{"id":107,"date":"2011-01-11T01:58:00","date_gmt":"2011-01-11T01:58:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.analisebioenergetica.com\/site\/?p=107"},"modified":"2011-01-11T01:58:00","modified_gmt":"2011-01-11T01:58:00","slug":"corpo-do-sonho-e-corpo-do-sonhador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/corpo-do-sonho-e-corpo-do-sonhador\/","title":{"rendered":"CORPO DO SONHO E CORPO DO SONHADOR"},"content":{"rendered":"<div id=\"fb-root\"><\/div>\n<p>    13 &#8211; T\u00edtulo do trabalho<br \/>    CORPO DO SONHO E CORPO DO SONHADOR<\/p>\n<p>Jean-Marc Guillerme<br \/>Trainer Internacional, IIBA<\/p>\n<p>    \u201cPor vezes, as crian\u00e7as acordam com tanto<br \/>    medo que vos d\u00e3o golpes como que para se<br \/>    darem conta de que ainda est\u00e3o vivos\u201d.<br \/>    (Palavra de sonho da minha av\u00f3 Anna)<\/p>\n<p>    \u201cQue resta aos pobres, sen\u00e3o um cora\u00e7\u00e3o para lutar?\u201d<br \/>    Michel Serres, Variations sur le corps, Fayard 1999, p.55.<\/p>\n<p>    Escolha por exemplo quatro sonhos sem import\u00e2ncia. Olhe para o corpo do sonhador. Pergunte-se qual a parte do corpo do sonhador est\u00e1 em jogo no sonho. Traduza a cena em movimento, ver\u00e1 ent\u00e3o desfazer-se o car\u00e1ter, ver\u00e1 vibrar a pessoa, conjugando assim o verbo, o sonho e o corpo em Beleza.<\/p>\n<p>    Foi durante um semin\u00e1rio sobre sonho, no Recife, que surgiu a id\u00e9ia de formular mais profundamente uma reflex\u00e3o sobre uma obra come\u00e7ada h\u00e1 vinte anos por ocasi\u00e3o da vinda de A. Lowen \u00e0 Paris (cf Dream and Character, Bioenerg\u00e9tic Analysis, vol. 1, n\u00b02, Spring 1985). Fiquei fascinado durante muitos anos pela obra de Binswanger: R\u00eave et existence (Ed. Descl\u00e9e de Brouwer 1954) e pelo pre\u00e2mbulo de Michel Foucaut que escreve na p\u00e1gina 15: \u201ca an\u00e1lise do sonho n\u00e3o se esgotar\u00e1 ao n\u00edvel da hermen\u00eautica dos s\u00edmbolos, mas a partir de uma interpreta\u00e7\u00e3o exterior do \u00e2mbito da decifra\u00e7\u00e3o. Poder\u00e1, sem ter que se refugiar numa filosofia, alcan\u00e7ar a compreens\u00e3o das estruturas existenciais\u201d. Tentei portanto elaborar uma maneira de \u201ctrabalhar\u201d com sonho e a energia.<\/p>\n<p>    Segue inicialmente o conte\u00fado verbal de quatro sonhos de participantes do grupo: dois homens (Jo\u00e3o e Oscar), e duas mulheres (Mam\u00e3o e Querida):<br \/>    Jo\u00e3o encontra um homem da mesma idade que ele. Tem uma pistola na m\u00e3o para se defender n\u00e3o para atacar.<br \/>    Mam\u00e3o (sonho repetitivo) As ondas do mar, poderosas, arrastam tudo com elas. Por vezes ela \u00e9 arrastada, mas desta vez est\u00e1 salva.<br \/>    \u00d3scar: Os vampiros atacam a multid\u00e3o. Um vampiro f\u00eamea salta-lhe \u00e0 garganta.<br \/>    Querida: Num edif\u00edcio muito alto est\u00e1 um elevador. Ela est\u00e1 dentro. O elevador sobe, mas desvia para direita.Ela sente-se perdida.<\/p>\n<p>    Qual o denominador comum entre estes quatro sonhos? O medo!<br \/>    O medo est\u00e1 no centro da exist\u00eancia: \u201cmedo de viver\u201d (t\u00edtulo de Lowen), medo de morrer. O medo traduz-se no corpo pela tens\u00e3o muscular cr\u00f4nica (Lowen fala de um medo \u201cgelado\u201d), pela redu\u00e7\u00e3o da respira\u00e7\u00e3o, pelo frio localizado nas extremidades, pelo olhar ausente. Resumindo, por uma diminui\u00e7\u00e3o significativa da vitalidade sexual do indiv\u00edduo.