{"id":147,"date":"2011-01-11T03:28:00","date_gmt":"2011-01-11T03:28:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.analisebioenergetica.com\/site\/?p=147"},"modified":"2011-01-11T03:28:00","modified_gmt":"2011-01-11T03:28:00","slug":"palestra-corpos-insubmissos-formas-de-sujeitamento-e-resistencia-no-mundo-contemporaneo-e-suas-repercussoes-na-clinica-de-psicologia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/palestra-corpos-insubmissos-formas-de-sujeitamento-e-resistencia-no-mundo-contemporaneo-e-suas-repercussoes-na-clinica-de-psicologia\/","title":{"rendered":"[PALESTRA] Corpos (in)submissos: formas de sujeitamento e resist\u00eancia no mundo contempor\u00e2neo e suas repercuss\u00f5es na cl\u00ednica de psicologia"},"content":{"rendered":"<div id=\"fb-root\"><\/div>\n<p>Corpos (in)submissos:<br \/>formas de sujeitamento e resist\u00eancia no mundo contempor\u00e2neo e suas repercuss\u00f5es  na cl\u00ednica de psicologia<br \/>LUIZA RIOS RICCI VOLPATO<br \/>Psic\u00f3loga, mestre e doutora em Hist\u00f3ria pela Universidade de S\u00e3o Paulo, Membro e CBT da Sociedade Brasileira de An\u00e1lise Bioenerg\u00e9tica \u2013 SOBAB- e Membro do International Institut for Bioenergetic Analysis IIBA. luizavolpato@hotmail.com<\/p>\n<p>        Resumo<\/p>\n<p>        No movimento constante do viver, o sujeito contempor\u00e2neo, como o de qualquer outra \u00e9poca, aceita e resiste a par\u00e2metros sociais existentes e dessa forma participa do movimento da Hist\u00f3ria. Hoje, os padr\u00f5es salutares e est\u00e9ticos se imp\u00f5em ao conjunto da sociedade, cobrando dos indiv\u00edduos constante vigil\u00e2ncia sobre si e sobre as pessoas sob suas responsabilidade, gerando novas sensa\u00e7\u00f5es de opress\u00e3o e culpa.  Numa sociedade competitiva, valores como a beleza f\u00edsica, a sa\u00fade e a juventude se tornaram tanto um bem a ser buscado a qualquer custo como um pr\u00e9-requisito para se atingir outros objetivos como sucesso profissional e afetivo.<\/p>\n<p>        O presente trabalho busca analisar as dores e ang\u00fastias geradas por essa faceta da opress\u00e3o social que atinge indiv\u00edduos que se colocam fora do padr\u00e3o est\u00e9tico valorizado, privilegiando o enfoque da situa\u00e7\u00e3o do sujeito obeso ou portador de sobrepeso. <\/p>\n<p>        O objetivo central do estudo \u00e9 considerar as possibilidades de interfer\u00eancia e abordagem poss\u00edveis atrav\u00e9s da cl\u00ednica em psicologia.<\/p>\n<p>I<\/p>\n<p>O s\u00e9culo passado foi um per\u00edodo de grandes avan\u00e7os cient\u00edficos e tecnol\u00f3gicos, entre os quais cabe destacar o surgimento de m\u00e9todos realmente eficazes de controle da natalidade, possibilitando \u00e0s mulheres uma nova inser\u00e7\u00e3o tanto no mundo do trabalho como das rela\u00e7\u00f5es afetivas. A dissemina\u00e7\u00e3o dos m\u00e9todos contraceptivos promoveu altera\u00e7\u00e3o tanto nas rela\u00e7\u00f5es de trabalho, como nas rela\u00e7\u00f5es de g\u00eanero produzindo mudan\u00e7as consider\u00e1veis nas sociedades ocidentais. Parte integrante desse fluxo de mudan\u00e7as est\u00e1 o movimento de Maio de 68 (que j\u00e1 vai ficando distante passados 40 anos de sua ocorr\u00eancia). Durante v\u00e1rias semanas, em diversos pa\u00edses do mundo ocidental os jovens sa\u00edram \u00e0s ruas pedindo amplia\u00e7\u00e3o de seus direitos pol\u00edticos, regras sociais menos hip\u00f3critas e especialmente uma sexualidade mais livre. Entoando refr\u00f5es como \u201c\u00c9 proibido proibir\u201d, \u201cfa\u00e7a amor, n\u00e3o fa\u00e7a guerra\u201d, \u201csejamos realistas, pe\u00e7amos o imposs\u00edvel\u201d influenciados pela leitura dos textos de Simone de Beauvoir, Jean Paul Sartre, Herbert Marcuse entre outros, os jovens reivindicavam o fim dos par\u00e2metros r\u00edgidos que regulavam as vidas em sociedade.<\/p>\n<p>Olhando para tr\u00e1s, \u00e9 poss\u00edvel afirmar que se tratava de a\u00e7\u00f5es contra a sociedade disciplinar, movimentos pol\u00edticos e de biopol\u00edtica, que obtiveram \u00eaxito em v\u00e1rios aspectos.