{"id":112,"date":"2011-01-11T02:12:00","date_gmt":"2011-01-11T02:12:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.analisebioenergetica.com\/site\/?p=112"},"modified":"2011-01-11T02:12:00","modified_gmt":"2011-01-11T02:12:00","slug":"alegres-ou-melancolicos-quem-somos-nos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/alegres-ou-melancolicos-quem-somos-nos\/","title":{"rendered":"ALEGRES OU MELANC\u00d3LICOS? Quem somos n\u00f3s?"},"content":{"rendered":"<div id=\"fb-root\"><\/div>\n<p>    9 &#8211; T\u00edtulo do trabalho<br \/>    ALEGRES OU MELANC\u00d3LICOS? Quem somos n\u00f3s?<\/p>\n<p>Eulina Ribeiro<br \/>Presidente da SOBAB &#8211; SP<br \/>Diretora da Federa\u00e7\u00e3o Latino-Americana de<br \/>An\u00e1lise Bioenerg\u00e9tica.<\/p>\n<p>    H\u00e1 muito tempo s\u00e3o feitas v\u00e1rias interpreta\u00e7\u00f5es sobre nossa gente.<br \/>    Somos pregui\u00e7osos, somos um pa\u00eds n\u00e3o s\u00e9rio, somos exibicionistas, somos ing\u00eanuos, n\u00e3o profundos, n\u00e3o respeit\u00e1veis, etc.<\/p>\n<p>    Essas an\u00e1lises sobre nosso povo sempre me pareceram generalizadoras e por isso superficiais e, principalmente, feitas por pessoas que n\u00e3o conhecem nossa cultura.<\/p>\n<p>    Algumas vezes me sentindo ferida por tais infer\u00eancias, talvez proje\u00e7\u00f5es, senti vontade de pensar sobre isso. Mas como responder se eu mesma n\u00e3o saberia definir quem somos n\u00f3s.<\/p>\n<p>    Fui ent\u00e3o buscar alguns autores que pesquisaram a hist\u00f3ria do Brasil para a compreens\u00e3o de nossa identidade e sem nenhuma pretens\u00e3o tentei reunir reflex\u00f5es sobre o tema t\u00e3o controverso: \u201ca identidade de um povo\u201d, a identidade do povo brasileiro.<\/p>\n<p>    Vou tentar desconstruir alguns paradigmas n\u00e3o necessariamente verdadeiros, sobre<\/p>\n<p>    Roberto Gambini em seu livro Espelho \u00cdndio tenta reconstruir a forma\u00e7\u00e3o da alma brasileira desde a chegada dos portugueses e outros europeus, e sua rela\u00e7\u00e3o com os habitantes da terra de Santa Cruz. \u00c9 atrav\u00e9s da complexa rela\u00e7\u00e3o entre os jesu\u00edtas e os nossos ancestrais, os \u00edndios, que, segundo Gambini, poderemos compreender nossa verdadeira identidade.<\/p>\n<p>    Muniz Sodr\u00e9 em seu livro Claros e Escuros Identidade, Povo e M\u00eddia no Brasil busca responder ao grande enigma de ser brasileiro.<\/p>\n<p>    Darci Ribeiro em seu livro O Povo Brasileiro, analisa o processo de gesta\u00e7\u00e3o \u00e9tnica que originou os n\u00facleos pioneiros que viriam a formar o povo brasileiro e as diferen\u00e7as que plasmaram os nossos modos regionais de ser; atrav\u00e9s da cr\u00edtica do sistema institucional procura analisar como se desenvolveu nosso povo.<\/p>\n<p>    Todos esses estudiosos de nossa cultura real\u00e7am um ponto em comum: a ignor\u00e2ncia sobre nossa origem. Gambini refor\u00e7a a id\u00e9ia de que nosso povo se funda negando suas ra\u00edzes, seu maior tesouro. Ainda de acordo com este autor, ficamos sem nosso passado, sem saber como se formou nossa alma.<\/p>\n<p>    Alexander Lowen em seu livro Alegria ressalta que estar \u201cgrounding\u201d \u00e9 ter consci\u00eancia de suas ra\u00edzes e de sua hist\u00f3ria. A n\u00e3o consci\u00eancia leva a um estado de ilus\u00e3o.<\/p>\n<p>    Nesta apresenta\u00e7\u00e3o gostaria de, atrav\u00e9s de dois personagens de nossa literatura &#8211; Macuna\u00edna e Jeca Tatu, refletir sobre as citadas alegria e melancolia na cultura e no car\u00e1ter do nosso povo.