{"id":115,"date":"2011-01-11T02:31:00","date_gmt":"2011-01-11T02:31:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.analisebioenergetica.com\/site\/?p=115"},"modified":"2011-01-11T02:31:00","modified_gmt":"2011-01-11T02:31:00","slug":"a-crianca-em-busca-do-adulto-e-o-adulto-em-busca-da-crianca-uma-experiencia-clinica-e-educacional-com-a-analise-bioenergetica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/a-crianca-em-busca-do-adulto-e-o-adulto-em-busca-da-crianca-uma-experiencia-clinica-e-educacional-com-a-analise-bioenergetica\/","title":{"rendered":"A CRIAN\u00c7A EM BUSCA DO ADULTO E O ADULTO EM BUSCA DA CRIAN\u00c7A: UMA EXPERI\u00caNCIA CL\u00cdNICA E EDUCACIONAL COM A AN\u00c1LISE BIOENERG\u00c9TICA"},"content":{"rendered":"<div id=\"fb-root\"><\/div>\n<p>    6 &#8211; T\u00edtulo do trabalho<br \/>    A CRIAN\u00c7A EM BUSCA DO ADULTO E O ADULTO EM BUSCA DA CRIAN\u00c7A: UMA EXPERI\u00caNCIA CL\u00cdNICA E EDUCACIONAL COM A AN\u00c1LISE BIOENERG\u00c9TICA<\/p>\n<p>ENGLISH<\/p>\n<p>Leonardo Lib\u00e2nio Christo<br \/>Local Trainer da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de An\u00e1lise Bioenerg\u00e9tica-BH<\/p>\n<p>Leonardo Jos\u00e9 Jeber<br \/>Membro da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de An\u00e1lise<br \/>Bioenerg\u00e9tica-BH<\/p>\n<p>    PARTE I: A CRIAN\u00c7A EM BUSCA DO ADULTO<\/p>\n<p>    A abordagem bioenerg\u00e9tica fundamenta-se em conceitos de espantosa simplicidade. A respira\u00e7\u00e3o e grounding (\u201cfirmar-se\u201d) s\u00e3o uma poderosa combina\u00e7\u00e3o de eventos para prevenir e atuar na higiene mental e f\u00edsica das pessoas.<\/p>\n<p>    Tanto o trabalho cl\u00ednico desenvolvido por in\u00fameros terapeutas em v\u00e1rios pa\u00edses como a pr\u00e1tica do dia-a-dia pode beneficiar o individuo e a sociedade como um todo. Atrav\u00e9s da an\u00e1lise do car\u00e1ter \u00e9 poss\u00edvel restaurar a pot\u00eancia energ\u00e9tica e estabelecer uma capacidade auto-regulat\u00f3ria na vida.<\/p>\n<p>    Segundo Alexander Lowen, \u201cA An\u00e1lise Bioenerg\u00e9tica \u00e9 baseada no trabalho de Wilhelm Reich\u201d. Trabalho que representa uma ruptura radical da an\u00e1lise verbal pura, encaminhando o trabalho para um confronto direto com o corpo.<\/p>\n<p>    Personalidade instigante e curiosa Dr. Reich nos deixou um legado de quest\u00f5es fundamentais \u00e0 luz de um cientificismo que n\u00e3o nos cabe agora refletir e sim constatar quais foram os resultados que ao longo dos \u00faltimos 70 anos estes conceitos e pr\u00e1ticas apresentaram.<\/p>\n<p>    V\u00e1rios foram os estudiosos da obra do Dr. Reich. O pesquisador David Bodella em seu livro \u201cNos caminhos de Reich\u201d , no capitulo quatro apresenta um excelente sum\u00e1rio feito pelo Dr. Ola Raknes que trabalhou junto com o Dr. Reich nos anos 30 na Noruega, sobre como as qualidades org\u00e2nicas podem representar as caracter\u00edsticas de uma vida vegetativa plena:<\/p>\n<p>    \u201cI. O corpo inteiro apresenta um bom t\u00f4nus; a estrutura do corpo \u00e9 elasticamente ereta; n\u00e3o h\u00e1 c\u00e2imbra ou espasmo.<\/p>\n<p>    II. A pele \u00e9 quente, com abundante suprimento sang\u00fc\u00edneo de colora\u00e7\u00e3o avermelhada ou levemente bronzeada; a transpira\u00e7\u00e3o pode ser quente.<\/p>\n<p>    III. os m\u00fasculos podem se alterar de tens\u00e3o para a relaxa\u00e7\u00e3o sendo, contudo, nem cronicamente contra\u00eddos, nem fl\u00e1cidos; a peristalse \u00e9 f\u00e1cil; aus\u00eancia de constipa\u00e7\u00e3o ou hemorr\u00f3idas.<\/p>\n<p>    IV. Os tra\u00e7os faciais s\u00e3o vivos e vari\u00e1veis, nunca r\u00edgidos ou semelhantes a uma m\u00e1scara. Os olhos s\u00e3o claros e com rea\u00e7\u00f5es pupilares r\u00e1pidas e os globos oculares n\u00e3o s\u00e3o nem proeminentes, nem fundos.<\/p>\n<p>    V. H\u00e1 expira\u00e7\u00e3o completa e profunda com pausa antes da nova inspira\u00e7\u00e3o; movimentos do peito livres e f\u00e1ceis.<\/p>\n<p>    VI. O pulso \u00e9 usualmente regular, calmo e forte; press\u00e3o sangu\u00ednea normal, nem muito alta, nem muito baixa.<\/p>\n<p>    David Bodella ainda apresenta os crit\u00e9rios de contato ps\u00edquico para se relacionar com outras pessoas.<\/p>\n<p>    \u201c1. Capacidade para concentra\u00e7\u00e3o total, apresent\u00e1-la numa fra\u00e7\u00e3o de trabalho, de uma tarefa, de uma conversa ou de um abra\u00e7o genital, e um sentimento de unidade entre o que a pessoa faz e o que ela \u00e9.