{"id":154,"date":"2011-01-11T03:48:00","date_gmt":"2011-01-11T03:48:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.analisebioenergetica.com\/site\/?p=154"},"modified":"2011-01-11T03:48:00","modified_gmt":"2011-01-11T03:48:00","slug":"o-corpo-do-terapeuta-na-pratica-clinica-uma-reflexao-sobre-sua-sexualidade-gozo-e-depressao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/o-corpo-do-terapeuta-na-pratica-clinica-uma-reflexao-sobre-sua-sexualidade-gozo-e-depressao\/","title":{"rendered":"O Corpo do Terapeuta na Pr\u00e1tica Cl\u00ednica: uma reflex\u00e3o sobre sua sexualidade, gozo e depress\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div id=\"fb-root\"><\/div>\n<p><b>O Corpo do Terapeuta na Pr\u00e1tica Cl\u00ednica: uma reflex\u00e3o sobre sua sexualidade, gozo e depress\u00e3o<\/b><\/p>\n<div><b><br \/>Liane Zink &#8211; Trainer Internacional de An\u00e1lise Bioenerg\u00e9tica<\/b><\/p>\n<p>Minha reflex\u00e3o tem se voltado para o corpo do terapeuta. Olho meus colegas em volta, a maioria atualmente tem 50 anos ou mais. Muitos adoecem.<\/p>\n<p>Pensando na vida dos grandes desbravadores da psique humana, observo os corpos de Freud e Reich e me pergunto que destinos s\u00e3o esses. Penso no lugar do terapeuta, o lugar da solid\u00e3o do pensamento, da aten\u00e7\u00e3o constante, da doa\u00e7\u00e3o total na rela\u00e7\u00e3o com o outro: \u00abEstou neste momento para voc\u00ea\u00bb.<\/p>\n<p>O corpo do terapeuta muitas vezes cindido dentro do seu pr\u00f3prio lugar, a cadeira em que se deixa cair, o corpo pesado e sem conex\u00e3o com a sua pr\u00f3pria respira\u00e7\u00e3o, \u00e0s vezes deprimido e angustiado, cheio de tens\u00f5es t\u00e3o conhecidas.<\/p>\n<p>Corpo cheio de um desejo que necessita, por \u00e9tica, ser exorcizado, como diz o padre em Morangos Silvestres, de Ingmar Bergman: \u00abRecolha-se, Desejo. Necessito te punir cada vez que apareceres\u00bb.<\/p>\n<p>Corpo a corpo do encontro &#8211; a energ\u00e9tica do desejo, o contato interpessoal. A fala n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria, pois o corpo revela o desejo.<\/p>\n<p>Como fazer para soltar as tens\u00f5es frente ao cliente, que exige e demanda cuidados al\u00e9m do que meu corpo pode compreender ou dar naquele dia, naquela sess\u00e3o?<\/p>\n<p>Territ\u00f3rio da semente da amargura, do suic\u00eddio. Corpo debulhado, como as contas de um ros\u00e1rio.<\/p>\n<p>Corpo onipotente, que cura. Que exorcisa as doen\u00e7as da alma. Ser idealizado. Corpo de esperan\u00e7a, com a responsabilidade de estar com um outro que, de um lado, o idealiza e, de outro, lhe apresenta constantemente o dem\u00f4nio da resist\u00eancia.<\/p>\n<p>Este corpo do terapeuta \u00e9 o mediador organizado entre o sujeito e o mundo: um corpo teatro, cen\u00e1rio constru\u00eddo pelas proje\u00e7\u00f5es do paciente, mas, para al\u00e9m das proje\u00e7\u00f5es do paciente, h\u00e1 um outro cen\u00e1rio constru\u00eddo, ocupado por outros personagens, cria\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias do terapeuta, terreno f\u00e9rtil para dissocia\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A terapia \u00e9 centrada na contratransfer\u00eancia porque todo toque, interven\u00e7\u00e3o ou interpreta\u00e7\u00e3o no corpo do cliente \u00e9 flitrado pelo ego do terapeuta, que muitas vezes d\u00e1 o tom da sess\u00e3o.<\/p>\n<p>Nesse contexto, houve uma transforma\u00e7\u00e3o na postura do terapeuta: n\u00e3o \u00e9 mais o homem barbado que dormita escondido atr\u00e1s do div\u00e3, como ridicularizaram tantas caricaturas, mas \u00e9 aquele que se faz presente no corpo a corpo, no olho no olho, tornando-se mais exposto, mais humanizado, menos endeusado, menos idealizado.