{"id":156,"date":"2011-01-11T03:50:00","date_gmt":"2011-01-11T03:50:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.analisebioenergetica.com\/site\/?p=156"},"modified":"2011-01-11T03:50:00","modified_gmt":"2011-01-11T03:50:00","slug":"aplicacao-da-analise-bioenergetica-na-clinica-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/aplicacao-da-analise-bioenergetica-na-clinica-social\/","title":{"rendered":"Aplica\u00e7\u00e3o da An\u00e1lise Bioenerg\u00e9tica na Cl\u00ednica Social"},"content":{"rendered":"<div id=\"fb-root\"><\/div>\n<p><b>Aplica\u00e7\u00e3o da An\u00e1lise Bioenerg\u00e9tica na Cl\u00ednica Social<\/p>\n<p>Equipe Libertas<\/b><\/p>\n<p>A Sociedade de An\u00e1lise Bioenerg\u00e9tica do Nordeste do Brasil, com sede em Recife, Pernambuco, tem como fundadores e diretores os psic\u00f3logos Jayme Panerai Alves, Lucina Ara\u00fajo, Gedalva Rapela e Grace Wanderley de Barros Correia, que s\u00e3o os mesmos diretores do Libertas Comunidade.<\/p>\n<p>O Libertas, criado h\u00e1 18 anos, desenvolve atividades nas \u00e1reas cl\u00ednica e organizacional. H\u00e1 aproximadamente 12 anos, foi aberta a Cl\u00ednica Social, atrav\u00e9s dos est\u00e1gios curriculares, em Gestalterapia, das Faculdades de Psicologia do Recife, sob a supervis\u00e3o da psic\u00f3loga Lucina Ara\u00fajo.<\/p>\n<p>Quando iniciada a Forma\u00e7\u00e3o em An\u00e1lise Bioenerg\u00e9tica por parte da equipe Libertas, houve uma maior identifica\u00e7\u00e3o com esta abordagem, sendo hoje a base principal do seu trabalho. A Sociedade de An\u00e1lise Bioenerg\u00e9tica do Nordeste do Brasil, oficializada em 1997, incluiu atividades da cl\u00ednica social.<\/p>\n<p>Aplica\u00e7\u00e3o da Bioenerg\u00e9tica na Cl\u00ednica Social<\/p>\n<p>O atendimento socializante tem como objetivo possibilitar \u00e0s camadas mais carentes da sociedade o acesso \u00e0 psicoterapia nas suas diversas aplica\u00e7\u00f5es: crian\u00e7a, adolescente e adulto, na forma individual e grupal.<\/p>\n<p>No momento atual, este servi\u00e7o, basicamente fundamentado na An\u00e1lise Bioenerg\u00e9tica, amplia-se com um enfoque de preven\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o da sa\u00fade biopsicosocial.<\/p>\n<p>O trabalho estende-se para gestantes, empresas, escolas, com a utiliza\u00e7\u00e3o de exerc\u00edcios da Bioenerg\u00e9tica que ajudam as pessoas a lidarem de modo mais saud\u00e1vel com as exig\u00eancias do mundo de hoje e a manterem-se groundings , centradas e vivas.<\/p>\n<p>Nos grupos, damos um enfoque de integra\u00e7\u00e3o e, atrav\u00e9s da Bioenerg\u00e9tica, trabalhamos as competi\u00e7\u00f5es, lutas de poder e outros fen\u00f4menos que ocorrem no processo da conviv\u00eancia, objetivando um funcionamento grupal fluido, coeso e com economia energ\u00e9tica.<\/p>\n<p>Hoje, temos, em m\u00e9dia, dez psicoterapeutas atendendo de 60 a 80 pessoas.<\/p>\n<p>A divulga\u00e7\u00e3o deste servi\u00e7o \u00e9 feita atrav\u00e9s dos clientes, alunos em forma\u00e7\u00e3o, cursos de psicologia, associa\u00e7\u00e3o de bairros, empresas, folders e jornais.<\/p>\n<p>Quando iniciamos este programa, a procura era na sua maioria de estudantes, empregadas dom\u00e9sticas, porteiros de pr\u00e9dios e outras pessoas de profiss\u00f5es que ganhavam, aproximadamente, um sal\u00e1rio m\u00ednimo. Na medida em que a crise econ\u00f4mica, financeira e social do Brasil foi se agravando, o p\u00fablico foi se diferenciando, e pessoas que antes n\u00e3o se inclu\u00edam neste programa come\u00e7aram a busc\u00e1-lo, a exemplo de funcion\u00e1rios p\u00fablicos, banc\u00e1rios, professores e profissionais liberais.