indesej\u00e1veis (Hochschild, 1983).<br \/>Trabalho emocional \u201crequer mostrar e suprimir sentimentos, com o intuito de preservar a atitude externa que tem o efeito desejado nas outras pessoas\u201d \u2013 esta afirma\u00e7\u00e3o refere-se aos efeitos positivos desejados nos passageiros de v\u00f4o, e os efeitos negativos, como o medo, nas pessoas que s\u00e3o obrigadas a pagar imposto. Como resultado de seu estudo, Hochschild confirma que o trabalho emocional tem aumentado em quase todas as profiss\u00f5es de servi\u00e7os comerciais, administrativos e sociais, e que, por causa disso, est\u00e1 surgindo uma nova dimens\u00e3o de seres humanos alienados dos produtos e dos resultados de seu pr\u00f3prio trabalho. Hochschild, baseada em auto-apresenta\u00e7\u00f5es em entrevistas detalhadas, formou quatro grupos com estrat\u00e9gias diferentes de trabalho emocional: (1) Os membros do grupo instrumentalmente orientado exigem ser pessoas ativas que se utilizam de sentimentos na profiss\u00e3o, mas embora usem-nos instrumentalmente, n\u00e3o acreditam que suas personalidades mudariam de verdade. (2) os membros do segundo grupo descrevem-se como adaptados a sua pr\u00f3pria emocionalidade. Expressam sentimentos espec\u00edficos quanto \u00e0 situa\u00e7\u00e3o, por\u00e9m guardam seus verdadeiros sentimentos particulares. (3) Um terceiro grupo de pessoas observa uma mudan\u00e7a em seu comportamento emocional sob a influ\u00eancia do trabalho emocional. Hochschild cunhou a designa\u00e7\u00e3o grupo emocionalmente deformado para eles. Eles se adaptam gradualmente \u00e0s demandas profissionais. (4) Finalmente o quarto grupo adota uma adapta\u00e7\u00e3o ativa com respeito \u00e0s demandas profissionais de seu trabalho. Conforme a situa\u00e7\u00e3o, eles tentam mudar, suprimir seus sentimentos, ou \u201crealmente\u201d criar sentimentos necess\u00e1rios.<br \/>A express\u00e3o trabalho emocional se aplica especialmente aos terceiro e quarto grupos. Aqui, surgem a maioria das deforma\u00e7\u00f5es pessoais e o maior estresse causados pelo manejo de sentimentos. Como trabalhadores emocionais, os seres humanos n\u00e3o apenas s\u00e3o alienados dos resultados diretos de seu pr\u00f3prio trabalho, como tamb\u00e9m de si mesmos, j\u00e1 que nada na vida emocional interior de algu\u00e9m est\u00e1 mais diretamente conectado a sua pr\u00f3pria personalidade do que os sentimentos pessoais. Trabalho emocional em servi\u00e7os sociais e comerciais \u00e9 potencialmente efetivo e profissional uma vez que ningu\u00e9m queira interagir com pessoas irrit\u00e1veis. Mas, qual \u00e9 o pre\u00e7o deste trabalho emocional quando as tens\u00f5es internas crescem para enfrentar as demandas profissionais no autocontrole emocional?<br \/>Outro indicador de uma comercializa\u00e7\u00e3o crescente da emocionalidade humana, particularmente nos pa\u00edses do ocidente neocapitalista, \u00e9 o fato de que os sentimentos reais est\u00e3o se tornando um bem interpessoal escasso. Nunca houve antes tantas ofertas de especialistas em psicologia para ajudar seus semelhantes seres humanos a entrarem em contato consigo mesmos e com seus pr\u00f3prios sentimentos aut\u00eanticos. Estas ofertas referem-se \u00e0 vida profissional tanto quanto \u00e0 particular. Elas s\u00e3o resultado da experi\u00eancia de que a manipula\u00e7\u00e3o de emo\u00e7\u00f5es paga um alto pre\u00e7o social de uma dist\u00e2ncia crescente entre o indiv\u00edduo e seu self emocional. \u00c9 verdade que o trabalho emocional \u00e9 necess\u00e1rio para a vida social humana, mas as emo\u00e7\u00f5es n\u00e3o devem estar \u00e0 merc\u00ea da comercializa\u00e7\u00e3o. Na mesma medida que a comercializa\u00e7\u00e3o est\u00e1 se alastrando, a experi\u00eancia e o partilhar dos sentimentos aut\u00eanticos ser\u00e3o for\u00e7ados a recuar e ir desaparecendo mais e mais da vida cotidiana interpessoal.<br \/>Diferen\u00e7as individuais na inibi\u00e7\u00e3o das emo\u00e7\u00f5es<br \/>As pessoas diferenciam-se consideravelmente quanto \u00e0 amplitude de seu comportamento emocional, o qual desenvolve diferentes fun\u00e7\u00f5es. O comportamento expressivo funciona como um sistema de sinais interpessoais, usado para comunicar avalia\u00e7\u00f5es emocionais de situa\u00e7\u00f5es ao meio social, e est\u00e1 bastante envolvido na regula\u00e7\u00e3o do comportamento social. O feedback facial ao comportamento expressivo fornece informa\u00e7\u00f5es essenciais \u00e0 avalia\u00e7\u00e3o das situa\u00e7\u00f5es. Se o comportamento expressivo for inibido, a regula\u00e7\u00e3o do comportamento social fica perturbada, e o indiv\u00edduo fica privado de uma fonte essencial de informa\u00e7\u00f5es para a avalia\u00e7\u00e3o de situa\u00e7\u00f5es. Alguns estudos, conduzidos de diferentes perspectivas, mostram que o comportamento emocionalmente inibido tem que ser considerado um fator de risco, que pode originar e manter desordens psicossom\u00e1ticas. Ele \u00e9 um fator componente de um modelo de sa\u00fade e doen\u00e7a, o qual delineia como trajet\u00f3rias as intera\u00e7\u00f5es bio-psicossociais entre a inibi\u00e7\u00e3o emocional e as desordens de sa\u00fade (ver tamb\u00e9m Traue 1988). Aqui, a inibi\u00e7\u00e3o do comportamento emocional \u00e9 classificada em diferentes tipos que influenciam o curso das doen\u00e7as, dependendo da intensidade da desordem emocional.<br \/>Tipologia da inibi\u00e7\u00e3o emocional<br \/>A inibi\u00e7\u00e3o do comportamento emocional \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o complexa que n\u00e3o pode ser reduzida a um simples processo, visto que o comportamento emocional em si j\u00e1 \u00e9 muito complexo. De acordo com Kagan et al. (1988), a inibi\u00e7\u00e3o emocional baseia-se em uma tend\u00eancia gen\u00e9tica; por\u00e9m, a socializa\u00e7\u00e3o regula bastante o desenvolvimento da emocionalidade, especialmente quanto ao comportamento expressivo.Por fim, a cogni\u00e7\u00e3o que emerge quando se lida com situa\u00e7\u00f5es estressantes precisa ser integrada em uma teoria de inter-rela\u00e7\u00e3o entre a inibi\u00e7\u00e3o e a doen\u00e7a, j\u00e1 que a a\u00e7\u00e3o emocional depende de processos cognitivos, e a representa\u00e7\u00e3o nervosa central dos autoconceitos e situa\u00e7\u00f5es \u00e9 mediada cognitivamente. As conex\u00f5es entre a emocionalidade inibida e os processos da doen\u00e7a s\u00e3o apresentadas por um modelo de sa\u00fade e doen\u00e7a, que descreve os tra\u00e7ados neurobiol\u00f3gicos, s\u00f3cio-comportamentais e cognitivos entre a inibi\u00e7\u00e3o emocional e a doen\u00e7a.<br \/>Podemos distinguir quatro tipos de inibi\u00e7\u00e3o emocional (Traue 1998, Traue &#038; Deighton 2000, Traue 2001)*:<br \/>1) Inibi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica<br \/>2) Inibi\u00e7\u00e3o repressiva<br \/>3) Inibi\u00e7\u00e3o supressiva e<br \/>4) Inibi\u00e7\u00e3o enganosa<br \/>A INIBI\u00c7\u00c3O GEN\u00c9TICA da expressividade emocional descreve comportamento de evita\u00e7\u00e3o, afastamento social e medo de estranhos. A suposi\u00e7\u00e3o de uma inibi\u00e7\u00e3o geneticamente determinada baseia-se na observa\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as em est\u00e1gios diferentes de desenvolvimento ; elas exibem diferen\u00e7as individuais consider\u00e1veis no comportamento expressivo emocional, que se correlacionam com a hiper-reatividade aut\u00f4noma (Field et al.1982). Crian\u00e7as pequenas, quando confrontadas com situa\u00e7\u00f5es desconhecidas e com est\u00edmulos ambientais novos mostram diferen\u00e7as claras de comportamento. Aproximadamente 15 a 20% das crian\u00e7as saud\u00e1veis entre as idades de 1 e 2 anos t\u00eam medo de situa\u00e7\u00f5es novas, evitam novos est\u00edmulos e s\u00e3o consideradas inibidas em seu comportamento. Cerca de 25 a 30% demonstram o padr\u00e3o oposto, e s\u00e3o consideradas desinibidas. A base neurobiol\u00f3gica destas tend\u00eancias comportamentais \u00e9 analisada mais detalhadamente na se\u00e7\u00e3o seguinte. De acordo com Kagan, grande parte do comportamento inibido \u00e9 herdada. Contudo, quanto mais velhas estas crian\u00e7as v\u00e3o ficando, menor se torna a influ\u00eancia gen\u00e9tica na expressividade emocional. Al\u00e9m disso, tem se demonstrado que h\u00e1 um fator heredit\u00e1rio mais forte no grupo das crian\u00e7as extremamente inibidas; assim, quanto mais exagerada a inibi\u00e7\u00e3o, maior a base biol\u00f3gica de comportamento.