<\/p>\n<p>    2. Capacidade para o sentimento de contato quer consigo mesmo ou com outras pessoas, com naturalidade e arte e, por exemplo, com instrumentos utilizados no seu pr\u00f3prio trabalho; devem tamb\u00e9m ser mencionados aqui a habilidade de captar impress\u00f5es, de ter coragem e o desejo de permitir que as coisas e eventos se estruturem.<\/p>\n<p>    3. Aus\u00eancia de ang\u00fastia onde n\u00e3o h\u00e1 nenhum perigo e capacidade de reagir racionalmente mesmo em situa\u00e7\u00f5es perigosas \u2013 e coragem para entrar voluntariamente em situa\u00e7\u00f5es perigosas onde v\u00ea uma finalidade racional e importante para faz\u00ea-lo.<\/p>\n<p>    4. Um sentimento profundo e duradouro de bem-estar e vigor, sentimento do qual a pessoa pode se tornar consciente cada vez que dirige sua aten\u00e7\u00e3o a ele, mesmo lutando contra dificuldades ou quando sentindo dor corporal, que n\u00e3o deve ser, entretanto, forte demais; parte desse sentimento pode ser ligado a sentimentos de prazer nos genitais durante a respira\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>    J\u00e1 Mary Higgns e Chester Raphael sem o abandono da investiga\u00e7\u00e3o b\u00e1sica das emo\u00e7\u00f5es humanas apresentam um texto reichiano de julho de 1952 chamado \u201cA verdade Versus Modju\u201d publicado no Orgone Energy Bulletin Vol. IV n\u00ba 3 no qual Reich demonstra como nos devemos nos precaver da peste emocional provocada por um car\u00e1ter nocivo \u00e0 vida;<\/p>\n<p>    (1) Confie na distin\u00e7\u00e3o entre uma express\u00e3o facial honesta e uma deformada.<br \/>    (2) Insista para que tudo seja \u00e0s claras.<br \/>    (3) Use a arma da verdade com sensatez mas com determina\u00e7\u00e3o. O car\u00e1ter pestilento \u00e9 um covarde e n\u00e3o tem nada de construtivo para oferecer.<br \/>    (4) Encare a peste de cabe\u00e7a erguida. N\u00e3o ceda nem esmore\u00e7a.<br \/>    (5) Se necess\u00e1rio revele francamente os seus pontos fracos. Inclusive os seus segredos. As pessoas compreender\u00e3o.<br \/>    (6) Ajude a suavizar a tens\u00e3o dos sentimentos de culpa humanos sempre que possa, especialmente em quest\u00f5es sexuais, terreno essencial dos abusos da peste emocional.<br \/>    (7) Tenha os seus pr\u00f3prios motivos, objetivos e m\u00e9todos completamente \u00e0 vista, amplamente vis\u00edvel para todos.<br \/>    (8) Aprenda continuamente como enfrentar a mentira dissimulada.<br \/>    (9) Canalize todos os interesses humanos para problemas importantes da vida, especialmente a educa\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as.<\/p>\n<p>    Dando \u00eanfase \u00e0 sociologia por um lado e \u00e0 biologia por outro, o Dr. Reich consegue apresentar as tend\u00eancias mais evidentes de uma preven\u00e7\u00e3o social da sa\u00fade emocional e f\u00edsica.<br \/>    Como n\u00e3o existe caminho certo e sim caminhos poss\u00edveis, o maior desenvolvimento do trabalho Reichiano se deve ao estudo da An\u00e1lise Bioenerg\u00e9tica que prop\u00f5e uma s\u00e9rie de exerc\u00edcios para uma sa\u00fade vibrante.<\/p>\n<p>    Assim, nessas tr\u00eas \u00e1reas de conhecimento, Psican\u00e1lise, An\u00e1lise do Car\u00e1ter e as T\u00e9cnicas e Recursos da An\u00e1lise Bioenerg\u00e9tica encontramos um manancial importante para o trabalho de compreens\u00e3o te\u00f3rica de nossa proposta. Soma-se a psicologia do desenvolvimento e a psicologia do ego, temos o indiv\u00edduo analisado a partir do \u00c9dipo e de suas experi\u00eancias precoces fomentando conceitos b\u00e1sicos de energia como: Alta Carga\/Baixa Carga, carga e descarga, constru\u00e7\u00e3o de carga e conten\u00e7\u00e3o. Alia-se o papel da respira\u00e7\u00e3o na compreens\u00e3o bioenerg\u00e9tica do processo emocional e a introdu\u00e7\u00e3o ao conceito de grounding (\u201cfirmar-se\u201d), podemos criar padr\u00f5es de energia na din\u00e2mica do ego combatendo as ilus\u00f5es b\u00e1sicas que geram tens\u00e3o a partir da unidade e ant\u00edtese dos processos vivos nos n\u00edveis corporal e energ\u00e9tico, comportamental e interpessoal.<\/p>\n<p>    A realiza\u00e7\u00e3o humana adv\u00e9m do amadurecimento psicol\u00f3gico que devido a tend\u00eancias opostas do crescimento interior que provocam conflito e \u00e9 sempre precedido por uma crise, por exemplo, as for\u00e7as est\u00e1ticas: adapta\u00e7\u00e3o, equil\u00edbrio e estagna\u00e7\u00e3o versus as for\u00e7as din\u00e2micas: evolu\u00e7\u00e3o e progresso.