{"id":110,"date":"2011-01-11T02:11:00","date_gmt":"2011-01-11T02:11:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.analisebioenergetica.com\/site\/?p=110"},"modified":"2011-01-11T02:11:00","modified_gmt":"2011-01-11T02:11:00","slug":"a-musica-do-corpo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/a-musica-do-corpo\/","title":{"rendered":"A M\u00daSICA DO CORPO"},"content":{"rendered":"<div id=\"fb-root\"><\/div>\n<p>    11 &#8211; T\u00edtulo do trabalho<br \/>    A M\u00daSICA DO CORPO<\/p>\n<p>Cl\u00e1udia Lelis<br \/>*Musicoterapeuta \u2013 Formada pela FAAP \/ Curitiba \/ PR \/ 1988<br \/>*Terapeuta Corporal pelo Instituto Neo-Reichiano L\u00famen \/ RP \/ SP 1999<br \/>*Mestre em Psicologia pela USP \/ RP \/ SP2002<br \/>*Trainee em An\u00e1lise Bioenerg\u00e9tica pela Sociedade de An\u00e1lise Bioenerg\u00e9tica de Ribeir\u00e3o Preto \/ SP<\/p>\n<p>    O poeta Hafiz conta uma lenda da Antiga P\u00e9rsia: \u201cDeus fez uma est\u00e1tua de barro \u00e0 sua pr\u00f3pria imagem e quis que essa est\u00e1tua possu\u00edsse uma alma. Mas a alma recusou-se a ser aprisionada no corpo, pois \u00e9 de sua natureza ser livre e voar \u00e0 vontade. Ent\u00e3o Deus pediu aos anjos que tocassem sua m\u00fasica. E a medida que os anjos tocavam, a alma ficou extasiada. Para poder sentir melhor a m\u00fasica e ouvi-la de perto, a alma entrou no corpo. A verdade por\u00e9m \u00e9 que a pr\u00f3pria alma era o som e ela entrou no corpo para experimentar e ouvir a m\u00fasica da vida.\u201d<br \/>    O uso terap\u00eautico da m\u00fasica \u00e9 milenar. Nas tribos primitivas os curandeiros e paj\u00e9s acreditavam que a doen\u00e7a era um mal esp\u00edrito que habitava o corpo, e que para expulsar o mal esp\u00edrito era preciso cantar e dan\u00e7ar em volta do doente at\u00e9 que ele melhorasse. A musicoterapia parte do princ\u00edpio que o som \u00e9 pr\u00e9-verbal, e por isso pode atingir caminhos que a palavra n\u00e3o alcan\u00e7a. Os instrumentos musicais foram criados pelo homem por uma necessidade de se expressar e se comunicar, depois que veio o objetivo est\u00e9tico, art\u00edstico e terap\u00eautico. Cada instrumento carrega a sua hist\u00f3ria e seu simbolismo, assim como cada corpo, cada pessoa carrega a sua hist\u00f3ria sonoro-emocional.<br \/>    O instrumento musical mais importante que temos \u00e9 a voz (e o corpo!), pois \u201co som resultante do ato expressivo funciona como espelho do interior. Recuperar nossos sons \u00e9 recuperar nossos corpos\u201d ( Fregtman).<br \/>    Citando Ken Bruscia, \u201cfazer e criar m\u00fasica possibilitam oportunidades de auto-express\u00e3o em diversos n\u00edveis. No n\u00edvel mais primitivo, ela nos permite expressar nossos corpos atrav\u00e9s do som, vibrar e ressoar suas v\u00e1rias partes de forma a poderem ser ouvidas. Quando cantamos ou tocamos instrumentos, liberamos nossa energia interna para o mundo externo, fazemos nosso corpo soar, damos forma a nossos impulsos, destilamos nossas emo\u00e7\u00f5es em formas sonoras descritivas\u201d. As m\u00fasicas e os sons que cantamos funcionam como amplificadores externos de nossos sentimentos, sensa\u00e7\u00f5es e express\u00f5es.<br \/>    Numa perspectiva Reichiana, temos an\u00e9is de tens\u00e3o ao longo do corpo que causam bloqueios na nossa percep\u00e7\u00e3o de sensa\u00e7\u00f5es, sentimentos, auto-express\u00e3o e a\u00e7\u00e3o. Esses bloqueios v\u00e3o se instalando no corpo atrav\u00e9s da freq\u00fc\u00eancia e intensidade de traumas sofridos, desde o nascimento, passando pela inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia, at\u00e9 revelar o que somos na vida adulta. Podemos dizer que nossos sons geralmente s\u00e3o reprimidos por estas tens\u00f5es musculares que impedem sua plena express\u00e3o e realiza\u00e7\u00e3o. \u201cToda rigidez muscular cont\u00e9m a hist\u00f3ria e a significa\u00e7\u00e3o de sua origem. A sua dissolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas libera a energia, como tamb\u00e9m traz a mem\u00f3ria at\u00e9 a mesma situa\u00e7\u00e3o em que ocorreu a repress\u00e3o\u201d (Reich, em A fun\u00e7\u00e3o do orgasmo).<br \/>    Integrar a m\u00fasica e o som a terapia \u00e9 integrar o corpo, porque a m\u00fasica \u00e9 feita, dita, pensada, tocada e cantada como manifesta\u00e7\u00e3o corporal. E \u00e9 buscar o corpo, os seus gestos, posturas e estilos como engrenagem da hist\u00f3ria do indiv\u00edduo, isto \u00e9, da hist\u00f3ria da sua fam\u00edlia, do seu setor social, de sua cultura. Mergulhar no corpo leva necessariamente \u00e0 rela\u00e7\u00e3o do corpo com o corpo do outro, desenvolvendo um plano de encontro. \u00c9 necess\u00e1rio que o som coincida com a emo\u00e7\u00e3o. Ao estar carregada emotivamente a vibra\u00e7\u00e3o sonora adquire um dinamismo e uma compreens\u00e3o esclarecedora. Os sons desprovidos de emo\u00e7\u00e3o s\u00e3o vazios e sem valor. (Fregtman)<br \/>    Quando um corpo vibrante emite som, h\u00e1 energia posta em movimento. Ele emite energia. Os corpos e os instrumentos musicais constituem emissores de energia. A voz, o som da pessoa revela sua hist\u00f3ria corporal, emocional, cultural, espiritual. Quando o som de uma pessoa est\u00e1 conectado com sua emo\u00e7\u00e3o podemos sentir seu colorido, sua vibra\u00e7\u00e3o, sua energia.