<\/p>\n<p>As sess\u00f5es de psicoterapia acontecem uma vez por semana e as pessoas pagam um valor a ser definido na primeira sess\u00e3o, de acordo com a situa\u00e7\u00e3o financeira do momento. O pre\u00e7o de uma sess\u00e3o fora deste programa \u00e9 de R$ 80,00. Consideramos que at\u00e9 50% deste valor est\u00e1 dentro do projeto socializante. Mas, a maioria das pessoas que buscam este servi\u00e7o pagam R$10,00, R$ 15,00 ou, no m\u00e1ximo, R$ 25,00.<\/p>\n<p>A defini\u00e7\u00e3o do valor a ser pago constitui a maior dificuldade deste processo, tendo em vista os significados simb\u00f3licos do dinheiro, podendo o mesmo ser ve\u00edculo de resist\u00eancia e transfer\u00eancia. A real e grande dificuldade financeira mistura-se com a rela\u00e7\u00e3o de cada um com afetos, poder, priva\u00e7\u00e3o, auto-estima, prazer, direito de viver, ou apenas sobreviver.<\/p>\n<p>Sabemos que o dinheiro pode significar o valor que a pessoa se d\u00e1, ou merece, relacionando-se, portanto, com a auto-estima. O dinheiro confunde-se com afeto, \u201ctenho mais, sou mais querido\u201d. Sabemos de muitos conflitos entre irm\u00e3os que brigam ap\u00f3s a morte do pai; cada um quer ficar com mais, talvez na ilus\u00e3o de ser mais amado, ou para se sentir mais perto do pai.<\/p>\n<p>A nossa sociedade mant\u00e9m o mito do Dinheiro associado ao Poder, \u00e0 Felicidade, \u00e0 Sexualidade. \u00c9 a ilus\u00e3o de que os ricos s\u00e3o felizes e potentes.<\/p>\n<p>O Dr. Ronald Robbins associa a forma e a capacidade de cada um ganhar dinheiro com o grau de oralidade. Assim, pessoas com uma hist\u00f3ria de muita priva\u00e7\u00e3o, provavelmente, repetir\u00e3o a rela\u00e7\u00e3o com a m\u00e3e, n\u00e3o se permitindo ganhar al\u00e9m da sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<p>A mis\u00e9ria afetiva que foi experienciada na inf\u00e2ncia perpetua-se na mis\u00e9ria material. Nessas pessoas, observa-se, muitas vezes, pouco investimento no processo. O esfor\u00e7o financeiro requer energia, dif\u00edcil num sistema sub-carregado, al\u00e9m do desejo de que \u201cfa\u00e7am por mim\u201d. Muitas pessoas v\u00eam com a expectativa de n\u00e3o pagar. Nessas, \u00e9 freq\u00fcente o abandono do processo, sem explica\u00e7\u00e3o nem pagamento.<\/p>\n<p>Por todos esses fatores \u00e9 necess\u00e1rio habilidade e todo cuidado do terapeuta na defini\u00e7\u00e3o do valor a ser pago pelo cliente. A dificuldade consiste em distinguir o conte\u00fado subjetivo da realidade concreta. \u00c9 necess\u00e1rio aten\u00e7\u00e3o para que o dinheiro n\u00e3o seja objeto de manipula\u00e7\u00e3o. Na experi\u00eancia, h\u00e1 casos de explora\u00e7\u00e3o: pessoas que querem pagar menos do que sua condi\u00e7\u00e3o financeira permite.<\/p>\n<p>Quando, durante o processo, o terapeuta percebe que o valor estipulado n\u00e3o \u00e9 o justo, ap\u00f3s a an\u00e1lise simb\u00f3lica, o contrato \u00e9 revisto.<\/p>\n<p>Avaliamos que como o programa envolve pessoas com maiores dificuldades financeiras, mesmo um valor simb\u00f3lico exige investimento e motiva\u00e7\u00e3o para que sejam superadas as resist\u00eancias. As pessoas que ultrapassam este momento inicial e mergulham no processo, evidenciam mudan\u00e7as refletindo-se na busca de uma melhora de vida tamb\u00e9m financeira, atrav\u00e9s do resgate da auto-estima e do direito de viver mais digna e prazeirosamente.