{"id":113,"date":"2011-01-11T02:13:00","date_gmt":"2011-01-11T02:13:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.analisebioenergetica.com\/site\/?p=113"},"modified":"2011-01-11T02:13:00","modified_gmt":"2011-01-11T02:13:00","slug":"acompanhamento-terapeutico-sob-o-enfoque-da-psicoterapia-corporal-uma-clinica-em-construcao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/acompanhamento-terapeutico-sob-o-enfoque-da-psicoterapia-corporal-uma-clinica-em-construcao\/","title":{"rendered":"ACOMPANHAMENTO TERAP\u00caUTICO SOB O ENFOQUE DA PSICOTERAPIA CORPORAL: UMA CL\u00cdNICA EM CONSTRU\u00c7\u00c3O"},"content":{"rendered":"<div id=\"fb-root\"><\/div>\n<p>    8 &#8211; T\u00edtulo do trabalho<br \/>    ACOMPANHAMENTO TERAP\u00caUTICO SOB O ENFOQUE DA PSICOTERAPIA CORPORAL: UMA CL\u00cdNICA EM CONSTRU\u00c7\u00c3O<\/p>\n<p>Ana Celeste de Ara\u00fajo Piti\u00e1<br \/>Doutora pelo Programa Interunidades de Doutoramento da Escola de Enfermagem da USP &#8211; Ribeir\u00e3o Preto \u2013 SP; Mestra em Enfermagem Psiqui\u00e1trica pela Escola de Enfermagem da USP- Ribeir\u00e3o Preto, Psicoterapeuta Corporal Neo-Reichiana, com forma\u00e7\u00e3o no Instituto Neo-Reichiano Lumen de Ribeir\u00e3o Preto, Treinee internacional em An\u00e1lise Bioenerg\u00e9tica pelo The International Institute for Bioenergetic Analysis Su\u00ed\u00e7a (4\u00ba ano), atrav\u00e9s da Sociedade de An\u00e1lise Bioenerg\u00e9tica Lumen de Ribeir\u00e3o Preto. Curso de Acompanhante Terap\u00eautico &#8211; 1997.<\/p>\n<p>Manoel Ant\u00f4nio dos Santos<br \/>Psic\u00f3logo, Doutor pelo Instituto de Psicologia da Universidade de S\u00e3o Paulo pelo Instituto de Psicologia da Universidade de S\u00e3o Paulo, Mestre em Psicologia Cl\u00ednica pelo Instituto de Psicologia da Universidade de S\u00e3o Paulo, Professor Doutor na FFCLRP-USP Ribeir\u00e3o Preto (Departamento de Psicologia e Educa\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>    RESUMO<br \/>    O prop\u00f3sito deste trabalho \u00e9 apresentar uma s\u00edntese da Tese de Doutorado defendida em 2002 pela primeira autora, sob a orienta\u00e7\u00e3o do segundo autor, junto \u00e0 Escola de Enfermagem de Ribeir\u00e3o Preto, da Universidade de S\u00e3o Paulo. Neste estudo, propomos pensar a cl\u00ednica do Acompanhamento Terap\u00eautico (AT) como uma pr\u00e1tica de atendimento que acompanha a pessoa em dificuldade de rela\u00e7\u00e3o psicossocial no lugar em que ela esteja, seja em casa, na escola, no trabalho, nas ruas ou shoppings, etc. O objetivo terap\u00eautico \u00e9 romper seu isolamento e exclus\u00e3o do conv\u00edvio social. Os clientes podem ser portadores de transtornos ou defici\u00eancias mentais, ou outras condi\u00e7\u00f5es que demandem esse tipo de atendimento. Trata-se de uma cl\u00ednica extra-muros, isto \u00e9, que se d\u00e1 fora dos hospitais, consult\u00f3rios e cl\u00ednicas, servindo de apoio a esses servi\u00e7os. \u00c9 a chamada cl\u00ednica da cidade, em que acompanhante terap\u00eautico (at) e acompanhado (cliente) percorrem os espa\u00e7os comunit\u00e1rios poss\u00edveis no alcance do objetivo da ressocializa\u00e7\u00e3o, processando o v\u00ednculo terap\u00eautico que se estabelece na rela\u00e7\u00e3o entre ambos. Uma caracter\u00edstica dessa pr\u00e1tica \u00e9 a possibilidade de ser referenciada teoricamente por m\u00faltiplos olhares. No presente estudo, o enfoque da psicoterapia corporal, mediante o conceito da auto-regula\u00e7\u00e3o proposto por Wilhelm Reich, coloca luz na an\u00e1lise dos acompanhamentos. Como objeto de estudo temos a quest\u00e3o: de que maneira pode ser praticada a cl\u00ednica do Acompanhamento Terap\u00eautico, em seu processo de constru\u00e7\u00e3o, tendo em vista o enfoque da psicoterapia corporal, objetivando a auto-regula\u00e7\u00e3o social do cliente acompanhado? Dentro do quadro referencial privilegiado, pretendemos