<\/p>\n<p>Ainda assim, o terapeuta continua sendo o deposit\u00e1rio das tristezas, dores, alegrias, \u00f3dio e amores do cliente, o que significa ocupar um lugar de poder. Este \u00abtrono\u00bb fortalece , componentes narc\u00edsicos desconectados, que \u00e0s vezes se entranham de tal modo no terapeuta que ele parece n\u00e3o conseguir sair deste trono sem fragmentar-se.<\/p>\n<p>H\u00e1, portanto, inerente ao lugar do terapeuta, o embate entre o narcisismo do lugar que ocupa na vida do cliente e a destitui\u00e7\u00e3o deste lugar. Este embate resulta muitas vezes numa fobia da vida fora do consult\u00f3rio, muito pobre de rela\u00e7\u00f5es afetivas, sociais, que faz dos clientes seus amigos &#8211; e do consult\u00f3rio, seu mundo. Alguns permanecem na cl\u00ednica por mera quest\u00e3o de sobreviv\u00eancia financeira, atuam autom\u00e1ticamente no papel, se perdem em loucuras vinculares, entram em jogos de poder e competi\u00e7\u00e3o nas rela\u00e7\u00f5es, repetindo com os colegas rela\u00e7\u00f5es muito regredidas. Outros assumem atividades diferentes, que restringem, diminuem ou exting\u00fcem sua cl\u00ednica.<\/p>\n<p>\u00c0s vezes somos aut\u00eanticos, \u00e0s vezes uma fraude.<\/p>\n<p>Como o Lobo da Estepe de Hermann Hesse, o ser terapeuta tem 1000 almas aprisionadas. Inesperadamente, uma delas eclode no cen\u00e1rio no momento mais inadequado. Ent\u00e3o aparece o lobo &#8211; a depress\u00e3o, a destrutividade que n\u00e3o se pode conter &#8211; e devora uma alma.<\/p>\n<p>Ainda assim dentro de cada um de n\u00f3s h\u00e1 um terapeuta interno que, ao ser acionado, nos integra, nos d\u00e1 compaix\u00e3o, humildade, vulnerabilidade, nos faz aceitar nossos erros, nos d\u00e1 no\u00e7\u00e3o dos nossos pr\u00f3prios limites. O estar na cl\u00ednica mobiliza instrumentos que s\u00f3 o terapeuta pode regular. Ele precisa de terapia, supervis\u00e3o, amigos, f\u00e9rias. E precisa recorrer ao humor, ao amor, \u00e0 poesia.<\/p>\n<p>Ao embate do trabalho psicoter\u00e1pico se contrap\u00f5e a imagem po\u00e9tica de Boadella sobre o encontro terapeutico: uma dan\u00e7a da rela\u00e7\u00e3o, em que a resson\u00e2ncia, o toque, o ritmo, a vibra\u00e7\u00e3o, a cad\u00eancia, a pulsa\u00e7\u00e3o dos seres se mobilizam para estar aqui e agora, consigo mesmo e com o outro.<\/p>\n<p>Neste momento, o terapeuta testemunha e partilha da afirma\u00e7\u00e3o existencial daquele que n\u00e3o \u00e9 mais seu cliente, mas seu companheiro de caminho. Assim, tamb\u00e9m o terapeuta liberta, d\u00e1 asas a uma de suas 1000 almas aprisionadas &#8211; e vive o fugaz instante de plenitude que d\u00e1 sentido \u00e0 vida.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Corpo do Terapeuta na Pr\u00e1tica Cl\u00ednica: uma reflex\u00e3o sobre sua sexualidade, gozo e depress\u00e3o Liane Zink &#8211; Trainer Internacional de An\u00e1lise Bioenerg\u00e9tica Minha reflex\u00e3o tem<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-154","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/154","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=154"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/154\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=154"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=154"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=154"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}