<\/p>\n<p>Provavelmente, buscar este programa traz \u00e0 tona a condi\u00e7\u00e3o de priva\u00e7\u00e3o em que vivem essas pessoas. Socialmente, elas sentem-se inferiores, injusti\u00e7adas, marginalizadas, preconceituadas e raivosas. Dependendo da hist\u00f3ria de cada um, outros sentimentos predominam, como menos valia, fracasso, vergonha, humilha\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No processo terap\u00eautico, a partir da realidade objetiva, necess\u00e1rio se faz que venha \u00e0 tona os sentimentos subjacentes e a liga\u00e7\u00e3o com a hist\u00f3ria e din\u00e2mica familiar, para que, na medida que se trabalhe bioenergeticamente, a pessoa possa abrir possibilidades de mudan\u00e7as no n\u00edvel da rela\u00e7\u00e3o com o self, com o mundo e com o existir.<\/p>\n<p>Para muitas dessas pessoas, a melhora terap\u00eautica evidencia-se tamb\u00e9m na melhora da qualidade de vida e melhora da condi\u00e7\u00e3o social. Na propor\u00e7\u00e3o que os conte\u00fados inconscientes s\u00e3o elaborados e trabalhados, as pessoas tomam posse do corpo, da sexualidade, dos afetos, canalizando energia na dire\u00e7\u00e3o de uma vida mais digna. Na nossa experi\u00eancia, algumas pessoas come\u00e7aram a buscar trabalhos complementares e\/ou descobrir talentos a serem potencializados.<\/p>\n<p>Exemplificando, citaremos uma mo\u00e7a que soube do programa pela comunidade de um bairro pobre do Recife. Ela tinha 26 anos, solteira, virgem, protestante, professora do primeiro grau, trabalhava na secretaria de uma escola, ganhando um sal\u00e1rio m\u00ednimo. Era uma pessoa bastante introvertida e sem perspectiva de vida. Morava com os pais e sua vida circulava em torno da religi\u00e3o. Iniciou a terapia individual, pagando um pre\u00e7o simb\u00f3lico e, durante o processo, que se prolongou por 4 anos, rompeu com a forma fechada e opressora da igreja a que pertencia e que, na verdade, n\u00e3o tinha sido uma escolha sua. Aos poucos, foi se abrindo para a vida, apossando-se do seu corpo e sexualidade. Deixou de ser virgem, permitindo-se uma troca afetiva-sexual independente de casamento.<\/p>\n<p>Profissionalmente, come\u00e7ou a buscar cursos que a desenvolvessem e, para ajudar no custeio de seus estudos e terapia, come\u00e7ou a fazer artesanato. Concluiu Pedagogia e participou de um curso de Bioenerg\u00e9tica. No momento atual, mora em outra cidade, tendo assumido a dire\u00e7\u00e3o de uma escola, parecendo viver mais independente e melhor, pessoal e profissionalmente.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o aos terapeutas que atendem no projeto, percebemos que \u00e9 irrelevante o valor pago pelos clientes socializantes, desde que seja proporcional \u00e0 condi\u00e7\u00e3o financeira dos mesmos. \u00c9 necess\u00e1rio perceber quando o dinheiro \u00e9 instrumento de manipula\u00e7\u00e3o, de explora\u00e7\u00e3o ou como uma forma de ser especial. Mas, todos estes aspectos j\u00e1 fazem parte das dificuldades e atua\u00e7\u00f5es dos clientes que precisam ser analisados e trabalhados terapeuticamente.