{"id":126,"date":"2011-01-11T02:44:00","date_gmt":"2011-01-11T02:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.analisebioenergetica.com\/site\/?p=126"},"modified":"2011-01-11T02:44:00","modified_gmt":"2011-01-11T02:44:00","slug":"mesa-self-cultura-e-ecologia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/mesa-self-cultura-e-ecologia\/","title":{"rendered":"[MESA] SELF, CULTURA E ECOLOGIA"},"content":{"rendered":"<div id=\"fb-root\"><\/div>\n<p>SELF, CULTURA E ECOLOGIA<\/p>\n<p>Rejane Pinto de Medeiros<\/p>\n<p>Vive-se hoje, o resultado de um per\u00edodo de desenvolvimento da industrializa\u00e7\u00e3o capitalista, quando o lucro e a produ\u00e7\u00e3o norteiam o comportamento do mundo ocidental, refor\u00e7ando valores que privilegiam o individualismo e o consumismo.           Os avan\u00e7os na inform\u00e1tica, na comunica\u00e7\u00e3o e nos transportes ampliaram o conceito de espa\u00e7o e tempo, levando o fen\u00f4meno da globaliza\u00e7\u00e3o \u00e0s mais long\u00ednquas cidades. O stress, a solid\u00e3o, a falta de solidariedade, a competitividade \u00e9 uma constante no cotidiano dos homens e mulheres nas metr\u00f3poles. Assim, o olhar e a aten\u00e7\u00e3o voltam-se para o exterior, em busca de oportunidades e defesas contra as amea\u00e7as desse mundo em ebuli\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao tentar acompanhar o ritmo fren\u00e9tico do cotidiano as pessoas desrespeitam o seu pr\u00f3prio tempo e come\u00e7am a viver sem se reconhecerem. As suas refer\u00eancias v\u00eam de fora e s\u00e3o extremamente mut\u00e1veis, pois a m\u00eddia e o marketing encarregam-se de incentivar novos comportamentos, produtos e modas. Ansiosos em se sintonizarem com o mundo externo os indiv\u00edduos distanciam-se das suas pr\u00f3prias refer\u00eancias, adotando valores e atitudes que nem sempre est\u00e3o de acordo com o seu pr\u00f3prio self.<\/p>\n<p>O trabalho com pesquisas na \u00e1rea do turismo tem revelado uma fragilidade, cada vez maior, das nossas comunidades praieiras ao serem invadidas pela voracidade do turismo de massas, subordinado \u00e0 l\u00f3gica do capitalismo. Pequenas vilas litor\u00e2neas do Nordeste brasileiro (CAMUR\u00c7A, 2003; ESMERALDO, 2002; MEDEIROS E OLIVEIRA, 2005) viveram um processo r\u00e1pido de transforma\u00e7\u00e3o, no final do s\u00e9culo XX, sem que a sua popula\u00e7\u00e3o estivesse preparada para enfrentar a conviv\u00eancia cotidiana com outros povos e outras culturas. Situa\u00e7\u00e3o essa que remete \u00e0s palavras de Souza (2004: 93) sobre os efeitos dessa contemporaneidade: \u201cos riscos de uma fragmenta\u00e7\u00e3o da humanidade, se j\u00e1 fragmentados n\u00e3o nos encontramos, em vez da constru\u00e7\u00e3o de uma humanidade multicultural\u201d. Essas altera\u00e7\u00f5es repercutem, tamb\u00e9m, no meio-ambiente, com a devasta\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o nativa e de \u00e1reas de mata atl\u00e2ntica, amea\u00e7ando o equil\u00edbrio do ecossistema.<\/p>\n<p>Essa fragmenta\u00e7\u00e3o, falta de harmonia consigo, com o seu passado, leva ao que Lowen chama de encoura\u00e7amento, bloqueando o desenvolvimento natural desse ser: \u201ca \u00fanica maneira de conseguir o verdadeiro crescimento no presente \u00e9 reviver o passado. Se o passado for eliminado, n\u00e3o existir\u00e1 o futuro\u201d (LOWEN, 1982: 30).<\/p>\n<p>Buscar o passado, atrav\u00e9s da cultura, \u00e9 retomar as formas de express\u00e3o, o modo de viver e os padr\u00f5es aprendidos e desenvolvidos pelo grupo social. Cultura, entendida como \u201cformas de organiza\u00e7\u00e3o de um povo, seus costumes e tradi\u00e7\u00f5es transmitidas de gera\u00e7\u00e3o para gera\u00e7\u00e3o que, a partir de uma viv\u00eancia e tradi\u00e7\u00e3o comum, se apresentam como a identidade desse povo\u201d (http:\/\/pt.wikipedia.org.