{"id":158,"date":"2013-06-11T03:51:00","date_gmt":"2013-06-11T03:51:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.analisebioenergetica.com\/site\/?p=158"},"modified":"2013-06-11T03:51:00","modified_gmt":"2013-06-11T03:51:00","slug":"analise-bioenergetica-um-panorama-atual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/analise-bioenergetica-um-panorama-atual\/","title":{"rendered":"An\u00e1lise Bioenerg\u00e9tica &#8211; Um Panorama Atual"},"content":{"rendered":"<div id=\"fb-root\"><\/div>\n<p>    <b>An\u00e1lise Bioenerg\u00e9tica &#8211; Um Panorama Atual<\/b><\/p>\n<div><b><br \/>    Odila Weigand &#8211; Trainer Internacional de An\u00e1lise Bioenerg\u00e9tica<\/b><\/div>\n<div><b><br \/><\/b><br \/>Abstract<br \/>Momentos de transi\u00e7\u00e3o propiciam novas aberturas. No momento que Alexander Lowen se aposenta da dire\u00e7\u00e3o do Instituto Internacional de An\u00e1lise Bioenerg\u00e9tica, \u00e9 oportuno discutir alguns aspectos da teoria e da pr\u00e1tica cl\u00ednica que refletiu por 45 anos a personalidade do seu criador. Tr\u00eas aspectos do processo terap\u00eautico s\u00e3o abordados, \u00e0 luz da Teoria do Conflito e da Teoria da Falta: Constru\u00e7\u00e3o de Estrutura, Dissolu\u00e7\u00e3o de Resist\u00eancias Caracterol\u00f3gicas e Resolu\u00e7\u00e3o de Conflitos.Apresenta\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>BIOENERG\u00c9TICA &#8211; UM PANORAMA ATUAL<\/p>\n<p>Introdu\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Escolhi falar do Panorama Atual da Bioenerg\u00e9tica porque Alexander Lowen e a An\u00e1lise Bioenerg\u00e9tica tem sido como que indissoci\u00e1veis na mente das pessoas. Como alguns de voc\u00eas j\u00e1 sabem, Alexander Lowen se retirou em 1996 da dire\u00e7\u00e3o do Instituto Internacional e a An\u00e1lise Bioenerg\u00e9tica continua seu caminho, n\u00e3o sem ele, porque est\u00e1 vivo e continua praticando a psicoterapia. Mas j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 mais \u00e0 testa da institui\u00e7\u00e3o, delineando caminhos para a teoria e a pr\u00e1tica da psicoterapia.<\/p>\n<p>Isto \u00e9 um fato hist\u00f3rico. A Bioenerg\u00e9tica est\u00e1 num momento de transi\u00e7\u00e3o. Com a sa\u00edda de Lowen da dire\u00e7\u00e3o da Institui\u00e7\u00e3o, depois de 40 anos, quem foi escolhido pelos membros do Instituto para dirigir o Instituto? Uma mulher, que mora na California, e se chama Virg\u00ednia Wink Hilton. Como dizia Reich, as coisas acontecem num movimento de Tese e Ant\u00edtese para chegar a uma S\u00edntese. Se assim for, estamos no movimento da Ant\u00edtese, e espero que, conscientes disso, vamos saber evitar os extremos. Mas \u00e9 significativo que depois de seguir um pai por tantos anos, tenhamos buscado uma m\u00e3e.<\/p>\n<p>Lowen tem sido uma personalidade forte e autorit\u00e1ria, e essa marca se imprimiu em sua institui\u00e7\u00e3o, conduzida sob a \u00e9gide patriarcal. Ele por\u00e9m desenvolveu a qualidade rara, pr\u00f3pria de quem adquiriu sabedoria, de se olhar \u00e0 luz de seus pr\u00f3prios conhecimentos. E foi capaz de ver a estrutura hier\u00e1rquica narc\u00edsica que usualmente se forma em qualquer institui\u00e7\u00e3o, sobretudo quando existe um l\u00edder carism\u00e1tico.<\/p>\n<p>\u00c9 curioso como a hist\u00f3ria se repete, mas, com um bom grounding, vemos como \u00e9 poss\u00edvel chegar a um final diferente. O pr\u00f3prio Lowen em entrevista a Ron Robbins conta uma passagem de sua rela\u00e7\u00e3o com Reich e a estrutura hier\u00e1rquica que se formara em torno de Reich. Foi quando Lowen voltou da Sui\u00e7a, terminado o curso de medicina, e queria come\u00e7ar a praticar nos Estados Unidos. O ano era 1951. Diz ele:<\/p>\n<p>\u201cReich estava no topo da estrutura, como um Deus. Os terapeutas reichianos, na estrutura, eram como anjos e arcanjos. Aqueles que acreditavam em Reich e na terapia seriam salvos e o resto do mundo seria amaldi\u00e7oado. Era como eu o via. Se de fato era assim ou n\u00e3o, era como eu o via\u201d. &#8230; \u201cOs seguidores de Reich tinham desenvolvido uma devo\u00e7\u00e3o quase fan\u00e1tica por ele e seu trabalho. Era considerado presun\u00e7oso, se n\u00e3o her\u00e9tico, questionar qualquer de suas declara\u00e7\u00f5es ou modificar seus conceitos \u00e0 luz da experi\u00eancia pr\u00f3pria de algu\u00e9m.\u201d Lowen via seus colegas como \u201cmuito dogm\u00e1ticos\u201d. \u201cEles simplesmente citavam declara\u00e7\u00f5es de Reich, ningu\u00e9m oferecia qualquer compreens\u00e3o independente e quando eu o fiz, foi rejeitada.\u201d<\/p>\n<p>Mais de 30 anos depois, Lowen se encontra numa posi\u00e7\u00e3o semelhante \u00e0 ocupada por Reich. Ele tamb\u00e9m foi muito citado e alguns seguidores tiveram tend\u00eancia a dogmatizar alguns conceitos. Teorias s\u00e3o boas enquanto n\u00e3o se tornam doutrinas.