{"id":149,"date":"2011-01-11T03:30:00","date_gmt":"2011-01-11T03:30:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.analisebioenergetica.com\/site\/?p=149"},"modified":"2011-01-11T03:30:00","modified_gmt":"2011-01-11T03:30:00","slug":"palestra-resiliencia-no-seculo-xxi-descobrindo-a-propria-fortaleza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/palestra-resiliencia-no-seculo-xxi-descobrindo-a-propria-fortaleza\/","title":{"rendered":"[PALESTRA] RESILI\u00caNCIA NO S\u00c9CULO XXI &#8211; DESCOBRINDO A PR\u00d3PRIA FORTALEZA"},"content":{"rendered":"<div id=\"fb-root\"><\/div>\n<p>RESILI\u00caNCIA NO S\u00c9CULO XXI &#8211; DESCOBRINDO A PR\u00d3PRIA FORTALEZA<\/p>\n<p>MARIANGELA GARGIONI DONIC<br \/>Psic\u00f3loga &#8211; Analista Bioenerg\u00e9tico pelo IABSP &#8211; Mestre em psicologia Cl\u00ednica: N\u00facleo Psicossom\u00e1tica e Psicologia Hospitalar-PUC\/SP.<br \/>RESUMO<\/p>\n<p>O conceito de resili\u00eancia constitui uma poderosa ferramenta de transforma\u00e7\u00e3o permitindo ser um alento ao sofrimento humano, por encorajar a adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s situa\u00e7\u00f5es desafiadores e estressantes da exist\u00eancia, por meio de um engajamento ativo e da busca de respostas positivas que possam reconduzir o individuo ao um estado de equil\u00edbrio bio, psico, social e espiritual.<\/p>\n<p>Na sociedade moderna as mudan\u00e7as est\u00e3o cada vez mais r\u00e1pidas e profundas, exigindo constantes esfor\u00e7os de adapta\u00e7\u00e3o e, portanto, tornando a resili\u00eancia um desafio ao novo mil\u00eanio.<br \/>A resili\u00eancia n\u00e3o deve pertencer a um grupo conceitual ideol\u00f3gico, ao contr\u00e1rio, adv\u00e9m do sentido que \u00e9 atribu\u00eddo \u00e0 exist\u00eancia humana, ou seja, da capacidade de fazer la\u00e7os afetivos e profissionais e ainda da presen\u00e7a de um projeto de vida.<\/p>\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o da Resili\u00eancia e suas caracter\u00edsticas residem na possibilidade de implementar programas preventivos e interventivos, conscientizando a popula\u00e7\u00e3o sobre a utiliza\u00e7\u00e3o de seus recursos internos para promover uma exist\u00eancia mais sadia e com qualidade.<\/p>\n<p>Dentre os fen\u00f4menos indicativos de vida saud\u00e1vel destaca-se a resili\u00eancia, por referir-se a processos que explicam a supera\u00e7\u00e3o de adversidades, onde o foco esta no indiv\u00edduo, grupo ou comunidade, propondo-se a prevenir, minimizar, ou superar os efeitos danosos da adversidade.<\/p>\n<p>Palavras-chave: Enfrentamento; estresse, qualidade de vida, resili\u00eancia, fatores de risco, fatores de prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>INTRODU\u00c7\u00c3O<\/p>\n<p>\u201c\u2026 n\u00e3o penso na ang\u00fastia, mas penso na beleza de ainda viver\u201d.<br \/>Di\u00e1rio de Anne Frank<\/p>\n<p>Uma das caracter\u00edsticas do pensamento reichiano \u00e9 o seu otimismo, a sua esperan\u00e7a quanto ao desenvolvimento do n\u00facleo saud\u00e1vel do ser humano.<\/p>\n<p>Reich nos deixou um legado de f\u00e9; mais do que fazermos parte da natureza somos natureza; e era sobre essa vida que ele concluiu que devemos atuar.<\/p>\n<p>De acordo com F. Capra (2004), W. Reich foi o pioneiro da mudan\u00e7a do paradigma; sua perspectiva c\u00f3smica, concep\u00e7\u00e3o hol\u00edstica e din\u00e2mica do mundo; superava em muito a ci\u00eancia de seu tempo, que n\u00e3o foram aceitas. No entanto o funcionalismo orgon\u00f4mico coincide perfeitamente com o conceito de processo na sua vis\u00e3o moderna dos sistemas. O novo paradigma tem uma vis\u00e3o hol\u00edstica do mundo como tamb\u00e9m uma vis\u00e3o ecol\u00f3gica, reconhecendo a interdepend\u00eancia fundamental entre todos os fen\u00f4menos, como indiv\u00edduos e como sociedades estamos imersos nos processos c\u00edclicos da natureza.(IN: SERRANO, 2004).<\/p>\n<p>Uma das melhores contribui\u00e7\u00f5es do j\u00e1 extinto s\u00e9culo XX foi sem d\u00favida alguma a emerg\u00eancia do paradigma ecol\u00f3gico na consci\u00eancia coletiva. Existe um tamb\u00e9m um interesse na compreens\u00e3o dos processos de bem-estar e qualidade de vida emocional que vem ganhando espa\u00e7o nas discuss\u00f5es no campo da Psicologia.<br \/>N\u00f3s seres humanos, somos corpo, emo\u00e7\u00e3o, mente e esp\u00edrito.Por outro lado, nossa exist\u00eancia individual ocorre nos campos familiar, sociocultural (pol\u00edtico, econ\u00f4mico, hist\u00f3rico) e ambiental (ou c\u00f3smico), com os quais iremos mantendo rela\u00e7\u00f5es de interdepend\u00eancia vital.<\/p>\n<p>Cl\u00e1udio Mello Wagner salienta que, o pensamento reichiano \u00e9 um pensamento voltado para a compreens\u00e3o funcional de todo e qualquer acontecimento e suas intera\u00e7\u00f5es; seja este acontecimento uma varia\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica, o desenvolvimento de uma planta, o funcionamento psicossom\u00e1tico, uma rela\u00e7\u00e3o amorosa, o consumismo desenfreado, a loucura, as quest\u00f5es existenciais de vida e morte.<br \/>Esta \u00e9 a raz\u00e3o pela qual todo psicoterapeuta realmente comprometido com a cura da dor humana n\u00e3o tem alternativa a n\u00e3o ser ir al\u00e9m do espa\u00e7o cl\u00ednico e a denunciar os<\/p>\n<p>aspectos perversos dos sistemas sociais, pol\u00edtico e econ\u00f4micos, geradores da dor e do sofrimento.<br \/>Trazer algum grau de previsibilidade ao imprevis\u00edvel parece ser a incans\u00e1vel batalha dos pesquisadores em ci\u00eancias humanas e sociais.A possibilidade de a partir de elementos contextuais, podendo antecipar os rumos do comportamento humano traz expectativas bastante otimista em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 possibilidade de desenvolver trabalhos que consideram os fatores de prote\u00e7\u00e3o ao risco.<br \/>O movimento intitulado Psicologia Positiva vem afirmar-se na edi\u00e7\u00e3o especial de 2001 do peri\u00f3dico American Psychologist, e \u00e9 definido como uma \u201ctentativa de levar os psic\u00f3logos contempor\u00e2neos a adotarem uma vis\u00e3o mais aberta e apreciativa dos potenciais, das motiva\u00e7\u00f5es e das capacidades humanas\u201d.<\/p>\n<p>O conceito \u00e9 interessante para ser pesquisado, principalmente por trazer o desafio para a constru\u00e7\u00e3o de linhas de pesquisa centradas num conhecimento que justifique os aspectos de sa\u00fade da condi\u00e7\u00e3o humana sem que se incorra em classifica\u00e7\u00f5es ou rotula\u00e7\u00f5es ideologicamente determinadas.<br \/>.\u00c9 interessante a rela\u00e7\u00e3o atualmente estabelecida entre a Psicologia Positiva e a resili\u00eancia; Yunes adotando uma vis\u00e3o sist\u00eamica, ecol\u00f3gica e de desenvolvimento, conceitua essa psicologia como um movimento de investiga\u00e7\u00e3o de aspectos potencialmente saud\u00e1veis dos seres humanos, motiva\u00e7\u00f5es e capacidades em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 psicologia tradicional, rompendo com a tend\u00eancia de perceber o ser humano dentro da abordagem reducionista da psicopatologia. Considera a resili\u00eancia como capacidade humana e como um dos fatores indicativos de vida saud\u00e1vel.<\/p>\n<p>As atuais ci\u00eancias da sa\u00fade tamb\u00e9m modificaram sua estrutura e racioc\u00ednio. Apesar de haver dominado por mais de 50 anos a defini\u00e7\u00e3o de sa\u00fade da OMS: \u00absa\u00fade \u00e9 n\u00e3o s\u00f3 a aus\u00eancia de doen\u00e7a, mas um estado de completo bem-estar f\u00edsico, mental e social\u00bb  \u2013 com o acr\u00e9scimo, em 1987, de uma quarta dimens\u00e3o, o bem-estar espiritual  \u2013, h\u00e1 hoje novas estruturas, mais funcionais, para o conceito de sa\u00fade.<\/p>\n<p>A estrutura de uma sa\u00fade p\u00fablica mais consistente com o mundo da resili\u00eancia pode ser vista no Charter de Ottowa ,(confer\u00eancia internacional sobre a promo\u00e7\u00e3o de sa\u00fade realizada em 21 de novembro de 1986), esta confer\u00eancia estabeleceu os princ\u00edpios para o processo de promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade \u201cpromo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade \u00e9 o processo que capacita as pessoas a terem controle sobre os fatores determinantes da sa\u00fade a fim de melhorar sua sa\u00fade e poder gozar de uma boa qualidade de vida\u201d.<br \/>De acordo com Ara\u00fajo a psicologia ambiental considera que, o conceito de resili\u00eancia pode ser amplificado ao relacionar a resili\u00eancia \u00e0 id\u00e9ia te\u00f3rica de equil\u00edbrio dos ecossistemas que, com seus mecanismos cibern\u00e9ticos, mostram atributos homeost\u00e1ticos, ou melhor, homodin\u00e2micos que permitem que eles mantenham suas fun\u00e7\u00f5es frente ao estresse induzido por mudan\u00e7as estruturais.<\/p>\n<p>Resili\u00eancia pode ser definida como a capacidade dos ecossistemas de resistir ao estresse e choques, de absorver o dist\u00farbio e de se recuperar das mudan\u00e7as disruptivas (criativas). Sabe-se que muitas dessas mudan\u00e7as s\u00e3o devidas \u00e0 atividade humana, a pr\u00f3pria atividade econ\u00f4mica do ser humano.<br \/>A primeira vez que escutei a palavra resili\u00eancia foi em 2003, no grupo de orienta\u00e7\u00e3o na PUC\/SP com o Dr. Esdras Vasconcellos, onde Adelson A. Filgueira amigo do grupo, j\u00e1 na fase final de sua tese apresentava seu tema: \u201cA RESILI\u00caNCIA DO (A) CABRA DA PESTE: UMA CONTRIBUI\u00c7\u00c3O \u00c0 PROMO\u00c7\u00c3O DE SA\u00daDE NO SERT\u00c3O NORDESTINO\u201d (2005) .