{"id":128,"date":"2011-01-11T02:46:00","date_gmt":"2011-01-11T02:46:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.analisebioenergetica.com\/site\/?p=128"},"modified":"2011-01-11T02:46:00","modified_gmt":"2011-01-11T02:46:00","slug":"mesa-aplicacao-da-analise-bioenergetica-em-populacoes-financeiramente-desfavorecidas-uma-reflexao-para-o-compromisso-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/mesa-aplicacao-da-analise-bioenergetica-em-populacoes-financeiramente-desfavorecidas-uma-reflexao-para-o-compromisso-social\/","title":{"rendered":"[MESA] APLICA\u00c7\u00c3O DA AN\u00c1LISE BIOENERG\u00c9TICA EM POPULA\u00c7\u00d5ES FINANCEIRAMENTE DESFAVORECIDAS \u2013 UMA REFLEX\u00c3O PARA O COMPROMISSO SOCIAL"},"content":{"rendered":"<div id=\"fb-root\"><\/div>\n<p>APLICA\u00c7\u00c3O DA AN\u00c1LISE BIOENERG\u00c9TICA EM POPULA\u00c7\u00d5ES FINANCEIRAMENTE DESFAVORECIDAS \u2013 UMA REFLEX\u00c3O PARA O COMPROMISSO SOCIAL<\/p>\n<p>P\u00e9risson Dantas do Nascimento<\/p>\n<p>Instituto de An\u00e1lise Bioenerg\u00e9tica de S\u00e3o Paulo \u2013 IABSP<\/p>\n<p>REFERENCIAIS TE\u00d3RICOS<\/p>\n<p>Esse trabalho tem como objetivo socializar a experi\u00eancia do autor em trabalhos comunit\u00e1rios com popula\u00e7\u00f5es de baixa renda, utilizando aportes da Sociologia Cl\u00ednica e da An\u00e1lise Bioenerg\u00e9tica como sustenta\u00e7\u00e3o te\u00f3rica e metodol\u00f3gica para e a escuta e interven\u00e7\u00e3o em grupos, os quais n\u00e3o teriam acesso a cl\u00ednica particular dos consult\u00f3rios.<\/p>\n<p>Estamos em um mundo no qual os avan\u00e7os cient\u00edficos, nas mais diversas \u00e1reas, s\u00e3o realmente surpreendentes. Novas tecnologias surgem, a princ\u00edpio, a servi\u00e7o do conforto e do bem-estar do homem contempor\u00e2neo, propiciando e facilitando a realiza\u00e7\u00e3o de tarefas diversas (desde as dom\u00e9sticas at\u00e9 as industriais) diminuindo consideravelmente grandes esfor\u00e7os humanos no tocante ao trabalho e a produ\u00e7\u00e3o de sua subsist\u00eancia. Est\u00e3o sendo desenvolvidos tratamentos que combatem, retardam e\/ou levam \u00e0 cura de doen\u00e7as antes consideradas irrecuper\u00e1veis. Conhecimento e informa\u00e7\u00e3o est\u00e3o sendo divulgados, processados e produzidos em grande escala, em uma grande rapidez, propiciados pelos cont\u00ednuos avan\u00e7os na inform\u00e1tica. A produ\u00e7\u00e3o de alimentos est\u00e1 gradativamente crescendo em qualidade e quantidade, por meio do investimento na pesquisa gen\u00e9tica e agropecu\u00e1ria. Enfim, a ci\u00eancia encontra-se presente na vida humana produzindo sem cessar novas descobertas e investidas tecnol\u00f3gicas, vistas e divulgadas como progressos, avan\u00e7os para proporcionar uma melhor qualidade de vida para o homem, seja no \u00e2mbito individual, seja coletivo.<\/p>\n<p>Entretanto, nesse mesmo mundo, nunca se presenciou tanta mis\u00e9ria, desigualdade social, viol\u00eancia, intoler\u00e2ncias religiosas, guerras. O ser humano, que investiga a cura de doen\u00e7as e transforma significativamente a natureza \u00e9 a \u00fanica esp\u00e9cie que dizima a si mesma e ao ambiente a sua volta (Chiavenato, 1990, Capra, 1996). Os cientistas e pesquisadores que hoje propagam a necessidade premente de se estar atualizado com os avan\u00e7os na tecnologia de informa\u00e7\u00e3o via internet, n\u00e3o divulgam quantas milhares de pessoas foram sacrificadas em decorr\u00eancia de comunica\u00e7\u00f5es entre computadores de bases militares, que serviram como primeiras