{"id":164,"date":"2011-01-11T03:56:00","date_gmt":"2011-01-11T03:56:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.analisebioenergetica.com\/site\/?p=164"},"modified":"2011-01-11T03:56:00","modified_gmt":"2011-01-11T03:56:00","slug":"a-anatomia-da-empatia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/a-anatomia-da-empatia\/","title":{"rendered":"A Anatomia da Empatia"},"content":{"rendered":"<div id=\"fb-root\"><\/div>\n<p>A Anatomia da Empatia<\/p>\n<p>I \u2013Introdu\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>O tema sobre o qual discorrerei hoje ser\u00e1 \u201cA anatomia da empatia\u201d. Usarei o pronome masculino com o objetivo de simplificar. Pe\u00e7o desculpas por um erro na apostila, onde se l\u00ea \u201cpesquisa neurol\u00f3gica\u201d, na verdade, deveria ler-se \u201cpesquisa neurobiol\u00f3gica\u201d. Examinaremos nosso modelo tradicional de Bioenerg\u00e9tica e os \u00faltimos progressos feitos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 empatia. Embora tenha usado um t\u00edtulo que sugere que a empatia desenvolveu-se ao ponto em que eu possa desenhar-lhes um mapa dos m\u00fasculos e sinapses envolvidos, concluirei que, mesmo com avan\u00e7os recentes interessantes, ser emp\u00e1tico ainda \u00e9, com certeza, uma arte cl\u00ednica. Imagens do c\u00e9rebro feitas por aparelhagem espec\u00edfica confirmam que o c\u00e9rebro direito \u00e9 o mediador da empatia, mas ainda n\u00e3o nos ajuda a intervir melhor clinicamente. Os dados da anatomia comportamental da express\u00e3o facial, do comportamento do olhar, coordena\u00e7\u00e3o do ritmo vocal e postura corporal s\u00e3o mais imediatamente relevantes ao nosso tema. Assim, a empatia \u00e9 um assunto complexo. Com base nos insights de Lyons-Ruth (1998), Stern (1985), Tronick (1989), Beebe e Lachmann (2002) e muitos outros [Sander (1977), Weiss (1970), Fogel (1993)], farei distin\u00e7\u00e3o nessa apostila entre conhecimento expl\u00edcito e impl\u00edcito, para compreender melhor a empatia. Examinaremos os limites do nosso conhecimento expl\u00edcito, e at\u00e9 que ponto o impl\u00edcito pode ser transformado em expl\u00edcito. Discutirei tamb\u00e9m que uma vis\u00e3o n\u00e3o-linear dos sistemas di\u00e1dicos captura melhor a qualidade bidirecional instant\u00e2nea da comunica\u00e7\u00e3o emp\u00e1tica. Finalmente, abordarei o paradoxo de que a pr\u00f3pria ferida que nos leva a ser terapeutas, sintoniza-nos aos nossos clientes e ao mesmo tempo interfere com estarmos verdadeiramente com eles. Tentarei ilustrar as quest\u00f5es acima com casos cl\u00ednicos.<\/p>\n<p>II \u2013 Defini\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>A) Empatia \u2013 A palavra empatia \u00e9 derivada do grego \u201cempatheia\u201d, que significa afeto ou paix\u00e3o. A quarta edi\u00e7\u00e3o do novo World College Dictionary da Webster define empatia como: \u201cA proje\u00e7\u00e3o de sua pr\u00f3pria personalidade na personalidade de outra pessoa, a fim de entend\u00ea-la melhor; habilidade de compartilhar as emo\u00e7\u00f5es, pensamentos ou sentimentos com outrem\u201d. Alguns terapeutas, como por exemplo, Tansey e Burke (1989), abra\u00e7am uma defini\u00e7\u00e3o mais ampla; dizem que somos emp\u00e1ticos quando respondemos \u00e0 necessidade do paciente, quando lhe oferecemos o que ele precisa para melhorar, mesmo que isto signifique reprov\u00e1-lo (para que desta maneira ele possa re-experienciar e dominar seus traumas internos). Respondemos empaticamente quando recebemos as identifica\u00e7\u00f5es projetivas do cliente, proje\u00e7\u00f5es estas que moldam nossa experi\u00eancia enquanto aprofundam nossa compreens\u00e3o do cliente. Para outros, por exemplo, Stark (1999), esta defini\u00e7\u00e3o mais inclusiva ofusca uma distin\u00e7\u00e3o crucial entre, de um lado o terapeuta que faz uso da empatia e que responde a algo dentro da consci\u00eancia, algo relacionado de perto \u00e0 experi\u00eancia e, de outro lado, o terapeuta que se confronta com o cliente na rela\u00e7\u00e3o, o qual responde a algo fora da consci\u00eancia do cliente.<br \/>Mas n\u00e3o quero desencoraj\u00e1-los t\u00e3o cedo, em minha palestra, talvez mais tarde. A maioria de voc\u00eas talvez concorde que, embora a empatia n\u00e3o seja f\u00e1cil de ser definida, voc\u00eas a reconhecem quando a experienciam, percebem-na quando ela est\u00e1 presente&#8230; Faz sentido para voc\u00eas? Pergunto, porque um colega contou-me sobre um estudo recente, o qual sugeria que a percep\u00e7\u00e3o da empatia era t\u00e3o eficaz quanto ela mesma! Isto talvez os fa\u00e7a lembrar de um ou outro colega &#8211; com quem alguns de voc\u00eas estejam familiarizados, cujo pre\u00e7o era alto porque seus clientes sentiam honestidade e sinceridade em seus l\u00edmpidos olhos azuis. Seu pre\u00e7o subiu mais alto ainda \u00e0 medida que seus cabelos se tornavam grisalhos e seus clientes enxergavam a sabedoria em suas madeixas acinzentadas. At\u00e9 que por fim n\u00e3o havia mais o que pagasse suas sess\u00f5es quando ele come\u00e7ou a sofrer de hemorr\u00f3idas e, ao sentar-se com seus clientes, estes percebiam-no sentindo realmente sua dor.<br \/>Uma \u00faltima defini\u00e7\u00e3o, de Peter Kramer (1989) e que me parece correta, sobre a fama do Prozac. Ele diz, \u201cTornei-me aquela parte que era mais pr\u00f3xima a ele (seu cliente)\u201d (pg 138). Se pensarmos sobre o que Kramer descreve, faz sentido o fato de que ser emp\u00e1tico \u00e9 um processo um tanto diferente para cada um de n\u00f3s. Provavelmente h\u00e1 uma neurobiologia comum em nosso c\u00f3rtex orbitofrontal direito que nos permite a todos amplificar a corda ressonante que existe dentro de n\u00f3s, quando \u00e9 atingida pela experi\u00eancia do nosso cliente. Mas somos t\u00e3o complexos e singulares que, por exemplo, de dez terapeutas diferentes, a resson\u00e2ncia mais pr\u00f3xima de um dado cliente em particular, seria sentida por alguns terapeutas em suas v\u00edsceras, por outros em seus cora\u00e7\u00f5es, etc. Alguns estariam razoavelmente confort\u00e1veis com o referido sentimento, outros lutariam para toler\u00e1-lo, e assim por diante.<\/p>\n<p>B) Impl\u00edcito\/expl\u00edcito: Acredito que ajudaria a compreens\u00e3o do fen\u00f4meno da empatia, se fiz\u00e9ssemos a distin\u00e7\u00e3o entre os modos impl\u00edcito e expl\u00edcito de conhecimento. Eles dependem de caminhos neuroanat\u00f4micos diferentes e s\u00e3o definidos da seguinte maneira (Beebe e Lanchmann, 2002): a mem\u00f3ria impl\u00edcita refere-se tanto \u00e0 mem\u00f3ria emocional quanto \u00e0 de conduta, as quais est\u00e3o do lado de fora da consci\u00eancia. Os primeiros dois anos da nossa vida s\u00e3o vividos em n\u00edvel principalmente impl\u00edcito, o que explica porque geralmente temos uma lembran\u00e7a expl\u00edcita limitada deles. A mem\u00f3ria de conduta inclui seq\u00fc\u00eancias de a\u00e7\u00f5es em c\u00f3digo n\u00e3o-simb\u00f3lico que guiam o comportamento (isto \u00e9, como andar de bicicleta). A mem\u00f3ria expl\u00edcita, tenho certeza de que se lembrar\u00e3o, \u00e9 a lembran\u00e7a intencional de informa\u00e7\u00f5es e eventos organizados simbolicamente.