{"id":152,"date":"2011-08-02T03:34:00","date_gmt":"2011-08-02T03:34:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.analisebioenergetica.com\/site\/?p=152"},"modified":"2011-08-02T03:34:00","modified_gmt":"2011-08-02T03:34:00","slug":"palestra-ecologia-do-corpo-as-estrelas-o-homem-e-o-vento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/palestra-ecologia-do-corpo-as-estrelas-o-homem-e-o-vento\/","title":{"rendered":"[PALESTRA] ECOLOGIA DO CORPO &#8211; AS ESTRELAS, O HOMEM E O VENTO"},"content":{"rendered":"<div id=\"fb-root\"><\/div>\n<p><b>ECOLOGIA DO CORPO<br \/>AS ESTRELAS, O HOMEM E O VENTO<\/b><\/p>\n<div>\n<p>Guy TONELLA<br \/>Doutor em Psicologia Cl\u00ednica, Mestre em Psicofisiologia,<\/div>\n<div>\n<p>A ONU (Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas) proclamou 2008 o \u201cAno internacional do Planeta Terra\u201d. O tema deste Congresso inscreve-se, de modo feliz, nesta preocupa\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria.<\/p>\n<p>O planeta Terra existe h\u00e1 4,6 bilh\u00f5es de anos. Em seguida ao Big Bang, pequenos astros aglomeraram-se em planetas. A Terra \u2013 poeira de estrelas, na escala do universo \u2013  modelou-se, bombardeada por meteoritos e cometas que lhe esculpiram a paisagem. Entretanto, o acaso e as conting\u00eancias podem revolucionar o destino dos planetas. E foi assim, h\u00e1 65 milh\u00f5es de anos, quando um b\u00f3lido rochoso colidiu com a Terra, provocando o desaparecimento dos dinossauros, favorecendo o aparecimento dos mam\u00edferos, a emerg\u00eancia da humanidade, da consci\u00eancia e da cultura. A Natureza encontrou em si pr\u00f3pria recursos para renascer das cinzas e da escurid\u00e3o em que havia sido mergulhada. Atrav\u00e9s da \u201cemerg\u00eancia\u201d e da \u201cauto-organiza\u00e7\u00e3o\u201d, ela foi capaz de recriar, sobre a Terra, o Belo e a Felicidade.<\/p>\n<p>Enquanto, em termos de exist\u00eancia da Terra, falamos em bilh\u00f5es de anos, foi preciso apenas um s\u00e9culo para comprometer seu equil\u00edbrio, ver esp\u00e9cies desaparecerem, apagar-se parte de sua biodiversidade, e a pr\u00f3pria esp\u00e9cie humana ficar amea\u00e7ada. Nenhum museu preservar\u00e1 sua mem\u00f3ria. Nenhum bioqu\u00edmico fabricar\u00e1 a vida pela s\u00edntese de mol\u00e9culas, juntando \u00e1tomos de carbono e hidrog\u00eanio; no m\u00e1ximo, conseguir\u00e1 produzir material org\u00e2nico. Se a vida, pouco a pouco, acabar por se extinguir, nem a qu\u00edmica mais sofisticada conseguir\u00e1 reanim\u00e1-la. Querer fazer melhor do que a Natureza \u00e9 uma loucura perigosa pela qual a humanidade prepara-se a pagar caro. O princ\u00edpio da vida escapa a qualquer materialismo obstinado. O \u00e9lan vital \u00e9 mais do que a soma das fun\u00e7\u00f5es e dos \u00f3rg\u00e3os em boas condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade. Ainda \u00e9 um mist\u00e9rio em termos de explica\u00e7\u00e3o mas \u00e9 uma realidade no n\u00edvel da experi\u00eancia \u00edntima. \u00c9 o que est\u00e1 no fundamento da nossa abordagem, enquanto terapeutas bioenerg\u00e9ticos : o \u00e9lan vital, os fluxos energ\u00e9ticos que sentimos animar nosso ser. O Belo se imp\u00f5e por si s\u00f3. O Belo \u00e9 como uma tira de M\u00f6bius: \u00e9 a passagem impercept\u00edvel da natureza ao Humano, face e interface de um e de outro, filamento de DNA que traz em seu seio uma mem\u00f3ria milenar.<\/p>\n<p>No entanto, a natureza em perigo amea\u00e7a nos arrastar em sua queda, j\u00e1 que habita em n\u00f3s.<\/p>\n<p>A NATUREZA: UM MACROSSISTEMA ECOL\u00d3GICO<\/p>\n<p>Atualmente, o sinal de alarme vem sendo dado por uma tomada de consci\u00eancia coletiva. \u00c9 urgente preservar os grandes equil\u00edbrios naturais maltratados e que s\u00e3o necess\u00e1rios para garantir a sobreviv\u00eancia biol\u00f3gica da esp\u00e9cie humana. Em 1972, o c\u00e9lebre relat\u00f3rio The limits to Growth (Os limites para o Desenvolvimento), publicado pelo Clube de Roma e que reuniu economistas, cientistas e industriais do mundo inteiro, previu uma crise terr\u00edvel a partir de 2010. Se, 35 anos depois, atualizarmos esse relat\u00f3rio, quais seriam os termos desta crise?