<br \/>As pessoas inibidas tamb\u00e9m s\u00e3o classificadas como t\u00edmidas. Os especialistas se referem \u00e0 inibi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica quando algu\u00e9m anseia por contato pessoal mas \u00e9 inibido, e n\u00e3o quando algu\u00e9m est\u00e1 cansado, desinteressado ou tem pregui\u00e7a e, portanto, n\u00e3o procura por contato. N\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de evita\u00e7\u00e3o ativa de contato, visto que isto aconteceria com um comportamento diferente, mas antes, de evita\u00e7\u00e3o passiva. As pessoas com inibi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica podem achar atrativas as situa\u00e7\u00f5es n\u00e3o-sociais, e evitar\u00e3o contato pessoal devido ao seu medo de puni\u00e7\u00e3o, ou por antecipar a frustra\u00e7\u00e3o.<br \/>A inibi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica pode ser observada em cerca de 10 a 15% de todas as crian\u00e7as nos dois primeiros anos de vida, e \u00e9 considerada uma caracter\u00edstica que se torna mais e mais est\u00e1vel quando elas ficam mais velhas. Crian\u00e7as e jovens inibidos demonstram caracter\u00edsticas neurobiol\u00f3gicas especiais. O comportamento inibido que, em sua origem, \u00e9 determinado geneticamente, interage com condicionamento e estresse e pode, ent\u00e3o, ser intensificado ou reduzido por certas condi\u00e7\u00f5es ambientais. Crian\u00e7as expressivamente inibidas nos primeiros meses de vida ter\u00e3o problemas de relacionamento com seus cuidadores. Assim, \u00e9 muito prov\u00e1vel que estas crian\u00e7as experienciem uma certa falta de cuidado, e de respostas menos positivas a seu comportamento.<br \/>A INIBI\u00c7\u00c3O REPRESSIVA do comportamento emocional ocorre quando uma pessoa n\u00e3o consegue experienciar ou tolerar inteiramente os epis\u00f3dios emocionais com todos os seus aspectos psicol\u00f3gicos, sociais e cognitivos. A terminologia dos mecanismos de defesa abrange palavras como cis\u00e3o, nega\u00e7\u00e3o, dissocia\u00e7\u00e3o e repress\u00e3o. Na inibi\u00e7\u00e3o repressiva, os componentes psicol\u00f3gicos e subjetivos do comportamento emocional ser\u00e3o reprimidos, e os aspectos cognitivos ser\u00e3o enfatizados. Como os componentes fisiol\u00f3gicos n\u00e3o est\u00e3o mais integrados ao comportamento, aquilo que motiva esse comportamento emocional expressivo tamb\u00e9m diminui. As conseq\u00fc\u00eancias nefastas deste processo repressivo s\u00e3o uma amplia\u00e7\u00e3o da ativa\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica, end\u00f3crina e imunol\u00f3gica e uma falta de enfrentamento. Em situa\u00e7\u00f5es estressantes, isto leva a grandes rea\u00e7\u00f5es psico-fisiol\u00f3gicas e enfrentamento ineficaz. (Schwartz &#038; Kline 1995).<br \/>A INIBI\u00c7\u00c3O SUPRESSIVA acontece quando uma pessoa experi\u00eancia epis\u00f3dios emocionais completa e conscientemente mas, por alguma raz\u00e3o, suprime-os intencionalmente, total ou parcialmente. Essa supress\u00e3o pode ser arbitr\u00e1ria ou condicionada \u00e0 socializa\u00e7\u00e3o. Como resultado da supress\u00e3o pode ocorrer uma ativa\u00e7\u00e3o fisiol\u00f3gica semelhante \u00e0 inibi\u00e7\u00e3o repressiva, a regula\u00e7\u00e3o social pode ser perturbada pela falta de expressividade e o processamento cognitivo pode ser incompleto. A supress\u00e3o da experi\u00eancia emocional pode se referir a aspectos diferentes do comportamento emocional. O esfor\u00e7o para suprimir os componentes cognitivos da experi\u00eancia emocional conduz a um aumento de aten\u00e7\u00e3o com respeito a esses elementos cindidos do comportamento emocional, o que resulta paradoxalmente em um aumento do foco cognitivo nos itens suprimidos. O processamento de emo\u00e7\u00f5es negativas estar\u00e1 prejudicado pela inibi\u00e7\u00e3o supressiva, mesmo se uma pessoa estiver consciente dessa supress\u00e3o, visto que o comportamento de enfrentamento potencial est\u00e1 ausente. Gross &#038; Levenson (1993) apresentaram v\u00e1rias cenas de filmes mudos a sujeitos de um experimento (uma cena imparcial de filme, com um parque, e duas cenas m\u00e9dicas, mostrando pele queimada e uma amputa\u00e7\u00e3o) e verificaram os efeitos da inibi\u00e7\u00e3o supressiva. Por tentativas anteriores, a equipe de pesquisa sabia que as duas cenas aversivas do filme eram essencialmente consideradas repugnantes e sempre provocavam comportamento n\u00e3o-verbal an\u00e1logo. Foi pedido \u00e0 metade dos sujeitos que n\u00e3o demonstrassem seus sentimentos. Como se poderia esperar, os sujeitos a quem foi dada a instru\u00e7\u00e3o da \u201cinibi\u00e7\u00e3o\u201d, puderam controlar sua express\u00e3o facial. A atividade som\u00e1tica sob a forma de toques no pr\u00f3prio rosto e movimentos corporais ficou significativamente mais reduzida. A supress\u00e3o deliberada da express\u00e3o emocional levou a um aumento da excita\u00e7\u00e3o simp\u00e1tica. A taxa da avers\u00e3o subjetiva diminuiu levemente, mas as da raiva, sofrimento, m\u00e1goa, constrangimento e tens\u00e3o tenderam a aumentar. Desprezo, um sentimento que \u00e9 bastante semelhante \u00e0 avers\u00e3o, tamb\u00e9m aumentou significativamente.<br \/>O engano, como um tipo de inibi\u00e7\u00e3o emocional, \u00e9 referente a quando estamos erroneamente informados sobre a experi\u00eancia emocional subjetiva de uma outra pessoal. A INIBI\u00c7\u00c3O ENGANOSA exp\u00f5e uma estrat\u00e9gia em lidar com as emo\u00e7\u00f5es e geralmente refere-se \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o de conte\u00fado emocional ou a comportamento n\u00e3o-verbal. A inibi\u00e7\u00e3o enganosa geralmente \u00e9 incompleta, mas mesmo assim exige uma for\u00e7a psicol\u00f3gica consider\u00e1vel, que pode ser manifestada em excita\u00e7\u00e3o vegetativa durante as tentativas de engano. Outras conseq\u00fc\u00eancias do engano s\u00e3o o processamento de incidentes negativos e o apoio social restrito, que pode ser at\u00e9 mais problem\u00e1tico. Buck (1984) diferencia tr\u00eas tipos de engano: o n\u00e3o-emocional, o por estresse e o emocional. Como o engano sem qualquer fundo emocional n\u00e3o \u00e9 reconhecido pelo comportamento, nem causa nenhuma rea\u00e7\u00e3o fisiol\u00f3gica, n\u00e3o nos interessa aqui. J\u00e1 os enganos por estresse e o emocional em geral s\u00e3o de interesse fundamental. Se o engano vem acompanhado por um conflito, suas manifesta\u00e7\u00f5es de comportamento ser\u00e3o facilmente reconhecidas. As pessoas piscam mais freq\u00fcentemente, demoram em responder uma pergunta, limpam a garganta mais vezes, falam mais devagar e quando falam, t\u00eam mais dificuldade de fala.<br \/>O Guilty Knowledge Test (GTK)* \u00e9 um modelo de laborat\u00f3rio para detectar a inibi\u00e7\u00e3o estressante por engano. Na utiliza\u00e7\u00e3o deste m\u00e9todo \u00e9 poss\u00edvel se constatar um aumento do batimento card\u00edaco, da freq\u00fc\u00eancia de respira\u00e7\u00e3o e da press\u00e3o sang\u00fc\u00ednea nos momentos de engano, todas as rea\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas tamb\u00e9m conhecidas como resposta ao estresse. Grava\u00e7\u00f5es em v\u00eddeo feitas durante o ato de enganar mostraram que a inibi\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 leva a um aumento da excita\u00e7\u00e3o fisiol\u00f3gica, como tamb\u00e9m a uma inibi\u00e7\u00e3o geral de express\u00f5es faciais. Durante o tempo de excita\u00e7\u00e3o vegetativa, o rosto pareceu ficar congelado.<br \/>Os caminhos entre estresse, inibi\u00e7\u00e3o emocional e dist\u00farbios da sa\u00fade.