\/wiki\/Cultura).<\/p>\n<p>E, nessa perspectiva, o trabalho de recupera\u00e7\u00e3o do passado do indiv\u00edduo e da sociedade se encontra quando ambos contribuem para a preserva\u00e7\u00e3o da ess\u00eancia do ser humano e do grupo social. Assim, o resgate das ra\u00edzes culturais de um povo contribuir\u00e1 para a retomada do desenvolvimento natural e da sa\u00fade dessa sociedade.<\/p>\n<p>SELF:  INTERSUBJETIVIDADE E VIDA<\/p>\n<p>O caminho percorrido pela Psicologia at\u00e9 a An\u00e1lise Bioenerg\u00e9tica \u00e9 longo e remete, inicialmente, a Sigmund Freud e \u00e0 sociedade repressora que acompanhou o desenvolvimento das suas id\u00e9ias. A sua teoria foi estruturada sobre dois princ\u00edpios b\u00e1sicos: os eventos ps\u00edquicos s\u00e3o determinados por eventos precedentes, n\u00e3o havendo acasos na vida mental, e o inconsciente influencia o comportamento humano (GUANAES, 2003).<\/p>\n<p>No in\u00edcio do s\u00e9culo seguinte a psican\u00e1lise estava estabelecida e reconhecida enquanto institui\u00e7\u00e3o, reunindo os seus integrantes na Associa\u00e7\u00e3o Internacional de Psican\u00e1lise aonde Wilhelm Reich n\u00e3o chegou a ingressar. Alguns autores alegam que ele n\u00e3o foi aceito e outros que ele teria rompido com a entidade e, conseq\u00fcentemente, com Freud (BOADELLA, 1985; WAGNER, 1996). A sua cr\u00edtica ao moralismo burgu\u00eas e sua participa\u00e7\u00e3o ativa em movimentos pol\u00edticos incomodavam. Ele retomou um ponto da teoria freudiana relativa \u00e0 teoria  original do instinto, centrada no conceito de energia ps\u00edquica. Com a teoria do orgasmo promoveu a compreens\u00e3o bioenerg\u00e9tica da psican\u00e1lise inicial e procurou mostrar a rela\u00e7\u00e3o entre o bloqueio dos impulsos instintivos e o aparecimento de defesas danosas ao desenvolvimento da crian\u00e7a. <\/p>\n<p>A cren\u00e7a no ser humano e na vida contribuiu para que Alexander Lowen, disc\u00edpulo de Reich, continuasse o caminho iniciado por seu mestre e orientador, chegando \u00e0 elabora\u00e7\u00e3o de uma nova proposta: a An\u00e1lise Bioenerg\u00e9tica. Um dos aspectos mais importantes resgatados da teoria reichiana refere-se ao uso da respira\u00e7\u00e3o no processo terap\u00eautico: \u201ca diminui\u00e7\u00e3o da respira\u00e7\u00e3o diminui a absor\u00e7\u00e3o de oxig\u00eanio e reduz a produ\u00e7\u00e3o de energia do metabolismo. O resultado final \u00e9 uma perda de afeto e um rebaixamento do t\u00f4nus emocional\u201d (LOWEN, 1977:31).<\/p>\n<p>A quest\u00e3o do amor a si pr\u00f3prio e \u00e0 vida \u00e9 um tema recorrente nos estudos de Lowen, assim como o aperfei\u00e7oamento da \u201ccapacidade de dar e receber amor, ampliar e desenvolver o cora\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o s\u00f3 sua mente\u201d (Idem, 1982:77). Haveria, ent\u00e3o, a possibilidade de crescimento da pessoa, pondo em a\u00e7\u00e3o \u201cfor\u00e7as intr\u00ednsecas \u00e0 personalidade, cuja fun\u00e7\u00e3o \u00e9 ampliar e expandir todos os aspectos do self (auto-percep\u00e7\u00e3o, auto-expressividade e auto-dom\u00ednio)\u201d (Ibidem: 102).<\/p>\n<p>Muitos autores recorrem \u00e0 no\u00e7\u00e3o de falso self para tentar referir-se ao verdadeiro self, passando ainda pelo processo de inser\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a no mundo real, atrav\u00e9s da m\u00e3e ou de quem a substitua. Todos buscam apoio em Donald Winnicott que, atrav\u00e9s das suas obras, procurou demonstrar como o trabalho psicanal\u00edtico imita \u201co processo natural que caracteriza o comportamento de qualquer m\u00e3e em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua crian\u00e7a\u201d (WINNICOTT, 2001:28), no sentido de introduzi-la na nova realidade como uma \u201cm\u00e3e suficientemente boa\u201d. Atrav\u00e9s da m\u00e3e a crian\u00e7a inicia a sua inclus\u00e3o na sociedade, tendo a possibilidade de desenvolver o seu potencial ou esconder-se sob um falso self, n\u00e3o emergindo como um ser integral.