<\/p>\n<p>Finalmente, ap\u00f3s v\u00e1rios anos de prepara\u00e7\u00e3o para essa transi\u00e7\u00e3o, Lowen decide se aposentar, o que nos possibilita examinar sua obra com um certo distanciamento. Fica livre o caminho tamb\u00e9m para a abertura para outras \u00e1reas do conhecimento, para o surgimento de formas novas e criativas de utilizarmos suas descobertas.<\/p>\n<p>Quem j\u00e1 n\u00e3o leu alguma coisa de Lowen, seja concordando ou mesmo discordando? Ele criou teorias, abordagens inovadoras para trabalhar o corpo, ensinou e formou centenas de terapeutas que trabalham na Europa, Estados Unidos, Canad\u00e1, Am\u00e9rica do Sul, Israel. Sua Escola, como entidade formadora de profissionais, tem mais de 40 anos. Teve contato e exerceu influ\u00eancia em muitos terapeutas que se tornaram por sua vez criadores de outras escolas. De sua associa\u00e7\u00e3o com John Pierrakos, nasceram os princ\u00edpios b\u00e1sicos da An\u00e1lise Bioenerg\u00e9tica. Depois John Pierrakos seguiu seu pr\u00f3prio caminho pesquisando a aura e os chakras. Pierrakos tamb\u00e9m criou sua escola, em que combina os princ\u00edpios da Bioenerg\u00e9tica, An\u00e1lise do Car\u00e1ter, An\u00e1lise da Resist\u00eancia, com uma abordagem espiritual que ele assimilou de sua esposa Eva.<\/p>\n<p>Contribui\u00e7\u00f5es de Lowen<\/p>\n<p>O que todos eles guardaram do que aprenderam com Lowen? Eu diria que o principal elemento, \u00e9 o GROUNDING. O m\u00e9rito da descoberta de Lowen e Pierrakos foi compreender que, diferente do procedimento de Reich de desbloquear an\u00e9is come\u00e7ando pelo ocular e terminando pelo p\u00e9lvico, deveriam come\u00e7ar a desbloquear as pernas para que pudessem receber toda a energia de cima que se liberava e logo, gradualmente, subir atrav\u00e9s de cada segmento. Liberar as pernas para o fluxo energ\u00e9tico n\u00e3o \u00e9 igual a desbloquear a coura\u00e7a p\u00e9lvica. Ao liberar as pernas, estamos fortalecendo o ego.<\/p>\n<p>Grounding \u00e9 enraizar-se no planeta, contato com a realidade que nos torna a todos humanos, semelhantes, emocionais, capazes de amar e sentir dor, compaix\u00e3o, alegria, prazer. \u00c9 a realidade dos sentimentos, vivida no nosso corpo vivo e vibrante, n\u00e3o apenas como experi\u00eancias mentais. Lowen nos legou a compreens\u00e3o de que \u00e9 poss\u00edvel desenvolver no corpo, atrav\u00e9s de exerc\u00edcios, a capacidade de vibrar e com isso ir dissolvendo rigidez ao mesmo tempo que criando condi\u00e7\u00f5es para o tecido tolerar uma maior carga energ\u00e9tica. Ao tolerar mais carga energ\u00e9tica em movimento, nos tornamos capazes de sentir nossas emo\u00e7\u00f5es. N\u00f3s vamos v\u00ea-lo logo mais num trecho de um v\u00eddeo trabalhando com uma cliente.<\/p>\n<p>Exerc\u00edcios: Vou convidar voc\u00eas agora a \u201cacordar\u201d com alguns movimentos simples e tranquilos que nos ajudem a sentir nosso corpo e nosso grounding. Vamos levantar?<\/p>\n<p>Id\u00e9ias Principais<\/p>\n<p>Quais seriam ent\u00e3o as tend\u00eancias que constituem o Panorama Atual da An\u00e1lise Bioenerg\u00e9tica?<\/p>\n<p>&#8211; Avalia\u00e7\u00e3o cr\u00edtica dos conceitos te\u00f3ricos e da pr\u00e1tica cl\u00ednica, buscando discriminar o que \u00e9 realmente \u00fatil para aquele cliente em particular . Separar o joio do trigo. Desmitificar a teoria, separ\u00e1-la do mito-pessoa.<\/p>\n<p>&#8211; Desenvolver pesquisas para validar a efic\u00e1cia das diferentes interven\u00e7\u00f5es psicoter\u00e1picas<\/p>\n<p>&#8211; Constru\u00e7\u00e3o de estrutura, dissolu\u00e7\u00e3o de resist\u00eancias caracterol\u00f3gicas e resolu\u00e7\u00e3o de conflitos. O que nos remete a uma pr\u00e1tica que integra as Teorias do Conflito e da Falta (falta das experi\u00eancias essenciais que constituem um ego saud\u00e1vel). Este vai ser o tema desta palestra.<\/p>\n<p>&#8211; Busca de abordagens adequadas para o tratamento de pacientes borderline, tanto da estrutura de car\u00e1ter borderline quanto dos estados de perda de limites que aparecem em estruturas r\u00edgidas quando se desmancham coura\u00e7as e se perdem referenciais externos organizadores do senso de identidade.<\/p>\n<p>&#8211; Multidisciplinaridade e deselitiza\u00e7\u00e3o da terapia<\/p>\n<p>Eu espero que ao final desta fala alguma coisa seja esclarecida, ou, caso contr\u00e1rio, suscite perguntas que eu possa responder aqui ou depois se forem mais espec\u00edficas. Deixo este convite a quem estiver interessado, que me procure depois, ou escreva, ou telefone, ou mande um e-mail.