<\/p>\n<p>Essa busca de amplia\u00e7\u00e3o da liberdade sexual \u00e9 parte integrante do conjunto de movimentos que ocorreram na d\u00e9cada de 1960 e que lutavam pelos direitos das minorias e expandiram seu raio de influ\u00eancia em v\u00e1rias dire\u00e7\u00f5es. A libera\u00e7\u00e3o dos costumes se expressou nas Artes, na Literatura, no Direito e no cotidiano das pessoas com repercuss\u00e3o muito n\u00edtida no mundo da moda. As cinturitas, an\u00e1guas, combina\u00e7\u00f5es foram abandonadas, as saias longas e rodadas tornaram-se obsoletas e Mary Quant inaugura uma nova era inventando a mini-saia.<\/p>\n<p>No Brasil, Leila Diniz chocava tradi\u00e7\u00f5es exibindo sua barriga de gr\u00e1vida indo \u00e0 praia de biqu\u00edni, expondo o que at\u00e9 ent\u00e3o era tratado com \u201crecato e pudor\u201d, o corpo da mulher gr\u00e1vida. E a nossa m\u00fasica popular ampliou o seu horizonte, cantando a alegria e \u201ca menina que vem e que passa num doce balan\u00e7o a caminho do mar\u201d.  A praia assumiu um espa\u00e7o at\u00e9 ent\u00e3o desconhecido tanto na vida, como no imagin\u00e1rio das pessoas. Cada vez mais se legitimava a exposi\u00e7\u00e3o dos corpos e a liberdade sexual, processo que tomou um novo f\u00f4lego com fim da censura pr\u00e9via e a conseq\u00fcente dinamiza\u00e7\u00e3o das diversas formas de express\u00e3o e divulga\u00e7\u00e3o art\u00edstica, editorial, est\u00e9tica, entre outros.<\/p>\n<p>Corpos expostos no cotidiano das ruas, nos filmes e revistas, nas vitrines de lojas e shopping centers.  Uma exibi\u00e7\u00e3o constante, atraindo olhares e consequentemente avalia\u00e7\u00f5es e cr\u00edticas. A forma de apresenta\u00e7\u00e3o e a apar\u00eancia das pessoas nos espa\u00e7os p\u00fablicos j\u00e1 era aspecto merecedor de cr\u00edtica desde h\u00e1 muito. Em seu interessante trabalho sobre a hist\u00f3ria da beleza, Georges Vigarello (2006) analisa como ao passar dos tempos o rosto foi perdendo import\u00e2ncia como ponto central de fixa\u00e7\u00e3o dos olhares . Ao final do s\u00e9culo XX, o corpo, mais do que o rosto se tornou foco de aten\u00e7\u00e3o, gerando novos padr\u00f5es de beleza e de exig\u00eancia sobre a apresenta\u00e7\u00e3o e o comportamento das pessoas. Essa exig\u00eancia, embora vigore para todos, exerce impacto maior sobre \u00e0s mulheres, uma vez, que apesar de todos os avan\u00e7os obtidos na rela\u00e7\u00e3o entre g\u00eaneros nas \u00faltimas d\u00e9cadas, ainda se cobra das mulheres que sejam belas enquanto que dos homens a exig\u00eancia \u00e9 de que sejam fortes e\/ou bem sucedidos.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos o padr\u00e3o est\u00e9tico do mundo ocidental tem feito da esbeltez seu item privilegiado: mulher bonita significa prioritariamente mulher magra. Mas apenas este aspecto n\u00e3o basta, \u00e9 preciso que a mulher apresente tamb\u00e9m um corpo trabalhado em exerc\u00edcios f\u00edsicos, massagens e outros recursos de tal forma que se mostre o mais homog\u00eaneo poss\u00edvel, sem rugas, sem marcas, sem cicatrizes.<\/p>\n<p>Essas cobran\u00e7as t\u00eam se aprofundado a ponto de se tornar uma nova forma de opress\u00e3o dos corpos e conseq\u00fcentemente das pessoas. A alimenta\u00e7\u00e3o desde h\u00e1 muito \u00e9 permeada por um conte\u00fado moral, n\u00e3o se pode esquecer que a gula, ou seja, a ingest\u00e3o sem limites e por prazer \u00e9 considerada na doutrina crist\u00e3 um dos pecados capitais, como tamb\u00e9m a pregui\u00e7a, a indol\u00eancia e, o sobre peso e, em sua \u00faltima forma, a obesidade s\u00e3o considerados pelo senso comum como resultado da gula e da pregui\u00e7a. Sem levar em conta as diferen\u00e7as individuais, a constitui\u00e7\u00e3o f\u00edsica ou a carga gen\u00e9tica de cada indiv\u00edduo, o que se espera \u00e9 que as pessoas sejam magras e \u201cmalhadas\u201d, ou seja, que sua musculatura seja enrijecida pelo exerc\u00edcio f\u00edsico constante.<\/p>\n<p>O predom\u00ednio do corpo esbelto, saud\u00e1vel e jovem sobre as demais formas f\u00edsicas se constitui em uma das facetas poss\u00edveis de express\u00e3o do bio-poder e, presentemente, beleza \u00e9 vista como fator essencial na busca de ascens\u00e3o social, projeto que chega a se concretizar para alguns, o que refor\u00e7a a id\u00e9ia de que este canal de estaria aberto a todos.<\/p>\n<p>Mas caminhando no sentido contr\u00e1rio \u00e0 exig\u00eancia do corpo esbelto e \u201ctrabalhado\u201d o mundo contempor\u00e2neo tem hoje como um de seus valores a busca incessante do prazer e a rejei\u00e7\u00e3o do esfor\u00e7o.