<br \/>A inibi\u00e7\u00e3o das emo\u00e7\u00f5es leva \u00e0 doen\u00e7a atrav\u00e9s de caminhos neurobiol\u00f3gicos, s\u00f3cio-comportamentais e cognitivos. E mesmo que a inibi\u00e7\u00e3o do comportamento emocional n\u00e3o cause doen\u00e7a, ela pode mant\u00ea-la ou adiar o restabelecimento. Uma superexcita\u00e7\u00e3o fisiol\u00f3gica pode causar os mesmos efeitos negativos que um sistema end\u00f3crino superestimulado, ou um sistema imunol\u00f3gico desregulado. A cura \u00e9 intensificada pelos cuidados dispensados pelo meio social. O processamento de emo\u00e7\u00f5es inibidas em si mesmo n\u00e3o causa obrigatoriamente doen\u00e7as, por\u00e9m pode influenciar o curso delas.O presente modelo diferencia entre doen\u00e7a e dist\u00farbios da sa\u00fade. Podemos encontrar em Traue (1988) uma apresenta\u00e7\u00e3o (com gr\u00e1fico) detalhada do padr\u00e3o de caminho. As se\u00e7\u00f5es que se seguem fornecem descri\u00e7\u00f5es de tr\u00eas caminhos que v\u00e3o da inibi\u00e7\u00e3o \u00e0 doen\u00e7a.<br \/>Caminhos neurobiol\u00f3gicos<br \/>A inibi\u00e7\u00e3o de comportamento de crian\u00e7as pequenas frente a novos est\u00edmulos sociais, manifesta como inibi\u00e7\u00e3o emocional, ansiedade e timidez, tem, sem d\u00favida, uma base neurol\u00f3gica. As particularidades deste padr\u00e3o de comportamento s\u00e3o demonstradas nos limiares baixos para novos est\u00edmulos e em hiperatividade de determinados sistemas fisiol\u00f3gicos, evidenciados em aumento do medo, da tens\u00e3o muscular e, nas crian\u00e7as desinibidas, excesso de atividade e ativa\u00e7\u00e3o f\u00e1cil da excitabilidade dos sistemas neurotransmissores.<br \/>Um conceito discutido muitas vezes neste contexto \u00e9 o de que o equil\u00edbrio entre a ativa\u00e7\u00e3o e a inibi\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o neural favorece a inibi\u00e7\u00e3o. Jeffrey Gray (1972, 1976) e Henri Laborit (1986, 1993) conjetura um sistema de inibi\u00e7\u00e3o de comportamento no sistema nervoso central. De acordo com Gray, o sistema de inibi\u00e7\u00e3o comportamental (BIS) reage a est\u00edmulos desconhecidos, a est\u00edmulos de dor e \u00e0 aus\u00eancia frustrante de uma esperada recompensa contingente de resposta. Neurologicamente, o BIS est\u00e1 localizado na \u00e1rea cortical do septo frontal do hipocampo (SHF). Subst\u00e2ncias farmacol\u00f3gicas como barbit\u00faricos, \u00e1lcool e tranq\u00fcilizantes t\u00eam um efeito desinibidor na \u00e1rea SHF. As les\u00f5es nesta \u00e1rea tamb\u00e9m t\u00eam o mesmo efeito. O esquema b\u00e1sico dos estudos de Gray segue uma abordagem experimental e a fuga de conflitos testada com animais. Os animais do experimento aprendem um determinado comportamento para serem recompensados. Quando a rea\u00e7\u00e3o \u00e9 aprendida, \u00e9 dado um est\u00edmulo punitivo, o qual ativa o BIS e reduz o comportamento aprendido. Em conclus\u00e3o, isto tudo leva a uma parada no comportamento atrav\u00e9s de evita\u00e7\u00e3o passiva, com um aumento simult\u00e2neo de excita\u00e7\u00e3o neuro-fisiol\u00f3gica e da aten\u00e7\u00e3o. O sistema de inibi\u00e7\u00e3o comportamental reage aos est\u00edmulos punitivos condicionados, os quais comunicam o fim de uma recompensa e o direcionamento a est\u00edmulos desconhecidos. Ent\u00e3o, se se ministra uma subst\u00e2ncia para reduzir o medo, bloqueando o BIS, o efeito desses est\u00edmulos desaparecer\u00e1 e pode ser seguido de comportamento de aproxima\u00e7\u00e3o.<br \/>Baseado em seus pr\u00f3prios estudos cient\u00edficos e de outros sobre est\u00edmulos aversivos inevit\u00e1veis, Henri Laborit (1986, 1993) desenvolveu um padr\u00e3o cerebral de inibi\u00e7\u00e3o comportamental semelhante ao de Gray e essencialmente referente a estruturas, que possibilita o condicionamento dos est\u00edmulos do medo. Ele considera a inibi\u00e7\u00e3o comportamental em si mesmo um comportamento aprendido. De acordo com Laborit, a inibi\u00e7\u00e3o \u00e9 transmitida via hipot\u00e1lamo m\u00e9dio-ventral atrav\u00e9s da libera\u00e7\u00e3o de norepinefrina e ACTH, que recebe influ\u00eancia na regi\u00e3o do septo dorsal, no hipocampo dorsal e na am\u00edgdala lateral. O neurotransmissor serotonina (5-HT) aumenta o despertar da inibi\u00e7\u00e3o comportamental. Com isso, o sistema dopamin\u00e9rgico e a acetilcolina fornecem est\u00edmulo ao c\u00f3rtex pr\u00e9-frontal. Segundo Laborit, as proje\u00e7\u00f5es seroton\u00e9rgicas dos n\u00facleos da rafe no sistema neuronal no septo, no hipocampo e no c\u00f3rtex pr\u00e9-frontal, bem como as proje\u00e7\u00f5es colin\u00e9rgicas no c\u00f3rtex frontal e nos caminhos ascendentes da forma\u00e7\u00e3o reticular e o n\u00facleo basal da am\u00edgdala s\u00e3o parte do sistema de inibi\u00e7\u00e3o comportamental. Os caminhos colin\u00e9rgicos ascendentes ao c\u00f3rtex ativam o ACTH e a descarga de cortisol. Henri Laborit descreve o envolvimento da inibi\u00e7\u00e3o comportamental condicionada na origem e manuten\u00e7\u00e3o das doen\u00e7as, com se segue: \u201c(1) Os glucocortic\u00f3ides induzem o bloqueio do sistema imunol\u00f3gico.Pode-se deduzir que se surgir uma infec\u00e7\u00e3o microbiana ou prolifera\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas anormais, o que em condi\u00e7\u00f5es normais seria controlado pelas defesas imunol\u00f3gicas, h\u00e1 possibilidade de se desenvolver livremente uma infec\u00e7\u00e3o ou um epis\u00f3dio neopl\u00e1sico. Isto explica a rela\u00e7\u00e3o entre infec\u00e7\u00f5es e neoplasias em situa\u00e7\u00f5es comportamentais onde a a\u00e7\u00e3o gratificante \u00e9 inibida. Tamb\u00e9m mostra que os agentes infecciosos ou os fatores causadores do c\u00e2ncer n\u00e3o s\u00e3o os \u00fanicos elementos envolvidos nas doen\u00e7as. (2) A libera\u00e7\u00e3o perif\u00e9rica de norepinefrina nos terminais do sistema nervoso simp\u00e1tico causar\u00e1 uma vasoconstri\u00e7\u00e3o generalizada,e conseq\u00fcentemente uma diminui\u00e7\u00e3o no recept\u00e1culo vascular. Al\u00e9m disso, os glucocortic\u00f3ides induzem a reten\u00e7\u00e3o de sais e \u00e1gua, havendo, assim, um aumento do volume vascular. A combina\u00e7\u00e3o desses dois fatores conduz \u00e0 hipertens\u00e3o. Algumas observa\u00e7\u00f5es experimentais tamb\u00e9m sugerem que numerosas perturba\u00e7\u00f5es som\u00e1ticas s\u00e3o geradas pelo mesmo processo: aterosclerose, \u00falcera g\u00e1strica, les\u00f5es renais, etc. (3) Com refer\u00eancia \u00e0 patologia mental, n\u00e3o \u00e9 objetivo deste trabalho discorrer sobre as conseq\u00fc\u00eancias da inibi\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o. Elas podem ser resumidas dizendo que, em nossa opini\u00e3o, a ansiedade e suas seq\u00fcelas neur\u00f3ticas s\u00e3o resultado do conflito entre o impulso de agir e a inibi\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o, neste caso, aprendendo que a puni\u00e7\u00e3o suceder\u00e1 a libera\u00e7\u00e3o do impulso. A psicose pode ser um v\u00f4o na imagina\u00e7\u00e3o quando a inibi\u00e7\u00e3o \u00e9 muito penosa para ser tolerada. (4) Tamb\u00e9m \u00e9 interessante observar que no esquema aqui esbo\u00e7ado, os radicais livres (H2O2, leucotrinas, endoper\u00f3xidos) s\u00e3o capazes de destruir as membranas celulares, em particular as dos lisosomas, o que pode causar morte neural. Este pode ser um primeiro e fundamental passo para a compreens\u00e3o do n\u00edvel cr\u00f4nico de certas doen\u00e7as (Parkinson, Alzheimer), exatamente como em les\u00f5es agudas causadas por an\u00f3xia cerebral. \u201c (pg 73-74, 1993)<br \/>Podemos considerar um estudo cl\u00ednico para explicar a relev\u00e2ncia das conex\u00f5es pressupostas por Gray e Laborit entre a inibi\u00e7\u00e3o de comportamento e a ativa\u00e7\u00e3o fisiol\u00f3gica e end\u00f3crina para a origem da doen\u00e7a. Em um estudo de Cole et al. (1996) com 222 sujeitos homossexuais, homens, HIV soronegativos, pode-se demonstrar os efeitos negativos da supress\u00e3o emocional de prefer\u00eancias sexuais importantes. Por meio de uma escala secreta, os sujeitos foram separados em quatro grupos, conforme o grau em que expunham socialmente suas prefer\u00eancias sexuais: inteiramente; abertamente a maior parte do tempo; metade do tempo abertamente, metade do tempo, n\u00e3o; e n\u00e3o-abertamente a maior parte do tempo, ou n\u00e3o se expondo de modo algum. Isto tamb\u00e9m define o grau em que os homossexuais escondem suas tend\u00eancias sexuais fora de sua vida \u00edntima. A an\u00e1lise do retrocesso