tentativas de utiliza\u00e7\u00e3o da rede de computadores. Tamb\u00e9m n\u00e3o se discute a quem serve toda a tecnologia que \u00e9 produzida e posta no mercado como necessidade, despertando o desejo consumista de possuir o produto cada vez mais atualizado e moderno (Gaulejac, 2001; Lipovetsky, 2007; Bauman, 2007). O acesso aos avan\u00e7os cient\u00edficos, em primeira inst\u00e2ncia, est\u00e1 vinculado ao poder financeiro de determinadas camadas sociais, que possuem condi\u00e7\u00f5es, em primeira m\u00e3o, de adquirir, financiar e consumir os produtos de anos de pesquisa cient\u00edfica.<\/p>\n<p>Conflitos, contradi\u00e7\u00f5es, paradoxos. Tais condi\u00e7\u00f5es est\u00e3o refletidas no cotidiano de cada habitante de nossa sociedade, nas mais diversas formas e manifesta\u00e7\u00f5es: viol\u00eancia familiar, desemprego, drogas, degrada\u00e7\u00e3o da natureza, crescimento da criminalidade e viol\u00eancia urbana, como tamb\u00e9m dos \u00edndices de pobreza e fome em todo o mundo, concomitante a uma concentra\u00e7\u00e3o maior de riqueza nas m\u00e3os de uma parcela gradativamente menor de pessoas (Takeuti, 1993; Giddens, 1994). Em termos psicol\u00f3gicos, observamos o crescimento, nos consult\u00f3rios, de pessoas queixando-se de sintomas depressivos, baixa auto-estima e o crescente aumento da incid\u00eancia de suic\u00eddios (Dutra, 1996; Takeuti, 2002). A desilus\u00e3o em n\u00e3o poder ter acesso \u00e0s necessidades que o mercado imp\u00f5e continuamente, assim como a ang\u00fastia em ter que se adaptar r\u00e1pida e continuamente a um mercado de trabalho extremamente injusto e competitivo s\u00e3o algumas entre in\u00fameras situa\u00e7\u00f5es nas quais nos confrontamos vivendo em uma sociedade p\u00f3s-moderna, neoliberal, cujas transforma\u00e7\u00f5es deixam nos indiv\u00edduos uma sensa\u00e7\u00e3o de vazio, incerteza, medo, instabilidade frente aos valores, ao futuro e \u00e0s perspectivas de melhoria das condi\u00e7\u00f5es de vida (Ianni, 1997).<\/p>\n<p>Nesse momento hist\u00f3rico, a psicologia tem sido bastante solicitada, visada. Em uma sociedade onde predomina a injusti\u00e7a, o mal-estar, a dificuldade de encontrar e produzir um sentido de vida, demanda-se do psic\u00f3logo respostas para diversos tipos de quest\u00f5es, referentes \u00e0s situa\u00e7\u00f5es problem\u00e1ticas que os indiv\u00edduos ou grupos podem defrontar-se no cotidiano. \u00c9 interessante notar, como freq\u00fcentemente observamos na m\u00eddia local (escrita e televisiva), a presen\u00e7a cativa de um profissional psic\u00f3logo como \u201cespecialista\u201d, suposto detentor de um determinado saber que denota o poder de indicar o \u201ccomo fazer\u201d, a verdade de como atuar nas mais diversas quest\u00f5es. As pessoas t\u00eam sede de respostas, assim como a m\u00eddia. No entanto, percebemos o imediatismo, o determinismo na forma das perguntas e das respostas que se esperam do profissional. \u00c9 o conhecimento psicol\u00f3gico transformado em um \u201cfast food\u201d, pronto para ser engolido sem ser mastigado, discutido, problematizado num processo de reflex\u00e3o e di\u00e1logo. Observa-se tamb\u00e9m esse fen\u00f4meno na pr\u00e1tica cl\u00ednica, quando pessoas, muitas vezes bastante alienadas de sua experi\u00eancia e de sua condi\u00e7\u00e3o de sujeito social, contam seus problemas e dilemas existenciais, sociais, familiares e exigem dos seus terapeutas uma resposta, uma solu\u00e7\u00e3o imediata para os seus transtornos e sofrimentos.