{"id":163,"date":"2011-04-01T03:55:00","date_gmt":"2011-04-01T03:55:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.analisebioenergetica.com\/site\/?p=163"},"modified":"2011-04-01T03:55:00","modified_gmt":"2011-04-01T03:55:00","slug":"bioenergetica-passado-presente-e-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/bioenergetica-passado-presente-e-futuro\/","title":{"rendered":"Bioenerg\u00e9tica: passado, presente e futuro"},"content":{"rendered":"<div id=\"fb-root\"><\/div>\n<p><b>Bioenerg\u00e9tica: passado, presente e futuro<\/b><\/p>\n<div><b><br \/><\/b><\/p>\n<div>Helen Resneck-Sannes<\/p>\n<p>V\u00e1rias pessoas me ajudaram com essa palestra e eu quero reconhec\u00ea-las. Agrade\u00e7o a Michael e <\/p>\n<div>Sylvia Conant e a Virginia e a Bob Hilton por me ajudar a organizar a palestra e tamb\u00e9m a esclarecer alguns conceitos. Eu tamb\u00e9m gostaria de agradecer ao meu marido, David, e minha filha, Myrrhia, por seu amor, apoio e intelig\u00eancia e um agradecimento especial a Myrrhia por suas habilidades para a escrita. \u00c9 com profundo apre\u00e7o que eu agrade\u00e7o aos meus primeiros trainers em Bioenerg\u00e9tica, David Finlay e Eleanor Greenlee. Sem o seu compromisso para com o seu pr\u00f3prio processo e tamb\u00e9m para com a Bioenerg\u00e9tica e o Instituto eu n\u00e3o estaria aqui. Finalmente, eu gostaria de agradecer a Jim Miller. Desde a minha primeira vez em Whistler, ele me encorajou a tornar-me trainer e professora. Eu ainda sinto muita saudade dele.<\/div>\n<div>E depois&#8230; as pessoas do Brasil. O que posso dizer? Nas confer\u00eancias, ao longo dos anos, eu ouvia os Brasileiros dan\u00e7ando e cantando at\u00e9 altas horas da noite. No inicio, me incomodava, incomodava, depois notei que eu tinha ci\u00fames. Eu queria estar me divertindo tamb\u00e9m. Todos os anos, quando perguntavam onde deveria ser a pr\u00f3xima confer\u00eancia, eu escrevia: Brasil. Eu esperei por essa confer\u00eancia por muitos anos e realmente \u00e9 um prazer estar aqui.<\/p>\n<p>A literatura \u00e0 qual vou me referir foi toda escrita em ingl\u00eas porque esse \u00e9 o \u00fanico idioma que eu acredito ler com real compreens\u00e3o. Eu tamb\u00e9m discutirei parte do material discutido por Bob Lewis. Eu admiro a sua habilidade de t\u00e3o maravilhosamente descrever a sintonia emp\u00e1tica como ela \u00e9 experimentada no soma\/psique do terapeuta.<\/p>\n<p>Morris perguntou ao seu filho, agora com 10 anos, se ele conhecia a est\u00f3ria de como nasciam as criancinhas. \u201cEu n\u00e3o quero saber!\u201d ele disse, come\u00e7ando a chorar.<\/p>\n<p>Confuso, o pai perguntou ao filho o que havia de errado. \u201cOh, papai,\u201d disse ele solu\u00e7ando, \u201caos seis anos me contaram que n\u00e3o existe Papai Noel. Aos sete, me contaram que n\u00e3o h\u00e1 coelhinho da p\u00e1scoa. Se voc\u00ea vai me contar agora que adultos realmente fazem sexo ent\u00e3o eu n\u00e3o tenho mais por que viver!\u201d<\/p>\n<p>Eu achei que chamaria a sua aten\u00e7\u00e3o se mencionasse a palavra sexo; mas, para coloc\u00e1-los \u00e1 vontade, eu n\u00e3o vou anunciar que o futuro da Bioenerg\u00e9tica n\u00e3o deveria mais ter sexo como um aspecto importante da terapia. Nos programas de 12 passos para pessoas com v\u00edcios, cada pessoa se levanta e fala a sua verdade. Elas dizem coisas como: \u201cMeu nome \u00e9&#8230; e eu sou um alco\u00f3latra, um viciado em sexo, viciado em coca\u00edna&#8230; o que for.\u201d Bem, eu vou ficar aqui na frente de voc\u00eas hoje e lhes dizer a verdade. \u201cMeu nome \u00e9 Helen Resneck-Sannes e eu entrei em an\u00e1lise Bioenerg\u00e9tica para ter \u201cO Grande O.\u201d Voc\u00eas sabem aquele orgasmo de corpo inteiro que vai da cabe\u00e7a at\u00e9 os dedos dos p\u00e9s, de dentro para fora; aquele orgasmo descrito no livro Por quem os Sinos Dobram, que faz com que a terra se mova para fora de seu eixo.<\/p>\n<p>Quando eu comecei a minha terapia bioenerg\u00e9tica, eu estava tendo bom sexo com meu marido e orgasmos regulares, mas Lowen e Reich estavam descrevendo algo muito poderoso. Na \u00e9poca, eu estava confusa sobre como este orgasmo incr\u00edvel ocorria sem um parceiro e somente mais tarde entendi que o reflexo org\u00e1stico era uma onda de energia que circulava em todo o corpo, criando um ritmo harmonioso que era independente da rela\u00e7\u00e3o sexual. Bem, eu acho que eu tive \u201cO Grande O\u201d algumas vezes; se n\u00e3o \u201cO Grande O\u201d, eu definitivamente experimentei correntes passando por todo o meu corpo produzindo uma sensa\u00e7\u00e3o vibrat\u00f3ria harm\u00f4nica. No entanto, em 1984 ou 1985, durante uma palestra em Berkeley, Calif\u00f3rnia, Lowen admitiu que ele, aos 74 anos, nunca tinha tido \u201cO Grande O\u201d e duvidava que ele jamais teria j\u00e1 que estava ficando mais velho. Apesar de desejar um reflexo de orgasmo completo, ele tinha se tornado consciente de que as correntes harm\u00f4nicas no colch\u00e3o n\u00e3o indicam necessariamente que a pessoa \u00e9 saud\u00e1vel nem mesmo que tem um relacionamento sexual saud\u00e1vel.<\/p>\n<p>Apesar de ter come\u00e7ado a falar com uma est\u00f3ria pessoal, eu acho que o meu envolvimento com a Bioenerg\u00e9tica espelha o seu desenvolvimento como uma teoria e uma pr\u00e1tica. A realidade \u00e9 que a Bioenerg\u00e9tica \u00e9 uma terapia que vem sendo criada em nossos consult\u00f3rios, em nossos programas de treinamento, no que escrevemos e nestas confer\u00eancias. E, temos um novo curr\u00edculo gra\u00e7as ao compromisso, tenacidade e boa vontade dos nossos professores e especialmente dos que o escreveram &#8211; como Guy Tonella e Violaine De Clerck.<\/p>\n<p>Da maneira como eu vejo, tr\u00eas grandes paradigmas surgiram ao longo do tempo e influenciaram os membros da comunidade Bioenerg\u00e9tica e sua pr\u00e1tica de terapia. O primeiro paradigma na Bioenerg\u00e9tica, como desenvolvido por John Pierrakkos e Alexander Lowen, via a pessoa pelo lado de fora. Abrindo a armadura, a pessoa estaria livre. Quando eu comecei terapia, eu tinha alguns conceitos do que seria a an\u00e1lise bioenerg\u00e9tica. Isso mudou rapidamente. Durante as primeiras sess\u00f5es, minha terapeuta lia meu corpo e me ensinava como fazer o \u201cgrounding\u201d. Depois disso, cada sess\u00e3o come\u00e7ava comigo sentada contra uma parede. Ambas esper\u00e1vamos que minhas pernas ficassem cansadas e eu me renderia e permitira que sentimentos mais suaves emergissem. Ao entregar o controle, supostamente, a armadura ao redor do meu peito se abriria; e, subseq\u00fcentemente, meu cora\u00e7\u00e3o. Eu n\u00e3o percebi na \u00e9poca o profundo efeito que esta experi\u00eancia teria em mim. \u00c1 medida que meus amigos me viam mais aberta com minhas emo\u00e7\u00f5es e disposta a expor a minha vulnerabilidade, eles entravam na terapia Bioenerg\u00e9tica.<\/p>\n<p>\u00c1 medida que a pr\u00e1tica da Bioenerg\u00e9tica se desenvolveu, surgiu um segundo paradigma. Influenciado pelos ensinamentos de Stanley Keleman, David Boadella, Gerda Boyesen, Peter Levine e outros, o foco mudou. Minha terapeuta estava tendo sess\u00f5es com Stanley Keleman e sendo treinada por Gerda Boyesen; e, por causa da sua influ\u00eancia, a minha terapia mudou. Agora, n\u00e3o somente ela comentava sobre a minha estrutura externa, ela tamb\u00e9m focava no fluxo de energia dentro do meu corpo. Assim, depois que as minhas pernas cansavam por estarem contra a parede, eu deitava no colch\u00e3o enquanto ela e suas m\u00e3os davam apoio \u00e1 minha cabe\u00e7a ou \u00e0 minha barriga, para suavizar o \u201ctubo interno,\u201d o fluxo de energia da minha garganta at\u00e9 minhas v\u00edsceras. Foi durante essa \u00e9poca que a minha terapia chegou a um impasse e terminou. Eu me tornei consciente de que, para abrir o meu cora\u00e7\u00e3o, em precisava de uma pessoa empaticamente sintonizada que pudesse ressonar comigo e sentir o que eu precisava somaticamente, emocionalmente e verbalmente.