{"id":129,"date":"2011-01-11T02:46:00","date_gmt":"2011-01-11T02:46:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.analisebioenergetica.com\/site\/?p=129"},"modified":"2011-01-11T02:46:00","modified_gmt":"2011-01-11T02:46:00","slug":"vivencia-o-despertar-da-crianca-interior-aplicacao-da-analise-bioenergetica-na-prevencao-da-neurose-em-criancas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/vivencia-o-despertar-da-crianca-interior-aplicacao-da-analise-bioenergetica-na-prevencao-da-neurose-em-criancas\/","title":{"rendered":"[VIV\u00caNCIA] O DESPERTAR DA CRIAN\u00c7A INTERIOR: APLICA\u00c7\u00c3O DA AN\u00c1LISE BIOENERG\u00c9TICA NA PREVEN\u00c7\u00c3O DA NEUROSE EM CRIAN\u00c7AS"},"content":{"rendered":"<div id=\"fb-root\"><\/div>\n<p>O DESPERTAR DA CRIAN\u00c7A INTERIOR: APLICA\u00c7\u00c3O DA AN\u00c1LISE BIOENERG\u00c9TICA NA PREVEN\u00c7\u00c3O DA NEUROSE EM CRIAN\u00c7AS<\/p>\n<p>P\u00e9risson Dantas do Nascimento<br \/>Instituto de An\u00e1lise Bioenerg\u00e9tica de S\u00e3o Paulo &#8211; IABSP<\/p>\n<p>Referenciais te\u00f3ricos<\/p>\n<p>A psicoterapia com crian\u00e7as: a heran\u00e7a psicanal\u00edtica<\/p>\n<p>A pr\u00e1tica da psican\u00e1lise com crian\u00e7as, em termos hist\u00f3ricos, foi primeiramente atribu\u00edda a Freud que, em todo o seu percurso te\u00f3rico e cl\u00ednico, enfatizou a import\u00e2ncia da viv\u00eancia subjetiva infantil e suas conseq\u00fc\u00eancias na vida adulta, na forma\u00e7\u00e3o e g\u00eanese dos sintomas exibidos pelos pacientes adultos que buscavam um al\u00edvio de seu sofrimento pelo processo psicanal\u00edtico. Freud nunca chegou a realizar uma psican\u00e1lise infantil, mas em sua obra, chegou a dedicar um estudo sobre o funcionamento ps\u00edquico da crian\u00e7a no caso do pequeno Hans (1909) e a posterior elabora\u00e7\u00e3o da teoria da sexualidade infantil (Aberastury, 1998).<\/p>\n<p>No decorrer da hist\u00f3ria do movimento psicanal\u00edtico, diversos autores buscaram investigar mais profundamente a psicodin\u00e2mica da inf\u00e2ncia, trazendo contribui\u00e7\u00f5es sobre a constitui\u00e7\u00e3o do ego nos primeiros momentos de vida, na complexa rela\u00e7\u00e3o m\u00e3e\/ beb\u00ea, inaugurando o paradigma objetal na compreens\u00e3o dos pacientes (Weigand, 2007), que possibilitou a cria\u00e7\u00e3o de uma t\u00e9cnica espec\u00edfica de an\u00e1lise de crian\u00e7as, o que era impens\u00e1vel no in\u00edcio da psican\u00e1lise.  Podemos destacar, nesse sentido, duas vertentes pioneiras e antag\u00f4nicas que surgiram com o intuito de sistematizar e adaptar a teoria psicanal\u00edtica a uma pr\u00e1tica terap\u00eautica infantil: Anna Freud, que lidava com quest\u00f5es de cunho mais pedag\u00f3gico e que focalizava a neurose da crian\u00e7a na rela\u00e7\u00e3o da mesma com os seus pais, inaugurando a compreens\u00e3o atual de que a neurose da crian\u00e7a \u00e9 configurada no sistema familiar (Freud, 1980) e Melanie Klein, a qual valorizava o brinquedo como elemento de an\u00e1lise e interpreta\u00e7\u00e3o dos sintomas e explora\u00e7\u00e3o do mundo interno infantil (fantasias, direcionamento da libido, defesas, destinos pulsionais de vida e morte), acreditando que era vi\u00e1vel a analisabilidade infantil, tomando a crian\u00e7a e sua psicodin\u00e2mica como eixos centrais do trabalho do terapeuta (Klein, 2000).