<\/p>\n<p>A sociedade disciplinar, que teve seu apogeu entre o s\u00e9culo XIX e primeira metade do s\u00e9culo XX, enaltecia a dedica\u00e7\u00e3o e a poupan\u00e7a como as formas leg\u00edtimas de se obter sucesso e bem estar. A ociosidade era considerada um mal.  Atualmente, avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos buscam reduzir o desgaste na execu\u00e7\u00e3o das tarefas, possibilitando o surgimento do \u201ctempo livre\u201d categoria inexistente at\u00e9 bem pouco tempo ( Masi, 2000).  E, o \u201ctempo livre\u201d se constitui em um hiato a ser usado em busca e em nome do prazer. Tanto assim, que um dos setores que mais t\u00eam crescido na economia contempor\u00e2nea \u00e9 o setor do entretenimento. Entre as diversas formas de busca de prazer a gastronomia tem, como desde h\u00e1 muito sempre teve, um espa\u00e7o privilegiado. Al\u00e9m das in\u00fameras alternativas de estabelecimentos que oferecem as mais diversas formas de alimentos e alimenta\u00e7\u00e3o, os supermercados exp\u00f5em incont\u00e1veis produtos com suas embalagens reluzentes e atrativas. \u00c9 dif\u00edcil se pensar uma forma de congra\u00e7amento ou confraterniza\u00e7\u00e3o na qual n\u00e3o esteja inclu\u00eddo o consumo de comida ou bebida.<\/p>\n<p>Prazer e consumo est\u00e3o entrela\u00e7ados como se um n\u00e3o fosse poss\u00edvel sem o outro: consumo de produtos, bens, estilos de vida&#8230;<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 de se estranhar, portanto, que as taxas de sobrepeso venham crescendo em n\u00edveis assustadores nos pa\u00edses industrializados, especialmente no hemisf\u00e9rio ocidental. Esta reflex\u00e3o, no entanto, n\u00e3o legitima o ganho de peso: desde os discursos m\u00e9dicos at\u00e9 a opini\u00e3o do senso comum repudiam o sobrepeso, o qual se tornou um importante foco de discrimina\u00e7\u00e3o das pessoas . Vivendo em um mundo que oferece condi\u00e7\u00f5es para o ganho de peso, como a imensa oferta de guloseimas e a diminui\u00e7\u00e3o do esfor\u00e7o f\u00edsico e do exerc\u00edcio na vida cotidiana, os indiv\u00edduos, em especial as mulheres s\u00e3o cobrados para que sejam magros e o sobrepeso e a obesidade, como j\u00e1 foi anteriormente mencionado s\u00e3o vistos como resultado da a\u00e7\u00e3o individual de seus portadores.<\/p>\n<p>Assim, al\u00e9m do desconforto de se sentir fora do padr\u00e3o de beleza e de comportamento socialmente exigidos a pessoa gorda se sente tamb\u00e9m culpada por ser ela mesma a respons\u00e1vel pelo sofrimento.<\/p>\n<p>Novos padr\u00f5es. Novas exig\u00eancias e consequentemente, novas dores e novas culpas.<\/p>\n<p>II<br \/>Essas quest\u00f5es se apresentam nos consult\u00f3rios de psicologia de diversas formas: o excesso de consumo, a flexibiliza\u00e7\u00e3o exagerada das normas de comportamento, a permissividade t\u00eam produzido novas formas do adoecer: a viol\u00eancia, a drogadi\u00e7\u00e3o nas suas diversas formas, o consumo compulsivo, a depress\u00e3o, a s\u00edndrome do p\u00e2nico e as doen\u00e7as mais ligadas diretamente ao corpo, como a vigorexia (muscula\u00e7\u00e3o em excesso), as somatiza\u00e7\u00f5es, a anorexia nervosa, a bulimia e a obesidade.  Mesmo as quest\u00f5es ligadas diretamente ao peso corporal se mostram atrav\u00e9s de v\u00e1rias facetas. O controle ponderal se tornou uma obsess\u00e3o generalizada entre as mulheres, qualquer oscila\u00e7\u00e3o \u00e9 causa de mudan\u00e7a de humor. E o peso corporal tem sido usado emocionalmente de diversas formas, tanto como \u00e1libi, como mecanismo de auto-puni\u00e7\u00e3o, como instrumento para punir aos pais, como prote\u00e7\u00e3o contra dores que parecem maiores do que a auto-rejei\u00e7\u00e3o e a rejei\u00e7\u00e3o do outro.<\/p>\n<p>S\u00e3o v\u00e1rias as formas que os sujeitos lan\u00e7am m\u00e3o para expressar suas dores e ang\u00fastias, formas essas que muitas vezes se consolidam em um adoecer .<\/p>\n<p>Os relatos apresentados a seguir s\u00e3o bem distintos entre si, cada um apresenta a hist\u00f3ria de uma jovem inserida em sua realidade social, enfrentando e se submetendo \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de vida que lhe s\u00e3o dadas. Tanto em uma hist\u00f3ria como em outra o sobrepeso ou a sua amea\u00e7a mereceram destaque especial. A linha de trabalho desenvolvida, no entanto, n\u00e3o seguiu a rota definida pelo sintoma, ou seja, a quest\u00e3o central do trabalho n\u00e3o foi o sobrepeso, a preocupa\u00e7\u00e3o maior era compreender a pessoa em sofrimento, buscando-se entender as diversas formas que usava para expressar a sua dor.