<\/p>\n<p>    * O esgotamento dos recursos energ\u00e9ticos minerais (carv\u00e3o e petr\u00f3leo, entre outros) e a queda da produ\u00e7\u00e3o industrial;<br \/>    * O esgotamento dos recursos alimentares (cereais, entre outros) e a queda das cotas alimentares. Na verdade, 40% dos cereais produzidos no mundo destinam-se \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de rebanhos (bovinos) para corte com a finalidade de alimentar os consumidores de carne dos pa\u00edses ricos. Uma parte cada vez mais significativa da colheita de cereais \u00e9, portanto, destinada aos animais, privando os seres humanos mais pobres. A Dinamarca consome 45% de calorias de origem animal contra 10% em Bangaladesh. A divis\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola \u00e9 terrivelmente desigual e refor\u00e7a a m\u00e1 alimenta\u00e7\u00e3o e a subnutri\u00e7\u00e3o em pa\u00edses como \u00cdndia e Brasil. Promove o desmatamento, como na Amaz\u00f4nia brasileira. Por outro lado, os gases emitidos pelo rebanho mundial de bovinos (o metano que se acumula na atmosfera cria um efeito estufa) s\u00e3o superiores, em quantidade, ao conjunto dos gases emitidos pelas ind\u00fastrias poluidoras;<br \/>    * A diminui\u00e7\u00e3o progressiva da qualidade da \u00e1gua (por exemplo, pelos pesticidas e fertilizantes agr\u00edcolas, polui\u00e7\u00e3o dos len\u00e7\u00f3is fre\u00e1ticos, modifica\u00e7\u00e3o da composi\u00e7\u00e3o do solo); modifica\u00e7\u00e3o dos ecossistemas pelo bombeamento da \u00e1gua (por exemplo, o esgotamento do mar de Aral, na \u00c1sia Central, do Lago Chade, na \u00c1frica Central); o deslocamento das zonas de chuva devido \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas; conflitos relacionados \u00e0 \u00e1gua, \u00e0s secas e \u00e0 fome (por exemplo, Burundi, Darfour), uma vez que a \u00e1gua possibilita a vida. Entretanto, 1 a 2 bilh\u00f5es de seres humanos ainda s\u00e3o privados do acesso \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel e ao saneamento.<\/p>\n<p>\u201cPodemos provavelmente alimentar entre 9 e 12 bilh\u00f5es de habitantes sobre a Terra, se derrubarmos todas as florestas, drenarmos todos os p\u00e2ntanos, construirmos barragens e canalizarmos todos os rios, transformando em terras cultivadas todas as superf\u00edcies dispon\u00edveis. Mas poder\u00e1 a Terra e seus habitantes sobreviver a tal desastre ecol\u00f3gico? De quantos e quais ecossistemas o planeta precisa para sobreviver? N\u00e3o sabemos. Assim, o que faltar\u00e1 n\u00e3o ser\u00e1 a \u00e1gua e os cereais mas a biodiversidade, os ecossistemas naturais, a floresta virgem etc., quer dizer, o que torna o planeta habit\u00e1vel e &#8230; belo!\u201d (G. de Marsily, Science, 2008).<\/p>\n<p>\u00c9 preciso evitar a anemia da Terra nutriz. Pensamos a ecologia em termos de macrosistema que nos envolve e de que dependemos para nossa sobreviv\u00eancia. Um amplo movimento dos cidad\u00e3os emerge \u2013 finalmente \u2013 da consci\u00eancia humana, para preservar a Natureza e, desse modo, preservar as mudan\u00e7as de sobrevida da Humanidade.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso, portanto, evitar a anemia da consci\u00eancia individual e coletiva. Isso pode nos levar a pensar a ecologia em termos de microssistema sobre o qual n\u00f3s, analistas bioenerg\u00e9ticos, podemos trabalhar, j\u00e1 que a Natureza nos habita \u2013 dela viemos, dela somos feitos e ela constitui nossa matriz corporal.