<\/p>\n<p>Desmitificar<\/p>\n<p>Vamos falar um pouco do mito. De todos os livros de Lowen, que abordaram m\u00e9todos terap\u00eauticos para diferentes tipos de car\u00e1ter, eu pessoalmente acho que o mais importante \u00e9 o livro Narcisismo &#8211; Nega\u00e7\u00e3o do Verdadeiro Self. Acho que \u00e9 tamb\u00e9m o mais auto biogr\u00e1fico. Ali o autor aprofundou-se em si mesmo, exp\u00f4s uma din\u00e2mica muito \u00fatil para compreendermos muita coisa da neurose que permeia nossa cultura. E exatamente por estar t\u00e3o em contato com a verdade, ele tamb\u00e9m n\u00e3o ficou imune ao mal que acomete quem descobre uma parcela da verdade: GENERALIZAR. Estas generaliza\u00e7\u00f5es criaram algumas confus\u00f5es te\u00f3ricas, com reflexos na pr\u00e1tica, como veremos mais adiante. Muitos terapeutas menos avisados por vezes praticam a bioenerg\u00e9tica duma forma que pode ser \u201cdemais\u201d para alguns pacientes. Outros terapeutas se deram conta de que por vezes se criava uma falta de sintonia com o paciente, e se afastaram. Outros ainda, permaneceram e desenvolveram seu trabalho dentro da linha da An\u00e1lise Bioenerg\u00e9tica, buscando descobrir aquilo que ela tem de realmente \u00fatil para aquele cliente espec\u00edfico, e integrar a compreens\u00e3o da personalidade mais as t\u00e9cnicas bioenerg\u00e9ticas, com os conhecimentos advindos de outras correntes da psicologia. Buscando outras fontes de conhecimento que complementem nossa vis\u00e3o.<\/p>\n<p>Vamos falar agora daquilo que aparentemente \u00e9 uma controv\u00e9rsia, a Teoria do Conflito baseada na Teoria das Puls\u00f5es de Freud e a Teoria da Falta, baseada em Melanie Klein e seus seguidores.<\/p>\n<p>Fun\u00e7\u00e3o do Orgasmo e Pot\u00eancia Org\u00e1stica<\/p>\n<p>Mas antes de prosseguir no nosso tema: Constru\u00e7\u00e3o de Estrutura, Dissolu\u00e7\u00e3o de Resist\u00eancias Caracterol\u00f3gicas e Resolu\u00e7\u00e3o de Conflitos, gostaria de retomar os conceitos de Fun\u00e7\u00e3o do Orgasmo e Pot\u00eancia Org\u00e1stica.<\/p>\n<p>Ao me perguntar se a Fun\u00e7\u00e3o do Orgasmo ainda \u00e9 um modelo v\u00e1lido de crescimento, a resposta a que cheguei foi SIM. Na medida em que a considerarmos como uma f\u00f3rmula da auto regula\u00e7\u00e0o. A Fun\u00e7\u00e3o do Orgasmo, longe de ser um tema esgotado, nos abre possibilidades de explorarmos diferentes experi\u00eancias org\u00e1sticas: onde quer que haja fus\u00e3o, expans\u00e3o, sexualidade, amor, prazer, nutri\u00e7\u00e3o emocional, podemos chamar de experi\u00eancia org\u00e1stica, ainda que n\u00e3o haja uma express\u00e3o atrav\u00e9s do contato genital. Assim, se pensarmos em Reich, eu diria que sua descoberta da Fun\u00e7\u00e3o do Orgasmo como modelo da Auto Regula\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria Vida, foi um acerto. No entanto as infer\u00eancias quanto \u00e0 pot\u00eancia org\u00e1stica s\u00e3o de utilidade limitada, na minha opini\u00e3o, quando pensamos em tratar os males mais comuns e frequentes das pessoas que nos procuram.<\/p>\n<p>No entanto acredito que o conceito de Pot\u00eancia Org\u00e1stica como medida da sa\u00fade f\u00edsica e mental influenciou durante muitos anos o desenvolvimento da teoria e da pr\u00e1tica da An\u00e1lise Bioenerg\u00e9tica. Foi recentemente, em 1992, que Lowen abriu m\u00e3o oficialmente deste conceito e colocou que o objetivo da terapia bioenerg\u00e9tica passava a ser, para ele, auto percep\u00e7\u00e3o, auto express\u00e3o e auto possess\u00e3o, ou seja, conhecer-se, expressar sua verdade e ser dono de si mesmo. Passou a colocar o ego saud\u00e1vel como o objetivo principal da terapia, e a manifesta\u00e7\u00e3o da sexualidade como uma das formas de express\u00e3o desse ego saud\u00e1vel.<\/p>\n<p>O Caminho de Lowen<\/p>\n<p>Vamos lembrar um pouco mais da hist\u00f3ria pessoal de Lowen, para nos ajudar a entender o seu caminho e a evolu\u00e7\u00e3o da An\u00e1lise Bioenerg\u00e9tica ao longo destes 45 anos.<\/p>\n<p>Conforme o descreve Ron Robbins em seu livro O Tao da Transforma\u00e7\u00e3o, Lowen \u00e9 um Realizador, que \u00e9 a caracter\u00edstica dos car\u00e1teres r\u00edgidos.<\/p>\n<p>Formou-se em direito, mas era a \u00e9poca da depress\u00e3o econ\u00f4mica nos Estados Unidos &#8211; 1934, n\u00e3o havia trabalho; ele continuou os estudos e recebeu o t\u00edtulo de doutor em jurisprud\u00eancia, magna cum laude. Como era dif\u00edcil arrumar trabalho, ele trabalhou como orientador de atletismo num acampamento de ver\u00e3o. Ali ele aprendeu que a atividade f\u00edsica melhorava a sa\u00fade mental. Fascinado porque havia constatado o fato mas lhe faltava uma teoria, continuou buscando saber mais at\u00e9 que assistiu uma palestra de Wilhelm Reich em 1940, um anos depois da chegada de Reich aos Estados Unidos. Vou citar Ron Robbins \u201cFrequentando as aulas de Reich, Lowen identificou-se com ele, tornando-se seu aluno com o objetivo de tornar-se terapeuta reichiano. Identificou-se fortemente com o Reich carism\u00e1tico.