<\/p>\n<p>Diana foi minha paciente por dois anos, sua queixa era de que nada dava certo em sua vida. Alta, morena, cabelos longos e fartos, grandes olhos castanhos essa jovem de 29 anos me pareceu n\u00e3o s\u00f3 bonita como de uma presen\u00e7a bastante forte \u2013 dificilmente passaria despercebida em um ambiente.<br \/>Quando lhe perguntei o que n\u00e3o dava certo em sua vida, respondeu que apesar da idade n\u00e3o se considerava satisfeita com sua vida profissional e se via sem sorte nas rela\u00e7\u00f5es afetivas, pois gostaria de a esta altura da vida j\u00e1 ter uma rela\u00e7\u00e3o est\u00e1vel e melhor ainda gostaria de j\u00e1 ter uma fam\u00edlia.<br \/>            A pergunta seguinte: e por que nada dava certo em sua vida?<br \/>            A resposta: tinha a auto-estima abalada por ter sido obesa no passado.<\/p>\n<p>            Pedi que ela esclarecesse melhor: havia sido realmente obesa, em que \u00e9poca da vida e por quanto tempo, uma vez que naquele momento em que eu a estava conhecendo ela era magra.<\/p>\n<p>Ela retrucou minha fala dizendo que se considerava gorda. E contou que havia convivido com o sobrepeso entre os 10 e os 12 anos, per\u00edodo em que havia sido alvo de zombaria do irm\u00e3o mais velho e submetida a tratamentos de perda de peso.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia do sobrepeso teria deixado na jovem uma distor\u00e7\u00e3o da imagem corporal? A rela\u00e7\u00e3o do sujeito com sua apar\u00eancia f\u00edsica \u00e9 um fen\u00f4meno subjetivo e relacionado com as quest\u00f5es afetivas em especial na rela\u00e7\u00e3o com sua m\u00e3e (Dolto, 1992).  O olhar de Diana para si mesma colocava seu peso em situa\u00e7\u00e3o de destaque, como elemento central na constitui\u00e7\u00e3o de sua auto-imagem e, portanto como ponto nodal em sua auto-estima comprometida.<\/p>\n<p>Indo al\u00e9m no relato de sua hist\u00f3ria Diana informou ser a ca\u00e7ula de uma fratria de tr\u00eas irm\u00e3os, um homem e uma mulher de idade bem pr\u00f3xima e ela cinco anos mais nova do que a irm\u00e3.  Quando do in\u00edcio do processo terap\u00eautico ambos j\u00e1 eram casados, com suas vidas profissionais estruturadas. A jovem, por sua vez, trabalhava na empresa da fam\u00edlia e segundo sua pr\u00f3pria avalia\u00e7\u00e3o sua remunera\u00e7\u00e3o era compat\u00edvel com seu cargo, mas seu desempenho era aqu\u00e9m de suas atribui\u00e7\u00f5es e de seus ganhos. O favorecimento, embora confort\u00e1vel, contribu\u00eda para o comprometimento de sua auto-estima.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o a sua vida afetiva, Diana sentia-se ainda mais abalada: tivera namorados desde a adolesc\u00eancia, mas n\u00e3o se considerava amada por nenhum deles e n\u00e3o sentia admira\u00e7\u00e3o pelos rapazes que havia namorado. Ao iniciamos o processo terap\u00eautico, a jovem ainda estava se refazendo do rompimento de um noivado. A dor maior n\u00e3o vinha da separa\u00e7\u00e3o, mas de ter se submetido ao namoro e ao noivado com um rapaz com s\u00e9rios problemas: sofria de alcoolismo, n\u00e3o tinha uma profiss\u00e3o definida e lidava de forma que ela n\u00e3o aprovava com dinheiro.  Diana havia conseguido romper a rela\u00e7\u00e3o, mas sentia sua auto-estima abalada por este relacionamento e estava vivendo uma fase de envolvimentos fortuitos que ela pr\u00f3pria reprovava.<\/p>\n<p>Com o desenvolvimento do processo terap\u00eautico, Diana p\u00f4de analisar sua condi\u00e7\u00e3o no universo familiar, ca\u00e7ula, mimada pelos pais, de um lado era poupada por eles em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s responsabilidades pr\u00f3prias a um adulto e de outro era cobrada a estar sempre dispon\u00edvel \u00e0s exig\u00eancias dos genitores que j\u00e1 se sentiam envelhecidos: deveria estar sempre pronta para ouvi-los e acompanha-los a m\u00e9dicos, compras, etc. A paciente percebia as responsabilidades que lhe cabiam neste pacto, mas como n\u00e3o enxergava os seus ganhos, sentia-se sempre explorada e enraivecida.