{"id":1044,"date":"2016-02-12T16:23:23","date_gmt":"2016-02-12T18:23:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.analisebioenergetica.com\/site\/?p=1044"},"modified":"2016-02-12T16:23:23","modified_gmt":"2016-02-12T18:23:23","slug":"uma-sensacao-a-procura-de-uma-memoria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/uma-sensacao-a-procura-de-uma-memoria\/","title":{"rendered":"Uma sensa\u00e7\u00e3o \u00e0 procura de uma mem\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<div id=\"fb-root\"><\/div>\n<h3>Uma sensa\u00e7\u00e3o \u00e0 procura de uma mem\u00f3ria<\/h3>\n<p><strong>**Helen Resneck-sannes \u2013 Trainer Internacional de An\u00e1lise Bioenerg\u00e9tica \u2013<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 um dogma h\u00e1 muito tempo estabelecido no campo da\u00a0<a id=\"_GPLITA_0\" title=\"Click to Continue &gt; by eDeals\" href=\"http:\/\/www.libertas.com.br\/libertas\/uma-sensacao-a-procura-de-uma-memoria\/#\">PSICOTERAPIA<img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/cdncache-a.akamaihd.net\/items\/it\/img\/arrow-10x10.png\" alt=\"\" \/><\/a>, especialmente na psican\u00e1lise, de que o trauma e a repress\u00e3o est\u00e3o ligados entre si. Muitas vezes, algo t\u00e3o chocante e t\u00e3o esmagador acontece \u00e0 pessoa que o c\u00e9rebro isola e lacra o incidente de tal modo que o evento n\u00e3o pode mais ser lembrado por longo tempo, o que protege o ego de ser inundado. Muitos anos depois, \u00e0s vezes 20 ou at\u00e9 50 anos mais tarde, a mem\u00f3ria emerge na consci\u00eancia. Isto parece especialmente verdadeiro para v\u00edtimas de abuso infantil.<\/p>\n<p>Alguns clientes v\u00e3o para a terapia apresentando um quadro similar a v\u00edtimas de abuso sexual. Seus limites s\u00e3o fr\u00e1geis. Eles facilmente tornam-se emocionalmente inundados e n\u00e3o conseguem conter os sentimentos. Drogas, \u00e1lcool ou alimentos s\u00e3o usados para abafar seus sentimentos. A vergonha em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sexualidade est\u00e1 presente assim como o comportamento sexual torna-se provocativo e coloca em risco o cliente. N\u00e3o obstante todos esses sintomas que geralmente correlacionam-se com o abuso sexual, o cliente nega qualquer mem\u00f3ria de incidente de manipula\u00e7\u00e3o ou de abuso sexual.<\/p>\n<p><strong>REPRESS\u00c3O E ABUSO SEXUAL<\/strong><\/p>\n<p>O debate atual no campo da\u00a0<a id=\"_GPLITA_1\" title=\"Click to Continue &gt; by eDeals\" href=\"http:\/\/www.libertas.com.br\/libertas\/uma-sensacao-a-procura-de-uma-memoria\/#\">PSICOTERAPIA<img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/cdncache-a.akamaihd.net\/items\/it\/img\/arrow-10x10.png\" alt=\"\" \/><\/a>\u00a0tem sido muito \u00e1rduo. A quest\u00e3o \u00e9: pode o terapeuta saber a respeito do abuso infantil do cliente quando ele mesmo \u00e9 desconhecedor disso? Diversos clientes meus tiveram terapeutas que decidiram que eles tinham sido molestados sexualmente. Os terapeutas come\u00e7aram o trabalho na dire\u00e7\u00e3o de promover a recupera\u00e7\u00e3o das mem\u00f3rias de abuso. Uma cliente produziu mem\u00f3rias para o terapeuta. Mais tarde, na terapia comigo, ela admitiu que esses eventos nunca realmente aconteceram. Para os outros nenhuma