<\/p>\n<p>Adelson pesquisa se o sertanejo \u00e9, antes de tudo, um forte? Sugere que, durante todo o s\u00e9culo XX, a constru\u00e7\u00e3o de um mito, onde o cabra da peste \u00e9 colocado no mundo na condi\u00e7\u00e3o de invulner\u00e1vel. Para estudar a sua for\u00e7a buscou-se a resili\u00eancia. Sua pesquisa teve como objetivos pesquisar a constitui\u00e7\u00e3o da resili\u00eancia no cabra da peste e como este conhecimento pode fomentar a promo\u00e7\u00e3o de sa\u00fade no sert\u00e3o nordestino; sugerem que a resili\u00eancia no contexto sertanejo \u00e9 apreendida como uma condi\u00e7\u00e3o circunstanciada pela conviv\u00eancia do sertanejo com a seca, onde a adapta\u00e7\u00e3o positiva est\u00e1 associada a um contexto de mis\u00e9ria, predominando uma vis\u00e3o desta como conseq\u00fc\u00eancia natural da estiagem. Neste sentido, subsiste a no\u00e7\u00e3o de sobreviv\u00eancia \u00e0 precariedade das condi\u00e7\u00f5es de vida do sert\u00e3o como express\u00e3o da resili\u00eancia dos seus habitantes.Constata ainda que entre outras coisas, que a resili\u00eancia do cabra da peste \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o s\u00f3cio-hist\u00f3rica, ideologicamente apreendida de modo a justificar apenas uma parte da realidade.<\/p>\n<p>\u00c9 importante ressaltar que a \u00eanfase na produ\u00e7\u00e3o de Resili\u00eancia n\u00e3o deve substituir as pol\u00edticas de combate \u00e1 desigualdade social e condi\u00e7\u00f5es de vida prec\u00e1ria de alguns sujeitos.<\/p>\n<p>O mundo n\u00e3o \u00e9 humano s\u00f3 por ser feito de homens; n\u00f3s humanizamos o que se passa no mundo e \u00e9 no curso desse ato que aprendemos a ser humanos.<\/p>\n<p>Compartilhar o mundo com outros homens \u00e9 o que os gregos chamam de filantropia; a  etimologia da palavra  filantropia deriva suas ra\u00edzes do grego \u03c6\u03af\u03bb\u03bf\u03c2 philos (o filos), e \u03ac\u03bd\u03b8\u03c1\u03c9\u03c0\u03bf\u03c2, antropos, que se traduzem respectivamente como \u201camor\u201d (o \u00abamante de\u00bb, \u00abamigo de\u00bb), e \u00abhomem\u00bb (o \u201cser humano\u00bb)  pelo que filantropia  significa  \u00abamor a humanidade\u00bb.<\/p>\n<p>\u201c<br \/>N\u00e3o estamos s\u00f3s no mundo. N\u00f3s s\u00f3 podemos nos reconciliar com o g\u00eanero humano tomando consci\u00eancia do fato de que s\u00e3o os Homens e n\u00e3o o homem, que habitam a terra\u201d.<\/p>\n<p>A literatura atual sobre resili\u00eancia mostra uma preocupa\u00e7\u00e3o com a precis\u00e3o dos conceitos que s\u00e3o usados e mesmo com a linguagem.Com o surgimento dos estudos sobre resili\u00eancia, conceitos como risco, vulnerabilidade, estresse, prote\u00e7\u00e3o, enfrentamento (coping) e compet\u00eancia passaram a fazer parte dos relatos emp\u00edricos dos estudiosos do fen\u00f4meno da resili\u00eancia e precisam se bem esclarecidos; e sabermos qual \u00e9 a diferen\u00e7a entre eles.<\/p>\n<p>Por que ser\u00e1 que algumas pessoas, que ag\u00fcentam muitas adversidades em suas vidas, ao inv\u00e9s de se perderem no desespero e se tornarem ap\u00e1ticas, deprimidas, revoltadas, agressivas, ao contr\u00e1rio, se capacitam para sobrepujar suas adversidades e se convertem em pessoas ainda melhores e mais saud\u00e1veis?<\/p>\n<p>Por que alguns s\u00e3o mais vulner\u00e1veis que outros diante de situa\u00e7\u00f5es de risco?<\/p>\n<p>Por que outros indiv\u00edduos apresentam invulnerabilidade e compet\u00eancia para manejar situa\u00e7\u00f5es estressantes?<\/p>\n<p>Como alguns seres humanos podem se recuperar de grandes perdas materiais e\/ou emocionais?<br \/>Por que ser\u00e1 que algumas pessoas se mostram mais capazes que outras para encarar situa\u00e7\u00f5es traumatizantes e se tornam depois, admiravelmente mais fortes?<\/p>\n<p>Quais seriam as vari\u00e1veis que possibilitam a alguns superar seus infort\u00fanios de forma a estes n\u00e3o interferirem no desenvolvimento emocional posterior?<\/p>\n<p>CAPRA, F., IN: No Despertar do S\u00e9culo XX, 2004, S\u00e3o Paulo, Casa do Psic\u00f3logo.<\/p>\n<p>WAGNER, C.M. IN: No Despertar do S\u00e9culo XX, 2004, p.7., S\u00e3o Paulo,Casa do Psic\u00f3logo<\/p>\n<p>DOKUSH\u00d4, V. &#8211; Mestre Zen- IN: No Despertar do S\u00e9culo XX p. 10.<\/p>\n<p>SHELDON, K.M. &#038; KING.L. 2001, Why positive psychology is necessary. American Psychologist, 56(3), 216-217.               <\/p>\n<p>Yunes, M.A.M. \u2013 Psicologia positiva e resili\u00eancia: o foco no indiv\u00edduo e na fam\u00edlia.Psicologia em Estudo, Maring\u00e1, v.8,n\u00b0 esp.,75-84,2003.<\/p>\n<p>WHO Constitution, Geneva, 1948<\/p>\n<p>LINDSTR\u00d6M, BENG, 2001 O significado de resili\u00eancia &#8211; Adolesc\u00eancia Latinoamericana, v.2 n\u00b03 Porto Alegre abr, 2001.<\/p>\n<p>OTTOWA Charter, Geneva: WHO, 1986.<\/p>\n<p>ARA\u00daJO, A. C. Novas Id\u00e9ias em resili\u00eancia, 2007,Hermes,11.p.85-95.<\/p>\n<p>FILGUEIRA, A. A. A Resili\u00eancia do (a) cabra da peste: Uma contribui\u00e7\u00e3o \u00e0 promo\u00e7\u00e3o de sa\u00fade no sert\u00e3o nordestino. Tese de Mestrado, psicologia cl\u00ednica, PUC\/SP, 01\/06\/2005.<\/p>\n<p>Job, J.R.P. &#8211; A escritura da resili\u00eancia &#8211; Tese de doutorada apresentada ao Programa de estudos P\u00f3s-Graduados em Psicologia Cl\u00ednica da PUCSP, 2000.<\/p>\n<p>O conceito de coping tem sido descrito como o conjunto de estrat\u00e9gias utilizadas pelas pessoas para adaptarem-se a circunst\u00e2ncias estressantes. O conceito de coping: uma revis\u00e3o te\u00f3rica. Antoniazzi, Dell\u2019Aglio, Bandeira-Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 1999. <\/p>\n<p>Por que algumas crian\u00e7as que nascem com malforma\u00e7\u00e3o ou altera\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas, sensoriais importantes ou desorganiza\u00e7\u00e3o no padr\u00e3o do desenvolvimento do sistema nervoso ou com uma doen\u00e7a auto imunes, evoluem muito melhor que outras crian\u00e7as com patologia semelhante e cuidados iguais?<\/p>\n<p>Acredito que a resposta a essas quest\u00f5es pode estar na Resili\u00eancia, cujo significado em sa\u00fade mental \u00e9 a capacidade latente para se curar.<\/p>\n<p>O argumento de que todo e qualquer crian\u00e7a passaria por algum tipo de dificuldade, tanto no aspecto emocional, social e f\u00edsico como do econ\u00f4mico; refor\u00e7a a tese do senso comum de que n\u00e3o h\u00e1 uma exist\u00eancia humana plenamente feliz e completamente protegida das incertezas da vida.<\/p>\n<p>O maestro Jo\u00e3o Carlos Martins d\u00e1 um exemplo de supera\u00e7\u00e3o ao extrair das adversidades um est\u00edmulo para abrir caminhos na m\u00fasica e no trabalho.<\/p>\n<p>Maria Callas, \u201ca divina\u201d a voz do s\u00e9culo foi uma menina consumida por car\u00eancias afetivas, num dep\u00f3sito de crian\u00e7as emigrantes de Nova Iorque.<\/p>\n<p>Alexander Lowen ao 96 anos, o fundador da An\u00e1lise Bioenerg\u00e9tica, hoje com mais de cinq\u00fcenta anos; onde seu prop\u00f3sito essencial sempre foi curar a cis\u00e3o mente-corpo; sempre foi seu desafio nestes mais de sessenta anos em que pratica a psicoterapia. Aprendeu que o caminho para a sa\u00fade emocional passa pelo corpo; tendo sempre como foco a alegria de viver e para ele sentir a vida, \u00e9 um convite para que honremos o corpo.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a morte de sua esposa Leslie em 2002, sua companheira por mais de 58 anos, perdeu oito quilos, nos meses seguintes \u00e0 sua morte.  O corpo sempre me salvou relata Lowen, em sua volta ao mundo das sensa\u00e7\u00f5es, caminhando 3 ou 4 vezes por dia,respirando e soltando um \u201chaaa\u201d,isto contribuiu para lhe devolveu a vida,aos 94 anos. .<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 preciso evocar ou citar celebridades para verificar exemplos de resili\u00eancia; basta olhar ao nosso redor para enxergar um resiliente. \u00c9 poss\u00edvel ver, em favelas, algumas crian\u00e7as que vivem em condi\u00e7\u00f5es miser\u00e1veis, e mesmo assim conseguem se sobressair nos estudo.H\u00e1 pessoas que nascem com defici\u00eancias f\u00edsicas importantes, a ponto de ter a escolaridade prejudicada e que conseguem se destacar profissionalmente.H\u00e1 ainda aqueles que ficam por muito tempo desempregados e depois se sobressaem nos seus pr\u00f3prios neg\u00f3cios.Trata-se de algumas, entre v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es de resili\u00eancia que podem ser assinaladas.<br \/>CONCEITOS E DEFINI\u00c7\u00d5ES<\/p>\n<p>&#8230; \u201cdoces s\u00e3o os frutos da adversidade\u201c<br \/>Shakespeare<\/p>\n<p>Quase quatro d\u00e9cadas se passaram desde o surgimento do conceito nas ci\u00eancias humanas e muitas descobertas e interpreta\u00e7\u00f5es relativas a resili\u00eancia aconteceram nesses anos.<\/p>\n<p>No Brasil a utiliza\u00e7\u00e3o do termo resili\u00eancia em Psicologia \u00e9 bastante recente, ficando restrita aos meios acad\u00eamicos. Por\u00e9m, em alguns pa\u00edses da Europa, Estados Unidos e Canad\u00e1 s\u00e3o considerado, inclusive, para subsidiar pr\u00e1ticas pol\u00edticas de a\u00e7\u00e3o social e educacional (YUNES &#038; SZYMANSKI, 2001; MORAES &#038; RABINOVICH, 1996).<\/p>\n<p>Oliveira (2001) revela que o fen\u00f4meno da Resili\u00eancia tem sido compreendido na Medicina, Ci\u00eancias do Trabalho e Psicologia como:<br \/>\u201cA capacidade de algu\u00e9m se recuperar, ap\u00f3s ter vivenciado circunst\u00e2ncias adversas e amea\u00e7adoras tais como guerras, morte de pessoas queridas, doen\u00e7as graves, maus tratos, abandono na inf\u00e2ncia e desemprego e, apesar de toda a dor e sofrimento, conseguir superar o problema e continuar a vida numa linha de desenvolvimento e bem-estar, consigo mesmo e em sua comunidade\u201d (OLIVEIRA, 2001. p. 31).