<\/p>\n<p>    O ser humano maduro n\u00e3o \u00e9 fixo ou est\u00e1tico, caminha para frente tornando a vida mais forte e mais rica, sua atitude interior e de disposi\u00e7\u00e3o de \u00e2nimo e de mente, seja consigo mesmo seja com a vida, estabelece liga\u00e7\u00f5es harm\u00f4nicas com o ambiente e a sociedade culminando numa natural alegria de viver desenvolvendo as faculdades humanas e a capacidade de express\u00e1-las na vida.<\/p>\n<p>    A unidade gerada por pensamentos, emo\u00e7\u00f5es, impulsos e a\u00e7\u00f5es traduzem-se no di\u00e1logo mente-corpo atrav\u00e9s do sistema energ\u00e9tico.<\/p>\n<p>    O fluxo energ\u00e9tico (puls\u00e3o) gerando pulsa\u00e7\u00e3o que dependendo da carga ou descarga geram prazer.<\/p>\n<p>    Em alerta ao nosso centro saud\u00e1vel, \u00e9 necess\u00e1rio estarmos atentos aos rituais de rela\u00e7\u00e3o, aos padr\u00f5es de sensa\u00e7\u00f5es, ao sistema de cren\u00e7as e a express\u00e3o emocional dos indiv\u00edduos.<\/p>\n<p>    O contato com o corpo, com a terra, com a psiqu\u00ea e com a sexualidade atrav\u00e9s de manobras bioenerg\u00e9ticas que reproduzem o stress da vida ajuda-nos a aprofundar a respira\u00e7\u00e3o, reduzir tens\u00f5es f\u00edsicas e liberar afetos atrav\u00e9s da pedagogia das express\u00f5es afetivas.<\/p>\n<p>    A realidade (autopossess\u00e3o, aus\u00eancia de ilus\u00f5es, levantamento e ascens\u00e3o) busca o prazer (abertura, conquista, fluxo de sentimentos e auto express\u00e3o) gerando uma nova base para a maturidade: vitalidade f\u00edsica, atitudes realistas, satisfa\u00e7\u00e3o emocional e aceita\u00e7\u00e3o da vida.<\/p>\n<p>    PARTE II: O HOMEM EM BUSCA DA CRIAN\u00c7A<br \/>    Leonardo Jos\u00e9 Jeber<br \/>    A preven\u00e7\u00e3o do encoura\u00e7amento \u00e9 o aspecto principal da higiene mental<br \/>    [e da educa\u00e7\u00e3o preventiva ].<br \/>    Wilhelm Reich<\/p>\n<p>    Todo amante da natureza traz uma crian\u00e7a no cora\u00e7\u00e3o.<br \/>    Todo artista criativo \u00e9 em parte crian\u00e7a.<br \/>    Toda pessoa alegre \u00e9 uma crian\u00e7a entusiasmada.<br \/>    Pois a alegria e a criatividade est\u00e3o no cora\u00e7\u00e3o da natureza.<br \/>    Alexander Lowen<\/p>\n<p>    Este texto aborda a import\u00e2ncia da contribui\u00e7\u00e3o da Bioenerg\u00e9tica na educa\u00e7\u00e3o escolar de Ensino Fundamental. Apresenta os princ\u00edpios para uma pr\u00e1tica e viv\u00eancias corporais de movimento em Bioenerg\u00e9tica, para crian\u00e7as e educadores a\u00ed envolvidos. Apresenta, a partir de experi\u00eancias vividas no interior de duas escolas (uma escola p\u00fablica e uma escola particular da cidade de Belo Horizonte ) a contribui\u00e7\u00e3o para a sa\u00fade energ\u00e9tica de crian\u00e7as e educadores (adultos).<\/p>\n<p>    No meu dia-a-dia como educador e terapeuta em An\u00e1lise Bioenerg\u00e9tica tenho tido a oportunidade de realizar sess\u00f5es de viv\u00eancias em bioenerg\u00e9tica, direcionados para crian\u00e7as e para educadores. Isso tem seu sentido porque, nos dias de hoje, a escola tamb\u00e9m precisa ser repensada atrav\u00e9s de novas pr\u00e1ticas que contribuam com a forma\u00e7\u00e3o humana dos educandos e educadores que a comp\u00f5em, numa perspectiva de preven\u00e7\u00e3o. Segundo a educadora I\u00eada L\u00facia , a educa\u00e7\u00e3o do ser humano n\u00e3o pode estar divorciada do objetivo da preven\u00e7\u00e3o. Os educandos e os educadores devem ser conduzidos a uma vida mais harm\u00f4nica, saud\u00e1vel e feliz.<\/p>\n<p>    A quest\u00e3o da preven\u00e7\u00e3o em educa\u00e7\u00e3o nos remete ao pensamento de Wilhelm Reich . Segundo Paulo Albertini , Reich n\u00e3o foi um autor com atua\u00e7\u00e3o restrita aos limites de uma \u00fanica \u00e1rea do conhecimento. Sempre com a mesma atitude otimista e acreditando na possibilidade de maior felicidade humana, lutou em todas as frentes que, de alguma forma, pudessem contribuir para a realiza\u00e7\u00e3o desse objetivo. Uma dessas frentes foi a Educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>    Historicamente, sabemos das preocupa\u00e7\u00f5es de Reich com o trabalho preventivo das neuroses para com as