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia do sobrepeso na inf\u00e2ncia e o fato de ter sido tanto alvo de zombaria como de restri\u00e7\u00f5es, deixara u\u2019a marca de dor, sofrimento e rejei\u00e7\u00e3o. Na vida adulta, quando o sobrepeso j\u00e1 havia sido eliminado, Diana continuava presa nessa viv\u00eancia, como se esta fosse a \u00fanica fonte de sofrimento. Ao assumir posturas mais adultas e compromissadas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua vida e ao seu trabalho, p\u00f4de usufruir dos ganhos dessa nova condi\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m p\u00f4de refletir sobre a grande dificuldade em abrir m\u00e3o da condi\u00e7\u00e3o de ca\u00e7ula mimada, ganho que a mantinha presa em sua postura infantilizada.<\/p>\n<p>Em um momento mais avan\u00e7ado do processo terap\u00eautico, Diana foi estimulada a falar sobre sua avalia\u00e7\u00e3o sobre seu peso. Pode ent\u00e3o assumir que n\u00e3o se considerava gorda, mas tinha muito medo de voltar a engordar. Pode falar tamb\u00e9m sobre seu desejo de ter um corpo que pudesse estar acima das cr\u00edticas, ou seja, um corpo perfeito. Colocado de outra forma, Diana tinha medo de passar novamente pela dor de ser rejeitada e que a causa de rejei\u00e7\u00e3o fosse sua apar\u00eancia. Tratava-se de um medo real, que podia ser compreendido e acolhido. O desejo de ter um corpo perfeito, por sua vez, pode ser visto como uma idealiza\u00e7\u00e3o, um projeto inalcan\u00e7\u00e1vel, tanto por ela, como por qualquer outra jovem, pois a perfei\u00e7\u00e3o pertence ao mundo das idealiza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Diana, durante um bom tempo, havia usado o sobrepeso como um \u00e1libi: toda sua infelicidade era oriunda do fato de se sentir gorda. Essa cren\u00e7a a impedia de olhar de forma mais cr\u00edtica para si mesma e para o seu entorno e a mantinha fixa tanto na dor, como no insucesso.<\/p>\n<p>Cl\u00e1udia foi minha paciente por mais de cinco anos: procurou-me por indica\u00e7\u00e3o da psicoterapeuta de seu irm\u00e3o mais velho, que havia iniciado tratamento contra o uso de maconha. Ap\u00f3s uma sess\u00e3o com a fam\u00edlia do rapaz a psic\u00f3loga orientou Cl\u00e1udia a buscar um tratamento psicoter\u00e1pico individual.<\/p>\n<p>Quando nos conhecemos ela tinha 20 anos &#8211; seu rosto aparentava bem menos, mas sua forma de vestir e em fun\u00e7\u00e3o de seu sobrepeso, seu corpo aparentava bem mais. Pele clara, olhos e cabelos castanhos, nariz e boca muito bem delineados, dentes perfeitos, mas toda essa beleza e o vi\u00e7o da juventude eram escondidos pelos cabelos mantidos longos e sem corte definido, o sobrepeso e a roupa: Cl\u00e1udia se vestia com cal\u00e7as compridas bem largas e t\u00fanicas. Muito t\u00edmida e assustada era ass\u00eddua e pontual, mas tinha muita dificuldade em falar. Lentamente sua hist\u00f3ria foi sendo apresentada: era a filha do meio de uma fratria de tr\u00eas irm\u00e3os, um rapaz mais velho e uma irm\u00e3 mais nova, morava na capital do estado com seus irm\u00e3os, todos os tr\u00eas universit\u00e1rios, os pais viviam no interior. Sentia-se emocionalmente distante dos pais: sua m\u00e3e muito exigente fora agressiva com os filhos na inf\u00e2ncia, Cl\u00e1udia presenciara muitas vezes o irm\u00e3o ser surrado, o que fazia com que ela obedecesse sempre, temendo receber o mesmo castigo. No in\u00edcio do ensino m\u00e9dio, foi enviada, a contragosto, para a casa da av\u00f3 materna para estudar em uma cidade maior e, mais tarde, tamb\u00e9m a contragosto veio morar em Cuiab\u00e1, para fazer companhia para a irm\u00e3 mais nova que havia escolhido residir nesta cidade. Fazia um curso universit\u00e1rio que n\u00e3o gostava, mas at\u00e9 ent\u00e3o n\u00e3o sabia qual profiss\u00e3o seguir. O estudo havia sido fator de sofrimento desde a inf\u00e2ncia, sempre amea\u00e7ada de surra e outros castigos caso n\u00e3o se sa\u00edsse bem, Cl\u00e1udia entrava em p\u00e2nico por ocasi\u00e3o dos exames escolares.<\/p>\n<p>O relacionamento com os irm\u00e3os tamb\u00e9m era dif\u00edcil: desde cedo fora comparada com desvantagem com a irm\u00e3, magra, bem sucedida nos estudos e realizando o curso universit\u00e1rio do desejo dos pais. A paciente era capaz de entender que a irm\u00e3 n\u00e3o era respons\u00e1vel pela desqualifica\u00e7\u00e3o que sofria por parte dos pais, mas a compara\u00e7\u00e3o constante entre as duas dificultava que ela se aproximasse de sua mana: afirmava mesmo n\u00e3o sentir carinho por ela.  