<\/p>\n<p>C) Vis\u00e2o de sistemas de terapia di\u00e1dica, n\u00e3o-linear: Minha palestra hoje se baseia nesta vis\u00e3o de terapia e neste processo de empatia. Nele, cada membro da d\u00edade \u00e9 visto como regulador simult\u00e2neo de si mesmo e da intera\u00e7\u00e3o. Como Jaffe e outros (2001) colocam: \u201cNo n\u00edvel n\u00e3o-verbal das seq\u00fc\u00eancias de a\u00e7\u00e3o, a todo instante, qualquer a\u00e7\u00e3o em um relacionamento di\u00e1dico \u00e9 definida em conjunto pelo comportamento dos dois parceiros.\u201d Finalmente, Fogel (1993) diz que em um modelo de sistemas, \u201ctodo comportamento \u00e9 desenvolvido simultaneamente no indiv\u00edduo, enquanto que, ao mesmo tempo, cada um modifica e \u00e9 modificado pelo comportamento mut\u00e1vel do parceiro\u201d. Um exemplo disto seria uma crian\u00e7a pequena que fica muito estimulada pela aproxima\u00e7\u00e3o do rosto da m\u00e3e e que, ent\u00e3o, desvia o olhar e\/ou toca em si mesmo para auto-regular seu n\u00edvel de estimula\u00e7\u00e3o. A crian\u00e7a simultaneamente acalmou-se, e enviou uma mensagem a sua parceira. As pesquisas mostraram que os pais est\u00e3o totalmente sintonizados ou emp\u00e1ticos somente de vinte a trinta por cento do tempo. Por\u00e9m, crian\u00e7as que t\u00eam um v\u00ednculo seguro, t\u00eam pais que, sendo eles mesmos seguros e sintonizados, dentro de dois segundos no m\u00e1ximo, conseguem conceder espa\u00e7o e liberdade para que a crian\u00e7a regule ao mesmo tempo a ambos (crian\u00e7a e pais) e a intera\u00e7\u00e3o. A intera\u00e7\u00e3o foi \u201creparada\u201d (Tronick, \u201989). As pesquisas mostraram que este mesmo sistema regulador di\u00e1dico n\u00e3o-verbal instant\u00e2neo impl\u00edcito opera durante todo o ciclo de vida.<\/p>\n<p>III) Lembrem-se de que temos as ferramentas da bioenerg\u00e9tica, mas nunca se esque\u00e7am de que somos, n\u00f2s mesmos, os instrumentos.<br \/>A an\u00e1lise bioenerg\u00e9tica sempre diz que temos as ferramentas para enxergar a hist\u00f3ria de uma pessoa gravada na forma e no movimento do seu corpo. Esta foi uma das mais originais e profundas contribui\u00e7\u00f5es de Wilhelm Reich (1933, 1945). Pode-se levar anos discutindo quanto da hist\u00f3ria de uma pessoa pode ser vista em seu corpo, e quanto a ordem de sucess\u00e3o de amino\u00e1cidos em seu cromossomos tamb\u00e9m faz parte de sua hist\u00f3ria. Entretanto, limitaremos nossa discuss\u00e3o \u00e0 relev\u00e2ncia do insight de Reich para o terapeuta emp\u00e1tico. Mas antes, deixem-me contar-lhes algumas hist\u00f3rias.<br \/>Os tr\u00eas professores de Bioenerg\u00e9tica com quem primeiramente fiz um v\u00ednculo e que, conseq\u00fcentemente, tiveram um impacto profundo em mim foram Al Lowen, John Pierrakos e Bill Walling. Eles eram os gigantes em cujos ombros me ap\u00f3io hoje. Eles foram os tr\u00eas fundadores originais do Instituto de Bioenerg\u00e9tica. Tendo sido aluno e cliente de todos estes tr\u00eas homens, e sendo eu mesmo homem, h\u00e1, no que trago para voc\u00eas hoje, uma falta maci\u00e7a de perspectiva feminina. Gra\u00e7as a Deus, Helen ficar\u00e1 com a \u00faltima palavra amanh\u00e3!<br \/>Como Bill Walling foi meu primeiro e principal terapeuta, tendo morrido enquanto ainda est\u00e1vamos trabalhando juntos, eu provavelmente n\u00e3o tenha uma vis\u00e3o clara sobre ele, mesmo depois de todos estes anos. Assim, deixem-me compartilhar com voc\u00eas um pouco da minha experi\u00eancia com Al e John. Como muitos de n\u00f3s dessa \u00e9poca, sentia que eles se complementavam de um modo profundamente bonito. Al era o homem brilhante e expl\u00edcito que podia ver muito clara e profundamente a pessoa que estava a sua frente. Ele nunca disse &#8211; nem nunca senti, que ele enfocasse muitos seus pr\u00f3prios sentimentos mais pessoais para apreender a ess\u00eancia de seu cliente. Antes, como uma vez me contou em uma sess\u00e3o em que eu era cliente, ouvia o que eu dizia, mas, na realidade, estava atento ao momento em que, sem me dar conta, meu self n\u00e3o-verbal e mais profundo se revelasse a ele em um gesto fugaz dos meus olhos, meu tronco, e assim por diante.<br \/>Por outro lado, John era o homem profundamente intuitivo que, literalmente, fechava os olhos quando queria saber o que se passava dentro de voc\u00ea. A seu lado, tinha a impress\u00e3o de que ele me procurava em algum lugar no fundo de si mesmo. Todos voc\u00eas sabem que o nome de Al Lowen \u00e9 sin\u00f4nimo de Bioenerg\u00e9tica, mas os mais jovens dentre voc\u00eas talvez n\u00e3o saibam que tanto John quanto Al tiveram um enorme impacto na Bioenerg\u00e9tica, nos seus mais de vinte anos de apaixonado trabalho conjunto. Minha hist\u00f3ria refor\u00e7a-nos duas quest\u00f5es hoje:<br \/>A Bioenerg\u00e9tica realmente nos fornece ferramentas para ver e sentir a verdade psicossom\u00e1tica de uma pessoa, e Al e John eram m\u00e9dicos de forma\u00e7\u00e3o. Mas, afinal, n\u00f3s mesmos somos os instrumentos exclusivos que se sintonizam ao psicossom\u00e1tico de outra pessoa.<br \/>Minha segunda quest\u00e3o \u00e9 que, Al e John (pelo menos em minha pr\u00f3pria experi\u00eancia sobre eles), na maneira em que preferiam me compreender, tendiam a n\u00e3o responder a aspectos meus aos quais eu estivesse consciente, e, nesse sentido, n\u00e3o estavam sendo emp\u00e1ticos.<\/p>\n<p>IV) Quais os limites do quanto podemos ver conscientemente (explicitamente) da hist\u00f3ria de uma pessoa, em oposi\u00e7\u00e3o a (implicitamente) sentir sua profundidade e suas nuances.<br \/>Deixe-me come\u00e7ar com um caso cl\u00ednico sobre aprender a confiar em sua pr\u00f3pria intui\u00e7\u00e3o &#8211; que \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria, mas talvez n\u00e3o suficiente, para ser emp\u00e1tico. Quando o Instituto de Bioenerg\u00e9tica era jovem, h\u00e1 muitos anos, houve um grande workshop em Nova Iorque, em que Bill, John e Al trabalharam cada qual em um canto diferente da enorme sala; n\u00e3o consigo lembrar quem trabalhou no canto quatro. Os participantes movimentavam-se em redor da sala e eram trabalhados cada vez por uma das minhas idealizadas figuras de v\u00ednculo. Era assustador, e ao mesmo tempo trazia um profundo al\u00edvio, descobrir que, cada um deles &#8211; Bill, John e Al, enfocava e trabalhava quest\u00f5es completamente diferentes na mesma pessoa. A mensagem deixada: ou n\u00e3o havia UMA hist\u00f3ria que pudesse ser lida na forma e no movimento do corpo de cada participante, ou ESTA HIST\u00d3RIA ERA T\u00c3O COMPLEXA, que cada um dos meus tr\u00eas mentores tinha confian\u00e7a em si mesmo para trabalhar aquela parte da hist\u00f3ria que falava a eles no momento.<br \/>Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 soma de conhecimentos que qualquer pessoa pode ter sobre a hist\u00f3ria de outra, espero que voc\u00eas n\u00e3o temam que eu tenha perdido o ju\u00edzo se perguntar por que Mona Lisa est\u00e1 sorrindo. Naturalmente, esta \u00e9 uma pergunta que se tem ponderado a respeito por quase quinhentos anos, portanto, n\u00e3o se culpem se n\u00e3o souberem a resposta.