<\/p>\n<p>A psicoterapia, dentro de um programa social, exige um acompanhamento constante do processo, nas suas peculiaridades, para que atenda aos objetivos propostos de tornar acess\u00edvel \u00e0s pessoas carentes uma abordagem terap\u00eautica capaz de torn\u00e1-las mais vivas, saud\u00e1veis, com o direito de Ser e Existir.<\/p>\n<p>A Bioenerg\u00e9tica aplicada a uma comunidade carente<\/p>\n<p>Em Pernambuco, nordeste do Brasil, fam\u00edlias de agricultores ocuparam um canteiro de obras que um \u00f3rg\u00e3o do governo, DNOCS, havia abandonado, depois da constru\u00e7\u00e3o de uma barragem para evitar as enchentes, frequentemente ocorridas na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>As mulheres trabalhavam nas atividades dom\u00e9sticas, na agricultura e pescavam num lago onde existia a comporta da barragem, correndo riscos de vida pela precariedade e falta de seguran\u00e7a na mesma.<\/p>\n<p>A comunidade, de aproximadamente duzentas pessoas, incluindo homens, mulheres e crian\u00e7as, vivia com todas as dificuldades inerentes \u00e0 situa\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>Uma Organiza\u00e7\u00e3o N\u00e3o-Governamental (ONG), desenvolveu um projeto chamado \u201cProjeto Peixe\u201c, objetivando oportunizar \u00e0s mulheres atividades produtivas e geradoras de renda, que ocasionassem a melhoria da comunidade.<\/p>\n<p>Cerca de 40 mulheres participaram ativamente do projeto que, al\u00e9m da pesca, incluiu outras atividades complementares, como cria\u00e7\u00e3o de patos, casa de farinha, pocilga e hortas caseiras.<\/p>\n<p>O projeto teve como ag\u00eancia financiadora a Funda\u00e7\u00e3o Interamericana (IAF), que forneceu verba para a instala\u00e7\u00e3o de toda a infra-estrutura, limpeza do a\u00e7ude, montagem da casa de farinha, aquisi\u00e7\u00e3o de equipamentos, a saber: ve\u00edculo, balan\u00e7a, freezers, etc.<\/p>\n<p>O grupo respons\u00e1vel tinha um prazo de dois anos para organizar, orientar e assessorar as mulheres na implanta\u00e7\u00e3o e desenvolvimento do projeto. Ap\u00f3s esse tempo, a expectativa seria de independ\u00eancia da comunidade, ficando a ONG com a responsabilidade de supervis\u00e3o.<\/p>\n<p>Foi criado um esquema de comercializa\u00e7\u00e3o de peixe e farinha e, posteriormente, organizada uma creche.<\/p>\n<p>Como o projeto era voltado para as mulheres, era delas a responsabilidade e o gerenciamento do mesmo. Duas mulheres tiraram a carteira de habilita\u00e7\u00e3o, e apenas as duas poderiam dirigir a caminhonete. A participa\u00e7\u00e3o dos homens era apenas de colaboradores.<\/p>\n<p>Na medida que as mulheres se organizavam e trabalhavam produtivamente, mudan\u00e7as aconteciam e repercutiam nos v\u00e1rios aspectos da vida pessoal, familiar e social. A rela\u00e7\u00e3o homem-mulher foi diretamente atingida. As mulheres estavam completamente envolvidas e empolgadas com as novas experi\u00eancias de valoriza\u00e7\u00e3o, conquista de espa\u00e7o, assun\u00e7\u00e3o de poder, desenvolvimento pessoal e consequente melhoria de vida. Os homens amea\u00e7ados, perdidos, confusos, exclu\u00eddos e raivosos.<\/p>\n<p>A propor\u00e7\u00e3o em que as mulheres se descobriam, reviam o seu papel na fam\u00edlia e na sociedade. Algumas delas come\u00e7aram a se reconhecer enquanto pessoa que tem corpo, sexualidade, desejos e voz. Os valores eram afetados e o modelo paternalista abalado.<\/p>\n<p>Os homens ficaram perplexos, pois at\u00e9 na cama as mulheres comportavam-se de modo diferente: permitiam-se expressar desejos, prefer\u00eancias, tomar iniciativas, dar limites. Era poss\u00edvel dizer \u201cn\u00e3o\u201d sem desculpas de dor de cabe\u00e7a.