resultou num aumento dram\u00e1tico da freq\u00fc\u00eancia de doen\u00e7a combinada com um aumento da observ\u00e2ncia de sigilo para quase todas as doen\u00e7as infecciosas, bem como para o c\u00e2ncer de pele. Considerando todas as doen\u00e7as, a probabilidade de adoecer dobra em cada n\u00edvel de sigilo que se faz. Este efeito precisa ser levado mais a s\u00e9rio, uma vez que os efeitos de idade, etnia, educa\u00e7\u00e3o, condi\u00e7\u00e3o social, comportamento de sa\u00fade (e.g. depend\u00eancia de drogas, h\u00e1bitos de sono, condicionamento f\u00edsico) e influ\u00eancias psicol\u00f3gicas, tais como depress\u00e3o, medo e afetividade negativa \u2013 at\u00e9 o estilo de enfrentamento repressivo \u2013 foram eliminados dos dados. Utilizando-se um modelo de corte cruzado como este, esse estudo quase experimental n\u00e3o pode fornecer provas de que a inibi\u00e7\u00e3o conduza \u00e0 doen\u00e7a, e outras explica\u00e7\u00f5es causais tamb\u00e9m s\u00e3o poss\u00edveis (e.g. ficar doente pode levar a menor exposi\u00e7\u00e3o). Entretanto, levando tudo em considera\u00e7\u00e3o, este estudo fornece evid\u00eancias fortes de que o grau como s\u00e3o escondidas as tend\u00eancias sexuais podem ser um fator de al\u00edvio da doen\u00e7a.<br \/>\u00c0 parte a pressuposi\u00e7\u00e3o de que a atividade nervosa central pode obstruir o comportamento emocional, a hip\u00f3tese do processamento consciente e inconsciente da informa\u00e7\u00e3o emocional tem sido perseguida desde o come\u00e7o da pesquisa sobre a divis\u00e3o do c\u00e9rebro. Estudos anteriores de Sperry (1966, 1974) relatam o seguinte: o hemisf\u00e9rio direito processa informa\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica (e.g. uma mulher nua em um experimento) em uma rea\u00e7\u00e3o emocional apropriada (corar, dar risadinhas), sem saber ling\u00fcisticamente que informa\u00e7\u00e3o afinal induziu esta rea\u00e7\u00e3o emocional. Se n\u00e3o sabemos que a transfer\u00eancia de informa\u00e7\u00e3o do hemisf\u00e9rio direito para o esquerdo foi interrompida devido \u00e0 separa\u00e7\u00e3o de seus corpos calosos, provavelmente pensar\u00edamos no mecanismo de defesa da repress\u00e3o. Sabe-se que o sujeito feminino deste experimento n\u00e3o suprime intencionalmente conte\u00fado emocional. Devido ao seu d\u00e9ficit neuropsicol\u00f3gico ela n\u00e3o \u00e9 capaz de descrev\u00ea-lo. Mesmo que os resultados de experimentos com seres humanos que tenham o c\u00e9rebro dividido n\u00e3o possam ser transferidos a pessoas sadias, essas observa\u00e7\u00f5es favorecem v\u00e1rias id\u00e9ias de um envolvimento diferenciado dos dois hemisf\u00e9rios no processamento disfuncional dos est\u00edmulos emocionais; isto pode ser observado na expressividade inibida ou alexitimia, visto que at\u00e9 com seres humanos saud\u00e1veis h\u00e1 diferen\u00e7as entre o hemisf\u00e9rio esquerdo e o direito no processamento de informa\u00e7\u00e3o emocional. Isto \u00e9 de grande import\u00e2ncia para a quest\u00e3o da expressividade emocional inibida; na compara\u00e7\u00e3o, o hemisf\u00e9rio direito \u00e9 mais r\u00e1pido do que o esquerdo no reconhecimento de rostos carregados de informa\u00e7\u00e3o emocional. Mas, quando as rea\u00e7\u00f5es t\u00eam que ser em n\u00edvel ling\u00fc\u00edstico, a vantagem do hemisf\u00e9rio direito desaparecer\u00e1. Tarefas de reconhecimento facial para invari\u00e2ncia fision\u00f4mica (i.e. reconhecer rostos de diferentes perspectivas) s\u00e3o mais bem resolvidas pelo hemisf\u00e9rio direito. Com o processamento dos est\u00edmulos ac\u00fasticos o hemisf\u00e9rio direito domina a identifica\u00e7\u00e3o do tom emocional de linguagem. Um mecanismo neuropsicol\u00f3gico pode derivar-se da diferen\u00e7a no processamento emocional dentro do hemisf\u00e9rio direito e do esquerdo, o que explica as dissocia\u00e7\u00f5es entre experi\u00eancia emocional, comportamento expressivo emocional e rea\u00e7\u00f5es fisiol\u00f3gicas que s\u00e3o t\u00edpicas a fen\u00f4menos diferentes da emocionalidade e personalidade inibidas (ver Traue, 1988, 1998; Lane et al. 1995, 1996). Um estudo n\u00e3o publicado de G\u00fcnden et al. sobre MRI confirma a hip\u00f3tese que o volume do hemisf\u00e9rio direito est\u00e1 em correla\u00e7\u00e3o com as caracter\u00edsticas da alexitimia \u2013 mas especificamente apenas o giro do c\u00edngulo anterior, e apenas em sujeitos masculinos.<br \/>Caminhos socio-comportamentais<br \/>Processamento emocional inibido indica a defici\u00eancia b\u00e1sica de comunica\u00e7\u00e3o, de troca emocional e de relacionamento apresentada pelas pessoas que n\u00e3o conseguem demonstrar apropriadamente seus sentimentos em situa\u00e7\u00f5es interpessoais. Assim que acrian\u00e7a nasce, a emocionalidade inata tem um efeito no comportamento comunicativo dos pais. Quanto mais expressivo \u00e9 o beb\u00ea, mais os pais se dirigem a ele usando express\u00f5es faciais que evidenciam emo\u00e7\u00e3o. As rea\u00e7\u00f5es expressivas emocionais t\u00eam um efeito intensificador dos dois lados. O desejo de troca emocional permanece sempre vivo. (Rime, 1995).<br \/>\u00c9 mais f\u00e1cil condicionar as crian\u00e7as com baixa expressividade e alta excita\u00e7\u00e3o do sistema simp\u00e1tico, porque reagem mais intensamente aos est\u00edmulos punitivos. Sob condi\u00e7\u00f5es desfavor\u00e1veis de socializa\u00e7\u00e3o dentro da fam\u00edlia, escola ou grupos religiosos, a expressividade emocional em processo de crescimento pode ser suprimida e a excita\u00e7\u00e3o do simp\u00e1tico pode aumentar. Existem outros efeitos: as crian\u00e7as expressivas, tamb\u00e9m os adultos, s\u00e3o queridos, parecem ser mais atraentes e se saem melhor em conseguir seus objetivos. Salovey e Mayer (1990) criaram o termo \u201cintelig\u00eancia emocional\u201d para definir esta capacidade. Quando a pessoas expressivas utilizam a intelig\u00eancia emocional, elas s\u00e3o bem sucedidas na constru\u00e7\u00e3o de um sistema de apoio social que, sob condi\u00e7\u00f5es estressantes, talvez possa servir de anteparo contra o estresse e reduzir os efeitos prejudiciais \u00e0 sa\u00fade.<br \/>Sob trauma severo a intelig\u00eancia emocional s\u00f3 entra em atividade se a pessoa permanecer em seu pr\u00f3prio ambiente social, e se utilizar seus pr\u00f3prios recursos emocionais ainda presentes para reconstruir, pouco a pouco, seus relacionamentos sociais (Traue et al., 1997; Traue, 1998). Os processos de aprendizagem sob trauma severo podem condicionar padr\u00f5es de excita\u00e7\u00e3o hiperativa no sistema nervoso aut\u00f4nomo \u2013 variando desde o medo at\u00e9 o torpor externo e a apatia interna. Ap\u00f3s terem sido condicionados, esses seres humanos sofrem fortes oscila\u00e7\u00f5es entre alta excita\u00e7\u00e3o emocional e insensibilidade emocional, entre o impulso de fugir e o torpor.<\/p>\n<p>Caminhos cognitivos<br \/>As lembran\u00e7as de experi\u00eancias emocionais s\u00e3o muitas vezes desagrad\u00e1veis, especialmente quando se referem a epis\u00f3dios problem\u00e1ticos da vida. Por essa raz\u00e3o, muitos seres humanos tentam suprimir reflex\u00f5es sobre tais acontecimentos. Visto que essas reflex\u00f5es s\u00e3o parte decisiva das rea\u00e7\u00f5es emocionais, os intentos de suprimi-las significam inibi\u00e7\u00f5es do comportamento emocional. A energia usada para suprimir tais reflex\u00f5es n\u00e3o est\u00e1 dispon\u00edvel para uso em outros processos cognitivos, o que resulta na redu\u00e7\u00e3o do funcionamento cognitivo. A ambival\u00eancia com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 expressividade emocional pode ser interpretada como inibi\u00e7\u00e3o cognitiva. King et al. (1992) formularam uma teoria sobre ambival\u00eancia emocional, de acordo com a qual a necessidade de expressividade emocional pode causar conflitos que resultam em ambival\u00eancia com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pr\u00f3pria expressividade. O question\u00e1rio de King sobre a ambival\u00eancia foi traduzido para o Alem\u00e3o, e a conex\u00e3o entre a sa\u00fade f\u00edsica e psicol\u00f3gica e a ambival\u00eancia emocional foi testada numa amostragem com sujeitos saud\u00e1veis. (Deighton &#038; Traue, em elabora\u00e7\u00e3o).