<\/p>\n<p>E, numa manh\u00e3, em uma confer\u00eancia em Montebello, eu finalmente fui capaz de dar voz ao meu protesto sobre ser vista como um corpo energ\u00e9tico, separado da pessoa. Uma amiga minha estava praticando uma t\u00e9cnica que ela tinha aprendido com Peter Levine. Se voc\u00ea n\u00e3o o conhece, ele deu uma palestra em nossa confer\u00eancia em Montebello h\u00e1 alguns anos atr\u00e1s e desenvolveu uma terapia som\u00e1tica para trabalhar com trauma. A t\u00e9cnica \u00e9 chamada de \u201cAbrindo os Quatro Diafragmas.\u201d Eu gosto dessa interven\u00e7\u00e3o e, de fato, ensinei aos professores no inicio da semana. Quando trabalhamos juntas no passado, ela tinha notado que meu corpo algumas vezes era capaz de entrar no que Levine chama de resson\u00e2ncia harm\u00f4nica ou correntes que compreendem \u201cO Grande O.\u201d \u00c1 medida que ela observava meu corpo mais de perto, eu fiquei pensando se ela realmente se importava comigo ou apenas tinha a inten\u00e7\u00e3o de produzir um efeito som\u00e1tico. Eu comecei a chorar e disse a ela: \u201cPor favor, fique t\u00e3o interessada em mim quanto voc\u00ea est\u00e1 no meu corpo.\u201d Ela, sendo uma terapeuta sens\u00edvel, aproximou-se e pegou minha m\u00e3o. Mais tarde naquela mesma manh\u00e3 Bob Lewis estava dando uma palestra para todos os conferencistas em Montebello. Ele mencionou que tinha dito a mesma coisa ao seu terapeuta: \u201cPor favor, esteja t\u00e3o interessado em mim quanto voc\u00ea est\u00e1 no meu corpo.\u201d Outra vez, obrigada Bob Lewis.<\/p>\n<p>Nessa \u00e9poca, um terceiro paradigma estava surgindo influenciado pelos ensinamentos e escritas de Len Carlino, David Finlay, Bob Hilton e Bob Lewis, e apoiado por recentes pesquisas neurobiol\u00f3gicas e estudos investigativos sobre o processo e efic\u00e1cia da psicoterapia. A pesquisa sobre o que causa mudan\u00e7a em psicoterapia tem-nos dado, repetidamente, os mesmos resultados: a mudan\u00e7a na terapia ocorre por causa de algo que est\u00e1 acontecendo no relacionamento entre o terapeuta e o cliente. O terapeuta n\u00e3o mais \u00e9 um observador objetivo, separado, lendo o exterior do corpo, ou uma pessoa neutra que afeta a parte interna (ver tamb\u00e9m Stark 1999; Klopstech 2002). [1][1]<\/p>\n<p>Para entender melhor o desenvolvimento desses tr\u00eas paradigmas, precisamos acompanhar a est\u00f3ria da Bioenerg\u00e9tica como uma terapia. Ao discutir nossas ra\u00edzes te\u00f3ricas, come\u00e7amos com Reich. Suas teorias e pesquisas inclu\u00edram n\u00e3o somente os dom\u00ednios da psicoterapia mas foram al\u00e9m, na energia, na pol\u00edtica e no tempo. Ele era um psicanalista e estava formulando a sua psicoterapia do corpo e energia como uma rea\u00e7\u00e3o contra a tirania da mentaliza\u00e7\u00e3o e das palavras. Quando ele se focava nos padr\u00f5es, nas a\u00e7\u00f5es, pensamentos, sentimentos e relacionamentos dos pacientes, ele estava observando como eles se correlacionavam no corpo de uma pessoa em termos da sua estrutura muscular e energia de vida. As experi\u00eancias passadas dos pacientes &#8211; seus primeiros v\u00ednculos , experi\u00eancias de crian\u00e7a e relacionamentos hist\u00f3ricos, eram importantes para entender o car\u00e1ter. O car\u00e1ter \u00e9 a maneira como a pessoa se relaciona no presente. Devido ao fato que ele estava mais interessado em como o paciente estava no momento da terapia e prestava menos aten\u00e7\u00e3o \u00e1s associa\u00e7\u00f5es e pensamentos, Reich pode ser descrito como um dos primeiros psicoterapeutas relacionais.<\/p>\n<p>Lowen entrou no per\u00edodo m\u00e9dio de Reich, quando este estava mais interessado em correlacionar a teoria psicanal\u00edtica e o corpo. Como Reich, ele estava formulando suas teorias em rea\u00e7\u00e3o contra o vi\u00e9s da verbaliza\u00e7\u00e3o e tendia a desenfatizar estados mentais, imagens e sonhos. Ele fez algumas contribui\u00e7\u00f5es brilhantes para o campo da psicoterapia. O seu trabalho cl\u00e1ssico, A Linguagem do Corpo, define a an\u00e1lise de car\u00e1ter em rela\u00e7\u00e3o ao corpo em desenvolvimento. Al\u00e9m disso, ele descreve que tens\u00f5es psicol\u00f3gicas e manifesta\u00e7\u00f5es ocorrem quando se vive em uma sociedade que fornece uma quantidade imensa de est\u00edmulos em grande velocidade e julga os seus padr\u00f5es como algo externo aos sentimentos da pessoa e ao sentido de si mesma. Dentro do campo da psican\u00e1lise, o seu livro sobre narcisismo coloca este como um processo que ocorre dentro e entre todos os caracteres. Esta \u00e9 uma brilhante an\u00e1lise formada, pelo menos em grande parte, pela maneira como Lowen freq\u00fcentemente sabia a sua verdade &#8211; n\u00e3o analisando teorias, mas observando, estando junto e ressonando com as pessoas.<\/p>\n<p>Um ano e meio atr\u00e1s, em Pawling, eu ia sair para caminhar quando Lowen me chamou e come\u00e7ou a falar sobre o que ele sentia ter sido importante para ele na sua jornada terap\u00eautica. Ele disse para continuar fiel ao que voc\u00ea sabe, e para ele, isso tem sido seguir o corpo. Ele disse que esteve brevemente interessado no conceito de Reich de orgone e energia, mas agora via isso como uma distra\u00e7\u00e3o do que era realmente importante.<\/p>\n<p>Reich e Lowen s\u00e3o a nosso legado, as ra\u00edzes a partir das quais n\u00f3s crescemos. O que a Bioenerg\u00e9tica tornou-se hoje e como ela se compara a outras modalidades terap\u00eauticas? Uma \u00e1rea pol\u00eamica que tem surgido na literatura da terapia \u00e9 o papel do afeto e da emo\u00e7\u00e3o. Acho que \u00e9 seguro dizer que a maior parte dos terapeutas bioenerg\u00e9ticos trabalha com afeto e express\u00e3o emocional. Ao abrirmos padr\u00f5es de conten\u00e7\u00e3o som\u00e1tica, que s\u00e3o bloqueios \u00e1s necessidades emocionais, certamente damos suporte \u00e1s pessoas nas suas express\u00f5es emocionais. Quando falamos, ajudamos a pessoa a estar com seus sentimentos, &#8211; e n\u00e3o estou dizendo \u201clivrar-se dos sentimentos.\u201d Eu me lembro de uma palestra na Gr\u00e9cia h\u00e1 alguns anos atr\u00e1s, quando Lowen levantou-se e gritou, \u201cA Bioenerg\u00e9tica n\u00e3o \u00e9 catarse.\u201d Catarse \u00e9 a descarga dos sentimentos. Em uma an\u00e1lise de car\u00e1ter, certos sentimentos s\u00e3o, \u00e0s vezes, encorajados enquanto que, em outros momentos, afetos s\u00e3o contidos e confortados.