{"id":138,"date":"2011-01-11T03:15:00","date_gmt":"2011-01-11T03:15:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.analisebioenergetica.com\/site\/?p=138"},"modified":"2011-01-11T03:15:00","modified_gmt":"2011-01-11T03:15:00","slug":"vivencia-a-crianca-aterrorizada-a-analise-bionergetica-enquanto-instrumento-no-trabalho-de-reconstrucao-de-um-espaco-potencial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/vivencia-a-crianca-aterrorizada-a-analise-bionergetica-enquanto-instrumento-no-trabalho-de-reconstrucao-de-um-espaco-potencial\/","title":{"rendered":"[VIV\u00caNCIA] A CRIAN\u00c7A ATERRORIZADA: A AN\u00c1LISE BIONERG\u00c9TICA ENQUANTO INSTRUMENTO NO TRABALHO DE RECONSTRU\u00c7\u00c3O DE UM ESPA\u00c7O POTENCIAL"},"content":{"rendered":"<div id=\"fb-root\"><\/div>\n<p>A CRIAN\u00c7A ATERRORIZADA:  <\/p>\n<p>A An\u00e1lise Bionerg\u00e9tica enquanto Instrumento no Trabalho de Reconstru\u00e7\u00e3o de um Espa\u00e7o Potencial.<\/p>\n<p>Raquel Horie Pinto &#8211; SOBAB\/SP<\/p>\n<p>A demanda que vem ocorrendo atualmente na cl\u00ednica com crian\u00e7as, \u00e9 da ordem de um medo t\u00e3o intenso, de um terror subjacente as express\u00f5es, aos sentimentos, como se a vida estivesse sendo constantemente amea\u00e7ada.<\/p>\n<p>Muitas vezes nos v\u00eam encaminhadas por professores, ou o pediatra, porque para alguns pais a \u201cnega\u00e7\u00e3o\u201d \u00e9 a defesa instalada no seio familiar&#8230; servindo como uma rede de prote\u00e7\u00e3o \u00e0 todos.<\/p>\n<p>A sintomatologia apresentada pode ser variada, somatizadas em patologias que v\u00e3o desde ins\u00f4nia, ou sono excessivo, hiperatividade (diagn\u00f3stico recorrente), d\u00e9ficit de aten\u00e7\u00e3o, enurese, encoprese, rejei\u00e7\u00e3o a alimentos, v\u00f4mitos, tremores, choro excessivo, ou uma apatia total, isolamento, timidez, baixa imunidade, e outros sintomas f\u00edsicos atrelados a um comportamento emocional alterado.<br \/>O que nos chama a aten\u00e7\u00e3o em algumas crian\u00e7as, \u00e9 que independente das queixas que nos s\u00e3o apresentadas por pais ou respons\u00e1veis , elas t\u00eam em comum a express\u00e3o do medo no olhar fugidio e desfocado, e uma palidez m\u00f3rbida, como se estivesse em um estado de \u201csusto permanente\u201d.<\/p>\n<p>Sabemos que na inf\u00e2ncia as constru\u00e7\u00f5es defensivas n\u00e3o est\u00e3o ainda totalmente estruturadas em um falso self adaptado, o que possibilita a exposi\u00e7\u00e3o do sofrimento ps\u00edquico, com sua baixa carga energ\u00e9tica,  e principalmente uma tristeza que contraria qualquer ordem natural da condi\u00e7\u00e3o de \u201cser crian\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>Crian\u00e7as que experenciaram rupturas significativas no processo de transicionalidade, onde as extens\u00f5es do eu e do n\u00e3o-eu ficaram esgar\u00e7adas, necessitam do estabelecimento de um v\u00ednculo seguro, para que atrav\u00e9s de experi\u00eancias compartilhadas, a confian\u00e7a b\u00e1sica possa emergir.<\/p>\n<p>\u201cOnde h\u00e1 confian\u00e7a e fidedignidade h\u00e1 tamb\u00e9m um espa\u00e7o potencial; espa\u00e7o que pode tornar-se uma \u00e1rea infinita de separa\u00e7\u00e3o, e o beb\u00ea, a crian\u00e7a, o adolescente e o adulto podem preenche-lo criativamente com o brincar, que com o tempo, se transforma na frui\u00e7\u00e3o da heran\u00e7a cultural\u201d ( Winnicott \u2013 1975, O brincar e a realidade, pg.143).