<\/p>\n<p>    Iniciando o processo de voltar \u00e0s origens para entender hoje quem somos, parece que aprendemos, desde cedo na escola, que o Brasil foi descoberto por acaso, por calmarias e desvios de rotas.<br \/>    Instaura-se um mito de origem: nossa terra maravilhosa foi descoberta.<br \/>    Esta cren\u00e7a se desmorona quando vamos tomando consci\u00eancia da verdade, que n\u00e3o se trata de um descobrimento e sim de uma invas\u00e3o sobre um territ\u00f3rio habitado desde o Alasca at\u00e9 a Patag\u00f4nia por muitos e diversos grupos culturais.<\/p>\n<p>    O Brasil, como parte do territ\u00f3rio americano, j\u00e1 estava ocupado por seres humanos h\u00e1 mais de 30 mil anos.<\/p>\n<p>    Ora quando acreditamos que nossa origem data de 1.500 negamos a exist\u00eancia de um povo anterior , negamos a alma do ind\u00edgena, e portanto, negamos nossa alma ancestral.<\/p>\n<p>    No s\u00e9culo XVI nossos antepassados \u00edndios j\u00e1 aprenderam a sobreviver, encontrar e preparar alimentos, proteger-se da natureza e dos esp\u00edritos, estabelecer formas de v\u00ednculos sociais, criar uma linguagem, curar doen\u00e7as, etc.<\/p>\n<p>    Nossa alma estava ligada ao solo, \u00e0 luz do sol, \u00e0 noite, as estrelas, \u00e0s arvores, aos rios, etc. Nossos ancestrais comungavam com a natureza e com tudo que a povoava. Esse tesouro humano, criado no decorrer de muitos anos, foi destru\u00eddo por um golpe, um olhar estrangeiro que o distorceu e o negou.<\/p>\n<p>    Houve um verdadeiro processo de destrui\u00e7\u00e3o cultural e humana, que Capistrano de Abreu qualificou de \u201ca maior obra civilizat\u00f3ria j\u00e1 vista na hist\u00f3ria\u201d, imagens preciosas do inconsciente coletivo proto-brasileiro se perderam, desapareceram complexos e elaborados estados de alma \u2013 sentimentos, maneiras de ver, compreender e valorizar o mundo.<\/p>\n<p>    O que nos resta hoje em dia de toda esta civiliza\u00e7\u00e3o perdida? S\u00f2mente fragmentos, que carregamos em nossa camada profunda e aglutinadora da psique, que o Jung chamou de inconsciente coletivo.<\/p>\n<p>    Somos um povo que nasce concomitante a uma grave perda e precisamos compreender este significado. Al\u00e9m disso, o momento do nosso nascimento &#8211; s\u00e9culo XVI &#8211; foi a \u00e9poca das descobertas, das artes e das profecias de Leonardo da Vinci. Momento em que h\u00e1 a grande supremacia da Igreja Cat\u00f3lica que livra-se do pag\u00e3o, do mouro, do judeu e de tudo aquilo que lhe \u00e9 estranho e incontrol\u00e1vel no plano externo, dando for\u00e7a \u00e0 racionalidade.<\/p>\n<p>    \u201cCoincid\u00eancia ou n\u00e3o, no momento que a Europa afasta o outro exterior, o outro interior lhe surgir\u00e1 diante dos olhos, nas Am\u00e9ricas, como inc\u00f4modo e indecifr\u00e1vel espelho.\u201d<\/p>\n<p>    Levar\u00e1 400 anos, para que Freud reconhe\u00e7a que o mal n\u00e3o est\u00e1 exclusivamente depositado no outro, como cr\u00ea o Ego, mas dentro de cada um de n\u00f3s. At\u00e9 o s\u00e9culo XVI, para o mundo ocidental, o mal estava sempre no outro, no diferente.<\/p>\n<p>    Ainda segundo Gambini, quando n\u00e3o h\u00e1 mais pag\u00e3os, \u00edmpios, judeus ou mouros para perseguir, e n\u00e3o podendo a consci\u00eancia europ\u00e9ia perceb\u00ea-lo em seu pr\u00f3prio interior, surge o momento de buscar um outro externo. \u00c9 exatamente neste contexto inconsciente que se desenvolve a cartografia e a navega\u00e7\u00e3o que ir\u00e1 proporcionar o encontro entre duas parcelas diametralmente opostas da humanidade. A civiliza\u00e7\u00e3o europ\u00e9ia, que vinha desde o classicismo grego estruturando uma consci\u00eancia baseada na racionalidade e do outro lado a Am\u00e9rica, que representaria o mundo do inconsciente, regido pelo pensamento n\u00e3o linear, n\u00e3o l\u00f3gico, associado aos sentidos, \u00e0 observa\u00e7\u00e3o e ao respeito pelo sobrenatural.