<\/p>\n<p>O papel das emo\u00e7\u00f5es e do sentimento est\u00e1 sendo reexaminado na teoria do v\u00ednculo e do trauma. Terapeutas de comportamento cognitivo e terapeutas de trauma trabalham para conter e modular o sentimento, enquanto que terapeutas que trabalham no campo da psicoterapia emocionalmente focada, da psican\u00e1lise e an\u00e1lise bioenerg\u00e9tica, acreditam que ocorre uma mudan\u00e7a quando o afeto \u00e9 intensificado. Um dos \u00faltimos conceitos no campo da psicoterapia vem da literatura sobre trauma e s\u00e3o usados para descrever os processos quando os pacientes lidam com material com alta carga &#8211; emocional e traum\u00e1tica. Esta \u00e9 a JANELA TERAP\u00caUTICA. \u00c9 o n\u00edvel ideal de excita\u00e7\u00e3o e emo\u00e7\u00e3o para processar o material traum\u00e1tico. Vou repetir: janela terap\u00eautica \u00e9 o n\u00edvel ideal de excita\u00e7\u00e3o e emo\u00e7\u00e3o para processar material traum\u00e1tico. Ao discutir esse conceito, eu estarei usando alguns termos da neurobiologia. Voc\u00eas n\u00e3o precisam lembrar-se deles para entender os conceitos.<\/p>\n<p>Na pesquisa neuro-biol\u00f3gica, uma dicotomia entre as duas \u00e1reas do c\u00e9rebro \u00e9 enfatizada. O c\u00e9rebro l\u00edmbico e o c\u00e9rebro cortical s\u00e3o distintos em fun\u00e7\u00e3o e em local anat\u00f4mico (o cortical est\u00e1 no topo do l\u00edmbico). H\u00e1 uma varia\u00e7\u00e3o em como essas duas \u00e1reas do c\u00e9rebro interagem n\u00e3o somente de um indiv\u00edduo para outro, mas de minuto a minuto num mesmo indiv\u00edduo. O sistema l\u00edmbico corresponde a um c\u00e9rebro emocional reflexivo, inconsciente, filogen\u00e8ticamente mais antigo. Esta parte do c\u00e9rebro processa material somato-sensorial (material sensorial externo tamb\u00e9m) n\u00e3o verbal. O c\u00e9rebro emocional se desenvolve entre um e tr\u00eas anos de vida e \u00e9 influenciado pelas nossas primeiras experi\u00eancias com as pessoas que cuidam de n\u00f3s (outras partes do c\u00e9rebro tamb\u00e9m se desenvolvem durante esse per\u00edodo. E: o \u201cc\u00e9rebro emocional\u201d continua se desenvolvendo durante as nossas vidas.) \u00c9 com esta parte do c\u00e9rebro que os analistas de Bioenerg\u00e9tica, mais do que quaisquer outros psicoterapeutas, trabalham diretamente. As \u00e1reas corticais, por outro lado, representam o c\u00e9rebro consciente narrativo, ling\u00fc\u00edstico, simb\u00f3lico e que \u00e9 principal \u00e1rea de foco em uma terapia cognitiva e psicanal\u00edtica. Existem conex\u00f5es entre os dois, e cada um influencia o outro. Essas duas \u00e1reas do c\u00e9rebro processam mem\u00f3ria e informa\u00e7\u00f5es de maneira diferente. A mem\u00f3ria emocional do sistema l\u00edmbico est\u00e1 codificada por eventos afetivos ou sensoriais intensos como o trauma. A mem\u00f3ria declarativa est\u00e1 codificada na forma simb\u00f3lica da linguagem. Tem sido proposto por muitos, como Brockman, Siegal e Schore que a mudan\u00e7a terap\u00eautica resulta de trazer toda a capacidade do c\u00e9rebro cortical para intensas experi\u00eancias emocionais. Basicamente, este tem sido o processo de uma an\u00e1lise bioenerg\u00e9tica, trazer nossas experi\u00eancias corporais para o consciente e completo entendimento intelectual. No passado, foc\u00e1vamos na parte externa do corpo, padr\u00f5es de estrutura som\u00e1tica e depois na parte interna do corpo e sentimentos viscerais.<\/p>\n<p>Um segundo conceito que est\u00e1 aparecendo na literatura \u00e9 que os estados corporais est\u00e3o representados no c\u00e9rebro. Agora \u00e9 a hora de focar no corpo que vive na mente ou o CORPO\/MENTE. Este termo \u00e9 um conceito importante. Tem havido uma separa\u00e7\u00e3o na Bioenerg\u00e9tica entre a cabe\u00e7a e o corpo. \u201cAs pessoas t\u00eam dito: Saia da sua cabe\u00e7a e volte para o seu corpo.\u201d Eu acho que o corpo est\u00e1 na mente e eu lhe darei algumas pesquisas que apoiam esse conceito. As novas t\u00e9cnicas para estudar o c\u00e9rebro fornecem cada vez mais informa\u00e7\u00f5es sobre a sua estrutura e fun\u00e7\u00e3o. Com a introdu\u00e7\u00e3o das t\u00e9cnicas de imagem do c\u00e9rebro e m\u00e1quinas para escaneamento, n\u00e3o somente os estados som\u00e1ticos t\u00eam sido correlacionados com partes f\u00edsicas do c\u00e9rebro, como tamb\u00e9m a mente foi re-introduzida como um sistema energ\u00e9tico<\/p>\n<p>J\u00e1 n\u00e3o somos uma mente x um corpo, mas mente e corpo s\u00e3o um s\u00f3, funcionando como um sistema intrinsecamente relacionado, transferindo informa\u00e7\u00f5es sobre os estados som\u00e1ticos e processando eventos verbais e cognitivos. Nossas experi\u00eancias somato-sensoriais est\u00e3o representadas em nossa mente. Nascemos com uma representa\u00e7\u00e3o completa do nosso corpo em nosso c\u00e9rebro. Como sabemos disso? Bem, eu lhes direi. Esta \u00e9 realmente uma pesquisa interessante \u2013 quase t\u00e3o boa quanto \u201cO Grande O.\u201d Pesquisadores da Universidade McGill no Canad\u00e1 descobriram que pessoas que nascem sem bra\u00e7os e pernas ainda sentem essas partes do corpo. (Melzack, I., Lacroix, R. Schultz G. p\u00e1g.1603-20). Isto significa que as pessoas sentem bra\u00e7os e pernas apesar de terem nascido sem eles. Os pesquisadores conclu\u00edram que o c\u00e9rebro precisa ter informa\u00e7\u00f5es sobre o que est\u00e1 para acontecer. Ele prev\u00ea que ir\u00e1 obter informa\u00e7\u00f5es de um corpo que tem dois bra\u00e7os e duas pernas e que haver\u00e1 uma m\u00e3e com dois seios como fonte de alimento. \u201cO corpo que percebemos est\u00e1, em grande parte, embutido no nosso c\u00e9rebro \u2013 nem tudo \u00e9 aprendido.\u201d<\/p>\n<p>Nosso corpo\/mente prev\u00ea est\u00edmulos de nossos primeiros cuidadores. Ele j\u00e1 formou uma rede neural somato-sensorial desenvolvida para receber est\u00edmulos. Esta estimula\u00e7\u00e3o constr\u00f3i uma estrutura e forma nossas mem\u00f3rias somato-sensoriais. Essa estrutura somato-sensorial \u00e9 o que os psicanalistas chamam de inconsciente. Devido a essa pesquisa neurobiol\u00f3gica, os analistas est\u00e3o agora mais conscientes da import\u00e2ncia das interven\u00e7\u00f5es som\u00e1ticas. Os terapeutas Bioenerg\u00e9ticos h\u00e1 anos que trabalham com t\u00e9cnicas que influenciam essas estruturas.<\/p>\n<p>Pesquisadores, estudando a mente, descobriram que eventos traum\u00e1ticos s\u00e3o guardados em uma parte do c\u00e9rebro chamada giro do c\u00edngulo. Experi\u00eancias traum\u00e1ticas sobrecarregam o sistema e permanecem guardadas nos giros do c\u00edngulo, n\u00e3o como mem\u00f3rias, mas como eventos altamente cheios de afeto, que nunca foram completamente processados e organizados pelo sistema. Eles s\u00e3o guardados como experi\u00eancias somato-sensoriais e sentimentos. Esta estrutura, o giro do c\u00edngulo, guarda esses eventos estimulantes, altamente excitantes, at\u00e9 que eles possam ser organizados pelo c\u00f3rtex cerebral em uma descri\u00e7\u00e3o verbal coerente do evento. Outra parte do c\u00e9rebro, o t\u00e1lamo, age como uma porta entre o giro do c\u00edngulo e o c\u00f3rtex cerebral. O t\u00e1lamo tem aproximadamente 40 pulsa\u00e7\u00f5es por minuto. Quando o organismo est\u00e1 em estado de trauma, as informa\u00e7\u00f5es somato-sensoriais inundam o sistema. O t\u00e1lamo recebe mais est\u00edmulos do que o c\u00f3rtex cerebral \u00e9 capaz de organizar, de modo que o material \u00e9 desviado de volta para o giro do c\u00edngulo.<\/p>\n<p>O tempo do trauma \u00e9 sempre o tempo presente. O car\u00e1ter \u00e9 agora. \u00c9 por isso que n\u00e3o podemos \u201csimplesmente super\u00e1-lo.