<\/p>\n<p>O CORPO: UM MICROSSISTEMA ECOL\u00d3GICO<\/p>\n<p>Nossa composi\u00e7\u00e3o f\u00edsico-qu\u00edmica nos relembra: minerais provenientes da mat\u00e9ria terrestre constitutiva do universo, prote\u00ednas, glic\u00eddios e lip\u00eddios provenientes dos frutos da natureza que se desenvolveu sobre a Terra, todos os tipos de gases (entre eles, \u00e9 claro, o oxig\u00eanio) oriundos da atmosfera e, para al\u00e9m, ventos interestrelares filtrados. Nossa fisiologia tubular (tubos respirat\u00f3rio, digestivo, neural, sangu\u00edneo) \u00e9 uma arboresc\u00eancia infinita que lembra a dos rios, das \u00e1rvores, das folhas, das redes tel\u00faricas. Nossa anatomia \u00e9 concebida como uma bomba que pulsa \u00e0 imagem do universo em expans\u00e3o, mas feita para resistir \u00e0 for\u00e7a gravitacional. Nossa psicologia cria nosso cotidiano real, como o universo criou a Terra; ela cria fantasmas, como as miragens fot\u00f4nicas do deserto; ela cria ang\u00fastias sem fim, como os buracos negros das gal\u00e1xias que absorvem energia e mat\u00e9ria. Mas a consci\u00eancia cria, ainda, mais alguma coisa.<\/p>\n<p>Estou sentado na praia, em Boa Viagem, e volto meu olhar para uma crian\u00e7a que acaba de entrar rindo na \u00e1gua. Uma s\u00e9rie de acontecimentos sucedem-se, em menos de um mil\u00e9simo de segundo, at\u00e9 que eu veja esta crian\u00e7a ou esteja \u201cconsciente\u201d de que a vejo. Uma quantidade impressionante de f\u00f3tons (10.000 bilh\u00f5es de part\u00edculas luminosas por segundo) refletida pelo corpo da crian\u00e7a e viajando \u00e0 velocidade  de 300.000km por segundo (velocidade da luz) \u00e9 absorvida pelo meu olho e chega \u00e0 retina composta de mais de 100 milh\u00f5es de c\u00e9lulas. As mol\u00e9culas que a comp\u00f5em excitam os neur\u00f4nios que transmitem informa\u00e7\u00f5es ao meu c\u00f3rtex cerebral. Grande parte das centenas de bilh\u00f5es de neur\u00f4nios conectados, percorridos pela corrente el\u00e9trica, analisam a informa\u00e7\u00e3o. Ao final de alguns mil\u00e9simos de segundo, uma imagem aparece no meu c\u00e9rebro: eu vejo a crian\u00e7a.<\/p>\n<p>Mas eu n\u00e3o apenas vejo a crian\u00e7a, eu come\u00e7o a perceber sensa\u00e7\u00f5es (induzidas pelo prazer de v\u00ea-la brincar, induzidas pela \u00e1gua na qual ela mergulha), tenho, agora, impress\u00f5es emocionais (de alegria, de vitalidade, de felicidade inocente). Meu corpo celular (meu \u201corganismo som\u00e1tico\u201d) passou a vez ao meu \u201ccorpo pr\u00f3prio\u201d, subjetivo. O que eu experiencio e a consci\u00eancia que tenho dessa experi\u00eancia ultrapassam a mec\u00e2nica celular e tornam-se fen\u00f4menos subjetivos.<\/p>\n<p>Na escala do corpo pr\u00f3prio, a vida n\u00e3o pode ser explicada de maneira puramente reducionista. O corpo pr\u00f3prio \u00e9 mais do que a soma dos \u00e1tomos, das mol\u00e9culas, das redes nervosas que o comp\u00f5em. Os princ\u00edpios \u201cemergentes\u201d, \u201cauto-organizadores\u201d, de \u201ccomplexidade crescente\u201d, e os fatores epigen\u00e9ticos (minha hist\u00f3ria pessoal) agem de forma hol\u00edstica. Compreendem o soma, o corpo pr\u00f3prio, o psiquismo, o ambiente social e o ambiente natural. As mem\u00f3rias impl\u00edcitas e expl\u00edcitas que conservam os tra\u00e7os filogen\u00e9ticos e ontogen\u00e9ticos de sua origem milenar e de seu pr\u00f3prio desenvolvimento agem como tra\u00e7ados arquet\u00edpicos. A vis\u00e3o que tenho do mundo me pertence ao mesmo tempo em que pertence \u00e0 coletividade; ela \u00e9 minha pr\u00f3pria cria\u00e7\u00e3o \/ ela \u00e9 um reflexo da evolu\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie. Eu sou \u201ceu\u201d (ego) \/ eu sou atravessado pelo \u201cid\u201d, como disse Groddeck.<\/p>\n<p>O corpo pr\u00f3prio, matriz do Self, est\u00e1 na interface entre organismo som\u00e1tico e social, entre natureza e cultura. O corpo pr\u00f3prio \u00e9 universo e \u00e1tomo, mat\u00e9ria e energia, caos e estrutura, repeti\u00e7\u00e3o e cria\u00e7\u00e3o, mec\u00e2nica f\u00edsica e obra da consci\u00eancia subjetiva. Todo o Self est\u00e1 nesse interm\u00e9dio, ao mesmo tempo funcionalidade corporal e obra ps\u00edquica de cria\u00e7\u00e3o original, esteja ela, \u00e0s vezes, na dor ou na loucura.