<\/p>\n<p>Preocupado com a influ\u00eancia do mundo externo sobre o mundo interno do beb\u00ea, Winnicott revela que os instintos servem ao self, mas n\u00e3o o constituem. As suas id\u00e9ias destacam a import\u00e2ncia da intersubjetividade e da a\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio sujeito nesse desenvolvimento emocional e, por conseguinte, da pr\u00f3pria sociedade, destacando o aspecto inter-relacional ou social na constitui\u00e7\u00e3o do psiquismo humano.<\/p>\n<p>Estaria na origem do self a tend\u00eancia do ser humano em permanecer vivo, sendo compreendido por Gilberto Safra (2005:130) como \u201cuma organiza\u00e7\u00e3o din\u00e2mica que possibilita a um indiv\u00edduo ser uma pessoa e ser ele mesmo\u201d. Mas a dificuldade quanto \u00e0 conceitua\u00e7\u00e3o \u00e9 destacada por esse mesmo autor ao ressaltar o fato de que \u201ca pessoa e o self transcendem a categoria conceitual, pois o self acontece no mundo em um transbordamento cont\u00ednuo de si mesmo. Ele acontece na materialidade do encontro humano e ganha morada no tempo, no espa\u00e7o, no gesto e no campo sociocultural\u201d(Ibidem:76).<\/p>\n<p>Mas os apuros vividos pelos autores de textos que abordam a quest\u00e3o do self parecem enriquecer a produ\u00e7\u00e3o sobre essa tem\u00e1tica, levando-os a caminhos que percorrem o processo de constitui\u00e7\u00e3o do ser e do self, desde os primeiros momentos do beb\u00ea, ou aos encontros e desencontros que possibilitar\u00e3o, ou n\u00e3o, a express\u00e3o do gesto genu\u00edno da crian\u00e7a. Como a an\u00e1lise trata da ess\u00eancia da vida, do amor e do desabrochar das pessoas, muita poesia e beleza surgem durante essa caminhada que atravessa o prazer do afeto correspondido ou a dor da solid\u00e3o:<br \/>O gesto espont\u00e2neo \u00e9 o verdadeiro self em a\u00e7\u00e3o. Somente o self verdadeiro pode ser criativo e se sentir real. Enquanto o self verdadeiro \u00e9 sentido como real, a exist\u00eancia do falso self resulta em uma sensa\u00e7\u00e3o de irrealidade e em um sentimento de futilidade (WINNICOTT, 1983:135).<br \/>Uma das caracter\u00edsticas de um comportamento do tipo falso self pode ser o daquelas pessoas que est\u00e3o sempre reagindo a alguma coisa externa, a viver em fun\u00e7\u00e3o de, ao inv\u00e9s de poderem ser fundamentalmente elas mesmas (MELLO FILHO,2001: 151).<\/p>\n<p>A constitui\u00e7\u00e3o do falso self acontece como prote\u00e7\u00e3o ao verdadeiro self que n\u00e3o foi suficientemente fortalecido pelos adequados cuidados maternos. Assim, o falso self surge para defender a crian\u00e7a com car\u00eancias na adapta\u00e7\u00e3o ao meio, recorrendo assim a um esquema de defesas.  Entretanto, esse recurso prejudica o desenvolvimento do indiv\u00edduo pois o \u201cverdadeiro self se empobrece pela falta de acesso \u00e0s experi\u00eancias, uma vez que \u00e9 o falso self que opera, usurpando assim a fun\u00e7\u00e3o daquele\u201d (LINS, 2002:794). A interposi\u00e7\u00e3o do falso self vai dificultar a adapta\u00e7\u00e3o do sujeito \u00e0 sociedade e contaminar as suas rela\u00e7\u00f5es e viv\u00eancias no mundo, pois a sua percep\u00e7\u00e3o da realidade estar\u00e1 sendo bloqueada e interceptada por essa defesa.