contribuir para a amplia\u00e7\u00e3o do campo de reflex\u00e3o sobre a pr\u00e1tica cl\u00ednica do AT, abrindo espa\u00e7o para outras discuss\u00f5es e novas possibilidades da a\u00e7\u00e3o do profissional de sa\u00fade. Valendo-se da descri\u00e7\u00e3o de um atendimento em AT, ser\u00e1 discutido o conceito de movimento, configurado pelo ato de acompanhar, corporalmente, o portador do sofrimento ps\u00edquico e que se torna parte integrante dessa cl\u00ednica extra-muros. O ato de acompanhar j\u00e1 guarda, em si, uma dimens\u00e3o corporal, que se estabelece na condu\u00e7\u00e3o dos atendimentos a partir dos corpos do acompanhante e do acompanhado, dispostos lado a lado no contexto vivo da intera\u00e7\u00e3o que se instaura na cl\u00ednica do AT. A auto-regula\u00e7\u00e3o social dos acompanhados pode ser vista e considerada a partir do resgate de suas potencialidades no manejo dos desafios da vida cotidiana e da retomada de suas rela\u00e7\u00f5es no trabalho e na fam\u00edlia.<\/p>\n<p>    Introdu\u00e7\u00e3o<br \/>    O Acompanhamento Terap\u00eautico (AT) \u00e9 um trabalho que se constituiu como fun\u00e7\u00e3o espec\u00edfica na Argentina, em meados da d\u00e9cada de 70, a partir da experi\u00eancia de tratamento de pacientes psic\u00f3ticos em terapias de abordagem m\u00faltipla. O acompanhante terap\u00eautico (at) era integrante de uma equipe multidisciplinar que se compunha de psicoterapeuta, psiquiatra, terapeuta familiar e acompanhantes terap\u00eauticos. Partia-se do princ\u00edpio terap\u00eautico segundo o qual \u00e9 necess\u00e1rio abordar os pacientes em todos os aspectos de sua vida di\u00e1ria, tentando criar-lhes um meio ambiente favor\u00e1vel ao seu restabelecimento. Para criar esse contexto, o at participava ativamente de diversos grupos a que os pacientes pertenciam, visitando suas casas, conhecendo seus amigos, reunindo-se com diretores de escolas quando fosse oportuno (MAUER &#038; RESNIZKY, 1987).<br \/>    A t\u00edtulo de defini\u00e7\u00e3o, o termo acompanhante terap\u00eautico (at) designa o profissional que abriga a caracter\u00edstica de acompanhar o cliente, encontrando-se articulado com os demais profissionais envolvidos no atendimento. A \u00eanfase de sua fun\u00e7\u00e3o terap\u00eautica recai na possibilidade de favorecer um \u201cmodelo de identifica\u00e7\u00e3o\u201d para o paciente por interm\u00e9dio da fun\u00e7\u00e3o de \u201cego auxiliar\u201d (BERGER, 2001).<br \/>    Assim, o Acompanhamento Terap\u00eautico (AT) se constitui como uma atividade cl\u00ednica que objetiva romper com as barreiras que dificultam a rela\u00e7\u00e3o com o ambiente social em que se encontram pessoas portadoras de transtornos psic\u00f3ticos, defici\u00eancias f\u00edsicas e mentais, ou mesmo que estejam vivenciando outras situa\u00e7\u00f5es nas quais estejam comprometidas suas atividades cotidianas.<\/p>\n<p>    Referencial te\u00f3rico-conceitual<\/p>\n<p>    A refer\u00eancia te\u00f3rica que sustenta a pr\u00e1tica do AT est\u00e1 intimamente relacionada com a din\u00e2mica pr\u00f3pria dessa cl\u00ednica. A proposta terap\u00eautica segue na dire\u00e7\u00e3o do resgate da identidade social de pessoas em crise, refletida por suas atitudes ps\u00edquicas e psicol\u00f3gicas impressas no corpo e que denotam isolamento e perda de comunica\u00e7\u00e3o com o aspecto vital da exist\u00eancia humana.<br \/>    No presente trabalho, mais especificamente, o olhar sob o enfoque da psicoterapia corporal possibilita abordar essa cl\u00ednica itinerante acontecendo no corpo do indiv\u00edduo, uma vez que, corporalmente, o sujeito nos emite sinais sobre os quais podemos intervir em uma pr\u00e1tica de AT. Por exemplo, ao nos sugerir a aus\u00eancia de vitalidade naquele sujeito ou, em outras palavras, uma inibi\u00e7\u00e3o de sua auto-express\u00e3o, tendo em vista que \u201c&#8230;toda forma de auto-express\u00e3o possui elementos criativos, acarretando prazer e satisfa\u00e7\u00e3o\u201d (LOWEN, 1984, p. 93).