<\/p>\n<p>Podemos tamb\u00e9m destacar como referencial importante para a psican\u00e1lise infantil o trabalho de Winnicott (1997), que desenvolve uma teoria da transicionalidade nas rela\u00e7\u00f5es objetais. Para que a  crian\u00e7a possa se individuar como sujeito e assimilar a separa\u00e7\u00e3o que existe entre o mundo interno da fantasia e o mundo externo da realidade, ela precisa criar um espa\u00e7o intermedi\u00e1rio, no qual ela possa criar a realidade, elaborar as suas ang\u00fastias e dar sentido aos eventos do mundo que a cerca. Esse espa\u00e7o transicional \u00e9 manifestado pelo brincar, que conecta a crian\u00e7a ao mundo dos objetos externos, por meio do faz de conta em que se misturam fantasia e realidade. Os brinquedos s\u00e3o tomados de valor fantas\u00edstico, subjetivo, tornam-se posse do mundo interno da crian\u00e7a, com v\u00e1rias possibilidades de investimento libidinal. No entanto, o paradoxo consiste na percep\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a da realidade do objeto fora de sua fantasia e onipot\u00eancia, da\u00ed a possibilidade da express\u00e3o projetiva e da criatividade potencial existente na rela\u00e7\u00e3o com o brinquedo.<\/p>\n<p>Assim surgiu a psicoterapia infantil, que centra seus trabalhos no brincar na crian\u00e7a, o qual possibilita a ela a express\u00e3o de seus sentimentos e ang\u00fastias, como tamb\u00e9m a reorganiza\u00e7\u00e3o de suas viv\u00eancias nos mais diferentes n\u00edveis: escolar, familiar, relacionamentos interpessoais. A psicoterapia objetiva fazer com que a crian\u00e7a que n\u00e3o brinca abra possibilidades para o brincar, tendo em vista a import\u00e2ncia dessa atividade para a elabora\u00e7\u00e3o dos desafios, ang\u00fastias e lutos decorrentes do processo de desenvolvimento. Nesse sentido, Rocha (2005b) aponta que o interm\u00e9dio de comunica\u00e7\u00e3o entre a crian\u00e7a e o terapeuta \u00e9 o brinquedo, devendo o profissional ter abertura suficiente para brincar com a crian\u00e7a, compreendendo essa atividade como um di\u00e1logo intersubjetivo, no qual a crian\u00e7a expressa seus conflitos internos atrav\u00e9s da forma e do conte\u00fado da brincadeira, que serve como uma associa\u00e7\u00e3o livre no procedimento anal\u00edtico.<\/p>\n<p>Como o pedido de atendimento (demanda) n\u00e3o \u00e9 feito pelo sujeito da an\u00e1lise, ou seja, \u00e9 feito pelo respons\u00e1vel da crian\u00e7a, ele deve ser bastante trabalhado pelo terapeuta na entrevista com os pais ou respons\u00e1veis, explorando o significado da queixa (sintoma), a hist\u00f3ria da crian\u00e7a e o lugar simb\u00f3lico que ela ocupa nos contextos em que ela est\u00e1 inserida. Esse aspecto do sentido da demanda para a psicoterapia infantil \u00e9 bastante enfatizado por Mannoni (1999), porque frequentemente o problema apresentado pela crian\u00e7a, em terapia, n\u00e3o corresponde \u00e0 queixa relatada pelos pais, ou os pais e a crian\u00e7a revelam uma din\u00e2mica na qual o sintoma da crian\u00e7a consiste num conte\u00fado manifesto que encobre toda uma estrutura latente mais complexa da rela\u00e7\u00e3o familiar, com todas as suas defesas e resist\u00eancias.<\/p>\n<p>No trabalho com a crian\u00e7a a regra fundamental da psican\u00e1lise \u00e9 mantida, ou seja, a associa\u00e7\u00e3o livre, pela crian\u00e7a, na elabora\u00e7\u00e3o de seus conte\u00fados, deixando-a falar tudo o que quiser, sem censuras pr\u00e9vias, os limites s\u00e3o dados no decorrer do percurso terap\u00eautico com a crian\u00e7a, dependendo do diagn\u00f3stico que \u00e9 realizado nas primeiras sess\u00f5es. O brincar da crian\u00e7a por si s\u00f3 \u00e9 gerador de sentido. Nem sempre \u00e9 preciso interpretar o brincar, desde que o terapeuta possa