<\/p>\n<p>    Um pensamento diferente, mas capaz de classifica\u00e7\u00f5es, explica\u00e7\u00f5es e previs\u00f5es nunca dissociado do sentimento, da intui\u00e7\u00e3o e de um \u00eaxtase diante da vida e da natureza, com o qual convivia sem conflito.<br \/>    \u00c9 desse confronto entre o consciente e o inconsciente, entre a raz\u00e3o e a n\u00e3o raz\u00e3o que brotar\u00e1 o germe da mente e da identidade que, a partir de 1.500, ser\u00e1 o Brasil. (Brasa para queimar antigas ra\u00edzes).<\/p>\n<p>    Os \u00edndios nus e curiosos receberam os portugueses de bra\u00e7os abertos, pois de acordo com a mitologia tupi-guarani apareceria pelo mar um homem novo que mostraria o caminho para a terra sem mal. Este tra\u00e7o, proveniente dos dom\u00ednios de Eros, de receber o outro diverso e perceb\u00ea-lo como portador do novo e da salva\u00e7\u00e3o, \u00e9 parte integrante da alma ind\u00edgena.<\/p>\n<p>    Os marinheiros das caravelas tamb\u00e9m viveram uma percep\u00e7\u00e3o projetiva, s\u00f3 que oposta. Segundo Gambini este choque de proje\u00e7\u00f5es, como dois p\u00e1ssaros em v\u00f4o contr\u00e1rio, \u00e9 a matriz da alma brasileira e da dolorosa destrui\u00e7\u00e3o da alma ancestral da terra.<\/p>\n<p>    A alma brasileira nasce de uma proje\u00e7\u00e3o cruzada; a portuguesa percebia o litoral baiano (este litoral que 500 anos depois aqui estamos reunidos) como o Para\u00edso terrestre e os \u00edndios como filhos do dem\u00f4nio e do mal.<\/p>\n<p>    Os europeus cultuavam uma vis\u00e3o do Para\u00edso semelhante \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o do G\u00eanese, que evoca um jardim opulento habitado por animais d\u00f3ceis e um homem e uma mulher inocentes e nus, sem pecado e vivendo como crian\u00e7as alegres.<br \/>    Esse ad\u00e3o-\u00edndio ser\u00e1 captado pelo olhar portugu\u00eas projetivo, como um trabalhador bra\u00e7al \u00e0 espera de feitores, e essa Eva nativa, um objeto gratuito de desejo e um ventre fecundo.<\/p>\n<p>    Trata-se-ia de uma coincid\u00eancia este encontro no mesmo litoral baiano, no qual, juntos americanos e europeus mais de 500 anos depois, nos reunirmos sobre este momento hist\u00f3rico?<\/p>\n<p>    \u00c9 a An\u00e1lise Bioenerg\u00e9tica que enfatiza a harmonia entre a fun\u00e7\u00e3o eg\u00f3ica e os impulsos inconscientes, a respons\u00e1vel por este momento precioso, onde juntos podemos reorganizar antigos conceitos.<\/p>\n<p>    O desenho de um \u201ccar\u00e1ter nacional\u201d vai-se fazendo aos poucos, desde o s\u00e9culo XIX, nas obras de ficcionistas e pensadores, sempre na dire\u00e7\u00e3o indicada pelo paradigma da mesti\u00e7agem que perseguia uma identidade assimiladora das contribui\u00e7\u00f5es estrangeiras, afirmativa das virtudes pr\u00f3prias e cr\u00edtica das fraquezas ou defeitos.<\/p>\n<p>    As palavras de Paulo Prado \u201csem outro ideal, nem religioso nem est\u00e9tico, sem nenhuma preocupa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, intelectual ou art\u00edstica, criava-se pelo decurso dos s\u00e9culos uma ra\u00e7a triste\u201d, leva-nos a ponderar sobre a quest\u00e3o inicial: afinal quem somos: alegres ou tristes?