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise bioenerg\u00e9tica est\u00e1 presa no entremeio dessa complexidade: ela atua sobre o funcionamento org\u00e2nico, sua mec\u00e2nica \u00edntima, mas sem deixar de encontrar a pessoa levada por suas escolhas e seu livre destino. N\u00f3s, analistas bioenerg\u00e9ticos, n\u00e3o passamos de \u201cintermedi\u00e1rios\u201d em m\u00faltiplos n\u00edveis, sendo que cada terapeuta tem suas prefer\u00eancias. Somos intermedi\u00e1rios entre macro sistema ecol\u00f3gico (o sentimento universal da beleza infinita) e o micro sistema ecol\u00f3gico (a sensa\u00e7\u00e3o de enraizamento corporal no \u201caqui e agora\u201d): intermedi\u00e1rios entre realidade celular e consci\u00eancia de si, intermedi\u00e1rios entre o pertencimento \u00e0 Natureza e a inscri\u00e7\u00e3o na Cultura. Podemos ser regeneradores de consci\u00eancia individual e coletiva. Podemos ser alguns gr\u00e3os de areia que perturbam a m\u00e1quina infernal.<\/p>\n<p>O TERAPEUTA BIOENERG\u00c9TICO: \u201cINTERMEDI\u00c1RIO\u201d ENTRE MACRO E MICRO SISTEMA<\/p>\n<p>    *<br \/>      O TERAPEUTA BIOENERG\u00c9TICO: \u201cINTERMEDI\u00c1RIO\u201d ENTRE REALIDADE CELULAR E CONSCI\u00caNCIA UNIVERSAL<\/p>\n<p>A consci\u00eancia corporal \u00e9 a matriz da auto-consci\u00eancia. Esta consci\u00eancia elementar repousa sobre uma realidade celular, org\u00e2nica, funcional, anat\u00f4mica, assegurando a circula\u00e7\u00e3o dos fluidos, dos gases e dos \u00edons no interior do organismo. Estrutura anat\u00f4mica e circula\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica provocam fen\u00f4menos de expans\u00e3o\/contra\u00e7\u00e3o e de estiramento\/alongamento, ativando uma flutua\u00e7\u00e3o r\u00edtmica ininterrupta. O organismo na sua globalidade organiza-se como uma bomba pulsante que regula os fluxos biol\u00f3gicos de excita\u00e7\u00e3o. Este processo vital constante produz sensa\u00e7\u00f5es que n\u00f3s experienciamos como sensa\u00e7\u00f5es de existir: sensa\u00e7\u00f5es de esvaziar\/encher, reduzir\/acelerar, dilatar\/retrair, absorver\/rejeitar, conter\/expulsar, de interior\/exterior, de profundeza\/superf\u00edcie de inter-rela\u00e7\u00e3o e de troca entre meio interno\/meio externo. Tais sensa\u00e7\u00f5es regulam nossas capacidades de ativar-se, repousar ou dormir, perceber, emocionar-se, amar, agir, interagir. Esta verdadeira dan\u00e7a \u00e9 incessante e adaptativa. Ela nos d\u00e1 a sensa\u00e7\u00e3o de estar vivo, expressivo e em rela\u00e7\u00e3o com o mundo. As sensa\u00e7\u00f5es e os ritmos que da\u00ed emergem constituem a matriz corporal da organiza\u00e7\u00e3o ps\u00edquica: s\u00e3o mem\u00f3rias r\u00edtmicas e sensoriais que inscrevem a hist\u00f3ria elementar do Self. Elas s\u00e3o auto-consci\u00eancia.<\/p>\n<p>Esta alquimia do vivo e do expressivo ap\u00f3ia-se sobre os equil\u00edbrios entre cargas e descargas energ\u00e9ticas. Manifesta-se como \u201cfun\u00e7\u00e3o pendular\u201d (Lowen): nem muito nem pouco, a fim de manter um equil\u00edbrio homeost\u00e1tico que seja fonte de serenidade, oposto \u00e0 \u201cang\u00fastia de estase\u201d (Reich). O organismo vivo inscreve-se em uma rela\u00e7\u00e3o incondicional com seu ambiente natural para manter sua homeostase: precisa de oxig\u00eanio, de \u00e1gua, de prot\u00eddeos, lip\u00eddios, glic\u00eddios, minerais etc. A Natureza lhe oferece tudo isso: \u00e9 dela que ele se diferencia mas \u00e9 dela que ele \u00e9 feito. Pertence a ela. Ele a consome mas deve restaur\u00e1-la. A homeostase individual est\u00e1 ligada \u00e0 homeostase Natural, na verdade, Universal.<\/p>\n<p>\u00c9 desse modo que o trabalho bioenerg\u00e9tico nos faz oscilar entre a ancoragem em terra firme (o \u201cgrounding\u201d de Lowen) e o \u201csentimento oce\u00e2nico\u201d de pertencimento ao universo inteiro. Somos rocha e somos vento. Somos mat\u00e9ria at\u00f4mica e esp\u00edrito errante. A experi\u00eancia bioenerg\u00e9tica tece este cont\u00ednuo entre \u00e1tomo e esp\u00edrito, esta complexidade vertiginosa de onde emergem o renascimento, a cria\u00e7\u00e3o, o amor e o belo. Ela tem esse poder extraordin\u00e1rio de fazer viver a uni\u00e3o entre o infinitamente pequeno e o infinitamente grande, entre o sentimento de humildade e o sentimento de exalta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Se nossa pr\u00f3pria terapia bioenerg\u00e9tica tiver conseguido fazer germinar em n\u00f3s esses diversos n\u00edveis de consci\u00eancia, ent\u00e3o n\u00f3s, por nosso lado, os transmitiremos a nossos pacientes: eu falo dos la\u00e7os de liga\u00e7\u00e3o que nos unem tanto \u00e0 humanidade como \u00e0 natureza. A an\u00e1lise bioenerg\u00e9tica \u00e9 intrinsecamente ecol\u00f3gica.