fazer pontua\u00e7\u00f5es para que esse brincar flua melhor, facilitando a elabora\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a. Para isso, o profissional deve se utilizar de uma linguagem simples, compat\u00edvel com a compreens\u00e3o e o vocabul\u00e1rio da crian\u00e7a. \u00c9 com o brinquedo que a crian\u00e7a sai de um lugar passivo, ref\u00e9m dos sintomas e dos sofrimentos projetados da fam\u00edlia que carrega como um paciente identificado, para uma atividade que facilita a sua compreens\u00e3o no mundo. Na sala de ludo, Ginnott (1987) informa que estabelece limites para que a crian\u00e7a n\u00e3o se entregue aos impulsos de destrui\u00e7\u00e3o (nos brinquedos e na terapeuta), de forma a canalizar melhor seus sentimentos e se adequar \u00e0 realidade social.<\/p>\n<p>O enfoque bioenerg\u00e9tico em psicoterapia infantil<\/p>\n<p>Reich (2001) desenvolveu diversas id\u00e9ias sobre a profilaxia da neurose em seu livro \u201cCrian\u00e7as do futuro\u201d, no qual reflete sobre as origens do desenvolvimento dos padr\u00f5es caracteriais de defesa nas crian\u00e7as e a interrup\u00e7\u00e3o do fluxo normal da energia no desenvolvimento psicossexual, resultando na forma\u00e7\u00e3o de coura\u00e7as, que impede uma rela\u00e7\u00e3o funcional e sadia com o mundo, com a sexualidade e com o pr\u00f3prio eu. Em diversos momentos da obra, percebemos a rela\u00e7\u00e3o que o autor estabelece com a repress\u00e3o sexual dos pais no tocante ao livre fluir da energia da afetividade e sexualidade infantil de seus filhos, ressaltando o papel danoso da educa\u00e7\u00e3o moral no desenvolvimento da peste emocional que a cultura nos imp\u00f5e a viver desde o nascimento.<br \/>Um dos primeiros autores a desenvolver um pensamento psicoterap\u00eautico e profil\u00e1tico mais efetivo para o tratamento das neuroses a n\u00edvel bioenerg\u00e9tico foi Baker (1988), que seguindo as id\u00e9ias de Reich, desenvolve procedimentos orgon\u00f4micos para prevenir a cronicidade do desenvolvimento das coura\u00e7as nas crian\u00e7as, consideradas como seres energeticamente abertos e pl\u00e1sticos, com um eu em desenvolvimento que permite, a n\u00edvel psicossom\u00e1tico, uma reconstru\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica bastante efetiva, um potencial inato para o desenvolvimento e a sa\u00fade. O trabalho preventivo com m\u00e3es e sistemas familiares \u00e9 extremamente enfatizado, pois a crian\u00e7a precisa desenvolver-se em um ambiente energeticamente aberto para a emerg\u00eancia de suas demandas libidinais\/pulsionais de acordo com as diferentes fases de seu desenvolvimento psicossexual, que, caso insatisfeitas, acarretam o desencadear de diversas defesas caracteriais. Serrano (1994), reformulando as teorias de Reich e Baker a partir das contribui\u00e7\u00f5es de Federico Navarro, tamb\u00e9m contribui para uma teoria do desenvolvimento infantil na \u00f3tica psicocorporal, revelando os fluxos energ\u00e9ticos que est\u00e3o presentes nos diferentes momentos da constitui\u00e7\u00e3o do ego infantil, desde o vida intra-uterina, nascimento, amamenta\u00e7\u00e3o\/oralidade, em busca da individua\u00e7\u00e3o e genitalidade. Lopes (1997) prop\u00f5e um procedimento de orgonoterapia com crian\u00e7as, baseada nas id\u00e9ias de Reich, no qual o brincar possibilita um canal primordial de comunica\u00e7\u00e3o com a crian\u00e7a, associado a uma adapta\u00e7\u00e3o l\u00fadica dos actings de desencoura\u00e7amento dos segmentos caracteriais propostos por Reich e sistematizados por Navarro, de acordo com a fase do desenvolvimento da crian\u00e7a e com o diagn\u00f3stico energ\u00e9tico que \u00e9 feito da mesma.