<br \/>    Jo\u00e3o tem medo de matar (ser morto?)<br \/>    Mam\u00e3o tem medo de ser submergida (de submerger?)<br \/>    \u00d3scar tem medo de ser chupado, de lhe tirarem o sangue (de chupar? devorar?)<br \/>    Querida tem medo de subir e desviar, de se perder.<br \/>    Ser\u00e3o estes sonhos informa\u00e7\u00f5es provenientes do imagin\u00e1rio, do inconsciente?<br \/>    Em que medida nos falam do corpo e do car\u00e1cter do sonhador?<\/p>\n<p>    Hip\u00f3teses de trabalho<\/p>\n<p>    Freud considera o sonho como o \u201ccaminho real\u201d para aceder \u00e0s for\u00e7as vivas do inconsciente, \u00e0 puls\u00e3o, ao seu objeto e ao seu objetivo. Reich desenvolve a no\u00e7\u00e3o de unidade somato-ps\u00edquica atrav\u00e9s da no\u00e7\u00e3o de car\u00e1ter.<br \/>    A vis\u00e3o reichiana implica necessariamente que o sonho n\u00e3o seja uma mera emana\u00e7\u00e3o do inconsciente com origem for\u00e7osamente cerebral, mas que o sonho fale obrigatoriamente do corpo do sonhador na sua unidade somato-ps\u00edquica.<br \/>    A representa\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica de Lowen (Newsletter, vol 18, no 2, 1998) em rela\u00e7\u00e3o a esta unidade poderia prolongar-se, alterar-se ou completar-se, colocando o sonho algures no centro do esquema no ponto de forma\u00e7\u00e3o e de descri\u00e7\u00e3o da dupla corrente corpo-esp\u00edrito, por serem t\u00e3o freq\u00fcentes os clientes que nunca sonham (e muitas vezes deixam de se exprimir o soma) e outros que vivem de sonhos e em sonhos (tendo como conseq\u00fc\u00eancia pouco contato com as sensa\u00e7\u00f5es corporais e com enraizamento).<\/p>\n<p>    Metodologia<\/p>\n<p>    Com o tempo e com a experi\u00eancia, estabeleceu-se pouco a pouco uma metodologia na minha pr\u00e1tica de tratamento do sonho.<\/p>\n<p>    Primeiro o sujeito conta o seu sonho de p\u00e9 (roupa de banho ou roupa intima).<br \/>    Lentamente. Desde a\u00ed se pode observar os movimentos das pernas, os tiques, o aparecimento de manchas vermelhas, um tom de voz diferente, etc&#8230;<br \/>    Depois, a pessoa \u00e9 convidada a exprimir:<br \/>    &#8211; a emo\u00e7\u00e3o suscitada pelo sonho e a sua inscri\u00e7\u00e3o corporal (onde?)<br \/>    &#8211; o contexto do sonho: o que lhe aconteceu na vida real na v\u00e9spera ou antev\u00e9spera do sonho<br \/>    &#8211; as associa\u00e7\u00f5es entre o conte\u00fado do sonho e a sua inf\u00e2ncia, adolesc\u00eancia&#8230;<\/p>\n<p>    Entretanto o terapeuta olha para o corpo e suas tens\u00f5es, relacionadas com o conte\u00fado do sonho. Como um vaiv\u00e9m entre verbo e o corpo. E deixa-se surpreender pelas correspond\u00eancias&#8230;<\/p>\n<p>    Jo\u00e3o tem um corpo hiper-tenso, \u201cfechado\u201d, em estado de extrema vigil\u00e2ncia com uma forte tens\u00e3o ocular, olhos frios, uma respira\u00e7\u00e3o fortemente controlada, uma p\u00e9lvis estreita. Resumindo; um car\u00e1ter f\u00e1lico narc\u00edsista dominante.<\/p>\n<p>    Mam\u00e3o \u00e9 uma mulher bonita, cabelos castanhos e olhos brilhantes, a p\u00e9lvis puxada para tr\u00e1s, estreito e tenso. As s\u00e3o pernas s\u00e3o mi\u00fadas com pouco enraizamento. Parece uma sereia. Domina um car\u00e1ter hist\u00e9rico.<\/p>\n<p>    Algo indolente emana do corpo de Oscar. \u00c9 p\u00e1lido com olhos aterrorizados e uma boca estreita que faz l\u00e1bios de desgosto ou suc\u00e7\u00e3o. Um car\u00e1ter passivo feminino dominante.