<\/p>\n<p>2 \u2013 O TERAPEUTA BIOENERG\u00c9TICO: \u201cINTERMEDI\u00c1RIO\u201d ENTRE NATUREZA E CULTURA<\/p>\n<p>N\u00f3s compartilhamos pelo menos 95% do nosso genoma com o chimpanz\u00e9 e pouco menos com numerosos mam\u00edferos. Somos, certamente, a \u00fanica esp\u00e9cie que desenvolve atividades culturais fundadas na simboliza\u00e7\u00e3o em que se revezam signos, imagens ou palavras. Devemos, entretanto, reconhecer que esp\u00e9cies que nos precederam na evolu\u00e7\u00e3o nos prepararam para desenvolver valores que fundam a cultura enquanto cimento da humanidade. Tomarei alguns exemplos.<\/p>\n<p>A EMPATIA<\/p>\n<p>J\u00e1 em 1935, N. N. Ladygina-Kohts descreve as manifesta\u00e7\u00f5es de empatia do seu jovem chimpanz\u00e9 Joni, criado em Moscou: \u201cSe fa\u00e7o cara de choro, fechando os olhos e gemendo, Joni p\u00e1ra imediatamente suas brincadeiras ou qualquer outra atividade e vem em minha dire\u00e7\u00e3o&#8230; Olhando-me no rosto, ele segura meu queixo, ternamente, na palma da sua m\u00e3o, toca meu rosto com seu dedo&#8230;\u201d.<br \/>Em 1990, S. M. O\u2019Connell analisou milhares de relat\u00f3rios qualitativos sobre a empatia entre os macacos. A compreens\u00e3o do estado emocional do cong\u00eanere revelou-se particularmente freq\u00fcente entre os chimpanz\u00e9s: eles reconfortam os que est\u00e3o aflitos, adotam os \u00f3rf\u00e3os, ajudam os doentes e deficientes, consolam, tranq\u00fcilizando um protagonista aflito, em dificuldades, ou que tenha perdido uma briga, por exemplo, passando gentilmente um bra\u00e7o em torno dos seus ombros (Waal, Aureli, 1996).<\/p>\n<p>Os grandes macacos, mas tamb\u00e9m os golfinhos, desenvolvem uma empatia cognitiva chamada de \u201cajuda espec\u00edfica\u201d: ela se apresenta como um comportamento altru\u00edsta, portanto que n\u00e3o precisa de recompensa, e adaptado \u00e0s necessidades do outro. \u00c9 o caso de um gorila f\u00eamea que salvou um menino no zool\u00f3gico de Brokkfield, em Chicago, ou tamb\u00e9m dos golfinhos que estabelecem rela\u00e7\u00f5es com crian\u00e7as autistas. Estes grandes macacos e os golfinhos t\u00eam a particularidade de reconhecer sua imagem no espelho, o que constitui uma atividade de empatia cognitiva.<\/p>\n<p>A RECIPROCIDADE<\/p>\n<p>Duas esp\u00e9cies de primatas estudadas at\u00e9 hoje, os chimpanz\u00e9s e os macacos-capuchinhos, repartem o alimento mesmo fora da rela\u00e7\u00e3o m\u00e3e-filhotes. Podem estabelecer um compartilhamento que n\u00e3o se baseia apenas no interesse e que favorece a coopera\u00e7\u00e3o.<br \/>Gostaria de lhes mostrar esse v\u00eddeo como ilustra\u00e7\u00e3o. (vid\u00e9o labo. singes)<\/p>\n<p>SOLU\u00c7\u00c3O DE CONFLITOS E RECONCILIA\u00c7\u00c3O<\/p>\n<p>Dois chimpanz\u00e9s machos se perseguem, urrando e gritando. Agora, eles descansam em uma \u00e1rvore. Dez minutos depois, um dos dois machos estende a m\u00e3o e convida o outro a estreitar-se contra ele. Alguns minutos mais tarde, eles se enla\u00e7am e se abra\u00e7am e depois descem da \u00e1rvore para uma sess\u00e3o de toalete m\u00fatua. (photos) Este comportamento de reconcilia\u00e7\u00e3o re\u00fane novamente os advers\u00e1rios, no final de um conflito, e repara a rela\u00e7\u00e3o. Reata os la\u00e7os que uma agress\u00e3o havia perturbado e reativa a coopera\u00e7\u00e3o m\u00fatua. \u00c9 o beijo entre os chimpanz\u00e9s, uma rela\u00e7\u00e3o sexual entre os bonobos, o mostrar o traseiro entre os macacos de cara vermelha. Entre os primatas, observa-se um aumento enorme dos contatos corporais entre antigos advers\u00e1rios na fase que se segue aos conflitos (PC). (cf diagramme p.67)<\/p>\n<p>COOPERA\u00c7\u00c3O<\/p>\n<p>A coopera\u00e7\u00e3o entre indiv\u00edduos constitui o cimento social. A fam\u00edlia, na esp\u00e9cie humana, \u00e9 um prot\u00f3tipo disso e, atualmente, observa-se uma diversifica\u00e7\u00e3o dos tipos de fam\u00edlias: tradicional, refeita, mono-parental, homo-parental &#8230; Entretanto, esta diversifica\u00e7\u00e3o j\u00e1 existe em esp\u00e9cies animais, habitualmente no seio de uma mesma esp\u00e9cie. Por exemplo, os primatas recolhem e adotam beb\u00eas macacos \u00f3rf\u00e3os. (photos)<\/p>\n<p>Mas surpresas nos aguardam.