<\/p>\n<p>A An\u00e1lise Bioenerg\u00e9tica foi pensada como uma abordagem terap\u00eautica que \u201ctem como objetivo o resgate da natureza prim\u00e1ria que \u00e9 a express\u00e3o livre e espont\u00e2nea do ser\u201d (ALVES; CORREIA, 2004:35). E esse gesto natural s\u00f3 poder\u00e1 ser recuperado com um trabalho que tenha como meta o encontro do verdadeiro self, acesso \u00e0 sa\u00fade, j\u00e1 que ele est\u00e1 \u201crelacionado aos processos fisiol\u00f3gicos b\u00e1sicos, principalmente ao funcionamento do cora\u00e7\u00e3o e \u00e0 respira\u00e7\u00e3o\u201d (MELLO FILHO, 2001:151). Assim, atrav\u00e9s do encontro consigo pr\u00f3prio (verdadeiro self) e com o outro (psicoterapeuta) o sujeito poder\u00e1 vivenciar, verdadeiramente, o seu espa\u00e7o de express\u00e3o e vida, qualificando a sua contribui\u00e7\u00e3o para o social.<\/p>\n<p>Foi essa busca de si mesmo, para curar a divis\u00e3o corpo-mente, que norteou a vida e, por conseguinte, a obra de Alexandre Lowen, precursor da An\u00e1lise Bioenerg\u00e9tica: \u201ca cultura em que vivemos n\u00e3o se orienta \u00e0 atividade criativa e ao prazer\u201d, diz Lowen, pois ela \u201cn\u00e3o se ajusta aos valores e ritmos do corpo vivo, mas sim \u00e0queles das m\u00e1quinas e da produtividade material\u201d (LOWEN, 1982: 44-45).  Ou seja, para que o organismo humano possa funcionar plenamente h\u00e1 a necessidade, cada vez mais, de estar atento a si pr\u00f3prio, ao self, ao corpo. \u00c9 fundamental a conex\u00e3o com a vida interior e n\u00e3o apenas com a exterior. A nossa realidade \u00e9 aquela que est\u00e1 gravada em n\u00f3s, no nosso corpo, atrav\u00e9s das emo\u00e7\u00f5es vividas por cada um: os encontros e desencontros, os amores e desamores, as raivas, as tristeza, as alegrias, as dores e os prazeres.<\/p>\n<p>Os aspectos culturais da sociedade na qual o indiv\u00edduo se desenvolve est\u00e3o presentes na constitui\u00e7\u00e3o do self atrav\u00e9s dos encontros humanos. S\u00e3o os pais os primeiros a fornecerem \u00e0 crian\u00e7a um campo e um repert\u00f3rio simb\u00f3lico, dando espa\u00e7o para que esse novo ser expresse a sua singularidade. Dessa forma inicia-se o interc\u00e2mbio cont\u00ednuo \u201centre o sujeito e o outro, entre a vida subjetiva e a realidade compartilhada, entre o indiv\u00edduo e a cultura\u201d (SAFRA, 2005: 43). Ent\u00e3o, como o self, que tem como base constitucional a cultura, torna-se, portanto, a fonte para a reprodu\u00e7\u00e3o e continuidade do fazer societ\u00e1rio, na medida em que o homem \u00e9 produto e produtor da cultura.<\/p>\n<p>A express\u00e3o do verdadeiro self &#8211; que muitas vezes fica encoberto pelo falso self &#8211; \u00e9 sinal de vitalidade e de fortalecimento do sentimento de realidade. A An\u00e1lise Bioenerg\u00e9tica atua, pois, no sentido de resgatar o verdadeiro self desse esconderijo, fazendo aflorar o sentimento de exist\u00eancia plena e o prazer de sentir-se vivo.<\/p>\n<p>Para Winnicott a normalidade estaria \u201cligada \u00e0 capacidade do indiv\u00edduo viver em uma \u00e1rea que \u00e9 intermedi\u00e1ria entre o sonho e a realidade, aquela que \u00e9 chamada de vida cultural\u201d (WINNICOTT, 1983:137). Ent\u00e3o, a a\u00e7\u00e3o terap\u00eautica proposta por Lowen contribui para que o analisando libere a sua capacidade de transitar entre o mundo interno (ele mesmo) e o externo, atrav\u00e9s da sua intera\u00e7\u00e3o com o outro, agindo no sentido da continuidade de si e da sociedade, criando e recriando-se, assim como acontece com a cultura, com toda a sua dinamicidade. <\/p>\n<p>REENCONTRANDO A IDENTIDADE<\/p>\n<p>Diversas experi\u00eancias est\u00e3o sendo vivenciadas por grupos humanos, marginalizados em seu pr\u00f3prio pa\u00eds, no sentido de resgatar a hist\u00f3ria do seu povo, a sua cultura, fortalecendo, dessa forma, a identidade coletiva e as descobertas pessoais sobre si pr\u00f3prios. Esses processos de reconhecimento de si, atrav\u00e9s da apropria\u00e7\u00e3o de suas ra\u00edzes, apontam no sentido do despertar das potencialidades do self.