<\/p>\n<p>Rutter (1987) define resili\u00eancia como uma \u201cvaria\u00e7\u00e3o individual em resposta ao risco\u201d, e afirma \u201cque os mesmos estressores podem ser experienciados de maneira diferente por diferentes pessoas\u201d. De acordo com esse autor, a resili\u00eancia \u201cn\u00e3o pode ser vista como um atributo fixo do indiv\u00edduo\u201d, e \u201cse as circunst\u00e2ncias mudam, a resili\u00eancia se altera\u201d (p. 317). Mais recentemente, Rutter (1999) define a resili\u00eancia de uma forma mais ampla: \u201co termo refere-se ao fen\u00f4meno de supera\u00e7\u00e3o de estresse e adversidades\u201d (p. 119), e categoricamente afirma que \u201cresili\u00eancia n\u00e3o constitui uma caracter\u00edstica ou tra\u00e7o individual\u201d (p. 135). Entre outros pontos, nessa mesma publica\u00e7\u00e3o, Rutter (1999) chama a aten\u00e7\u00e3o para a extens\u00e3o e variedade das respostas psicol\u00f3gicas implicadas na quest\u00e3o, que envolvem processos a serem cuidadosamente examinados. Mas o foco de suas considera\u00e7\u00f5es mant\u00e9m-se no indiv\u00edduo, em especial na crian\u00e7a.<\/p>\n<p>De acordo com Ara\u00fajo 2006, \u201cresili\u00eancia \u00e9 a capacidade universal que permite \u00e0 pessoa, grupo ou comunidade prevenir, minimizar ou superar os efeitos danosos da adversidade\u201d.<\/p>\n<p>Enfrentar os desafios da exist\u00eancia humana de maneira positiva e obter uma resposta de que tais esfor\u00e7os est\u00e3o funcionando, talvez seja o mais importante elemento da resili\u00eancia, ou seja, ser capaz de desenvolver a habilidade para encontrar um significado e um prop\u00f3sito nas adversidades, vislumbrando uma exist\u00eancia mais saud\u00e1vel e feliz.<\/p>\n<p>O comportamento resiliente pode aparecer em resposta \u00e0 adversidade na forma de manuten\u00e7\u00e3o do desenvolvimento normal da pessoa, apesar da adversidade vivida ou pode promover crescimento para al\u00e9m do presente n\u00edvel de funcionamento.<\/p>\n<p>Consci\u00eancia do outro, altru\u00edsmo e rever\u00eancia pela vida s\u00e3o caracter\u00edsticas do ser resiliente.\u201dComportamentos resiliente conduzem a resultados positivos para todos. Respeito pelo outro e respeito por si mesmo s\u00e3o condi\u00e7\u00f5es determinantes para a resili\u00eancia\u201d (ARA\u00daJO, 2006) .<br \/>O \u201cProjeto Internacional sobre Resili\u00eancia\u201d, coordenado por Grotberg em 1997, definiu resili\u00eancia como \u201ca capacidade humana para enfrentar, vencer e ser fortalecido ou transformado por experi\u00eancias de adversidade\u201d.<\/p>\n<p>O conceito de resili\u00eancia foi emprestado da F\u00edsica, especificamente da Mec\u00e2nica, onde \u00e9 entendida como a propriedade que t\u00eam os metais de resistir a golpes e de recuperar sua estrutura interna.<br \/>Resili\u00eancia \u00e9 definida como a propriedade pela qual a energia armazenada em um corpo deformado \u00e9 devolvida quando cessa a tens\u00e3o causadora duma deforma\u00e7\u00e3o el\u00e1stica.<\/p>\n<p>No Novo Dicion\u00e1rio Aur\u00e9lio, o termo resili\u00eancia \u00e9 definido como \u201ca propriedade pela qual a energia armazenada em um corpo deformado \u00e9 devolvida quando cessa a tens\u00e3o causadora de uma deforma\u00e7\u00e3o el\u00e1stica\u201d.<\/p>\n<p>Existe falta de consenso a respeito do dom\u00ednio e da din\u00e2mica do constructo de resili\u00eancia. Resili\u00eancia pode ser entendida de v\u00e1rias maneiras.<\/p>\n<p>Como conceito descritivo \u00e9 usado como oposto \u00e0 vulnerabilidade, como conceito explicativo seria uma qualidade, um atributo diferenciado, positivo, detect\u00e1vel no indiv\u00edduo, que lhe possibilitaria o desenvolvimento normal sob condi\u00e7\u00f5es dif\u00edceis.(ARA\u00daJO, 2007).<\/p>\n<p>ARA\u00daJO, A. C. A Resili\u00eancia in Spinelli,R. Manual de Psicossom\u00e1tica.cap.8 (no prelo,2006)<\/p>\n<p>CYRULNIK, B. &#8211; Os patinhos feios. Editora Martins Fontes, S\u00e3o Paulo, 2004.<\/p>\n<p>LOWEN, A. \u2013Uma vida para o corpo &#8211; autobiografia de Alexander Lowen.S\u00e3o Paulo, Summus, 2007.<\/p>\n<p>YUNES, M. A. M. e SZYMANSKI, H. Resili\u00eancia: no\u00e7\u00e3o, conceitos afins e considera\u00e7\u00f5es cr\u00edticas. In TAVARES, J. (org.). Resili\u00eancia e educa\u00e7\u00e3o. S\u00e3o Paulo: Cortez, 2001.<\/p>\n<p>OLIVEIRA, M. C. M. V. C\u00e2ncer de mama e resili\u00eancia: uma abordagem psicossom\u00e1tica. 2001. 192 p. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Psicologia Cl\u00ednica). PUC\/SP.<\/p>\n<p>RUTTER, M. (1987) Psychosocial resilience and protective mechanisms. American Journal of Orthopsychiatry, 57, (3), 316-331.<\/p>\n<p>YUNES, M.M.A. PSICOLOGIA POSITIVA E RESILI\u00caNCIA: O FOCO NO INDIV\u00cdDUO E NA FAM\u00cdLIA,Psicologia em Estudo, Maring\u00e1, v. 8, num. esp., p. 75-84, 2003.<\/p>\n<p>ARA\u00daJO, A. C. NOVAS ID\u00c9IAS EM A RESILI\u00caNCIA.Hermes, 11.p.85-95,2007.<\/p>\n<p>ARA\u00daJO, A.C. A Resili\u00eancia. IN: Spinelli, R. Manual de Psicossom\u00e1tica, cap.8(in pressa)2006.<\/p>\n<p>GROTBERG, E.H. Introdu\u00e7\u00e3o: Novas Tend\u00eancias em Resili\u00eancia. In MELILLO, A. OJEDA, E.N.S. (Eds) Resili\u00eancia: Descobrindo as pr\u00f3prias fortalezas.Porto Alegre: Artes M\u00e9dicas, 2005,15-38.<\/p>\n<p>Ferreira, 1986, p. 1493.<\/p>\n<p>Conceito definido em termos de eventos observ\u00e1veis, uma vari\u00e1vel inferida.DORIN, E. Dicion\u00e1rio de Psicologia, 1978.308 p.<\/p>\n<p>A resili\u00eancia n\u00e3o \u00e9 necessariamente promovida em raz\u00e3o da adversidade, mas pode ser desenvolvida, por antecipa\u00e7\u00e3o \u00e0s adversidades que por certo a vida trar\u00e1.<\/p>\n<p>Resili\u00eancia n\u00e3o \u00e9 apenas uma simples resposta \u00e0 adversidade.<br \/>Resili\u00eancia \u00e9 diferente de sobreviv\u00eancia. \u00c9 mais que sobreviv\u00eancia, pois significa enfrentamento ativo e efetivo dos eventos estressantes e acumulativos.<\/p>\n<p>Resili\u00eancia est\u00e1 ligada \u00e0 capacidade de confronto. \u00c9 tamb\u00e9m, diferente de invulnerabilidade, porque a \u00eanfase n\u00e3o \u00e9 colocada apenas em uma dota\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica, mas implica em uma capacidade de adapta\u00e7\u00e3o flex\u00edvel e competente sob circunstancias amea\u00e7adoras, destruidoras ou desfavor\u00e1veis.<\/p>\n<p>Do ponto de vista da a\u00e7\u00e3o, a resili\u00eancia compreende dois elementos: um \u00e9 a atitude de resistir \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o, isto \u00e9 preservar a integridade em circunstancias dif\u00edceis; o outro diz respeito \u00e0 atitude de reagir positivamente apesar das dificuldades.<\/p>\n<p>O conceito de resili\u00eancia de acordo com Job, R. (2000), tem sido estudado desde o final dos anos 60, quando Redl introduziu a no\u00e7\u00e3o de \u201cresili\u00eancia do ego\u201d, assinalando dois aspectos principais:<br \/>1) A capacidade de resist\u00eancia a press\u00f5es patog\u00eanicas.                                            <br \/>2) Sua habilidade de se recobrar rapidamente de um colapso tempor\u00e1rio, ainda que sem ajuda externa e retornando para um funcionamento normal ou mesmo superior ao inicial.(REDL, 1969).<\/p>\n<p>A capacidade do ser humano frente a uma situa\u00e7\u00e3o considerada como de tens\u00e3o enfrenta \u2013 la, resistir a ela, amoldar \u2013 se e recobrar \u2013 se, com ou sem ajuda externa e retornar para um funcionamento normal ou muitas vezes superior ao inicial. (JOB, R. 2000, p. 41) .<\/p>\n<p>Na \u00e1rea de humanas, especificamente na Psicologia, um dos precursores no estudo da Resili\u00eancia foi Michael Rutter, que a definiu como uma habilidade de superar as adversidades estando relacionada \u00e0s caracter\u00edsticas do indiv\u00edduo e do ambiente, sendo, portanto, relativas, ou seja, varia de acordo com as circunst\u00e2ncias (YUNES e SZYMANSKI, 2001; RALHA-SIM\u00d5ES, 2001).<\/p>\n<p>Durante os \u00faltimos 20 anos, de acordo com Moraes &#038; Rabinovich (1996) , as investiga\u00e7\u00f5es sobre a resili\u00eancia se concentraram na inf\u00e2ncia, visando promover, principalmente, a \u201ccapacidade de enfrentamento e fortalecimento diante da adversidade\u201d.<\/p>\n<p>A resili\u00eancia tem suas ra\u00edzes no processo do desenvolvimento humano.Uma boa auto-estima pode ser considerada o alicerce para que o processo de resili\u00eancia n\u00e3o apenas se instale, mas se mantenha ao longo da vida.O amor a si mesmo d\u00e1 f\u00e9 na vida, d\u00e1 for\u00e7a e suporte para agarrar-se na vida, dando significado, para agarrar-se aos pr\u00f3prios sonhos, lutar e ganhar das adversidades. Permite que o indiv\u00edduo tenha esperan\u00e7a na bondade dos outros, na bondade do destino e permane\u00e7a otimista em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua responsabilidade de enfrentamento das situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis que certamente vir\u00e3o.O amor a si mesmo deve, tamb\u00e9m, trazer o compromisso com a reflex\u00e3o, no\u00e7\u00e3o de princ\u00edpios e valores.<\/p>\n<p>Sabe-se que a auto-estima n\u00e3o \u00e9 inata; ela \u00e9 adquirida e se desenvolve na inter-rela\u00e7\u00e3o com os outros significativos na vida do indiv\u00edduo.