<br \/>Uma equipe norueguesa observou um casal homossexual de gar\u00e7as macho desenvolvendo rituais amorosos. Conseguiram roubar um ovo do ninho de uma f\u00eamea e o chocaram, alternando-se, at\u00e9 que o ovo abriu e criaram cuidadosamente o filhote at\u00e9 a maturidade. (photo)<\/p>\n<p>No ano passado, em um zool\u00f3gico da Calif\u00f3rnia, uma tigresa, depois de ter perdido, no nascimento, suas duas crias, deixava-se morrer, deprimida, n\u00e3o se alimentava, parando de fazer tudo. Como n\u00e3o havia dispon\u00edvel nenhum tigre beb\u00ea substituto, tentou-se uma experi\u00eancia. Uma porca havia acabado de morrer durante o parto de oito porquinhos que ficaram \u00f3rf\u00e3os. Eles foram recobertos com um pano que imitava a pele de tigre e apresentados \u00e0 tigresa. Ela os adotou e criou. (photos)<\/p>\n<p>A esp\u00e9cie humana herdou esses valores comportamentais para desenvolver valores sociais tais como a justi\u00e7a, a \u00e9tica e a paz que se inserem em manifesta\u00e7\u00f5es culturais l\u00fadicas, art\u00edsticas, esportivas, cient\u00edficas. Este Congresso \u00e9 um exemplo disso.<br \/>\u00c9 importante compreender que esses valores inscreveram-se, ao longo de mil\u00eanios, nas modalidades corporais e interacionais assistidas pela complexidade do c\u00e9rebro humano. Nosso sistema l\u00edmbico traz impresso o instinto do v\u00ednculo , da tend\u00eancia a proporcionar conforto e a consolar; a empatia est\u00e1 inscrita nas estruturas nervosas cerebrais, os neur\u00f4nios-espelho entre outras.<\/p>\n<p>Somos portanto mais uma vez, terapeutas bioenerg\u00e9ticos, intermedi\u00e1rios e core\u00f3grafos de uma dan\u00e7a vital onde se misturam instintos herdados de uma necessidade de adapta\u00e7\u00e3o constante ao meio natural, e desejos de pertencer a uma cultura que nos modelou no ber\u00e7o e que continua a estimular nossos desejos. Adultos, encontramos em n\u00f3s pelo menos um estado de harmonia entre necessidade de natureza e desejo de cultura, em n\u00f3s, como em nossos pacientes, contradi\u00e7\u00f5es \u00e0s vezes dif\u00edceis de articular, freq\u00fcentemente conflitos que resultam de fissuras entre instinto e desejos.<br \/>Somos reparadores de la\u00e7os natureza-cultura porque, trabalhando com o corpo, n\u00f3s desenterramos os instintos ou as sensa\u00e7\u00f5es milenares perdidas ou adormecidas, inibidas pela tens\u00e3o cotidiana, o estresse, a busca do desempenho ou da imagem social de si. Na terapia, n\u00f3s despertamos as constela\u00e7\u00f5es sens\u00f3rio-emocionais que, pela respira\u00e7\u00e3o, lembram o vento e que, pelo movimento, evocam a dan\u00e7a ao vento. A an\u00e1lise bioenerg\u00e9tica atua em uma dial\u00e9tica ecol\u00f3gica constante entre fluxos corporais imemoriais e modelos culturais atuais introjetados.<\/p>\n<p>O QUE PODERIA SER UMA AN\u00c1LISE BIOENERG\u00c9TICA ECOLOGICAMENTE MILITANTE?<\/p>\n<p>A an\u00e1lise bioenerg\u00e9tica, assim definida, como intrinsecamente ecol\u00f3gica, pode ter m\u00faltiplas aplica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A TERAPIA INDIVIDUAL<\/p>\n<p>N\u00f3s trabalhamos na dimens\u00e3o da dignidade humana. Procuramos semear o amor no cora\u00e7\u00e3o dos nossos pacientes feridos, mal amados, maltratados, abusados: o amor de si e o amor pelo outro. \u201cSem amor &#8230; n\u00e3o se \u00e9 nada\u201d cantava Edith Piaf. O amor deixa bela e transparente: a beleza das flores, do c\u00e9u estrelado, do barulho das ondas, do murm\u00fario das folhas de \u00e1rvore. O amor cuida: de si, dos outros, da natureza.