\u201d Vamos relembrar um exemplo curioso do manejo da transfer\u00eancia por Reich, que valorizou o aspecto positivo do tra\u00e7o de car\u00e1ter de Lowen. Quem nos conta \u00e9 o pr\u00f3prio Lowen. Um dia Reich lhe disse \u201cse voc\u00ea est\u00e1 realmente interessado nesse trabalho, s\u00f3 h\u00e1 uma forma, \u00e9 submetendo-se \u00e0 terapia\u201d. Lowen n\u00e3o achava que precisasse de terapia, considerava-se bem sucedido dentro dos limites da \u00e9poca e livre de conflitos. Ele foi sincero com Reich: \u201cEu estou interessado, mas o que eu quero \u00e9 tornar-me famoso\u201d. Reich levou a s\u00e9rio e respondeu \u201cEu farei voc\u00ea famoso\u201d. Isto soa grandioso? Narcisista? Bem, vamos continuar ouvindo Lowen: \u201cPassados os anos eu considerei a declara\u00e7\u00e3o de Reich como uma profecia. Era o empurr\u00e3o de que eu precisava para transpor minha resist\u00eancia e lan\u00e7ar- me ao trabalho de minha vida\u201d.<\/p>\n<p>A Teoria do Conflito e a Teoria da Falta<\/p>\n<p>A Dissolu\u00e7\u00e3o de Resist\u00eancias<\/p>\n<p>Foram anos e anos a trabalhar com pessoas, dar palestras e demonstra\u00e7\u00f5es, acrescentar descobertas pr\u00f3prias e aquelas que vieram de outros como Fritz Perls. Lowen utiliza m\u00e9todos da Gestalt e Perls fez terapia com Lowen por um tempo, sendo influenciado por ele. Ao lado da elabora\u00e7\u00e3o das t\u00e9cnicas corporais, a linha mestra da teoria da bioenerg\u00e9tica vai se desenvolvendo com base na psican\u00e1lise freudiana que adotava a Teoria das Puls\u00f5es como referencial. Durante muitos anos Lowen acreditou e ensinou que \u201cquest\u00f5es infantis (da fase pr\u00e9 edipiana) n\u00e3o podem ser resolvidas at\u00e9 que o conflito edipiano seja plenamente elaborado, compreendido e trabalhado\u201d. Isto significa que quest\u00f5es sexuais s\u00e3o a primeira preocupa\u00e7\u00e3o do terapeuta. Todos os problemas e dificuldades que o cliente apresenta s\u00e3o analisados como defesas e resist\u00eancias contra a sexualidade.<\/p>\n<p>Com essa posi\u00e7\u00e3o, colocava o foco do trabalho na Dissolu\u00e7\u00e3o de Resist\u00eancias.<\/p>\n<p>\u00c9 bastante conhecida a id\u00e9ia de que cada terapeuta se inclina para uma teoria, em geral motivado pelo seu pr\u00f3prio estilo de car\u00e1ter. Reich \u00e9 associado com os r\u00edgidos, mas tamb\u00e9m com o car\u00e1ter impulsivo, que ali\u00e1s foi o tema do seu primeiro texto. Lowen \u00e9 associado com o car\u00e1ter r\u00edgido e com a estrutura do f\u00e1lico narcisista, tanto que seu livro sobre o Narcisismo, acrescenta uma profunda contribui\u00e7\u00e3o para a nossa compreens\u00e3o anal\u00edtica . A quest\u00e3o b\u00e1sica do r\u00edgido \u00e9 a fase ed\u00edpica, com sua constela\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00e3o triangular, rivalidade, ci\u00fame, medo de castra\u00e7\u00e3o. A base para a compreens\u00e3o desta etapa do desenvolvimento infantil \u00e9 a teoria da puls\u00e3o de Freud e a id\u00e9ia do conflito est\u00e1 sempre presente. Foi um caminho natural para Lowen adotar essa corrente. Lowen, diferentemente de outros te\u00f3ricos da psican\u00e1lise como Otto Kernberg, diz que o narcisismo tem origem na fase ed\u00edpica como consequ\u00eancia de uma postura sedutora do genitor do sexo oposto, que faz crer \u00e0 crian\u00e7a que ela \u00e9 \u2018especial\u2019. A fim de fazer jus a essa imagem de especial, a crian\u00e7a acaba desistindo do seu verdadeiro Self e criando um Falso Self para atender \u00e0s necessidades narc\u00edsicas do genitor amado. Dessa orienta\u00e7\u00e3o de Lowen, baseada na teoria das puls\u00f5es e priorizando o trabalho com a fase edipiana, surgiu uma corrente te\u00f3rica e um modelo de pr\u00e1tica cl\u00ednica que norteou a pr\u00e1tica de muitos terapeutas por muitos anos. N\u00f3s sabemos hoje que o \u00e9dipo \u00e9 uma posi\u00e7\u00e3o de conflito, rivalidade e sobretudo uma posi\u00e7\u00e3o perdedora. Acredito que foi aqui que ocorreu uma generaliza\u00e7\u00e3o: Lowen desvendou com profunda acuidade a din\u00e2mica dos car\u00e1teres r\u00edgidos e generalizou ao ensinar que outros car\u00e1teres deveriam ser tratados de forma similar. (Texto Ego, Car\u00e1ter e Sexualidade de 1987, \u00e9poca em que estava defendendo o que chamou de movimento De Volta \u00e0s Origens).<\/p>\n<p>Acho que o movimento De Volta \u00e0s Origens que Lowen prop\u00f4s em 1987 (onde reafirmava a Teoria do Conflito como a verdadeira base te\u00f3rica da An\u00e1lise Bioenerg\u00e9tica), foi um extremo de um movimento pendular, tentando defender a pureza dos princ\u00edpios reichianos, pureza que parecia amea\u00e7ada pela introdu\u00e7\u00e3o de novos conceitos que demandavam uma revis\u00e3o em conceitos que haviam se tornado quase dogm\u00e1ticos como a marcante prioriza\u00e7\u00e3o do trabalho com o \u00e9dipo. Mas como tudo na vida, o p\u00eandulo retorna.