<\/p>\n<p>Na Am\u00e9rica Latina, muitas organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o-governamentais est\u00e3o sendo criadas para promover a organiza\u00e7\u00e3o e a resist\u00eancia de popula\u00e7\u00f5es afrodescendentes. Acostumada a atuar junto a essas entidades, na auto-valoriza\u00e7\u00e3o da imagem f\u00edsica de cada integrante e, como conseq\u00fc\u00eancia, \u201cna valoriza\u00e7\u00e3o \u2013 auto-percep\u00e7\u00e3o \u2013 de sua personalidade, ou seja, na reconstru\u00e7\u00e3o da imagem\u201d, Martha Mijares (2004:53) destaca a presen\u00e7a de um preconceito endoracial. O significado dessa rejei\u00e7\u00e3o, segundo a autora, \u00e9 que o negro n\u00e3o aceitava o seu corpo e, por conseguinte, n\u00e3o se gostava, n\u00e3o se aprovava. Para eles, ter uma boa presen\u00e7a significava apresentar caracter\u00edsticas f\u00edsicas com marcada ascend\u00eancia branca. Ela mostra que, principalmente as mulheres, queriam mudar tra\u00e7os f\u00edsicos (cabelo, nariz, boca e cor da pele) para ter mais oportunidades na vida. A desqualifica\u00e7\u00e3o atingia os pr\u00f3prios tra\u00e7os f\u00edsicos e a personalidade dessas pessoas.<\/p>\n<p>Com base em discuss\u00f5es e reflex\u00f5es mantidas com os representantes mais idosos da etnia, o trabalho foi dirigido para a promo\u00e7\u00e3o da valoriza\u00e7\u00e3o positiva de cada um sobre si mesmo, sendo pautado a partir do que eles entendiam ser a auto-estima.<br \/>O objetivo central \u00e9 ter consci\u00eancia sobre a atitude auto-desqualificativa que se tem da imagem f\u00edsica, e partindo dessa \u2018conscientiza\u00e7\u00e3o\u2019 do preju\u00edzo que existe dentro dos coletivos \u2018afros\u2019, realizar a\u00e7\u00f5es para enfrentar a situa\u00e7\u00e3o de exclus\u00e3o e\/ou a presen\u00e7a de atitudes racistas (Ibidem: 56-57).<\/p>\n<p>O resgate dessa identidade passa pelo reconhecimento e aceita\u00e7\u00e3o das refer\u00eancias africanas, tanto no tocante ao corpo, ao f\u00edsico, como aos conte\u00fados culturais, aflorados no depoimento dos mais velhos. A riqueza do processo fortalece o grupo e os indiv\u00edduos tornando-os mais qualificados na luta pelo seu pr\u00f3prio espa\u00e7o e sua inclus\u00e3o na sociedade, enquanto n\u00e3o-brancos. A aceita\u00e7\u00e3o de si pr\u00f3prio desponta como ponte para a conquista de um lugar, enquanto cidad\u00e3o ou cidad\u00e3, na estrutura social que teima em desconhec\u00ea-los. <\/p>\n<p>Na Venezuela, a organiza\u00e7\u00e3o dos exclu\u00eddos tem como refer\u00eancia uma \u201cCultura de Resist\u00eancia\u201d que, segundo Jes\u00fas Garcia, constitui-se como \u201cum processo din\u00e2mico onde os elementos culturais origin\u00e1rios se opuseram ao seu desaparecimento\u201d (GARCIA, 2001:50), apesar da press\u00e3o contr\u00e1ria por parte de autoridades locais. A luta pela participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e s\u00f3cio-cultural, nesse caso, atravessa, tamb\u00e9m, o auto-reconhecimento como afrodescendente e o resgate hist\u00f3rico que favore\u00e7a uma \u201cauto-apropria\u00e7\u00e3o definitiva\u201d da africanidade (Ibidem:51).<\/p>\n<p>A invisibilidade do negro na sociedade equatoriana \u00e9 analisada por Walsh e Garc\u00eda (2002) que apresentam o percurso organizativo dos afrodescendentes na reafirma\u00e7\u00e3o da sua diversidade e da sua exist\u00eancia enquanto povo. O trabalho em grupos vai desvendando, lentamente, todo um valor, antes escondido, acumulado no saber e na experi\u00eancia dos seus integrantes com idade mais avan\u00e7ada:<\/p>\n<p>Tanto a emerg\u00eancia do movimento afroequatoriano como o dos venezuelanos atesta a n\u00edtida rela\u00e7\u00e3o entre o resgate da cultura e o conseq\u00fcente fortalecimento dessas coletividades, ou seja, da identidade de cada um dos seus membros. Um processo que atravessa o corpo, a pele, o cabelo, os valores, o pensamento, as tradi\u00e7\u00f5es e os sentimentos dessas pessoas.