<br \/>Creio que o amor, como a empatia, como o cuidar do outro e da natureza, n\u00e3o \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o ps\u00edquica ou uma consci\u00eancia mental. \u00c9 fundamentalmente um estado sens\u00f3rio-motor que nos habita no n\u00edvel mais profundo e nos \u00e9 transmitido por nossa m\u00e3e: nossa m\u00e3e biol\u00f3gica e m\u00e3e-Natureza. Desta conjun\u00e7\u00e3o maternal nasce em n\u00f3s uma multid\u00e3o de constela\u00e7\u00f5es sens\u00f3rio-emocionais sem idade, nascidas de poeiras de estrelas que viraram \u00e1tomos, c\u00e9lulas, cora\u00e7\u00e3o, ventre, c\u00e9rebro, mem\u00f3ria impl\u00edcita, bra\u00e7o estendido para o outro.<br \/>O terapeuta bioenerg\u00e9tico atrav\u00e9s da sua humanidade e de sua presen\u00e7a universal traz, \u00e0 consci\u00eancia f\u00edsica dos seus pacientes, estados de ser sensoriais e emocionais que s\u00e3o matrizes de vida. Quando o organismo pulsa, vibra, torna-se luminoso, s\u00e3o bilh\u00f5es de f\u00f3tons que dele se desprendem e iluminam por sua vez os outros, atravessando camadas conc\u00eantricas, da mais pr\u00f3xima onde residem os seus, \u00e0 mais long\u00ednqua onde residem os ausentes.<\/p>\n<p>O ENGAJAMENTO SOCIAL<\/p>\n<p>No Brasil, na Argentina, talvez em outros pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul, voc\u00eas t\u00eam desenvolvido \u201ccl\u00ednicas sociais\u201d. As cl\u00ednicas sociais s\u00e3o ecossistemas destinados aos esquecidos, aos desfavorecidos, aos abandonados, aos exclu\u00eddos, \u00e0queles e \u00e0quelas considerados como ervas daninhas ou sementes in\u00fateis, que n\u00e3o t\u00eam acesso \u00e0 psicoterapia porque n\u00e3o t\u00eam dinheiro.<br \/>Voc\u00eas consideraram que nada ou ningu\u00e9m, no ecossistema humano, deve ser rejeitado. Voc\u00eas trabalham pela inclus\u00e3o, pelo compartilhamento, pela fraternidade. Voc\u00eas reconstru\u00edram essa conex\u00e3o que tanto falta nos pa\u00edses ditos \u201ccivilizados\u201d (a Am\u00e9rica do Norte, a Europa) que recalcaram ao mais profundo de sua estrutura c\u00f3rtico-l\u00edmbica as mensagens de ajuda m\u00fatua e de coopera\u00e7\u00e3o constru\u00edda ao longo de mil\u00eanios pelas esp\u00e9cies animais.<br \/>Voc\u00eas devem exportar este modelo para outros pa\u00edses, para outros continentes. Voc\u00eas devem conceitualiz\u00e1-lo, escrev\u00ea-lo para n\u00f3s, fazer com ele uma carta universal proposta \u00e0 nossa comunidade internacional. N\u00f3s precisamos da sua experi\u00eancia, do seu modelo. Fa\u00e7o um voto: que a FLAAB ponha em pr\u00e1tica suas for\u00e7as vivas para nos apresentar um documento \u00fanico e sint\u00e9tico. Eu vos agrade\u00e7o de todo cora\u00e7\u00e3o por poder sonhar com isso.<\/p>\n<p>A PARTICIPA\u00c7\u00c3O EM UM PROJETO PLANET\u00c1RIO<\/p>\n<p>Podemos ir mais longe e participar de um projeto com voca\u00e7\u00e3o universal. No ano de 2000, 192 chefes de estado assinaram a Declara\u00e7\u00e3o do Mil\u00eanio. Foram definidos oito objetivos:<\/p>\n<p>    * Reduzir a pobreza extrema e a fome<br \/>    * Garantir educa\u00e7\u00e3o fundamental a todos<br \/>    * Promover a igualdade e a autonomiza\u00e7\u00e3o das mulheres<br \/>    * Reduzir a mortalidade infantil<br \/>    * Melhorar a sa\u00fade materna<br \/>    * Combater a AIDS, o impaludismo e outras doen\u00e7as<br \/>    * Garantir um ambiente dur\u00e1vel<br \/>    * Colocar em pr\u00e1tica uma parceria mundial para o desenvolvimento<\/p>\n<p>Em 2003. atrav\u00e9s da resolu\u00e7\u00e3o 58\/5, as Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) consideraram que as pr\u00e1ticas f\u00edsicas e o esporte estavam a servi\u00e7o do desenvolvimento da paz e eram um vetor essencial para realizar esses Objetivos do Mil\u00eanio.<br \/>Na Am\u00e9rica do Sul, um grande n\u00famero de pa\u00edses, entre eles o Brasil, a Argentina, o Chile e, em breve outros, ser\u00e3o signat\u00e1rios desse programa. Nascer\u00e3o centros comunit\u00e1rios em v\u00e1rios bairros, cidades e regi\u00f5es de cada um desses pa\u00edses. Eles colocar\u00e3o \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es locais instala\u00e7\u00f5es esportivas, sociais e culturais para oferecer oportunidades educativas \u00e0 inf\u00e2ncia e \u00e0 juventude. Esses centros ser\u00e3o financiados por parecerias p\u00fablico-privadas, levando em conta as especificidades ecol\u00f3gicas e os recursos naturais de cada regi\u00e3o.