\u201d Organizar informa\u00e7\u00f5es sobre o nosso car\u00e1ter &#8211; informa\u00e7\u00f5es que coletamos atrav\u00e9s da leitura do corpo e pela sensa\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia em nosso corpo, precisam ser coletadas em doses uniformes, a fim de que esse material seja passado pelo t\u00e1lamo e organizado pelo c\u00f3rtex cerebral. Portanto, a JANELA TERAP\u00caUTICA \u00e9 a quantidade \u00f3tima de excita\u00e7\u00e3o por onde se move o material afetivo altamente ativado que pode ser processado por uma pessoa sem inundar, dissociar ou congelar. O material pode ent\u00e3o ser transferido para o c\u00f3rtex cerebral onde ele \u00e9 organizado em uma hist\u00f3ria de vida coerente; uma narrativa sobre o que aconteceu no passado, e n\u00e3o uma experi\u00eancia traum\u00e1tica cont\u00ednua.<\/p>\n<p>Eu vou dar um exemplo. Um jovem rapaz em um dos grupos de treinamento no primeiro ano sempre dizia que tudo estava bem. Quando os outros alunos lhe pediam para elaborar, ele se tornava defensivo e raivoso, dizendo que ele j\u00e1 tinha dito como se sentia. Um dia, eu notei que ele retraiu-se quando um dos alunos homens passou por ele. Eu lhe disse o que tinha visto e ele ficou curioso sobre esse comportamento. Eu mencionei que o seu corpo ficou r\u00edgido e retraiu-se, quase como o come\u00e7o de um reflexo de alarme de Babinsky. Disse tamb\u00e9m a ele que eu tinha notado que ele somente reagia dessa maneira quando homens passavam, aproximando-se dele. Quando eu disse as palavras \u201caproximando-se dele\u201d, ele ficou p\u00e1lido e seus olhos ficaram vazios. Quando um dos alunos perguntou como ele se sentia, ele n\u00e3o respondeu e continuou naquilo que os terapeutas de trauma chamam de \u201cimobilidade congelada\u201d &#8211; ele n\u00e3o conseguia lutar nem fugir. Devido ao fato que ele j\u00e1 estava inundado, eu queria lhe dar tempo para entrar na sala e proteg\u00ea-lo contra mais estimula\u00e7\u00e3o. Eu disse que ele estava seguro e que ele n\u00e3o tinha que fazer ou dizer nada. Eu esperaria por ele. O olhar vazio desapareceu. Eu o convidei a procurar as partes do corpo que ele podia sentir. Depois de encontrar suas pernas e reconhecer o desejo de fugir, ele disse : \u201cMeu pai me batia.\u201d De novo, o seu corpo enrijeceu e seus olhos come\u00e7aram a ficar com aquela apar\u00eancia v\u00edtrea. Eu trouxe sua aten\u00e7\u00e3o de volta para a sala e lentamente o convidei a voltar para o seu corpo, modulando e medindo quanto ele estava come\u00e7ando a re-experimentar.<\/p>\n<p>Ele tinha um bom terapeuta e ao final do quarto ano de treinamento, ele era capaz de falar, sem ser inundado, sobre o abuso f\u00edsico e verbal que recebia do pai. Era um abuso do passado, n\u00e3o estava acontecendo mais. O evento existe agora como uma narrativa coerente, como mem\u00f3rias que est\u00e3o guardadas no c\u00f3rtex cerebral. Ele j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o inundado no corpo por sentimentos de medo e vergonha.<\/p>\n<p>Apesar de importantes e necess\u00e1rias para a cura, essas quest\u00f5es psicoterap\u00eauticas ainda est\u00e3o dentro do primeiro e segundo paradigmas. Esses s\u00e3o processos que ocorrem dentro do cliente que s\u00e3o separados do que est\u00e1 sendo criado pelo terapeuta e cliente juntos, o terceiro paradigma. Quando o relacionamento est\u00e1 inclu\u00eddo na an\u00e1lise terap\u00eautica, a capacidade de influenciar esses processos \u00e9 aumentada.<\/p>\n<p>Vamos olhar agora para a pr\u00f3pria narrativa biogr\u00e1fica de Lowen da sua terapia com Reich. A seguir, uma descri\u00e7\u00e3o nas pr\u00f3prias palavras de Lowen tiradas do livro Bioenerg\u00e9tica.<\/p>\n<p>\u201cAp\u00f3s a experi\u00eancia do medo, quando eu vi o rosto da minha m\u00e3e, eu passei um longo tempo (v\u00e1rios meses) sem nenhum progresso. Eu estava vendo Reich tr\u00eas vezes por semana, mas eu estava bloqueado porque eu n\u00e3o podia contar a Reich meus sentimentos por ele. Eu queria que ele tivesse um interesse paternal em mim e n\u00e3o somente um sentimento de terapeuta, mas sabendo que este n\u00e3o era um pedido razo\u00e1vel eu n\u00e3o podia express\u00e1-lo. Lutando internamente com o problema, eu n\u00e3o estava indo a lugar nenhum. Reich parecia n\u00e3o saber do meu conflito. Lutar para que a minha respira\u00e7\u00e3o ficasse mais profunda e completa, n\u00e3o parecia funcionar. Eu estava h\u00e1 um ano em terapia quando se desenvolveu esse impasse.\u201d<\/p>\n<p>Lowen diz que ele havia sido capaz de descarregar uma grande quantidade de medo, e ent\u00e3o ele atingiu esse limite, incapaz de aprofundar a sua respira\u00e7\u00e3o ou reportar seus sentimentos. Agora eu quero que voc\u00eas pensem sobre o que fariam se voc\u00eas tivessem um cliente na mesma situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Eis o que Reich fez:<\/p>\n<p>\u201cReich sugeriu que eu desistisse. \u201cLowen,\u201d ele disse, \u201cvoc\u00ea se mostra incapaz de se render aos seus sentimentos. Por que voc\u00ea n\u00e3o desiste?\u201dAs suas palavras foram uma senten\u00e7a fatal. Render-me significava falhar com todos os meus sonhos. Eu ent\u00e3o chorei profundamente. Era a primeira vez que eu solu\u00e7ava desde que eu era crian\u00e7a. Eu j\u00e1 n\u00e3o conseguia segurar meus sentimentos. Eu disse a Reich o que eu queria dele e ele escutou com compreens\u00e3o\u201d. (Bioenerg\u00e9tica, p\u00e1g. 21).<\/p>\n<p>Este \u00e9 o momento de defini\u00e7\u00e3o na terapia de Lowen. Ele diz ainda que, pouco tempo depois dele ter sucumbido, na terapia, Reich saiu de f\u00e9rias. Quando Reich voltou, sugeriu que eles parassem a terapia por um ano. Talvez Lowen tenha se magoado quando Reich o deixou. Eu fico pensando como seria a Bioenerg\u00e9tica como um sistema de terapia se Reich tivesse tratado de Lowen da maneira que voc\u00ea teria tratado o seu cliente?<\/p>\n<p>V\u00e1rios anos atr\u00e1s, em Arles, Leslie Case deu uma palestra sobre as v\u00e1rias maneiras como os terapeutas a tinham ferido. Eu estava sentada com o meu marido, um m\u00e9dico, durante essa palestra. No inicio, ele olhou para mim e disse, \u201cEla est\u00e1 falando aqui de certo tipo de cliente.\u201d Eu n\u00e3o disse nada e coloquei o meu bra\u00e7o por cima do dele. Depois ele sussurrou um pouco irritado, \u201cBem, voc\u00ea j\u00e1 fez isso tamb\u00e9m,\u201d referindo-se \u00e1s v\u00e1rias maneiras como Leslie tinha sido despachada ou acusada. \u201cClaro,\u201d eu sussurrei respondendo. Finalmente, ele segurou sua cabe\u00e7a com as m\u00e3os e disse, \u201cEu tenho ferido tantas pessoas.\u201d Eu respondi, \u201cTodos n\u00f3s temos.\u201d<\/p>\n<p>No passado, fomos feridos na Bioenerg\u00e9tica e ferimos outros. E, a n\u00e3o ser que queiramos aprender com os nossos erros, continuaremos a ferir e a sermos feridos da mesma maneira. Lowen, em certo momento, disse que ele sentia que a Bioenerg\u00e9tica n\u00e3o funcionava porque as pessoas estavam mais doentes do que ele acreditava. Essa declara\u00e7\u00e3o tem um pouco de verdade. O que se acreditava naquela \u00e9poca era que se a armadura fosse removida, ent\u00e3o o verdadeiro e aut\u00eantico self seria revelado. O problema \u00e9 que a coura\u00e7a descreve o exterior da pessoa, \u00e9 a seguran\u00e7a muscular que algu\u00e9m constr\u00f3i para defender-se contra sentimentos e necessidades que n\u00e3o foram atendidas quando \u00e9ramos jovens.. A coura\u00e7a \u00e9 uma estrutura de superf\u00edcie.