mem\u00f3ria emergiu. Todos os clientes tornaram-se mais e mais confusos e envergonhados a respeito de seus sentimentos sexuais. Nenhuma mem\u00f3ria de abuso sexual emergiu porque n\u00e3o havia nenhum incidente. Esses cliente cresceram em fam\u00edlias nas quais os limites n\u00e3o foram respeitados. Muitos deles foram emocionalmente inundados por necessidades de um de seus pais. A amea\u00e7a de viol\u00eancia estava presente, muitas vezes do pai que era tamb\u00e9m sedutor. Eles cresceram numa atmosfera de abuso emocional e sexual, mas n\u00e3o houve incidente f\u00edsico de abuso sexual para ser relembrado. N\u00e3o havia mem\u00f3ria porque n\u00e3o houve incidente.<\/p>\n<p>Para uma de minhas cliente, a qual me referirei como Marge, a procura da mem\u00f3ria de molestamento sexual, empreendida por seu terapeuta, resultou em algo devastador. Ela tornou-se n\u00e3o org\u00e1stica e parou de fazer sexo quando as crian\u00e7as estavam em\u00a0<a id=\"_GPLITA_2\" title=\"Click to Continue &gt; by eDeals\" href=\"http:\/\/www.libertas.com.br\/libertas\/uma-sensacao-a-procura-de-uma-memoria\/#\">CASA<img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/cdncache-a.akamaihd.net\/items\/it\/img\/arrow-10x10.png\" alt=\"\" \/><\/a>. Como ambas as crian\u00e7as eram pequenas, isto significou que suas rela\u00e7\u00f5es sexuais com seu marido foram quase completamente interrompidas.<\/p>\n<p>V\u00e1rios anos antes, Marge come\u00e7ara uma terapia por sugest\u00e3o de seu marido que estava em terapia comigo neste tempo. Ela relatou a seu terapeuta que quando crian\u00e7a se divertia com jogos sexuais envolvendo toques e observa\u00e7\u00f5es sexuais com outras crian\u00e7as. A partir dessa informa\u00e7\u00e3o o terapeuta decidiu que Marge tinha sofrido abuso sexual e atrav\u00e9s de regress\u00e3o hipn\u00f3tica tentou resgatar suas mem\u00f3rias. Apesar de Marge reportar muitos sentimentos sexuais e mem\u00f3rias nebulosas sob hipnose, ela n\u00e3o podia relembrar uma situa\u00e7\u00e3o real de abuso sexual. Isto n\u00e3o deteve seu terapeuta que persistiu tentando evocar uma mem\u00f3ria ou experi\u00eancia em sua cliente. Marge come\u00e7ou a sentir-se culpada por seus sentimentos sexuais, especialmente quando seus filhos estavam presentes. Eventualmente decidiu que era melhor parar de ter sexo completamente e ent\u00e3o perdeu todo desejo sexual. Neste ponto ela e o marido vieram ver-me para terapia de casal. Parecia que Marge havia internalizado uma culpa por uma experi\u00eancia que jamais tivera. Eu assegurei-a de que seus jogos sexuais infantis eram normais e que n\u00e3o indicavam abuso sexual, somente curiosidade sexual e divers\u00e3o com seu corpo. Com uma s\u00e9rie de exerc\u00edcios sexuais utilizando toques e comunica\u00e7\u00e3o, Marge foi capaz de recuperar o prazer que havia perdido em seu corpo quando crian\u00e7a e de novo a experi\u00eancia sexual tornou-se prazerosa.<\/p>\n<p>Este caso foi f\u00e1cil pois a cliente viera de uma fam\u00edlia bastante saud\u00e1vel com respeito \u00e0 sexualidade. De fato sua fam\u00edlia era aberta sobre a sexualidade, e foi isso que a tornou livre para explorar seu corpo com outras crian\u00e7as. O r\u00f3tulo do jogo sexual como mau criou culpa na cliente pela sua curiosidade e desejo pelo prazer.