<br \/>Embora n\u00e3o seja perito no campo das belas artes e, portanto, n\u00e3o seja de modo algum qualificado para dizer o que faz da Mona Lisa a obra-prima que \u00e9, acho que Leonardo da Vinci tem algo a nos ensinar sobre a empatia, sobre como podemos compreender a fundo a experi\u00eancia do outro. Diz-se que Leonardo era ao mesmo tempo um completo mestre dos detalhes da natureza, e um homem fascinado pelos enigmas da vida. Na Mona Lisa, de acordo com E.H.Gombrich em \u201cA Hist\u00f3ria da Arte\u201d (www.artchive.com\/artchive\/L\/leonardo\/monalisa_text.jpg.html ), Leonardo empregou uma t\u00e9cnica que ele mesmo inventou, chamada \u201csfumato\u201d. Nesta t\u00e9cnica, o contorno borrado e as cores suaves permitiam que uma forma se fundisse a outra, sempre deixando algo \u00e0 imagina\u00e7\u00e3o. O cr\u00edtico de arte Gombrich descreve como Leonardo deliberadamente deixou indistintos dois tra\u00e7os decisivos da express\u00e3o facial da Mona Lisa: os cantos dos olhos e os cantos da boca. Gombrich (e muitos outros especialistas) diz que este \u00e9 pelo menos parte do motivo pelo qual Lisa parece t\u00e3o surpreendentemente viva: \u201cEla realmente parece olhar para n\u00f3s e ter pensamento pr\u00f3prio. Como um ser vivo, ela d\u00e1 a impress\u00e3o de modificar-se diante de nossos olhos e, todas as vezes que a vemos novamente, parece um pouco diferente.\u201d (pg 1). Ent\u00e3o, Leonardo criou uma obra de arte em que desafia e ilumina a arte e a ci\u00eancia cl\u00ednica da empatia. Estando indistintas estas duas \u00e1reas da anatomia facial, nunca estamos bem certos sobre o estado de esp\u00edrito em que ela realmente est\u00e1 olhando para n\u00f3s. Sua express\u00e3o sempre parece apenas enganar-nos. E, naturalmente, cada vez que nos colocamos \u00e0 sua frente, apreendemos uma express\u00e3o que \u00e9 matizada segundo a condi\u00e7\u00e3o e estado de esp\u00edrito em que nos encontramos no momento.<br \/>\u00c9 \u00f3bvio que, como terapeutas bioenerg\u00e9ticos, trabalhamos com a express\u00e3o do corpo inteiro, n\u00e3o s\u00f3 com a do rosto. Entretanto, quando consideramos a mais recente pesquisa em varredura do c\u00e9rebro na comunica\u00e7\u00e3o emp\u00e1tica impl\u00edcita, constatamos que envolve direcionamento da cabe\u00e7a, contempla\u00e7\u00e3o visual e comportamentos vocais, e express\u00e3o dos m\u00fasculos faciais. Ekman e Friesen (1980), por exemplo, criaram um sistema para codificar todas as express\u00f5es emocionais poss\u00edveis produzidas pelos m\u00fasculos faciais. Eles afirmam que, uma vez que este sistema tenha sido explicitamente aprendido, ser\u00e1 poss\u00edvel ler o que se passa no cora\u00e7\u00e3o e na mente atrav\u00e9s das nuances fugazes da express\u00e3o facial&#8230; uma habilidade que vem de forma natural, s\u00f3 eventualmente, em uma pessoa que tenha um talento intuitivo especial. Assim, de algum modo, as quinhentas pessoas no mundo, especializadas no sistema de codifica\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o facial, s\u00e3o como especialistas bioenerg\u00e9ticos do rosto. Este sistema existe h\u00e1 vinte anos, e \u00e9 amplamente citado na literatura. Mas, por que ter mais terapeutas n\u00e3o associados a um sistema que afirma nos capacitar a ler mentes? Alguns terapeutas s\u00e3o apenas muito pregui\u00e7osos para aprender outro sistema, mas outros provavelmente concordam com a opini\u00e3o de Irwin Yalom (1989), em um ensaio intitulado \u201cDois Sorrisos\u201d. Yalom fala do dilema de ser um terapeuta emp\u00e1tico. Enquanto desejamos conhecer profundamente o outro, seja ele nosso filho, nosso companheiro ou nosso cliente, ele continua essencialmente inc\u00f3gnito. A cliente de Yalom sorri duas vezes; cada vez o sorriso expressa uma realidade interna t\u00e3o complexa e cheia de nuances, que de maneira nenhuma algu\u00e9m poderia alcan\u00e7ar seu significado sem saber muitos detalhes entrecruzados de sua vida atual e passada. Mesmo Ekman e Friesen n\u00e3o teriam sabido de qu\u00ea a cliente de Yalom sorria. Yalom faz quest\u00e3o de enfatizar que depreciamos o cliente se presumirmos que podemos conhec\u00ea-lo totalmente. Concordo com ele. De fato, se a neuroci\u00eancia algum dia avan\u00e7ar at\u00e9 o ponto em que se possa tirar fotos dos recessos secretos da mente, talvez tenhamos que jogar as fotos fora.<br \/>Assim tamb\u00e9m os participantes do workshop no qual Al Lowen, John Pierrakos e Bill Walling viram, cada qual individualmente, algo diferente. Talvez at\u00e9 mais do que a Mona Lisa, pois, sendo ao vivo, estes participantes mudavam de momento a momento, e quando encontravam ou n\u00e3o o olhar \u00fanico de Bill, John ou Al, instantaneamente, uma conversa l\u00edmbica n\u00e3o-verbal sugeria o material para a pr\u00f3xima \u201csess\u00e3o\u201d.<br \/>Finalmente de volta \u00e0 Mona Lisa. Agora a maioria de voc\u00eas provavelmente tenha imaginado porque ela est\u00e1 sorrindo. Est\u00e1 sorrindo porque: A) ela acha divertido que as pessoas tentem imaginar por que est\u00e1 sorrindo; B)ela est\u00e1 agradecida porque Leonardo, com sua genialidade e seu \u201csfumato\u201d, deu-lhe tamanha riqueza e complexidade. Lisa n\u00e3o \u00e9 diferente das pessoas reais que chegam aos nossos consult\u00f3rios terap\u00eauticos. Quanto mais percebemos que nossa compreens\u00e3o consciente, expl\u00edcita sobre elas \u00e9 apenas a ponta do iceberg (ou melhor ainda, um diagrama dial\u00e9tico com os sistemas expl\u00edcito\/impl\u00edcito), menos seus mist\u00e9rios impl\u00edcitos enganar\u00e3o esta compreens\u00e3o.<\/p>\n<p>V) Qual \u00e9 a qualidade ou a capacidade do estar presente que nos permite compreender a experi\u00eancia do outro?<br \/>A resposta \u00e9 que n\u00e3o sabemos exatamente, embora saibamos muito, e aquilo que saibamos se aproxime de uma unidade psicossom\u00e1tica. Podemos demonstrar, por exemplo, que a qualidade da sintonia entre m\u00e3e e filho transforma-se em equil\u00edbrio ou desequil\u00edbrio nos sistemas simp\u00e1tico e parassimp\u00e1tico do sistema nervoso aut\u00f4nomo da crian\u00e7a. A experi\u00eancia de v\u00ednculo da crian\u00e7a, como prop\u00f5e Allan Schore, foi conectada em seu sistema l\u00edmbico direito, como modelo para seus relacionamentos futuros. Podemos descrever o processo de empatia em v\u00e1rios n\u00edveis de organiza\u00e7\u00e3o, sendo que eles todos s\u00e3o v\u00e1lidos. H\u00e1 a EMPATIA COMO \u201cRESSON\u00c2NCIA L\u00cdMBICA\u201d pg 63 (Lewis, Amini e Lannon, 2000\u00aa). Empatia como uma \u201cconversa entre sistemas l\u00edmbicos\u201d pg 266 (Buck, 1994). Empatia como o sentimento das sensa\u00e7\u00f5es f\u00edsicas do cliente em seu pr\u00f3prio corpo (Havens, 1979). Empatia como o tornar-se aquela sua parte que est\u00e1 mais perto do cliente (Kramer, 1989).