<\/p>\n<p>No que diz respeito a An\u00e1lise Bioenerg\u00e9tica, Lowen (1990, 1994) foi um dos principais autores, em psicoterapia corporal, que sistematizou uma teoria do car\u00e1ter de acordo com as fases do desenvolvimento infantil de Freud, revelando a din\u00e2mica funcional\/energ\u00e9tica e psicodin\u00e2mica de constitui\u00e7\u00e3o das defesas de car\u00e1ter e concomitantes estruturas de encoura\u00e7amento corporais a partir das experi\u00eancias de frustra\u00e7\u00e3o que a crian\u00e7a viveria na constitui\u00e7\u00e3o de seu ego em busca da genitalidade advinda da passagem pelo Complexo de \u00c9dipo. No entanto, assim como Freud, Lowen nunca chegou a trabalhar com crian\u00e7as em sua cl\u00ednica, elaborando sua teoria a partir da sintomatologia observada no atendimento a pacientes adultos, que exibiam diversas queixas relacionadas a sua hist\u00f3ria enquanto crian\u00e7as.<\/p>\n<p>O desenvolvimento da terapia infantil em um enfoque anal\u00edtico bioenerg\u00e9tico, em termos internacionais, de acordo com pesquisas realizadas nas revistas do IIBA, deve-se a Halsen (2001) e Mccarthy (2007), que publicaram sua experi\u00eancia cl\u00ednica no atendimento de crian\u00e7as nessa abordagem, que estava ainda em car\u00e1ter experimental e posteriormente sistematizaram seus procedimentos em livros. O que caracteriza o trabalho desses autores \u00e9 a combina\u00e7\u00e3o de elementos da ludoterapia com a pr\u00e1tica de exerc\u00edcios bioenerg\u00e9ticos que podem ser realizados em grupo ou na terapia individual, enfatizando procedimentos de massagem, toque, limites, confian\u00e7a, grounding, surrender e t\u00e9cnicas diversas de express\u00e3o e mobiliza\u00e7\u00e3o das coura\u00e7as que est\u00e3o presentes nas crian\u00e7as.  De acordo com Halsen (op.cit.), os principais objetivos no trabalho bioenerg\u00e9tico com crian\u00e7as s\u00e3o:<\/p>\n<p>   1. melhorar o conhecimento e conscientiza\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as,  contato com seus os corpos e os sentimentos. <br \/>   2. aumentar a habilidade para expressar estes sentimentos. completamente e verbaliza-los. <br \/>   3. aumentar o controle consciente das express\u00f5es emocionais ; melhorando a habilidade  para tolerar e conter emo\u00e7\u00f5es e tens\u00f5es; os ajudando a ver o significado e a raz\u00e3o para as emo\u00e7\u00f5es e rea\u00e7\u00f5es. <br \/>   4. construir e firmar os limites, f\u00edsica e psicologicamente. <br \/>   5. reduzir a tend\u00eancia de cis\u00e3o infantil, reconhecendo que as outras pessoas n\u00e3o s\u00e3o completamente ruins ou completamente boas<\/p>\n<p>6)  fortalecer a identidade e a habilidade para se levantar nos pr\u00f3prios p\u00e9s<\/p>\n<p>   1. desenvolver concentra\u00e7\u00e3o, com firmeza e procurar metas; desenvolvendo mecanismos de conten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>8) oferecer uma base segura para desenvolvimento adicional de rela\u00e7\u00f5es interpessoais. <\/p>\n<p>No Brasil, Brasilda Rocha \u00e9 atualmente a principal autora que elaborou uma teoria e t\u00e9cnica integrativa da psicoterapia corporal no atendimento infantil. Sua experi\u00eancia com psican\u00e1lise de crian\u00e7as, somada a sua forma\u00e7\u00e3o em diversas abordagens neo-reichanas (an\u00e1lise bioenerg\u00e9tica, bioss\u00edntese, biodin\u00e2mica, psicologia formativa) propiciou a essa autora o desenvolvimento de