<\/p>\n<p>INCESTO EMOCIONAL, VIOL\u00caNCIA E FALSAS MEM\u00d3RIAS<\/p>\n<p>V\u00e1rias outras clientes apresentaram sentimentos e hist\u00f3rias que s\u00e3o mais dif\u00edceis de avaliar e representam o dilema habitual no campo do abuso infantil. Tr\u00eas dessas clientes vieram de fam\u00edlias nas quais os limites n\u00e3o eram claros. Em duas dessas fam\u00edlias a amea\u00e7a de ira e viol\u00eancia por parte do pai estavam presentes. Terapeutas anteriores tinham sugerido \u00e0s tr\u00eas clientes que elas haviam sido abusadas sexualmente. Eu n\u00e3o acredito que algumas dessas clientes tenham tido realmente experi\u00eancias f\u00edsicas de abuso sexual. N\u00e3o havia mem\u00f3ria de ter sido molestada fisicamente e tamb\u00e9m n\u00e3o acredito que surgir\u00e1 alguma mem\u00f3ria. Como na primeira cliente, os terapeutas estavam procurando e tentando o tempo todo criar a mem\u00f3ria. Apesar de uma cliente produzir mem\u00f3rias de ter sido molestada, a partir da sugest\u00e3o de seu terapeuta sob hipnose, ela duvidou da possibilidade de que esses eventos pudessem ter realmente ocorridos. Isto era imposs\u00edvel. Por exemplo, ela tinha mem\u00f3ria de seu pai violentando-a mas tamb\u00e9m sabia que era virgem nesse tempo. Todavia, dentro de um sentido mais amplo de abuso, eu acredito que todas as tr\u00eas vieram de fam\u00edlias incestuosas. Elas n\u00e3o foram abusadas sexualmente de forma f\u00edsica, mas foram emocionalmente abusadas.<br \/>\nAlexander Lowen , muitos anos atr\u00e1s, em seu livro\u00a0<em>O Corpo Tra\u00eddo<\/em>, falou sobre o impacto emocional na crian\u00e7a em crescimento dentro de uma fam\u00edlia com tend\u00eancia incestuosa.<br \/>\n\u201cA crian\u00e7a \u00e9 seduzida quando o pai se aproveita de suas necessidades de proximidade e calor para obter excita\u00e7\u00e3o sexual inconsciente a partir da rela\u00e7\u00e3o. Pais sedutores s\u00e3o inconscientes da significa\u00e7\u00e3o sexual de suas a\u00e7\u00f5es, inclusive quando beijam suas crian\u00e7as na boca ou quando exp\u00f5em seus corpos \u00e0s crian\u00e7as. Tal comportamento \u00e9 racionalizado como afeto ou liberalismo, mas a crian\u00e7a percebe a tonalidade sexual dessas a\u00e7\u00f5es. Outro elemento na situa\u00e7\u00e3o sedutora \u00e9 a de que a crian\u00e7a \u00e9 colocada numa posi\u00e7\u00e3o submissa. O comportamento sedutor \u00e9 iniciado pelo adulto e a crian\u00e7a n\u00e3o pode resistir, uma vez que ela n\u00e3o pode rejeitar a abertura dos pais dos quais depende. Na sedu\u00e7\u00e3o a crian\u00e7a \u00e9 seduzida para a intimidade sendo sexualmente excitada e fica amarrada aos pais por esta excita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O pai sedutor \u00e9 tamb\u00e9m o pai rejeitador. Usar o corpo da crian\u00e7a como fonte de excita\u00e7\u00e3o sexual \u00e9 violar seus sentimentos de privacidade e negar-lhe respeito e amor que o desenvolvimento da personalidade necessita\u2026 A rejei\u00e7\u00e3o \u00e9 muitas vezes baseada no medo dos pais \u00e0 intimidade porque isto desperta seus sentimentos de culpa sexual.\u201d (Lowen).