<br \/>Como chegamos ao n\u00edvel neuroanat\u00f4mico, deixe-me desviar o assunto brevemente para comentar que Allan Schore (2003) integrou de maneira criativa um grupo respeit\u00e1vel de pesquisa neuroanat\u00f4mica sobre o processo emp\u00e1tico que indica a \u00e1rea l\u00edmbica direita e a \u00e1rea cortical orbitofrontal do c\u00e9rebro. \u00c9 sua a hip\u00f3tese espec\u00edfica de que a empatia envolve uma conversa de lado direito para lado direito do c\u00e9rebro. O c\u00f3rtex orbitofrontal direita, o c\u00edngulo anterior e a am\u00eddala, por exemplo, est\u00e3o cr\u00edtica e diretamente envolvidos na avalia\u00e7\u00e3o das express\u00f5es faciais, dire\u00e7\u00e3o do olhar e outros comportamentos n\u00e3o-verbais que revelam o que est\u00e1 acontecendo em uma outra pessoa. Essas informa\u00e7\u00f5es, mais o estado aut\u00f4nomo do pr\u00f3prio corpo de uma pessoa s\u00e3o integrados pelo c\u00f3rtex orbitofrontal, em conjunto com outras \u00e1reas corticais. Compreender mais sobre a pesquisa de neuroci\u00eancia original, de onde Schore construiu sua hip\u00f3tese, requer uma base t\u00e9cnica que eu n\u00e3o tenho. Schore nos ajudou emprestando o seguinte do campo da F\u00edsica:<br \/>\u201cNa F\u00edsica, uma propriedade da resson\u00e2ncia \u00e9 a vibra\u00e7\u00e3o simp\u00e1tica harm\u00f4nica, que \u00e9 a tend\u00eancia que um sistema de resson\u00e2ncia tem de expandir-se e amplificar-se atrav\u00e9s da combina\u00e7\u00e3o com o padr\u00e3o de freq\u00fc\u00eancia de resson\u00e2ncia de um outro sistema de resson\u00e2ncia\u201d. (pg. 79).<br \/>Felizmente, na mesma p\u00e1gina, Schore nos esclarece em termos t\u00e9cnicos, como \u00e9 a \u201cvibra\u00e7\u00e3o simp\u00e1tica harm\u00f4nica\u201d:<br \/>\u201cO terapeuta sintonizado e intuitivo, desde o primeiro contato, aprende as estruturas r\u00edtmicas que o cliente tem, momento a momento, e modifica flex\u00edvel e de maneira fluida seu pr\u00f3prio comportamento para ajustar-se a esta estrutura\u201d. (pg. 79)<br \/>Deixe-me dar-lhes um exemplo de como eu, Bob Lewis, fa\u00e7o isto, ou melhor, como isto ocorre comigo:<br \/>Meu cliente, por exemplo, trar\u00e1 material de como ele se sente pervertido, ou como se sente cosmicamente s\u00f3, ou desenfreadamente grandioso \u2013 o fator comum sendo que a qualidade ou atributo que ele apresenta n\u00e3o \u00e9 aquele com o qual eu me identifique prontamente. Est\u00e1 al\u00e9m da configura\u00e7\u00e3o da imagem de Bob Lewis que geralmente apresento. Assim, minha rea\u00e7\u00e3o interna inicial \u00e9 algo como \u201cpuxa, que problema terr\u00edvel esta pessoa tem!\u201d Ent\u00e3o, passados alguns momentos ou minutos, entro vagarosamente em contato com aspectos de mim mesmo que s\u00e3o mesmo ressonantes com as quest\u00f5es do meu cliente. Por exemplo, Paul, um cliente meu de quarenta e poucos anos, muito triste e solit\u00e1rio, lamentava-se, desprezando a si mesmo que, n\u00e3o s\u00f3 jamais havia feito sexo, a n\u00e3o ser com prostitutas, como nunca tinha tido nenhum movimento que sugerisse o mesmo em rela\u00e7\u00e3o a qualquer outra mulher. Como podem suspeitar, eu estava inicialmente instalado de maneira confort\u00e1vel em uma auto-imagem nem um pouco parecida com a deste homem infeliz. A princ\u00edpio o que me vieram \u00e0 mente foram aventuras juvenis que comprovavam minha virilidade. Mas ent\u00e3o, quando me pus em resson\u00e2ncia com meu cliente infeliz, lembrei-me lentamente que sabia exatamente do que ele estava falando. Quando tinha catorze anos, bem no come\u00e7o do col\u00e9gio, fiquei com medo de beijar minha primeira namorada (vou cham\u00e1-la \u201cSusan\u201d) no final de nossos encontros&#8230; embora seu irm\u00e3o mais novo, a pedido de Susan, tenha me contado no vesti\u00e1rio da escola que sua irm\u00e3 realmente gostava muito de mim. Assim, \u00e0 medida que rendo minhas defesas e imagens ideais ao material do meu cliente, estou mais em contato com minhas vulnerabilidades, o que acentua minha capacidade de ser emp\u00e1tico. N\u00e3o contei a Paul sobre a lembran\u00e7a dolorosa de Susan que me aproximou dele. Teria ficado envergonhado demais. Mas talvez algo silencioso tenha retornado a ele, a partir da minha express\u00e3o facial e de uma mudan\u00e7a de tom na minha voz.<br \/>Beatrice Beebe (2002) fez uma ampla pesquisa sobre o espelhamento facial entre a m\u00e3e e sua crian\u00e7a pequena. Ela relata os seguintes dados nas primeiras experi\u00eancias sobre empatia:<br \/>\u201cO modo como o rosto do parceiro atrai e responde ao rosto do outro \u00e9 uma das bases da intimidade durante toda a vida &#8230; a ponto de que as intera\u00e7\u00f5es do espelhamento facial s\u00e3o positivamente correlacionadas de modo a que os parceiros mudem na mesma dire\u00e7\u00e3o afetiva, a crian\u00e7a pequena representa a expectativa de corresponder e de ser correspondida&#8230;..(o padr\u00e3o de excita\u00e7\u00e3o concomitante e o modo de auto-regula\u00e7\u00e3o que surgem s\u00e3o parte da representa\u00e7\u00e3o). O beb\u00ea representa a experi\u00eancia de ver a express\u00e3o facial da m\u00e3e mudando continuamente para tornar-se mais parecida \u00e0 sua; ele tamb\u00e9m representa a experi\u00eancia de sua pr\u00f3pria express\u00e3o facial em constante mudan\u00e7a para tornar-se mais parecida \u00e0 da m\u00e3e. Estas experi\u00eancias \u201cde correspond\u00eancia\u201d contribuem para o sentimento de sentir-se conhecido, sintonizado e no mesmo comprimento de onda. Cada parceiro afeta o outro para combinar a dire\u00e7\u00e3o afetiva, e esta combina\u00e7\u00e3o proporciona a eles uma base comportamental para que cada um entre no estado de esp\u00edrito do outro\u201d. (98)<br \/>Quais s\u00e3o algumas das amplas evid\u00eancias de que, como sabemos intuitivamente, \u201ctiming1 \u00e9 tudo\u201d, n\u00e3o s\u00f3 na inf\u00e2ncia, mas durante a vida toda? Na verdade, foram os estudos com adultos que primeiro sugeriram que timing e ritmo sozinhos, independentemente da ess\u00eancia do comportamento, eram organizadores poderosos de comunica\u00e7\u00e3o. Mensagens vitais s\u00e3o enviadas entre parceiros neste c\u00f3digo transit\u00f3rio. Beebe e Lachman (2002), por exemplo, relatam que quando:<br \/>\u201cSolicitados a conversar sobre um assunto neutro, constatou-se que adultos que n\u00e3o se conheciam combinavam os ritmos puramente temporais do di\u00e1logo, independente do conte\u00fado do discurso&#8230; De especial import\u00e2ncia foi achar uma rela\u00e7\u00e3o entre ritmos combinados de di\u00e1logo, e empatia e afeto. Quando os adultos desconhecidos combinaram os ritmos, gostaram mais um do outro e perceberam-se mais calorosos e mais parecidos do que eram quando seus ritmos n\u00e3o combinavam. Portanto, a similaridade no padr\u00e3o tempor\u00e1rio de comportamento comunicativo est\u00e1 associada \u00e0 atra\u00e7\u00e3o interpessoal e empatia.<br \/>Inversamente, uma pessoa que fale muito r\u00e1pido e quase sem pausas suficientemente longas para que o parceiro d\u00ea um aparte, interfere fortemente com a troca: o parceiro pode ficar frustrado e \u201cdessintonizar\u201d. Mudan\u00e7as sutis no timing, como hesita\u00e7\u00e3o ou interrup\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m afetam a experi\u00eancia que o ouvinte tem do que est\u00e1 sendo relatado. Na conversa entre adultos, dependemos da combina\u00e7\u00e3o de padr\u00f5es temporais para saber que o outro est\u00e1 \u201csintonizado\u201d, e para esperar a vez tranq\u00fcilamente\u201d. (99)<br \/>Al\u00e9m da import\u00e2ncia crucial do direcionamento da cabe\u00e7a e da dire\u00e7\u00e3o do olhar, Beebe e Lachmann citam que Trout e Rosenfeld (1980) descobriram que durante as sess\u00f5es de psicoterapia (terapeuta e cliente sentados, um de frente para o outro), uma descri\u00e7\u00e3o de alto rapport2 por cliente e terapeuta est\u00e1 associada com uma alta incid\u00eancia em inclinar a parte superior dos corpos um em dire\u00e7\u00e3o ao outro, e manter bra\u00e7os e pernas em postura de imagem em espelho. Pode-se inferir disto que o rapport \u00e9 perturbado se qualquer dos parceiros mostra algum grau de avers\u00e3o orientacional.