crian\u00e7as. V\u00e1rias foram as suas a\u00e7\u00f5es junto \u00e0 sociedade, atrav\u00e9s de iniciativas junto das fam\u00edlias e junto dos educadores em geral. Sua inten\u00e7\u00e3o era a de sensibilizar e capacitar pais e educadores para se evitar os processos de encoura\u00e7amento e de neurose nas crian\u00e7as. O seu trabalho \u201cCrian\u00e7as do Futuro\u201d, feito entre 1926 e 1952, expressa de forma inequ\u00edvoca suas preocupa\u00e7\u00f5es e a\u00e7\u00f5es para com a educa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as. Outra contribui\u00e7\u00e3o de Reich foi a introdu\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio da auto-regula\u00e7\u00e3o como tentativa de combater as propostas educacionais consideradas autorit\u00e1rias ou o grau exacerbado de interven\u00e7\u00e3o por parte dos educadores. Mais tarde tentou demonstrar a import\u00e2ncia de se introduzir medidas educacionais terap\u00eauticas que visavam combater o encoura\u00e7amento infantil, a cronifica\u00e7\u00e3o de defesas com o conseq\u00fcente distanciamento de um funcionamento auto-regulado.<\/p>\n<p>    A educadora Maria Veranilda Soares Mota nos lembra que Reich tomou o princ\u00edpio da auto-regula\u00e7\u00e3o da biologia. Ele verificou que todos os seres vivos t\u00eam essa capacidade. Segundo essa educadora, Reich percebeu que essa tend\u00eancia \u00e9 mais acentuada nas crian\u00e7as e chamou a aten\u00e7\u00e3o para o fato de que precisamos pensar nos mecanismos dificultadores de aprendizagem vivenciados na escola., tendo em mente os \u2018preju\u00edzos\u2019 que o sistema-escola tem causado a in\u00fameras crian\u00e7as.<\/p>\n<p>    Outro dado importante que revela as preocupa\u00e7\u00f5es de Reich com a educa\u00e7\u00e3o foi a sua aproxima\u00e7\u00e3o, que duraria at\u00e9 o fim de sua vida, com aquele que se tornou seu amigo: o educador A.S.Neil, fundador da escola de Summerhill, na Inglaterra, no per\u00edodo que durou entre 1936 a 1957. Neil tinha um projeto educacional cujos princ\u00edpios eram similares ao que Reich denominava de auto-regula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>    Segundo Paulo Albertini,<br \/>    Reich est\u00e1 mergulhado na ampla quest\u00e3o da sexualidade humana e sua vis\u00e3o de educa\u00e7\u00e3o em nenhum momento separa-se desse \u00e2mbito. A vis\u00e3o de educa\u00e7\u00e3o de Reich faz parte de um conjunto maior, de um combate cultural mais amplo, e n\u00e3o se restringe, portanto, ao \u00e2mbito da educa\u00e7\u00e3o feita na escola.<\/p>\n<p>    Segundo a educadora Mota, para Wilhelm Reich, a educa\u00e7\u00e3o deveria se preocupar em destruir as coura\u00e7as caracteriais, e ainda, aprender a como evit\u00e1-las. Essa educadora diz que<\/p>\n<p>    \u201cQuanto ao processo de preven\u00e7\u00e3o das coura\u00e7as, surge a esperan\u00e7a de um processo educacional que trabalhe as caracter\u00edsticas b\u00e1sicas do conflito entre as express\u00f5es emocionais inatas da crian\u00e7a e as caracter\u00edsticas pr\u00f3prias \u00e0 estrutura mecanizada do homem. O educador precisa aprender a interpretar a linguagem das express\u00f5es emocionais naturais da crian\u00e7a e aprender a lidar com o meio social, restrito e amplo, na medida em que este se op\u00f5e a essas express\u00f5es. \u00c9 necess\u00e1rio, portanto, quebrar os bloqueios, deixar a bioenergia voltar a fluir livremente e assim aumentar a motilidade do homem, que conseq\u00fcentemente resolver\u00e1 muitos problemas decorrentes da in\u00e9rcia no pensamento e na a\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>    Essa mesma educadora acrescenta que, para Reich, uma boa educa\u00e7\u00e3o vai depender da sa\u00fade do educador, ou seja, do seu bom estado emocional, pois s\u00e3o as patologias do educador, produtoras de frustra\u00e7\u00f5es desnecess\u00e1rias no educando. Se o educador n\u00e3o interferir de forma inadequada, n\u00e3o produzir\u00e1 patologias nas crian\u00e7as.