<\/p>\n<p>Pode n\u00e3o ter havido um incidente real de ser molestado. Entretanto, pode ter havido olhares sexualizados e coment\u00e1rios que os pais fizeram na frente da crian\u00e7a. Um pai pode encorajar sua filha a usar roupas que s\u00e3o muito femininas ou sensuais para sua idade. Muitas vezes o interesse sexual \u00e9 disfar\u00e7ado em interesse pela sa\u00fade ou higiene. Isto pode envolver interesse pela limpeza da vagina ou do p\u00eanis da crian\u00e7a ou ainda freq\u00fcentes enemas. Uma de minhas clientes reportou que seu marido n\u00e3o permitia que suas duas filhas dormissem com roupas de baixo porque pensava que n\u00e3o era higi\u00eanico. Ele tamb\u00e9m encorajava o nudismo em casa a fim de que as garotas n\u00e3o tivessem vergonha de seus corpos. Ele, de fato, pensava que tinha sido sexualmente abusado e estava inconscientemente sexualizando suas filhas sob a justificativa de \u201ch\u00e1bitos de sa\u00fade\u201d.<\/p>\n<p>Um cliente masculino disse-me que sua m\u00e3e o acariciava e lhe contava todos os seus sentimentos \u00edntimos. Ela freq\u00fcentemente aplicava-lhe suposit\u00f3rios e enemas, os quais o excitavam sexualmente. Quando tinha 9 a 10 anos lembra-se de sua m\u00e3e entrando nua no banheiro onde estava tomando banho. Ele pode v\u00ea-la atrav\u00e9s das cortinas e sentiu-se excitado e com repulsa ao mesmo tempo.<\/p>\n<p>O impacto de crescer num ambiente onde a crian\u00e7a \u00e9 sexualizada pelos pais pode deix\u00e1-la com sentimentos e comportamento de um sobrevivente de incesto. Mas, na realidade n\u00e3o houve um incidente a ser relembrado. Naturalmente isto \u00e9 dif\u00edcil para a mente aceitar. Ela necessita de um acontecimento para explicar os intensos e indesejados sentimentos. Foi muitas vezes citado o par\u00e1grafo do livro \u201cThe Courage to Heal\u201d: \u201cSe voc\u00ea n\u00e3o se lembra de seu abuso voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 sozinho. Muitas mulheres n\u00e3o tem mem\u00f3ria e muitas n\u00e3o conseguir\u00e3o nunca t\u00ea-la. Isto n\u00e3o significa que n\u00e3o foram abusadas\u201d (Bass &amp; Davis, 1988). Esta cita\u00e7\u00e3o foi exposta pelo Newsweek magazine como um argumento de que os autores de \u201cCourage to Heal\u201d estavam promovendo falsas mem\u00f3rias (Shapiro, Rosenberg, Lauerman,&amp; Spockman, 1993). Como Elizabeth Loftus (1993) disse: Para fazer justi\u00e7a, entretanto, deve ser mencionado que o livro \u00e9 grande (495 p\u00e1ginas), e que senten\u00e7as tiradas de seu contexto podem sofrer distor\u00e7\u00f5es em seu significado e inten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>De fato, se algu\u00e9m prossegue lendo o par\u00e1grafo citado no livro a explana\u00e7\u00e3o \u00e9 a seguinte: \u201cUma sobrevivente de trinta e oito anos descreveu sua rela\u00e7\u00e3o com seu pai como emocionalmente incestuoso. Ela nunca teve mem\u00f3rias espec\u00edficas de qualquer contato f\u00edsico entre eles e por longo tempo ela sentia-se perturbada pelo fato de que n\u00e3o conseguia lembrar fatos concretos. Com o tempo ela chegou a um consenso consigo mesma quanto \u00e0 sua falta de mem\u00f3ria.\u201d<\/p>\n<p>Esta \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o onde a crian\u00e7a \u00e9 sexualizada mas n\u00e3o ocorre realmente um incesto f\u00edsico. O que se apresenta ao terapeuta como um cliente que foi v\u00edtima de incesto, pode realmente ser um problema de crescimento num lar onde os limites n\u00e3o foram respeitados e a crian\u00e7a foi emocionalmente inundada por viol\u00eancia ou por necessidades emocionais dos pais.