<br \/>No \u00e2mbito desse contexto s\u00f3cio-cultural no qual o ser humano p\u00f3s-moderno vive, um mundo imag\u00e9tico, visual, no qual o exerc\u00edcio reflexivo de pensamento e cr\u00edtica do real \u00e9 substitu\u00eddo pela velocidade e transmiss\u00e3o televisiva de imagens e informa\u00e7\u00f5es, a psicologia tamb\u00e9m contribuiu para servir como \u201cconsultora\u201d de verdades sobre as quest\u00f5es humanas. Enquanto ci\u00eancia, o saber psicol\u00f3gico ocupou um status de legitimidade e confiabilidade de seus construtos te\u00f3ricos, investigando os fen\u00f4menos individuais sob a \u00f3tica metodol\u00f3gica das ci\u00eancias consideradas \u201cnaturais\u201d, na tentativa de constituir-se enquanto um corpus de saber generalizante, verific\u00e1vel e observ\u00e1vel objetivamente, pressupostos de uma tend\u00eancia epistemol\u00f3gica herdada do pensamento empirista\/mecanicista\/atomista de conceber a natureza e as rela\u00e7\u00f5es sociais (Figueiredo, 1996\/1997; Japiassu, 1998). Os diversos construtos da psicologia experimental e posteriormente behaviorista, que pesquisavam em seres humanos leis gerais de percep\u00e7\u00e3o, cogni\u00e7\u00e3o, pensamento, motiva\u00e7\u00e3o enquanto objetos de estudo, buscavam elaborar leis nomot\u00e9ticas e quantific\u00e1veis, em termos de esquemas e testes psicom\u00e9tricos, padronizados. Tais estudos problematizavam a quest\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo com a sociedade e tinham uma inten\u00e7\u00e3o de aplicabilidade na interven\u00e7\u00e3o, categoriza\u00e7\u00e3o e melhoria de condi\u00e7\u00f5es adaptativas para sujeitos que se encontravam em escolas, empresas, fam\u00edlias, ou institui\u00e7\u00f5es diversas. \u00c9 interessante notar como a psicologia social, em suas primeiras pesquisas, estudava as rela\u00e7\u00f5es entre individuo e sociedade como um conjunto de vetores e influ\u00eancias, no qual o pesquisador\/cientista estava voltado para o estudo dos fen\u00f4menos e leis que regiam os comportamentos prediz\u00edveis, observ\u00e1veis e mensur\u00e1veis dos indiv\u00edduos, isoladamente ou em grupo. Fatores como atitudes, percep\u00e7\u00f5es, cogni\u00e7\u00e3o social e processos grupais eram observados sob a \u00f3tica de \u201ccoisas\u201d, ou \u201cvari\u00e1veis\u201d, isto \u00e9, objetos de estudo submetidos \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o natural.<\/p>\n<p>Contudo, a vertente cl\u00ednica de atua\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica, de influ\u00eancia predominantemente inspirada no modelo m\u00e9dico (baseada no diagn\u00f3stico, progn\u00f3stico e tratamento) desde os tempos de Freud tem sido um dos campos de trabalho privilegiado desse profissional (Yamamoto, 1996). Em diversas correntes que norteiam a a\u00e7\u00e3o terap\u00eautica dos psic\u00f3logos est\u00e1 a \u00eanfase nos recursos e nas representa\u00e7\u00f5es individuais, tendo como fun\u00e7\u00e3o um despertar, por meio da rela\u00e7\u00e3o cliente\/terapeuta, das potencialidades, capacidades para um melhor viver no mundo em sociedade, de maneira criativa. Essas id\u00e9ias remetem a uma vertente humanista e rom\u00e2ntica nas matrizes de pensamento psicol\u00f3gico (Figueiredo, 1995), que enfatizam o respeito \u00e0s peculiaridades da experi\u00eancia e das condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis para o desenvolvimento de uma personalidade flex\u00edvel, saud\u00e1vel, criativa. H\u00e1 um rep\u00fadio \u00e0s tentativas de manipula\u00e7\u00e3o e controle do comportamento, divulgadas pelos psic\u00f3logos behavioristas, privilegiando um discurso de centramento no potencial positivo da humanidade, da amplia\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia individual e em grupos de encontro, nos quais o respeito, a aceita\u00e7\u00e3o, a empatia e a experi\u00eancia no presente consistiam pressupostos b\u00e1sicos para o crescimento pessoal.