<\/p>\n<p>O relacionamento conjugal, a sexualidade, as pessoas e fam\u00edlias n\u00e3o eram mais as mesmas.<\/p>\n<p>Toda comunidade estava afetada. O processo era irrevers\u00edvel e os conflitos homem-mulher agravavam-se, fazendo-se necess\u00e1rio uma urgente interven\u00e7\u00e3o, pois eram frequentes as brigas e amea\u00e7as.<\/p>\n<p>Alguns homens, quando bebiam, chegavam em casa agressivos, demonstrando toda uma indigna\u00e7\u00e3o e \u00f3dio por se sentirem exclu\u00eddos e amea\u00e7ados com a \u201cnova mulher\u201d. As reuni\u00f5es eram tensas pelo clima de amea\u00e7a. A situa\u00e7\u00e3o tornava-se grave com riscos de viol\u00eancia ou at\u00e9 assassinato.<\/p>\n<p>Nessa ocasi\u00e3o, as respons\u00e1veis pelo projeto procuraram os diretores do Libertas, que prontificaram-se para um trabalho de grupo, visando facilitar a administra\u00e7\u00e3o dos conflitos, buscando a melhora da rela\u00e7\u00e3o homem-mulher e maior integra\u00e7\u00e3o da comunidade.<\/p>\n<p>Foi decidido que seria melhor, num primeiro momento, um trabalho com o grupo de homens.<\/p>\n<p>Cerca de 30 homens participaram de um encontro de 10 horas, com dois psic\u00f3logos (um homem e uma mulher).<\/p>\n<p>A reuni\u00e3o tinha como objetivo trabalhar nos homens a inseguran\u00e7a, possibilitando a express\u00e3o de todas as fantasias e emo\u00e7\u00f5es experienciadas.<\/p>\n<p>No in\u00edcio foram solicitados nomes e objetivos para o encontro. Definiu-se um mini-contrato de sigilo, compromissos, pap\u00e9is, limites. A proposta foi explicada e, atrav\u00e9s da Bioenerg\u00e9tica, come\u00e7ou-se a trabalhar a respira\u00e7\u00e3o, os an\u00e9is, o desbloqueio das tens\u00f5es, propiciando grounding.<\/p>\n<p>Introduziu-se a comunica\u00e7\u00e3o entre pares como forma de ir criando v\u00ednculos e quebrando as resist\u00eancias.<\/p>\n<p>O trabalho era intercalado entre o corporal e o espa\u00e7o livre para o emergente do grupo.<\/p>\n<p>A aten\u00e7\u00e3o dos facilitadores era voltada para os sentimentos subjacentes, que eram predominantemente de medo e de raiva. A raiva foi expressa com a ajuda da Bioenerg\u00e9tica, com exerc\u00edcios como o \u201cQuem voc\u00ea pensa que voc\u00ea \u00e9?\u201d e outros de competi\u00e7\u00e3o, luta de poder, limites, que eram vivenciados e trabalhados corporalmente. Desbloqueando-se a mand\u00edbula e estimulando-se a express\u00e3o nos olhos, dentes e bra\u00e7os, muita raiva veio \u00e0 tona e s\u00f3 depois dessa express\u00e3o, integrada a p\u00e9lvis e pernas, \u00e9 que emergiu o medo da perda, aliado \u00e0 tristeza e ao sentimento de impot\u00eancia. Foi ao mesmo tempo doloroso e belo a verdade interior surgir ap\u00f3s a express\u00e3o da negatividade. Naquele momento de fragilidade dos homens, acontecia a verdadeira uni\u00e3o e casamento do masculino e feminino, revelados no compartilhar da dor, nas l\u00e1grimas, no afeto, no amor. Era um momento m\u00e1gico de paz, de encontro existencial; a troca de pap\u00e9is, a transcend\u00eancia dos sexos, a complementariedade, a esperan\u00e7a, o sil\u00eancio, a Unidade.