<\/p>\n<p>\u201cTeoricamente qualquer sentimento pode oprimir o ego se ele explode com suficiente for\u00e7a para destruir os limites do self. Dizemos que o organismo est\u00e1 inundado da mesma forma que a inunda\u00e7\u00e3o que ocorre quando um rio transborda suas margens e ultrapassa seus contornos habituais. Na pr\u00e1tica os dois sentimentos que mais amea\u00e7am a personalidade s\u00e3o a raiva e o sexo porque ambos os sentimentos s\u00e3o firmemente ligados com o medo e a culpa\u201d. Lowen.<\/p>\n<p>Quando uma crian\u00e7a cresce num ambiente de viol\u00eancia, medo e sedu\u00e7\u00e3o, ela assemelha-se ao cliente que foi fisicamente abusado mas n\u00e3o h\u00e1 mem\u00f3rias de abuso sexual. Isto se d\u00e1 porque n\u00e3o ocorreu o incidente f\u00edsico. A pessoa pode retomar mem\u00f3rias de olhares sexuais de seus pais ou irm\u00e3os. Piadas pornogr\u00e1ficas podem ter sido ditas ou um dos pais pode ter estado superenvolvido nos namoricos habituais do jovem. A mulher pode ter sentido repugn\u00e2ncia, repulsa ou sentir-se suja pelo interesse exagerado de seu pai. O homem pode recuperar lembran\u00e7as de sua m\u00e3e acariciando-o e tocando-o em situa\u00e7\u00f5es onde sentia-se superestimulado. Ele pode ter estado inconsciente de que ela era muito interessada nele e confidenciava-lhe sentimentos muito \u00edntimos, adultos demais e que o sobrecarregava.<\/p>\n<p>Tanto os homens quanto as mulheres necessitam ser reassegurados de que seus sentimentos sexuais n\u00e3o s\u00e3o maus. Porque a mem\u00f3ria real de molestamento sexual f\u00edsico n\u00e3o est\u00e1 presente, ele ou ela sente-se culpado por seus sentimentos sexuais. Uma vez que a atitude da fam\u00edlia era negar esta atmosfera, o medo \u00e9 que o terapeuta n\u00e3o acredite no cliente. Muitas vezes o cliente duvida de seus sentimentos. Se houvesse uma mem\u00f3ria real, ent\u00e3o o cliente n\u00e3o sentiria tanta culpa pelos sentimentos sexuais. Ele ou ela poderia aderir a um grupo de suporte e receber a empatia pela experi\u00eancia. Sem a mem\u00f3ria , resta a d\u00favida sobre a experi\u00eancia e se eles s\u00e3o merecedores de tais cuidados.<\/p>\n<p>REPRESS\u00c3O, FALSAS MEM\u00d3RIAS E ABUSO SEXUAL<\/p>\n<p>A crian\u00e7a que \u00e9 v\u00edtima de abuso sexual est\u00e1 numa situa\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria. A crian\u00e7a pode pensar que o abuso sexual \u00e9 algo que ela fez de errado e que foi causadora. \u00c9 razo\u00e1vel nesta situa\u00e7\u00e3o reprimir a experi\u00eancia. \u00c9 mais prov\u00e1vel que a mem\u00f3ria reapare\u00e7a quando o clima cultural sobre o abuso sexual infantil for mais aceit\u00e1vel e menos prov\u00e1vel que culpabilize a v\u00edtima. ( Resneck-Sannes, H. 1991).