uma abordagem que combina elementos de ludoterapia e uma compreens\u00e3o caracterial do brincar da crian\u00e7a e de seu movimento energ\u00e9tico de acordo com a curva org\u00e1stica elaborada por Reich. Dessa forma, o objetivo central da psicoterapia \u00e9 possibilitar uma volta ao fluxo energ\u00e9tico normal no desenvolvimento da crian\u00e7a, considerado como um ser de constitui\u00e7\u00e3o eg\u00f3ica aberta, pl\u00e1stica, com defesas estruturadas de maneira muito fr\u00e1gil. Ao contr\u00e1rio da terapia com adultos, que objetiva a desconstru\u00e7\u00e3o das defesas caraceriol\u00f3gicas, na terapia infantil o foco est\u00e1 voltado para a constru\u00e7\u00e3o cont\u00ednua de defesas mais saud\u00e1veis e adequadas para que a crian\u00e7a possa estabelecer uma rela\u00e7\u00e3o mais integrada e funcional com o mundo a sua volta e consigo mesma, de forma que seus impulsos, emo\u00e7\u00f5es e pensamentos possam ter um espa\u00e7o seguro de conten\u00e7\u00e3o, express\u00e3o e cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No tocante ao processo terap\u00eautico em si, Rocha (2005b) afirma que antes da crian\u00e7a entrar em processo terap\u00eautico, ela deve passar por uma avalia\u00e7\u00e3o psicodiagn\u00f3stica cuidadosa, na qual  \u00e9 realizado um mapeamento das dificuldades da crian\u00e7a nos diversos \u00e2mbitos da sua vida juntamente com os pais, num processo extenso de anamnese e investiga\u00e7\u00e3o da din\u00e2mica familiar, al\u00e9m da aplica\u00e7\u00e3o dos testes, avaliando principalmente aspectos cognitivos, afetivas e rela\u00e7\u00f5es interpessoais. Somente assim \u00e9 poss\u00edvel o levantamento de metas e t\u00e9cnicas de trabalho. Logo ap\u00f3s esse processo, h\u00e1 o retorno do psicodiagn\u00f3stico aos pais, no qual \u00e9 realizado o contrato terap\u00eautico, enfatizando a import\u00e2ncia da sua participa\u00e7\u00e3o nos encontros de retorno, para o andamento da terapia.<\/p>\n<p>Uma vez encaminhada para a terapia, a crian\u00e7a vai utilizar-se de brinquedos e recursos diversos (desenhos, caixa l\u00fadica, teatro) de forma a expressar seu mundo em conflito. O terapeuta deve sempre estar atento para trabalhar o fluxo energ\u00e9tico do brincar da crian\u00e7a no decorrer da sess\u00e3o e a forma\u00e7\u00e3o de defesas de estrutura de car\u00e1ter exibidas na qualidade do brincar e na express\u00e3o verbal e n\u00e3o-verbal. Os brinquedos s\u00e3o selecionados pela crian\u00e7a de acordo com sua faixa et\u00e1ria e a estrutura de car\u00e1ter que, dependendo da idade, ainda n\u00e3o est\u00e1 completamente definida. O brinquedo, nessa perspectiva, representa o corpo e \u00e9 utilizado como uma interpreta\u00e7\u00e3o e\/ou interven\u00e7\u00e3o no processo psicocorporal da crian\u00e7a.<\/p>\n<p>\u00c9 importante respeitar o desenvolvimento do fluxo energ\u00e9tico da crian\u00e7a, n\u00e3o o interrompendo, mas sim criando condi\u00e7\u00f5es facilitadoras para que a pr\u00f3pria crian\u00e7a trabalhe seus bloqueios dentro das regras e limites da psicoterapia na sala de ludoterapia. O terapeuta realiza fun\u00e7\u00f5es de fundamental import\u00e2ncia, como acolhimento, maternagem, massagens e grounding, como tamb\u00e9m de interpreta\u00e7\u00e3o (no reconhecimento do car\u00e1ter) e interven\u00e7\u00e3o no processo de desenvolvimento energ\u00e9tico das crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Os instrumentos utilizados por Rocha consistem basicamente em brinquedos e brincadeiras diversas, escolhidos de acordo com uma extensa