<\/p>\n<p>No instante seguinte, eles come\u00e7aram a conversar e perceber os aspectos positivos do projeto: a educa\u00e7\u00e3o para os filhos, o complemento or\u00e7ament\u00e1rio, o desenvolvimento da comunidade e a melhoria da vida familiar e social. Abria-se, neste momento, a possibilidade de uma aproxima\u00e7\u00e3o, e os homens come\u00e7aram a enxergar a import\u00e2ncia de ocupar alguns espa\u00e7os no projeto como colaboradores. Foi desenvolvido o compromisso de participa\u00e7\u00e3o, nas reuni\u00f5es da comunidade, e que homens e mulheres, juntos, deveriam se unir na dire\u00e7\u00e3o da melhoria de todos.<\/p>\n<p>O trabalho foi encerrado com os facilitadores do Libertas colocando-se dispon\u00edveis para um outro momento, caso houvesse necessidade.<\/p>\n<p>Avaliamos como dif\u00edcil, mas muito enriquecedora, a experi\u00eancia, que, na nossa percep\u00e7\u00e3o, extrapolou os objetivos propostos, permitindo uma viv\u00eancia arquet\u00edpica e transcendente.<\/p>\n<p>Foi uma d\u00e1diva para todos que viveram aquele instante, onde as diferen\u00e7as de sexo, gera\u00e7\u00e3o e classe social, perderam o significado diante da beleza maior do brilho dos olhos, refletindo a alegria e a esperan\u00e7a no encontro dos Homens.<\/p>\n<p>************<\/p>\n<p>Passados 5 anos, procuramos saber, e fomos informados, que com o afastamento da ONG, aos poucos, o projeto foi se descaracterizando.<\/p>\n<p>A caminhonete come\u00e7ou a ser dirigida pelo marido de uma das motoristas para uso pessoal. Tamb\u00e9m uma das l\u00edderes (era considerada a bruxa da comunidade) come\u00e7ou a usar a produ\u00e7\u00e3o da casa de farinha em benef\u00edcio pr\u00f3prio.<\/p>\n<p>Os respons\u00e1veis pelo projeto interviu, tomou o carro e alguns equipamentos.<\/p>\n<p>A avalia\u00e7\u00e3o de uma das condutoras do projeto \u00e9 que, provavelmente, a comunidade n\u00e3o estava preparada para a independ\u00eancia e que deveria ter havido mais trabalhos pessoais e de grupo. Mesmo assim, a experi\u00eancia valeu, refere ela, porque todos vivenciaram um processo educativo, onde melhoraram a auto-estima, aprenderam, se desenvolveram e, hoje, certamente, n\u00e3o s\u00e3o mais os mesmos.<\/p>\n<p>*************<\/p>\n<p>Finalizando, queremos ressaltar a grande contribui\u00e7\u00e3o da An\u00e1lise Bioenerg\u00e9tica, como psicoterapia e como pr\u00e1tica mantenedora da sa\u00fade, aplic\u00e1vel nos diversos setores e camadas da sociedade.<\/p>\n<p>Queremos expressar a nossa gratid\u00e3o, admira\u00e7\u00e3o e afeto ao Dr. Alexander Lowen por possibilitar, atrav\u00e9s da Bioenerg\u00e9tica, a travessia do caminho ao encontro de si, pelo resgate do corpo, da natureza e da vida.<\/p>\n<p>Grace Wanderley de Barros Correia<\/p>\n<p>* Lucina Ara\u00fajo<br \/>* Gedalva Rapela<br \/>* Jayme Panerai Alves<br \/>* colaboradores e revisores<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aplica\u00e7\u00e3o da An\u00e1lise Bioenerg\u00e9tica na Cl\u00ednica Social Equipe Libertas A Sociedade de An\u00e1lise Bioenerg\u00e9tica do Nordeste do Brasil, com sede em Recife, Pernambuco, tem como fundadores<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-156","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/156","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=156"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/156\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=156"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=156"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=156"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}