<br \/>Uma an\u00e1lise fatorial do AEQ alem\u00e3o resultou em dois aspectos diferentes da ambival\u00eancia com respeito a conte\u00fado. Um fator resumiu as perguntas que se referiam \u00e0s conseq\u00fc\u00eancias da expressividade emocional, por exemplo, se algu\u00e9m teme que sua express\u00e3o de raiva seja levada a mal por outra pessoa. \u00c9 por esta raz\u00e3o que chamamos este fator de ambival\u00eancia de efeito. O segundo fator consiste de perguntas referentes \u00e0 habilidade de demonstrar express\u00e3o emocional, por exemplo, se algu\u00e9m quer mostrar seus sentimentos e n\u00e3o consegue. Conseq\u00fcentemente, chamamos este fator de ambival\u00eancia de compet\u00eancia. A ambival\u00eancia de efeito refere-se principalmente a emo\u00e7\u00f5es negativas, enquanto que a de compet\u00eancia est\u00e1 mais relacionada a sentimentos positivos. Os dois fatores tamb\u00e9m diferem em termos de condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade. A ambival\u00eancia de efeito correlaciona-se com a dor f\u00edsica e os sentimentos depressivos, ao passo que os valores elevados da ambival\u00eancia de compet\u00eancia correlacionam-se com a falta de apoio social.<br \/>Outro caminho cognitivo de supress\u00e3o \u00e9 causado por um estilo cognitivo de processar incidentes emocionais que carecem de emo\u00e7\u00e3o. Para que se processe por completo um incidente emocional, muitos aspectos precisam ser codificados ling\u00fcisticamente. Os di\u00e1logos internos, bem como a comunica\u00e7\u00e3o de experi\u00eancias emocionais exigem tais transforma\u00e7\u00f5es verbais. H\u00e1 algumas d\u00e9cadas os acad\u00eamicos de medicina psicossom\u00e1tica criaram o termo alexitimia para a linguagem sem emo\u00e7\u00e3o, com o intuito de descrever a incapacidade de lidar mental ou verbalmente com acontecimentos emocionais. \u00c9 importante manter uma representa\u00e7\u00e3o cognitiva completa dos acontecimentos emocionais \u00e9 importante para apag\u00e1-los da rede de medo dentro do c\u00e9rebro, e de estabelecer nova conex\u00e3o deles com experi\u00eancias menos assustadoras. Devido ao fato de que no temor mental, as redes de conte\u00fados emocionais isolados associam-se ao aumento correspondente de excita\u00e7\u00e3o do sistema simp\u00e1tico, a excita\u00e7\u00e3o fisiol\u00f3gica pode ser interpretada como um sintoma f\u00edsico de doen\u00e7a.<br \/>As transforma\u00e7\u00f5es cognitivas de incidentes estressantes n\u00e3o exigem necessariamente a supress\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es emocionais. Podemos aproveitar o insight de Shakespeare em Hamlet: \u201cn\u00e3o h\u00e1 nada bom nem mau, mas o pensamento assim o torna\u201d, para tentar mudar um determinado modo de sentir transformando a maneira de pensar. Embora a reavalia\u00e7\u00e3o possa incluir supress\u00e3o do pensamento, ela consiste principalmente da recomposi\u00e7\u00e3o de um incidente emocional em termos n\u00e3o-emocionais, e a separa\u00e7\u00e3o de estados internos da estimula\u00e7\u00e3o externa. Em um estudo recente com a imagem de resson\u00e2ncia magn\u00e9tica funcional, Ochsner et al. (2002) demonstraram que a redu\u00e7\u00e3o efetiva do afeto negativo subjetivo por reavalia\u00e7\u00e3o cognitiva est\u00e1 em correla\u00e7\u00e3o com um aumento da atividade nas \u00e1reas lateral esquerda, pr\u00e9-frontal medial e do c\u00edngulo, e com o decl\u00ednio da ativa\u00e7\u00e3o da am\u00edgdala e do c\u00f3rtex orbitofrontal m\u00e9dio. Embora estas descobertas sugiram que os processos cognitivos estejam envolvidos na regula\u00e7\u00e3o emocional e possam mudar a experi\u00eancia aversiva subjetiva, permanecem quest\u00f5es sobre o significado funcional desta atividade cerebral e sua relev\u00e2ncia para os indiv\u00edduos doentes. Contudo, essas observa\u00e7\u00f5es s\u00e3o condizentes com descobertas de estudos do tratamento para desordens depressivas e obsessivo-compulsivas, os quais descobriram uma normaliza\u00e7\u00e3o da atividade da \u00e1rea pr\u00e9-frontal e da am\u00edgdala. Portanto, a ativa\u00e7\u00e3o da \u00e1rea pr\u00e9-frontal, do c\u00edngulo e da am\u00edgdala parece ser relevante para a regula\u00e7\u00e3o emocional.<\/p>\n<p>As emo\u00e7\u00f5es na psicoterapia<br \/>A experi\u00eancia interna e a express\u00e3o de emo\u00e7\u00f5es s\u00e3o freq\u00fcentemente o foco de aten\u00e7\u00e3o na psicoterapia. Nela, o comportamento emocional n\u00e3o pode ser considerado separadamente dos processos cognitivos e a\u00e7\u00f5es, visto que estas fun\u00e7\u00f5es podem causar emo\u00e7\u00f5es e tamb\u00e9m s\u00e3o influenciadas por elas. No campo da psicoterapia, que trata com o ser humano como um todo, o comportamento emocional s\u00f3 pode ser examinado em conex\u00e3o com outras fun\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas b\u00e1sicas.<br \/>De um ponto de vista hist\u00f3rico, a psican\u00e1lise usou o termo energia para descrever comportamento emocional, pois os conceitos de cibern\u00e9tica e as id\u00e9ias de processamento de informa\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o haviam se desenvolvido na \u00e9poca. Nesse contexto, Freud originalmente considerou o comportamento emocional no sentido da energia psicol\u00f3gica, origin\u00e1ria das puls\u00f5es e instintos, o id. No campo da psican\u00e1lise, a aten\u00e7\u00e3o aos processos emocionais resultava de experi\u00eancias cl\u00ednicas com um tratamento de uma condi\u00e7\u00e3o chamada, na \u00e9poca, de histeria. De acordo com Freud, os afetos que n\u00e3o s\u00e3o abreagidos ficam mentalmente conectados com a situa\u00e7\u00e3o correspondente. Mesmo que permane\u00e7am inconscientes, eles podem ainda assim causar comportamento neur\u00f3tico, no qual s\u00e3o simbolizados os aspectos dos motivos experienciados originalmente motivos experienciados ou os resultados dele. Freud tamb\u00e9m tinha a opini\u00e3o de que uma catarse de um afeto experienciado poderia ocorrer espontaneamente durante, ou em seguida a uma situa\u00e7\u00e3o motivadora de afetos, ou poderia resultar de uma interven\u00e7\u00e3o terap\u00eautica. Aqui, ele tinha diferentes possibilidades em mente, indo desde a atua\u00e7\u00e3o direta de um determinado acontecimento, at\u00e9 falar conscientemente sobre o trauma em diversas sess\u00f5es (Freud, 1895).<br \/>Mesmo que na psican\u00e1lise tradicional o apoio da emocionalidade expressiva tenha sido recha\u00e7ado em favor de processos puramente cognitivos, essas id\u00e9ias n\u00e3o se perderam. Michael Balint relatou que Sandor Ferenczi fez experi\u00eancias com as chamadas \u201ct\u00e9cnicas ativas\u201d. Ferenczi sup\u00f4s que nas sess\u00f5es terap\u00eauticas as emo\u00e7\u00f5es, conflitos e pensamentos suprimidos podem ser suscitados de maneira a se tornarem quase conscientes, mas devido ao seu conte\u00fado negativo, s\u00e3o finalmente transformados em sintomas f\u00edsicos que podem ser compreendidos e interpretados como sintomas neur\u00f3ticos.<br \/>O comportamento f\u00edsico dos clientes em terapia deve ser observado com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 qualidade expressiva, visto que o conflito entre um impulso emocional para agir e a supress\u00e3o dele \u00e9 refletido no comportamento f\u00edsico-expressivo. Atualmente falamos sobre um tipo diferente de comportamento expressivo. Ferenczi considerava a libera\u00e7\u00e3o do impulso original de agir como um passo importante na terapia. Neste contexto, ele sugeriu que se ampliasse a atitude anal\u00edtica passiva recomendando aos pacientes que vivenciassem ativamente seus impulsos, ou aconselhando-os a n\u00e3o fazerem isto.<br \/>Da perspectiva da \u00e9poca atual, \u00e9 surpreendente observar a quantidade de esfor\u00e7o intelectual que os analistas dos anos vinte fizeram para descobrir se deveriam ou n\u00e3o aconselhar os clientes a se masturbarem, sempre que tivessem este impulso sexual. Contudo, fora do campo da psican\u00e1lise tem sido uma pr\u00e1tica comum ajudar ativamente os clientes a enfrentarem a inibi\u00e7\u00e3o em suas emo\u00e7\u00f5es, necessidades e impulsos para agir.