<\/p>\n<p>Entre os elementos b\u00e1sicos do ambiente que favorecem a resili\u00eancia est\u00e1 um grupo de valores positivos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 vida, que s\u00e3o chamados de direitos humanos e responsabilidades b\u00e1sicas, que desde o inicio dos tempos representaram os ingredientes essenciais na sobreviv\u00eancia da esp\u00e9cie e na evolu\u00e7\u00e3o pessoal e gen\u00e9tica: nutri\u00e7\u00e3o, lealdade, justi\u00e7a, generosidade, perd\u00e3o e amor. Em contrapartida os ambientes destrutivos impedem a resili\u00eancia. Assim, ser\u00e1 necess\u00e1rio estar atentos \u00e0 profunda influ\u00eancia ambiental no cultivo e exerc\u00edcio da resili\u00eancia (FLACH, 1997).<\/p>\n<p>De acordo com Peter Hobson ,o engajamento com os outros ensina a alma da crian\u00e7a a voar.As crian\u00e7as se experimentam nos cora\u00e7\u00f5es e nas mentes dos outros. A primeira organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental a considerar a resili\u00eancia foi a Funda\u00e7\u00e3o Van Leer, dos Pa\u00edses Baixos, durante um Semin\u00e1rio em Lesotho, em 1991.O BICE Bureau International Catholique de L\u2019Enfance, na sua Assembl\u00e9ia Geral em Genebra (1992), adotou a resili\u00eancia como tema de trabalho.<\/p>\n<p>\u201cO indiv\u00edduo e seu ambiente constituem sistemas de forma\u00e7\u00e3o m\u00fatua, pois a vida mental \u00e9 uma co-cria\u00e7\u00e3o .A mente se estrutura na intera\u00e7\u00e3o entre os processos neurofisiol\u00f3gicos e as experi\u00eancias dos relacionamentos interpessoais. Fatores ambientais t\u00eam sido considerados essenciais ao entendimento dos fatores de resili\u00eancia\u201d (Ara\u00fajo, 2007, p.87).<\/p>\n<p>As pesquisas sobre resili\u00eancia<br \/>O foco no indiv\u00edduo<\/p>\n<p>Se as primeiras pesquisas em resili\u00eancia colocaram o foco no indiv\u00edduo, posteriormente surgiram perspectivas sist\u00eamicas e ecol\u00f3gicas que expandiram muito a compreens\u00e3o do fen\u00f4meno da resili\u00eancia, passando essa a ser considerada como \u201cum constructo multidimensional e multideterminado\u201d, devendo ser compreendida como produto de m\u00faltiplos n\u00edveis sist\u00eamicos ao longo do tempo.<\/p>\n<p>V\u00e1rios autores estrangeiros, principalmente dos Estados Unidos e do Reino Unido, t\u00eam desenvolvido pesquisas sobre resili\u00eancia.<\/p>\n<p>A maioria dos estudos tem por objetivo estudar a crian\u00e7a ou o adolescente numa perspectiva individualista, que foca tra\u00e7os e disposi\u00e7\u00f5es pessoais.<\/p>\n<p>Muitos pesquisadores do desenvolvimento humano estudam os padr\u00f5es de adapta\u00e7\u00e3o individual da crian\u00e7a associados ao ajustamento apresentado na idade adulta, ou seja,\u201cprocuram compreender como adapta\u00e7\u00f5es pr\u00e9vias deixam a crian\u00e7a protegida ou sem defesa quando exposta a eventos estressores\u201d (Hawley e DeHann, 1996), e estudam tamb\u00e9m como os \u201cpadr\u00f5es particulares de adapta\u00e7\u00e3o, em diferentes fases de desenvolvimento, interagem com mudan\u00e7as ambientais externas\u201d (Sroufer &#038; Rutter, 1984, p. 27).<\/p>\n<p>Conforme YUNES, (2003, p. 78), entre as publica\u00e7\u00f5es mais citadas est\u00e3o as primeiras no assunto, intituladas Vulnerable but Invincible (Vulner\u00e1veis, por\u00e9m Invenc\u00edveis), Overcoming the Odds (Superando as adversidades), ambos de Werner e Smith (1982, 1992) e The Invulnerable Child (A crian\u00e7a Invulner\u00e1vel) de Anthony e Cohler (1987).<\/p>\n<p>A import\u00e2ncia destes estudos est\u00e1 na caracter\u00edstica long-term, ou seja, s\u00e3o estudos longitudinais que acompanham o desenvolvimento do indiv\u00edduo desde a inf\u00e2ncia at\u00e9 adolesc\u00eancia ou idade adulta.<\/p>\n<p>Segundo Werner e Smith (1992), poucos investigadores t\u00eam acompanhado popula\u00e7\u00f5es de \u201calto risco\u201d desde a inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia at\u00e9 a idade adulta com o objetivo de monitorar efeitos dos fatores de risco e os fatores de prote\u00e7\u00e3o que operam durante os anos de desenvolvimento do indiv\u00edduo.<\/p>\n<p>Uma amostra estudada por Werner (1986) foi um subgrupo de 49 jovens da ilha Kauai, uma ilha do Hava\u00ed, cujos pais tiveram s\u00e9rios problemas devido ao abuso do \u00e1lcool e sofreram conflitos familiares desde cedo, al\u00e9m de viver em condi\u00e7\u00f5es de pobreza. Por volta dos 18 anos, 41% desse grupo apresentaram problemas de aprendizagem, ao contr\u00e1rio dos restantes 59%. Esse \u00faltimo grupo foi denominado grupo \u201cresiliente\u201d, e diferia do primeiro por um n\u00famero de medidas obtidas atrav\u00e9s de entrevistas com pais e entrevistas retrospectivas com os pr\u00f3prios jovens.<\/p>\n<p>JOB, J. R. P. A escritura da resili\u00eancia \u2013 tese de doutorado apresentada ao Programa de estudos P\u00f3s-graduados em Psicologia Cl\u00ednica da PUC\/SP, 2000.<\/p>\n<p>YUNES, M. A. M. e SZYMANSKI, H. Resili\u00eancia: no\u00e7\u00e3o, conceitos afins e considera\u00e7\u00f5es cr\u00edticas. In: TAVARES, J. (org.). Resili\u00eancia e educa\u00e7\u00e3o. S\u00e3o Paulo: Cortez, 2001.<\/p>\n<p>MORAES, M. C. L. e RABINOVICH, E. P. Resili\u00eancia: uma discuss\u00e3o introdut\u00f3ria. Revista Brasileira Crescimento e Desenvolvimento Humano. S\u00e3o Paulo, v. 6 n. 1\/2,  p. 10-13, 1996.<\/p>\n<p>FLACH, F. A resili\u00eancia. A arte de ser flex\u00edvel.Editora Saraiva.S\u00e3o Paulo, 1991.<\/p>\n<p>Aula sobre a teoria de Peter Hobson, mar\u00e7o\/2008; PUC\/SP &#8211; Prof.Ceres de Ara\u00fajo.<\/p>\n<p>Co-cria\u00e7\u00e3o \u00e9 permitir de alguma forma que o cliente ou usu\u00e1rio fa\u00e7a parte do processo criativo e produtivo da empresa. Um novo paradigma vem surgindo de forma sorrateira no mundo dos neg\u00f3cios.<\/p>\n<p>Conceito definido em termos de eventos observ\u00e1veis, uma vari\u00e1vel inferida.DORIN, E. Dicion\u00e1rio de Psicologia, 1978.308 p.<\/p>\n<p>WERNER E. E. &#038; SMITH, R. S. (1982) Vulnerable but invincible: a longitudinal study of resilient children and youth. New York: McGraw-Hill.<\/p>\n<p>Os fatores que discriminaram o grupo \u201cresiliente\u201d, tanto nas pesquisas de 1982 como na de 1986, inclu\u00edam: temperamento das crian\u00e7as\/jovens. (Martineau, 1999, p. 102) melhor desenvolvimento intelectual; maior n\u00edvel de auto-estima; maior grau de autocontrole; fam\u00edlias menos numerosas; menor incid\u00eancia de conflitos nas fam\u00edlias. Como se pode notar, as autoras atribu\u00edram as diferen\u00e7as \u00e0s caracter\u00edsticas constitucionais das crian\u00e7as e ao ambiente criado pelos cuidadores da inf\u00e2ncia.                 Na \u00faltima etapa dessa ambiciosa pesquisa, Werner e Smith (1992, p. 192) conclu\u00edram que \u201cum ter\u00e7o dos indiv\u00edduos considerados de alto risco tornaram-se adultos competentes capazes de amar, trabalhar, brincar\/divertir-se e ter expectativas\u201d.<\/p>\n<p>Conforme afirma Martineau (1999), a \u201cresili\u00eancia\u201d a que as autoras se referem foi identificada nas pesquisas iniciais como \u201cinvulnerabilidade \u00e0s adversidades\u201d, conceitua\u00e7\u00e3o reformulada e mais tarde definida como \u201chabilidade de superar as adversidades\u201d.<\/p>\n<p>O estudo desenvolvido por Martineau (1999) deixa claro que \u201cresili\u00eancia tem diferentes formas entre diferentes indiv\u00edduos em diferentes contextos, assim como acontece com o conceito de risco\u201d (p. 103).<br \/>Werner (1993) notou que o componente-chave do efetivo coping dessas pessoas \u00e9 o sentimento de confian\u00e7a que o indiv\u00edduo apresenta de que os obst\u00e1culos podem ser superados, o que confirma a \u00eanfase colocada nos componentes psicol\u00f3gicos individuais, de um \u201calgo interno\u201d, apesar das in\u00fameras refer\u00eancias feitas pelas autoras aos aspectos protetores decorrentes de rela\u00e7\u00f5es parentais satisfat\u00f3rias e da disponibilidade de fontes de apoio social na vizinhan\u00e7a, escola e comunidade.<\/p>\n<p>Outro importante e j\u00e1 citado pensador do assunto \u00e9 o psiquiatra brit\u00e2nico Michael Rutter, que, pelo n\u00famero de publica\u00e7\u00f5es e pesquisas emp\u00edricas, tem orientado at\u00e9 hoje o curso dos projetos na \u00e1rea. Seus trabalhos mais conhecidos datam do in\u00edcio dos anos 1970, com a investiga\u00e7\u00e3o de diferen\u00e7as entre meninos e meninas provenientes de lares desfeitos por conflitos (Rutter, 1970) e das rela\u00e7\u00f5es entre os efeitos destes conflitos parentais no desenvolvimento das crian\u00e7as (Rutter, 1971).<\/p>\n<p>Seus resultados indicaram que os meninos s\u00e3o mais vulner\u00e1veis que as meninas, n\u00e3o somente a estressores f\u00edsicos, mas tamb\u00e9m aos psicossociais.<\/p>\n<p>Um de seus marcantes trabalhos nesta \u00e1rea foi desenvolvido com uma amostra de sujeitos da Ilha de Wight e da cidade de Londres (Rutter, 1979, 1981 b) , os quais havia experienciado disc\u00f3rdias na fam\u00edlia dos pais, era de camadas sociais de baixa renda, de fam\u00edlias numerosas, com hist\u00f3ria de criminalidade de um dos pais, doen\u00e7a mental da m\u00e3e ou institucionalizados sob cust\u00f3dia do governo.<br \/>Seus resultados deram origem \u00e0 sua afirma\u00e7\u00e3o bastante divulgada de que um \u00fanico estressor n\u00e3o tem impacto significativo, mas que a combina\u00e7\u00e3o de dois ou mais estressores pode diminuir a possibilidade de conseq\u00fc\u00eancias positivas no desenvolvimento, e que estressores adicionais aumentam o impacto de outros estressores presentes.<\/p>\n<p>Em 1981, Rutter publica um livro que trata da rela\u00e7\u00e3o entre a aus\u00eancia da figura materna e o desenvolvimento de psicopatologias na crian\u00e7a.