<br \/>    Aqui tamb\u00e9m consideramos a proposta de atendimento cl\u00ednico e a maneira de pensar a cl\u00ednica do Acompanhamento Terap\u00eautico a partir do resgate da auto-regula\u00e7\u00e3o social do sujeito em crise, como conceito central. O enfoque da psicoterapia corporal neo-reichiana, assim, tem como perspectiva a promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade em termos biopsicossociais.<br \/>    O objetivo terap\u00eautico do tratamento em AT que procuramos realizar \u00e9 ajudar o indiv\u00edduo a reencontrar-se com o seu corpo, tirando o mais alto proveito poss\u00edvel da vida que o habita. Isso inclui fun\u00e7\u00f5es elementares de respira\u00e7\u00e3o, movimento, sentimento e auto-express\u00e3o, favorecendo uma maior aproxima\u00e7\u00e3o do cliente com essas dimens\u00f5es de sua personalidade. Assim, o cliente pode estar em circula\u00e7\u00e3o pela vida, nas rela\u00e7\u00f5es sociais, apesar de suas dificuldades de relacionamento com o mundo e consigo mesmo.<\/p>\n<p>    O enfoque da psicoterapia corporal<br \/>    Na psicoterapia corporal, a atitude terap\u00eautica consiste em assumir-se uma postura ativa frente ao cliente. Na rela\u00e7\u00e3o terap\u00eautica, o terapeuta, diante das resist\u00eancias evidenciadas, prop\u00f5e exerc\u00edcios expressivos, posturas, alongamentos ou interven\u00e7\u00f5es corporais por meio de toques terap\u00eauticos, objetivando trabalhar as tens\u00f5es musculares do cliente, possibilitando o desbloqueio f\u00edsico \u2013 e, portanto, corporal e emocional \u2013 conforme a vis\u00e3o da unidade funcional mente-corpo, que podemos visualizar na diagrama\u00e7\u00e3o abaixo:<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"extra\/2011_01_11_02_25_28_pittia.jpg\" alt=\"\" border=\"0\"><\/p>\n<p>    Fontes: REICH (1981, p. 227); LOWEN (1982; p.124)<br \/>    Consideramos que a aplicabilidade terap\u00eautica do AT, consoante com essa id\u00e9ia, \u00e9 possibilitar ao acompanhado uma amplia\u00e7\u00e3o de sua auto-express\u00e3o, seguindo-o em seus movimentos, dentro do seu universo simb\u00f3lico e de suas rela\u00e7\u00f5es sociais.<br \/>    Partimos do princ\u00edpio de que o trabalho cl\u00ednico de AT j\u00e1 \u00e9, em si, guiado pelo movimento. Movimento do corpo nas ruas, em casa, no seu local de trabalho, nas idas a locais p\u00fablicos como pra\u00e7as, lanchonete, cinema, shopping, etc. O terapeuta que realiza o AT escuta as palavras do cliente e observa seus gestos, objetivando o resgate psicossocial, na atividade de uma cl\u00ednica din\u00e2mica que transita pela cidade e que favorece a auto-regula\u00e7\u00e3o no espa\u00e7o social da pessoa que se encontra em dificuldades.<\/p>\n<p>    Conceituando auto-regula\u00e7\u00e3o<br \/>    Wilhelm Reich, estudando e observando minuciosamente a movimenta\u00e7\u00e3o e funcionamento unicelular (movimentos plasm\u00e1ticos), constatou a rela\u00e7\u00e3o com o organismo do indiv\u00edduo como um todo. Partindo desse modelo relativamente simples, expandiu tamb\u00e9m sua vis\u00e3o para a sociedade como um todo e passou a compreender os grupos sociais como organismos \u201cunicelulares\u201d que se relacionam em movimentos de dentro para fora (indiv\u00edduo\/sujeito influenciando seu meio) e de fora para dentro (os aspectos culturais influenciando os indiv\u00edduos). Essa id\u00e9ia tem suas bases na concep\u00e7\u00e3o marxista de sociedade, que influenciou fortemente os estudos de Reich (REICH, 1972).<br \/>    Reich afirmava que nossas impress\u00f5es dos movimentos vitais refletem nossa express\u00e3o e que as fun\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas da vida s\u00e3o id\u00eanticas em toda a mat\u00e9ria viva. Nossas sensa\u00e7\u00f5es nascem das emo\u00e7\u00f5es e brotam de movimentos plasm\u00e1ticos reais, o que sugere sua objetividade e certeza.