<br \/>Segundo Ferenczi, sua t\u00e9cnica ativa era bastante diferente do m\u00e9todo tradicional de associa\u00e7\u00e3o livre. Ferenczi discutia com seus colegas se era poss\u00edvel manter uma posi\u00e7\u00e3o neutra frente aos clientes. Ele sustentava que a desonestidade profissional poderia ter nos clientes o mesmo efeito prejudicial que seus traumas originais tinham (para os m\u00e9todos de tratamento de<\/p>\n<p>Ferenczi, ver Balint, 1967).<br \/>Quando se discute a respeito de conceitos terap\u00eauticos para a mudan\u00e7a da inibi\u00e7\u00e3o emocional, \u00e9 preciso que se mencionem dois psicanalistas: Carl G. Jung e Wilhelm Reich. Ambos eram psicanalistas tradicionais, mas desenvolveram vis\u00f5es t\u00e3o radicais que se formaram novas escolas terap\u00eauticas derivadas de seu trabalho.<br \/>Anos antes da discuss\u00e3o sobre a teoria da emo\u00e7\u00e3o citada anteriormente, Jung j\u00e1 apontara algumas diferen\u00e7as essenciais entre as avalia\u00e7\u00f5es cognitiva e emocional dos est\u00edmulos ambientais. De acordo com ele, as cogni\u00e7\u00f5es conduzem a julgamentos do tipo verdadeiro-falso, enquanto as emo\u00e7\u00f5es conduzem \u00e0s avalia\u00e7\u00f5es do tipo bom-mau. Jung acreditava que os dois processos de avalia\u00e7\u00e3o eram racionais, ao passo que, em sua opini\u00e3o, os processos de percep\u00e7\u00e3o e intui\u00e7\u00e3o eram n\u00e3o-racionais e tinham que ser submetidos \u00e0 avalia\u00e7\u00e3o racional pelas cogni\u00e7\u00f5es e emo\u00e7\u00f5es. Todas estas quatro fun\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas s\u00e3o importantes para o comportamento. Em terapia, as fun\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas subdesenvolvidas precisam ser auxiliadas.<br \/>Outro aspecto da vis\u00e3o de Jung diz respeito \u00e0 psique como sistema auto-regulador. As experi\u00eancias e mem\u00f3rias suprimidas tornam-se complexos mentais emocionalmente ligados dentro do inconsciente, e precisam ser controladas pelo indiv\u00edduo. As atitudes e regras comportamentais r\u00edgidas adotadas pelo indiv\u00edduo contradizem esses complexos mentais negados ou suprimidos. O indiv\u00edduo necessita experienciar estas emo\u00e7\u00f5es libidinais tem\u00edveis ou destrutivas, para aprender a toler\u00e1-las e aceit\u00e1-las. \u00c9 necess\u00e1rio que se mencione que Jung n\u00e3o concebia a libido em um sentido sexual limitado, mas como energia mental.<\/p>\n<p>Mais radical e determinado que qualquer outro psicanalista, Wilhelm Reich voltou-se contra a \u201ccompreens\u00e3o puramente intelectual\u201d das emo\u00e7\u00f5es humanas, e contra a psican\u00e1lise tradicional que, em sua opini\u00e3o, havia cometido um engano ao abandonar a catarse. Ele estava interessado na busca das possibilidades terap\u00eauticas para liberar as emo\u00e7\u00f5es suprimidas em terapia.<br \/>Wilhelm Reich presumia que qualquer resist\u00eancia a experienciar, viver ou expressar sentimentos seria firmemente incorporada na personalidade. Baseado na an\u00e1lise psicol\u00f3gica da \u201ccoura\u00e7a de car\u00e1ter\u201d, como ele chamava esta resist\u00eancia, desenvolveu interven\u00e7\u00f5es terap\u00eauticas psicol\u00f3gicas e fisiol\u00f3gicas com o objetivo de romper estas coura\u00e7as. Ele presumia basicamente que o medo e o medo da agressividade causassem a supress\u00e3o dos impulsos emocionais. Wilhelm Reich concentrou-se nas express\u00f5es e nos sintomas f\u00edsicos na terapia com muito mais consist\u00eancia do que Ferenczi. Ele come\u00e7ou a ficar mais interessado no comportamento n\u00e3o-verbal dos seus clientes do que em suas declara\u00e7\u00f5es verbais. N\u00e3o considerava os sintomas f\u00edsicos como energia psicol\u00f3gica transformada, mas como manifesta\u00e7\u00f5es de emo\u00e7\u00e3o suprimida.<br \/>Segundo Reich, as tens\u00f5es musculares n\u00e3o resultavam da repress\u00e3o dos sentimentos, mas eram os mecanismos som\u00e1ticos da supress\u00e3o de sentimentos em si mesma. Sua terapia objetivava a ruptura da coura\u00e7a muscular, revelando os impulsos emocionais suprimidos e desenvolvendo uma conscientiza\u00e7\u00e3o das situa\u00e7\u00f5es nas quais a supress\u00e3o de emo\u00e7\u00f5es tinha se originado.<br \/>Wilhelm Reich n\u00e3o valorizava o conceito de catarse por ele mesmo. Isto foi muitas vezes mal compreendido. Ele acreditava que a catarse ajudava a liberar emo\u00e7\u00f5es e fazer com que os clientes ficassem cientes delas. As emo\u00e7\u00f5es n\u00e3o devem ser liberadas e expulsas dos processos ps\u00edquicos internos, mas antes deveriam ser conscientemente percebidas e aceitas. Os elementos cat\u00e1rticos na terapia eram seguidos de uma fase de processamento mental de sentimentos experienciados. A supress\u00e3o era neutralizada pela compreens\u00e3o e esclarecimento dos mecanismos psicol\u00f3gicos envolvidos. Wilhelm Reich trabalhava com uma mistura de t\u00e9cnicas de respira\u00e7\u00e3o, massagem e exerc\u00edcios f\u00edsicos que aumentavam o n\u00edvel geral de excita\u00e7\u00e3o at\u00e9 um ponto em que, finalmente, a resist\u00eancia aos sentimentos suprimidos podia ser abandonada. Para a terapia de Reich, este suporte de expressividade emocional era o caminho ideal para a sa\u00fade f\u00edsica e mental.<br \/>O comportamento emocional desempenha um papel importante nas abordagens corporais de psicoterapia. Fortemente influenciado pelas id\u00e9ias de Reich sobre a inibi\u00e7\u00e3o emocional e suas t\u00e9cnicas terap\u00eauticas, Alexander Lowen desenvolveu a An\u00e1lise Bioenerg\u00e9tica, uma escola terap\u00eautica que considera a experi\u00eancia emocional f\u00edsica e intensiva como elemento central de cura. Alexander Lowen, como Wilhelm Reich, sup\u00f5e que a inibi\u00e7\u00e3o emocional absorva a energia ps\u00edquica que seria necess\u00e1ria para um enfrentamento ativo do indiv\u00edduo com seu ambiente. Como C. G. Jung, ele enfatiza a fun\u00e7\u00e3o dos est\u00edmulos emocionais para a interpreta\u00e7\u00e3o dos est\u00edmulos internos e externos: o conhecimento associado aos sentimentos torna-se compreens\u00e3o, podendo induzir \u00e0 mudan\u00e7a (Lowen, 1975, S. 62).<br \/>De acordo com Alexander Lowen, a emocionalidade expressiva conduz a uma coordena\u00e7\u00e3o melhorada dos processos ps\u00edquico e som\u00e1tico, integrando pensamentos e atitudes. A teoria bioenerg\u00e9tica considera a expressividade emocional saud\u00e1vel por causa dos seus efeitos reguladores no meio social, bem como no self individual. Os movimentos f\u00edsicos e as transforma\u00e7\u00f5es na postura auxiliam a express\u00e3o de emo\u00e7\u00f5es fortes.<br \/>Lowen acredita que tanto os transtornos neur\u00f3ticos quanto os psicossom\u00e1ticos sejam causadas por experi\u00eancias traum\u00e1ticas ou priva\u00e7\u00e3o emocional na inf\u00e2ncia. \u00c9 poss\u00edvel reagir tanto com inibi\u00e7\u00e3o de emo\u00e7\u00f5es como com impulsividade. Lowen estava convencido de que os pais instilam a supress\u00e3o de sentimentos nos filhos porque t\u00eam toler\u00e2ncia baixa para a express\u00e3o emocional deles e de outras crian\u00e7as.<br \/>Como Wilhelm Reich, Lowen acreditava que a catarse do trauma e sua libera\u00e7\u00e3o, principalmente quando experienciado na inf\u00e2ncia, s\u00e3o o ponto crucial da terapia.<br \/>Considerando os resultados da pesquisa sobre o desenvolvimento infantil e a teoria da emo\u00e7\u00e3o e, por fim at\u00e9 mesmo no campo da psican\u00e1lise, tem sido aceito em geral que o comportamento emocional tem que ser compreendido como um sistema de comunica\u00e7\u00e3o por meio do qual as necessidades, desejos e avalia\u00e7\u00f5es situacionais podem ser comunicados diretamente no meio social, de maneira mais n\u00e3o-verbal do que com palavras.