<\/p>\n<p>Rutter, 1981 a , com um cap\u00edtulo que aborda a resili\u00eancia e o comportamento parental de adultos que na inf\u00e2ncia tenham sofrido abandono. Entre as principais quest\u00f5es levantadas pelo autor aparece a mais freq\u00fcente formula\u00e7\u00e3o inicial dos estudos sobre resili\u00eancia: por que, apesar de passar por terr\u00edveis experi\u00eancias, alguns indiv\u00edduos n\u00e3o s\u00e3o atingidos e apresentam um desenvolvimento est\u00e1vel e saud\u00e1vel?<\/p>\n<p>Fatores de Risco<br \/>Para a compreens\u00e3o dos mecanismos facilitadores dos processos de resili\u00eancia, atrav\u00e9s da observa\u00e7\u00e3o da intera\u00e7\u00e3o entre as caracter\u00edsticas individuais e ambientais, torna-se essencial \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o de fatores de risco e particularmente os de prote\u00e7\u00e3o, tanto pessoais como interpessoais.<\/p>\n<p>Esta rela\u00e7\u00e3o entre estes fatores de risco e prote\u00e7\u00e3o \u00e9 um aspecto necess\u00e1rio para se chegar ao conceito de resili\u00eancia, sendo importante destacar o bin\u00f4mio risco-prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Risco ou condi\u00e7\u00e3o adversa aparece na rela\u00e7\u00e3o entre o indiv\u00edduo e a circunstancialidade que o envolve, seja ela de que ordem for, amea\u00e7ando a satisfa\u00e7\u00e3o das necessidades b\u00e1sicas deste individuo e amea\u00e7ando a aquisi\u00e7\u00e3o das compet\u00eancias para desenvolver papeis sociais de valor.<br \/>Yunes e Szymanski 2002 verificaram que o conceito de risco tem suas genealogia no campo do com\u00e9rcio em vias mar\u00edtimas de s\u00e9culos atr\u00e1s; em virtude dos desastres constantes, os mercadores precisaram estimar o risco de perda de suas mercadorias, o que desencadeou uma ind\u00fastria de seguros.(ARA\u00daJO, 2006).<\/p>\n<p>Os fatores de risco est\u00e3o relacionados a todos os adventos adversos da vida, mas sabe-se que a propor\u00e7\u00e3o do risco \u00e9 extremamente vari\u00e1vel de indiv\u00edduo para indiv\u00edduo, de grupo para grupo.<br \/>Rutter, 1999 fez uma diferencia\u00e7\u00e3o entre indicadores de risco e mecanismos de risco ressaltando que risco deve ser pensado sempre como um processo e n\u00e3o como uma vari\u00e1vel isolada.<br \/>\u201cOs riscos n\u00e3o s\u00e3o est\u00e1ticos, pois variam em circunst\u00e2ncias de vida. Os riscos de hoje s\u00e3o diferentes de anos atr\u00e1s. Vive-se em uma \u00e9poca de alta tecnologia em uma cultura neo-narcisita, em uma sociedade hedonista, em um novo tipo de moral. Vive-se o hipermodernismo na denomina\u00e7\u00e3o de Lipovetsky 2004\u201d.  (IN: ARA\u00daJO, 2006).<\/p>\n<p>Fatores de Prote\u00e7\u00e3o<br \/>Fatores de prote\u00e7\u00e3o foram confundidos com fatores de resili\u00eancia em muitos estudos pioneiros sobre resili\u00eancia.Atualmente busca-se uma precis\u00e3o terminol\u00f3gica maior.     A considera\u00e7\u00e3o dos fatores de resili\u00eancia que enfrentam o risco foi substitu\u00edda pela considera\u00e7\u00e3o dos fatores de prote\u00e7\u00e3o ao risco.<br \/>Fatores de prote\u00e7\u00e3o foi definido por Grotberg, (2005) s\u00e3o os fatores que funcionam para neutralizar o risco.<\/p>\n<p>Um indiv\u00edduo suficientemente protegido em uma determinada situa\u00e7\u00e3o seria imune ao risco e n\u00e3o necessitaria desenvolver resili\u00eancia.<\/p>\n<p>Os fatores de Prote\u00e7\u00e3o: Buscam neutralizar o perigo; buscam imunidade ao risco; operam sem a ocorr\u00eancia da adversidade, operam antes da ocorr\u00eancia da adversidade. Como exemplo podemos citar a vacina.<\/p>\n<p>Rutter, 1983 definiu fatores de prote\u00e7\u00e3o como influ\u00eancias que modificam, melhoram ou alteram respostas pessoais a determinados riscos de desadapta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O autor descreveu quatro principais mecanismos de prote\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>    * redu\u00e7\u00e3o do impacto dos riscos;<br \/>    * redu\u00e7\u00e3o das rea\u00e7\u00f5es negativas em cadeia que seguem a exposi\u00e7\u00e3o da pessoa ao risco.<br \/>    * estabelecimento e manuten\u00e7\u00e3o da auto-estima e da auto-efic\u00e1cia mediante a exist\u00eancia de rela\u00e7\u00f5es de apego seguras e incondicionais e sucesso no cumprimento das tarefas da vida.<\/p>\n<p>4. cria\u00e7\u00e3o de oportunidades para que se possa transformar uma trajet\u00f3ria de risco em um caminho com possibilidade de um final feliz.(ARA\u00daJO, 2006).<\/p>\n<p>Atributos do Indiv\u00edduo Resiliente<\/p>\n<p>Na literatura especializada, encontra-se com freq\u00fc\u00eancia referencias a uma personalidade resiliente, mas resili\u00eancia n\u00e3o deveria ser confundida com um tra\u00e7o de personalidade.<\/p>\n<p>Conjuntos de atributos do indiv\u00edduo resiliente, do grupo resiliente, da comunidade resiliente, organizados de modos diferentes, foram descritos por muitos autores nos \u00faltimos anos.<br \/>Nem todos os atributos necessariamente dever\u00e3o estar presentes e nenhum componente da resili\u00eancia \u00e9 parte est\u00e1vel da personalidade. A pr\u00f3pria resili\u00eancia n\u00e3o ser\u00e1 sempre a mesma, presente e intermin\u00e1vel. O n\u00edvel de resili\u00eancia modifica-se ao longo do tempo.<\/p>\n<p>A perspectiva no indiv\u00edduo \u00e9 not\u00f3ria tamb\u00e9m na introdu\u00e7\u00e3o de diversos estudos que investigam resili\u00eancia. As quest\u00f5es relativas a \u201chabilidades individuais\u201d s\u00e3o em geral ilustradas com pequenas hist\u00f3rias de pessoas dentre as quais algumas conseguem superar os momentos de crise e outras sucumbem, apesar de todas terem trajet\u00f3rias semelhantes.<\/p>\n<p>Desta forma, o foco no indiv\u00edduo busca identificar resili\u00eancia a partir de caracter\u00edsticas pessoais, como sexo, temperamento e background gen\u00e9tico, apesar de todos os autores acentuarem em algum momento o aspecto relevante da intera\u00e7\u00e3o entre bases constitucionais e ambientais da quest\u00e3o da resili\u00eancia.(2003, p.80)<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pr\u00e1ticas da psicologia cl\u00ednica pode-se citar as descri\u00e7\u00f5es dos atributos da resili\u00eancia dos seguintes autores:<\/p>\n<p>Flach listou como atributos de resili\u00eancia:<\/p>\n<p>    * Um forte e flex\u00edvel sentido de auto-estima;<br \/>    * Independ\u00eancia de pensamento e a\u00e7\u00e3o, sem medo de depender dos outros ou relut\u00e2ncia em  ficar nessa condi\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia;<br \/>    * Habilidade de dar e receber nas rela\u00e7\u00f5es com os outros e um bem estabelecido c\u00edrculo de amigos pessoais, que inclua um ou mais amigos que sirvam como confidentes;<br \/>    * Um alto grau de disciplina pessoal e um sentido de responsabilidade;<br \/>    * Reconhecimento e desenvolvimento de seus pr\u00f3prios talentos<br \/>    * Mente aberta e receptiva a novas id\u00e9ias;<br \/>    * Disposi\u00e7\u00e3o para sonhar<br \/>    * Grande variedade de interesses<br \/>    * Apurado senso de humor<br \/>    * Percep\u00e7\u00e3o de seus pr\u00f3prios sentimentos e dos sentimentos dos outros e a capacidade de comunicar esses sentimentos de forma adequada;<br \/>    * Grande toler\u00e2ncia ao sofrimento<br \/>    * Concentra\u00e7\u00e3o, um compromisso com a vida e um contexto filos\u00f3fico, no qual as experi\u00eancias pessoais possam ser interpretadas com significado e esperan\u00e7a, at\u00e9 mesmo nos momentos mais desastrosos da vida.<\/p>\n<p>De acordo com ARA\u00daJO, (2006), Hunter descreveu as habilidades e atributos que deveriam ser trabalhados mediante interven\u00e7\u00f5es com popula\u00e7\u00f5es de crian\u00e7as de alto-risco e agrupou-as em quatro categorias:<\/p>\n<p>Compet\u00eancia social \u00e9 o conjunto de comportamentos sociais que permitem que a crian\u00e7a estabele\u00e7a e mantenha contato com pessoas que possam facilitar seu desenvolvimento. Constitui-se na habilidade de se fazer querido pelos outros, de se sentir inserido no seu grupo et\u00e1rio de refer\u00eancia e de ser respeitado por adultos.  Inclui qualidades de empatia, flexibilidade, responsividade, senso de humor e habilidades de comunica\u00e7\u00e3o e adapta\u00e7\u00e3o. \u00c9 importante nesse contexto, uma abertura para a diversidade, combinada com senso de limites.<\/p>\n<p>Habilidade para resolver problemas envolve tanto a capacidade cognitiva para pensamento abstrato, reflexivo e flex\u00edvel, como a coragem para encontrar e implementar solu\u00e7\u00f5es alternativas. Diz respeito a decis\u00f5es internas e resolu\u00e7\u00e3o de conflitos com os outros.<\/p>\n<p>Autonomia inclui todas as qualidades do eu como auto-estima, auto-efic\u00e1cia e autodisciplina. \u00c9 importante o sentido de independ\u00eancia, particularmente frente a um ambiente com influencias negativas. Autocontrole \u00e9 definido como a habilidade para agir independentemente e exercer certo dom\u00ednio sobre o ambiente. Esta qualidade \u00e9 considerada complexa, pois envolve a possibilidade de equil\u00edbrio entre o separar-se e o relacionar-se.<\/p>\n<p>MARTINEAU, S. (1999). Rewriting resilience: a critical discourse analysis of childhood resilience and the politics of teaching resilience to \u201ckids at risk\u201d.Tese de Doutorado                            The University of British Columbia.<\/p>\n<p>A palavra coping \u00e9 geralmente utilizada no original em ingl\u00eas para referir-se a esfor\u00e7os cognitivos e comportamentais para lidar com demandas espec\u00edficas de situa\u00e7\u00f5es adversas e avaliadas como sobrecarregando ou excedendo os recursos pessoais.<\/p>\n<p> RUTTER, M. (1979) Changing youth in a changing society: patterns of adolescent development and disorder.London: Nuffield Provincial Hospitals Trust.