<\/p>\n<p>Muitos medos e terrores que se apresentam na 1\u00aa inf\u00e2ncia, podem ter sua origem nas experi\u00eancias extremamente negativas com os fen\u00f4menos e objetos fora do \u201csi-mesmo onipotente\u201d (est\u00e1gio primordial),  que por sua condi\u00e7\u00e3o traumatizante n\u00e3o pode ser reparado e evolu\u00eddo para a \u201cfrustra\u00e7\u00e3o-gratifica\u00e7\u00e3o\u201d, separa\u00e7\u00e3o-uni\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Um come\u00e7o de vida sem as condi\u00e7\u00f5es de um ambiente adaptado \u00e0s necessidades b\u00e1sicas do beb\u00ea, determinar\u00e1 uma estrutura\u00e7\u00e3o que comprometer\u00e1 sua exist\u00eancia, obrigando-o a desenvolver um padr\u00e3o de rea\u00e7\u00f5es ao ambiente adverso, numa linha de submetimento que ir\u00e1 coibir seu gesto criativo no mundo.  As defesas primitivas se organizam concomitantes a estrutura nascente do ego.<\/p>\n<p>Sabendo-se de antem\u00e3o que o trabalho com crian\u00e7as n\u00e3o depende somente do aprendizado de novas t\u00e9cnicas, ou a padroniza\u00e7\u00e3o de procedimentos, \u00e9 mister atentar-se ao fato de que, como ocorre em todo e qualquer trabalho psicoter\u00e1pico a condicionalidade \u00e9 o \u201c estar dispon\u00edvel\u201d. Mas no que se refere \u00e0s crian\u00e7as, a disponibilidade deve ser entendida literalmente, um doar&#8211;se na rela\u00e7\u00e3o, onde interagir pode significar despojar-se de condicionalidades.<\/p>\n<p>Acabar uma sess\u00e3o cheirando a fezes, urina, ou extenuada pelas brincadeiras, pode ser um dos requisitos no trabalho com crian\u00e7as. Porisso, o terapeuta bioenerg\u00e9tico deve estar atento \u00e0s suas percep\u00e7\u00f5es, criando condi\u00e7\u00f5es adequadas que visem tornar seu trabalho dignificante, com um m\u00ednimo de conforto, adaptando-se \u00e0s situa\u00e7\u00f5es inusitadas, com materiais, roupas adequadas, para que o trabalho seja o menos impactante para si mesmo, e o foco fique na qualidade do v\u00ednculo, da rela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>E a An\u00e1lise Bioenerg\u00e9tica como instrumental para o tratamento de crian\u00e7as vitimizadas e\/ou aterrorizadas possibilita um trabalho onde o \u201cbrincar\u201d pode ir al\u00e9m da finalidade interpretativa, podendo intervir objetivamente na flexibiliza\u00e7\u00e3o de um self em processo de encoura\u00e7amento, possibilitando dentro de um \u201cespa\u00e7o potencial\u201d seguro e adequado, a restaura\u00e7\u00e3o da confian\u00e7a b\u00e1sica na vida.<\/p>\n<p>PARTE PR\u00c1TICA \u2013 VIV\u00caNCIA<\/p>\n<p>Objetivo:  Estabelecer contato, promover integra\u00e7\u00e3o, estimular<br \/>                   v\u00ednculos.<\/p>\n<p>Procedimentos<br \/>Com som apropriado, pede-se aos participantes que tirem os sapatos (cal\u00e7ados) e deixem em um canto da sala.  Depois seguindo a consigna todos devem caminhar pela sala (percep\u00e7\u00e3o de si mesmo e do grupo)  com passos variados, de diferentes ritmos: c\u00e2mera lenta, passos fortes, apressados, com medo, com raiva, andando nas nuvens,etc.  Em seguida, parar de caminhar, e  registrar sensa\u00e7\u00f5es, sentindo os p\u00e9s, o corpo, a respira\u00e7\u00e3o.   Na seq\u00fc\u00eancia pedir para os participantes que tragam seus sapatos para o centro da sala. Os sapatos ser\u00e3o misturados e o grupo far\u00e1 uma grande roda ao redor da pilha de sapatos. Todos devem andar devagar observando todos os sapatos que ali est\u00e3o procurando imaginar suas hist\u00f3rias.  