<\/p>\n<p>No Brasil, mais especificamente, na Bahia, os movimentos que resgatam a negritude dos seus habitantes buscam o seu reconhecimento a partir da sua produ\u00e7\u00e3o cultural e musical. Com letras que remetem \u00e0 \u00c1frica, \u201cm\u00e3e libertadora\u201d, e uma cad\u00eancia caracter\u00edstica, as can\u00e7\u00f5es embalam os foli\u00f5es nos blocos carnavalescos, enquanto promovem a auto-afirma\u00e7\u00e3o dos negros (KUSTNER, 1336: 5). No ato de cantar e dan\u00e7ar, produzindo a sua pr\u00f3pria express\u00e3o mel\u00f3dica, v\u00e3o se assumindo e refor\u00e7ando uma identidade pr\u00f3pria, calcada no seu cotidiano de negros brasileiros, com a sua baianidade que atravessa continentes, como \u00e9 o caso do Olodum e do Yly\u00ea Aiy\u00ea.<\/p>\n<p>Um processo semelhante, de resgate das ra\u00edzes culturais, vem ocorrendo em uma praia do litoral brasileiro, na regi\u00e3o Nordeste, por iniciativa de um grupo de jovens, atrav\u00e9s da elabora\u00e7\u00e3o de documentos retratando e ressuscitando o passado da comunidade de pescadores e agricultores que deu in\u00edcio ao povoamento local.<\/p>\n<p>Antes da praia de Pipa transformar-se em p\u00f3lo tur\u00edstico, a vida era sentida como mais prazerosa, com mais liberdade e mais festas coletivas, segundo o depoimento de alguns moradores. O mundo deles limitava-se \u00e0quele munic\u00edpio, onde plantavam, pescavam e comemoravam, coletivamente, a boa safra ou a abund\u00e2ncia de peixes, com dan\u00e7as e muita alegria.<\/p>\n<p>A chegada de pessoas, de diversos pa\u00edses, para conhecerem e at\u00e9 instalarem-se no pequeno arruado foi contribuindo para a perda de refer\u00eancias da popula\u00e7\u00e3o, atingindo, principalmente, os mais jovens. A influ\u00eancia cultural dos visitantes foi, gradativamente, contaminando o cotidiano dos moradores sem que fosse efetuada uma an\u00e1lise sobre esses novos costumes e comportamentos. A mudan\u00e7a foi se processando sem que houvesse uma vis\u00e3o cr\u00edtica da situa\u00e7\u00e3o por parte dos nativos: se queriam, ou n\u00e3o, adotar os novos modos de vida.<\/p>\n<p>Os contatos com europeus e brasileiros, de maior poder aquisitivo, que chegavam \u00e0 praia, como turistas, despertavam nos jovens o desejo de migrar para conhecer essa outra realidade, presente na fala e nos costumes dos visitantes. Sentiam-se inferiores diante deles, \u201csentiam-se pequenos\u201d, como explicou uma adolescente. Assim, a sa\u00edda daquele munic\u00edpio surgia como uma possibilidade, para eles, de acesso ao outro mundo, rec\u00e9m descoberto.<\/p>\n<p>Esse movimento em busca de referenciais externos, estranhos a si pr\u00f3prios, contribuiu para o sentimento de inferioridade e de desvaloriza\u00e7\u00e3o dos costumes, das dan\u00e7as e do modo de viver desses nordestinos. Foi um per\u00edodo em que o cotidiano do vilarejo come\u00e7ou a ser profundamente alterado, pois a tend\u00eancia era seguir valores importados, externos \u00e0 base constitucional daquela comunidade e do pr\u00f3prio self de cada morador ou moradora de Pipa.