<\/p>\n<p>RUTTER, M. (1981a) Maternal deprivation reassessed. Hammondsport: Penguin.<\/p>\n<p>YUNES, M. A. M. et SZMANSKY, H. Resili\u00eancia: No\u00e7\u00e3o, Conceitos Afins e Considera\u00e7\u00f5es Cr\u00edticas.IN: TAVARES, J. (org) Resili\u00eancia e Educa\u00e7\u00e3o.S\u00e3o Paulo: Cortez, 2002,13-42.<\/p>\n<p>RUTTER, M. Stress, coping and development some issues and some questions. Journal of Child Psychology and Psychiatry, 22,323-56,1981.<\/p>\n<p>YUNES, M.M.A. PSICOLOGIA POSITIVA E RESILI\u00caNCIA: O FOCO NO INDIV\u00cdDUO E NA FAM\u00cdLIA,Psicologia em Estudo, Maring\u00e1, v. 8, num. esp., p. 75-84, 2003<\/p>\n<p>FLACH, F. A resili\u00eancia.A arte de ser flex\u00edvel.Editora Saraiva.S\u00e3o Paulo. 1991.<\/p>\n<p>HUNTER, L. B. Images of resilience: Troubled children create healing stories in the language of sandplay. Pal Beach, Florida: Behavioral Communications Institute, 1998.<\/p>\n<p>Sentido de objetivo e de futuro descreve talvez um dos mais importantes fatores, pois diz respeito \u00e0 capacidade para conferir significado aos outros e \u00e0 vida em geral. Inclui aspira\u00e7\u00f5es positivas, antecipa\u00e7\u00e3o, expectativas e seguran\u00e7a, compreendida como a cren\u00e7a de que as coisas podem provavelmente funcionar de acordo com o esperado dentro das circunstancias existentes. Envolve motiva\u00e7\u00e3o para alcan\u00e7ar metas e para acreditar que elas podem ser atingidas com \u00eaxito. Talvez, mais importante seja a esperan\u00e7a, a habilidade para imaginar um futuro feliz, um sentido de que a vida tem significado e uma conex\u00e3o interna com uma dimens\u00e3o espiritual.<\/p>\n<p>Job estudando testemunhas do Holocausto e com base em uma revis\u00e3o da literatura cient\u00edfica sobre resili\u00eancia, utilizando principalmente as pesquisas de Polk, descreveu as seguintes caracter\u00edsticas comuns \u00e0s pessoas resilientes, classificadas de acordo com os seguintes padr\u00f5es:<\/p>\n<p>Padr\u00e3o disposicional \u2013 caracter\u00edsticas que o indiv\u00edduo tem \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o, os recursos pessoais que pode fazer uso em qualquer tempo. Dividem-se em<\/p>\n<p>    * Atributos f\u00edsicos, herdados e influenciados pelo meio ambiente. Caracter\u00edsticas de resili\u00eancia: intelig\u00eancia; maior aptid\u00e3o escolar; hist\u00f3ria pr\u00e9via de boa sa\u00fade; boa apar\u00eancia f\u00edsica e compet\u00eancia atl\u00e9tica.<\/p>\n<p>    * Atributos psicossociais, relacionados com o \u201ceu\u201d, a inst\u00e2ncia ps\u00edquica onde se funda a compet\u00eancia pessoal e o senso de si mesmo. Caracter\u00edsticas de resili\u00eancia: senso de dom\u00ednio e consci\u00eancia do pr\u00f3prio valor; auto-estima; autoconfian\u00e7a, cren\u00e7a na pr\u00f3pria efici\u00eancia; autonomia; auto-realiza\u00e7\u00e3o e humor.<\/p>\n<p>Padr\u00e3o relacional &#8211; caracter\u00edsticas dos pap\u00e9is individuais frente aos relacionamentos. S\u00e3o aquelas espelhadas em pap\u00e9is e relacionamentos que influenciam a resili\u00eancia.<\/p>\n<p>    * Aspectos intr\u00ednsecos &#8211; ter a capacidade de espelhar-se de modo positivo em outra pessoa e da\u00ed derivar bem estar, ter a liberdade de identificar e de se relacionar com modelos de pais de forma positiva, ter a habilidade de contar com rela\u00e7\u00f5es pessoais mais intimas ou com confidentes.<br \/>    * Aspectos extr\u00ednsecos \u2013 ter interesses e hobbies m\u00faltiplos, ter compromisso constante com educa\u00e7\u00e3o, trabalho e atividades sociais, suporte social, intera\u00e7\u00f5es positivas com a fam\u00edlia, amigos e outros companheiros.<\/p>\n<p>Padr\u00e3o situacional \u2013 caracter\u00edsticas que se manifestam nas diversas situa\u00e7\u00f5es comuns ou frente a estressores e que aparecem como: habilidade para avalia\u00e7\u00f5es cognitivas; habilidade para a resolu\u00e7\u00e3o dos problemas; habilidade para julgar e agir, ciente das expectativas e das conseq\u00fc\u00eancias da a\u00e7\u00e3o; consci\u00eancia do que pode ou n\u00e3o ser levado a cabo; capacidade de adequadamente limitar os objetivos; perceber as mudan\u00e7as no mundo; aprender com a pr\u00e1tica; refletir sobre as situa\u00e7\u00f5es, apresentar flexibilidade, perseveran\u00e7a, engenhosidade; apresentar autocontrole, senso de curiosidade, explora\u00e7\u00e3o da natureza, criatividade.<\/p>\n<p>Padr\u00e3o de cren\u00e7as pessoais, filos\u00f3ficas e religiosas \u2013 consiste na cren\u00e7a de que o auto-conhecimento, a reflex\u00e3o sobre si e sobre a natureza dos fatos que ocorrem consigo s\u00e3o plenos de significados pessoais, que motivam o existir, sendo exemplo: convic\u00e7\u00e3o de que o futuro ser\u00e1 melhor, percep\u00e7\u00e3o  dos fatos ocorridos como experi\u00eancias ricas em sentido pessoal; cren\u00e7a que a vida tem sentido,  tem valor e prop\u00f3sito; cren\u00e7a que cada pessoa tem um caminho que \u00e9 pessoal e \u00fanico.<\/p>\n<p>Sauaia ao discutir o valor de uma psicoterapia junguiana para crian\u00e7as vitimas de viol\u00eancia, sob o paradigma da resili\u00eancia e sob a perspectiva da psicossom\u00e1tica, criou duas categorias para englobar as diferentes habilidades para aferir resili\u00eancia, baseando-se nos dados da literatura mais recente:<br \/>Percep\u00e7\u00e3o de si<\/p>\n<p>    * Autonomia \u2013 que \u00e9 referida a um senso de independ\u00eancia, particularmente frente a si mesmo. Inclui: autoestima positiva, entendida como atribui\u00e7\u00e3o de valores positivos si mesmo, sabendo-se que a autoestima pode ser positiva ou negativa, na depend\u00eancia das experi\u00eancias e dos v\u00ednculos estabelecidos durante a vida; auto-efic\u00e1cia, que \u00e9 a habilidade para atender \u00e0s demandas que gerem resultados positivos na constru\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria identidade e auto-controle, entendido como a habilidade para agir independentemente e exercer certo controle sobre o ambiente.<br \/>    * Senso de objetivo e futuro \u2013 proposta como habilidade para ter expectativa positiva quanto ao futuro. Inclui: aspira\u00e7\u00f5es e expectativas positivas, compreendidas como a id\u00e9ia de que as coisas possam funcionar de acordo com o esperado e motiva\u00e7\u00e3o para alcan\u00e7ar metas, que \u00e9 o sentir-se estimulado para agir em fun\u00e7\u00e3o de um objetivo.<br \/>    * Habilidade cognitiva \u2013 que envolve o pensar reflexivo e flex\u00edvel, necess\u00e1rio para implementar solu\u00e7\u00f5es alternativas diante de problemas.<br \/>    * Percep\u00e7\u00e3o corporal \u2013 envolvendo a percep\u00e7\u00e3o da imagem corporal e do esquema corporal como aspectos interligados no processo de constru\u00e7\u00e3o da identidade.<\/p>\n<p>Percep\u00e7\u00e3o do outro<\/p>\n<p>    * Compet\u00eancia social \u2013 definida como o conjunto de condutas sociais que levam a crian\u00e7a a se encontrar a se manter pr\u00f3xima de pessoas que possam lhe facilitar o crescimento. Inclui empatia, definida como a capacidade para levar em considera\u00e7\u00e3o o outro, seus motivos e necessidades. \u00c9 no campo dos relacionamentos que a crian\u00e7a se diferencia do outro, reage a seu semelhante de maneira cognitiva e emocional, desenvolvendo atitudes e motiva\u00e7\u00f5es sociais. Inclui tamb\u00e9m, comunica\u00e7\u00e3o, que \u00e9 a habilidade de trocar mensagens, informa\u00e7\u00f5es, id\u00e9ias, opini\u00f5es, com o intuito de um relacionamento proveitoso para si e para o outro. Adapta\u00e7\u00e3o \u00e9 outra habilidade englobada, entendida como a habilidade para ajustar-se com flexibilidade ao meio, buscando ser querido e respeitado pelos outros, inserindo-se nos seus grupos de refer\u00eancia.<\/p>\n<p>Habilidade para resolver problemas<br \/>Definida como a capacidade para implementar solu\u00e7\u00f5es eficientes na resolu\u00e7\u00e3o de conflitos.<\/p>\n<p>Foram listados atributos, caracter\u00edsticas, fatores individuais usualmente encontrados nas pessoas mais resilientes. Entretanto, nos diferentes n\u00edveis do ecossistema, podem ser descritos tamb\u00e9m como fatores de prote\u00e7\u00e3o, os fatores familiares, comunit\u00e1rios e culturais.<\/p>\n<p>Dentre os fatores familiares importantes para o desenvolvimento da resili\u00eancia, s\u00e3o listados: pais competentes, aten\u00e7\u00e3o aos estudos, vantagens s\u00f3cio-econ\u00f4micas, afilia\u00e7\u00e3o religiosa e harmonia conjugal.<\/p>\n<p>Quanto aos fatores sociais, destacam-se: boas escolas, senso de comunidade, modelos adequados de princ\u00edpios, regras e normas, exist\u00eancia de amigos pr\u00f3ximos, oportunidades de emprego, oportunidade de pertencer a atividades comunit\u00e1rias.<\/p>\n<p>Dentre os fatores culturais, salientam-se: forte identidade \u00e9tnica positiva, ativismo \u00e9tnico, com capacidade de resist\u00eancia \u00e0 opress\u00e3o, identifica\u00e7\u00e3o com valores e cren\u00e7as tradicionais, participa\u00e7\u00e3o em pr\u00e1ticas tradicionais e cultivo de ra\u00edzes.<\/p>\n<p>Vivemos em uma \u00e9poca onde faz parte do capital da empresa ter indiv\u00edduos resilientes. Muito j\u00e1 se discutiu sobre o estresse laboral e s\u00e3o descritos como fatores de risco relevantes nas condi\u00e7\u00f5es de trabalho: perda de emprego, ou fantasias amea\u00e7adoras a respeito; mudan\u00e7a de \u00e1rea de trabalho, mudan\u00e7a de chefe, mudan\u00e7a de empresa, n\u00e3o atingir de metas, inser\u00e7\u00e3o em nova equipe de trabalho e dificuldade com colegas de trabalho.