<\/p>\n<p>A Constru\u00e7\u00e3o de Estrutura<\/p>\n<p>A Teoria do Conflito (origin\u00e1ria da Teoria das Puls\u00f5es de Freud), que foi adotada por Reich e por Lowen, diz que os problemas nascem de conflitos entre desejo e repress\u00e3o. Isto \u00e9 verdadeiro para as organiza\u00e7\u00f5es que alcan\u00e7aram a fase ed\u00edpica relativamente bem estruturadas e nesse momento, dos 3 \u00bd aos 5 anos, cristalizaram suas defesas de car\u00e1ter em torno da constela\u00e7\u00e3o de conflitos edipianos (rela\u00e7\u00e3o triangular, ci\u00fame, rivalidade, desejo pelo genitor do sexo oposto). O que dizer dos outros, que sofreram faltas dos cuidados na fase adequada, falta do contato, falta dos est\u00edmulos essenciais necess\u00e1rios para chegar ao \u00e9dipo relativamente intactos e cujo egos n\u00e3o tiveram a chance de se desenvolver plenamente em harmonia com a for\u00e7a dos impulsos? O Ego infantil precisa receber experi\u00eancias que constroem uma estrutura capaz de lidar com a for\u00e7a dos impulsos. Essas faltas ou falhas no desenvolvimento est\u00e3o subjacentes \u00e0s defesas de car\u00e1ter como n\u00f3s as conhecemos. Uma defesa de car\u00e1ter se forma para encobrir uma falta, uma ferida, e nos serve para compensar essa falta para n\u00e3o sentirmos a dor e continuarmos vivendo. E muitas vezes as faltas t\u00eam que ser atendidas ANTES de se mexer com qualquer defesa, antes de se tentar desmanchar defesas. Na pr\u00e1tica, significa que uma pessoa com um ego relativamente fr\u00e1gil, que a n\u00edvel corporal tem dificuldade para conter, canalizar e direcionar a energia na vida atual, embora essa pessoa traga para a terapia material com conte\u00fado sexual, n\u00e3o poder\u00e1 ser ajudada se lidarmos diretamente com esses conte\u00fados que possuem potencial desestruturante devido \u00e0 poderosa carga sexual, que amea\u00e7a a fr\u00e1gil estrutura do ego.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo que a bioenerg\u00e9tica prosseguia se apoiando na Teoria do Conflito, cresciam nos Estados Unidos as escolas psicanal\u00edticas que seguiam Melanie Klein, pesquisando o tratamento da problem\u00e1tica pr\u00e9 genital. Essas escolas tomaram o nome de Psicologia do Ego e Psicologia do Self nos Estados Unidos, Heinz Kohut, Otto Kernberg, Alice Miller. Na Europa, Winnicott e em seguida Daniel Stern divulgam seu trabalho, que faz parte da Teoria das Rela\u00e7\u00f5es Objetais. Acontece tamb\u00e9m que as pesquisas voltadas para o comportamento de fam\u00edlias e crian\u00e7as saud\u00e1veis come\u00e7aram a ser amplamente divulgadas a partir de 1970, com o trabalho principalmente de Margareth Mahler. S\u00f3 em 1975 sai o seu livro O Nascimento Psicol\u00f3gico do Beb\u00ea Humano que abriu as portas para estudar a Sa\u00fade &#8211; aquilo que contribui, numa crian\u00e7a normal, para a constitui\u00e7\u00e3o de um ego saud\u00e1vel. Passaram. Popularizou-se o conceito de Desenvolvimento Interrompido, ou seja, diante de uma situa\u00e7\u00e3o traum\u00e1tica ou da FALTA da experi\u00eancia que constitui o Ego na fase adequada, ficaria como um \u2018buraco\u2019 na personalidade, onde faltou a experi\u00eancia essencial. Esse \u2018buraco\u2019 vai constituir a Ferida Narc\u00edsica. Por exemplo, se uma m\u00e3e tem depress\u00e3o p\u00f3s parto e crises de p\u00e2nico, n\u00e3o querendo nem mesmo ver seu beb\u00ea porque n\u00e3o pode tolerar as demandas orais da crian\u00e7a, essa crian\u00e7a vai crescer e se desenvolver, compensando esse buraco, essa ferida narc\u00edsica, talvez com uma atitude r\u00edgida &#8211; \u201ceu n\u00e3o preciso de ningu\u00e9m\u201d.A teapia dever\u00e1 ser diferente da crian\u00e7a cuja m\u00e3e esteve presente, amamentou, e que encontrou sua primeira grande rejei\u00e7\u00e3o por volta dos 5 anos de idade com o advento da sexualidade ed\u00edpica. Esta \u00faltima tamb\u00e9m poder\u00e1 apresentar na superf\u00edcie a defesa r\u00edgida \u201ceu n\u00e3o preciso de ningu\u00e9m\u201d, mas a hist\u00f3ria e o tratamento s\u00e3o diferentes.<\/p>\n<p>Ora, observamos que quanto mais bem sucedida uma id\u00e9ia ou uma praxis, mais dif\u00edcil fica dela ser modificada. Demorou para que as pessoas que se formaram em torno das id\u00e9ias do modelo do conflito, e que se davam bastante bem com esse modelo, aceitassem as novidades. Que novidade era essa? Nada de t\u00e3o novo assim. Significava integrar a vis\u00e3o de Melanie Klein \u00e0 vis\u00e3o freudiana. De uma maneira bem simples, o que isso significa? Significa que o modelo do conflito, que lida basicamente com os conflitos da fase edipiana, n\u00e3o dava conta de ajudar pessoas que vinham com traumas de fases mais precoces, com feridas narc\u00edsicas instaladas na fase pr\u00e9-natal, no nascimento, ou nos primeiros dias e meses de vida. Pelo contr\u00e1rio, elas pioravam quando tratadas da mesma forma que pessoas cujo trauma se situava na fase edipiana.