<br \/>    Isso ocorre se o nosso aparelho sensorial n\u00e3o estiver fragmentado, tensionado ou alterado de outra maneira. A fragmenta\u00e7\u00e3o do aparelho sensorial provoca sec\u00e7\u00f5es e pontos de tens\u00e3o. E \u00e9 sobre esses pontos de sec\u00e7\u00e3o e tensionamento de partes do corpo que a psicoterapia corporal ir\u00e1 atuar atrav\u00e9s de exerc\u00edcios terap\u00eauticos posturais, procurando reintegr\u00e1-lo atrav\u00e9s de uma redistribui\u00e7\u00e3o de seu fluxo energ\u00e9tico.<\/p>\n<p>    O trabalho terap\u00eautico no AT<\/p>\n<p>    O objetivo terap\u00eautico, de acordo com o enfoque da psicoterapia corporal neo-reichiana que procuramos delinear neste trabalho, \u00e9 o de buscar o desbloqueio de tens\u00f5es no corpo da pessoa que est\u00e1 sendo acompanhada, abrindo caminho para o cliente viver de maneira mais saud\u00e1vel, visto que o efeito esperado ser\u00e1 a auto-express\u00e3o de suas emo\u00e7\u00f5es, a partir do conhecimento de si pr\u00f3prio. \u00c9 um caminho para a sa\u00fade vibrante, ou seja, \u201cpor sa\u00fade vibrante n\u00f3s n\u00e3o queremos significar meramente a aus\u00eancia de doen\u00e7a, mas a condi\u00e7\u00e3o de estar totalmente vivo\u201d (LOWEN, 1985, p. 15).<br \/>    Nesse sentido, durante o processo de atendimentos h\u00e1 a possibilidade terap\u00eautica do resgate de um corpo vivo, que se expressa nas situa\u00e7\u00f5es reais do dia-a-dia, demonstrando a emo\u00e7\u00e3o de forma espont\u00e2nea e com toda sua motilidade, inerente ao estado em que o indiv\u00edduo se encontra \u2013 uma motilidade inerente ao corpo vivo \u2013 auto-regulando-se. Ou seja, o objetivo \u00e9 auxiliar o indiv\u00edduo a estar na vida, apesar de suas dificuldades ps\u00edquicas, mesmo as neuroses graves, ou outra indica\u00e7\u00e3o para essa cl\u00ednica.<\/p>\n<p>    Exemplo de situa\u00e7\u00e3o de atendimento<\/p>\n<p>    CASO1<\/p>\n<div><\/p>\n<div>\n<div>\n<table style=\"border-collapse: separate; width: 100%; background-color: rgb(192, 192, 192);\" alignment=\"\" border=\"0\" cellpadding=\"0\" cellspacing=\"0\"> <\/p>\n<tbody>\n<tr> <\/p>\n<td style=\"padding: 2px; background-color: rgb(153, 153, 204);\"> Problem\u00e1tica identificada<\/td>\n<p> <\/p>\n<td style=\"padding: 2px; background-color: rgb(153, 153, 204);\"> A\u00e7\u00f5es de AT<\/td>\n<p> <\/tr>\n<p> <\/p>\n<tr> <\/p>\n<td style=\"padding: 2px;\"> 1. Interrup\u00e7\u00e3o no fluxo pessoal de desempenho no trabalho: medo das <br \/> m\u00e1quinas, irrup\u00e7\u00e3o de choro frente \u00e0s m\u00e1quinas; perda do senso de <br \/> auto-efic\u00e1cia, com sentimentos de incapacidade para o servi\u00e7o de <br \/> eletricista; ansiedade extrema; idea\u00e7\u00e3o prevalente de ru\u00edna, acoplada \u00e0 <br \/> id\u00e9ia de ser demitido; instabilidade da marcha.<\/p>\n<p>     2. Dificuldade em ficar de p\u00e9, falta de equil\u00edbrio corporal: p\u00e9s em <br \/> arco, parecendo estar sustentados apenas pelas laterais, m\u00e3os tr\u00eamulas <br \/> que se esfregavam constantemente, demonstrando ansiedade; sentimento de <br \/> \u201cfalta de pernas\u201d.<\/p>\n<p>     3. Sinais f\u00edsicos de altera\u00e7\u00e3o da auto-imagem: descuido com a <br \/> higiene corporal; inapet\u00eancia, desinteresse por alimentar-se; perda <br \/> acentuada de peso.<\/p>\n<p>     4. Encaminhamento para psicoterapia de apoio, prescrita pelo m\u00e9dico psiquiatra.<\/p>\n<p>     5. Esposa do cliente sob forte clima de tens\u00e3o, solicitando orienta\u00e7\u00e3o da at.<\/p>\n<p>     6. Resist\u00eancia \u00e0s medica\u00e7\u00f5es psiqui\u00e1tricas: ins\u00f4nia, id\u00e9ias de ru\u00edna prevalentes, tentativa de suic\u00eddio e de fuga de casa.<\/p>\n<p>     7. Interna\u00e7\u00e3o mediante o agravamento do quadro e riscos anteriormente relatados.