<br \/>As teorias psicoterap\u00eauticas atuais defendem, quase que unanimemente, que a experi\u00eancia e a express\u00e3o das emo\u00e7\u00f5es s\u00e3o importantes para compreender os clientes e suas doen\u00e7as. O comportamento emocional na terapia \u00e9 muitas vezes visto como a chave para a mudan\u00e7a: Greenberg e Safran relatam esta mudan\u00e7a no seguinte epis\u00f3dio:<br \/>\u201cFiz terapia por alguns meses e comecei a falar com o terapeuta sobre meus sentimentos de isolamento e frustra\u00e7\u00e3o. Os problemas ficaram um tanto mais claros para mim, mas, de uma maneira ou de outra, as coisas n\u00e3o mudaram realmente em n\u00edvel emocional. Ent\u00e3o, fui a um segundo terapeuta. De algum modo, este terapeuta come\u00e7ou a me fazer entrar em contato com o que eu sentia internamente. Lembro-me que, para minha surpresa, sucumbi e chorei na segunda sess\u00e3o. Comecei emitindo sons fracos e logo estava me lamentando e chorando a plenos pulm\u00f5es. Mais ou menos nos cinco minutos seguintes, gradualmente, a intensidade do meu choro diminuiu. Comecei a falar sobre a dor e o desespero que estava experienciando internamente, de um modo como nunca havia feito antes. Talvez nunca tivesse me sentido assim tamb\u00e9m. Continuei falando sobre meu desejo de contato humano, sobre a maneira como me sentia preso por minhas ansiedades e medos de rejei\u00e7\u00e3o, e meus sentimentos de culpa sobre ter um relacionamento sexual. Nas semanas seguintes, comecei a me sentir cada vez mais motivado a fazer algo para mudar minha vida. Foi poucos meses antes de fazer grandes mudan\u00e7as externamente, mas sempre marcarei o come\u00e7o da minha mudan\u00e7a a partir deste epis\u00f3dio.\u201d (Greenberg &#038; Safran 1987, 4).<br \/>Os clientes come\u00e7am a reagir emocionalmente em determinado ponto, dentro do processo terap\u00eautico. Este momento emocional difere dos sentimentos anteriores por sua intensidade e seu componente expressivo. Os clientes realmente adquirem consci\u00eancia de si mesmos, obtendo insights em conseq\u00fc\u00eancia disso. Gra\u00e7as a este sentimento intenso, s\u00e3o capazes de falar mais claramente sobre suas necessidades, e de desenvolver sua motiva\u00e7\u00e3o. Os processos emocionais cruciais s\u00e3o as experi\u00eancias subjetivas de sentimentos, o envolvimento f\u00edsico, a express\u00e3o emocional, e as mudan\u00e7as motivacionais e cognitivas conseq\u00fcentes. Muitos psicoterapeutas concordariam com o fato de que os problemas psicol\u00f3gicos, com muita freq\u00fc\u00eancia resultam do bloqueio ou evita\u00e7\u00e3o do comportamento emocional potencialmente adaptativo, e que as interven\u00e7\u00f5es psicoterap\u00eauticas visam ultrapassar a resist\u00eancia \u00e0s emo\u00e7\u00f5es e \u00e0 revela\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia emocional ; al\u00e9m disso, a viv\u00eancia completa de um epis\u00f3dio emocional espec\u00edfico conduz a uma mudan\u00e7a de experi\u00eancia emocional, possibilitando, como resultado, novas rea\u00e7\u00f5es de adapta\u00e7\u00e3o nas situa\u00e7\u00f5es problem\u00e1ticas.<br \/>Se quisermos analisar como a ci\u00eancia da psicoterapia trata os processos emocionais dos clientes, n\u00e3o podemos, na verdade, falar sobre \u201cpsicoterapia\u201d, visto que, em in\u00fameras tradi\u00e7\u00f5es psicoterap\u00eauticas, a teoria em que se baseiam difere consideravelmente de suas interven\u00e7\u00f5es terap\u00eauticas. As diferen\u00e7as entre as escolas s\u00e3o maiores na teoria do que nas pr\u00e1ticas terap\u00eauticas.<br \/>As quatro dimens\u00f5es da terapia da emo\u00e7\u00e3o<br \/>Greenberg &#038; Safran (1987) estipularam quatro dimens\u00f5es fundamentais. Elas se baseiam em diferentes perspectivas psicoterap\u00eauticas, das quais o comportamento emocional \u00e9 visto dentro dos conceitos terap\u00eauticos correspondentes e das t\u00e9cnicas de tratamento:<br \/>(1) Descarga emocional<br \/>(2) Insight emocional<br \/>(3) Emo\u00e7\u00f5es adaptativas facilitadoras<br \/>(4) Exposi\u00e7\u00e3o e h\u00e1bito<br \/>Perspectivas psicoterap\u00eauticas diferentes avaliam estas quatro dimens\u00f5es de modos diferentes. Mas, se um ou mais aspectos forem utilizados em uma interven\u00e7\u00e3o, ser\u00e1 de suma import\u00e2ncia atingir uma viv\u00eancia completa de um epis\u00f3dio emocional incluindo a experi\u00eancia subjetiva, expressividade emocional, excita\u00e7\u00e3o fisiol\u00f3gica e fun\u00e7\u00f5es interativas.<br \/>DESCARGA EMOCIONAL \u2013 Muitos m\u00e9todos psicoterap\u00eauticos cont\u00eam elementos de catarse, de forma mais ou menos explic\u00edta. Julga-se, por exemplo, que a maioria dos elementos cat\u00e1rticos ajuda a ativar mem\u00f3rias reprimidas, ou oferece seguran\u00e7a para que os clientes n\u00e3o tenham que fugir das rea\u00e7\u00f5es emocionais suprimidas ou evitadas. Somente alguns terapeutas, como os adeptos da terapia do grito primal, acreditam nos efeitos salutares de vivenciar emo\u00e7\u00f5es diretamente. At\u00e9 mesmo Even Thomas (1983), um defensor da terapia de catarse, acredita que a catarse \u00e9 particularmente efetiva se os clientes puderem observar de uma certa dist\u00e2ncia suas express\u00f5es de emo\u00e7\u00f5es antes reprimidas ou suprimidas, e se puderem, passo a passo, remover sua inibi\u00e7\u00e3o emocional atrav\u00e9s de experi\u00eancia e observa\u00e7\u00e3o pr\u00f3prias. A libera\u00e7\u00e3o de emotividade suprimida deve ser embutida nas estrat\u00e9gias terap\u00eauticas que trabalham com mudan\u00e7as de autoconceito de um cliente depois de ter feito uma experi\u00eancia cat\u00e1rtica, de modo que possam resultar mudan\u00e7as permanentes da experi\u00eancia de catarse. Se a hip\u00f3tese sobre estresse e enfrentamento fosse central na terapia, um objetivo da descarga emocional seria dirigir o esfor\u00e7o psicol\u00f3gico necess\u00e1rio para suprimir as emo\u00e7\u00f5es na dire\u00e7\u00e3o do enfrentamento do estresse. Este objetivo s\u00f3 pode ser atingido se os clientes souberem antecipadamente das possibilidades e do poder da descarga emocional.<br \/>INSIGHT EMOCIONAL: Embora principalmente nas psicoterapias cognitivas a catarse da excita\u00e7\u00e3o emocional seja considerada ineficaz ou, no m\u00e1ximo, de efeitos ef\u00eameros, a import\u00e2ncia da experi\u00eancia emocional n\u00e3o \u00e9 questionada. Pelo contr\u00e1rio, a compreens\u00e3o puramente intelectual de um indiv\u00edduo de seu pr\u00f3prio comportamento, mesmo de comportamentos perturbados, \u00e9 oposta ao insight. O insight em terapia apenas acontece quando os aspectos emocionais da experi\u00eancia s\u00e3o processados concomitantemente com acontecimentos recordados. O insight somente \u00e9 efetivo se os clientes entenderem seus impulsos emocionais no contexto total de seus sistemas de valores culturais, e se integrarem o epis\u00f3dio em uma narrativa pessoal. Na psican\u00e1lise, por exemplo, o processo de entrega serve ao objetivo de enriquecer emocionalmente as experi\u00eancias psicol\u00f3gicas anteriormente superficiais, atrav\u00e9s do mecanismo de transfer\u00eancia. Quanto mais intimamente relacionados estiverem a experi\u00eancia emocional atual e o processamento intelectual, maior a probabilidade de mudan\u00e7a do paciente. Na terapia centrada no cliente, os terapeutas focalizam particularmente as nuances das comunica\u00e7\u00f5es verbais de seus clientes. Esta terapia n\u00e3o trata tanto dos impulsos emocionais suprimidos, e sim de aspectos do autoconceito e das rela\u00e7\u00f5es do paciente com os objetos de seu meio interpessoal comunicados com emo\u00e7\u00e3o. Aqui, as emo\u00e7\u00f5es s\u00e3o consideradas como processos significativos, por meio dos quais um indiv\u00edduo avalia seu mundo interior e exterior. Desse modo, o insight est\u00e1 sempre relacionado com o envolvimento emocional. Dentre outras formas de terapia, a centrada no cliente focaliza explicitamente o processo oposto, na vis\u00e3o construtivista da emocionalidade experienciada. Qualquer autoconceito com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 persona \u00e9 sempre o resultado de uma constru\u00e7\u00e3o mental e s\u00f3 pode ser completa se incluir experi\u00eancia emocional. Nesse sentido, a experi\u00eancia emocional presente e a subjetiva s\u00e3o necess\u00e1rias para mudar autoconceitos na terapia.