<br \/>Que melhor maneira de encerrar esta sess\u00e3o do que com um caso de Donald Winnicott, um perito antigo da empatia impl\u00edcita. Aqui est\u00e1 ele no m\u00e9todo de conduta:<br \/>\u201cO detalhe que escolhi para descrever refere-se \u00e1 necessidade absoluta que esta paciente tinha de estar em contato comigo, de tempos em tempos.<br \/>Tentei v\u00e1rios tipos de aproxima\u00e7\u00f5es, principalmente aquelas relativas a alimentar e lidar com uma crian\u00e7a pequena. Houve acontecimentos violentos.<br \/>Eventualmente acabou acontecendo de estarmos juntos, eu com a cabe\u00e7a dela em minhas m\u00e3os. Sem a\u00e7\u00e3o deliberada de nenhuma das duas partes, desenvolveu-se um ritmo de acalento. O ritmo era bastante r\u00e1pido, por volta de setenta balan\u00e7os por minuto (confira com o batimento card\u00edaco), e tive que fazer algum esfor\u00e7o para adaptar-me a essa velocidade. Apesar disso, l\u00e1 est\u00e1vamos n\u00f3s em um movimento de acalento, que ambos express\u00e1vamos leve, por\u00e9m persistentemente. Est\u00e1vamos nos comunicando um com o outro sem palavras\u201d.(258)<br \/>at\u00e9 que ponto os m\u00e9todos impl\u00edcito e de conduta podem tornar-se expl\u00edcitos?<br \/>Jeremy Holmes (1993), autor da maravilhosa biografia de Bowlby, que ilumina a teoria do v\u00ednculo, nos impulsiona com uma observa\u00e7\u00e3o um tanto fatalista, dependendo se voc\u00ea \u00e9 um terapeuta bom ou ruim. Os bons terapeutas, diz ele, \u201cdescobrem-se se espelhando automaticamente nos n\u00edveis de volume de tom de voz e na postura de seus clientes\u201d (pg 156). Peter Fernald (2000), um colega da Bioenerg\u00e9tica diz o seguinte com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s suas tentativas de responder com empatia:<br \/>Procuro posicionar a mim mesmo, meu corpo, f\u00edsica ou mentalmente de maneira tal que relembre bastante a condi\u00e7\u00e3o do corpo do meu cliente, volume e profundidade de sua respira\u00e7\u00e3o, punhos cerrados, p\u00e9lvis congelada, e assim por diante. Tento incorporar o melhor poss\u00edvel a experi\u00eancia do meu cliente, andar na pista de sua coura\u00e7a psicol\u00f3gica e emocional. (pg 3-4)<br \/>Peter descreve o que a maioria de n\u00f3s tenta fazer, cada um da sua maneira. Helen Resneck-Sannes (2002) em seu recente artigo no Jornal do IIBA sintoniza-se e \u00e9 ressonante com o corpo de seu cliente. O Programa de Treinamento do Sul da Calif\u00f3rnia estimula seus alunos, desde os primeiros instantes em que olham e escutam seus parceiros di\u00e1dicos, para que assumam a atitude deste parceiro e sintam sua hist\u00f3ria em seus pr\u00f3prios corpos. Eu mesmo aprendi a confiar e valorizar o conhecimento impl\u00edcito e emp\u00e1tico contido em minhas m\u00e3os. Elas muitas vezes sabem de que maneira se portar com meu cliente antes de mim. Tamb\u00e9m aprendi a observar as m\u00e3os do meu paciente, uma vez que elas muitas vezes me contam naquele momento, o que n\u00e3o posso ver de outro modo, e aquilo que meu cliente n\u00e3o pode me contar. N\u00e3o podemos esquecer, entretanto, que confrontar nosso cliente com informa\u00e7\u00f5es impl\u00edcitas que est\u00e3o al\u00e9m do que eles querem ou s\u00e3o capazes de suportar, \u00e9 ser n\u00e3o-emp\u00e1tico (mas isto \u00e9 um outro caso).<br \/>Voltando-se para outros dados emp\u00edricos, Beebe, Lachmann e Jaffe (1997) trabalhando com \u201cOs mecanismos do espelhamento facial e os precursores da empatia\u201d, descobriram que:<br \/>\u201cA semelhan\u00e7a de comportamento implica congru\u00eancia de sentimento, uma rela\u00e7\u00e3o entre combina\u00e7\u00e3o e empatia. Como isso poderia funcionar? Duas \u00e1reas de estudo sugerem mecanismos potenciais para os precursores da empatia e maneiras de traduzir comportamento de correspond\u00eancia no compartilhar estados subjetivos. O trabalho de Ekman (1983) e Zajone (1985) mostra que combinar a pr\u00f3pria express\u00e3o com a do outro est\u00e1 altamente correlacionado a combinar o padr\u00e3o de excita\u00e7\u00e3o fisiol\u00f3gica. Ekman mostrou que uma express\u00e3o facial espec\u00edfica est\u00e1 associada a um padr\u00e3o particular de atividade aut\u00f4noma. Reproduzir a express\u00e3o de outra pessoa produz um estado fisiol\u00f3gico semelhante no observador. Este mecanismo de empatia \u00e9 a combina\u00e7\u00e3o facial, que \u00e9 correlacionada \u00e0 combina\u00e7\u00e3o fisiol\u00f3gica. Este mecanismo de empatia pode ser igualmente relevante para as intera\u00e7\u00f5es na terapia frente-a-frente com adultos\u201d. (\u201997, pg 161).<br \/>Beebe (2003) \u00e9 tanto humilde quanto otimista sobre a quantidade de processo impl\u00edcito que pode ser conscientemente focado para melhorar a qualidade emp\u00e1tica do nosso trabalho cl\u00ednico. Beebe nos conta que aconteceu de ela ver-se a si mesma em uma sess\u00e3o de uma cliente traumatizada, Dolores, gravada em fita de v\u00eddeo. Ela, Beebe, descobriu que faz muito do que Freedman e outros (\u201978) chamam de toque auto-regulador. Beebe explica:<br \/>\u201cEu sabia que esfregava as m\u00e3os uma na outra, particularmente quando do\u00edam um pouco, mas n\u00e3o tinha consci\u00eancia do quanto fa\u00e7o isto&#8230;\u00e9 muito improv\u00e1vel que algum dia viesse a me dar conta desse comportamento, sem a ajuda da fita de v\u00eddeo. Estes comportamentos podem permanecer fora da consci\u00eancia tanto do cliente quanto do analista, mas, ainda assim, s\u00e3o percebidos subliminarmente e funcionam como informa\u00e7\u00e3o para ambos&#8230;Durante um epis\u00f3dio no tratamento de Dolores, quando senti que ela estava inacess\u00edvel, comecei a esfregar meus p\u00e9s um no outro. Reconheci isto como um gesto que usava na inf\u00e2ncia para conseguir adormecer \u00e0 noite. Comentei com Dolores que notei que estivera esfregando meus p\u00e9s um no outro. Dolores foi ent\u00e3o capaz de se aproximar e observar que isto acontecera exatamente quando ela recusara uma interpreta\u00e7\u00e3o consoladora que eu estava fazendo a ela, ent\u00e3o eu havia me consolado assim. Gostei bastante de sua observa\u00e7\u00e3o. Seguiu-se um momento muito \u00edntimo no qual nos sentimos pr\u00f3ximas e ela expressou arrependimento por ter sido inacess\u00edvel\u201d. (133)<br \/>Achei que o comportamento n\u00e3o-verbal de Beebe foi trazido \u00e0 consci\u00eancia focal de Dolores pelo coment\u00e1rio expl\u00edcito de Beebe. Esta disposi\u00e7\u00e3o de compartilhar explicitamente o que \u00e9 normalmente informa\u00e7\u00e3o \u00edntima parece ter vibrado alguma corda emp\u00e1tica em Dolores \u2013 emp\u00e1tica ao mal-estar que estava causando em Beebe. Dolores ent\u00e3o devolveu a Beebe um presente emp\u00e1tico, de significado impl\u00edcito e explicitamente expresso. Beebe (\u201903, no prelo) continua citando Karlen