<\/p>\n<p>O segundo paradigma mudou o foco deixando de olhar somente os padr\u00f5es externos para ver tamb\u00e9m os padr\u00f5es internos da pessoa. Essa segunda mudan\u00e7a produziu grandes contribui\u00e7\u00f5es para o campo da Bioenerg\u00e9tica \u2013 O trabalho cl\u00e1ssico de Stanley Keleman, Anatomia Emocional, e o trabalho em Din\u00e2mica do Corpo no tubo interno e v\u00edscera. Os resultados da neurobiologia e do trabalho de Peter Levine sobre como o c\u00e9rebro processa trauma fazem parte do segundo paradigma. A pesquisa de Levine focando no c\u00e9rebro e na mente est\u00e1 confirmando a necessidade de trabalhar com estados n\u00e3o verbais. Mas, como devemos trabalhar com esses estados? Se nos tornarmos muito enamorados do interior do corpo como temos estado enamorados do exterior, continuaremos a ferir e sermos feridos pelas nossas interven\u00e7\u00f5es psicoterap\u00eauticas.<\/p>\n<p>Agora que \u00e9 a hora de outra mudan\u00e7a de paradigma, qual deve ser a natureza dessa mudan\u00e7a? Felizmente, o campo da psicoterapia som\u00e1tica est\u00e1 finalmente produzindo alguns bons pesquisadores que est\u00e3o come\u00e7ando a fazer a pergunta: \u201cA terapia Bioenerg\u00e9tica cura? Como?\u201d Christa Ventling (2002) conduziu um maravilhoso estudo pelo qual ela ganhou um pr\u00eamio da The USA Body Psychotherapy Association. A boa not\u00edcia \u00e9 que a sua pesquisa valida a efetividade da an\u00e1lise Bioenerg\u00e9tica. (veja tamb\u00e9m Gudat U (1977) Bioenergetische Analyse als ambulante Psychotheapie \u2013 Anwendungensbereiche und Wirkungen. In: Psychotherapie Forum 5: 28-37<\/p>\n<p>Koemeda-Lutz M, Kaschke M, Revenstorf D, Scherrmann T, Weiss, H, Soeder U (2003) Zwischenergebnisse zur Wirksamkeit von ambulanten K\u00f6rperpsychotheapien. Eine Multicenter-Studie in Deutschland und der Schweiz. In: Psychotherapie Forum 11 (2) 70-79 Engl.:Preliminary Results Concerning the Effectiveness of Body-Psychotherapies in OUtpatient Settings _ A Multi-Center Study in Germany and Switzerland (www.eabp.org)<\/p>\n<p>No entanto, Ventling tamb\u00e9m discute o seguinte resultado:<\/p>\n<p>\u201cApesar de assumirmos que nossos pacientes estariam atribuindo a alta efic\u00e1cia ao trabalho de corpo com rela\u00e7\u00e3o a ganhar novos \u201cinsights\u201d, ficamos desapontados com a resposta, j\u00e1 que somente 56% responderam assim. Menos ainda (46%) acharam que o trabalho de corpo era a causa da melhoria na sua qualidade de vida. Claramente, as exatas vari\u00e1veis que est\u00e3o causando mudan\u00e7as gerais positivas no BAT (An\u00e1lise Bioenerg\u00e9tica) n\u00e3o podem ser identificadas agora. A teoria de que \u00e9 principalmente o trabalho de corpo precisa ser mais investigada. Assumimos que a qualidade do relacionamento entre o paciente e o terapeuta tem um grande papel e planejamos estud\u00e1-lo melhor.\u201d (P\u00e1g. 21).<\/p>\n<p>Eu vou repetir: somente um pouco mais da metade dos clientes reportaram que o trabalho de corpo fez com que eles se curassem e menos da metade reportaram que tinha melhorado a sua qualidade de vida. Este \u00e9 o mesmo resultado que Pamela Bell reportou antes, na confer\u00eancia, ao pesquisar o efeito da terapia bioenerg\u00e9tica nas atividades das ondas do c\u00e9rebro. Ela encontrou que, apesar de haver um pequeno efeito nas atividades das ondas do c\u00e9rebro devido \u00e0 participa\u00e7\u00e3o em aulas de exerc\u00edcios de bioenerg\u00e9tica, um paciente masoquista mostrou uma quantidade significativa de mudan\u00e7a ap\u00f3s uma sess\u00e3o de terapia especialmente expressiva. Christa Ventling, no seu artigo, sugere que a cura ocorreu no relacionamento. Mas, em qual parte do relacionamento? Na mesma revista, Douglas Radandt tentou investigar a poss\u00edvel rela\u00e7\u00e3o entre a consci\u00eancia corporal do terapeuta e a pot\u00eancia da alian\u00e7a terap\u00eautica. Radandt encontrou que apesar de haver uma correla\u00e7\u00e3o positiva entre um terapeuta consciente das sensa\u00e7\u00f5es do seu pr\u00f3prio corpo e movimentos e a alian\u00e7a terap\u00eautica, essa correla\u00e7\u00e3o n\u00e3o teve import\u00e2ncia estat\u00edstica. Se o trabalho de corpo pelo paciente e a consci\u00eancia do terapeuta do seu pr\u00f3prio corpo est\u00e3o apenas contribuindo para uma pequena parte do resultado terap\u00eautico, o que est\u00e1 causando a mudan\u00e7a terap\u00eautica na Bioenerg\u00e9tica? Paris e Eagle em edi\u00e7\u00e3o recente do Psychoanalytic Psychology (2003), dizem: \u201cParece haver um consenso cada vez maior de que a mudan\u00e7a terap\u00eautica \u00e9 baseada n\u00e3o somente em fatores cognitivos como conscientiza\u00e7\u00e3o e \u201cinsight\u201d\u201c. Para os psicanalistas, o foco tem sido em conscientiza\u00e7\u00e3o e insight enquanto que para os analistas Bioenerg\u00e9ticos, o foco est\u00e1 na conscientiza\u00e7\u00e3o corporal, express\u00f5es f\u00edsicas e fatores cognitivos e \u201cinsights\u201d. Assim, o que est\u00e1 causando a mudan\u00e7a? Os autores sugerem que a mudan\u00e7a ocorre por causa da natureza do relacionamento entre o paciente e o terapeuta. E, de novo, a pergunta \u00e9: Qual parte do relacionamento?<\/p>\n<p>H\u00e1 grande reconhecimento de que pacientes em psicoterapia freq\u00fcentemente sentem fortes sentimentos por seus terapeutas \u2013 transfer\u00eancia. Uma maneira \u00fatil de entender o relacionamento terap\u00eautico, quando funciona bem, \u00e9 que o terapeuta &#8211; pelo menos em certos aspectos, como David Campbell e Bob Hilton v\u00eam nos dizendo h\u00e1 anos, serve como uma figura para o v\u00ednculo, como uma \u201cbase segura\u201d a partir da qual o paciente pode explorar o seu mundo interno. Lembre-se de que Lowen ansiava para que Reich fosse um pai amoroso e seguro, que estivesse interessado nele. Assim, os elementos que faltavam para o nosso estudo de consci\u00eancia do corpo ou interven\u00e7\u00f5es de trabalho de corpo s\u00e3o: empatia, sintonia e congru\u00eancia. Mesmo que o terapeuta esteja consciente das sensa\u00e7\u00f5es do seu pr\u00f3prio corpo isto n\u00e3o significa que ele est\u00e1 sintonizado com o que est\u00e1 acontecendo dentro do corpo do cliente. Em outras palavras, suspeito de que o importante \u00e9 a consci\u00eancia do terapeuta do que o cliente precisa em termos de uma figura de v\u00ednculo, incluindo interven\u00e7\u00f5es som\u00e1ticas e corporais. Nossa capacidade de empatia e sintonia com o cliente \u00e9 o que cura no RELACIONAMENTO.<\/p>\n<p>Deixe-me dar um exemplo de sintonia com o corpo. O exemplo \u00e9 do livro Seabiscuit, o nome do cavalo de corrida mais famoso na hist\u00f3ria americana. A est\u00f3ria realmente \u00e9 sobre o relacionamento entre o cavalo, o seu treinador e o seu j\u00f3quei. Seabiscuit est\u00e1 para correr contra War Admiral. O pa\u00eds est\u00e1 esperando por essa corrida h\u00e1 v\u00e1rios anos. At\u00e9 mesmo o Presidente Roosevelt a est\u00e1 escutando pelo r\u00e1dio e n\u00e3o deixa que os seus ministros entrem na sala at\u00e9 o final da corrida. Seabiscuit, um cavalo atarracado, n\u00e3o \u00e9 o favorito da corrida. Os cavalos se aproximam da pista para iniciar a corrida.<\/p>\n<p>War Admiral caminhou primeiro para a pista, rodando e balan\u00e7ando. Seabiscuit cavoucava atr\u00e1s, de cabe\u00e7a baixa. Ele levantou a cabe\u00e7a uma \u00fanica vez, olhou para a multid\u00e3o, e baixou-a de novo (P\u00e1g. 268).<\/p>\n<p>Vamos parar aqui por um minuto. Pergunte-se: O que voc\u00ea acha que Seabiscuit est\u00e1 sentindo? Aqui est\u00e1 o que as pessoas na \u00e9poca, que realmente viram Seabiscuit, pensaram que ele sentia:<\/p>\n<p>Uma testemunha comparou-o a um cavalo de carro\u00e7a de leite. Shirley Povich, do Washington Post, pensou que ele exibia \u201cuma completa e colossal indiferen\u00e7a.