<\/p>\n<p>     8. Interrup\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria dos acompanhamentos e da psicoterapia de apoio, devido ao per\u00edodo de interna\u00e7\u00e3o do cliente.<\/p>\n<p>     9. Momento de interna\u00e7\u00e3o e alta hospitalar. Viagem de retorno \u00e0 sua casa.<\/p>\n<p>     10. Retorno \u00e0s atividades cotidianas em casa e no trabalho: inseguran\u00e7a em reassumir a fun\u00e7\u00e3o de eletricista.<\/p>\n<p>     11. Dificuldades de ajustes da carga-hor\u00e1ria de trabalho do cliente:<br \/> solicita\u00e7\u00e3o de esclarecimentos do setor de RH da empresa sobre a <br \/> capacidade de trabalho do cliente.<\/td>\n<p> <\/p>\n<td style=\"padding: 2px;\">  \u2022 Contato no seu local de trabalho, procurando apoi\u00e1-lo em sua <br \/> dificuldade de trabalhar como eletricista e sua inseguran\u00e7a frente ao <br \/> medo de ser demitido. Dada a import\u00e2ncia do local de trabalho para o <br \/> cliente, procurou-se identificar outras fun\u00e7\u00f5es dentro da empresa, no <br \/> intuito de preservar seu contato com o ambiente de trabalho.<\/p>\n<p>     \u2022 Oferecimento do pr\u00f3prio corpo do at como suporte f\u00edsico frente \u00e0 instabilidade apresentada pelo cliente no andar.<\/p>\n<p>     \u2022 Oferecimento de escuta ativa para suas id\u00e9ias prevalentes de ru\u00edna e temor de demiss\u00e3o.<\/p>\n<p>     \u2022 Acompanhamento do cliente nas consultas com o psiquiatra, <br \/> contribuindo com informa\u00e7\u00f5es e pontos de vista, reunidos mediante <br \/> observa\u00e7\u00f5es do comportamento cotidiano do cliente.<\/p>\n<p>     \u2022 Orienta\u00e7\u00e3o \u00e0 fam\u00edlia sobre como aumentar mecanismos de vigil\u00e2ncia frente ao risco de fuga e suic\u00eddio.<\/p>\n<p>     \u2022 Acompanhamento do cliente junto ao psicoterapeuta de apoio, <br \/> contribuindo com as informa\u00e7\u00f5es sobre a (des)organiza\u00e7\u00e3o atual do <br \/> cotidiano do cliente, ao lado de sua fam\u00edlia. Encaminhamento da esposa <br \/> do cliente para psicoterapia de apoio, mediante solicita\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea.<\/p>\n<p>     \u2022 Estabelecimento de um elo de liga\u00e7\u00e3o (\u201cponte\u201d) entre os demais <br \/> profissionais envolvidos no caso e a fam\u00edlia, oferecendo suporte e <br \/> esclarecimentos, inclusive intermedia\u00e7\u00e3o de provid\u00eancias no <br \/> relacionamento entre cliente-fam\u00edlia-empresa.<\/p>\n<p>     \u2022 Acompanhamento do cliente durante o per\u00edodo de interna\u00e7\u00e3o e ao <br \/> longo do processo de alta em hospital psiqui\u00e1trico, fora da cidade, do <br \/> tipo comunidade terap\u00eautica; contatos constantes com a esposa, <br \/> oferecendo suporte durante a interna\u00e7\u00e3o; contatos telef\u00f4nicos com o <br \/> cliente, possibilitando a manuten\u00e7\u00e3o do v\u00ednculo com a at.<\/p>\n<p>     \u2022 Acompanhamento do cliente \u00e0s compras em supermercado, bem como ao banco, visando reintegr\u00e1-lo em suas atividades di\u00e1rias.<\/p>\n<p>     \u2022 Esclarecimentos junto \u00e0 empresa da atual situa\u00e7\u00e3o de vida do <br \/> cliente, possibilitando seu retorno ao trabalho, ap\u00f3s alta da per\u00edcia <br \/> m\u00e9dica do INSS.<\/p>\n<p>     \u2022 Apoio \u00e0 adapta\u00e7\u00e3o do cliente em nova fun\u00e7\u00e3o assumida na empresa, <br \/> dados os seus limites pessoais, bem como os riscos que teria em <br \/> reassumir a fun\u00e7\u00e3o de eletricista.<\/p>\n<p>     \u2022 Intercambiando o contato com o psiquiatra, foi poss\u00edvel <br \/> esclarecer, na empresa, que o cliente se encontrava apto ao trabalho, na<br \/> fun\u00e7\u00e3o proposta. A medica\u00e7\u00e3o psiqui\u00e1trica estava sendo gradativamente <br \/> ajustada frente \u00e0s suas rea\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>     \u2022 Obteve alta do AT e foi iniciada psicoterapia de apoio em consult\u00f3rio.