Lyons-Ruth, outra interessante pesquisadora da rela\u00e7\u00e3o m\u00e3e-beb\u00ea que \u00e9 membro do Grupo de Estudos do Processo de Mudan\u00e7a, de Boston. Lyons-Ruth criou o termo \u201cconhecimento relacional impl\u00edcito\u201d (1998) para descrever melhor o que acontece no processo de empatia. Beebe conta-nos que:<br \/>\u201cDevido ao fato de que o conhecimento relacional impl\u00edcito acontece predominantemente fora da consci\u00eancia, e raramente na aten\u00e7\u00e3o focada, Lyons-Ruth argumenta que muito das sutilezas e complexidades daquilo que o analista sabe nunca \u00e9 colocado em palavras. \u00c9 por esta raz\u00e3o que a observa\u00e7\u00e3o das intera\u00e7\u00f5es na fita de v\u00eddeo revelou muito sobre meu comportamento que, sem a fita, n\u00e3o poderia descrever, e tamb\u00e9m porque foi dif\u00edcil achar uma linguagem para descrever estas intera\u00e7\u00f5es\u201d. (pg. 58)<br \/>Dolores, a cliente de Beebe, disse a ela que tamb\u00e9m obteve algo precioso por ter visto os v\u00eddeos:<br \/>\u201c&#8230;Vendo o v\u00eddeo, Dolores descobriu que eu estava vendo o que ela mesma \u201ctransmitia\u201d em seu rosto, ou \u201csentia\u201d a respeito de si mesma, sem ser capaz de descrever verbalmente. Ver meu rosto vendo o dela, e escutando os sons que eu emitia respondendo aos dela, fez com que ficasse alerta \u00e0 sua pr\u00f3pria realidade afetiva interna&#8230; Dolores viu-se \u201cvestindo\u201d minhas express\u00f5es faciais enquanto assistia \u00e0 fita de v\u00eddeo. \u201cAssumindo\u201d minhas express\u00f5es, Dolores tornou-se mais ciente afetivamente de sua pr\u00f3pria experi\u00eancia interna, atrav\u00e9s do feedback proprioceptivo de seu rosto,&#8230;assim como pelo feedback de sistemas variados de excita\u00e7\u00e3o fisiol\u00f3gica&#8230;\u201d(pg. 49)<br \/>Ent\u00e3o, em conclus\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil para Beebe dizer o que ela aprendeu explicitamente. O v\u00eddeo ajudou confrontando-a com o fato de ela estar bem pouco ciente do que estava fazendo quando estava com sua cliente. Beebe tamb\u00e9m disse que \u201cmuito do meu comportamento n\u00e3o-verbal com ela (Dolores) era baseado naquilo que as crian\u00e7as pequenas haviam me ensinado\u201d (pg 58). Beebe conclui que \u201cPodemos ensinar a n\u00f3s mesmos como observar essas intera\u00e7\u00f5es n\u00e3o-verbais impl\u00edcitas, simultaneamente em n\u00f3s mesmos e em nossos clientes, expandindo nossa pr\u00f3pria consci\u00eancia e, quando for \u00fatil, a do cliente.\u201d (pg 58). Como n\u00e3o sou professor, posso dizer o mesmo de forma mais simples. Nossos selfs expl\u00edcito e impl\u00edcito come\u00e7am a cooperar um com o outro. Alguns de voc\u00eas, possivelmente muitos de voc\u00eas nesta confer\u00eancia j\u00e1 fazem isto. Na verdade n\u00e3o se trata tanto de fazer algo, mas de aprender a estar de uma maneira diferente conosco mesmos e com os clientes. N\u00e3o podemos olhar diretamente para o rosto de Deus, ou mesmo para o sol. Mas ficamos emocionados e tornamo-nos mais ressonantes quando um vislumbre expl\u00edcito:<br \/>\u201cRevela nossas vidas iluminadas pelo brilho difuso de um segundo sol que nunca se v\u00ea.(Lewis, Amini e Lannon, 2000b) (pg 111).<\/p>\n<p>VI) Quais s\u00e3o as implica\u00e7\u00f5es para a bioenerg\u00e9tica da recente pesquisa que coloca o processo n\u00e3o-verbal relacional impl\u00edcito no centro de nosso (h\u00e1 algum termo mais adequado?) Empenho na terapia.<br \/>A) \u00c9 tempo de nos sentirmos orgulhosos: A maioria de n\u00f3s terapeutas de abordagem corporal nos sentimos corroborados e valorizados pela pesquisa emp\u00edrica que enfatiza a enorme import\u00e2ncia da codifica\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia n\u00e3o-verbal e sens\u00f3rio-motora atrav\u00e9s da vida. Todos parecem estar descobrindo que a experi\u00eancia dos primeiros poucos anos da vida, ou em qualquer idade, se foi traum\u00e1tica, pode ser acessada implicitamente no n\u00edvel corporal. O significado est\u00e1 no ritmo, na m\u00fasica subjacente \u00e0s palavras. Muitos de n\u00f3s envergonhamo-nos bastante por praticar um tipo de terapia pretensamente agressiva, sexual e geralmente barulhenta. Nosso trabalho normalmente n\u00e3o tem sido aceito como uma abordagem s\u00e9ria e leg\u00edtima. Talvez seja bem diferente no Brasil, mas na Europa e na Am\u00e9rica do Norte, uma terapia que valoriza o corpo tanto quanto a mente ou o esp\u00edrito est\u00e1 \u00e0 margem da nossa cultura.<br \/>Assim, concordo que \u00e9 mais do que hora de sentirmo-nos orgulhosos de nosso legado. Concordo com Helen Resneck-Sannes em seu artigo recente no Jornal do IIBA (2002), que fomos treinados a estar cientes da tens\u00e3o, forma, fluxo, som e calor do corpo; sua linguagem sens\u00f3rio-motora deve estar mais consciente em n\u00f3s do que em nossos colegas de abordagens n\u00e3o-corporais.<br \/>De fato os casos cl\u00ednicos no mesmo artigo estabelecem altos padr\u00f5es para qualquer pessoa. A maneira cheia de nuances com a qual ela se sintoniza com a toler\u00e2ncia de seu cliente \u00e0 estimula\u00e7\u00e3o, proximidade, modo preferido de comunica\u00e7\u00e3o, e com seus pr\u00f3prios ind\u00edcios corporais, \u00e9 de grande import\u00e2ncia. H\u00e1 material de um caso semelhante no excelente livro de Beebe e Lachmann (\u201902), citado acima. Eles tamb\u00e9m focam a aten\u00e7\u00e3o na intensidade, dura\u00e7\u00e3o e ritmo de comportamentos do olhar e dos padr\u00f5es de fala, e postura e orienta\u00e7\u00e3o. No entanto, eles parecem muito mais limitados do que Helen e a maioria dos psicoterapeutas de abordagem som\u00e1tica, no que se refere \u00e0 maior parte do que acontece do pesco\u00e7o para baixo, que ainda \u00e9 tabu.<br \/>B) Mas n\u00e3o t\u00e3o orgulhosos: Embora pudesse parar aqui, deixe-me arrumar mais confus\u00e3o, lan\u00e7ando um desafio para que n\u00e3o nos congratulemos t\u00e3o depressa. Quanto \u00e0 validade ou legitimidade do nosso trabalho, como \u00e9 sentido pela comunidade mais abrangente, tenho tr\u00eas pontos sens\u00edveis: primeiro, deixar que aqueles que dentre n\u00f3s t\u00eam habilidade se esforcem, como enfatiza Christa Ventling (2002) no artigo do Jornal (2002) para trazer mais pesquisa emp\u00edrica para nosso trabalho. Segundo, sejamos cuidadosos em como usamos palavras como \u201cenergia\u201d, a qual definimos de uma maneira que contradiz as leis da F\u00edsica, e, terceiro, minha opini\u00e3o \u00e9 que devemos todos, inclusive eu mesmo, ler a literatura e cit\u00e1-la quando usamos o material de outras pessoas.