<\/p>\n<p>Como contraponto a essa descaracteriza\u00e7\u00e3o da vida cotidiana, alguns jovens, com a ajuda de alguns profissionais apaixonados pela praia, criaram um projeto voltado para o resgate da hist\u00f3ria e dos costumes dali, atrav\u00e9s do depoimento dos moradores mais idosos. Esse foi um marco na vida de muitos jovens pipenses pois a grava\u00e7\u00e3o e a exposi\u00e7\u00e3o do material, em pra\u00e7a p\u00fablica, come\u00e7ou a provocar mudan\u00e7as favor\u00e1veis \u00e0 retomada de referenciais culturais locais e \u00e0 fixa\u00e7\u00e3o dos jovens no munic\u00edpio. Os v\u00eddeos evocavam emo\u00e7\u00f5es, sentimentos de pertencimento e identifica\u00e7\u00e3o dos valores pr\u00f3prios daquela cidade. E aos poucos o amor \u00e0 Pipa foi sendo retomado, junto com o resgate da auto-estima dos envolvidos no projeto.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o resgate das ra\u00edzes culturais, expressos na fala dos mais antigos, a comunidade come\u00e7ou a respeitar a hist\u00f3ria constru\u00edda por eles mesmos, descobrindo o seu pr\u00f3prio valor, sentindo-se especiais. Aos poucos, a identidade perdida, de nativos, foi se reconstruindo. Eles reconheceram que eram diferentes de todos aqueles turistas e que tinham a sua pr\u00f3pria identidade. Foi, ent\u00e3o, nascendo o desejo de preservar e fortalecer os seus pr\u00f3prios padr\u00f5es culturais.<\/p>\n<p>Uma adolescente, participante do projeto de resgate, declara ter mudado a sua forma de ver o mundo e de ver-se, ap\u00f3s vivenciar todo esse processo de execu\u00e7\u00e3o do trabalho de registro hist\u00f3rico-cultural. Antes, era t\u00edmida e pouco falava, sentindo-se \u201cvegetar\u201d no trabalho como balconista de uma loja, enquanto alimentava o desejo de sair da sua terra. Depois, come\u00e7ou a sentir que estava mais viva, mais integrada \u00e0 sociedade, mais capaz de falar e fazer-se ouvida. Aprendeu a gostar de si mesma e da cidade que ajudou a construir. Reaprendeu a admirar a simplicidade e a beleza da regi\u00e3o que atrai visitantes durante o ano todo, desejando permanecer em Tibau do Sul, o seu munic\u00edpio. Ela aprendeu a olhar para si mesma e buscar, no seu interior, os referenciais para o seu desenvolvimento como pessoa e cidad\u00e3.<\/p>\n<p>O movimento observado nessa jovem praiana de reconstru\u00e7\u00e3o pessoal a partir do resgate cultural ilustra as palavras de Lowen ao reportar-se ao processo de mudan\u00e7a: \u201ccome\u00e7a pela auto-aceita\u00e7\u00e3o e pela autopercep\u00e7\u00e3o\u201d (LOWEN, 1982:102). Enquanto a adolescente n\u00e3o voltava o olhar para si e para a sua base cultural ela n\u00e3o sentia-se viva, inteira, apenas \u201cvegetava\u201d. \u00c0 medida que foi sendo capaz de voltar o seu foco de aten\u00e7\u00e3o para si pr\u00f3pria e para os seus pares ela come\u00e7ou a gostar mais de si, a respeitar-se e a lutar por uma hist\u00f3ria que tamb\u00e9m \u00e9 sua: a praia de Pipa.<\/p>\n<p>CULTURA E RESIGNIFICA\u00c7\u00c3O DO COTIDIANO<\/p>\n<p>A cultura, assim como os seres humanos, est\u00e1 em permanente processo de constru\u00e7\u00e3o e reconstru\u00e7\u00e3o, agregando novos saberes e experi\u00eancias. Os estudos com grupos de afrodescendentes apontam para a estreita rela\u00e7\u00e3o entre o resgate cultural, o fortalecimento dos seus integrantes e da capacidade de resist\u00eancia das suas organiza\u00e7\u00f5es. Revela, tamb\u00e9m, o reflexo desse olhar interior na eleva\u00e7\u00e3o da auto-estima dos indiv\u00edduos envolvidos com a luta contra a exclus\u00e3o social.<\/p>\n<p>No Brasil, em alguns pequenos povoados localizados no litoral nordestino, tem sido poss\u00edvel observar a dificuldade inicial de conviv\u00eancia harm\u00f4nica entre os habitantes dessas praias, os novos moradores que o turismo atrai e os viajantes de v\u00e1rias partes do mundo. O caso apresentado, de Pipa, revela como o impacto dessas mudan\u00e7as pode confundir e debilitar uma comunidade isolada e ainda n\u00e3o integrada ao mundo globalizado. Entretanto, passado o primeiro momento, iniciativas diversas podem surgir no sentido do resgate da capacidade de organiza\u00e7\u00e3o dessas pessoas, enquanto um coletivo, e de suas pr\u00f3prias identidades.