O irm\u00e3o de Cl\u00e1udia era o t\u00edpico rebelde, na aus\u00eancia dos pais levava a vida que queria, consumia maconha, levava amigos para fumar em seu apartamento, apesar da queixa das irm\u00e3s e abusava de poder em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s duas. Diversas vezes Cl\u00e1udia foi agredida fisicamente pelo irm\u00e3o, n\u00e3o se queixava aos pais com medo das amea\u00e7as do rapaz e quando o fazia a m\u00e3e defendia o filho.<\/p>\n<p>Assustada, tolhida, Cl\u00e1udia tinha sua auto-estima bastante abalada e apresentava os comprometimentos t\u00edpicos de mulheres que sofrem viol\u00eancia dom\u00e9stica. Seu sobrepeso, que j\u00e1 atingia o n\u00edvel da obesidade tinha a fun\u00e7\u00e3o de proteg\u00ea-la.<\/p>\n<p>Algumas autoras estudando a anorexia nervosa (Lawrence, 1991; Robell, 1997) afirmam que as jovens anor\u00e9xicas sentem seu corpo como seu \u00fanico espa\u00e7o e preservam para si o dom\u00ednio sobre o mesmo: apenas elas decidem se alimentar ou n\u00e3o. O comportamento de Cl\u00e1udia era semelhante ao das jovens anor\u00e9xicas se manter gorda era uma forma de enfrentamento dos pais que desejavam que ela emagrecesse, como era tamb\u00e9m um espa\u00e7o de vingan\u00e7a. Sempre que a m\u00e3e vinha visitar os filhos, impunha seus padr\u00f5es de exig\u00eancia, alterando as rotinas de todos e criticando a limpeza e organiza\u00e7\u00e3o do apartamento. Suas visitas eram aguardadas com medo e rancor por Cl\u00e1udia, que sabia que seu comportamento e sua dieta seriam vasculhados e criticados. Quando a m\u00e3e ia embora, Cl\u00e1udia se \u201cvingava\u201d \u00e0s vezes ingeria de uma s\u00f3 vez um pote de dois litros de sorvete.<\/p>\n<p>A paciente apresentava tamb\u00e9m outros comportamentos t\u00edpicos de pacientes com anorexia nervosa (idem), mantinha-se sempre isolada, n\u00e3o conversava com os irm\u00e3os e n\u00e3o tinha amigos, sua confidente era a empregada dom\u00e9stica da casa. Esta acabou deixando o emprego em fun\u00e7\u00e3o de desaven\u00e7a com o rapaz, sempre r\u00edspido e autorit\u00e1rio. Sua aus\u00eancia aprofundou o isolamento de Cl\u00e1udia.<\/p>\n<p>A jovem n\u00e3o mantinha relacionamentos fora de casa, na faculdade tinha apenas o contato necess\u00e1rio com colegas e professores. N\u00e3o tinha namorado e raramente saia de casa para se distrair, muitas vezes recusava os convites da irm\u00e3 apenas para contrari\u00e1-la.<\/p>\n<p>Cl\u00e1udia explicava seu isolamento afirmando que desejava se mudar para um grande centro ou para o exterior assim que se tornasse independente, se n\u00e3o tivesse la\u00e7os que a prendesse seria mais f\u00e1cil ir embora. Essa justificativa se apoiava no fato de que sua m\u00e3e havia abandonado um curso superior para se casar.  Olhando por este prisma, a obesidade, o cabelo longo e as roupas largas serviam como uma capa escondendo seu corpo e protegendo-a de sua pr\u00f3pria sexualidade .<\/p>\n<p>Apesar de sua timidez, era a paciente que tomava conta das finan\u00e7as e organiza\u00e7\u00e3o do apartamento. De um lado, era a presen\u00e7a de mais um sintoma t\u00edpico da anorexia nervosa: \u00e9 comum a paciente anor\u00e9xica se preocupar muito com comida, tendo prazer em providenci\u00e1-la e oferecer aos demais. Era Cl\u00e1udia que fazia as compras de supermercado e gerenciava a empregada dom\u00e9stica da casa, determinando especialmente a rotina alimentar de seus moradores. De outro sua atua\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica foi usada no processo terap\u00eautico sendo um dos aspectos tomados como refer\u00eancia no trabalho de recupera\u00e7\u00e3o de sua auto-estima.<\/p>\n<p>Para Lawrence (1991) ocupar o tempo com comida \u00e9 uma forma usada pela paciente anor\u00e9xica para preencher seu tempo vazio. Este comportamento tamb\u00e9m \u00e9 pr\u00f3prio do paciente obeso, a diferen\u00e7a \u00e9 que a jovem anor\u00e9xica faz comida, coleciona receitas culin\u00e1rias, visita supermercados, mas n\u00e3o come nada. A comida preenche seu tempo e ao mesmo tempo \u00e9 usada para testar o seu auto-controle. J\u00e1 o paciente obeso tamb\u00e9m usa o tema da alimenta\u00e7\u00e3o para preencher seu tempo vazio, a diferen\u00e7a \u00e9 a de que o obeso ingere a comida que faz ou o que v\u00ea e compra nos supermercados. E enquanto a jovem anor\u00e9xica se sente forte e vitoriosa por manter o autocontrole, o paciente obeso se sente abatido por ter mais uma vez sucumbido.