<br \/>Voltando \u00e0 maior quest\u00e3o da empatia&#8230; se eu realmente compreender que o processo expl\u00edcito, consciente \u00e9 a ponta do iceberg impl\u00edcito (o centro da terra talvez seja uma met\u00e1fora mais calorosa do que o iceberg)&#8230;&#8230;e que mensagens de cora\u00e7\u00e3o a cora\u00e7\u00e3o viajam em fra\u00e7\u00f5es de segundos&#8230;.ent\u00e3o eu nunca sei de algo claramente por mais do que um minuto ou dois)&#8230;.N\u00e3o tenho escolha a n\u00e3o ser ficar pensando na quest\u00e3o (Maley,1995). H\u00e1 um paradoxo profundo neste ponto. Precisamos perguntar o que fazemos e pelo que lutamos para validar empiricamente sua efic\u00e1cia. \u00c9 sensato esperar que nossos alunos de Bioenerg\u00e9tica tenham uma explica\u00e7\u00e3o razo\u00e1vel para suas interven\u00e7\u00f5es, uma explica\u00e7\u00e3o que possam especificar explicitamente. Ao mesmo tempo, os alunos precisam aprender que suas percep\u00e7\u00f5es e seus comportamentos est\u00e3o sendo influenciados por um processo quase instant\u00e2neo que atua, em grande parte, fora do controle consciente, entre eles e seus clientes. Este \u00e9 um processo que me torna humilde, depois de trinta e cinco anos de pr\u00e1tica. N\u00e3o pode ser assim f\u00e1cil para um principiante que queira respostas para reprimir suas ansiedades. Helen Resneck-Sannes (2002) novamente consegue um tom de otimismo aqui: \u201cPorque os terapeutas psicossom\u00e1ticos s\u00e3o treinados para estarem cientes de seus processos corporais internos, o que \u00e9 inconsciente para o analista, existe em um grau maior na consci\u00eancia do analista treinado em Bioenerg\u00e9tica.\u201d (pg 115)<br \/>Estou menos certo que Helen sobre isto, por v\u00e1rias raz\u00f5es:<br \/>I) Primeiro, Helen mal havia nascido quando comecei minha carreira na Bioenerg\u00e9tica, e sou um prisioneiro da perspectiva da minha gera\u00e7\u00e3o. Por muitos anos a An\u00e1lise Bioenerg\u00e9tica foi ensinada como Psicologia focada em uma pessoa. Por exemplo, mostrem-me onde, em algum dos livros de Alexander, sua consci\u00eancia de seu pr\u00f3prio processo corporal interno o ajuda a sentir a profundidade ou especificidade do problema corporal de seu cliente. Claro que aquilo que nos ensinaram e que experienciamos em nossas carreiras na Bioenerg\u00e9tica varia de lugar para lugar, e cada um de n\u00f3s tem modelos pr\u00f3prios e prefer\u00eancias inatas onde se ap\u00f3ia. \u00c9 verdade que uma segunda e terceira gera\u00e7\u00e3o de terapeutas e professores de Bioenerg\u00e9tica trouxeram para o nosso trabalho uma psicologia mais focada em duas pessoas (Schindler 2002). Mas tamb\u00e9m \u00e9 verdade que, enquanto falamos, nosso Instituto luta para integrar esta nova perspectiva relacional, sem perder o poder de nossa abordagem psicossom\u00e1tica.<br \/>II) Segundo, h\u00e1 apenas alguns anos, quando eu era membro do corpo docente (Faculty), na parte final de \u201csupervis\u00e3o\u201d do programa de treinamento de Bioenerg\u00e9tica, em que os alunos avan\u00e7ados praticavam \u201csess\u00f5es\u201d na frente do grupo, descobri que sob a press\u00e3o de ser observado e julgado, raro era o aluno que se sentia suficientemente seguro para sintonizar-se com o que estava sentindo sobre si mesmo, seu \u201ccliente\u201d e a intera\u00e7\u00e3o. Ao inv\u00e9s disso, \u201csubia\u201d para a cabe\u00e7a e tentava compreender o que fazer e, previsivelmente, o que \u201cfazia\u201d n\u00e3o era sintonizado\/emp\u00e1tico para seu cliente. Aqui, a novidade n\u00e3o \u00e9 a respeito de que os alunos n\u00e3o podiam ficar com o processo momento a momento entre eles e seus \u201cclientes\u201d. A novidade \u00e9 que a maioria de n\u00f3s, mesmo depois de trinta anos, fazemos a mesma coisa que os alunos, todas as vezes que ficamos amea\u00e7ados pelo que nossos clientes trazem \u00e0 terapia. O tipo de material primitivo, ca\u00f3tico, visceral (de revirar as entranhas), que n\u00e3o tem palavras e \u00e9 liberado de maneira senso-motora na sala, tende a ser amea\u00e7ador para a maioria de n\u00f3s. Para mim, o \u00e9.<br \/>III) Terceiro, o problema \u00e9 at\u00e9 mais b\u00e1sico do que isto. N\u00f3s somos o problema. Voc\u00eas se esqueceram de que, como Bob Hilton (\u201988-89) disse uma vez, \u201ctodos fomos divididos\u201d? Esqueceram-se de que, como nos relembra Michael Maley (\u201995), somos curadores feridos? Descobri que sempre que me comprometo a tentar ser um bom terapeuta e a capturar a intera\u00e7\u00e3o viva em minha mente, tendo a perder o momento com meu cliente. Fazia isso freq\u00fcentemente h\u00e1 anos, muito tempo antes de eu descrever a s\u00edndrome do choque encef\u00e1lico. Por\u00e9m, mesmo ent\u00e3o, meu conhecimento impl\u00edcito tentou me ajudar com o choque em minha cabe\u00e7a, choque este que n\u00e3o me deixava ter maior sintonia de corpo inteiro com meus clientes. Momentos ap\u00f3s meu cliente sair do consult\u00f3rio, no mesmo instante, eu batia com a m\u00e3o na testa e percebia que tinha perdido aquilo que era \u00f3bvio enquanto estava pensando.<br \/>Claro que precisamos tamb\u00e9m pensar e falar com nossos clientes. \u00c0s vezes temos que parar a a\u00e7\u00e3o instant\u00e2nea e perceber o que houve entre n\u00f3s e o cliente. Mas falo da ferida b\u00e1sica em n\u00f3s, a qual limita nosso contato emp\u00e1tico com nossos clientes. Com muitas vari\u00e1veis, esta ferida tem a ver com n\u00e3o sermos seres humanos de valor, suficientemente bons. Assim, muitas vezes sem perceber, tentamos redimir este self partido sendo bons terapeutas. Podemos tentar nos tornar aqueles terapeutas implicitamente mais sintonizados com pistas sens\u00f3rio-motoras em n\u00f3s mesmos, e em nossos clientes. Mas, se tamb\u00e9m lembrarmos que fomos divididos e que ainda estamos profundamente feridos, descobriremos, como na coloca\u00e7\u00e3o t\u00e3o bonita de Bob Hilton (2000), \u201c&#8230;aquele peda\u00e7o de mim que havia se escondido atr\u00e1s do meu m\u00e9todo terap\u00eautico de intera\u00e7\u00e3o, qual seja, o valor do meu self real para o outro.\u201d (pg 10)<br \/>Assim, apresentei anteriormente o caso em que senti seguro o suficiente no meu self carente para permitir que ele viesse para a sala com Paul, meu cliente inadequado, parecido comigo nesse ponto. De fato, geralmente sou visto como um terapeuta bastante bom nos meus casos. Mas n\u00e3o seria animador se eu fosse sincero e apresentasse uma s\u00e9rie de acontecimentos em que a empatia falhou, ou pelo menos em que houve algumas rupturas e reparos? A mais recente pesquisa demonstra que, mesmo as m\u00e3es e crian\u00e7as que ser\u00e3o testadas depois como seguramente vinculadas, passam apenas aproximadamente um ter\u00e7o de seu tempo em estados combinados. No entanto, em dois segundos, 70% das condi\u00e7\u00f5es n\u00e3o combinadas voltam a combinar, e tanto m\u00e3es quanto crian\u00e7as influenciam nesse ajuste! A neurobiologia impl\u00edcita da crian\u00e7a organiza a expectativa de que ela possa participar na repara\u00e7\u00e3o das rupturas afetivamente dolorosas (Tronick e Cohn, \u201989). Algo semelhante acontece tamb\u00e9m numa situa\u00e7\u00e3o terap\u00eautica com adultos quando as coisas funcionam bem.<br \/>Neste pr\u00f3ximo caso, as coisas n\u00e3o funcionaram bem. O cliente apresentou-se com sintomas orais, peito magro e colapsado, respira\u00e7\u00e3o superficial. Voc\u00ea sugere que ele respire profundamente para dar-lhe carga maior na parte superior do corpo. Ele lhe diz que detestou a sugest\u00e3o, que todas as vezes que tentou isto no passado, sentiu a cabe\u00e7a muito leve, mas nada aconteceu&#8230; parece-lhe mec\u00e2nico e manipulativo. Al\u00e9m disso, ele elabora: \u201cminha respira\u00e7\u00e3o\u201d, diz, \u201ctem que vir de algo que esteja fazendo, algo que seja cheio de vida e genu\u00edno. Vou respirar quando me sentir pronto a respirar, saco!