<\/p>\n<p>Entretanto, algumas acusa\u00e7\u00f5es de abuso infantil n\u00e3o s\u00e3o sustentados por fatos. (Wright, 1993). Mem\u00f3rias de molestamento e acusa\u00e7\u00f5es tem provocado rea\u00e7\u00f5es e a sociedade foi constitu\u00edda para proteger as pessoas de serem acusadas por essas \u201cfalsas mem\u00f3rias\u201d. Por outro lado, Laura Davis e Ellen Bass, autoras do livro \u201cThe Courage to Heal\u201d sugerem que as \u201cfalsas mem\u00f3rias\u201d s\u00e3o raras. \u00c9 mais prov\u00e1vel que a v\u00edtima reprima e sepulte suas mem\u00f3rias de abuso infantil. Pelo fato de o perpetrador negar a acusa\u00e7\u00e3o de abuso infantil isto n\u00e3o significa que a mem\u00f3ria seja falsa, pode estar tentando apenas proteger a si pr\u00f3prio da acusa\u00e7\u00e3o de abuso infantil. Outra possibilidade que pode ocorrer \u00e9 que o perpetrador reprima o abuso. Ele pr\u00f3prio pode estar num estado dissociado no momento, reinterpreta seu pr\u00f3prio abuso e se mant\u00e9m inconsciente do comportamento abusivo.<\/p>\n<p>Por outro lado, pesquisas no campo da mem\u00f3ria e da cogni\u00e7\u00e3o, tais como as de Elizabeth Loftus (1993), argumentam que \u00e9 muito f\u00e1cil implantar mem\u00f3rias falsas. Cr\u00edticas sobre sua pesquisa passada alertavam que os resultados n\u00e3o podiam ser generalizados a partir do laborat\u00f3rio para situa\u00e7\u00f5es da vida real. Em resposta, ela projetou uma s\u00e9rie de estudos mais pr\u00f3ximos da vida real. Estas situa\u00e7\u00f5es s\u00e3o fortemente carregadas emocionalmente. Em primeiro lugar, ela implantou em jovens de 14 anos, mem\u00f3rias fict\u00edcias de se perderem num shopping e de serem encontrados mais tarde. Outras mem\u00f3rias falsas foram implantadas em adultos, os quais acreditaram que tais eventos realmente aconteceram a eles, da mesma forma que os jovens.<\/p>\n<p>Certos tipos de clientes s\u00e3o muito suscet\u00edveis de acreditar em falsas mem\u00f3rias. Essas pessoas s\u00e3o mais sugestion\u00e1veis por autoridades, s\u00e3o facilmente induzidos a transe e mais provavelmente aceitam as mem\u00f3rias falsas, especialmente quando apresentadas por autoridades. (Wright, 1993).<\/p>\n<p>Os sentimentos, ao mesmo tempo s\u00e3o verdadeiros. O cliente pode relatar mem\u00f3rias de viol\u00eancia e medo. O pai ou a m\u00e3e podem ser alco\u00f3latras e inadequados. Isto n\u00e3o significa necessariamente que um incidente sexual real tenha ocorrido. Esta \u00e9 a grande verdade, a forma como o cliente sentiu e relembra o ambiente. Loftus (1993) mostrou ser poss\u00edvel implantar falsas mem\u00f3rias, inclusive mem\u00f3rias que sejam forte e emocionalmente carregadas. O terapeuta precisa ser receptivo aos eventos que o cliente reporta e n\u00e3o persuadi-lo a relembrar mais. Como terapeuta, n\u00f3s n\u00e3o sabemos se os eventos que nossos clientes descrevem s\u00e3o corretamente relembrados ou mesmo se de fato ocorreram. Mem\u00f3rias s\u00e3o incorretas. N\u00f3s criamos nosso passado e na recria\u00e7\u00e3o, muitas vezes descrevemos verdades mais graves ou mais profundas, \u00e0s vezes, que os eventos reais se eles fossem corretamente relembrados.