<\/p>\n<p>Em 1992, a consci\u00eancia da rela\u00e7\u00e3o entre essa controv\u00e9rsia e a quest\u00e3o da Pot\u00eancia Org\u00e1stica, fez com que o tema mais explorado na Conferencia Internacional em Miami fosse a atualidade da proposi\u00e7\u00e3o de Reich sobre Pot\u00eancia Org\u00e1stica. Em 1992 Lowen modifica sua posi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ele vem a p\u00fablico na Confer\u00eancia Internacional em Miami , reconhecendo que falhou em certos aspectos e foi arrogante. Como o pr\u00f3prio Lowen sempre pregou, o reconhecimento da nossa fragilidade e do nosso fracasso \u00e9 o que garante a verdadeira for\u00e7a e a sobreviv\u00eancia . Ele foi capaz de fazer esse movimento pendular, pendendo num momento para uma posi\u00e7\u00e3o mais autorit\u00e1ria e r\u00edgida quando em 1987 lan\u00e7ou um movimento que chamou \u201cBack to Basics\u201d ou De Volta \u00e0s Origens &#8211; e depois voltou a abrandar a rigidez, possibilitando uma revis\u00e3o e uma corre\u00e7\u00e3o de rumo, a partir de 1992. Acredito que esta capacidade de rever, de ir de um extremo ao outro de um movimento pendular, para chegar a uma s\u00edntese, seja a grande qualidade que garante a for\u00e7a e a sobreviv\u00eancia da sua escola.<\/p>\n<p>A aparente controv\u00e9rsia gerada pelo tempo que se levou para reconhecer e incorporar \u00e0 pr\u00e1tica da An\u00e1lise Bioenerg\u00e9tica as teorias das Rela\u00e7\u00f5es Objetais e Psicologia do Ego, foi mais um descompasso no tempo. Principalmente os terapeutas da California adotaram primeiro essas teorias, e foram adaptando sua pr\u00e1tica a elas, enquanto alguns terapeutas de Nova York levaram mais tempo.<\/p>\n<p>A s\u00edntese destas duas teorias levou a uma mudan\u00e7a de paradigma. Aquilo que era visto como patologia ou atitude de car\u00e1ter a ser desmascarada e desmanchada, passou a ser reconhecido como uma express\u00e3o distorcida das necessidades genu\u00ednas de contato, seguran\u00e7a b\u00e1sica, amor, espelhamento, reconhecimento. A partir da aceita\u00e7\u00e3o de um novo modelo te\u00f3rico, derivam uma compreens\u00e3o energ\u00e9tica e interven\u00e7\u00f5es corporais condizentes. A compreens\u00e3o do papel do terapeuta na transfer\u00eancia, bem como a contra transfer\u00eancia, se adaptam. Ali\u00e1s, como dizia Winnicott, a m\u00e3e suficientemente boa se ADAPTA \u00e0s necessidades do crian\u00e7a.<\/p>\n<p>Aquilo que parecem ser duas correntes, na verdade s\u00e3o complementares e acabam se fundindo num \u00fanico movimento de onda que constitui o movimento da terapia .<\/p>\n<p>Na verdade, o terapeuta deve desempenhar as duas fun\u00e7\u00f5es durante o tratamento: ser receptivo (resson\u00e2ncia, holding) e desafiar (excitar, confrontar).<\/p>\n<p>Resolu\u00e7\u00e3o de Conflitos<\/p>\n<p>Dentro da proposta de multidisciplinaridade, existe abertura para buscar em outras abordagens psicoter\u00e1picas os elementos que complementam a An\u00e1lise Bioenerg\u00e9tica. Por exemplo, para resolu\u00e7\u00e3o de conflitos, al\u00e9m de trabalhar a problem\u00e1tica pessoal, podemos utilizar conceitos e pr\u00e1ticas da Terapia Sist\u00eamica, Terapia de Casais e Familia.<\/p>\n<p>E Agora?<\/p>\n<p>As teorias nascem da observa\u00e7\u00e3o dos fatos. Ora os fatos observ\u00e1veis para Reich e Lowen eram as pessoas que eles atendiam, que eram produto de uma sociedade predominantemente repressiva. Acontece que a partir da d\u00e9cada de 70, quando as barreiras sociais quanto a sexo e autoridade ca\u00edram, muita coisa mudou. As pessoas se tornaram outras. As novas gera\u00e7\u00f5es j\u00e1 n\u00e3o se criaram restritas \u00e0s influ\u00eancias do c\u00edrculo familiar. Crian\u00e7as s\u00e3o expostas ao mundo, pela TV, pela escola, desde muito cedo. A gera\u00e7\u00e3o das drogas deixou sua marca, mesmo nos n\u00e3o usu\u00e1rios. Quem de n\u00f3s n\u00e3o aprecia m\u00fasicas compostas e interpretadas por pessoas sob influ\u00eancia de drogas? Elis Regina, os Beattles.<\/p>\n<p>Este fim de s\u00e9culo se caracteriza pela evolu\u00e7\u00e3o filogen\u00e9tica seguindo seu ritmo lento, ritmo esse violentado pela velocidade vertiginosa das mudan\u00e7as culturais e s\u00f3cio econ\u00f4micas. Esses organismos estressados pela viol\u00eancia que lhes \u00e9 imposta de fora para dentro, necessitam mais construir seus egos do que ter seus mecanismos de defesa desmontados.