<\/p>\n<p>    Em outras palavras, Mota diz que, para Reich,<br \/>    \u201ca tarefa b\u00e1sica e soberana de toda a educa\u00e7\u00e3o dirigida ao interesse da crian\u00e7a (&#8230;) \u00e9 remover todo o obst\u00e1culo do caminho desta produtividade e plasticidade da energia biol\u00f3gica naturalmente dada. Estas crian\u00e7as escolher\u00e3o seu pr\u00f3prio modo de ser (&#8230;) devemos aprender com elas ao inv\u00e9s de impor-lhes nossas id\u00e9ias (&#8230;) e nossa tarefa \u00e9 proteger sua for\u00e7a natural para que elas possam fazer isso&#8230;\u201d<\/p>\n<p>    Alexander Lowen nosso muito estimado criador da An\u00e1lise Bioenerg\u00e9tica, \u00e9 um psicoterapeuta not\u00e1vel que fez sua forma\u00e7\u00e3o inicial com Reich, e que traz contribui\u00e7\u00f5es significativas para pensarmos e agirmos com as crian\u00e7as em termos de educa\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o humana. Especialmente em seu livro \u201cO corpo em depress\u00e3o\u201d discute o conflito e a rela\u00e7\u00e3o entre amor e disciplina, dando contribui\u00e7\u00f5es para pensarmos uma perspectiva educacional, na fam\u00edlia e na escola, com base na compreens\u00e3o e no amor.<\/p>\n<p>    Para Alexander Lowen, os educadores que melhor educam as crian\u00e7as s\u00e3o aquelas que desenvolvem seu potencial criativo e sua capacidade de compreens\u00e3o. Em suas palavras temos:<br \/>    A pessoa criativa tem bons sentimentos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s crian\u00e7as, pois reconhece a afinidade de seu esp\u00edrito com o delas. Alegra-se com as crian\u00e7as, tanto suas como as dos outros, porque toda crian\u00e7a \u00e9 um novo ser cujos entusiasmos colocam excita\u00e7\u00e3o nas vidas. Compartilha com as crian\u00e7as os seus prazeres, pois assim aumenta seu pr\u00f3prio prazer. Quer que toda crian\u00e7a conhe\u00e7a a alegria de viver que flui espontaneamente quando h\u00e1 liberdade para a manifesta\u00e7\u00e3o dos impulsos naturais. Conheceu essa alegria. N\u00e3o pode ver uma crian\u00e7a magoada sem sentir dor, pois tamb\u00e9m, em seu cora\u00e7\u00e3o, \u00e9 uma crian\u00e7a.\u201d<\/p>\n<p>    E por falar em cora\u00e7\u00e3o, vale citar mais uma vez Alexander Lowen. em seu livro \u201cAmor, sexo e seu cora\u00e7\u00e3o\u201d. Ele diz que \u201cNo cora\u00e7\u00e3o ainda somos crian\u00e7as\u201d e cita um prov\u00e9rbio alem\u00e3o que indica que A crian\u00e7a \u00e9 toda cora\u00e7\u00e3o. Segundo Lowen, o ser humano passa por est\u00e1gios de desenvolvimento. Esses est\u00e1gios s\u00e3o como camadas, cada uma delas permanecendo viva e funcionando na pessoa adulta, acrescendo alguma qualidade especial ao conjunto toda da pessoa humana. As qualidades de cada est\u00e1gio s\u00e3o resumidas por ele, da seguinte forma:<\/p>\n<p>    Beb\u00ea idade 0 \u2013 2 = amor e estado de gra\u00e7a<br \/>    Crian\u00e7a idade 3 \u2013 6 = ludicidade e alegria<br \/>    Menino\/ Menina idade 7 \u2013 12 = aventuras e desafios<br \/>    Jovem idade 13 \u2013 19 = romance e \u00eaxtase<br \/>    Adulto idade 20 em diante = responsabilidade e realiza\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>    Segundo Lowen, o crescimento que est\u00e1 sendo considerado \u00e9 o desenvolvimento e a expans\u00e3o da consci\u00eancia pois cada camada representa uma apreens\u00e3o consciente diversa, de si mesma e do mundo. Este autor ainda nos esclarece que a consci\u00eancia n\u00e3o \u00e9 uma parte isolada da personalidade, \u00e9 uma fun\u00e7\u00e3o do organismo todo, um aspecto do corpo vivo. Desenvolve-se em rela\u00e7\u00e3o ao crescimento do corpo f\u00edsica, emocional e psicologicamente.<\/p>\n<p>    No que diz respeito ao est\u00e1gio Crian\u00e7a, per\u00edodo em que o ser humano vive a ludicidade, percebi como importante o que nos aponta Lowen:<br \/>    A ludicidade, de fato, come\u00e7a na primeira inf\u00e2ncia mas n\u00e3o se torna uma atividade consciente antes da meninice. Tampouco cessa nessa \u00e9poca. Sendo o crescimento livre e desimpedido, conservamos nossa capacidade de brincar vida afora, embora a ludicidade n\u00e3o seja o modo predominante de comportamento na maturidade como foi na inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p>    O reconhecimento de cada desses est\u00e1gios \u00e9 importante para a forma\u00e7\u00e3o de um adulto saud\u00e1vel. A An\u00e1lise Bioenerg\u00e9tica deseja contribuir para esse desenvolvimento. De novo o mestre Lowen ajuda-nos a compreender o que seria o adulto saud\u00e1vel:<\/p>\n<p>    O adulto saud\u00e1vel \u00e9 o total integrado de diferentes est\u00e1gios; um beb\u00ea no cora\u00e7\u00e3o; uma crian\u00e7a, na imagina\u00e7\u00e3o; um garotinho quanto ao seu esp\u00edrito de aventura; e um rapaz em suas aspira\u00e7\u00f5es rom\u00e2nticas. Como adulto, tamb\u00e9m est\u00e1 ciente das conseq\u00fc\u00eancias de suas a\u00e7\u00f5es e est\u00e1 preparado para assumir responsabilidades por elas. Contudo, se tiver perdido o contato com as primeiras camadas de sua personalidade, ser\u00e1 uma pessoa est\u00e9ril, compulsiva, r\u00edgida cuja responsabilidade representar\u00e1 mais uma obriga\u00e7\u00e3o imposta que um desejo natural.