<\/p>\n<p>    Debrucemo-nos agora sobre duas figuras que podemos ver como \u201cparadigmas\u201d das fantasias e nos quais nos encaminharemos na quest\u00e3o: somos alegres? somos tristes?<\/p>\n<p>    M\u00e1rio de Andrade dedica Macuna\u00edna a Prado, que era membro da aristocracia paulista, seguidor de um pensamento racista e pessimista quanto \u00e0 na\u00e7\u00e3o brasileira, assim como Monteiro Lobato nos apresenta seu Jeca Tatu, o caipira, imagem popular do ser nacional deca\u00eddo e imperme\u00e1vel ao progresso.<\/p>\n<p>    Monteiro Lobato diagnosticou o Brasil como um pa\u00eds com mentalidade colonial, que n\u00e3o tinha jeito nem conserto, com uma ess\u00eancia caracteriol\u00f3gica de cafajestismo e sem-vergonhice. Como vemos, j\u00e1 era um pren\u00fancio do Macuna\u00edma.<\/p>\n<p>    Jeca Tatu, segundo Lobato \u00e9 uma caricatura do homem do interior, o caboclo pregui\u00e7oso, espont\u00e2neo e adaptado como o piolho de galinha, incapaz de viver em outros meios. Esse caboclo tamb\u00e9m \u00e9 incapaz de viver em outras serras, e depreda o ambiente em que vive. Queima toda uma face de morro para plantar um litro de milho. Enquanto os romancistas da cidade criam lindos cen\u00e1rios e mitos, Lobato \u2013 fazendeiro &#8211; vive na ro\u00e7a e real\u00edsticamente nos fala do homem do campo. O Jeca \u00e9 o seu \u201cagregado\u201d, o trabalhador dentro de sua fazenda.<\/p>\n<p>    Macuna\u00edma \u00e9 o her\u00f3i que retoma o Jeca em suas caracter\u00edsticas morais e sociais, tamb\u00e9m \u00e9 impenetr\u00e1vel ao progresso e a sua pregui\u00e7a, como a do Jeca, \u00e9 ocasionada por raz\u00f5es inconscientes que ultrapassam as suas pr\u00f3prias compreens\u00f5es. Ambos se encontram em estado natural, caracter\u00edstica do homem primitivo brasileiro, n\u00e3o civilizado, sofrendo conseq\u00fc\u00eancias de uma civiliza\u00e7\u00e3o que desconhecem e que os oprime.<\/p>\n<p>    Tanto Lobato quanto Mario de Andrade tentam salientar que o sistema s\u00f3cio-econ\u00f4mico e a sa\u00fade s\u00e3o respons\u00e1veis pela tr\u00e1gica deforma\u00e7\u00e3o do homem brasileiro A fei\u00fara e a pregui\u00e7a tamb\u00e9m seriam conseq\u00fc\u00eancias naturais desse tipo de desconcerto.<\/p>\n<p>    O Jeca nada espera da vida, nada o anima, n\u00e3o age, ao contr\u00e1rio, ele acocora-se diante de circunst\u00e2ncias catastr\u00f3ficas que se lhe apresentam. Macuna\u00edma , o imperador, foge amedrontado no momento de se enfrentar com o gigante Piaim\u00e3.<\/p>\n<p>    O primitivo e a natureza-m\u00e3e fazem parte desse cen\u00e1rio onde procuram sobreviver esses dois protagonistas. Vivem basicamente ainda dentro da cultura \u201cpr\u00e9-l\u00f3gica\u201d dos \u00edndios, seus ancestrais. Macuna\u00edma morreria de fome se n\u00e3o fossem as frutas da floresta. No seu nomadismo, como o Jeca, ele se muda para onde haja colheita f\u00e1cil. \u201cMadurou milho na terra dos Ingleses, vou para l\u00e1 diz Macuna\u00edma. Jeca, por sua vez, quando vai \u00e0s festas, leva sempre coisas que a natureza derrama pelo mato e ao homem s\u00f3 custa o gesto de espichar a m\u00e3o e colher: cocos de tucum, guabirobas maracuj\u00e1s, orqu\u00eddeas etc&#8230; Para ele o que importa \u00e9 a lei do menor esfor\u00e7o.<\/p>\n<p>    O equivalente de \u201cn\u00e3o paga a pena\u201d do Jeca \u00e9 \u201cai&#8230;.que pregui\u00e7a\u201d do Macuna\u00edma, filosofia que retrata a indol\u00eancia e a apatia.