<\/p>\n<p>Duas hist\u00f3rias de clientes ilustram esta quest\u00e3o. A cliente que produziu mem\u00f3rias fict\u00edcias de molestamento sob hipnose descreveu a cena de seu pai estuprando-a com um pau. Ele usara o pau porque sentia que ela era repugnante e n\u00e3o queria toc\u00e1-la. Agora, ela soube que esta mem\u00f3ria era falsa e ent\u00e3o sentiu-se culpada por ter produzido isto para seu terapeuta. Seu pai era alco\u00f3latra, violento e sexualizava-a. Ela ficara muito tocada quando ainda crian\u00e7a, vira seu pai ficar furioso com seus irm\u00e3os pequenos por chorarem. Sua mem\u00f3ria disse a verdade sobre sua experi\u00eancia. Os membros da fam\u00edlia raramente respondiam com cuidados f\u00edsicos emocionalmente nutritivos. Seu pai entrou em seu quarto, obrigou-a a beij\u00e1-lo e a reconciliar-se com ele, ap\u00f3s t\u00ea-la punido. O pai sentia-se culpado por seus sentimentos sexuais, projetava sua culpa nela de forma que agora ela sente-se culpada pelos sentimentos sexuais em seu corpo. Ela sentiu-se excitada e enojada pelo seu toque e por seu olhar que sentiu como sexual. De muitas maneiras sua hist\u00f3ria de ser estuprada com um pau, simbolicamente descreve como seu pai a tratava. Ele a sexualizava e raramente a tocava na forma de cuidados e respeito.<\/p>\n<p>A \u00faltima hist\u00f3ria ilustra como \u00e9 importante ouvir o que o cliente fala de seus eventos rememorados. Uma mulher veio a mim para psicoterapia pouco depois de seu marido ter subitamente morrido de um ataque card\u00edaco. Ele era muito defendido e verbalmente abusivo. Quando sua filha, enteada de seu marido, estava com 16 anos, ele fez avan\u00e7os sexuais em dire\u00e7\u00e3o a ela. A filha contou \u00e0 sua m\u00e3e que levou-a ao Servi\u00e7o de Prote\u00e7\u00e3o da Crian\u00e7a para ver um conselheiro. O padrasto ficou raivoso porque a filha falou e nunca admitiu que estava errado. Embora obviamente ele amasse e gostasse de sua enteada, ap\u00f3s este fato colocou-se distante atrav\u00e9s de hostilidade verbal. A filha queria que a m\u00e3e deixasse seu padrasto. Mas a m\u00e3e, que crescera numa fam\u00edlia abusiva, escolheu ficar com o marido. Em sua terapia, a m\u00e3e pode sentir-se dispon\u00edvel para compartilhar como se sentia mal por esta decis\u00e3o. Ela desejou ter sido capaz de dar um ultimato ao marido. Ela queria poder dizer-lhe: \u201cv\u00e1 para uma terapia ou eu deixo voc\u00ea\u201d.<\/p>\n<p>Como um interessante aparte a m\u00e3e disse-me que estava desconcertada de qu\u00e3o pouco a filha lembrava-se do ocorrido. A filha negou-se a ver o conselheiro. Tudo o que se lembra \u00e9 que queria que sua m\u00e3e deixasse seu pai. A filha tem hoje 24 anos, ent\u00e3o o incidente foi h\u00e1 apenas 8 anos. Um \u00fanico incidente, seu coment\u00e1rio sobre o problema sexual, naquele tempo, pode ter sido t\u00e3o traum\u00e1tico que foi reprimido. A considera\u00e7\u00e3o importante \u00e9 que ela se lembra da cont\u00ednua hostilidade verbal existente. Isto foi t\u00e3o danoso para seu relacionamento com seu padrasto que suplanta a mem\u00f3ria da proposta sexual. O trauma existente \u00e9 rememorado e entendido como: a m\u00e3e escolhe ficar com o padrasto em vez de proteg\u00ea-la da hostilidade verbal dele.