<\/p>\n<p>A iniciativa dos jovens, empenhados em resgatar a hist\u00f3ria do seu povo, atrav\u00e9s do depoimento dos mais idosos, vai possibilitando uma nova leitura da situa\u00e7\u00e3o. Manifesta\u00e7\u00f5es culturais \u2013 dan\u00e7as e dramatiza\u00e7\u00f5es \u2013 que pareciam sem import\u00e2ncia, em um primeiro instante, passam a ser estimuladas e valorizadas como a afirma\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a e da a\u00e7\u00e3o dos nativos. \u00c9 como se eles mesmos se redescobrissem, tornando-se atores no novo cen\u00e1rio social e pol\u00edtico da cidade. Deixando a invisibilidade, conquistam o direito de existirem e de viverem, lado a lado, com os imigrantes e turistas.<\/p>\n<p>O desenvolvimento de um projeto de jornal na pra\u00e7a, da biblioteca, da utiliza\u00e7\u00e3o da internet vai alargando os horizontes da comunidade que vivia no isolamento. A desestabiliza\u00e7\u00e3o provocada pela invas\u00e3o tur\u00edstica vai dando lugar \u00e0 reafirma\u00e7\u00e3o de elementos formadores da identidade do grupo, atrav\u00e9s da resignifica\u00e7\u00e3o de modos de vida, de manifesta\u00e7\u00f5es culturais e aspectos do cotidiano que n\u00e3o eram valorizados.<\/p>\n<p>A visita\u00e7\u00e3o do passado vai propiciando encontros simbolizados entre entrevistados e entrevistadores, permitindo a emerg\u00eancia, em cada um, das suas reais refer\u00eancias: um reconhecimento do seu pr\u00f3prio ser, do seu self.<\/p>\n<p>O resgate cultural favorece o fortalecimento do indiv\u00edduo, enquanto integrante de uma coletividade, propiciando a sua autopercep\u00e7\u00e3o e a sua auto-aceita\u00e7\u00e3o, aspectos fundamentais no processo de mudan\u00e7a, busca do equil\u00edbrio e da sa\u00fade. Ent\u00e3o, nesse sentido, pode-se dizer que o movimento de retomada da auto-estima favorece uma interven\u00e7\u00e3o terap\u00eautica com base na An\u00e1lise Bioenerg\u00e9tica, j\u00e1 que volta o foco do indiv\u00edduo para os elementos constituintes do seu self. E, como destaca Lowen, \u201co caminho do crescimento \u00e9 estar em contato com meu corpo e entender o que ele diz\u201d (LOWEN, 1982:102).<\/p>\n<p>REFER\u00caNCIAS<br \/>ALVES, Jayme Panerai; CORREIA, Grace Wanderley de Barros. O corpo nos grupos: experi\u00eancias em an\u00e1lise bioenerg\u00e9tica. Recife: Ed. Libertas. 2004.<br \/>BOADELLA, David. Nos caminhos de Reich. S\u00e3o Paulo: Summus. 1985.<br \/>CAMUR\u00c7A, S\u00edlvia M. Sampaio (Org.). Dimens\u00f5es da desigualdade do turismo no Nordeste. Recife: SOS CORPO \u2013 G\u00eanero e Cidadania. 2003.<br \/>ESMERALDO, Luiz R\u00e9gis Azevedo. Jangadeiros e pescadores. Os dilemas do turismo em Canoa Quebrada, Aracati \u2013 Ce. Fortaleza, CE: Ed. 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E-mail: rp.medeiros@terra.com.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>SELF, CULTURA E ECOLOGIA Rejane Pinto de Medeiros Vive-se hoje, o resultado de um per\u00edodo de desenvolvimento da industrializa\u00e7\u00e3o capitalista, quando o lucro e a produ\u00e7\u00e3o<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[20],"tags":[],"class_list":["post-126","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-congresso-2008"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/126","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=126"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/126\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=126"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=126"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=126"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}