\u201d<\/p>\n<p>O que segue diz respeito a como o j\u00f3quei sentia:<\/p>\n<p>\u201cA apar\u00eancia era enganosa, Woolf podia sentir isso. Nos desfiles, ele estava acostumado ao suave movimento do caminhar de Seabiscuit, \u00e0 marcha tranq\u00fcila de um cavalo que coloca suas patas no ch\u00e3o cuidadosamente. Mas, neste dia, Woolf sentiu algo novo, algo crescendo debaixo dele, como uma fonte. O cavalo estava se preparando.<\/p>\n<p>Woolf estava sentindo algo que acontecia dentro do cavalo algo que uma pessoa, ao fazer a leitura da linguagem de corpo do cavalo a partir de fora, n\u00e3o poderia saber. Ele estava explorando o seu \u201csenso de sentir \u201d e isso era diferente da observa\u00e7\u00e3o baseada na linguagem exterior do corpo do cavalo.\u201d<\/p>\n<p>As pesquisas recentes utilizando imagens do c\u00e9rebro est\u00e3o descobrindo que esta sintonia emp\u00e1tica som\u00e1tica aparentemente \u00e9 necess\u00e1ria para o desenvolvimento de v\u00ednculos em beb\u00eas e para qualquer processo de terapia. Estas pesquisas, que foram sumarizadas por Alan Shore e outros, apontam para a import\u00e2ncia do c\u00e9rebro direito no v\u00ednculo, no trauma e na integra\u00e7\u00e3o de experi\u00eancias emocionais. Eles encontraram que o que est\u00e1 curando na psicoterapia \u00e9 o relacionamento, e muito do que circula entre o terapeuta e o cliente \u00e9 transmitido para o c\u00f3rtex occipital, e \u00e9 inconsciente tanto para o cliente quanto o terapeuta. Esta parte do c\u00e9rebro desenvolve-se tamb\u00e9m entre as idades de um e tr\u00eas anos de idade (esquiz\u00f3ide a r\u00edgido), mas, mais dramaticamente, nos primeiros meses. Isto significa que as mem\u00f3rias ali armazenadas s\u00e3o n\u00e3o verbais e compreendem a mem\u00f3ria impl\u00edcita, o mesmo tipo de mem\u00f3ria que \u00e9 usada para fun\u00e7\u00f5es como andar de bicicleta ou fazer croch\u00ea. Essas s\u00e3o mem\u00f3rias do corpo. N\u00e3o temos uma descri\u00e7\u00e3o verbal dos passos necess\u00e1rios cada vez que andamos de bicicletas ou fazemos croch\u00ea. Mesmo que n\u00e3o tenhamos andado de bicicleta ou feito croch\u00ea por v\u00e1rios anos, ainda nos lembramos de como fazer.<\/p>\n<p>Uma experi\u00eancia da minha pr\u00f3pria vida ilustra como essas mem\u00f3rias funcionam. Para descrev\u00ea-la, citarei meu artigo publicado na recente revista do IIBA sobre pesquisas.<\/p>\n<p>\u201cTive o privil\u00e9gio de ter o meu beb\u00ea em casa. Na manh\u00e3 seguinte ao nascimento de Myrrhia, liguei o r\u00e1dio enquanto amamentava. A m\u00fasica cantada com paix\u00e3o por um coral de m\u00fasica gospel era um retrato da alegria que eu estava sentindo por ter um ser t\u00e3o lindo nos meus bra\u00e7os e eu comecei a dan\u00e7ar. Antes do nascimento dela, eu n\u00e3o tinha escutado muita m\u00fasica gospel e certamente nunca teria dan\u00e7ado quando a escutava. Eu dancei com este tipo de m\u00fasica durante os seus tr\u00eas primeiros anos de vida e at\u00e9 comprei alguns discos.<\/p>\n<p>Anos mais tarde, quando Myrrhia tinha oito anos, eu e ela est\u00e1vamos tomando ch\u00e1 com a minha Tia B\u00e1rbara. Minha tia me disse que uma mulher negra, Helen Bell, que tinha ajudado a cuidar de mim nos meus primeiros quatro anos de vida era a cantora principal na igreja gospel. Todos os domingos ela dan\u00e7ava pela igreja liderando a sua congrega\u00e7\u00e3o. Ela amava m\u00fasica gospel e deve ter dan\u00e7ado segurando o beb\u00ea Helen (eu) em seus bra\u00e7os. Assim, apesar de n\u00e3o saber que Helen Bell ia para a igreja ou dan\u00e7ava, meu corpo tinha guardado as mem\u00f3rias da experi\u00eancia. Segurar o meu beb\u00ea liberou mem\u00f3rias da minha pr\u00f3pria inf\u00e2ncia, e at\u00e9 saber disso pela minha Tia B\u00e1rbara, eu n\u00e3o sabia que eu tinha tido esta experi\u00eancia.<\/p>\n<p>Estas primeiras experi\u00eancias de v\u00ednculo s\u00e3o guardadas em nosso c\u00e9rebro l\u00edmbico como um prot\u00f3tipo para relacionamentos (113-114).\u201d<\/p>\n<p>N\u00e3o somos capazes de recuperar essas mem\u00f3rias por nosso m\u00e9todo usual de lembrar visual ou verbalmente. Elas est\u00e3o guardadas como impress\u00f5es som\u00e1ticas referentes a certos relacionamentos. Um certo comportamento surgiu, &#8211; dan\u00e7ar ao som da m\u00fasica gospel, desencadeado pelo nascimento da minha filha. Dan\u00e7ar \u00e9 um comportamento somato-sensorial que espelha uma experi\u00eancia da minha inf\u00e2ncia da qual eu n\u00e3o tinha mem\u00f3ria consciente.<\/p>\n<p>Assim, isso explica a mem\u00f3ria impl\u00edcita, mas eu estou discutindo algo que vai al\u00e9m da mem\u00f3ria. Eu estou falando da comunica\u00e7\u00e3o entre duas mentes, uma sintonia emp\u00e1tica. Aqui vai um outro exemplo, direto do colch\u00e3o bioenerg\u00e9tico. No almo\u00e7o, um dia destes, eu estava discutindo com um colega, Tom, a import\u00e2ncia de entender a diferen\u00e7a entre colocar a m\u00e3o sob ou em cima da m\u00e3o ou p\u00e9 de um cliente. Ele descreveu uma situa\u00e7\u00e3o enquanto estava trabalhando com um homem no colch\u00e3o. O homem tinha colocado a sua m\u00e3o no peito e Tom colocou a sua sobre a m\u00e3o do cliente. Tom ent\u00e3o sentiu que ele precisava colocar sua m\u00e3o no peito do homem e fazer com que o homem colocasse a m\u00e3o dele em cima da de Tom. N\u00f3s discutimos as diferen\u00e7as entre as duas interven\u00e7\u00f5es: dar suporte x estar preso, estar seguro x ser segurado, mas o importante aqui \u00e9 que a mente\/corpo de Tom sabia qual era a coisa certa a fazer.<\/p>\n<p>Quando o terapeuta est\u00e1 ressonante com seu cliente, ent\u00e3o ele pode apresentar material que estimula ou conforta. Ao medir a quantidade de material apresentado, o terapeuta evita que o cliente seja sobrecarregado, desregulado ou, pior, re-traumatizado. Um terapeuta emp\u00e1tico n\u00e3o estimula de menos (muito retirado, neutro, n\u00e3o est\u00e1 l\u00e1), nem demais (n\u00e3o modula o material), para evitar que o cliente seja inundado &#8211; desassociando ou cindindo. Quando nossos clientes est\u00e3o sobrecarregados e muito estimulados, precisamos acalmar e conter a nossa pr\u00f3pria energia. O terapeuta precisa estar em sintonia de modo que o material esteja dentro da janela terap\u00eautica, possibilitando sua passagem atrav\u00e9s do t\u00e1lamo para o c\u00f3rtex cerebral.<\/p>\n<p>Nossas interven\u00e7\u00f5es corporais devem tornar-se um convite para que o cliente explore somaticamente (sensa\u00e7\u00e3o) sentimentos, significados, representa\u00e7\u00f5es imag\u00e9ticas e representa\u00e7\u00f5es de objetos internos. N\u00f3s, ent\u00e3o, nos tornamos o outro &#8211; afinado e emp\u00e1tico, que oreflete, e que, esperamos, viver\u00e1 dentro do corpo\/mente do nosso cliente e lhes dar\u00e1 apoio em ser quem eles s\u00e3o: a crian\u00e7a pequena que \u00e9 vulner\u00e1vel, carente, tem medo, afetuosa, dura, raivosa, que tem ressentimento, que \u00e9 v\u00edtima e que deseja ser salva.