<\/p>\n<p>As defesas mudaram de lugar, tornaram-se mais primitivas. Do m\u00fasculo migraram para o campo energ\u00e9tico. Isto \u00e9 ruim? J\u00e1 come\u00e7o a acreditar no que apenas pressentia &#8211; faz parte da evolu\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie, parece inevit\u00e1vel que as pessoas hoje em dia operem mais com o campo energ\u00e9tico.<\/p>\n<p>O aumento da problem\u00e1tica borderline, ao inv\u00e9s de ser vista como uma calamidade, pode ser considerada uma consequ\u00eancia da necessidade de conviver com a inconst\u00e2ncia dos nossos objetos. Piaget mostrou como a const\u00e2ncia do objeto \u00e9 essencial para a forma\u00e7\u00e3o de um ego. Eu arriscaria dizer que um pouco borderline n\u00f3s todos precisamos ser para absorver as mudan\u00e7as que est\u00e3o ocorrendo no mundo &#8211; diluir nossos limites facilita mudarmos de forma. Nossos limites se diluem quando perdemos referenciais externos e internos que organizavam nosso senso de identidade. Amanh\u00e3 vou abordar alguns aspectos energ\u00e9ticos do processo de mudan\u00e7a, falando de Vazamento de Energia.<\/p>\n<p>Quanto mais se lida com as energias sutis, em vez de negar que elas existem, mais precisamos de grounding e mais vamos ter a percep\u00e7\u00e3o do contato c\u00f3smico. \u00c9 inevit\u00e1vel que as pessoas, ao se sentirem inseguras, se defendam tamb\u00e9m com o campo energ\u00e9tico, que \u00e9 uma defesa primitiva e tem a ver com bloqueio ocular. Alguns se destroem, outros enlouquecem, mas aqueles que sobrevivem podem dar uma imensa contribui\u00e7\u00e3o \u00e0 humanidade. E mesmo os que n\u00e3o sobrevivem como Lady Di &#8230; d\u00e3o sua contribui\u00e7\u00e3o. Podemos ver este momento como um importante momento evolutivo.<\/p>\n<p>Quem viu o filme G\u00eanio Indom\u00e1vel, com Robin Williams no papel de um terapeuta que trata de um jovem que possui um g\u00eanio extraordin\u00e1rio para resolver problemas matem\u00e1ticos, mas estava para ser encarcerado por brigas e viola\u00e7\u00f5es da lei.? Esse filme foi lan\u00e7ado em Fevereiro de 1998 e logo alcan\u00e7ou grande sucesso. O rapaz vai literalmente derrubando v\u00e1rios terapeutas com suas perguntas invasivas e sua agressividade verbal. A diferen\u00e7a entre Robin Williams e os outros terapeutas \u00e9 que ele n\u00e3o tenta se esconder atr\u00e1s de uma imagem narc\u00edsica. Ele se exp\u00f5e e se deixa tocar e modificar pelo cliente . A\u00ed v\u00e3o acontecendo, na transfer\u00eancia, as experi\u00eancias essenciais que faltaram na hist\u00f3ria do jovem: confian\u00e7a, respeito, aceita\u00e7\u00e3o de limites, para por fim haver identifica\u00e7\u00e3o positiva e busca da afei\u00e7\u00e3o do homem mais velho. Como resultado, ocorre um fortalecimento do ego, reconhecimento do valor pr\u00f3prio, e o desejo de estabelecer v\u00ednculo afetivo com uma mulher. Antes ele fazia sexo mas n\u00e3o criava v\u00ednculo.<\/p>\n<p>O que surge ent\u00e3o no Panorama da Bioenerg\u00e9tica?<\/p>\n<p>Em 1990 Lowen publica Espiritualidade do Corpo. Ap\u00f3s alcan\u00e7ar um extremo da polaridade, radicalizando a postura de que todos os problemas eram defesas contra a sexualidade, ele p\u00f4de seguir adiante em sua explora\u00e7\u00e3o e introduzir na terapia o outro polo desse eixo, a espiritualidade. Isto significa reconhecer e abrir o estudo das energias sutis, j\u00e1 n\u00e3o mais vistas como apenas patologia esquizoide. Vejo que Lowen esteve sempre cumprindo sua miss\u00e3o: dar grounding e dar um corpo a conceitos e pr\u00e1ticas psicoterap\u00eauticas. Escreve ele em 1990: \u201co ser humano \u00e9 uma criatura sexualmente diferenciada em todas as c\u00e9lulas do seu corpo. &#8230;Da mesma forma, a espiritualidade \u00e9 uma fun\u00e7\u00e3o do corpo todo. A espiritualidade, dissociada da sexualidade, transforma-se numa abstra\u00e7\u00e3o, e a sexualidade dissociada da espiritualidade passa a ser um ato puramente f\u00edsico. Essa dissocia\u00e7\u00e3o \u00e9 causada pelo isolamento do cora\u00e7\u00e3o, o que desfaz a conex\u00e3o entre as duas extremidades do corpo.\u201d<\/p>\n<p>A quest\u00e3o de estarmos nos desenvolvendo e nos tornando mais sens\u00edveis aos campos energ\u00e9ticos nos leva a olhar para o outro polo energ\u00e9tico, o polo oposto ao polo sexual &#8211; nosso contato com a energia c\u00f3smica, nosso sentido de espiritualidade. E para seguirmos em frente com seguran\u00e7a nessa busca do contato unificante, que \u00e9 a etapa evolutiva atual que a humanidade enfrenta, precisaremos cada vez mais de estar em grounding, centrados, fluindo, pulsando, reconhecendo e expressando os sentimentos de amor a partir de um cora\u00e7\u00e3o aberto e manifestando nossa verdade pessoal. Todos estes grandes acertos que o Dr. Lowen teve como miss\u00e3o organizar de forma acess\u00edvel e divulgar, criando m\u00e9todos para que as pessoas pudessem desenvolver essas habilidades.