pesquisa que verificou com 150 crian\u00e7as, a qualidade e a mobiliza\u00e7\u00e3o das defesas e da energia investida em mais de 120 brinquedos. \u00c9 interessante observar como as crian\u00e7as, no decorrer do processo, podem mudar a qualidade do brincar o mesmo brinquedo de diferentes formas, de acordo com a energia caracterial que ela est\u00e1 exibindo no seu momento de desenvolviemnto. Por exemplo: uma crian\u00e7a esquiz\u00f3ide tem a tend\u00eancia de brincar com brinquedos de juntar fragmentos ou buscar conten\u00e7\u00e3o para a sua desorganiza\u00e7\u00e3o e agressividade\/congelamento, assim como a oral pode ter a necessidade de brincar com brinquedos e brincadeiras que evoquem conte\u00fados de separa\u00e7\u00e3o. Ou seja, cada crian\u00e7a escolher\u00e1 os brinquedos que ela precisa para elaborar os desafios e ang\u00fastias inerentes ao seu processo de desenvolvimento. Al\u00e9m dos brinquedos, s\u00e3o utilizadas t\u00e9cnicas de massagem biodin\u00e2mica, grounding, expressividade; o bioball (trabalho de expans\u00e3o de m\u00fasculos e respira\u00e7\u00e3o, assim como o stool bioenerg\u00e9tico); m\u00fasicas (trabalho corp\u00f3reo-afetivo); gesso (trabalho com o congelamento afetivo, contorno, fragmenta\u00e7\u00e3o), isopor (trabalho com a rela\u00e7\u00e3o simbi\u00f3tica e percep\u00e7\u00e3o corporal), argila, areia, barbante, corda, el\u00e1stico, desenhos, entre outros.<\/p>\n<p>O trabalho desenvolvido por Brasilda Rocha tamb\u00e9m possui um car\u00e1ter preventivo, tendo em vista que a autora desenvolveu uma metodologia de trabalho para ser aplicada nas escolas, com professores e alunos, de forma a potencializar a rela\u00e7\u00e3o educativa para a forma\u00e7\u00e3o de pessoas mais contectadas com os seus sentimentos e o desenvolvimento da criatividade no espa\u00e7o escolar. Rocha (1995a) apresenta um trabalho de workshops de sensibiliza\u00e7\u00e3o para a din\u00e2mica bioenerg\u00e9tica de crian\u00e7as, adolescentes e educadores, como forma de promover gradualmente o potencial da curva org\u00e1stica no ambiente educativo.<\/p>\n<p>BREVE DESCRI\u00c7\u00c3O DA VIV\u00caNCIA<\/p>\n<p>A viv\u00eancia tem como objetivo apresentar t\u00e9cnicas de An\u00e1lise Bioenerg\u00e9tica a serem aplicadas no trabalho com crian\u00e7as. O trabalho de psicoterapia corporal com crian\u00e7as consiste na possibilidade de, atrav\u00e9s do brincar, fazer uma leitura energ\u00e9tica da crian\u00e7a, levando em considera\u00e7\u00e3o a sua fase do desenvolvimento e a constru\u00e7\u00e3o de suas defesas de car\u00e1ter.<br \/>O trabalho a ser apresentado inspira-se na proposta da Profa. Brasilda Rocha, que desenvolveu uma t\u00e9cnica de interven\u00e7\u00e3o na psicoterapia infantil utilizando-se como arcabou\u00e7o te\u00f3rico as psicoterapias corporais, bem como as escolas das rela\u00e7\u00f5es objetais (Klein, Winnicott), de forma a possibilitar caminhos de preven\u00e7\u00e3o profil\u00e1tica da neurose.<br \/>Num mundo onde as rela\u00e7\u00f5es afetivas entre pais e filhos est\u00e3o gradativamente sofrendo diversos impasses, cada vez mais recebemos crian\u00e7as em nossos consult\u00f3rios com problemas de fixa\u00e7\u00e3o esquizo\/orais, que n\u00e3o conseguem investir no brinquedo como forma de elaborar seu mundo interno, na transi\u00e7\u00e3o para a realidade do mundo externo.<br \/>Nesse sentido, a iniciativa de realizarmos um resgate terap\u00eautico do brincar infantil torna-se de extrema import\u00e2ncia e relev\u00e2ncia para resgatarmos possibilidades de sa\u00fade mental para crian\u00e7as e fam\u00edlias.