<br \/>    Somente as pessoas realizadas e satisfeitas em cada um dos est\u00e1gios iniciais chegam na etapa adulta com personalidades integradas.<\/p>\n<p>    V\u00e9ronique Girard e Marie Joseph Chalvin, educadoras francesas contempor\u00e2neas, denunciam que a escola e o professor transformam o aluno num \u201canimal so-cial\u201d. Eles lhes transmitem condicionamentos \u00fateis \u00e0 adapta\u00e7\u00e3o ao ambiente. No entanto, para essas estudiosas, alguns desses condicionamentos s\u00e3o, infelizmente, impr\u00f3prios do ponto de vista dos objetivos visados. Numerosos alunos excessivamente centrados na postura e na posi\u00e7\u00e3o imposta pela escola, mostram-se muitas vezes incapazes de se fixar, de se concentrar e de se centrar numa tarefa ou objetivo: eles n\u00e3o chegam ent\u00e3o a adquirir as aprendizagens necess\u00e1rias para progredir no conhecimento e no saber.<\/p>\n<p>    A transforma\u00e7\u00e3o do aluno num animal \u201cso-cial\u201d, me lembra a p\u00e9rola do pensamento de Wilhelm Reich: s\u00f3 quando o homem reconhecer que ele \u00e9 fundamentalmente um animal, ele ser\u00e1 capaz de criar uma verdadeira cultura. A meu ver, esses dizeres indicam que, em geral, a nossa cultura escolar n\u00e3o \u00e9 uma verdadeira cultura. Isso porque n\u00e3o est\u00e1 a favor do ser humano pois lhe prejudica a sua curiosidade natural para aprender. Acredito que a presen\u00e7a da Bioenerg\u00e9tica na escola pode contribuir para o resgate da fun\u00e7\u00e3o educativa natural em crian\u00e7as e educadores.<\/p>\n<p>    Diante dessa situa\u00e7\u00e3o apresentada, essas educadoras francesas perguntam: como seria uma escola que favorecesse o movimento do aluno, que lhe permitisse explorar o espa\u00e7o f\u00edsico, que reconhecesse as altern\u00e2ncias do visto e do oculto, do sobre e do sob, do alto e do baixo, do dentro e do fora, do repouso e da atividade, da retra\u00e7\u00e3o e do envolvimento \u2013 isto \u00e9, uma pedagogia que reconhecesse a crian\u00e7a como individuo e n\u00e3o mais somente como aluno?<\/p>\n<p>    Portanto, tomando como refer\u00eancia os autores acima mencionados nesse texto, realizo encontros de Viv\u00eancias de Bioenerg\u00e9tica com crian\u00e7as e educadores contribuindo para que na escola se criem espa\u00e7os para um trabalho educacional integrado, onde todas as dimens\u00f5es do ser humano em forma\u00e7\u00e3o estejam sendo atendidas. Um trabalho em que alunos e educadores tenham um espa\u00e7o de express\u00e3o e manifesta\u00e7\u00e3o cat\u00e1rtica de seus sentimentos e emo\u00e7\u00f5es contribuindo assim com a preven\u00e7\u00e3o de seus encoura\u00e7amentos e neuroses.<\/p>\n<p>    Sabemos que no dia-a-dia da escola os professores, em geral, queixam-se das indisciplinas dos alunos quando se referem \u00e0 dificuldade de aten\u00e7\u00e3o, \u00e0 dificuldade de relacionamentos e intera\u00e7\u00f5es humanas no interior das salas de aula.<\/p>\n<p>    Por parte dos alunos, h\u00e1 os comportamentos cl\u00e1ssicos atrav\u00e9s dos quais eles se esquivam das aulas: as constantes queixas de \u201cdores de cabe\u00e7a\u201d, \u201cdores de barriga\u201d, \u201cfalta de ar\u201d e outros \u201cdesconfortos corporais\u201d s\u00e3o constantes e permitem que eles busquem maneiras de sair das situa\u00e7\u00f5es desprazerosas que existem em sala de aula, e se ausentem efetivamente das atividades a\u00ed propostas.<\/p>\n<p>    A partir do trabalho que venho experimentando com crian\u00e7as e educadores, sugiro enfaticamente, que n\u00e3o s\u00f3 as crian\u00e7as mas tamb\u00e9m os educadores possam participar de viv\u00eancias corporais atrav\u00e9s da bioenerg\u00e9tica &#8211; porque \u00e9 preciso resgatar a escola como um espa\u00e7o privilegiado para a realiza\u00e7\u00e3o de todas as possibilidades humanas; porque \u00e9 preciso fazer do processo educacional um exerc\u00edcio da inteireza em que educadores e alunos possam lidar com uma sabedoria pr\u00e1tica conjuntamente com os conhecimentos sistematizados que a escola tenta socializar; porque para lidar com a atual crise mundial em educa\u00e7\u00e3o \u00e9 preciso que cada educador se trabalhe na inst\u00e2ncia de sua subjetividade, de seu mundo interior, de modo que perceba que os conte\u00fados que compartilha com o aluno tem a ver tamb\u00e9m com a maneira como ele est\u00e1 diante do mundo. Acredito que, s\u00f3 assim, os educadores poder\u00e3o estar capacitados para formar, verdadeiramente, as personalidades integradas dos alunos.