<\/p>\n<p>    Querida \u00e9 uma rapariga delgada, p\u00e1lida com uma ligeira deforma\u00e7\u00e3o nos ombros, olhos grandes, assustados e vazios. Um car\u00e1ter oral esquiz\u00f3ide.<\/p>\n<p>    Ao fazer a correspond\u00eancia entre o corpo do sonho e o corpo do sonhador, percebemo-nos logo que Jo\u00e3o tem pistolas nos olhos e que j\u00e1 pode ter visto a morte de perto. A sua p\u00e9lvis est\u00e1 t\u00e3o bloqueada que lhe \u00e9 dif\u00edcil movimentar esta zona.<\/p>\n<p>    Mam\u00e3o tem o sexo nos olhos, mas n\u00e3o tem sexo: a onda respirat\u00f3ria est\u00e1 bloqueada na parte superior da p\u00e9lvis.<\/p>\n<p>    Oscar \u00e9 exangue, tem um corpo de v\u00edtima resignada.<\/p>\n<p>    Querida \u00e9 uma \u201ctorre\u201d um pouco desequilibrada com um olhar atento.<\/p>\n<p>    Estas observa\u00e7\u00f5es e correspond\u00eancias entre sonho e corpo s\u00e3o indispens\u00e1veis para perlabora\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, para p\u00f4r em movimento e em m\u00fasica o corpo do sonho e o corpo do sonhador.<\/p>\n<p>    As associa\u00e7\u00f5es do sonhador ir\u00e3o depois apoiar as percep\u00e7\u00f5es do analista bioenerg\u00e9tico. Servir\u00e3o de apoio \u00e0s hip\u00f3teses j\u00e1 constru\u00eddas durante a an\u00e1lise do corpo (v.g. a estrutura do car\u00e1cter). Portanto:<\/p>\n<p>    Jo\u00e3o foi o guardi\u00e3o da fam\u00edlia num bairro carregado de viol\u00eancia. Mam\u00e3o, foi violada aos 9 anos pelo pai. Oscar diz que o cora\u00e7\u00e3o lhe foi arrancado por uma m\u00e3e intrometida. Querida sofre de fobias graves desde o seu casamento e deve manter-se um modelo para seus pais.<br \/>    Desta forma, o sujeito adere ao seu sonho revelando o medo e a vergonha que est\u00e3o na raiz do sonho.<br \/>    Agora est\u00e1 tudo pronto para continuara marcha do \u201ccaminho real\u201d.<\/p>\n<p>    A perlabora\u00e7\u00e3o do sonho<\/p>\n<p>    Uma vez que o medo parece o afeto mais importante dos nossos quatro sonhadores, a primeira etapa consiste em explorar o medo gra\u00e7as a um trabalho de aproxima\u00e7\u00e3o, de p\u00e9 (Mam\u00e3o, Querida), em cima do banco (Oscar), atrav\u00e9s de um movimento de voltar o corpo inteiro, de p\u00e9, com o terapeuta a olhar para o cliente com olhos frios. A din\u00e2mica energ\u00e9tica fica assim mobilizada na transfer\u00eancia e permite abrir a respira\u00e7\u00e3o de forma not\u00e1vel atrav\u00e9s da express\u00e3o do medo (nos olhos, na voz).<\/p>\n<p>    A partir desta base comum do medo, o trabalho energ\u00e9tico ira diferenciar-se:<br \/>    &#8211; consoante a estrutura do car\u00e1ter<br \/>    &#8211; consoante o conte\u00fado do sonho<br \/>    &#8211; consoante a transfer\u00eancia<\/p>\n<p>    Jo\u00e3o, em cima do banco, sente tens\u00f5es enormes no pesco\u00e7o, grita de ter a sensa\u00e7\u00e3o de abafar, os olhos fechados; a dor \u00e9 insuport\u00e1vel na nuca. Sentado ir\u00e1 depois pousar a cabe\u00e7a em cima de uma almofada nos meus joelhos e solu\u00e7ar, chorar longamente, balbuciando \u201cestou sozinho\u201d. Ir\u00e1 depois fazer um movimento de queda para tr\u00e1s (abandonar-se n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil para ele, ele pr\u00f3prio considera ter paran\u00f3ias). Deitado de costas, a respira\u00e7\u00e3o ir\u00e1 aumentar, permitindo as vibra\u00e7\u00f5es da p\u00e9lvis. Como se deixasse sair a pistola sem ser amea\u00e7ado. A cara est\u00e1 relaxada e o corpo inteiro vibra devagar.