<br \/>Dessa forma, a viv\u00eancia tem como principal intuito sensibilizar os terapeutas, que devem resgatar e trabalhar a crian\u00e7a interior que tem em si de forma a criar um campo energ\u00e9tico e emocional aberto a receber a crian\u00e7a tal qual ela chega at\u00e9 n\u00f3s, respeitando suas peculiaridades e limites, e promovendo condi\u00e7\u00f5es para um melhor desenvolvimento caracterial.<br \/>O trabalho consistir\u00e1 em apresentar, por meio de explana\u00e7\u00e3o te\u00f3rica e vivencial, formas l\u00fadicas de trabalhar com crian\u00e7as a respira\u00e7\u00e3o, grounding, bem como as coura\u00e7as caracteriais de cada segmento (conforme definido por Reich). Ap\u00f3s um grupo de movimento, ser\u00e1 realizada uma t\u00e9cnica de visualiza\u00e7\u00e3o criativa e relaxamento para despertar uma reflex\u00e3o sobre a crian\u00e7a interior do terapeuta e seus impasses\/dificuldades sobre o brincar em sua vida.<\/p>\n<p>REFER\u00caNCIAS BIBLIOGR\u00c1FICAS<br \/>ABERASTURY, A. (1998). Psican\u00e1lise da Crian\u00e7a. Porto Alegre: Artmed.<br \/>BAKER, E. (1988). O labirinto humano. S\u00e3o Paulo: Summus.<br \/>FREUD. A. (1980). O tratamento psicanal\u00edtico de crian\u00e7as. Rio de Janeiro: Mestre Jou.<br \/>GINNOTT, H. (1987). Psicoterapia de grupo com crian\u00e7as. Belo Horizonte: Interlivros.<br \/>HALSEN, A. (2001). Childhood Psychotherapy. A Bioenergetic Approach. Basel: Karger.<br \/>KLEIN, M. (2000). Psican\u00e1lise de crian\u00e7as. Rio de Janeiro: Imago.<br \/>LOPES, R. (1997). Orgonoterapia com crian\u00e7as: uma forma l\u00fadica de ultiliza\u00e7\u00e3o. Dispon\u00edvel no site: www.orgonizando.psc.br.<br \/>MANNONI, M. (1999). A primeira entrevista em psican\u00e1lise. S\u00e3o Paulo: Revinter<br \/>MCCARTHY, D. (2007). If You Turned into a Monster: Transformation Through Play: A Body-Centered Approach to Play Therapy. NY: Jessica Kingsley.<br \/>REICH, W. (2001). Crian\u00e7as do futuro. Curitiba: Centro Reichiano (tradu\u00e7\u00e3o interna).<br \/>ROCHA, B. (2005a). Brinkando na escola. S\u00e3o Paulo: Arte e Ci\u00eancia.<br \/>________. (2005b). Brinkando com o corpo. S\u00e3o Paulo: Arte e Ci\u00eancia.<br \/>SERRANO, X. (1994). Contato, v\u00ednculo, separa\u00e7\u00e3o. S\u00e3o Paulo: Summus.<br \/>WEIGAND, O. (2006). Grounding e autonomia: a terapia bioenerg\u00e9tica revisitada. S\u00e3o Paulo: Person.<br \/>WINNICOTT, D. (1997). O brincar e a realidade. Rio de Janeiro: Imago.<\/p>\n<p>AUTOR: P\u00e9risson Dantas do Nascimento<br \/>E-MAIL: perisson@hotmail.com<br \/>INSTITUI\u00c7\u00c3O: Instituto de An\u00e1lise Bioenerg\u00e9tica de S\u00e3o Paulo &#8211; IABSP<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O DESPERTAR DA CRIAN\u00c7A INTERIOR: APLICA\u00c7\u00c3O DA AN\u00c1LISE BIOENERG\u00c9TICA NA PREVEN\u00c7\u00c3O DA NEUROSE EM CRIAN\u00c7AS P\u00e9risson Dantas do NascimentoInstituto de An\u00e1lise Bioenerg\u00e9tica de S\u00e3o Paulo &#8211;<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[20],"tags":[],"class_list":["post-129","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-congresso-2008"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/129","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=129"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/129\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=129"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=129"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=129"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}