<\/td>\n<p> <\/tr>\n<p> <\/tbody>\n<\/table>\n<p> <\/div>\n<p><\/div>\n<p><\/div>\n<p>    Podemos observar, preliminarmente, no quadro apresentado, que houve uma diversidade de locais de atendimento durante o processo terap\u00eautico pelo qual esse cliente evoluiu ao longo de seu tratamento: hospital geral e psiqui\u00e1trico, seu local de trabalho, consult\u00f3rios m\u00e9dicos, locais p\u00fablicos e sua pr\u00f3pria casa. Isso permite visualizar uma importante caracter\u00edstica do ato de acompanhar, o qual est\u00e1 diretamente relacionado ao deslocamento do acompanhante\/acompanhado at\u00e9 os lugares e nos momentos em que o cliente (ou sua fam\u00edlia) necessita de ajuda.<br \/>    A presen\u00e7a do acompanhante no lar, durante o tratamento, foi valiosa para o oferecimento de apoio \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es apresentadas pelo cliente, assim como para as orienta\u00e7\u00f5es fornecidas \u00e0 esposa, que se encontrava cotidianamente em contato com as dificuldades apresentadas pelo marido acometido.<br \/>    A figura da at configurou-se tamb\u00e9m como apoio corporal, auxiliando o cliente na coloca\u00e7\u00e3o e firmeza dos p\u00e9s no contato com o ch\u00e3o, propiciando condi\u00e7\u00f5es de firmar as pernas e caminhar, apesar do sentimento de inseguran\u00e7a e da instabilidade emocional expressa pela via som\u00e1tica.<br \/>    Nesse sentido, mediante a abordagem da psicoterapia corporal e procurando significar aquilo que o sujeito comunicava por meio do seu processo de adoecer, a express\u00e3o de ang\u00fastia proveniente da linguagem n\u00e3o-verbal do paciente, uma vez relacionada ao conte\u00fado verbal, p\u00f4de propiciar uma vis\u00e3o articulada da unidade funcional mente-corpo. LOWEN (1982) afirma, a prop\u00f3sito, que processos energ\u00e9ticos do corpo determinam o que acontece na mente, ou seja, h\u00e1 um processo dial\u00e9tico entre corpo e mente em um constante di\u00e1logo.<br \/>    A retomada do processo espont\u00e2neo de expans\u00e3o \u2013 representada pela retomada gradual das atividades cotidianas do paciente \u2013 foi poss\u00edvel pela articula\u00e7\u00e3o de diversas inst\u00e2ncias interligadas, a saber: at-cliente-fam\u00edlia-local de trabalho-outros profissionais envolvidos no tratamento.<br \/>    A reinser\u00e7\u00e3o social, ou seja, o resgate da vida social desse cliente foi possibilitada ent\u00e3o pela aproxima\u00e7\u00e3o do acompanhante nas diversas fases do tratamento: acompanhamento no \u00e2mbito social, medica\u00e7\u00e3o, psicoterapia de apoio, interna\u00e7\u00e3o, o que configurou uma rede no atendimento \u00e0s necessidades manifestadas, acompanhando o fluxo dos acontecimentos e o grau de dificuldades evidenciadas em cada etapa do processo de reabilita\u00e7\u00e3o social.<br \/>    Ou seja, procurou-se auxiliar o sujeito na realiza\u00e7\u00e3o daquilo que suas possibilidades lhe permitissem, aproveitando-se do mais alto n\u00edvel de organiza\u00e7\u00e3o que havia nele em cada momento. Nesse sentido, interven\u00e7\u00f5es por meio de exerc\u00edcios elementares de respira\u00e7\u00e3o, apoio de p\u00e9s no ch\u00e3o, movimento de corpo pelas caminhadas regulares e incentivo de contatos sociais, apesar das dificuldades encontradas, propiciaram o resgate do movimento auto-expressivo do cliente em seu cotidiano (REICH, 1972; LOWEN, 1982).<\/p>\n<p>    O corpo do terapeuta: instrumento de trabalho no AT<br \/>    O corpo do at pode ser visto como uma ferramenta importante de trabalho, no momento em que se v\u00ea colocado a servi\u00e7o do suporte f\u00edsico corporal do paciente. Com as m\u00e3os apoiando-se nos ombros da at, por exemplo, como o acompanhado fazia quando se manifestava o desequil\u00edbrio em suas pernas ao andar. Em uma outra situa\u00e7\u00e3o, a acompanhante segurava firmemente nas m\u00e3os do cliente, assegurando-o da sua presen\u00e7a ao seu lado no momento da consulta m\u00e9dica, ou a caminho da interna\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria naquele per\u00edodo.