<\/p>\n<p>Um dos importantes aspectos de ensinar an\u00e1lise de car\u00e1ter \u00e9 treinar terapeutas bioenerg\u00e9ticos neste tipo de empatia do corpo. A leitura do corpo deve levar a uma maior compreens\u00e3o das quest\u00f5es do cliente, n\u00e3o somente intelectualmente, mas para acionar uma resposta emp\u00e1tica e fazer um ajuste em nossos pr\u00f3prios corpos. As pesquisas neuro-biol\u00f3gicas, os jornais psicanal\u00edticos, os artigos sobre terapia emocionalmente focada, todos est\u00e3o falando sobre a import\u00e2ncia da sintonia som\u00e1tica para processar material emocionalmente carregado. Ainda assim, em nenhuma dessas literaturas \u00e9 mencionada a palavra Bioenerg\u00e9tica ou h\u00e1 refer\u00eancia ao nosso arsenal de t\u00e9cnicas e interven\u00e7\u00f5es. Podemos balancear e modular de uma maneira que outros terapeutas, de abordagem cognitiva e anal\u00edtica, n\u00e3o est\u00e3o aptos a fazer. Nossos conhecimentos da respira\u00e7\u00e3o, de \u201cgrounding\u201d , das maneiras de formar fronteiras som\u00e1ticas e energ\u00e9ticas e nosso conhecimento da contin\u00eancia afetiva permitem que sejamos sens\u00edveis \u00e1 inunda\u00e7\u00e3o emocional. Quando eu tenho clientes que est\u00e3o sobrecarregados ou sofrendo de doen\u00e7as cr\u00f4nicas resultantes de um sistema imunol\u00f3gico demasiado reativo, como fibromialgia ou fadiga cr\u00f4nica, meu contato f\u00edsico \u00e9 diferente daquele de quando eu estou tentando abrir um bloqueio. Embora nos dois casos meu toque seja firme, no caso clientes altamente ativados , eu tento manter um estado de tranq\u00fcilidade enraizada. Eu fa\u00e7o contato lenta e gentilmente, esperando at\u00e9 que minha m\u00e3o sinta sua pulsa\u00e7\u00e3o. \u00c8 diferente quando estou lidando com um bloqueio. A\u00ed eu enra\u00edzo, aprofundando minha pr\u00f3pria pr\u00f3pria respira\u00e7\u00e3o e permitindo que minha carga se acumule. Eu entro em contato com a parte do corpo que precisa de libera\u00e7\u00e3o, esperando que o bloqueio suavize, me convidando t\u00e3o profundamente quanto o meu corpo permitir. Nada disso \u00e9 novo para voc\u00eas. Aprendemos tipos diferentes de toque e de contato no primeiro ano de treinamento.<\/p>\n<p>Recentemente eu sofri com uma crise dolorosa de ci\u00e1tica. Quando os nervos das minhas costas estavam inflamados, eu dolorosamente experimentei o fato de qu\u00e3o poucas pessoas que trabalham com corpo t\u00eam consci\u00eancia de um contato afinado. Antes dessa crise de ci\u00e1tica, eu pedia \u00e1s pessoas para ficar em p\u00e9 sobre as minhas costas &#8211; inclusive Jim Miller (e seus 150 kg). Quando os nervos da minha espinha ficaram inflamados, eu precisava de um toque gentil. Eu n\u00e3o encontrei um terapeuta de massagens que entendesse como me tocar sem colocar carga no meu corpo.<\/p>\n<p>Duas vezes ao ano, encontro-me com um grupo de terapeutas para trabalharmos em n\u00f3s mesmos. Antes da nossa reuni\u00e3o, eu tinha a fantasia de ser abra\u00e7ada suavemente. Sem que eu precisasse pedir, Virginia Hilton se ofereceu para me abra\u00e7ar. O seu toque foi sens\u00edvel e presente, mas n\u00e3o de ativa\u00e7\u00e3o, invas\u00e3o ou exigente. Analistas de Bioenerg\u00e9tica tem essas habilidades e ningu\u00e9m sabe. Existem poucos livros escritos e, at\u00e9 recentemente, poucas pesquisas. Que pena.<\/p>\n<p>Finalmente, uma outra mudan\u00e7a precisa ocorrer na pr\u00e1tica da an\u00e1lise Bioenerg\u00e9tica. Como mencionei antes, o conceito tem sido de que o corpo \u00e9 o acesso ao inconsciente. Ao permitir que os clientes estejam conscientes dos seus padr\u00f5es de conten\u00e7\u00e3o som\u00e1ticos, a energia fluir\u00e1 livremente atrav\u00e9s do corpo em uma onda harm\u00f4nica. Este tem sido o pensamento de todas as terapias som\u00e1ticas at\u00e9 agora. Como eu mencionei antes, \u00e9 uma teoria n\u00e3o relacional. As pesquisas t\u00eam mostrado h\u00e1 v\u00e1rios anos que nem o insight, nem interven\u00e7\u00f5es no corpo s\u00e3o o que os clientes reportam como cura. Eu acho que as interven\u00e7\u00f5es no corpo s\u00e3o necess\u00e1rias, mas n\u00e3o suficientes para curar. N\u00e3o estou dizendo que as nossas interven\u00e7\u00f5es som\u00e1ticas devem ser descartadas. Muito pelo contr\u00e1rio. Elas devem ocorrer, mas no contexto de um relacionamento emp\u00e1tico e em sintonia. Isto significa que o terapeuta n\u00e3o deve mais estar separado do cliente, mas que deve, agora, entrar no consult\u00f3rio como um ser humano.<\/p>\n<p>Por exemplo, vamos tratar do assunto da raiva. Quando os clientes batem no cubo, este \u00e9 um meio deles reconhecerem os padr\u00f5es de raiva no seu corpo e de se identificar com as emo\u00e7\u00f5es e sensa\u00e7\u00f5es do corpo. O objetivo de bater n\u00e3o \u00e9 de \u201clivrar-se dos sentimentos\u201d como freq\u00fcentemente tem sido confundido pelos terapeutas; nem \u00e9 uma maneira de lidar com a resist\u00eancia na terapia. Bater no cubo \u00e9 tornar o cliente capaz de se conectar com o sentimento de raiva e com os m\u00fasculos usados para cont\u00ea-la ou express\u00e1-la.<\/p>\n<p>No entanto, quando magoamos um cliente e ele est\u00e1 com raiva de n\u00f3s, n\u00f3s n\u00e3o somente o direcionamos para bater no cubo. N\u00f3s somos aqueles que precisam dizer, \u201cEu sinto muito\u201d e devemos reparar o dano que causamos inadvertidamente ou necessariamente. Claro que n\u00e3o queremos magoar pessoas, mas n\u00f3s o fazemos. \u00c9 a repara\u00e7\u00e3o desses momentos de desencontro terap\u00eautico que leva \u00e1 cura. As rupturas e repara\u00e7\u00f5es fazem parte do processo de terapia. Uma an\u00e1lise de car\u00e1ter, uma verdadeira terapia relacional reconhece que o terapeuta deve estar presente para todos os sentimentos do cliente \u2013 amor, raiva, \u00f3dio, sexualidade, resist\u00eancia. Bater \u00e9 importante para que o cliente reconhe\u00e7a a raiva, a conten\u00e7\u00e3o nas costas e bra\u00e7os. Mas, um cubo n\u00e3o pode dizer \u201ceu sinto muito.\u201d N\u00f3s sim, precisamos dizer \u201cEu sinto muito.\u201d<\/p>\n<p>Eu vou dar um exemplo da minha pr\u00f3pria pr\u00e1tica. Uma mulher a quem eu estava tratando h\u00e1 v\u00e1rios anos entrou no meu consult\u00f3rio quase chorando. Ela \u00e9 uma psicoterapeuta sofisticada, tem boas habilidades anal\u00edticas &#8211; que ela usa defensivamente para esconder a sua dor e vulnerabilidade. Apesar de n\u00e3o estar me acusando diretamente, ela estava me dizendo que eu n\u00e3o me havia detido em seus problemas de vulnerabilidade. Ela continuou dizendo que na noite anterior, enquanto estava falando com sua parceira, ela ficara t\u00e3o frustrada que a sua tentativa de empurrar o gato para fora da cama tornou-se um chute. Apesar de ficar surpresa e chocada com a sua agress\u00e3o, a cliente ficou ainda mais ressentida porque sua parceira n\u00e3o ficou interessada em seus sentimentos e queria, em vez disso, processar o seu choque pela agress\u00e3o f\u00edsica usada contra o gato. Ela ent\u00e3o me contou sobre todas as maneiras pelas quais n\u00e3o podia ser confortada, n\u00e3o acreditava na empatia das pessoas. Ela continuou dizendo que em nossa terapia ela tinha evitado esses sentimentos dolorosos que a tornavam vulner\u00e1vel analisando outras pessoas. A\u00ed, ent\u00e3o, tive a fantasia de oferecer minha m\u00e3o para que ela segurasse, o que eu estava consciente de que ela provavelmente rejeitaria. No entanto, eu senti que era importante oferecer. Como eu esperava, ela me disse que n\u00e3o era o bastante. Ela ent\u00e3o perguntou por que ela se sentia mal e n\u00e3o podia aceitar minha oferta. Mais uma vez ela estava evitando sentimentos dif\u00edceis ao analisar suas necessidades e motivos. Apesar de no passado eu ter sido conivente com ela evitando esses assuntos, dessa vez eu respondi, \u201cEu sinto muito por interromper o que voc\u00ea est\u00e1 expressando oferecendo a minha m\u00e3o. Eu tamb\u00e9m sinto muito pelo passado quando eu explorei a sua necessidade de perguntar por que. Mas, dessa vez, eu n\u00e3o me importo por que. Eu apenas quero estar aqui com voc\u00ea. Eu nem me importo se estou fazendo certo ou n\u00e3o, eu apenas quero estar aqui com voc\u00ea.