{"id":1146,"date":"2016-06-14T18:30:34","date_gmt":"2016-06-14T21:30:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.analisebioenergetica.com\/site\/?p=1146"},"modified":"2016-06-14T18:30:34","modified_gmt":"2016-06-14T21:30:34","slug":"o-imperio-do-consumo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/o-imperio-do-consumo\/","title":{"rendered":"O Imp\u00e9rio do Consumo"},"content":{"rendered":"<div id=\"fb-root\"><\/div>\n<p>A explos\u00e3o do consumo no mundo atual faz mais barulho do que todas as guerras e mais algazarra do que todos os carnavais. Como diz um velho prov\u00e9rbio turco, aquele que bebe a conta, fica b\u00eabado em dobro. A gandaia aturde e anuvia o olhar; esta grande bebedeira universal parece n\u00e3o ter limites no tempo nem no espa\u00e7o.<\/p>\n<p>Mas a cultura de consumo faz muito barulho, assim como o tambor, porque est\u00e1 vazia; e na hora da verdade, quando o estrondo cessa e acaba a festa, o b\u00eabado acorda, sozinho, acompanhado pela sua sombra\u00a0e pelos pratos quebrados que deve pagar. A expans\u00e3o da demanda se choca com as fronteiras impostas pelo mesmo sistema que a gera. O sistema precisa de mercados cada vez mais abertos e mais amplos tanto\u00a0quanto os pulm\u00f5es precisam de ar e, ao mesmo tempo, requer que estejam no ch\u00e3o, como est\u00e3o, os pre\u00e7os das mat\u00e9rias primas e da for\u00e7a de trabalho humana. O sistema fala em nome de todos, dirige a todos suas imperiosas ordens de consumo, entre todos espalha a febre compradora; mas n\u00e3o tem jeito: para quase todo o mundo esta aventura come\u00e7a e termina na telinha da TV. A maioria, que contrai d\u00edvidas para ter coisas, termina tendo apenas d\u00edvidas para pagar suas d\u00edvidas que geram novas d\u00edvidas, e acaba consumindo fantasias que, \u00e0s vezes, materializa cometendo delitos. O direito ao desperd\u00edcio, privil\u00e9gio de poucos, afirma ser a liberdade de todos.<\/p>\n<p>Dize-me quanto consomes e te direi quanto vales. Esta civiliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o deixa as flores dormirem, nem as galinhas, nem as pessoas. Nas estufas, as flores est\u00e3o expostas \u00e0 luz cont\u00ednua, para fazer com que cres\u00e7am mais rapidamente. Nas f\u00e1bricas de ovos, a noite tamb\u00e9m est\u00e1 proibida para as galinhas. E as pessoas est\u00e3o condenadas \u00e0 ins\u00f4nia, pela ansiedade de comprar e pela ang\u00fastia de pagar. Este modo de vida n\u00e3o \u00e9 muito bom para as pessoas, mas \u00e9 muito bom para a ind\u00fastria farmac\u00eautica. Os EUA consomem metade dos calmantes, ansiol\u00edticos e demais drogas qu\u00edmicas que s\u00e3o vendidas legalmente no mundo; e mais da metade das drogas proibidas que s\u00e3o vendidas ilegalmente, o que n\u00e3o \u00e9 uma coisinha \u00e0-toa quando se leva em conta que os EUA contam com apenas cinco por cento da popula\u00e7\u00e3o mundial.<\/p>\n<p>\u00abGente infeliz, essa que vive se comparando\u00bb, lamenta uma mulher no bairro de Buceo, em Montevid\u00e9u. A dor de j\u00e1 n\u00e3o ser, que outrora cantava o tango, deu lugar \u00e0 vergonha de n\u00e3o ter. Um homem pobre \u00e9 um pobre homem. \u00abQuando n\u00e3o tens nada, pensas que n\u00e3o vales nada\u00bb, diz um rapaz no bairro Villa Fiorito, em Buenos Aires. E outro confirma, na cidade dominicana de San Francisco de Macor\u00eds: \u00abMeus irm\u00e3os trabalham para as marcas. Vivem comprando etiquetas, e vivem suando feito loucos para pagar as presta\u00e7\u00f5es\u00bb.<\/p>\n<p>Invis\u00edvel viol\u00eancia do mercado: a diversidade \u00e9 inimiga da rentabilidade, e a uniformidade \u00e9 que manda. A produ\u00e7\u00e3o em s\u00e9rie, em escala gigantesca, imp\u00f5e em todas partes suas pautas obrigat\u00f3rias de consumo. Esta ditadura da uniformiza\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria \u00e9 mais devastadora do que qualquer ditadura do partido \u00fanico: imp\u00f5e, no mundo inteiro, um modo de vida que reproduz seres humanos como fotoc\u00f3pias do consumidor exemplar.