<\/p>\n<p>Quest\u00f5es como a m\u00e1 distribui\u00e7\u00e3o de renda, o desemprego estrutural, a crescente mis\u00e9ria e viol\u00eancia configuram um quadro de exclus\u00e3o social preocupante nos dias de hoje, principalmente nos pa\u00edses em desenvolvimento como o Brasil. O trabalho com ONGs, OCIPs e a realiza\u00e7\u00e3o de projetos e parcerias com institui\u00e7\u00f5es privadas tem se tornado um caminho poss\u00edvel para o profissional\/terapeuta inserir-se em uma realidade na qual o sofrimento ps\u00edquico agrava-se com a falta de perspectivas, em uma sociedade que proporciona poucas oportunidades de configurar estrat\u00e9gias de constitui\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel do eu.<\/p>\n<p>Direcionando essa discuss\u00e3o para o campo espec\u00edfico das psicoterapias corporais, temos em Reich o nosso principal inspirador e pioneiro na inquieta\u00e7\u00e3o continuada em realizar um trabalho de aplica\u00e7\u00e3o da escuta e interven\u00e7\u00e3o cl\u00ednicas em prol de uma transforma\u00e7\u00e3o social (Boadella, 2000). Em diversas obras, Reich (1994; 1996; 1998) reflete sobre a inter-rela\u00e7\u00e3o existente entre a estrutura social existente na luta de classes e na gera\u00e7\u00e3o do sofrimento ps\u00edquico decorrente das injusti\u00e7as e da repress\u00e3o imposta pelas classes dominantes com a domina\u00e7\u00e3o do corpo, da sexualidade, da educa\u00e7\u00e3o moral disciplinadora e inibidora dos impulsos sexuais e afetivos saud\u00e1veis no ser humano. A peste emocional gerada socialmente reflete uma atitude narc\u00edsica de indiferen\u00e7a quanto \u00e0 coletividade e a sa\u00fade do planeta, de perpetua\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia, da repress\u00e3o da liberdade de express\u00e3o e livre-arb\u00edtrio, configurando um circuito energ\u00e9tico que propicia a barb\u00e1rie e o desenvolvimento de padr\u00f5es caracteriais defensivos nas rela\u00e7\u00f5es humanas. Serrano (2004) nos aponta a necessidade de criarmos um espa\u00e7o de sensibiliza\u00e7\u00e3o para uma ecologia global, ou seja, uma atua\u00e7\u00e3o psicocorporal e energ\u00e9tica que possa ampliar os limites do atendimento individual realizado em consult\u00f3rios particulares.  A inten\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica  no contempor\u00e2neo volta-se para uma pr\u00e1xis que privilegie iniciativas coletivas de discuss\u00e3o e interven\u00e7\u00e3o sobre grupos, comunidades, institui\u00e7\u00f5es, potencializando o espa\u00e7o de a\u00e7\u00e3o do psicoterapeuta reichiano para a amplia\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia cr\u00edtica das pessoas, numa constante inter-rela\u00e7\u00e3o entre o individual, o social e o ambiental, sempre considerando uma leitura energ\u00e9tica dos fen\u00f4menos, convocando-nos para retomar a inquieta\u00e7\u00e3o reichiana de revolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-sexual.