<br \/>    O corpo do terapeuta na psicoterapia corporal \u00e9 parte integrante da inter-rela\u00e7\u00e3o paciente-terapeuta, representado nos momentos de suporte do terapeuta ao lado da pessoa que est\u00e1 sendo atendida. Seja pelo olhar interpretativo lan\u00e7ado sobre o seu corpo, seja pelo toque atribu\u00eddo \u00e0 necessidade de exerc\u00edcios realizados no corpo do cliente, as m\u00e3os do terapeuta constituem-se em importantes elementos terap\u00eauticos e um recurso a mais na atividade cl\u00ednica do AT.<br \/>    LOWEN (1985) afirma que, no trabalho bioenerg\u00e9tico sobre o corpo, existem os procedimentos manipulat\u00f3rios, que consistem em massagem, press\u00e3o controlada e toques suaves, objetivando o relaxamento da musculatura e o aux\u00edlio no desbloqueio de tens\u00f5es. Assim, os exerc\u00edcios se prop\u00f5em a ajudar a pessoa a entrar em contato com suas tens\u00f5es e a liber\u00e1-las mediante a livre express\u00e3o de movimentos.<br \/>    A base, ent\u00e3o, da terapia bioenerg\u00e9tica combina o princ\u00edpio de atividade no n\u00edvel som\u00e1tico, associada ao procedimento anal\u00edtico ao n\u00edvel ps\u00edquico. Assim, o paciente adquire novas experi\u00eancias quando da realiza\u00e7\u00e3o dos movimentos corporais, que trazem mem\u00f3rias afetivas de traumas sofridos em sua hist\u00f3ria de vida, podendo, ent\u00e3o, vislumbrar que, apesar das viv\u00eancias traum\u00e1ticas, existe uma carga energ\u00e9tica que o colocou na possibilidade de continuar vivo (LOWEN, 1977).<br \/>    Pautados nesse entendimento, associamos esse modo de pensar \u00e0s interven\u00e7\u00f5es de movimento em AT. Junto aos acompanhados, mediante os movimentos de deslocamento, podemos auxili\u00e1-los em uma maior aproxima\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s suas necessidades. Ao lado deles, podemos auxili\u00e1-los a realizar atividades poss\u00edveis, respeitando sua condi\u00e7\u00e3o individual e trabalhando o lado saud\u00e1vel, respeitando a vida.<\/p>\n<p>    Analisando os dados de acompanhamentos<\/p>\n<p>    A an\u00e1lise dos dados colhidos a partir dos acompanhamentos indicou que o trabalho cl\u00ednico de AT ocupou um lugar de destaque quanto uma fun\u00e7\u00e3o que se efetiva junto ao indiv\u00edduo em sofrimento ps\u00edquico em seu ambiente natural.<br \/>    Foram assinaladas algumas converg\u00eancias nos atendimentos que se realizaram nesta pesquisa, devido \u00e0 posi\u00e7\u00e3o de ponte que o at teve que ocupar dentro das interven\u00e7\u00f5es. Alguns resultados favor\u00e1veis foram evidenciados, tais como o retorno ao ambiente de trabalho e a retomada de rela\u00e7\u00f5es mais positivas com a fam\u00edlia.<br \/>    Observaram-se mudan\u00e7as em aspectos cotidianos da vida do cliente, apresentado neste trabalho, que construiu uma \u00e1rea de lazer em casa para reuni\u00f5es com a fam\u00edlia, amigos e parentes. Al\u00e9m disso, ele voltou a olhar mais para a vida dos filhos, acompanhando-os nas atividades di\u00e1rias.<br \/>    Podemos destacar uma observa\u00e7\u00e3o mencionada pela esposa deste cliente, quando se referiu ao trabalho do at: \u201co tratamento parece ter propiciado nele um outro olhar para sua vida pr\u00f3pria&#8230;\u201d Consideramos que essa \u00e9 uma rea\u00e7\u00e3o altamente favor\u00e1vel, como foi a iniciativa de um dos acompanhados em participar do programa de gin\u00e1stica para a terceira idade na pra\u00e7a, considerando-se tratar-se de uma pessoa que sequer atendia o telefone em casa, dado o grau de depress\u00e3o em que se encontrava.