<\/p>\n<p>O consumidor exemplar \u00e9 o homem quieto. Esta civiliza\u00e7\u00e3o, que confunde quantidade com qualidade, confunde gordura com boa alimenta\u00e7\u00e3o. Segundo a revista cient\u00edfica\u00a0<i>The Lancet<\/i>, na \u00faltima d\u00e9cada a \u00abobesidade m\u00f3rbida\u00bb aumentou quase 30% entre a\u00a0popula\u00e7\u00e3o jovem dos pa\u00edses mais desenvolvidos. Entre as crian\u00e7as norte-americanas, a obesidade aumentou 40% nos \u00faltimos dezesseis anos, segundo pesquisa recente do Centro de Ci\u00eancias da Sa\u00fade da Universidade do Colorado. O pa\u00eds que inventou as comidas e bebidas light, os diet food e os alimentos fat free, tem a maior quantidade de gordos do mundo. O consumidor exemplar desce do carro s\u00f3 para trabalhar e para assistir televis\u00e3o. Sentado na frente da telinha, passa quatro horas por dia devorando comida pl\u00e1stica.<\/p>\n<p>Vence o lixo fantasiado de comida: essa ind\u00fastria est\u00e1 conquistando os paladares do mundo e est\u00e1 demolindo as tradi\u00e7\u00f5es da cozinha local. Os costumes do bom comer, que v\u00eam de longe, contam, em alguns pa\u00edses, milhares de anos de refinamento e diversidade e constituem um patrim\u00f4nio coletivo que, de algum modo, est\u00e1 nos fog\u00f5es de todos e n\u00e3o apenas na mesa dos ricos. Essas tradi\u00e7\u00f5es, esses sinais de identidade cultural, essas festas da vida, est\u00e3o sendo esmagadas, de modo fulminante, pela imposi\u00e7\u00e3o do saber qu\u00edmico e \u00fanico: a globaliza\u00e7\u00e3o do hamb\u00farguer, a ditadura do fast food. A plastifica\u00e7\u00e3o da comida em escala mundial, obra do McDonald\u00b4s, do Burger King e de outras f\u00e1bricas, viola com sucesso o direito \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o da cozinha: direito sagrado, porque na boca a alma tem uma das suas portas.<\/p>\n<p>A Copa do Mundo de futebol de 1998 confirmou para n\u00f3s, entre outras coisas, que o cart\u00e3o MasterCard tonifica os m\u00fasculos, que a Coca-Cola proporciona eterna juventude e que o card\u00e1pio do McDonald\u00b4s\u00a0n\u00e3o pode faltar na barriga de um bom atleta. O imenso ex\u00e9rcito do McDonald\u00b4s dispara hamb\u00fargueres nas bocas das crian\u00e7as e dos adultos no planeta inteiro. O duplo arco dessa M serviu como estandarte, durante a recente conquista dos pa\u00edses do Leste Europeu.<\/p>\n<p>As filas na frente do McDonald\u00b4s de Moscou, inaugurado em 1990 com bandas e fanfarras, simbolizaram a vit\u00f3ria do Ocidente com tanta eloq\u00fc\u00eancia quanto a queda do Muro de Berlim. Um sinal dos tempos: essa empresa, que encarna as virtudes do mundo livre, nega aos seus empregados a liberdade de filiar-se a qualquer sindicato. O McDonald\u00b4s viola, assim, um direito legalmente consagrado nos muitos pa\u00edses onde opera. Em 1997, alguns trabalhadores, membros disso que a empresa chama de Macfam\u00edlia, tentaram sindicalizar-se em um restaurante de Montreal, no Canad\u00e1: o restaurante fechou. Mas, em 98, outros empregados do McDonald\u00b4s, em uma pequena cidade pr\u00f3xima a Vancouver, conseguiram essa conquista, digna do Guinness.<\/p>\n<p>As massas consumidoras recebem ordens em um idioma universal: a publicidade conseguiu aquilo que o esperanto quis e n\u00e3o p\u00f4de.<\/p>\n<p>Qualquer um entende, em qualquer lugar, as mensagens que a televis\u00e3o transmite. No \u00faltimo quarto de s\u00e9culo, os gastos em propaganda dobraram no mundo todo. Gra\u00e7as a isso, as crian\u00e7as pobres bebem cada vez mais Coca-Cola e cada vez menos leite e o tempo de lazer vai se tornando tempo de consumo obrigat\u00f3rio. Tempo livre, tempo prisioneiro: as casas muito pobres n\u00e3o t\u00eam cama, mas t\u00eam televis\u00e3o, e a televis\u00e3o est\u00e1 com a palavra. Comprado em presta\u00e7\u00f5es, esse animalzinho \u00e9 uma prova da voca\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica do progresso: n\u00e3o escuta ningu\u00e9m, mas fala para todos.