<\/p>\n<p>O processo terap\u00eautico desenvolvido com Cl\u00e1udia foi longo e dif\u00edcil, lentamente sua auto-estima foi sendo refor\u00e7ada e ela p\u00f4de olhar para dentro de si enxergando suas possibilidades, aptid\u00f5es e habilidades.<\/p>\n<p>Refletindo sobre suas prefer\u00eancias e aptid\u00f5es Cl\u00e1udia foi expressando um interesse pelo mundo da moda. Mas quando afirmou que seu sonho era trabalhar nessa \u00e1rea, foi sumariamente desqualificada pelos pais: como uma gorda poderia trabalhar no mundo da moda?!<\/p>\n<p>Estimulada a ir em busca da realiza\u00e7\u00e3o de seu sonho, Cl\u00e1udia ingressou no curso de tecn\u00f3logo de moda, sem, contudo, abandonar o antigo curso superior. At\u00e9 ent\u00e3o a jovem se considerava intelectualmente limitada, pois sempre estava se esfor\u00e7ando muito para ser aprovada; os \u00f3timos resultados que passou a obter no curso de moda, levaram-na a rever estes conceitos e contribu\u00edram para que mais autoconfiante tamb\u00e9m se sa\u00edsse bem no outro curso universit\u00e1rio.<\/p>\n<p>N\u00e3o foi f\u00e1cil para a jovem enfrentar os abusos do irm\u00e3o e colocar limites no rapaz. Ao ser mais uma vez agredida ligou para os pais e amea\u00e7ou dar queixa \u00e0 pol\u00edcia. A m\u00e3e, mais uma vez tentou apaziguar a situa\u00e7\u00e3o, mas diante da posi\u00e7\u00e3o firme de Cl\u00e1udia o pai se posicionou, fazendo com que o rapaz deixasse o apartamento das irm\u00e3s. Foi um momento de vit\u00f3ria e de muita dor: apesar das agress\u00f5es Cl\u00e1udia se sentia ligada ao irm\u00e3o, testemunha das agress\u00f5es que ele havia sofrido na inf\u00e2ncia havia constru\u00eddo um sentimento de solidariedade para com o mesmo. Foi capaz de conversar sobre essas quest\u00f5es com o irm\u00e3o e apesar do grande atrito que havia ocorrido entre os dois, quando o rapaz saiu de casa se separam sem rompimento.<\/p>\n<p>Em um mesmo semestre Cl\u00e1udia finalizou os dois cursos, a conclus\u00e3o do bacharelado fazia com que se sentisse mais segura \u2013 havia vencido todas as dificuldades e se formado com boas notas em um curso no qual n\u00e3o tinha interesse. A finaliza\u00e7\u00e3o do curso de moda foi sentida como uma grande realiza\u00e7\u00e3o. No momento da apresenta\u00e7\u00e3o de seu trabalho de final de curso \u2013 cria\u00e7\u00e3o, confec\u00e7\u00e3o e apresenta\u00e7\u00e3o de uma cole\u00e7\u00e3o \u2013 Cl\u00e1udia estava radiante, empunhando o microfone com grande desenvoltura explanou sobre seu trabalho com seguran\u00e7a e alegria. Seguindo uma dieta de reeduca\u00e7\u00e3o alimentar j\u00e1 havia perdido 15 quilos, mudara o corte do cabelo e come\u00e7ava a se vestir de forma mais jovial.  Num momento mais avan\u00e7ado do processo terap\u00eautico, Cl\u00e1udia havia compreendido que se manter gorda e se vestindo com roupas largas e escuras para n\u00e3o ceder \u00e0 vontade da m\u00e3e era apenas uma forma negativa de se atar a esta mesma vontade.  Fora poss\u00edvel, a partir de ent\u00e3o, estimular a paciente a refletir sobre o seu desejo em rela\u00e7\u00e3o ao seu corpo e a sua apar\u00eancia e a responsabilizar-se por eles.<\/p>\n<p>Uma jovem bonita e determinada surgia, deixando para tr\u00e1s a menina assustada, que durante um bom tempo usara a obesidade, o cabelo e as roupas para se esconder. A gordura tamb\u00e9m havia servido de anteparo, diante de tantas agress\u00f5es. Assumindo a responsabilidade por sua pr\u00f3pria vida, n\u00e3o precisava mais fazer de seu corpo seu \u00fanico espa\u00e7o de poder e resist\u00eancia.<\/p>\n<p>III<\/p>\n<p>Durante s\u00e9culos, no mundo ocidental, a exposi\u00e7\u00e3o dos corpos havia sido uma quest\u00e3o de ordem moral-religiosa, o que ainda acontece em v\u00e1rias sociedades contempor\u00e2neas. Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, diversos fatores contribu\u00edram para que esses padr\u00f5es fossem alterados. Hoje, no mundo industrializado, onde h\u00e1 o predom\u00ednio do consumo t\u00edpico das sociedades capitalistas, existe uma grande valoriza\u00e7\u00e3o da apar\u00eancia das pessoas. A beleza e a juventude se tornaram padr\u00f5es preponderantes de avalia\u00e7\u00e3o, contribuindo para a consolida\u00e7\u00e3o de uma nova ordem, esta tamb\u00e9m discriminat\u00f3ria, tamb\u00e9m opressora, uma ordem est\u00e9tico-moral. Permanece o preceito moral na medida em que a partir de seus par\u00e2metros, a nova ordem avalia, julga, condena e discrimina pessoas e comportamentos.  Esta nova ordem faz parte do mundo contempor\u00e2neo e os sujeitos resistem e se submetem aos padr\u00f5es impostos.<\/p>\n<p>O presente texto buscou apresentar, atrav\u00e9s de experi\u00eancias concretas novas facetas do sofrer humano. Hist\u00f3rias de jovens enfrentando e se submetendo a padr\u00f5es opressores de comportamento. O trabalho terap\u00eautico se desenvolveu no sentido de acolher a dor de se sentir fora do modelo desejado, mas indo al\u00e9m, seguiu no intuito de estimular as pacientes a refletirem sobre si mesmas se responsabilizando por suas vidas e por suas escolhas. Aceitar as diferen\u00e7as entre as pessoas e respeitar a diversidade pr\u00f3pria de um mundo t\u00e3o heterog\u00eaneo \u00e9 um dos caminhos poss\u00edveis na busca da liberdade.<\/p>\n<p>                Sobre o corpo humano como uma produ\u00e7\u00e3o social ver, entre outros, Marcel Maus, 1974;Jorge Crespo, 1990;  Joana.V. Novaes, 2006.<br \/>                O biopoder foi estudado e conceituado por Michel Foucault, 1988.<br \/>                Ver por exemplo Fab\u00edola M. P. Gaspar, 2003.<br \/>                Sobre o assunto ver Joyce Mc Dougall , 1996.<br \/>                Nome fict\u00edcio.<br \/>                Nome fict\u00edcio.<br \/>                Sobre as fun\u00e7\u00f5es que a obesidade pode assumir  ver Maria Salete A.Loli (2000).<\/p>\n<p>Bibliografia<\/p>\n<p>CRESPO, Jorge \u2013 A hist\u00f3ria do corpo, Lisboa, Difel, 1990<\/p>\n<p>DOLTO, Fran\u00e7ois \u2013 A imagem inconsciente do corpo, trad., S\u00e3o Paulo, Perspectiva, 1992.<\/p>\n<p>FOUCAULT, Michel \u2013 Hist\u00f3ria da sexualidade I: a vontade de saber, trad, 10 ed, Rio de Janeiro, Graal, 1988.<\/p>\n<p>GASPAR, Fab\u00edola Mansur P. Gaspar \u2013 Obesidade e trabalho: hist\u00f3rias de preconceito e reconhecimento vividas por trabalhadores obesos, S\u00e3o Paulo, Vetor, 2003.<\/p>\n<p>LAWRENCE, Marilyn \u2013 A experi\u00eancia anor\u00e9xica, trad., S\u00e3o Paulo Summus Editorial, 1991.<\/p>\n<p>LOLI, Maria Salete A. \u2013 A obesidade como sintoma: uma leitura psicanal\u00edtica, S\u00e3o Paulo, Editora Vetor, 2000.<\/p>\n<p>MAC DOUGALL, Joyce \u2013 Teatros do corpo: o psicossoma em psican\u00e1lise, trad., S\u00e3o Paulo, Martins Fontes, 1996.<\/p>\n<p>MASI, Domenico de \u2013 O \u00f3cio criativo, trad., S\u00e3o Paulo, Sextante, 2000.<\/p>\n<p>MAUSS, Marcel \u2013 \u201cAs t\u00e9cnicas corporais\u201d in Sociologia e antropologia, trad., EPU, EdUSP, 1974.<\/p>\n<p>NOVAES, Joana de Vilhena \u2013 O intoler\u00e1vel peso da fei\u00fara: sobre as mulheres e seus corpos, Rio de Janeiro, Ed PUC Rio,. Gramond, 2006.<\/p>\n<p>ROBELL, Suzanne \u2013 A mulher escondida: a anorexia nervosa em nossa cultura, S\u00e3o Paulo, Summus Editorial, 1997.<\/p>\n<p>VIGARELLO, Georges \u2013 Hist\u00f3ria da beleza: o corpo e a arte de se embeleza do Renascimento aos dias de hoje, trad., Rio de Janeiro, Ediouro, 2006.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Corpos (in)submissos:formas de sujeitamento e resist\u00eancia no mundo contempor\u00e2neo e suas repercuss\u00f5es na cl\u00ednica de psicologiaLUIZA RIOS RICCI VOLPATOPsic\u00f3loga, mestre e doutora em Hist\u00f3ria pela Universidade<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[20],"tags":[],"class_list":["post-147","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-congresso-2008"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/147","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=147"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/147\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=147"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=147"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=147"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}