<br \/>    Segundo Fregtman, assim como um toque, uma press\u00e3o ou uma massagem pode servir como primeira fenda numa armadura cacterol\u00f3gica, \u00e9 poss\u00edvel pressionar um indiv\u00edduo com um \u201d toque sonoro \u201c, a liberar suas emo\u00e7\u00f5es, o movimento e a express\u00e3o. Cada som ou vibra\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica possuiu uma altura ou freq\u00fc\u00eancia determinada e, portanto, ressoa numa determinada zona de nosso corpo, podendo chegar a dissolver tens\u00f5es e bloqueios corporais e facilitar o fluxo de energia.<br \/>    Para que a pessoa recupere seu potencial criativo e de auto-express\u00e3o \u00e9 preciso que ela recupere o uso pleno da voz, com todo seu colorido e extens\u00e3o o que significa resgatar seu sentimentos e sua espontaneidade.<br \/>    A flexibiliza\u00e7\u00e3o destas tens\u00f5es, no processo Musicoterap\u00eautico Corporal, se d\u00e1 atrav\u00e9s do resgate da respira\u00e7\u00e3o, do resgate da auto-express\u00e3o sonora e corporal, atrav\u00e9s do cantar, do brincar com as din\u00e2micas e ritmos da voz, atrav\u00e9s da emiss\u00e3o de sons de ronronar, sons guturais, sons primitivos, express\u00f5es de raiva, de medo, de desespero, de tristeza, de alegria, do choro, da gargalhada, numa tentativa de entrar em contato com a ess\u00eancia que todos somos, a ess\u00eancia da crian\u00e7a e do beb\u00ea que fomos um dia, livres em nossos cora\u00e7\u00f5es.<br \/>    Marly Chagas enfatiza a emiss\u00e3o vocal como importante recurso terap\u00eautico, pois a vibra\u00e7\u00e3o da voz faz vibrar o corpo, \u00e9 uma massagem vibrat\u00f3ria a partir da pr\u00f3pria pessoa, de dentro pra fora, ajudando a desbloquear estes an\u00e9is de tens\u00e3o.<br \/>    Conhecer e experimentar as din\u00e2micas sonoro-corporais no processo Musicoterap\u00eautico Neoreichiano, \u00e9 uma fonte de conhecimento importante para rela\u00e7\u00e3o do ser com seu corpo e seus movimentos, para restaura\u00e7\u00e3o da espontaneidade, para restaura\u00e7\u00e3o do ser que est\u00e1 buscando a sua ess\u00eancia, resgatando suas potencialidades, buscando uma maior integra\u00e7\u00e3o entre seus sentimentos e a\u00e7\u00f5es, conhecendo os seus limites, aceitando-os e podendo transform\u00e1-los. N\u00e3o devem existir dualidades, subdivis\u00f5es, mente e corpo, corpo e voz, e sim sentimentos, a\u00e7\u00f5es e rea\u00e7\u00f5es que envolvem nosso organismo como um todo.<br \/>    Fregtman cita o que est\u00e1 escrito no Memorial da M\u00fasica Chinesa: &#8230;\u201d se se produz uma nota, foi no cora\u00e7\u00e3o humano que ela nasceu&#8230; o cora\u00e7\u00e3o excita a m\u00fasica, a m\u00fasica excita o cora\u00e7\u00e3o. A m\u00fasica colorida de motilidade que expressa o pr\u00f3prio ser. Movida a partir das ra\u00edzes da emo\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>    Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas:<br \/>    BRUSCIA, Kenneth. Definindo Musicoterapia. Rio de Janeiro.Enelivros, 2000.<br \/>    CHAGAS, M. Musicoterapia e Psicoterapia Corporal. In: Revista Brasileira de Musicoterapia. Rio de Janeiro. Ano II, n\u00famero 3, 1997.<br \/>    FREGTMAN, C.D. Corpo, M\u00fasica e Terapia. S\u00e3o Paulo. Cultrix, 1990.<br \/>    GAYOTTO, L.H. Voz, partitura da a\u00e7\u00e3o. S\u00e3o Paulo. Summus, 1997.<br \/>    LOWEN, A. Bioenerg\u00e9tica. S\u00e3o Paulo. Summus, 1982.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>11 &#8211; T\u00edtulo do trabalho A M\u00daSICA DO CORPO Cl\u00e1udia Lelis*Musicoterapeuta \u2013 Formada pela FAAP \/ Curitiba \/ PR \/ 1988*Terapeuta Corporal pelo Instituto Neo-Reichiano L\u00famen<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[19],"tags":[],"class_list":["post-110","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-congresso-2003"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/110","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=110"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/110\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=110"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=110"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=110"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}