<\/p>\n<p>Pobres e ricos conhecem, assim, as qualidades dos autom\u00f3veis do \u00faltimo modelo, e pobres e ricos ficam sabendo das vantajosas taxas de juros que tal ou qual banco oferece. Os especialistas sabem transformar as\u00a0mercadorias em m\u00e1gicos conjuntos contra a solid\u00e3o. As coisas possuem atributos humanos: acariciam, fazem companhia, compreendem, ajudam, o perfume te beija e o carro \u00e9 o amigo que nunca falha. A cultura do\u00a0consumo fez da solid\u00e3o o mais lucrativo dos mercados.<\/p>\n<p>Os buracos no peito s\u00e3o preenchidos enchendo-os de coisas, ou sonhando com fazer isso. E as coisas n\u00e3o s\u00f3 podem abra\u00e7ar: elas tamb\u00e9m podem ser s\u00edmbolos de ascens\u00e3o social, salvo-condutos para atravessar as\u00a0alf\u00e2ndegas da sociedade de classes, chaves que abrem as portas proibidas. Quanto mais exclusivas, melhor: as coisas escolhem voc\u00ea e salvam voc\u00ea do anonimato das multid\u00f5es. A publicidade n\u00e3o informa sobre o produto que vende, ou faz isso muito raramente. Isso \u00e9 o que menos importa. Sua fun\u00e7\u00e3o primordial consiste em compensar frustra\u00e7\u00f5es e alimentar fantasias. Comprando este creme de barbear, voc\u00ea quer se transformar em quem?<\/p>\n<p>O criminologista Anthony Platt observou que os delitos das ruas n\u00e3o s\u00e3o fruto somente da extrema pobreza. Tamb\u00e9m s\u00e3o fruto da \u00e9tica individualista. A obsess\u00e3o social pelo sucesso, diz Platt, incide decisivamente sobre a apropria\u00e7\u00e3o ilegal das coisas. Eu sempre ouvi\u00a0dizer que o dinheiro n\u00e3o tr\u00e1s felicidade; mas qualquer pobre que assista televis\u00e3o tem motivos de sobra para acreditar que o dinheiro tr\u00e1s algo t\u00e3o parecido que a diferen\u00e7a \u00e9 assunto para especialistas.<\/p>\n<p>Segundo o historiador Eric Hobsbawm, o s\u00e9culo XX marcou o fim de sete mil anos de vida humana centrada na agricultura, desde que apareceram os primeiros cultivos, no final do paleol\u00edtico. A popula\u00e7\u00e3o mundial torna-se urbana, os camponeses tornam-se cidad\u00e3os. Na Am\u00e9rica Latina temos campos sem ningu\u00e9m e enormes formigueiros urbanos: as maiores cidades do mundo, e as mais injustas. Expulsos pela agricultura moderna de exporta\u00e7\u00e3o e pela eros\u00e3o das suas terras, os camponeses invadem os sub\u00farbios. Eles acreditam que Deus est\u00e1 em todas partes, mas por experi\u00eancia pr\u00f3pria sabem que atende nos grandes centros urbanos.<\/p>\n<p>As cidades prometem trabalho, prosperidade, um futuro para os filhos. Nos campos, os esperadores olham a vida passar, e morrem bocejando; nas cidades, a vida acontece e chama. Amontoados em corti\u00e7os, a primeira coisa que os rec\u00e9m chegados descobrem \u00e9 que o trabalho falta e os bra\u00e7os sobram, que nada \u00e9 de gra\u00e7a e que os artigos de luxo mais caros s\u00e3o o ar e o sil\u00eancio.<\/p>\n<p>Enquanto o s\u00e9culo XIV nascia, o padre Giordano da Rivalto pronunciou, em Floren\u00e7a, um elogio das cidades. Disse que as cidades cresciam \u00abporque as pessoas sentem gosto em juntar-se\u00bb. Juntar-se, encontrar-se. Mas, quem encontra com quem? A esperan\u00e7a encontra-se com a realidade? O desejo, encontra-se com o mundo? E as pessoas, encontram-se com as pessoas?Se as rela\u00e7\u00f5es humanas foram reduzidas a rela\u00e7\u00f5es entre coisas, quanta gente encontra-se com as coisas?<\/p>\n<p>O mundo inteiro tende a transformar-se em uma grande tela de televis\u00e3o, na qual as coisas se olham mas n\u00e3o se tocam. As mercadorias em oferta invadem e privatizam os espa\u00e7os p\u00fablicos.