<\/p>\n<p>Da \u00e1rea da administra\u00e7\u00e3o dos recursos humanos, as seguintes caracter\u00edsticas s\u00e3o assinaladas nas pessoas resilientes no \u00e2mbito profissional:<\/p>\n<p>    * Ser positivo \u2013 exibir um senso de seguran\u00e7a e auto-confian\u00e7a, que \u00e9 baseado em uma vis\u00e3o da vida como desafiante, mas cheia de oportunidades<br \/>    * Ter metas \u2013 construir uma vis\u00e3o clara do que se deseja obter.<br \/>    * Ser organizado \u2013 saber controlar muitas tarefas ao mesmo tempo e com sucesso. Reconhecer quando precisar de ajuda<br \/>    * Ser flex\u00edvel \u2013 empenhar-se em mudar e a n\u00e3o se esquivar. Saber quando a mudan\u00e7a \u00e9 inevit\u00e1vel, necess\u00e1ria ou favor\u00e1vel. Usar a criatividade para mudar a situa\u00e7\u00e3o. Improvisar novas abordagens e estrat\u00e9gias para evoluir.<\/p>\n<p>Foram enumeradas dez maneiras de incrementar a resili\u00eancia na carreira profissional:<\/p>\n<p>    * Compreender que cargo est\u00e1vel n\u00e3o existe<br \/>    * Atualizar-se sempre sobre a profiss\u00e3o<br \/>    * Desenvolver um motivo pessoal para dar significado ao trabalho<br \/>    * Separar quem se \u00e9, do que se faz.<br \/>    * Cultivar um c\u00edrculo amplo de relacionamentos pessoais e profissionais<br \/>    * Ser flex\u00edvel<br \/>    * Usar a criatividade para quebrar a rotina<br \/>    * Reconhecer o poder de escolha<br \/>    * Tomar decis\u00f5es e as transformar em a\u00e7\u00f5es apesar de ambig\u00fcidades e incertezas.<\/p>\n<p>Uma auto-estima valorizada pode ser considerada a base para que o processo da resili\u00eancia n\u00e3o apenas se instale, mas se mantenha ao longo da vida.O amor a si mesmo, da f\u00e9 na vida, d\u00e1 for\u00e7a e suporte para viver com significado, para agarrar-se aos pr\u00f3prios sonhos, lutar e ganhar das adversidades.Permite que o indiv\u00edduo tenha esperan\u00e7a na bondade dos outros, na bondade do destino e permane\u00e7a otimista em rela\u00e7\u00e3o \u00e1 sua possibilidade de enfrentamento das situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis que certamente vir\u00e3o.O amor a si pr\u00f3prio deve tamb\u00e9m trazer o compromisso com a reflex\u00e3o, no\u00e7\u00e3o de princ\u00edpios e valores. (ARA\u00daJO, 2007).<\/p>\n<p>Reivich e Shatt\u00e9 descreveram sete fatores para ultrapassar com \u00eaxito e ganhos, os inevit\u00e1veis obst\u00e1culos que fazem parte da vida, enfatizando o lado profissional:<\/p>\n<p>Regula\u00e7\u00e3o das emo\u00e7\u00f5es \u2013 Capacidade de permanecer calmo sob press\u00e3o, o que influencia a sociabilidade, o sucesso no trabalho e a manuten\u00e7\u00e3o da sa\u00fade. A express\u00e3o das emo\u00e7\u00f5es \u00e9 saud\u00e1vel, quer sejam elas positivas ou negativas, pois \u00e9 construtiva e contagiante. A ansiedade e a tristeza e a raiva precisam ser elaboradas, para que se garanta sua elabora\u00e7\u00e3o e controle, com o objetivo de se conseguir um enfrentamento eficiente aos problemas e \u00e0s adversidades.<\/p>\n<p>Controle dos impulsos \u2013 O controle dos impulsos e a regula\u00e7\u00e3o das emo\u00e7\u00f5es s\u00e3o inter-relacionados. Entreter impulso significa tolerar a tens\u00e3o interna, para que se consiga adiar a satisfa\u00e7\u00e3o da necessidade, buscando melhor elabora\u00e7\u00e3o interna e melhor planejamento da a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Otimismo \u2013 O otimismo \u00e9 esperan\u00e7a no futuro, cren\u00e7a nas boas inten\u00e7\u00f5es alheias. Implica na cren\u00e7a de possuir habilidades para enfrentar as adversidades que inevitavelmente ocorrer\u00e3o no futuro. N\u00e3o se trata de otimismo irrealista. Otimismo e auto-efic\u00e1cia est\u00e3o relacionados.<\/p>\n<p>An\u00e1lise causal \u2013 Habilidade para identificar as causas dos problemas. Isto evitar\u00e1 a repeti\u00e7\u00e3o dos mesmos erros.   Ser capaz de assumir a responsabilidade por suas a\u00e7\u00f5es, inclusive por seus erros.<\/p>\n<p>Empatia \u2013 Capacidade para inferir os estados emocionais alheios, para decodificar os sinais da comunica\u00e7\u00e3o humana. Aprimorar os recursos da intersubjetividade, entendida como a capacidade psicol\u00f3gica inata para reconhecer e comunicar-se com os estados psicol\u00f3gicos dos outros indiv\u00edduos.<\/p>\n<p>Auto-efic\u00e1cia \u2013 Ligada \u00e0 sensa\u00e7\u00e3o de ser eficiente no mundo. Representa a cren\u00e7a de que se \u00e9 capaz de resolver os problemas que surgem com sucesso. A auto-imagem, a auto-estima, a auto-aprecia\u00e7\u00e3o e a no\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria compet\u00eancia est\u00e3o na base da identidade da pessoa.<\/p>\n<p>Exposi\u00e7\u00e3o \u2013 Ligada \u00e0 capacidade de auto-afirma\u00e7\u00e3o. As dificuldades de se expor, em geral, decorrem do superestimar a possibilidade de fracasso, do medo de conseq\u00fc\u00eancias antecipadas como catastr\u00f3ficas e do medo do rid\u00edculo. Muitas vezes \u00e9 necess\u00e1rio que se confronte com o fato de que n\u00e3o se \u00e9 bom o suficiente, mas isto n\u00e3o pode justificar a priori a fuga \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o.<br \/>Pertence a essas autoras um teste que permite estabelecer um quociente de resili\u00eancia frente a cada um dos sete fatores. Isto permitiria \u00e0 pessoa, ao saber de suas \u00e1reas de maior fragilidade, investir em treinamento ou em um aprimoramento pessoal bem espec\u00edfico.<br \/>Pertence a essas autoras um question\u00e1rio que avalia o quociente de resili\u00eancia frente a cada um dos sete fatores citados acima.Permitindo \u00e0 pessoa; ao saber quais s\u00e3o suas \u00e1reas de maior fragilidade, investir em um aprimoramento pessoal.                Este question\u00e1rio foi traduzido para o portugu\u00eas e validado por Barbosa (2006).<\/p>\n<p>\u00c9tica e Resili\u00eancia<br \/>A resili\u00eancia tem uma dimens\u00e3o \u00e9tica que n\u00e3o pode ser negada. Ela s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel quando existe esperan\u00e7a no futuro e quando existe um sentido anunciado, uma meta, um horizonte \u00e9tico que nos coloca para frente. Um dos fatores de destrui\u00e7\u00e3o do trabalho de um educador social ao lidar com vidas dif\u00edceis \u00e9 a descren\u00e7a que nasce do modelo do dano, no qual predomina a<\/p>\n<p>JOB, J. R. P. A escritura da resili\u00eancia \u2013 tese de doutorado apresentada ao Programa de estudos P\u00f3s-graduados em Psicologia Cl\u00ednica da PUC\/SP, 2000.<\/p>\n<p>SAUAIA, N. Psicoterapia de orienta\u00e7\u00e3o junguiana com foco corporal para grupo de crian\u00e7as v\u00edtimas de viol\u00eancia: provendo habilidades da resili\u00eancia.Disserta\u00e7\u00e3o de mestrado apresentada ao Programa de Estudos P\u00f3s-Graduados em Psicologia Cl\u00ednica da PUC\/SP, 2003.<\/p>\n<p>REIVICH, K. e SHATT\u00c9, A. The resilience factor. Broadway Books.New York, 2002.<\/p>\n<p>BARBOSA, G.S. Resili\u00eancia em Professores de Ensino Fundamental da 5\u00aa \u00e0 8\u00aa s\u00e9rie: Valida\u00e7\u00e3o e Aplica\u00e7\u00e3o do Question\u00e1rio do \u00cdndice de Resili\u00eancia: Adulto Reivich-Shatt\u00e9\/Barbosa.Tese de doutorado apresentada ao Programa de Estudos P\u00f3s-Graduados em Psicologia Cl\u00ednica da PUC\/SP, 2006.<\/p>\n<p>observa\u00e7\u00e3o apenas dos problemas e das dificuldades, algumas vezes com muita precis\u00e3o, mas que n\u00e3o insere na an\u00e1lise qualquer perspectiva ou alternativa de resolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A vontade muito de viver pode fazer com que a pessoa procure se proteger acima de tudo. De acordo com Job 2000, na lista que organizou das caracter\u00edsticas dos sobreviventes do holocausto, entrevistados no Lar Golda Meir em S\u00e3o Paulo, constatou que, ao lado de esperan\u00e7a, sa\u00fade, cren\u00e7a, f\u00e9, sentido de vida, suporte social, humor, autodetermina\u00e7\u00e3o e sorte, a esperteza era sempre referida.Verificou na literatura especializada que ao lado da intelig\u00eancia, a esperteza e ast\u00facia eram tamb\u00e9m descritas.<\/p>\n<p>Ena Weiss, sobrevivente em Auschwitz apresentava este discurso: \u201cVenho em primeiro lugar, em segundo e em terceiro. Depois disto, ningu\u00e9m. Em seguida, ainda eu e depois todos os outros\u201d. \u00c9 um discurso centrado no eu, onde provavelmente acrescentada \u00e0 auto-afirma\u00e7\u00e3o, ao autocontrole, \u00e1 intelig\u00eancia e \u00e1 ast\u00facia determinava a preserva\u00e7\u00e3o da vida.<\/p>\n<p>Hoje \u00e9 discutida na \u00e9tica em resili\u00eancia, onde as primeiras pesquisas e estudos em ci\u00eancias humanas salientava a ast\u00facia como fator importante para um comportamento resiliente.Hoje, no entanto quando se considera a resili\u00eancia como processo, pode acreditar que para um processo de vida resiliente, a ast\u00facia, o logro, a esperteza e a mentira n\u00e3o possam ser admitidos, pois tal processo n\u00e3o se manteria a longo prazo.<\/p>\n<p>\u201cComportamentos resilientes conduzem a resultados positivos para todos. Enfrentar uma adversidade n\u00e3o pode prejudicar outras pessoas. \u00c9tica e respeito pelo outro e respeito por si mesmo, condi\u00e7\u00f5es rec\u00edprocas, s\u00e3o determinantes para um crescimento resiliente\u201d. (ARA\u00daJO, 2007, p.93).<br \/>Conclus\u00e3o<\/p>\n<p>\u201cExistem pessoas que ultrapassam e continuam a saltar sobre os riscos e adversidades que enfrentam, pessoas que nunca deixam de ter esperan\u00e7a, que se agarram a seus ideais, muitas vezes adquirindo uma filosofia de vida ou perspectiva religiosa e que, na intera\u00e7\u00e3o com seus semelhantes, conseguem se desenvolver como seres resilientes\u201d. CERES ALVES DE ARA\u00daJO, 2007, p.93.