\u201d Ela come\u00e7ou a chorar e, ent\u00e3o, come\u00e7ou a analisar as sensa\u00e7\u00f5es do seu corpo, o porqu\u00ea da sua parceira n\u00e3o poder lhe dar essa resposta. Eu interrompi o que ela estava dizendo e disse apenas, \u201cEu sinto muito t\u00ea-la deixado evitar esses sentimentos no passado, mas eu estou com voc\u00ea aqui agora.\u201d Ela come\u00e7ou a solu\u00e7ar profundamente. Eu senti que eu estava dizendo \u201cEu sinto muito\u201d pelas oportunidades perdidas de confort\u00e1-la e por todas as pessoas que n\u00e3o a tinham confortado. Era mais importante reparar aqueles momentos perdidos do que fazer a \u201cinterven\u00e7\u00e3o som\u00e1tica correta. \u201c<\/p>\n<p>Agora, eu vou falar do futuro perguntando: Qual \u00e9 nossa posi\u00e7\u00e3o na comunidade terap\u00eautica neste momento e o que \u00e9 poss\u00edvel para n\u00f3s? Antes de tudo, voc\u00ea sabe o que \u00e9 considerado o que h\u00e1 de mais novo na pr\u00e1tica psicoter\u00e1pica hoje em dia? Terapia comportamental cognitiva. Por que? Porque eles t\u00eam pesquisas validando a efic\u00e1cia do seu m\u00e9todo. Investigadores da Universidade Northern Iowa entrevistaram 425 psic\u00f3logos cl\u00ednicos e 254 deles disseram que tinham tido depress\u00e3o. Apesar de 53% dos terapeutas deprimidos disseram ter usado primariamente m\u00e9todos comportamental-cognitivos nas suas pr\u00e1ticas, 40% deles escolheram terapia psicodin\u00e2mica para o seu pr\u00f3prio tratamento. A segunda modalidade mais popular que eles procuraram foi Gestalt (19%). Somente 12% procuraram terapia comportamental cognitiva. Assim, apesar das companhias de seguro nos Estados Unidos pagarem por interven\u00e7\u00f5es comportamentais cognitivas, essa n\u00e3o \u00e9 a modalidade que os cl\u00ednicos est\u00e3o escolhendo para si mesmos quando precisam de ajuda.<\/p>\n<p>Por que n\u00e3o est\u00e3o escolhendo Bioenerg\u00e9tica? A Bioenerg\u00e9tica nem mesmo \u00e9 mencionada como uma poss\u00edvel escolha de interven\u00e7\u00e3o. Como a psican\u00e1lise e a terapia comportamental cognitiva, precisamos desenvolver uma tradi\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria, discorrendo sobre as interven\u00e7\u00f5es que s\u00e3o espec\u00edficas da an\u00e1lise bioenerg\u00e9tica. Precisamos nos concentrar naquelas interven\u00e7\u00f5es que curam e tentar localizar os ingredientes, tanto ativos quanto passivos, que contribuem para a mudan\u00e7a terap\u00eautica. Eu gostaria que voc\u00eas considerassem, por um momento, o que foi dito durante uma discuss\u00e3o em um painel na reuni\u00e3o em 2002 da sociedade psicanal\u00edtica. Presentes ao painel estavam alguns dos analistas mais conhecidos do nosso tempo. Douglas Kirsner come\u00e7ou com uma vis\u00e3o altamente cr\u00edtica das \u00abpretens\u00f5es n\u00e3o justificadas ao conhecimento\u00bb feitas pelos analistas, na aus\u00eancia de base cient\u00edfica. Otto Kernberg clamou pelo desenvolvimento de padr\u00f5es claros de treinamento. Ele chamou de \u201ctarefa essencial\u201d a necessidade de desenvolver habilidades de pesquisa como parte do treinamento. Robert Wallerstein discutiu a estrutura organizacional de institutos e seus curr\u00edculos. Sentindo que os psicanalistas devem \u201caproveitar\u201d desenvolvimentos em \u00e1reas correlatas, como as ci\u00eancias cognitivas, ele deu apoio \u00e1 entrada dos institutos no mundo acad\u00eamico \u201ca fim de sobreviver\u201d.<\/p>\n<p>N\u00f3s, analistas bioenerg\u00e9ticos tamb\u00e9m nos defrontamos com o conhecimento de que, se queremos nos tornar membros da comunidade terap\u00eautica mais abrangente, ent\u00e3o precisamos incrementar nossas pesquisas e teorias com o que \u00e9 considerado o mais atual da pr\u00e1tica de hoje. Ao fazer isso &#8211; perderemos o que \u00e9 essencial para a pr\u00e1tica da Bioenerg\u00e9tica? Ou, ao juntarmo-nos \u00e1 comunidade mais ampla, estaremos incorporando t\u00e9cnicas terap\u00eauticas efetivas, melhorando nossa base de conhecimentos e nos tornando uma grande for\u00e7a nessa comunidade? Se n\u00e3o nos juntarmos, receio que corremos o perigo de nos tornarmos uma comunidade terap\u00eautica esot\u00e9rica que se dissolve nas brumas de Avalon e cavaleiros da T\u00e1vola redonda do Rei Arthur &#8211; uma mem\u00f3ria idealizada na mente de uns poucos.<\/p>\n<p>Essa \u00e9poca \u00e9 especialmente afortunada para as psicoterapias som\u00e1ticas. Sabemos agora que o trauma est\u00e1 guardado no corpo. O trauma do desenvolvimento est\u00e1 guardado no corpo. Na verdade, todas as \u00faltimas pesquisas apontam para uma psicoterapia do corpo. Schore prop\u00f5e que os \u201cestados mentais primitivos\u201d sejam mais precisamente caracterizados como \u201cestados psicobiol\u00f3gicos\u201d. O campo da psicoterapia est\u00e1 reconhecendo que o foco da terapia precisa ir al\u00e9m das cogni\u00e7\u00f5es, imagens e sonhos para incluir estados som\u00e1ticos n\u00e3o verbais. Os analistas Bioenerg\u00e9ticos est\u00e3o em sintonia com esses estados e profundas experi\u00eancias som\u00e1ticas. O tempo \u00e9 agora, para nos juntarmos a outros terapeutas anal\u00edticos e de trauma, n\u00e3o somente para aprender o que eles t\u00eam a oferecer mas tamb\u00e9m para informar e ensin\u00e1-los o que sabemos sobre como regular os estados som\u00e1ticos. Dever\u00edamos estar escrevendo artigos para jornais como The USA Body Psychotherapy Journal ,como tamb\u00e9m para outras revistas acad\u00eamicos e psicanal\u00edticos tradicionais. Precisamos estar ensinando em campi acad\u00eamicos e dando suporte a estudantes que est\u00e3o fazendo pesquisas. \u00c9 imperativo nos juntarmos e darmos suporte a outras organiza\u00e7\u00f5es de terapia &#8211; tanto onde vivemos, quanto na comunidade psicoterap\u00eautica mais ampla. Podemos ser informativos e at\u00e9 mesmo ensin\u00e1-los algumas coisas compartilhando nossas id\u00e9ias, dando-lhes a conhecer que temos interven\u00e7\u00f5es e teorias que podem ser de grande ajuda e que s\u00e3o consistentes com a maneira como eles est\u00e3o fazendo terapia. Lowen foi a nossa voz, escrevendo livros e demonstrando a pr\u00e1tica da Bioenerg\u00e9tica em grandes confer\u00eancias. Ele se aposentou e agora precisamos dar um passo a frente e tomar o seu lugar. Temos muito a oferecer \u00e1 comunidade psicoterap\u00eautica, e o tempo \u00e9 agora.<\/p>\n<p>REFER\u00caNCIAS<\/p>\n<p>Aron, L., Kernberg O., Kirsner, D., Wallerstein, R. (2002) \u201cThe Future of<\/p>\n<p>Psychoanalytic Institutes: A Dialogue\u201d Psychologist-<\/p>\n<p>Psychoanalyst p.32<\/p>\n<p>Hillenbrand, Laura. (2002) Seabuiscuit: An American Legend. New York:<\/p>\n<p>The Ballantine Publishing Group<\/p>\n<p>Keleman, S. (1985) Emotional Anatomy. 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The Clinical Journal of the International Institute for Bioenergetic Analysis, Vol 11 (1).<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bioenerg\u00e9tica: passado, presente e futuro Helen Resneck-Sannes V\u00e1rias pessoas me ajudaram com essa palestra e eu quero reconhec\u00ea-las. 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