<\/p>\n<p>    Quando educadores e crian\u00e7as est\u00e3o se encontrando em sala de aula eles t\u00eam que se colocar como pessoas inteiras, com m\u00faltiplas dimens\u00f5es. Isso n\u00e3o tem sido muito considerado na forma\u00e7\u00e3o dos professores. Nossa cultura de forma\u00e7\u00e3o valoriza por demais a dimens\u00e3o livresca, letrada e racionalista , menosprezando e n\u00e3o considerando que o educador, para ser inteiro, tem que se formar, tamb\u00e9m, na sua dimens\u00e3o f\u00edsica, emocional e espiritual. Assim, \u00e9 preciso resgatar a pessoa dos educadores que est\u00e3o envolvidos nesse processo, e quebrar a artificialidade que existe na pr\u00e1tica docente. \u00c9 preciso tornar o educador sens\u00edvel a si mesmo para estar sens\u00edvel ao outro. \u00abComo os educadores v\u00e3o conseguir energia para lutar por uma cultura de solidariedade se eles mesmos n\u00e3o estiverem inteiros?\u201d<\/p>\n<p>    O modelo tradicional de escola parou na transmiss\u00e3o de conte\u00fados. Na perspectiva transpessoal, o papel da escola \u00e9 trabalhar com os seres humanos em sua inteireza. \u00c9 preciso que, al\u00e9m de serem capazes de elaborar com compet\u00eancia os conte\u00fados, os educadores mergulhem corajosamente num processo de auto-explora\u00e7\u00e3o, autoconhecimento e transcend\u00eancia. \u00c9 preciso, tamb\u00e9m, que os educadores lutem pela transforma\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-social a partir da dimens\u00e3o subjetiva de seu pr\u00f3prio ser, de sua autotransforma\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m para lidar com as dificuldades de seus alunos \u00e9 necess\u00e1rio que o professor compreenda as din\u00e2micas da psique dentro de si mesmo e isso remete, novamente ao trabalho de autoconhecimento. Somente trabalhando seu ser no mundo das dimens\u00f5es corpo-mente-esp\u00edrito, o professor poder\u00e1 ajudar seus alunos a entenderem e resolverem seus problemas pessoais no processo ensino-aprendizagem, que deve estar em contato com a vida como um todo. Enfim, \u00e9 preciso despertar no educador a sua consci\u00eancia inteira que parte da sua consci\u00eancia corporal e s\u00f3 assim ele poder\u00e1 atender e respeitar a natureza corp\u00f3rea da crian\u00e7a, que \u00e9 extremamente cinest\u00e9sica e motora.<\/p>\n<p>    Nesse contexto, a pr\u00e1tica e atendimento \u00e0s crian\u00e7as e aos educadores, atrav\u00e9s das viv\u00eancias em Bioenerg\u00e9tica, feitas individualmente ou em grupo, surgem como uma tentativa e perspectiva de construir novos valores sociais que enfatizem a qualidade de vida e as rela\u00e7\u00f5es dos seres humanos consigo mesmos, com seus semelhantes e com a natureza .<\/p>\n<p>    Reiterando o exposto acima, percebo que na escola, parece que o corpo tem sido indevidamente considerado pelos professores como condi\u00e7\u00e3o b\u00e1sica para a aprendizagem escolar. Assim sendo, a escola de modo geral, n\u00e3o atende a uma s\u00e9rie de necessidades org\u00e2nicas e interesses funcionais\/naturais dos alunos por uma pr\u00e1tica escolar que considere a din\u00e2mica do corpo em todo o processo ensino-aprendizagem, em toda e qualquer disciplina escolar.<br \/>    Dessa forma, as viv\u00eancias corporais em bioenerg\u00e9tica &#8211; apresentadas numa perspectiva l\u00fadica \u2013 fazem parte de um conjunto de pr\u00e1ticas que visam contribuir com a qualidade de vida das crian\u00e7as e dos educadores, apresentando-se e constituindo-se como uma pr\u00e1tica corporal terap\u00eautica que tem, nos princ\u00edpios de carga-descarga\/tens\u00e3o-relaxamento e restitui\u00e7\u00e3o do fluxo energ\u00e9tico, as suas bases de organiza\u00e7\u00e3o e execu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>    Assim sendo, essas viv\u00eancias corporais na escola se voltam para o crescimento humano e o autoconhecimento, atrav\u00e9s de exerc\u00edcios, realizados de forma l\u00fadica, criativa, e n\u00e3o competitiva, que levam as crian\u00e7as e educadores a entrarem em contato com sua sensibilidade corporal e emocional. Nesse sentido, \u00e9 um trabalho preventivo contra o stress f\u00edsico e emocional que atinge as crian\u00e7as e os educadores que est\u00e3o diante de uma realidade escolar repressora, numa perspectiva banc\u00e1ria, como diria o saudoso e grande educador brasileiro, Paulo Freire .