<\/p>\n<p>Encerrando, gostaria de deix\u00e1-los com o pensamento que o \u00fanico milagre que regularmente acontece \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de uma nova vida. Com esta nova vida estamos nos preparando para o desafio do futuro. Acredito que o amor \u00e9 o que cura, enquanto vivemos a excita\u00e7\u00e3o da cria\u00e7\u00e3o e da descoberta.<\/p>\n<p>Sum\u00e1rio<\/p>\n<p>A An\u00e1lise Bioenerg\u00e9tica \u00e9 uma teoria em constante evolu\u00e7\u00e3o. Nos \u00faltimos anos, depois da aposentadoria do Dr. Lowen, tem passado por revis\u00f5es te\u00f3ricas tanto no Brasil como nos Estados Unidos e na Europa, revis\u00f5es que levam \u00e0 integra\u00e7\u00e3o com a vis\u00e3o tradicional da psicologia e das neuroci\u00eancias. Nosso trabalho cont\u00ednuo na cl\u00ednica se desenvolve na adapta\u00e7\u00e3o das t\u00e9cnicas de psicoterapia corporal aos novos conhecimentos trazidos pelas pesquisas recentes. Algumas das tend\u00eancias atuais da An\u00e1lise Bioenerg\u00e9tica, a meu ver e neste momento, s\u00e3o:<\/p>\n<p>Desmitificar a teoria, separar a teoria do mito-pessoa Alexander Lowen<\/p>\n<p>Desenvolver pesquisas para validar a efic\u00e1cia das diferentes interven\u00e7\u00f5es psicoter\u00e1picas<\/p>\n<p>Avalia\u00e7\u00e3o cr\u00edtica dos conceitos te\u00f3ricos e da pr\u00e1tica cl\u00ednica, buscando discriminar o que \u00e9 realmente \u00fatil para aquele cliente em particular . Separar o joio do trigo.<\/p>\n<p>Busca de abordagens adequadas para o tratamento de pacientes borderline, tanto da estrutura de car\u00e1ter borderline quanto dos estados de perda de limites que aparecem em estruturas r\u00edgidas quando se desmancham coura\u00e7as e se perdem referenciais externos organizadores do senso de identidade.<\/p>\n<p>Abordagens para tratamento da S\u00edndrome do P\u00e2nico<br \/>Multidisciplinaridade<\/p>\n<p>Deselitiza\u00e7\u00e3o da terapia &#8211; Cl\u00ednicas Comunit\u00e1rias: atendimento psicoter\u00e1pico a pre\u00e7o reduzido ou at\u00e9 simb\u00f3lico.<\/p>\n<p>An\u00e1lise Bioenerg\u00e9tica al\u00e9m dos consult\u00f3rios: Educa\u00e7\u00e3o &#8211; grupos para professores e Orientadores, Comunidade, Grupos Psicossom\u00e1tica, Grupos de Suporte para Profissionais de Ajuda, Educa\u00e7\u00e3o Sexual para Excepcionais, Bioenerg\u00e9tica para Empresas<\/p>\n<p>Espiritualidade do Corpo \/ Corporifica\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito<\/p>\n<p>A Psicoterapia Bioenerg\u00e9tica abrange o ser humano em sua dimens\u00e3o mais ampla, sendo que aqui abordamos principalmente algumas vertentes:<\/p>\n<p>\u00b7 Constru\u00e7\u00e3o de estrutura de Ego<br \/>\u00b7 Facilita\u00e7\u00e3o de mudan\u00e7as pela dissolu\u00e7\u00e3o de resist\u00eancias caracterol\u00f3gicas<br \/>Resolu\u00e7\u00e3o de conflitos.<br \/>O que nos remete a uma pr\u00e1tica que integra a Teoria do Conflito e a Teoria das Rela\u00e7\u00f5es Objetais (falta das experi\u00eancias essenciais que constituem um ego saud\u00e1vel; constru\u00e7\u00e3o dentro de uma rela\u00e7\u00e3o terap\u00eautica dual)<\/p>\n<p>Bibliografia<\/p>\n<p>Cornell, William F.<br \/>If Reich had met Winnicott. In Energy &#038; Character, vol. 2, 1997.<\/p>\n<p>Jacques, Robert<br \/>Narcissism: Pathology or Deficiency. Manual da Pacific Northwest Bioenergetic Conference, 1987.<\/p>\n<p>Johnson, Stephen<br \/>Humanizing the Narcisistic Style. Norton &#038; Norton, 1987.<\/p>\n<p>Lowen , Alexander<br \/>Narcisismo, A Nega\u00e7\u00e3o do Verdadeiro Self. N. York, MacMillan, 1983.<\/p>\n<p>Ego, Car\u00e1ter e Sexualidade &#8211; Artigo de 1987.<\/p>\n<p>A Espiritualidade do Corpo. Cultrix, 1990<\/p>\n<p>Sexualidade desde Reich at\u00e9 Hoje &#8211; Artigo de 1993.<\/p>\n<p>Alegria. Summus, 1995.<\/p>\n<p>Mahler, Margareth e outros<br \/>The Psychological Birth of the Human Infant, Londres, Karnac, 1975.<\/p>\n<p>Robbins, Ronald.<br \/>O Tao da Transforma\u00e7\u00e3o. Editorial Psy, 1990.<\/p>\n<p>(este texto foi apresentado no III Encontro Paranaense de Psicoterapias Corporais, Curitiba, Maio 1998 e tamb\u00e9m publicado na Revista Reichiana no. 8, 1999)<\/p>\n<p>Odila Weigand \u00e9 psic\u00f3loga, formada em An\u00e1lise Bioenerg\u00e9tica e professora desde 1986 em S. Paulo, da Sociedade Brasileira de An\u00e1lise Bioenerg\u00e9tica e atualmente do Instituto de An\u00e1lise Bioenerg\u00e9tica de S\u00e3o Paulo<\/p>\n<p>Telfax: (011) 3813 2261 e-mail: odilawei@bioenergetica.com.br<\/p>\n<p> <\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>An\u00e1lise Bioenerg\u00e9tica &#8211; Um Panorama Atual Odila Weigand &#8211; Trainer Internacional de An\u00e1lise Bioenerg\u00e9tica AbstractMomentos de transi\u00e7\u00e3o propiciam novas aberturas. 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