<\/p>\n<p>    Considera\u00e7\u00f5es finais<\/p>\n<p>    Realizar o trabalho em AT, posicionando-se ao lado da pessoa em dificuldade, aceitando o desafio de acompanh\u00e1-la em ambientes externos \u00e0s institui\u00e7\u00f5es tradicionais de tratamento em sa\u00fade mental, muitas vezes leva o at a assumir uma identifica\u00e7\u00e3o com a \u201cdiferen\u00e7a\u201d. O profissional se coloca tamb\u00e9m em uma posi\u00e7\u00e3o de alta exposi\u00e7\u00e3o de seu pr\u00f3prio trabalho, ao atender fora dos muros, seja nas ruas ou na resid\u00eancia do cliente, atribuindo ampla elasticidade ao setting terap\u00eautico.<br \/>    O local de se atender, em Acompanhamento Terap\u00eautico, \u00e9 o local de onde demanda a dificuldade do cliente. O v\u00ednculo terap\u00eautico que se constr\u00f3i entre at e acompanhado se estabelece no contato entre ambos e situa-se, no aspecto geogr\u00e1fico, em quaisquer lugares em que ocorra a pr\u00e1tica cl\u00ednica do AT.<br \/>    Como cl\u00ednica em constru\u00e7\u00e3o, o Acompanhamento Terap\u00eautico aponta um campo de possibilidades amplas e fecundas para atua\u00e7\u00e3o do profissional de sa\u00fade. Sujeito que somos de nossos rumos hist\u00f3ricos na pr\u00e1tica profissional, temos condi\u00e7\u00e3o de encontrar o nosso foco de aten\u00e7\u00e3o em sa\u00fade com base nesse novo paradigma, o que em nosso entendimento contribui para o processo de constru\u00e7\u00e3o coletiva das condi\u00e7\u00f5es de trabalho na \u00e1rea de sa\u00fade mental.<\/p>\n<p>    Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<br \/>    BERGER, E. O acompanhar e o acompanhamento terap\u00eautico: forma\u00e7\u00e3o. In: Encontro dos Estados Gerais da Psican\u00e1lise, Anais Eletr\u00f4nicos, S\u00e3o Paulo, 2001. Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.estadosgerais.org\/encontro\/algumas_reflexoes.shtml Acesso em 2 de outubro de 2001.<br \/>    LOWEN, A Prazer: uma abordagem criativa da vida. (Tradu\u00e7\u00e3o: Ibanez de Carvalho Filho). S\u00e3o Paulo: Summus, 1984.<br \/>    LOWEN, A. O corpo em terapia: a abordagem bioenerg\u00e9tica. (Tradu\u00e7\u00e3o: Maria Silvia Mour\u00e3o Netto). S\u00e3o Paulo: Summus, 1977.<br \/>    LOWEN, A. &#038; LOWEN, L. Exerc\u00edcios de bioenerg\u00e9tica: o caminho para uma sa\u00fade vibrante. (Tradu\u00e7\u00e3o: Vera L\u00facia Marinho, Suzana Domingues de Castro). S\u00e3o Paulo: \u00c1gora, 1985.<br \/>    MAUER, S. &#038; RESNIZKY, S. Acompanhamento terap\u00eautico e pacientes psic\u00f3ticos: manual introdut\u00f3rio a uma estrat\u00e9gia cl\u00ednica. (Tradu\u00e7\u00e3o: Waldemar Paulo Rosa). Campinas: Papirus, 1987.<br \/>    REICH, W. An\u00e1lise do car\u00e1ter. (Tradu\u00e7\u00e3o: Maria Lizette Branco, Maria Manuela Pecegueiro). S\u00e3o Paulo, Martins Fontes, 1972.<br \/>    REICH, W. A fun\u00e7\u00e3o do orgasmo. (Tradu\u00e7\u00e3o: Maria da Gl\u00f3ria Novak). S\u00e3o Paulo: Brasiliense, 1981.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>8 &#8211; T\u00edtulo do trabalho ACOMPANHAMENTO TERAP\u00caUTICO SOB O ENFOQUE DA PSICOTERAPIA CORPORAL: UMA CL\u00cdNICA EM CONSTRU\u00c7\u00c3O Ana Celeste de Ara\u00fajo Piti\u00e1Doutora pelo Programa Interunidades de<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":341,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[19],"tags":[],"class_list":["post-113","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-congresso-2003"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/113","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=113"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/113\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media\/341"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=113"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=113"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=113"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}