<br \/>Creio que a an\u00e1lise bioenerg\u00e9tica pode ter seu lugar enquanto pr\u00e1tica corporal nesses centros comunit\u00e1rios: penso em grupos de exerc\u00edcios bioenerg\u00e9ticos. Creio que ela pode encontrar a\u00ed um espa\u00e7o de desenvolvimento e difus\u00e3o, talvez um lugar de expans\u00e3o para o conceito de \u201ccl\u00ednica social\u201d.<br \/>Esta perspectiva \u00e9 a de uma an\u00e1lise bioenerg\u00e9tica ecologicamente militante. As paredes dos consult\u00f3rios de psicoterapia podem se expandir, a filosofia das cl\u00ednicas sociais pode entrar em um projeto universal, a pr\u00e1tica bioenerg\u00e9tica pode afirmar-se como pr\u00e1tica ecossociol\u00f3gica.<\/p>\n<p>CONCLUS\u00c3O<\/p>\n<p>Enquanto analistas bioenerg\u00e9ticos, n\u00f3s temos um engajamento impl\u00edcito: o da transmiss\u00e3o da mem\u00f3ria do universo enquanto ele se faz Natureza sobre a Terra porque ela est\u00e1 inscrita nas nossas propriedades f\u00edsico-qu\u00edmicas, nas nossas pulsa\u00e7\u00f5es vitais, nos nossos ritmos corporais, nas nossas intera\u00e7\u00f5es de vincula\u00e7\u00e3o aos membros de nossa esp\u00e9cie, aos de outras esp\u00e9cies, \u00e0s \u00e1rvores, \u00e0s flores, \u00e0s montanhas e aos rios. Temos, talvez, essa miss\u00e3o particular de transformar essa mem\u00f3ria impl\u00edcita em mem\u00f3ria expl\u00edcita porque nosso instrumento \u00e9 o corpo e nossa finalidade \u00e9 a de despertar constela\u00e7\u00f5es sens\u00f3rio-emocionais, para alguns universais, que se transformam em auto-consci\u00eancia, consci\u00eancia da humanidade, consci\u00eancia da Natureza que a envolve e constitui seu ber\u00e7o. A felicidade reside neste Belo preservado que floresce em si e em torno de si.<\/p>\n<p>Somos a energia das estrelas transformada em mat\u00e9ria humana. Somos o esp\u00edrito do universo depositado pelo vento em uma dan\u00e7a, uma poesia, um canto. (Escutem como esse canto \u00e9 belo).<\/p>\n<p>N.T. No original, \u201cpasseurs\u201d, palavra que designa aquele que ajuda na travessia, que conduz entre fronteiras. Em portugu\u00eas, uma tradu\u00e7\u00e3o mais literal seria \u201catravessador\u201d mas julgamos que ela poderia ter uma conota\u00e7\u00e3o de atividade comercial que n\u00e3o entendemos apropriada ao presente texto. Optamos, ent\u00e3o, pelo termo \u201cintermedi\u00e1rio\u201d que, na nossa opini\u00e3o, embora mais gen\u00e9rico, \u00e9 menos comprometido.<\/p>\n<p>N.T. No original, instinct d\u2019attachement.<\/p>\n<p>Guy TONELLA, 2008<br \/>Doutor em Psicologia Cl\u00ednica, Mestre em Psicofisiologia,<br \/>Encarregado de cursos e confer\u00eancias honor\u00e1rio em Psicologia,<br \/>Universit\u00e9 P. Sabatier, Toulouse \/ Universit\u00e9 P. Val\u00e9ry, Montpellier<br \/>Co-diretor do Coll\u00e8ge Fran\u00e7ais d\u2019Analyse Bio\u00e9nerg\u00e9tique<br \/>Formador internacional, membro do Institut International d\u2019Analyse Bio\u00e9nerg\u00e9tique<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ECOLOGIA DO CORPOAS ESTRELAS, O HOMEM E O VENTO Guy TONELLADoutor em Psicologia Cl\u00ednica, Mestre em Psicofisiologia, A ONU (Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas) proclamou 2008 o<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":386,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[20],"tags":[],"class_list":["post-152","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-congresso-2008"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/152","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=152"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/152\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media\/386"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=152"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=152"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=152"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}