<\/p>\n<p>    Luxurioso e sempre pronto para as suas aventuras er\u00f3ticas, \u00e9 mesmo incr\u00edvel que Macuna\u00edma recuse uma \u201cbrincadeira sexual\u201d por causa da pregui\u00e7a. Tanto Jeca como Macuna\u00edma eram atacados pelo impaludismo.<\/p>\n<p>    \u201cNo meio da natureza bras\u00edlica, t\u00e3o rica de formas e cores, onde os ip\u00eas floridos derramam feiti\u00e7os e a infolhesc\u00eancia dos cedros, \u00e0s primeiras chuvas de setembro, abre a dan\u00e7a dos tangar\u00e1s; onde h\u00e1 abelhas, sabi\u00e1s, luz, cor, perfume, vida dionis\u00edaca em escach\u00f4o permanente, o caboclo \u00e9 o sombrio urup\u00ea de pau podre a madorrar silencioso no recesso das grotas.<br \/>    S\u00f3 ele n\u00e3o fala, n\u00e3o canta, n\u00e3o ri, n\u00e3o ama.<br \/>    S\u00f3 ele, no meio de tanta vida, n\u00e3o vive\u201d.<\/p>\n<p>    As teses dos dois s\u00e3o id\u00eanticas. Igualzinho ao Jeca, Macuna\u00edma \u201c\u00e9 o brasileiro que se<br \/>    aliena de suas caracter\u00edsticas e sucumbe\u201d, ficando relegado ao \u201cbrilho in\u00fatil das estrelas\u201d.<\/p>\n<p>    Mario de Andrade nos fala da passividade do brasileiro como modo de reagir a uma organiza\u00e7\u00e3o de vida que n\u00e3o o atinge e n\u00e3o lhe serve, sua submiss\u00e3o a estruturas impostas de cima para baixo.<\/p>\n<p>    Na figura de Jeca Tatu somam-se tra\u00e7os negativos que se incorporam \u00e0 nossa vis\u00e3o s\u00f3cio-econ\u00f4mica de um longo per\u00edodo de subdesenvolvimento; conformado com esse destino, Jeca Tatu n\u00e3o era apenas uma bela p\u00e1gina liter\u00e1ria, era tamb\u00e9m um libelo social e pol\u00edtico.<\/p>\n<p>    Macuna\u00edma \u00e9 uma figura atravessada por uma esp\u00e9cie de puls\u00e3o de morte institucional \u2013 nele nada \u00e9 regular, convencional, progressista; tudo \u00e9 pregui\u00e7a, improvisa\u00e7\u00e3o, anarquia. Falta-lhe a dimens\u00e3o da perman\u00eancia, imprescind\u00edvel \u00e0 defini\u00e7\u00e3o de car\u00e1ter.<\/p>\n<p>    Alfredo Bosi diz: \u201cDo ponto de vista ideol\u00f3gico significa pensar o pr\u00f3prio povo brasileiro como uma exist\u00eancia selvagem, colonial e moderna, \u00e0 procura de uma identidade que beira a surpresa e a indetermina\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>    Segundo Bosi, o n\u00e3o car\u00e1ter aproxima-se mais da constata\u00e7\u00e3o melanc\u00f3lica de uma amorfia, sem medula ou projeto, do que do otimismo do amor \u00e0 fala e aos feitos populares, de teor livre e instintivo.<\/p>\n<p>    M\u00e1rio faz de Macuna\u00edma um her\u00f3i melanc\u00f3lico tamb\u00e9m por ele ter sucumbido maravilhado, ao estrangeiro.<br \/>    \u201cVei se vinga do her\u00f3i por ele ter cedido aos encantos de Dna. Sancha, portuguesa.<br \/>    Ora a identidade brasileira sempre foi uma preocupa\u00e7\u00e3o de Mario de Andrade.<\/p>\n<p>    Esta perda sofrida, este afastamento da natureza e de nossas cren\u00e7as, talvez seja uma raz\u00e3o para entendermos a melancolia e a passividade comuns ao nosso povo.<br \/>    Nunca vivemos o luto dessa perda, ao contr\u00e1rio negamos a import\u00e2ncia de nossas ra\u00edzes ao querer construir uma imagem igual \u00e0 do colonizador, pai, poderoso e s\u00e1bio.<\/p>\n<p>    Al\u00e9m disso, parece que estamos eternamente esperando o salvador, aquele que nos mostraria o caminho para a terra sem mal, talvez o Jardim do Eden, o para\u00edso perdido.<\/p>\n<p>    Questionando Paulo Prado, a ra\u00e7a triste foi criada por falta de ideal ou por terem sido estirpados, a f\u00f3rceps, os valores e cren\u00e7as de seus antepassados.