<\/p>\n<p>Os terminais de \u00f4nibus e as esta\u00e7\u00f5es de trens, que at\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s eram espa\u00e7os de encontro entre pessoas, est\u00e3o se transformando, agora, em espa\u00e7os de exibi\u00e7\u00e3o comercial. O shopping center, o centro comercial, vitrine de todas as vitrines, imp\u00f5e sua presen\u00e7a esmagadora. As multid\u00f5es concorrem, em peregrina\u00e7\u00e3o, a esse templo maior das missas do consumo. A maioria dos devotos contempla, em \u00eaxtase, as coisas que seus bolsos n\u00e3o podem pagar, enquanto a minoria compradora \u00e9 submetida ao bombardeio da oferta incessante e extenuante. A multid\u00e3o, que sobe e desce pelas escadas mec\u00e2nicas, viaja pelo mundo: os manequins vestem como em Mil\u00e3o ou Paris e as m\u00e1quinas soam como em Chicago; e para ver e ouvir n\u00e3o \u00e9 preciso pagar passagem. Os turistas vindos das cidades do interior, ou das cidades que ainda n\u00e3o mereceram estas benesses da felicidade moderna, posam para a foto, aos p\u00e9s das marcas internacionais mais famosas, tal e como antes posavam aos p\u00e9s da est\u00e1tua do pr\u00f3cer na pra\u00e7a.<\/p>\n<p>Beatriz Solano observou que os habitantes dos bairros suburbanos v\u00e3o ao center, ao shopping center, como antes iam at\u00e9 o centro. O tradicional passeio do fim-de-semana at\u00e9 o centro da cidade tende a ser substitu\u00eddo pela excurs\u00e3o at\u00e9 esses centros urbanos. De banho\u00a0tomado, arrumados e penteados, vestidos com suas melhores galas, os visitantes v\u00eam para uma festa \u00e0 qual n\u00e3o foram convidados, mas podem olhar tudo. Fam\u00edlias inteiras empreendem a viagem na c\u00e1psula\u00a0espacial que percorre o universo do consumo, onde a est\u00e9tica do mercado desenhou uma paisagem alucinante de modelos, marcas e etiquetas.<\/p>\n<p>A cultura do consumo, cultura do ef\u00eamero, condena tudo \u00e0 descartabilidade midi\u00e1tica. Tudo muda no ritmo vertiginoso da moda, colocada \u00e0 servi\u00e7o da necessidade de vender. As coisas envelhecem num piscar de olhos, para serem substitu\u00eddas por outras coisas de vida fugaz. Hoje, quando o \u00fanico que permanece \u00e9 a inseguran\u00e7a, as mercadorias, fabricadas para n\u00e3o durar, s\u00e3o t\u00e3o vol\u00e1teis quanto o capital que as financia e o trabalho que as gera. O dinheiro voa na velocidade da luz: ontem estava l\u00e1, hoje est\u00e1 aqui, amanh\u00e3 quem sabe onde, e todo trabalhador \u00e9 um desempregado em potencial.<\/p>\n<p>Paradoxalmente, os shoppings centers, reinos da fugacidade, oferecem a mais bem-sucedida ilus\u00e3o de seguran\u00e7a. Eles resistem fora do tempo, sem idade e sem raiz, sem noite e sem dia e sem mem\u00f3ria, e\u00a0existem fora do espa\u00e7o, al\u00e9m das turbul\u00eancias da perigosa realidade do mundo.<\/p>\n<p>Os donos do mundo usam o mundo como se fosse descart\u00e1vel: uma mercadoria de vida ef\u00eamera, que se esgota assim como se esgotam, pouco depois de nascer, as imagens disparadas pela metralhadora da\u00a0televis\u00e3o e as modas e os \u00eddolos que a publicidade lan\u00e7a, sem pausa, no mercado. Mas, para qual outro mundo vamos nos mudar? Estamos todos obrigados a acreditar na historinha de que Deus vendeu o planeta para umas poucas empresas porque, estando de mau humor, decidiu privatizar o universo? A sociedade de consumo \u00e9 uma armadilha para pegar bobos.<\/p>\n<p>Aqueles que comandam o jogo fazem de conta que n\u00e3o sabem disso, mas qualquer um que tenha olhos na cara pode ver que a grande maioria das pessoas consome pouco, pouquinho e nada, necessariamente, para garantir a exist\u00eancia da pouca natureza que nos resta. A injusti\u00e7a social n\u00e3o \u00e9 um erro por corrigir, nem um defeito por superar: \u00e9 uma necessidade essencial. N\u00e3o existe natureza capaz de alimentar um shopping center do tamanho do planeta.<\/p>\n<p><strong>Eduardo Galeno<\/strong><\/p>\n<p><i>Tradu\u00e7\u00e3o: Verso Tradutores<\/i><\/p>\n<p>Fonte:\u00a0http:\/\/cartamaior.com.br\/?\/Blog\/Blog-do-Emir\/Eduardo-Galeano-e-o-imperio-do-consumo\/2\/24179<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A explos\u00e3o do consumo no mundo atual faz mais barulho do que todas as guerras e mais algazarra do que todos os carnavais. 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