<\/p>\n<p>SUM\u00c1RIO<\/p>\n<p>Experi\u00eancias que s\u00e3o muito traum\u00e1ticas e oprimentes s\u00e3o reprimidas e podem vir \u00e0 tona na mem\u00f3ria ap\u00f3s muitos anos. Muitas vezes, eventos s\u00e3o relembrados em terapia, os quais nunca realmente aconteceram. Crian\u00e7as que se desenvolveram em fam\u00edlias violentas e sexualizadas podem ter comportamentos similares a clientes que foram abusados sexualmente. Todavia n\u00e3o existem mem\u00f3rias de abuso sexual. N\u00e3o h\u00e1 mem\u00f3rias porque n\u00e3o houve incidentes. Ocorria uma atmosfera sexualizada que permeava suas vidas O trabalho do terapeuta n\u00e3o \u00e9 ajudar o cliente a descobrir suas mem\u00f3rias ou inclusive descobrir o que \u201crealmente aconteceu\u201d. \u00c9 sim, ouvir a verdade da experi\u00eancia. Nosso trabalho \u00e9 curar, n\u00e3o descobrir defeitos e p\u00f4r culpa. N\u00f3s n\u00e3o sabemos o que aconteceu a nossos clientes na realidade, mas podemos saber a verdade de seus sentimentos. Podemos devolver ao cliente seus direitos, comportamentos e senso de si pr\u00f3prios que perderam. Fazendo-se isto, verdades profundas s\u00e3o descobertas e seus potenciais de relacionamento, trabalho e prazer s\u00e3o recuperados.<\/p>\n<p>REFER\u00caNCIAS BIBLIOGR\u00c1FICAS<\/p>\n<p>Bass, E &amp; Davis (1988)\u00a0<em>The courage to heal<\/em>. New York: Harper &amp; Row.<br \/>\nLoftus E. (1993, May). The reality of repressed memories.\u00a0<em>American Psychologist<\/em>,<br \/>\n48,518-537.<br \/>\nLowen, A. (1967)\u00a0<em>The betrayal of the body<\/em>. London: Collier Books.<br \/>\nLowen, A. (1980)\u00a0<em>Fear of life<\/em>. New York: Macmillan Publishing Co.<br \/>\nResneck-Sannes, H. (1991) \u201cShame, sexuality and vulnerability\u201d.\u00a0<em>Women &amp; therapy<\/em>,<br \/>\n11 (2), 111-125.<br \/>\nShapiro, L., Rosenberg, D., Lauerman, J., &amp; Sparkman, R. (April 19, 1993),<br \/>\n\u201cRush to judgment\u201d.\u00a0<em>Newsweek<\/em>, 54-60.<br \/>\nWright, L. (May 17, 1993a). Remembering Satan-PartI.\u00a0<em>The New Yorker<\/em>, 60-81.<br \/>\nWright, L. (May 24, 1993b). Remembering Satan-Part II.\u00a0<em>The New Yorker<\/em>, 54-76.<br \/>\n<em>*\u00a0<\/em>Resneck-Sannes, H.\u00a0<em>A feeling in search of a memory<\/em>.Women &amp; Therapy, vol. 16, 4, 1995, p. 97-105.<\/p>\n<p>* * Helen Resneck-Sannes \u00e9 Psic\u00f3loga, Trainer Internacional do International Institute for Bioenergetic Analysis. Lecionou sobre sexualidade humana na Universidade de San Francisco.<br \/>\n<em>Tradu\u00e7\u00e3o Dimas Calegari,<br \/>\nRevis\u00e3o Odila Weigand<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma sensa\u00e7\u00e3o \u00e0 procura de uma mem\u00f3ria **Helen Resneck-sannes \u2013 Trainer Internacional de An\u00e1lise Bioenerg\u00e9tica \u2013 \u00c9 um dogma h\u00e1 muito tempo estabelecido no campo da\u00a0PSICOTERAPIA,<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1045,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4,6],"tags":[],"class_list":["post-1044","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","category-destaques"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1044","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1044"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1044\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1045"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1044"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1044"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/analisebioenergetica.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1044"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}