Ao sinal de parem, devem permanecer no lugar onde est\u00e3o, aguardando a ordem de pegarem rapidamente dois p\u00e9s de sapatos.  Que n\u00e3o precisam ser necessariamente do mesmo par, podendo ser uma sand\u00e1lia com um sapato, ou um t\u00eanis com um chinelo, etc.  O grupo senta-se em c\u00edrculo e cada participante passa a se apresentar ao grupo dizendo o nome e lugar de origem, e qual a identifica\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o com o par de sapatos que apanhou, e como imagina que seja o dono desse cal\u00e7ado, deixando a imagina\u00e7\u00e3o rolar.  Depois os donos do sapato se identificam, e seguem comentando sobre suas escolhas.<\/p>\n<p>Nome:  Raquel Horie Pinto<\/p>\n<p>Email: raquelhorie@uol.com.br<\/p>\n<p>Institui\u00e7\u00e3o: SOBAB\/SP<\/p>\n<p>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/p>\n<p>BOWLBY, Donald W.  O Brincar e a Realidade. Rio de Janeiro,RJ: Ed. Imago, 1975.<\/p>\n<p>ERICKSON, Erik H. Inf\u00e2ncia e Sociedade. Rio de Janeiro, RJ: Ed. Zahar, 1976.<\/p>\n<p>FERREIRA, M\u00e1rcia P. Transtornos de Excre\u00e7\u00e3o, S.Paulo,SP: Casa do Psic\u00f3logo, 2004.<\/p>\n<p>QUILES,Manuel I. Neuroses, S.Paulo, SP: Ed. \u00c1tica S.A., 1995.<\/p>\n<p>REICH, Wilhelm. A An\u00e1lise do Car\u00e1ter, WR 1933\/1948. S\u00e3o Paulo,SP: Martins Fontes, 1989.<\/p>\n<p>REICH, Wilhelm.  Crian\u00e7as do Futuro. Tradu\u00e7\u00e3o do Centro Reichiano. Curitiba, PR, 1983.<\/p>\n<p>VIOLANTE, Maria L.V. A Crian\u00e7a Mal Amada:  Estudo sobre a Potencialidade Melanc\u00f3lica. Petr\u00f3polis, RJ: Ed. Vozes, 1994.<\/p>\n<p>VOLPI, Jos\u00e9 H. e VOLPI, Sandra M. Pr\u00e1ticas da Psicologia Corporal aplicadas em Grupo. Curitiba, PR: Centro Reichiano, 2001.<\/p>\n<p>WINNICOTT, Donald W.  O Brincar e a Realidade. Rio de Janeiro, RJ: Ed. Imago, 1975.<\/p>\n<p>WINNICOTT, Donald W.  A Crian\u00e7a e seu Mundo.  Rio de Janeiro, RJ: LTC Editora, 1982.<\/p>\n<p>Artigos e Textos<\/p>\n<p>GANDRA, Maria I.S. e FARIAS, Maria A.  A import\u00e2ncia do Apego no Processo de Desenvolvimento. Artigo UNIFESP \u2013 EPM, S\u00e3o Paulo,SP: 2007.<\/p>\n<p>LINS, Maria I.A. Uma Cl\u00ednica Winnicottiana. Entrevista \u00e0 Revista Percurso, S\u00e3o Paulo, SP: 1996.<\/p>\n<p>LOPARIC, Zeljko.  Winnicott: Uma Psican\u00e1lise n\u00e3o-edipiana. S\u00e3o Paulo,SP : Revista Percurso, 1996.<\/p>\n<p>LUZ, Rog\u00e9rio.  O Espa\u00e7o Potencial: Winnicott. S\u00e3o Paulo, SP: Revista Percurso, 1989.<\/p>\n<p>MALEY, Michael. Choque, Trauma e Polariza\u00e7\u00e3o: Encontrando Unidade em um Mundo de Dualidades.  Revista Cl\u00ednica do IIBA, Recife, PE: Libertas Editora, 2006.<\/p>\n<p>NUNES, Olinda F. e PAIVA, Mary J.A. A Recupera\u00e7\u00e3o da Fun\u00e7\u00e3o Educativa Natural segundo o Princ\u00edpio Orgon\u00f4mico. Site: orgonizando.psc.br.,1999.<\/p>\n<p>PINTO, Elizabeth B. Os Sintomas Psicofuncionais e as Consultas Terap\u00eauticas pais\/beb\u00eas.  Estudos de Psicologia, USP, S\u00e3o Paulo,SP: 2004.<\/p>\n<p>RIBEIRO, Eulina M.C. Desenvolvimento Sexual da Libido. Workshop Teoria do Desenvolvimento I \u2013 Donald W. Winnicott, SOBAB, S\u00e3o Paulo, SP: 2003.<\/p>\n<p>SCARPATO, Artur. O Estranho que me habita: A S\u00edndrome do P\u00e2nico numa perspectiva formativa. S\u00e3o Paulo, SP: Revista Reichiana, n\u00ba 10, 2001.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A CRIAN\u00c7A ATERRORIZADA: A An\u00e1lise Bionerg\u00e9tica enquanto Instrumento no Trabalho de Reconstru\u00e7\u00e3o de um Espa\u00e7o Potencial. 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