<\/p>\n<p>    Mam\u00e3o chora e solu\u00e7a muito tempo em cima do banco com recorda\u00e7\u00f5es da viola\u00e7\u00e3o o que provoca um in\u00edcio de relaxamento da p\u00e9lvis. Em cima do colch\u00e3o mobiliza as pernas para exprimir a raiva para com o pai. Uma descarga muito forte. As vibra\u00e7\u00f5es atingem a bacia. Gra\u00e7as \u00e0 posi\u00e7\u00e3o de arco em cima do colch\u00e3o, a onda respirat\u00f3ria ir\u00e1 invadir o corpo inteiro.<\/p>\n<p>    Oscar. O medo de ser devorado pelo vampiro continua a ser explorado no colch\u00e3o que provoca uma abertura reflexo do diafragma. Oscar ir\u00e1 em seguida morder a toalha com gritos de vampiro, mobilizando sua energia nos bra\u00e7os e nas pernas em movimento. Acaba numa posi\u00e7\u00e3o em arco e com uma vibra\u00e7\u00e3o correta ao longo do corpo.<\/p>\n<p>    Querida vai mobilizar toda sua energia batendo os bra\u00e7os e as pernas e gritando: \u201cdeixem-me respirar\u201d. Chora e solu\u00e7a. A sua respira\u00e7\u00e3o peitoral e abdominal amplifica-se e as vibra\u00e7\u00f5es v\u00e3o aparecer ao longo da \u201ctorre\u201d com uma sensa\u00e7\u00e3o de estar viva e inteira.<\/p>\n<p>    ILUSTRA\u00c7\u00c3O DE UMA SEQ\u00dc\u00caNCIA CL\u00c1SSICA DE AN\u00c1LISE BIOENERG\u00c9TICA:<\/p>\n<p>[IMAGEM]<\/p>\n<p>    \u201cTenho um sonho\u201d transforma-se assim em \u201cSou o meu sonho\u201d. Segundo Foucaut, a psican\u00e1lise (op.cit.p.28) \u201cnunca conseguiu que as imagens falassem\u201d. A an\u00e1lise bioenerg\u00e9tica consegue dar vida e voz \u00e0s imagens do sonho. O trabalho energ\u00e9tico permite n\u00e3o s\u00f3 a compreens\u00e3o do sonho mas tamb\u00e9m o integrar na experi\u00eancia corporal \u00edntima. A pessoa sente-se mais em contato com as suas sensa\u00e7\u00f5es, a sua sexualidade, o seu grounding. Ao fim do trabalho, a beleza do corpo em vibra\u00e7\u00e3o, do corpo integrado, tem algo fascinante. \u201cQuem faz a experi\u00eancia? O corpo. Quem inventa? Ele. E quem flutua, corre, e voa&#8230; \u00c9 sim, mais uma vez o corpo. O corpo nu. \u201cSem ele, a intelig\u00eancia \u00e9 pesada, porque s\u00f3 lhe resta a l\u00f3gica e a mem\u00f3ria, atributos maquinais que s\u00f3 servem \u00e0s m\u00e1quinas\u201d(Michel Serres, op.cit.p.188).<\/p>\n<p>    Agrade\u00e7o a Jo\u00e3o, a Mam\u00e3o, a Querida, assim como a Jayme Panerai (observador do grupo e estimulador) e Guy Tonella por me terem ajudado a abrir desta forma um pouco mais os segredos do sonho em corpo.<br \/>    Recife, 07 de novembro de 1999.<\/p>\n<p>    Jean-Marc Guillerme<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>13 &#8211; T\u00edtulo do trabalho CORPO DO SONHO E CORPO DO SONHADOR Jean-Marc GuillermeTrainer Internacional, IIBA \u201cPor vezes, as crian\u00e7as acordam com tanto medo que vos<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[19],"tags":[],"class_list":["post-107","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-congresso-2003"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/107","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=107"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/107\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=107"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=107"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=107"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}