<\/p>\n<p>A An\u00e1lise Bioenerg\u00e9tica encontra-se atualmente muito sens\u00edvel a esses questionamentos, tendo em vista o \u00faltimo n\u00famero da Revista An\u00e1lise Bioenerg\u00e9tica que cont\u00e9m diversos artigos questionando sobre o lugar dessa abordagem no mundo contempor\u00e2neo, com suas demandas, inquietudes, desigualdades e viol\u00eancias. A necessidade de compromisso social do analista bioenerg\u00e9tico surge como uma importante tarefa a ser discutida e constru\u00edda, no que diz respeito a socializa\u00e7\u00e3o de um fazer cl\u00ednico que foi primordialmente desenvolvido no atendimento individualizado e em grupo e nos programas de forma\u00e7\u00e3o. Hilton (2006) aponta para a urg\u00eancia do IIBA se posicionar, enquanto institui\u00e7\u00e3o formadora e construtora de conhecimento, num engajamento mais amplo, que os terapeutas bioenerg\u00e9ticos possam se lan\u00e7ar para a reflex\u00e3o e possibilidades \u00e9ticas para um retorno, ainda que menos idealista e grandioso, \u00e0s inten\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias do Reich.<\/p>\n<p>Temos o intuito, nesse Congresso, de apresentar experi\u00eancias poss\u00edveis de cl\u00ednica ampliada e interven\u00e7\u00e3o diversas que foram realizadas nos anos de 2001 a 2006, atendendo grupos de crian\u00e7as em orfanatos, adolescentes de bairros perif\u00e9ricos, idosos em asilos, casas de prote\u00e7\u00e3o a garotas em situa\u00e7\u00e3o de risco de prostitui\u00e7\u00e3o, abrigos de portadores de HIV, al\u00e9m do atendimento cl\u00ednico individual em servi\u00e7os p\u00fablicos de sa\u00fade, como unidades b\u00e1sicas e hospitais. Utilizamos uma metodologia de pesquisa participante, na qual realizamos um diagn\u00f3stico das demandas, uma escuta das principais dificuldades dos clientes e aplicamos estrat\u00e9gias em que a An\u00e1lise Bioenerg\u00e9tica entra como eixo central de trabalho, respeitando sempre a condi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica e caracterial principal de cada indiv\u00edduo, como tamb\u00e9m do grupo, conforme reflex\u00f5es lan\u00e7adas por Volpi e Volpi (2001) e Alves e Correia (2004).<\/p>\n<p>A presen\u00e7a do pesquisador\/cl\u00ednico, evocando discursos, representa\u00e7\u00f5es, sentimentos, vozes muitas vezes nunca ouvidas e refletidas pelos sujeitos participantes, leva, por si s\u00f3, \u00e0 possibilidade de uma ressignifica\u00e7\u00e3o, um ato de refletir, reconstruir suas id\u00e9ias sobre determinada tem\u00e1tica, tornando o contexto de pesquisa uma situa\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima a uma interven\u00e7\u00e3o cl\u00ednica, na atitude de escuta. Essa afirmativa justifica-se, pois por meio da rela\u00e7\u00e3o de entrevista, muitas vezes o sujeito\/participante da pesquisa questiona, no esfor\u00e7o de expressar suas id\u00e9ias, a sua concep\u00e7\u00e3o de mundo, numa atitude auto-reflexiva que pode levar a transforma\u00e7\u00f5es subjetivas (L\u00e9vy, 2001).<\/p>\n<p>Dessa forma, criamos espa\u00e7os de autoconhecimento e auto-percep\u00e7\u00e3o, onde os participantes atendidos saem gradativamente de uma condi\u00e7\u00e3o esquiz\u00f3ide de desestrutura\u00e7\u00e3o interna, como tamb\u00e9m de uma oralidade expressa nas demandas assistencialistas, para uma reflex\u00e3o para o agir, para a transforma\u00e7\u00e3o de sua realidade social e coletiva, criando um novo ciclo energ\u00e9tico de auto-sustenta\u00e7\u00e3o e grounding.<\/p>\n<p>REFER\u00caNCIAS BIBLIOGR\u00c1FICAS<br \/>Alves, J.P. e Correia, G.W. (2004). O corpo nos grupos. Recife: Libertas Editora.<br \/>Bauman, Z. (2007). Modernidade l\u00edquida. 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