<\/p>\n<p>    Jeca Tatu o caboclo indolente, o depredador do ambiente, atuava em fun\u00e7\u00e3o de ra\u00edzes inconscientes. Porque s\u00f3 ele n\u00e3o canta, n\u00e3o ri e n\u00e3o ama, ou melhor, n\u00e3o vive. Talvez por n\u00e3o poder aceitar o modelo imposto, n\u00e3o acreditar em projetos que n\u00e3o escolheu e ser incapaz de se sonhar fazendo parte do progresso e do desenvolvimento.<\/p>\n<p>    Assim, concordo com Alfredo Bosi, quando fala da melancolia da n\u00e3o forma, ou da falta de projeto.<\/p>\n<p>    Segundo Alexander Lowen, podemos aceitar a perda se soubermos que n\u00e3o<br \/>    estamos condenados a um luto cont\u00ednuo, assim como podemos aceitar a noite<br \/>    porque sabemos que o dia nascer\u00e1 e aceitar a tristeza, quando sabemos que a<br \/>    alegria brotar\u00e1 novamente. Mas a alegria s\u00f3 pode brotar quando nosso esp\u00edrito<br \/>    \u00e9 livre.<\/p>\n<p>    A principal raz\u00e3o para a aus\u00eancia de alegria nas atividades comuns \u00e9 que s\u00e3o<br \/>    controladas pelo Ego. As crian\u00e7as cujas atividades ainda n\u00e3o s\u00e3o totalmente<br \/>    controladas pelo Ego, conseguem vivenciar a alegria, seguindo os impulsos<br \/>    naturais do seu corpo.<\/p>\n<p>    A dan\u00e7a e a m\u00fasica s\u00e3o atividades que podem se transformar em viv\u00eancias mobilizadoras e que podem nos fazer perder este controle. Para a maioria dos povos primitivos, dan\u00e7ar \u00e9 parte das suas cerim\u00f4nias religiosas. De qualquer forma dan\u00e7ar sempre leva \u00e0 alegria.<\/p>\n<p>    Acho que \u00e9 ineg\u00e1vel a import\u00e2ncia da m\u00fasica e da dan\u00e7a para n\u00f3s. O brasileiro sempre foi visto como um povo alegre e festivo, est\u00e1 sempre dan\u00e7ando. Talvez a dan\u00e7a nos ajude a afastar os maus-esp\u00edritos ou ent\u00e3o tenha se transformado num ant\u00eddoto contra o marasmo e a passividade.<\/p>\n<p>    No carnaval podemos tudo!<\/p>\n<p>    O povo pode cantar, dan\u00e7ar e reescrever sua hist\u00f3ria. Podemos ser reis, rainhas, \u00edndios, escravos e todos juntos, qual uma m\u00e1gica, somos transportados para o mundo do faz de conta e nesses quatro dias, somos alegres e felizes outra vez.<\/p>\n<p>    E tudo se acabar na quarta feira&#8230;&#8230;..<\/p>\n<p>    BIBLIOGRAFIA<br \/>    ANDRADE, Mario &#8211; Macuna\u00edma O her\u00f3i sem nenhum car\u00e1ter.<br \/>    LOWEN, Alexander &#8211; Alegria<br \/>    GAMBINI, Roberto &#8211; Espelho \u00edndio<br \/>    JAFFE, Noemi &#8211; Macuna\u00edma<br \/>    LANDERS, Vasda B. \u2013 De Jeca \u00e0 Macuna\u00edma<br \/>    RIBEIRO, Darcy Ribeiro &#8211; O povo brasileiro<br \/>    SODR\u00c9, Muniz &#8211; Claros e Escuros Identidade, povo e m\u00eddia no Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>9 &#8211; T\u00edtulo do trabalho ALEGRES OU MELANC\u00d3LICOS? Quem somos n\u00f3s? Eulina RibeiroPresidente da SOBAB &#8211; SPDiretora da Federa\u00e7\u00e3o Latino-Americana deAn\u00e1lise Bioenerg\u00e9tica. H\u00e1 muito tempo s\u00e3o<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[19],"tags":[],"class_list":["post-112","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-congresso-2003"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/112","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=112"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/112\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=112"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=112"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=112"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}