<\/p>\n<p>    Como se participa e como se vivencia a Bioenerg\u00e9tica na escola?<br \/>    As viv\u00eancias devem ser feitas com carinho, cuidado e interesse . S\u00e3o trabalhadas de forma que as crian\u00e7as e educadores entrem em contato com seu corpo, com sua natureza biol\u00f3gica, org\u00e2nica, com a percep\u00e7\u00e3o sensorial dos movimentos, sendo capazes de estarem atentos \u00e0 sua capacidade de auto-regula\u00e7\u00e3o. As viv\u00eancias n\u00e3o s\u00e3o perform\u00e1ticas e n\u00e3o visam \u00e0 competi\u00e7\u00e3o. S\u00e3o realizadas numa din\u00e2mica cooperativa, inclusiva e l\u00fadica porque visam o prazer do praticante. \u00c9 uma pr\u00e1tica corporal que tamb\u00e9m enfatiza a suavidade, a lentid\u00e3o, o relaxamento, a alegria, o prazer e a valoriza\u00e7\u00e3o da sensa\u00e7\u00e3o. S\u00e3o utilizados v\u00e1rios recursos materiais que auxiliam as din\u00e2micas dos movimentos mas a principal mat\u00e9ria prima \u00e9 o pr\u00f3prio corpo de cada um e de todos em conjunto.<\/p>\n<p>    As viv\u00eancias em bioenerg\u00e9tica s\u00e3o uma educa\u00e7\u00e3o de movimentos e posturas centrados nos processos energ\u00e9ticos, na sensibilidade e na coordena\u00e7\u00e3o neuromuscular. \u00c9 um trabalho com base na propriocep\u00e7\u00e3o, que \u00e9 a sensa\u00e7\u00e3o de si mesmo, sensibilidade muscular, sensibilidade articular e cinest\u00e9sica. Isso porque, segundo Jos\u00e9 \u00c2ngelo Gaiarsa, nosso aparelho locomotor n\u00e3o apenas faz ou executa; ele sente tudo o que faz e sabe tudo o que faz &#8211; pela propriocep\u00e7\u00e3o. \u00c9 ela que nos diz a cada momento e em todos os momentos qual a atitude ou postura em que nos encontramos e quais os gestos e movimentos que estamos executando.<br \/>    Educar a propriocep\u00e7\u00e3o \u00e9 ensinar a perceber as nossas inten\u00e7\u00f5es, tudo o que \u00e9 inconsciente para n\u00f3s e que se expressa em nossos maneirismos, no falar, no andar, no olhar e no se portar que expressam o interior de uma pessoa. Isso reflete o que afirmava Reich: o corpo \u00e9 o inconsciente vis\u00edvel.<\/p>\n<p>    Para Reich e Lowen, o corpo f\u00edsico n\u00e3o mente. Seu tom, cor, propor\u00e7\u00f5es, movimentos, tens\u00f5es e energia refletem uma estrutura de sinais que s\u00e3o uma linguagem clara para aqueles que observam e aprendem a l\u00ea-la .<\/p>\n<p>    Aprendemos sobre n\u00f3s mesmos tendo consci\u00eancia do nosso corpo porque, como nos diz Alexander Lowen, n\u00f3s somos o nosso corpo e nosso corpo \u00e9 nossa vida. As viv\u00eancias corporais e as viv\u00eancias de bioenerg\u00e9tica s\u00e3o uma pr\u00e1tica corporal que ajuda a melhorar a personalidade de cada um quando ensina a sentir as inten\u00e7\u00f5es, coordenando melhor os gestos e as express\u00f5es que se tornam cada vez mais graciosos, espont\u00e2neos e suaves. Assim, alcan\u00e7amos, atrav\u00e9s da restitui\u00e7\u00e3o do fluxo energ\u00e9tico, a vitalidade corporal, base para a espiritualidade do ser humano.<\/p>\n<p>    Enfim, minha inten\u00e7\u00e3o foi a de mostrar a contribui\u00e7\u00e3o da Bioenerg\u00e9tica para a constru\u00e7\u00e3o de uma forma\u00e7\u00e3o humana baseada em princ\u00edpios educacionais centrados na auto-regula\u00e7\u00e3o, no desencoura\u00e7amento, na restitui\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o do fluxo energ\u00e9tico, na constru\u00e7\u00e3o de uma cultura escolar que esteja integrada \u00e0 dimens\u00e3o da natureza humana, permitindo uma educa\u00e7\u00e3o preventiva, para educandos e educadores, se constitu\u00edrem cada vez mais como sujeitos harmonizados, saud\u00e1veis e felizes.<\/p>\n<p>    BIBLIOGRAFIA:<br \/>    ALBERTINI, Paulo. Reich: hist\u00f3ria das id\u00e9ias e formula\u00e7\u00f5es para a educa\u00e7\u00e3o. \u00c1gora, 1994.<br \/>    ALVES, Rubem. 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