<\/p>\n<p>   1. Cada um de n\u00f3s decide qual \u00e9 sua Estrela.<br \/>   2. Resili\u00eancia \u00e9 um conceito jovem, no meio Social dentro da Psicologia.<br \/>   3. Ver o mundo a partir da Resili\u00eancia<br \/>   4. \u00c9 como Subir em uma Bicicleta<br \/>   5. \u00c9 Lan\u00e7ar-se na Busca de Novas Experi\u00eancias<br \/>   6. \u00c9 abrir Caminhos onde Parece que n\u00e3o H\u00e1<br \/>   7. \u00c9 Descobrir Horizontes de Conhecimentos<br \/>   8. \u00c9 Desfrutar de Si Mesmo e Deslumbra-se deste Alcance<br \/>   9. \u00c9 Transformar as Habilidades em Compet\u00eancias Sociais<br \/>  10. \u00c9 Atrever-se a Pedir Ajuda<br \/>  11. \u00c9 Saber Receber<br \/>  12. \u00c9 Conhecer o Risco, Medi-lo e Transcende-lo<br \/>  13. \u00c9 Desfrutar e Construir com os Demais<br \/>  14. \u00c9 Ficar Contente com um Sorriso<br \/>  15. \u00c9 Crescer com um Sentido de Humor e Alegria com os Valores de Fam\u00edlia<br \/>  16. \u00c9 Seguir uma Estrela<br \/>  17. \u00c9 Enfrentar Criativamente cada Problema<br \/>  18. \u00c9 Pegar um \u201cRespiro Espiritual\u201d e Renovar a Energia<br \/>  19. \u00c9 Superar os Obst\u00e1culos<br \/>  20. \u00c9 Saber de onde Viemos<br \/>  21. \u00c9 Saber onde Queremos Chegar<br \/>  22. \u00c9 Estimular o melhor de Si Mesmo<br \/>  23. \u00c9 Voltar para Casa e Sentir-se Bem<br \/>  24. \u00c9 Confiar no Amor<br \/>  25. \u00c9 Sentir-se Protegido<\/p>\n<p>RESILI\u00caNCIA<br \/>M\u00c9XICO 2007<\/p>\n<p>BIBLIOGRAFIA<\/p>\n<p>3.  CAPRA, F., IN: No Despertar do S\u00e9culo XX, 2004, S\u00e3o Paulo, Casa do Psic\u00f3logo.<br \/>4.  WAGNER, C.M. IN: No Despertar do S\u00e9culo XX, 2004, p.7., S\u00e3o Paulo,Casa do Psic\u00f3logo<br \/>5 DOKUSH\u00d4, V. &#8211; Mestre Zen- IN: No Despertar do S\u00e9culo XX p. 10.<br \/>6 SHELDON, K.M. &#038; KING.L, 2001. Why positive psychology is necessary. American Psychologist, 56(3), 216-217.<\/p>\n<p>7 Yunes, M.A.M. \u2013 Psicologia positiva e resili\u00eancia: o foco no indiv\u00edduo e na fam\u00edlia.Psicologia em Estudo, Maring\u00e1, v.8,n\u00b0 esp.,75-84,2003.<\/p>\n<p>8 WHO Constitution, Geneva, 1948<br \/>9 LINDSTR\u00d6M, BENG, 2001 O significado de resili\u00eancia &#8211; Adolesc\u00eancia Latinoamericana, v.2 n\u00b03 Porto Alegre abr, 2001.<\/p>\n<p>10 OTTOWA Charter, Geneva: WHO, 1986.<br \/>11 ARA\u00daJO, A. C. Novas Id\u00e9ias em resili\u00eancia, 2007,Hermes,11.p.85-95.<br \/>12 FILGUEIRA, A. A. A Resili\u00eancia do (a) cabra da peste: Uma contribui\u00e7\u00e3o \u00e0 promo\u00e7\u00e3o de sa\u00fade no sert\u00e3o nordestino. Tese de Mestrado, psicologia cl\u00ednica, PUC\/SP, 01\/06\/2005.<\/p>\n<p>13 Job, J.R.P. &#8211; A escritura da resili\u00eancia &#8211; Tese de doutorada apresentada ao Programa de estudos P\u00f3s-Graduados em Psicologia Cl\u00ednica da PUCSP, 2000.<\/p>\n<p>14 O conceito de coping tem sido descrito como o conjunto de estrat\u00e9gias utilizadas pelas pessoas para adaptarem-se a circunst\u00e2ncias estressantes. O conceito de coping: uma revis\u00e3o te\u00f3rica. Antoniazzi, Dell\u2019Aglio, Bandeira-Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 1999.<\/p>\n<p>15 ARA\u00daJO, A. C. A Resili\u00eancia in Spinelli,R. Manual de Psicossom\u00e1tica.cap.8 (no prelo,2006)<br \/>16 CYRULNIK, B. &#8211; Os patinhos feios. Editora Martins Fontes, S\u00e3o Paulo, 2004.<br \/>17 LOWEN, A. \u2013Uma vida para o corpo &#8211; autobiografia de Alexander Lowen.S\u00e3o Paulo, Summus, 2007.<\/p>\n<p>18 YUNES, M. A. M. e SZYMANSKI, H. Resili\u00eancia: no\u00e7\u00e3o, conceitos afins e considera\u00e7\u00f5es cr\u00edticas. In: TAVARES, J. (org.). Resili\u00eancia e educa\u00e7\u00e3o. S\u00e3o Paulo: Cortez, 2001.<\/p>\n<p>19 OLIVEIRA, M. C. M. V. C\u00e2ncer de mama e resili\u00eancia: uma abordagem psicossom\u00e1tica. 2001. 192 p. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Psicologia Cl\u00ednica). PUC\/SP.<\/p>\n<p>20 RUTTER, M. (1987) Psychosocial resilience and protective mechanisms. American Journal of Orthopsychiatry, 57, (3), 316-331.<\/p>\n<p>21 YUNES, M.M.A. PSICOLOGIA POSITIVA E RESILI\u00caNCIA: O FOCO NO INDIV\u00cdDUO E NA FAM\u00cdLIA, Psicologia em Estudo, Maring\u00e1, v. 8, num. esp., p. 75-84, 2003.<\/p>\n<p>22 ARA\u00daJO, A. C. NOVAS ID\u00c9IAS EM A RESILI\u00caNCIA.Hermes, 11.p.85-95,2007.<br \/>23 ARA\u00daJO, A.C. A Resili\u00eancia. IN: Spinelli, R. Manual de Psicossom\u00e1tica, cap.8 (in pressa)2006.<br \/>24 GROTBERG, E.H. Introdu\u00e7\u00e3o: Novas Tend\u00eancias em Resili\u00eancia. In MELILLO, A. OJEDA, E.N.S. (Eds) Resili\u00eancia: Descobrindo as pr\u00f3prias fortalezas.Porto Alegre: Artes M\u00e9dicas, 2005,15-38.<\/p>\n<p>25 Ferreira, 1986, p. 1493.<br \/>26 Conceito definido em termos de eventos observ\u00e1veis, uma vari\u00e1vel inferida.DORIN, E. Dicion\u00e1rio de Psicologia, 1978, p.308.<\/p>\n<p>27 JOB, J. R. P. A escritura da resili\u00eancia \u2013 tese de doutorado apresentado ao Programa de estudos P\u00f3s-graduados em Psicologia Cl\u00ednica da PUC\/SP, 2000.<\/p>\n<p>28 YUNES, M. A. M. e SZYMANSKI, H. Resili\u00eancia: no\u00e7\u00e3o, conceitos afins e considera\u00e7\u00f5es cr\u00edticas. In TAVARES, J. (org.). Resili\u00eancia e educa\u00e7\u00e3o. S\u00e3o Paulo: Cortez, 2001.<\/p>\n<p>29 MORAES, M. C. L. e RABINOVICH, E. P. Resili\u00eancia: uma discuss\u00e3o introdut\u00f3ria. Revista Brasileira Crescimento e Desenvolvimento Humano. S\u00e3o Paulo, v. 6 n. 1\/2,  p. 10-13, 1996.<\/p>\n<p>30 FLACH, F. A resili\u00eancia. A arte de ser flex\u00edvel.Editora Saraiva.S\u00e3o Paulo, 1991.<br \/>31 Aula sobre a teoria de Peter Hobson, mar\u00e7o\/2008; PUC\/SP &#8211; Prof.Ceres de Ara\u00fajo.<br \/>32 Co-cria\u00e7\u00e3o \u00e9 permitir de alguma forma que o cliente ou usu\u00e1rio fa\u00e7a parte do processo criativo e produtivo da empresa. Um novo paradigma vem surgindo de forma sorrateira no mundo dos neg\u00f3cios.<\/p>\n<p>33 Conceito definido em termos de eventos observ\u00e1veis, uma vari\u00e1vel inferida.DORIN, E. Dicion\u00e1rio de Psicologia, 1978.p.308.<\/p>\n<p>34 WERNER E. E. &#038; SMITH, R. S. (1982) Vulnerable but invincible: a longitudinal study of resilient children and youth. New York: McGraw-Hill.<\/p>\n<p>35 MARTINEAU, S. (1999). Rewriting resilience: a critical discourse analysis of childhood resilience and the politics of teaching resilience to \u201ckids at risk\u201d.Tese de Doutorado.<\/p>\n<p>36 A palavra coping \u00e9 geralmente utilizada no original em ingl\u00eas para referir-se a esfor\u00e7os cognitivos e comportamentais para lidar com demandas espec\u00edficas de situa\u00e7\u00f5es adversas e avaliadas como sobrecarregando ou excedendo os recursos pessoais.<\/p>\n<p>37 RUTTER, M. (1979) Changing youth in a changing society: patterns of adolescent development and disorder.London: Nuffield Provincial Hospitals Trust.<\/p>\n<p>38 RUTTER, M. (1981a) Maternal deprivation reassessed. Hammondsport: Penguin.<br \/>39 YUNES, M. A. M. et SZMANSKY, H. Resili\u00eancia: No\u00e7\u00e3o, Conceitos Afins e Considera\u00e7\u00f5es Cr\u00edticas.IN: TAVARES, J. (org) Resili\u00eancia e Educa\u00e7\u00e3o.S\u00e3o Paulo: Cortez, 2002,13-42.<\/p>\n<p>40 RUTTER, M. Stress, coping and development some issues and some questions. Journal of Child Psychology and Psychiatry, 22,323-56,1981.<\/p>\n<p>41 YUNES, M.M.A. PSICOLOGIA POSITIVA E RESILI\u00caNCIA: O FOCO NO INDIV\u00cdDUO E NA FAM\u00cdLIA,Psicologia em Estudo, Maring\u00e1, v. 8, num. esp., p. 75-84, 2003.<\/p>\n<p>42 FLACH, F. A resili\u00eancia.A arte de ser flex\u00edvel.Editora Saraiva.S\u00e3o Paulo. 1991.<br \/>43 HUNTER, L. B. Images of resilience: Troubled children create healing stories in the language of sandplay. Pal Beach, Florida: Behavioral Communications Institute, 1998.<\/p>\n<p>44 JOB, J. R. P. A escritura da resili\u00eancia \u2013 tese de doutorado apresentada ao Programa de estudos P\u00f3s-graduados em Psicologia Cl\u00ednica da PUC\/SP, 2000.<\/p>\n<p>45 SAUAIA, N. Psicoterapia de orienta\u00e7\u00e3o junguiana com foco corporal para grupo de crian\u00e7as v\u00edtimas de viol\u00eancia: provendo habilidades da resili\u00eancia.Disserta\u00e7\u00e3o de mestrado apresentada ao Programa de Estudos P\u00f3s-Graduados em Psicologia Cl\u00ednica da PUC\/SP, 2003.<\/p>\n<p>46 REIVICH, K. e SHATT\u00c9, A. The resilience factor. Broadway Books. New York, 2002.<br \/>47 BARBOSA, G.S. Resili\u00eancia em Professores de Ensino Fundamental da 5\u00aa \u00e0 8\u00aa s\u00e9rie: Valida\u00e7\u00e3o e Aplica\u00e7\u00e3o do Question\u00e1rio do \u00cdndice de Resili\u00eancia: Adulto Reivich-Shatt\u00e9\/Barbosa.Tese de doutorado apresentada ao Programa de Estudos P\u00f3s-Graduados em Psicologia Cl\u00ednica da PUC\/SP, 2006.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>RESILI\u00caNCIA NO S\u00c9CULO XXI &#8211; DESCOBRINDO A PR\u00d3PRIA FORTALEZA MARIANGELA GARGIONI DONICPsic\u00f3loga &#8211; Analista Bioenerg\u00e9tico pelo IABSP &#8211; Mestre em psicologia Cl\u00ednica: N\u00facleo Psicossom\u00e1tica e Psicologia<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[20],"tags":[],"class_list":["post-149","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-congresso-2008"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/149","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=149"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/149\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=149"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=149"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=149"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}