\u201d Sendo um terapeuta emp\u00e1tico, voc\u00ea p\u00e1ra com as sugest\u00f5es e pergunta ao cliente o que, para ele, pode ser \u201ccheio de vida e genu\u00edno\u201d. Ele parece muito surpreso, a seguir cada vez mais tocado com o fato de que voc\u00ea est\u00e1 interessado nele o suficiente para suspender a quest\u00e3o da respira\u00e7\u00e3o no momento. Ent\u00e3o, enquanto ele est\u00e1 deitado no stool e alguns minutos se passam em sil\u00eancio, voc\u00ea sente que a imobilidade dele \u00e9 mortal&#8230; mal se percebe sua respira\u00e7\u00e3o&#8230;&#8230;&#8230;voc\u00ea sente seu pr\u00f3prio peito morto e, embora se sinta bastante assustado&#8230;voc\u00ea n\u00e3o se sente confort\u00e1vel com a morte&#8230;. voc\u00ea tolera a sensa\u00e7\u00e3o de vazio e seu medo e nota que sua respira\u00e7\u00e3o tornou-se muito lenta e superficial&#8230;..vagarosamente, para seu espanto, seu pavor come\u00e7a a diminuir e voc\u00ea sente at\u00e9 uma esp\u00e9cie de paz envolvendo-o&#8230;depois de algum tempo, seu cliente se volta para voc\u00ea e mal pode encontrar as palavras para lhe agradecer, ele diz, por sentir este grande prazer em sua apn\u00e9ia (aus\u00eancia de respira\u00e7\u00e3o).<br \/>Por acaso, posso lhes dizer o nome do cliente: Bob Lewis. O nome \u00e9 real, mas a sess\u00e3o \u00e9 fict\u00edcia. \u00c9 a sess\u00e3o que Bob nunca teve. Ao deitar no stool de Bioenerg\u00e9tica, Bob nunca teve coragem nem palavras para contar ao seu terapeuta de Bioenerg\u00e9tica qu\u00e3o envergonhado ficava da imobilidade mortal de seu peito&#8230;. dizer-lhe que ele o odiava por n\u00e3o perceber suas necessidades, mas n\u00e3o podia dizer que sua chama interior era muito fraca. Que ele, Bob, n\u00e3o respiraria ou n\u00e3o conseguia respirar do lugar morto em seu peito, a n\u00e3o ser que seu terapeuta pudesse estar com ele no Vale das Sombras da Morte. As palavras que ele jamais encontrou eram: \u201cAproxime-se de mim com sua emo\u00e7\u00e3o&#8230; meu esp\u00edrito despertar\u00e1 se voc\u00ea nutrir sua chama&#8230; e minha respira\u00e7\u00e3o vir\u00e1 de dentro.\u201d)<br \/>Em meu \u00faltimo caso cl\u00ednico sou o terapeuta, e parece que aprendi, depois de muitas rupturas que n\u00e3o foram reparadas, como estar com minha cliente Florence, de uma maneira que teria ajudado Bob Lewis e seu stool de Bioenerg\u00e9tica. Florence n\u00e3o foi f\u00e1cil para mim. Comumente, pareceria estarmos conversando em uma linguagem adulta, expl\u00edcita, vinda do hemisf\u00e9rio esquerdo, mas eu me tornava confuso, perturbado e ansioso \u00e0 medida que a sala ia sendo preenchida com uma f\u00faria intensa, primal e visceral, dor e futilidade. Minha tentativa t\u00edpica de me defender foi tentar recuperar meu equil\u00edbrio via um r\u00e1pido recuo ao meu hemisf\u00e9rio esquerdo, de onde apontaria, com uma voz ao mesmo tempo melanc\u00f3lica e irritada, que algo estava inconsistente, algo que n\u00e3o fazia sentido para mim nas palavras e sentimentos de Florence. Ela ficaria at\u00f4nita com meu abandono da empatia, e as coisas piorariam al\u00e9m de qualquer repara\u00e7\u00e3o poss\u00edvel.<br \/>Entretanto, tanto eu como Florence padecemos de uma incans\u00e1vel esperan\u00e7a, por isso ainda estamos trabalhando juntos. Recentemente tivemos uma sess\u00e3o que me sugeriu que pode haver uma base real para a esperan\u00e7a. Florence estava no meio de uma experi\u00eancia profunda de luto em que nem eu, nem seu pai fomos capazes de lhe dar mais daquilo de que precisava. Talvez, mais importante ainda, ela precisasse ser capaz de gritar os imensos sentimentos de f\u00faria e desapontamento e deixar seu corpo contorcer-se em \u201cagonia\u201d, como ela colocou mais tarde, sem ter de preocupar-se comigo. Assim, preciso ser capaz de sentir meu rosto tornar-se contorcido e tolerar o calor e o peso em minha cabe\u00e7a e em meu peito. \u00c0 medida que os sentimentos \u201cagonizantes\u201d de Florence por ter sido reprovada por mim e por seu pai ocupavam a sala, posso sentir o vazio, a tristeza e dor em meu peito (bastante oral) reconstru\u00eddo, essencialmente o mesmo peito de Bob Lewis que estava no stool de Bioenerg\u00e9tica h\u00e1 trinta e cinco anos. Uma ou duas vezes Florence disse \u201cn\u00e3o fui tocada\u201d. Ao escutar um grito particularmente primal de Florence e notar um leve som ressonante e dolorido provindo de mim, disse-lhe que n\u00e3o sei se toc\u00e1-la fisicamente seria uma necessidade minha ou dela. N\u00e3o estou certo se meu toque interferiria na plenitude da experi\u00eancia que ela teve de ter falhado. Florence me diz como \u00e9 precioso para ela que eu compartilhe com ela meu n\u00e3o-saber. Depois de alguns minutos, decidi colocar minha m\u00e3o em seu ombro esquerdo, perto do seu cora\u00e7\u00e3o. Logo depois Florence afastou minha m\u00e3o, indicando que isto n\u00e3o ajudava. Quando ela recome\u00e7ou o doloroso sofrimento, notei que meus dedos estavam entrela\u00e7ados em um gesto que me surpreendeu e, ao mesmo tempo, me confortou. O gesto parece muito forte. Minhas m\u00e3os juntas, em um ato de solidariedade, parecem estar me trazendo conforto e senso de unidade. Elas me contam como traz uma sensa\u00e7\u00e3o de fragmenta\u00e7\u00e3o ficar com a incapacidade de Florence de ser ajudada, e minha impot\u00eancia em ajudar. Elas me asseguram que estou inteiro e digno, mesmo como um curador fracassado.<br \/>A sess\u00e3o com Florence que acabei de partilhar com voc\u00eas, demonstra o uso impl\u00edcito das minhas m\u00e3os para me auto-regular melhor (senti-me sintonizado atrav\u00e9s de minhas m\u00e3os), de modo a que eu possa manter um contato emp\u00e1tico com minha cliente. Mas n\u00e3o entrelacei meus dedos das m\u00e3os intencionalmente. Essa pode ser a melhor maneira em que posso explicar empatia: de algum modo, mergulhando neste assunto nebuloso, minha consci\u00eancia focal expandiu-se para incluir mais do meu comportamento impl\u00edcito. Minha resson\u00e2ncia emp\u00e1tica torna-se mais profunda e mais s\u00e1bia quando me rendo \u00e0 vergonha de n\u00e3o saber e de n\u00e3o enxergar claramente. Somente ent\u00e3o eu &#8211; e todos n\u00f3s, podemos sentir \u201co brilho intenso e difuso de um sol que nunca vemos\u201d. <br \/>(Lewis, Amini, Lannon, 2000b) (P. 111).<\/p>\n<p>BIBLIOGRAPHY<\/p>\n<p>Beebe, B., Lachmann, F., &#038; Jaffe, J. (1997). Mother-infant interaction structures and presymbolic self and object representations. Psychoanalytic Dialogues 7(2): 133\/182.<br \/>Beebe, B. &#038; Lachmann, F. (2002). Infant research and adult treatment. Hillsdale, NJ: The Analytic Press, Inc.<br \/>Beebe, B., (2003, in press). Faces-in relation: Forms of intersubjectivity in an adult treatment of early trauma. Psychoanalytic Dialogues.<br \/>Buck, R., (1994). The neuropsychology of communication: Spontaneous and symbolic aspects. Journal of Pragmatics, 22, 265-278.<br \/>Ekman,P. (1983). Autonomic nervous system activity distinguishes among emotions. Science, 221, 1208-1210.<br \/>Ekman, P., Friesen, W., &#038; Ancoli, S. (1980). Facial signs of emotional experience. 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