<br \/>EMO\u00c7\u00d5ES ADAPTATIVAS E FACILITADORAS \u2013 Atrav\u00e9s da facilita\u00e7\u00e3o das emo\u00e7\u00f5es adaptativas, a perspectiva individual autocentrada \u00e9 ampliada.. Para um indiv\u00edduo dentro de seu contexto social, as emo\u00e7\u00f5es controlam sua experi\u00eancia e seu comportamento no contato interpessoal. A experi\u00eancia emocional regula a simpatia, a atra\u00e7\u00e3o e rejei\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o aos outros. Neste contexto, o papel das emo\u00e7\u00f5es \u00e9 enfatizado como um sistema de processamento de informa\u00e7\u00e3o segundo uma dimens\u00e3o intra e interindividual \u2013 ela expande a perspectiva para al\u00e9m do indiv\u00edduo. Os m\u00e9todos terap\u00eauticos que restringem seus esfor\u00e7os \u00e0 redu\u00e7\u00e3o dos sentimentos indesej\u00e1veis, negligenciam e ignoram o valor adaptativo das rea\u00e7\u00f5es emocionais.<br \/>O sentido comunicativo do comportamento emocional expressivo \u00e9 a quest\u00e3o central da terapia humanista. Este comportamento \u00e9 sustentado, capacitando, assim, os clientes a traduzirem seu \u00e2mbito subjetivo de sentimentos na comunica\u00e7\u00e3o interpessoal. O mesmo se aplica ao treinamento da compet\u00eancia social em terapia comportamental, em que o comportamento emocional expressivo \u00e9 praticado ou sustentado para satisfazer necessidades ou resolver problemas.<br \/>O desenvolvimento atual de conceitos terap\u00eauticos diferentes caracteriza-se por um esfor\u00e7o para integrar novas descobertas da psicobiologia. Isto se aplica \u00e0s terapias cognitivo-comportamentais com clientes traumatizados, ajudando-os a enfrentar os efeitos neurobiol\u00f3gicos de estresse severo no comportamento emocional. Tamb\u00e9m se aplica ao campo da psican\u00e1lise que atualmente integra descobertas da psicologia do desenvolvimento em seus pr\u00f3prios conceitos. O comportamento emocional expressivo evoluiu filogeneticamente de padr\u00f5es do comportamento geral (e.g.vomitar comida rejeitada) para a comunica\u00e7\u00e3o de avalia\u00e7\u00f5es (e.g. avers\u00e3o). Por esta raz\u00e3o, a fun\u00e7\u00e3o adaptativa do comportamento expressivo para se viver em grupos deve ser alta.<br \/>EXPOSI\u00c7\u00c3O E H\u00c1BITO \u2013 Os m\u00e9todos de catarse, inunda\u00e7\u00e3o ou implos\u00e3o baseiam-se em id\u00e9ias te\u00f3ricas diferentes. Eles tamb\u00e9m t\u00eam suas ra\u00edzes em abordagens terap\u00eauticas diferentes, a antiga psican\u00e1lise e a terapia comportamental. Seu embasamento te\u00f3rico presume que o comportamento emocional potencialmente existente poderia perturbar os clientes se fosse acionado por determinados est\u00edmulos ou se fosse indesej\u00e1vel. Os primeiros psicanalistas tratavam essas rea\u00e7\u00f5es indesej\u00e1veis, assim como suas transforma\u00e7\u00f5es qualitativas com a ab-rea\u00e7\u00e3o na catarse, quer dizer, criando uma v\u00e1lvula para descarregar a energia ps\u00edquica. Os terapeutas comportamentais achavam que a extin\u00e7\u00e3o e o contracondicionamento seriam meios adequados de terapia, fosse pelo condicionamento de uma rea\u00e7\u00e3o alternativa a situa\u00e7\u00f5es que causaram previamente sentimentos indesej\u00e1veis,ou revogando conseq\u00fc\u00eancias que aumentavam sentimentos indesej\u00e1veis. O comportamento emocional tem que ocorrer durante as sess\u00f5es terap\u00eauticas, ou seja, tem que ser iniciado por um processo ativo, para tornar as estrat\u00e9gias terap\u00eauticas bem sucedidas. Esta \u00e9 uma caracter\u00edstica comum essencial. A express\u00e3o processamento emocional \u00e9 usada nas discuss\u00f5es recentes da terapia comportamental. O processamento emocional reflete a transi\u00e7\u00e3o dos objetivos terap\u00eauticos da redu\u00e7\u00e3o dos comportamentos indesej\u00e1veis \u00e0s alternativas de comportamento. Stanley Rachman diz: \u201cPara come\u00e7ar, o processamento emocional \u00e9 considerado como um processo atrav\u00e9s do qual as perturba\u00e7\u00f5es emocionais s\u00e3o absorvidas e diminuem na medida em que outras experi\u00eancias e comportamentos podem acontecer sem rupturas.\u201d (Rachman 1980, 51)<br \/>Todos esses m\u00e9todos terap\u00eauticos usam t\u00e9cnicas diferentes de escolas psicoterap\u00eauticas diferentes, mas t\u00eam em comum o fato de que buscam promover o processamento emocional ou o entendimento da emo\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo.<br \/>Conclus\u00e3o<br \/>O modelo relatado de sa\u00fade e doen\u00e7a que postula uma conex\u00e3o entre a emocionalidade inibida e as perturba\u00e7\u00f5es da sa\u00fade \u00e9 um padr\u00e3o de caminho n\u00e3o-determinista, que define caminhos neurobiol\u00f3gicos, s\u00f3cio-comportamentais e cognitivos entre o estresse e a ativa\u00e7\u00e3o emocional e seu processamento pela inibi\u00e7\u00e3o e por conseq\u00fc\u00eancias cl\u00ednicas. Particularmente para dores de cabe\u00e7a e nas costas, doen\u00e7as do sistema cardiovascular e c\u00e2ncer, h\u00e1 in\u00fameros resultados emp\u00edricos e at\u00e9 parcialmente experimentais que provam, para al\u00e9m das conjeturas te\u00f3ricas, a relev\u00e2ncia cl\u00ednica da emocionalidade inibida como fator de risco para a sa\u00fade. N\u00e3o foram s\u00f3 os psicoterapeutas e acad\u00eamicos contempor\u00e2neos da medicina psicossom\u00e1tica descobriram os efeitos prejudiciais da inibi\u00e7\u00e3o emocional para a sa\u00fade f\u00edsica. Em muitas civiliza\u00e7\u00f5es, os custos individuais referentes \u00e0 inibi\u00e7\u00e3o das emo\u00e7\u00f5es individuais que s\u00e3o baseadas em coa\u00e7\u00e3o social, e em boas raz\u00f5es, estavam e est\u00e3o, pelo menos em parte, reduzidos por rituais de abertura emocional. Os rituais de abertura emocional em grupos \u00e9tnicos e antigas \u00e9pocas hist\u00f3ricas foram, atualmente, removidos de seu contexto principalmente religioso, e substitu\u00eddos pela psicoterapia moderna; passaram tamb\u00e9m por uma forma secularizada de profissionaliza\u00e7\u00e3o, bem como uma ampla prolifera\u00e7\u00e3o de conceitos psicol\u00f3gicos na vida cotidiana.<br \/>Os processos de terapia psicol\u00f3gica que s\u00e3o bem conhecidos na \u00e1rea da medicina psicossom\u00e1tica e comportamental visam quase que unanimimente mudar o comportamento emocional para reduzir as rea\u00e7\u00f5es de estresse f\u00edsico. Em conclus\u00e3o, \u00e9 necess\u00e1rio mencionar que na \u00e1rea da psicoterapia, as interven\u00e7\u00f5es reguladoras de emo\u00e7\u00e3o t\u00eam mostrado obter muito sucesso com o tratamento de problemas emocionais, da inibi\u00e7\u00e3o e de perturba\u00e7\u00f5es da sa\u00fade f\u00edsica. (Traue, 1998).<\/p>\n<p>Harald C. Traue, Russell M. Deighton e Petra Ritschi<\/p>\n<p>References<br \/>Alexander, F. (1950) Psychosomatic Medicine. New York: Norton.<br \/>Balint, M. (1967) Sandor Ferenczi`s Technical Experiments. In Benjamin B.<br \/>Wolman (Ed.) Psychoanalytic Techniques, New York: Basic Books<br \/>Buck, R. (1984) The communication of Emotion. New York: Guilford Press.<br \/>Chorover, S. L. (1979). From genesis to Genocide. The Meaning of Human Nature and the Power of Behavioral Control. NewYork: Bantam Books<br \/>Cole, S. W., M. E. Kemmeny, S. E. Taylor &#038; B. R. Visscher (1996) Elevated physical health risk among gay men who conceal their homosexual identity. Health Psychology 15(4), 243-251.<br \/>Damasio, A.R. (1994) Descartes\u2019 Error. Emotion, Reason and the Human Brain. New York: G. P. Putnam\u2019s Son.<br \/>Deighton, R.M. &#038; Traue, H.C, (in preparation). Emotionale Ambivalenz:<br \/>Zusammenh\u00e4nge zu K\u00f6rpersymptomen, Depressivit\u00e4t, und sozialer Interaktion. 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It is based on a shortened, partly amended and translated version of Traue, H.C. and Deighton, R.M. (2003) Emotionale Hemmung als Risikofaktor f\u00fcr die Gesundheit. In: A. Stephan and H. Walter (Hrsg.) Natur und Theorie der Emotionen. Paderborn: Mentis Verlag.<br \/>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.<\/p>\n<p>* Para informa\u00e7\u00f5es mais detalhadas sobre a apresenta\u00e7\u00e3o da implos\u00e3o emocional, ver Traue (1998) eTraue et al. (1997).<br \/>* Teste de Reconhecimento de Culpa<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Inibi\u00e7\u00e3o emocional e doen\u00e7a Harald C. Traue, Russell M. 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